domingo, 30 de março de 2014

Convidado Rinaldo Leite

Brasil



Ainda há muito verde na bandeira do Brasil

Mas o amarelo-ouro

Da aquarela já sumiu.

O meu diário não é oficial

Mas sem ordem prgresso não basta.

Basta de Brasil de foto,

Eu quero um Brasil de fato.

Meu Brasil do coração

Desculpe o cuspe no chão,

Poluição em geral,

Queimada em terceiro grau,

Desculpe a estupidez dos erros  de português.

Um dia ao deixar-te

Certo de ter feito bem minha parte

O meu último suspiro

ainda hei de entregar-te.


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Rinaldo Leite
rinaldoleitehot@hotmail.com

sábado, 29 de março de 2014

“O silêncio dos culpados”

Se são inocentes, não sei... Sei que não falam. Não calam por dentro, mas também não bradam por fora. São elos de uma democracia falsificada. Querem começar o dia, admirar a tarde, terminar a noite e dormir... Mais nada! MPadilha 26/03/2014

sexta-feira, 28 de março de 2014

"Contos de Encantos"

     “Contos de Encantos”, uma nova obra literária de Quito Arantes, a confirmar o percurso de um escritor, atento e recetivo à mudança, mas à mercê de seus concidadãos, numa época que se nos depara rigorosa e intransigente. Opta, por isso, por um narrador que se desdobra, ora em participante, envolvendo-se no enredo, ora como observador, distanciando-se do vivido para melhor compreender e agir, face às exigências de uma sociedade em (im)perfeita mutação.
      Um livro que, à semelhança de obras anteriores do mesmo autor, ressaltam, nas ações das personagens, estados de inquietação comungando, simultaneamente, com a evocação, alicerçada na memória de um tempo ido e vivências do contemporâneo.
     “Histórias” de encantar aos olhos do leitor, onde sobressaem temáticas como o amor, a amizade, a compreensão, a (in)justiça… , evidenciadas no caráter de Jorge, em “Momentos da Vida de Isabel”; na fragilidade de Estrela, no Conto “A Maresia de Estrela” ou, entre outros, no ”A Conquista do Poder aos Malfeitores”, protagonizado por Mafalda e Mateus.

     Os “Contos” surgem, embora em “cenários” distintos: na Serra, no Mar ou na Cidade, como “exemplos de vida”, onde o Homem se reconhece, por vezes, “ser imperfeito” e somente o conseguirá superar, na alteração de regras e comportamentos, num espírito comummente, altruísta e de dignidade. 

à venda em www.amazon.com
by Quito arantes

ALÉM DO OLHAR

Os nossos olhos humanos
Não enxergam mais além...
No invisível os pianos
Sempre tocam para alguém;

Nossos olhares tem véus
Duma ilusão infinita;
Nunca enxergamos os céus
Nem cada estrela bonita;


quinta-feira, 27 de março de 2014

Poemeto matinal

Acorde Estique braços e pernas Boceje. Agora me abrace: meu coração também precisa espreguiçar.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Quando nos conhecemos

Quando me conheceu,
pensava que seria assim?
Pensava que teria nojo de mim?

Quando me beijou pela primeira vez,
sentiu seu estômago embrulhar
ou logo depois me fulminou com o olhar?

Ou não?

Quanto te conheci
já não tinha esperanças,
revivi em ti a criança?

Quando te beijei,
o sabor era insuperável?
Era pra ti, inestimável?

E agora?

Somos pessoas estranhas.
Sentindo as marcas
bem lá nas entranhas,
com todo furor,

do nosso ódio/amor.

E cuspindo em tudo que aconteceu,
amaldiçoando o que já foi seu e meu,

esquecemos de tudo.
Esquecemos da valsa
que tocava lá no fundo
A nossa valsa,
no nosso mundo.

Onde a única preocupação
era bailar e brincar.

Porém, já não é mas assim,
não deu pra evitar.

Enfim,

pobre dos dois
que quando se conheceram,

não pensaram no fim.

Publicado originalmente em: http://ilusoesliterarias.blogspot.com.br/

Brisabraço

A areia em brasa...
Sento na praça
e a brisa que passa
é vento que abraça:

Bento Calaça!

(Ao amigo poeta do Bar do Escritor Bento Calaça)

terça-feira, 25 de março de 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

LABORANDO A PALAVRA

POEMA-LABOR

Gosto de poema-pimenta,
Aquele que a língua esquenta,
A víscera arde em prece
E nunca mais se esquece.

Gosto de poema-tormenta,
Aquele que ondeia, mareia
E, no viés do meu convés,
Não se sabe se é sorte ou revés.

Gosto de poema-bala,
Aquele que é tiro e queda
– abala, vara, queima –,
Ou lambuza como deliciosa guloseima.

Gosto de poema-labor,
Aquele em que se trabalha,
Batalha, risca, passa a navalha,
Independente do prazer ou da dor.

sábado, 22 de março de 2014

Final do verão


Ao final do verão, as cigarras invadem a cidade. Chegam queimadas pelo sol, trocando de pele.

As formigas, trabalhadoras, da cidade nunca saem. Para elas, o inverno é uma ameaça constante.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Convidado Ivo Costa

Alicerces do Tempo

Capítulo 1 - Ventos de Agosto

          Era início de setembro de 1959, o céu estava num tom azul clarinho e intenso. Os ventos de agosto ainda sopravam como se não quisessem dar vez à primavera que se aproximava. A família Santos vivia mais um dia de sua rotina humilde e feliz. O pai, seu Geraldo, sertanejo de Arcoverde, homem de bem e pedreiro de mão cheia, nunca deixava faltar nada em casa e cuidava bem da esposa, dona Marlene, grávida e de seus três filhos, Vicente de 14 anos, Vilma de 12 e Valter de apenas cinco. “O que vem se for menino vai ser Valdir e se for menina, Marlene quer o nome de Valéria. Com saúde é que importa”, dizia ele radiante aos conhecidos, ao imaginar como seria a criança que sua senhora trazia no ventre.
         A propriedade era modesta, mas caprichada. Tratava-se de um terreno de bom tamanho, cerca de 20x20, fruto de uma invasão mesmo, que findou formando uma rua. Afinal, na época muita gente fez isso e com eles não foi diferente. Tinha bom solo, quase às margens do rio Morno, braço do Beberibe, onde vez por outra os moleques da região pescavam piabas para assar na lenha e catavam betas para servirem de gladiadores em garrafas com água.
         A casa, seu Geraldo tinha construído com as próprias mãos, sem dispensar é claro, a mão de obra de seu fiel ajudante Lourival, um rapaz meio leso que viera de Gravatá sem eira nem beira, procurar trabalho em Recife. Seu Geraldo o acolheu em casa por um tempo até ensinár-lhe o suficiente para que participasse de suas empreitadas, além de fazer vez por outra, alguns bicos por conta própria em troca de uns cruzeiros.
         A construção tinha apenas dois quartos, mas a sala espaçosa compensava. Tinha também um banheiro largo e cozinha caprichosa, que aproveitava toda a luz do Sol que pudesse passar pelos combogós. Atrás da casa, seu Geraldo ainda plantou uma muda de aroeira. “é pra fechar talho”, dizia ele destacando a propriedade cicatrizante da planta. Já no terreno restante da frente, permaneceu a sombra presenteada pela velha mangueira que já existia no local.
         
        Numa manhã rotineira, quando os primeiros raios de sol se espremiam pelas brechas da janela do quarto, o cheiro do café quentinho já tomava conta de toda a casa. Na verdade à mesa já estava posto um belo cuscuz feito no bafo ao fogo de lenha e banana cozida, comprada na banca do verdureiro que negociava na Praça da Convenção e pão comprado na barraca de seu Martiniano. O leite era fresquinho e trazido na porta de casa, oriundo de uma criação em Linha do Tiro.
        Enquanto seu Geraldo se preparava para o trabalho, Vicentinho dava um pulo da cama acordando os outros, pois dormiam todos juntos. O caçula, Valtinho ainda resistia catando sono, mas a fome fazia a vez.
Então dona Marlene tomava uma boa fatia do cuscuz macio, ainda fumaçando e despejava no prato de cada um, decorando com uma boa colherada de manteiga, que derretia lentamente ensopando a massa. Vicentinho ficava olhando o pai comer. Tamanha era a admiração daquele menino, que se esquecia de olhar para o próprio prato como se esperasse autorização. Quando seu Geraldo percebia e o encarava, Vicentinho sorria e seu Geraldo franzia a testa dizendo: “coma que vai esfriar”. Só assim o menino dava as primeiras garfadas, enquanto seus irmãos já se esbaldavam. Ele sabia o quanto era trabalhador, honesto e dedicado aquele pai e quanto era amado por ele, ainda que o mesmo não demonstrasse a todo o momento. Ele sabia, sentia. 


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Ivo Costa
icostalivro@gmail.com

quarta-feira, 19 de março de 2014

Pesquisa para a aula de Jornalismo

João Miguel estava devendo essa para seus colegas. Sexta-feira seria o prazo final de entrega do trabalho para sua aula de “Conceitos e Gêneros do Jornalismo”, e ele, de novo ele, não tinha feito a sua parte, que seria a de conduzir pequenas entrevistas com dez pessoas sobre determinado tema previamente escolhido por seu grupo. A bem da verdade, João Miguel não lembrava nem se dez era o número certo de pessoas, ou cinco, ou quinze.
Então JM mandou um torpedo para Flávia, sua colega e também a pessoa que JM tinha maior afinidade no grupo, para saber o número certo de entrevistados. Flávia respondeu: “Três. Pode fazer só três que completa o que falta, Miguel. Para hoje, belê?”. “OK” pensou JM, que foi depressa do trabalho para a Faculdade, sem direito a lanche nem nada, disposto a fazer as entrevistas que faltavam lá mesmo em, quem sabe, uma hora – ou o tempo que desse antes de sua aula-apresentação começar.
Já no Campus, JM sentou-se num banco próximo à praça de alimentação, numa hora intensa de movimento de pessoas. JM queria escolher a dedo quem seriam os entrevistados para suas perguntas, que, diga-se de passagem, iam direto ao ponto. O assunto? Bem, este estava bem evidente já na primeira pergunta formulada por JM: “Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?”. A segunda pergunta, JM pensou, pensou e pensou por uns dois minutos inteiros e não conseguiu formular nada. Na verdade, JM achava que esta primeira questão já era muito abrangente e decidiu por conta e risco utilizar só ela para a sua parte na pesquisa.
O que se segue agora é uma breve apresentação de cada um dos três entrevistados, e as suas respectivas respostas para a entrevista “valendo nota” de JM, ou melhor, do grupo de JM (repare que algumas informações que vocês verão aqui entre parênteses foram editadas para apresentação em sala, por decisão unânime do grupo). Segue aqui a transcrição na íntegra destas três entrevistas:

1ª Entrevista
Nome: Adalberto Sebastião Gonçalves de Jesus
Idade: 45 anos
Cursando: Direito
Escolaridade: 3º grau completo (em Ciências Políticas)
Profissão: Assistente de Gabinete do Vereador Adão Burzinski, do PTJS (Partido dos Trabalhadores pela Justiça e Solidariedade).
Filhos: 2 com a esposa, 1 fora do casamento (paternidade assumida após imbróglio judicial)
Casado(a): sim
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Depende. Sim e não.”
Indeciso?
“Não. Concordo em termos, pois um evento desta magnitude a ser realizado em nosso país só poderá engrandecer a nossa pátria e as nossas instituições democráticas; o tempo dirá, mas isto é mais uma demonstração de progresso para o país, e uma vitória para nossos governantes.”
A resposta então é sim?
“Não. Depende do ponto de vista. Mas sim, claro que é um sim. Porém, conforme o andar da carruagem, posso mudar de opinião... Quem sabe?”

2ª Entrevista

Nome: Karin Stéfani da Silva Santos
Idade: 18 anos
Cursando: Moda
Escolaridade: cursando o 3º grau (caloura)
Profissão: Estudante
Filhos: Não
Casado(a): Não
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Sim, sim, eu concordo. Muito maneiro, né?”
Por quê?
“Ah, porque traz dinheiro, né? Os jogador. Os time. Cada jogador lindo né... uns sarado...”
Algum outro motivo em particular, além destes recém-mencionados pró Copa do Mundo?
“Ãh? Como assim?”
A favor da Copa então, só para confirmar...?
“Sim. Sim, super a favor. Vamuuuu Brasil!”

3º Entrevista
Nome: Juliana Tamura Sebastian
Idade: 31 anos
Cursando: Pós Graduação em Linguística
Escolaridade: 3º Grau em Letras com especialização em Inglês; Cursos de Medicina Alternativa em terapia Ortomolecular, Reflexologia Podal, Reiki (e vários outros parecidos).
Profissão: Professora universitária e trabalhadora autônoma.
Filhos: Não
Casado(a): Sim (união estável, sem casamento)
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Agora que já estamos na véspera, minha opinião é... não sei se vale a pena dizer...
Por favor, gostaria muito de saber! É só uma coleta de opiniões para a aula de Jornalismo...
“Tudo bem, OK então. Bem, na verdade sou veementemente, absurdamente contra. O nosso país tem muitas e muitas deficiências, a maioria estruturais, e um governo corrupto que fecha os olhos para a miséria, para a ignorância de seu próprio povo; não podemos ter a ilusão de que um evento desta magnitude irá apagar toda a nossa falta de infraestrutura, de saneamento básico, de escolas, o problema da reforma agrária. As reformas fiscais e tributárias. A burocracia. As filas. A lavagem de dinheiro...”
OK, obri...
“A reforma do Judiciário. As leis que favorecem os políticos. A imprudência. A burocracia. Ah, maldita e atrasada burocracia! O descaso com os deficientes. O salário mínimo – que piada! As favelas. Os menores viciados. Os menores ladrões. A maior idade penal...”
Sim, mas então...
“A desigualdade. A péssima distribuição de renda. Os desempenhos na educação em rankings internacionais. As...”

Neste momento, JM pegou o seu celular e interrompeu repentinamente a gravação que fazia para fingir que atendia a uma ligação. Disfarçou um tempo e em seguida, tapou com a mão o aparelho (torcendo para que o telefone não tocasse de verdade) e disse brevemente à entrevistada: “Muito obrigado. Tchau!”. E se mandou em direção ao prédio de Jornalismo, um pouco tonto, um pouco atônito, pensando em como algumas aparências nos enganam, enquanto que outras, nem tanto... mas JM também lamentou outra coisa, e isto sim profundamente: que ele poderia ter comido um misto de queijo e presunto com ovo e batata palha que a cantina preparava, ao invés de ter entrevistado estas pessoas. E pensou: “Esses benditos trabalhos de Faculdade...”

terça-feira, 18 de março de 2014

Lista de convidados em 2014

lista dos convidados que publicarão (ou já publicaram) seus textos em 2014 no BLOG BAR DO ESCRITOR. continuamos recebendo textos como colaboração. acesse aqui para conhecer os procedimentos.

Flávio Sanso 10/10/14
Miguel Gomes 30/09/14
Tairo Lima de Loiola 20/09/14
Vivian Aurora de Moraes Bragagnolo 10/09/14
Dênis de Brito 30/08/14
Rui Catoma 20/08/14
João Victor Ferreira Batista 10/08/14
Isabel Furini 30/07/14
José Alcantara 20/07/14
Fábio Portela 10/07/14
Jovanna Lima 10/07/14
Karoline Andrade 30/06/14
Fabricio Souza 30/06/14
João Amarante 20/06/14
Ediloy Ferraro 20/06/14
Emerson Sarmento 10/06/14
Mauro Silva 30/05/14
Lêda Selma 20/05/14
Lucimar Rodrigues 10/05/14
Ricardo Mainieri 30/04/14
Luiz Neves de Castro 20/04/14
Talize Cardoso 10/04/14
Rinaldo Leite 30/03/14
Ivo Costa 20/03/14
Walter Bezerra (2) 10/03/14
Belén Greece 20/02/14
Cristina Rangel 10/02/14
Cacau Oliveira 30/01/14
Isabel Demétrio 20/01/14
Emyli Sousa 10/01/14

aqui, a lista de convidados em todos os 08 anos do blog.

Esse Jesus é um filho da puta

Sim, xinguei Jesus e não me arrependo. Também, como ele pôde anular aquele gol legítimo que nos daria o campeonato? Não só eu, mas toda a torcida do Flamengo, em uníssona indignação, saudamos aquela que o pariu. “Filho da Puta! Filho da Puta! Filho da Puta!”. Com mil perdões, Filho de Deus, mas o seu xará, Jesus Firmino Alcazar da Silva, bandeirinha filho d’uma égua, não sabe o que é um impedimento.

Nota da Imprensa, Roma, 75 d.C




#AObradasObras

Em meio a atrasos e superfaturamento, em Roma, a plebe ensandecida vai às ruas com cartazes escritos em sangue: #NãoVaiTerColiseu!, #PorViasPúblicasLivres!, #QueremosHabitaçõesPadrãoDomus! O exército imperial da capital reprime violentamente a manifestação e Vespesiano vai a público reafirmar o legado do Coliseu para a civilização romana.

André Espínola

domingo, 16 de março de 2014

Porto Belo

E lá estava eu novamente
me arrastando até a privada para
vomitar
depois voltando a beber no sofá
em meio a garrafas pet de vinho
barato,
bitucas e várias folhas de poemas
e contos batidos à máquina.

Não era bem isso
que eu queria da vida
quase todo dia
repetindo a mesma cena ridícula
talvez isso passe
como esta linha que escrevo agora

ou esta, quem sabe.

sexta-feira, 14 de março de 2014

ALDRAVIA 02

vendo
a
queimada
Curupira
chora
brasas

Nota: o texto foi selecionado no Concurso “Cardápio Poético” do Movimento Ativista (Fevereiro/ 2014):
http://movimentoativista.blogspot.com.br/2014/01/concurso-cardapio-poetico-fevereiro.html

quinta-feira, 13 de março de 2014

nao era...

ele nao era bonito
ele nao era rico
ele nao era bom filho
ele nao era bom marido
ele nao era bom funcionario
ele nao era engracado
ele nao era esperto
ele nao era querido
ele nao era lembrado
ele nao era nada

ele era o nao era....

quarta-feira, 12 de março de 2014

O PÊNDULO DO TEMPO

Mesmo que se altere
O pêndulo do...
Tempo se reverta
Ao princípio do...
Segundo...minuto horário
Marcado pelo dia
Não perpetue o que
De fato é temporário
Não determine fim
O que eterno é
Sedentário
Sentimento inverso
Contudo...alienado
Aliena o teimoso
Hereges és sagrado
Não converta o feito
Inverta o que será
Não retorne o tempo
O pêndulo perpetuará
No fim do que é
O póstumo chegará
Trará estigmas...cicatrizes
E...então...pensarás
Nunca é tarde para ouvires
Nunca é cedo para amar
Até no breu vires
Aquela luz a flamejar
Iluminou o céu tristonho
Agora a luz a ofuscar
 Claro vejo o que é risonho
A face iluminada do seu olhar

terça-feira, 11 de março de 2014

Teatro das Formigas - Ato 7 e Ato 8

Sétimo Ato
.
sob a ótica
dos velhos comandados

traçam rotas
sob túneis caóticos,
inúteis.

antenadas,

capturam sinais
digitais e
analógicos

desertam a lei
e debandam,
como cegos

à procura de luz...
.
Oitavo Ato
.
em porões
escuros e úmidos

sob tortura
barata,
delatam companheiros

alguns, capitalistas
e outros,
comunistas...

investigadas
por crimes de evasão
de direitos

pedem asilo,
às milícias,
a despeito da honra

forjada...
.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Convidado Walter Bezerra (2)



Crônica sobre o fim do mundo

Sabemos que o mundo não se acabou no ano 2000, frustrando a interpretação de uma das centúrias do astrólogo, astrônomo, alquimista, erudito e mago francês Michel Nostradamus.
Agora, os donos da bola de cristal estão afirmando que o dia 21 de dezembro de 2012 será o fim do mundo (ou o início de um novo ciclo, como dizem os mais românticos), segundo previsão apocalíptica baseada na cultura maia.  
A premonição é que o Sol nascerá, no tal dia, aliado ao planeta e ao centro da Via Láctea, um fato astronômico que só acontece a cada 26 mil anos e que provocará o cataclismo, causando o fim da vida na Terra.
Em alguns países, como na Espanha, as pessoas de alto poder econômico estão construindo, em sistema de cooperativas, os famosos bunkers, refúgios subterrâneos emergenciais, para se protegerem da possível explosão do planeta.
Os bunkers permitem que as pessoas permaneçam no interior deles até 3 anos, respirando ar puro e sobrevivendo à base de medicamentos e alimentos estocados. Eles estão protegidos por uma capa de 60 centímetros de concreto e contam com filtros de partículas radioativas para evitar a infiltração de resíduos tóxicos ou a passagem de radiação ou bactérias.
A história dos bunkers é uma realidade inconteste. Mas, suponhamos que as pessoas realmente acreditem que o mundo vai se acabar em 21 de dezembro, eu fico a imaginar, cá da minha porção vidente hilária, o que poderia acontece, a partir de agora, diante dos efeitos colaterais causados pela síndrome do pânico generalizada:
Milhares e milhares de mulheres grávidas desesperadas por não poderem sequer conhecer a cara dos frutos de seus ventres;
Mulheres casadas – reprimidas, sofridas e traídas por seus maridos – pulando, por simples vingança, a cerca pela primeira e última vez;
Outras revelando, para seus maridos mulherengos, que tais filhos não são deles, mas dos vizinhos, patrões e amantes;
Outras ainda, agora estimuladas e encorajadas, revelando suas fantasias sexuais a seus maridos, namorados e parceiros de cama sexualmente conservadores;
Casais, namorados, amantes e pessoas de todos os sexos, classe sociais e culturas aderindo ao ménage à trois, swing e sadomasoquismo;
Recatados, caretas e falsos moralistas experimentando maconha, cocaína, LSD e outras drogas alucinógenas e “reveladoras”;
Boa percentagem dos católicos, evangélicos, mulçumanos, espíritas e outros crédulos rogando a Deus para que lhes salve as almas, posto que só eles - por serem religiosos confessos e praticantes - merecem mais do que ninguém sobreviver à tragédia;
Centenas de milhares de agnósticos saindo de cima do muro e fazendo opção definitiva por Deus;
Empresários e milionários gastando tudo com viagens, extravagâncias e orgias;
Maus políticos, insaciáveis, promovendo a farra do Dinheiro Público dos Últimos Dias;
Homens e mulheres de bem revelando seus quinhões corruptos camuflados;
Multidões incautas, pobres, honestas e sem grandes ambições jogadas ao deus-dará;
Empregados e bajuladores mandando seus gerentes, diretores e patrões tomarem no devido lugar;
Formação acirrada e célere de cartéis, empresários majorando os preços, inflação a todo pique;
Devedores debochando seus credores;
Aproveitadores e caloteiros adquirindo tudo a crédito: carros de luxo, lanchas, vinhos, uísques, jóias, casacos de couro e perfumes caríssimos, visando desfrutar os últimos prazeres da vida;
Bancos, financeiras e comércio varejista, atentos aos calotes voluntários e involuntários, limitando seus prazos de pagamentos de boletos, faturas e cartões de crédito;
Todo mundo, pessoas jurídicas e físicas, sonegando impostos, provocando a falência múltipla de países, estados e municípios e quebrando, por osmose, seus funcionários e fornecedores;
Tchau, tchau serviços públicos essenciais (saúde, segurança, educação etc.)!
Estupradores de plantão violentando ídolos, divas e paixões adormecidas e dissimuladas;
Homossexuais enrustidos assumindo suas opções e preferências sexuais,
Vegetarianos devorando carnes, inclusive vermelhas, e naturalistas comendo produtos de origem animal, incluindo enlatados;
Naturistas e exibicionistas desfilando nus pelas ruas, sem nenhum pudor ou constrangimento;
Comercialização massificada de confessionários eletrônicos aplicados em iPhones, (concessão já aprovada pela Igreja Católica), e a efervescência da prática do Sacramento da Confissão nas paróquias de todo o mundo;
Vaticano revelando, ainda que tarde, seus segredos históricos e eclesiásticos guardados secularmente a sete chaves;
Líderes de todas as facções religiosas revelando - em confissão e por desencargo de consciência - que Dostoiévski, Nietzsche, Saramago, Chaplin, Galilei, Reich, Freud, Einstein, Huxley, Epicuro, Fernando Pessoa, Thomas Edison, Charles Darwin e Lennon, entre inúmeros gênios, eram figuras sapientes, confiáveis, generosas e amáveis, dignas de serem ouvidas e seguidas;
NASA tirando do baú e divulgando, embora sem mais nenhuma serventia, suas descobertas científicas e pesquisas espaciais sigilosas;
Terroristas e homens-bombas explodindo de raiva, revoltados com o efeito bumerangue do colapso planetário;
Todo mundo, incluindo aidéticos, praticando sexo sem camisinha;
Pedófilos dissimulados praticando suas taras imorais e esdrúxulas;
Psicanalistas, psicólogos e terapeutas irresponsáveis seduzindo seus pacientes;
Homofóbos, racistas, chauvinistas, xenófobos e preconceituosos em geral praticando calorosamente suas aversões nefastas;
Depravação, obscenidade, parentes copulando com parentes, Sodoma e Gomorra se reeditando, tudo como Satã quer e gosta;
Pessoas revoltadas fazendo justiça com as próprias mãos, visando, por exemplo, vingar a morte do irmão assassinado ou a da mãe acidentada no trânsito;
Pessoas injustiçadas dando, numa atitude revanchista, o troco a seus déspotas e opressores;
Oportunistas e caras de pau vendendo terrenos na Lua e em Marte, à vista e em espécie, com desconto de 90%;
Internautas inescrupulosos espalhando boatos e defecando nas redes sociais contra seus desafetos;
Desesperados querendo ser, a todo custo, sequestrados por extraterrestres, só para fugir da calamidade;
Propaganda de lançamento de um novo produto de conteúdo religioso: “Adquira já o seu Invisilex. Fique invisível, livre-se da explosão e ganhe a eternidade!”;
Ecologistas ufanos defendendo e preconizando: “O Brasil tem tantas belezas naturais que Deus vai deixar o país de fora do curto-circuito!”;
Brasileiros satíricos profetizando (chupei da crônica humorística): “Fim de mundo no Brasil não! O país não tem infra-estrutura para receber um evento de grande porte como esse!”;
Grandes laboratórios farmacêuticos futurando zilhões e zilhões de euros com a pandemia de doenças como a antlofobia, astrofobia, brontofobia, termofobia, calipsefobia, demonofobia, somnifobia, meteorofobia e necrofobia, entre outros transtornos de ansiedade de nomes morfológica e semanticamente estapafúrdios e psicodélicos;
Superpotências mundiais pedindo (agora vá!) perdão à Humanidade pela ganância capitalista e ocupações imperialistas, que causaram guerras e mortes de milhões de pessoas inocentes em diversos continentes do Planeta.
Enfim, se as pessoas acreditassem plenamente na previsão apocalíptica, o fim do mundo seria um verdadeiro deus nos acuda, uma bagaceira sem tamanho e igual.
Mas, se eu fosse Deus, não destruiria o mundo não. Faria algumas reformas essenciais, justas e necessárias
Primeiro ato: em vez de Terra, o planeta passaria a se chamar Paz!
Em seguida, ignoraria essa conversa de herdeiros  do pecado original. Nada de pagar o justo pelo pecador! Nem aqui, nem na China!
Chega de tragédias: não haverá terremotos, tsunamis, tornados, vulcões, dilúvios ou qualquer outro fenômeno natural destrutivo em nenhum lugar do mundo!
Eu, o Todo-Poderoso, acabaria com a indústria bélica. Não haverá bombas nucleares, mísseis e nenhum tipo de arma de fogo sobre o planeta!
Eu, o Criador Onipresente, faria a reforma racial: não haverá brancos, negros, amarelos, índios.Todos serão coloridos! 
Eu, o Soberano Onipotente, implantaria a reforma geográfica: não haverá país maior que outro! Todos terão os mesmos metros quadrados e a mesma quantidade de recursos e belezas naturais! Todos falarão uma só língua e suas moedas correntes terão o mesmo valor cambial! Não haverá mais superpotências e nem impérios!
Eu, o Supremo Magistrado, faria a reforma moral: fora todos os corruptos, crápulas, usurpadores e ditadores de qualquer tendência político-ideológica!
Eu, o Senhor da Democracia, promoveria também a reforma social: todos serão realmente iguais perante a lei e gozarão dos mesmos privilégios materiais e culturais!
Eu, o Sumo Sacerdote da Alma, faria, com urgência e sem pestanejar, a reforma religiosa e espiritual: a partir de hoje, a religião do planeta será o Amor!
E, por fim, eu, o Onisciente, decretaria: não tentarás contra a natureza. A partir de agora, a consciência ecológica passará a ser matéria disciplinar obrigatória em todas as escolas do planeta Paz!



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Walter Bezerra
imagine.al@gmail.com

domingo, 9 de março de 2014

HITLER ÀS AVESSAS – profanas profecias do lado B


Ponteiros não giram rapidamente ao amanhecer
Oito e meia da matina é cedo pacas
Levantar antes da hora deixa a pessoa abobalhada
Pela manhã tenho o olhar perdido
Meu aspecto é de um morto vivo
Não quero labutar
Nem fazer parte da elite
Só roubar e matar
Observo a natureza desumana
Ontem vi um animal ensinando o filhote a caçar
O animal era um mendigo
O filhote era um menor
A caça era o lixo
O bairro era o Leblon
O verdadeiro, não o do Manoel Carlos.
É!
A verdadeira essência está ausente
Não habitamos um mundo justo
Não é fácil ser vagabundo
A desgraça alheia sustenta a existência de poucos
Adoro andar à noite no calçadão da Delfim Moreira
Olhar pros apartamentos dos milionários
Vê-los assistindo a suas telas de plasma de infinitas polegadas
Sabe o que eles veem
Novela
É Fantástico
Definitivamente o dinheiro não escolhe cultura pra ninguém
Morte à High Society!
Miséria e ódio são meus alimentos
Sou um ladrão sem escrúpulos
Durante os assaltos gosto de torturar ricaços
Estrangular a felicidade deles
Minha glória é fatiar grã-finos
Faço banquetes sem precedentes para indigentes
A imagem dos miseráveis antropófagos famintos por seus algozes me conforta
Corações alheios à verdade exalam aversão
Nas minhas veias corre vinho
Libertar-me-ei completamente
Não das drogas
E sim dos filhos do dinheiro
Eu sou hediondo
Estamos todos condenados ao fracasso da alma
A morte sempre vence
Sim
Eu não sou pobre
Tenho um trabalho frontispício onde ganho um bom dinheiro
Sim
Eu não sou feio
Sou um belo espécime de macho
Mas minha índole é feita de preguiça e maldade
Detesto todas as profissões
Não preciso submeter-me ao batismo social
A moral é a fraqueza do pensamento
Sofismas da loucura
Prefiro ser da raça inferior
Proclamo o lado B
Os criminosos me enobrecem
Os presídios me encantam
Quanto mais perverso melhor
Minha mente é feita de profanas profecias
Sou um pagão à deriva
Não há família abastada no Leblon que não mereça minha ira
A riqueza nunca foi um bem público
Horroriza-me a pátria amada
A mãe gentil não deveria abandonar seus rebentos
Não tenho saudades do meu berço esplêndido
Nunca mais trabalharei
Nas cidades o espectro negro subsiste nas favelas
Jamais pertenci ao burgo do asfalto
Criaturas nefastas
A natureza humana é um obstáculo perverso
Só velhos mendigos mutilados são respeitáveis
A condenação é eterna
O inferno é aqui
Sem piedade
O fardo está posto
Somos náufragos sociais
Condenados à farsa contínua
Não há almas honestas
Tudo é vaidade
Todos seres são fatais
Vivemos na degradação
A megera da foice está entre nós
Dilacerante infortúnio
Eu darei o troco
Imitarei a farsa do Bush
Sequestrarei um avião
De preferência um vôo Rio-Paris
E cabul!
Vou estuporá-lo contra os prédios da Delfim Moreira
Morrerei em paz
Serei lembrado como o Hitler às avessas

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Sentado confortavelmente em seu apartamento, na Vieira Souto, o psicólogo Gustini Victor Strasser desligou o gravador e sorriu.

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

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