segunda-feira, 30 de junho de 2014

convidada Karoline Andrade



Andando pelas ruas escuras



Andando pelas ruas escuras
O lixo vivo colore.
A lua me limpa.
Os carros rosnando, batendo, cantando
Acordam as aranhas sozinhas em cantos mortos.
Saem fogo dos seus olhos, seus pés não param
Em busca de diversão, uma dança mental incontrolável te transforma em fumaça, ou para os sábios, em folhas no vento,
Mas você ainda está ali cheirando pinche
Sonhando com borboletas iluminadas
Rasgando a realidade, virando papel novamente
Por favor voe, não se afogue na poça de agua.
Acorde, está calor e diferente
A terra te persegue, te sustenta , te cria
Não há câmeras, sorria!


---

Karoline Andrade


Convidado Fabricio Souza



O NASCIMENTO DE UMA ROSA

Com o sangue dos poetas
Exalto a beleza escarlate
Dos longos fios em chamas
Que são capazes de destruírem meu corpo
E expor minha alma
Tingindo-a  de tom carmesim
Mesmo durante a luta entre os soldados brancos de Eliot e os soldados negros de Byron
Dentro do meu ser

Espero que (eles) pereçam
E com o rio vivo de suas vidas vazias
Possam preencher a essência de uma rosa
Que seja capaz de aquecer seu coração

---

 

domingo, 29 de junho de 2014

Ao “Líndio” com carinho










Não se conhece nada por fora
Só a alma!
Se dorme, se ri, se chora
Nem se come chimia
Ou se a chimia é de amora...
Não se sabe se tem costume indígena
Só que assume a forma
E a alma tem pena
E me acena e  corre por entre a flora...
Não conheço nada por fora
Só fotografia, que belo! Ironia...
Ou índio, ou “líndio”, ou Léo...
Como diz o Zé: bate, bate, bate na porta do céu
E  lá vem outro poema quente,  inteligente, “da hora”...

sábado, 28 de junho de 2014

Prefácio

Em jeito de Prólogo

Até Sempre!
Esta saudação de despedida dá título ao mais recente livro de Quito Arantes que, embora se apresente como um autodidata, já está a caminho do sétimo trabalho publicado. E, segundo o próprio me confidenciou, existem mais projetos em curso.
Centremo-nos agora no texto que temos em mãos. O leitor que esteja habituado a romances mais dinâmicos, após a leitura das primeiras páginas, pode considerar que se trata de uma escrita monótona, talvez devido a uma ténue escansão diarística que o mesmo apresenta. No entanto, rapidamente se irá habituar a essa cadência e perceber que esse é o ritmo em que a personagem principal passa os seus dias. É como que um convite para o leitor fazer parte daquele mundo, onde tudo se passa com a calma da vida da aldeia, sem pressas, sem agitação e em perfeita comunhão com a natureza.
E assim, pela mão do narrador, o leitor vai entrando no mundo de Adolfo, no seu dia-a-dia, nos seus desejos e angústias, nos seus constantes dilemas mas, também, nas suas conquistas e alegrias, nas suas vivências chegando até a sentir o ar puro e fresco da manhã acompanhado de um café no seu terraço, que ele tanto aprecia.
Adolfo mostrou, desde muito cedo, ser uma pessoa peculiar, com uma sensibilidade muito especial para a música, para a escrita, extremamente virado para a contemplação das pessoas, das relações humanas e do mundo em seu redor.
Nunca se enquadrou dentro da castradora moldura de cidade. Quando, por motivos de vária ordem, finalmente o conseguiu, libertou-se dela e optou pela tela viva e sem moldura do campo. Aí não sentia amarras físicas, nem psicológicas, que lhe prendiam o corpo e lhe sufocavam a alma.
Agora, ele não tem que viajar ao encontro da natureza, como fizera desde a sua juventude, ele está em plena natureza e sente-se parte dela. Longe do rebuliço de um centro urbano, refugiou-se numa aldeia minhota onde se podia dedicar àquilo que mais gostava: a fotografia e a escrita.
O seu grande sonho, pelo qual luta incessantemente, é conseguir o reconhecimento no panorama literário nacional (ou eventualmente internacional) e poder viver apenas da sua arte. Neste ponto, Adolfo poderia ser um escritor qualquer que, tal como ele, batalha a pulso pela sua fama, sem ter a magia e o poder da grandiosa máquina do marketing.
Adolfo debate-se com dois dilemas paralelos, que tenta equilibrar ao longo de todo o romance. Para além da, já referida, constante tentativa de crescer e ser reconhecido enquanto escritor, o amor por Delfina e a dificuldade em conseguir que ela (uma citadina confessa) deixasse a cidade e fosse definitivamente viver com ele, deixavam a sua alma numa permanente inquietação.
Esta personagem feminina surge definida como o seu “calcanhar de Aquiles”. Embora se amassem e apreciassem os momentos que estavam juntos, o facto de viverem em sítios diferentes obrigavam-no a deslocações à cidade, esse lugar pejado de recordações pouco agradáveis que Adolfo queria, definitivamente, deixar para trás.
Sendo um livro recomendado a todos, a sua leitura é especialmente importante para aqueles que estão agora a iniciar-se na escrita e sentir que, antes da passadeira vermelha, há um longo caminho de terra e pedras a percorrer.
Convido-vos, então, a fazer esta caminhada com Adolfo rumo ao sucesso que não se sabe se está a poucos metros ou a longos quilómetros de distância, mas já dizia o poeta: O sonho comanda a vida!

Até Sempre!



Fernanda Carrilho

AO TE QUERER

Foi ao te querer
Que eu pude perceber...
Que eu jamais poderia compreender
Quem nunca teve nada para me dizer;

Foi ao te perder
Que de tudo nada mais quis ter...
Parei de sorrir, de te ver
Para conseguir te esquecer;                                                


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Lua?


Ah, Lua atrevida 
Escancarada 
Pornográfica 
Matando de inveja Saturno e seus anéis 

Ah, Lua... 

Lua? 

Ah...

Luana...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Parem a Palavra!

E se,
os nossos corpos deixassem de percorrer
os diversos caminhos
na frenesi da vida cotidiana
embalados ao som de máquina
e passassem a esquecer da velocidade
substituindo cada quilometro rodado
por palavras poéticas.
Talvez,
os nossos pés calejados
passariam a sentir em suas veias
rimas ao invés de dor.
Deixaríamos o metro, o segundo, o  passado e o presente
se perderem
Quem explodiria no caminho
seria o som
O som dos sentimentos trazidos
pela ginga dos versos encantados
Não seríamos
mais velhos ou jovens
Não ousaríamos dizer
ontem ou amanhã
Somente parados, estagnados
perdidos na curva da linha
do tempo e espaço
acharíamos o que realmente importa
Que a visão ganhasse
o seu único propósito:
A luz capturada no olhar
dizendo

Amor.

Pra Sempre

o ato feito
é fato
o pensamento
é bruma
o fato feito
se prova
o sonho é etéreo
se perde
o ato é eterno

cuidado

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Senhor, em que posso lhe ajudar?


Ligou para o restaurante.- Boa noite, senhor, em que posso lhe ajudar?
- Gostaria de fazer um pedido.
- O que o senhor deseja?
- Eu queria um amor verdadeiro.
Uma pausa longa. Ele esperou por uma resposta atravessada. Ou por compaixão.
- Não encontro no sistema. O senhor poderia fornecer o código do produto?

domingo, 22 de junho de 2014

Mulher bomba


Por dentro, explodia um não. Mas o único som que se ouviu foi o daquela voz, suave e sofrida:

– Aceito.

E prosseguiram com a cerimônia.

sábado, 21 de junho de 2014

Poema antigo


                             

Quando você se lembrar

Do pôr do sol,

Do amanhecer,

Da chuva que cai...

Não tente esquecer que,

Sem você minha vida é sem luz.

É anoitecer sem lua no céu;

É água do mar sem peixes a brincar nas águas.

 
Quando você se esquecer

Que você me dá vida

Como o sol faz ao dia,

Tente se lembrar da minha poesia.

Ela não existiria se eu não amasse você.

 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Convidado João Amarante

Cheguei à Primavera



Cheguei à primavera.
Sentado no banco ainda molhado da chuva
Pude sentir o cheiro de ferro
Que desacelera o tempo.

O peso em minhas costas
Reprimia a velocidade do meu caminho.
Meus pés liam o chão
Como se procurassem respostas escondidas.

Em frente! Em frente!
Sede e fome, mas eu queria continuar!
Anos e anos passavam ao meu lado
E eu tão diferente do dia que cheguei!

Atravessei por uma ponte
Que eu não sabia que existia.
Eu não queria conhecer mais nada,
Eu já sentia meu horizonte completo!

Errei. Eu estava enganado!
O alento da certeza tinha ficado para trás,
Uma nova estação se aproximava
E eu, calado, cheio de terror.

Não voltei mais a primavera!
Um dia, perdido, eu passei por perto
E pude vê-la ao longe.
Ela espera a minha volta.


---

João Amarante

Convidado Ediloy Ferraro

INCONFIDÊNCIAS DE WALKÍRIA


Da janela de madeira, no encosto protegendo os braços por um pequeno travesseiro, ali passava todo o tempo de que dispunha, única mulher em casa, cuidava de manter a limpeza e demais afazeres, sobrando-lhe horas para devaneios e distrações. Vivia imersa em suas recordações, alternando épocas, viajando nas lembranças, interligando o passado e o presente.
No desenrodilhar de suas divagações saudosas, via-se jovem e enamorada do primeiro homem, questionava-se consigo mesma, ralhando se não fora exigente demais. Acabou por fazê-lo desistir devido ao gênio intransigente e autoritário. Não era de dar mão à palmatória, pessoa convicta e de opinião, não dada a meios termos. Desiludira o pretendente por picuinhas, embora sentisse a falta que ele deixou. Esta era a versão corrente, opiniões do velho pai e dos manos, que ela, por conveniência, adotara para si mesma. Os fatos, porém, eram outros, insuspeitos. Apesar dos hábitos conservadores de sua juventude, partiu dela a vontade de entregar-se ao jovem, no fundo achava um absurdo ter que ser desposada para só depois desfrutarem um do outro. Havia tantas exigências antes do casório, além do que, se percebesse que não se davam bem na intimidade, estariam atados a vida toda por um compromisso oficial, além do religioso, valores considerados por todos. Pensava com seus botões, tantas relações falsas, mantidas por preceitos sociais e hipócritas, isso não queria para ela, nunca.
 Ria-se consigo mesma da cara de espanto dele, diante a sua proposta inusitada, ao propor-lhe que fossem às vias de fato, ou seja, que iniciassem a vida sexual mesmo antes dos entretantos exigidos pela sociedade, e dele ter uma condição financeira mínima para se casarem.. Será que ele pensou que ela não fosse uma mulher “direita”?,Imagine desejar sexo, principalmente partindo a iniciativa dela,.aquilo fugia a qualquer propósito de uma moça respeitável e virgem. Geralmente cabia ao homem ser mais ousado e até atrevido com a namorada, avançando sinais. Osnamoros costumavam ser vigiados pelos pais ou irmãos mais velhos. Sentia-se enfastiada de namorar em olhares, apenas com o entrelaçar das mãos, a imaginação corria solta, suspirando-se. Levá-lo para a cama, portanto, foi um plano mirabolante.
 Daquela mesma janela, que dava para o seu quarto, convenceu-o a transpô-la, a avançadas horas, para dentro da sua alcova, antecipando as esperadas núpcias. Meio sem jeito, pego de surpresa o pobre, vermelho de vergonha parecendo um tomate nas bochechas alvas. Na verdade fora intimado, não restava alternativas. Ou a desejava e provava, ou acabariam com o noivado ali mesmo. Recusar seria por a prova sua virilidade, além de perdê-la, sabia bem o gênio da pretendida. Quis argumentar de que poderiam falar deles, e que devia respeito ao pai dela, viúvo, e aos seus três irmãos, mas não houve jeito.
 Acertado os detalhes, ela deixou a ampla janela de madeira entreaberta, sem o trinco, e o esperou nua sob a camisola de algodão. Por precaução deixou um azeite sobre o criado mudo, para lubrificarem-se, se houvessenecessidade. Cobriu com um pano grande a cama, não queria deixar vestígios, caso sangrasse. Ela mesmo encarregava-se de lavar as roupas, portanto sem riscos de descobrirem.
 Todos os familiares se recolhiam cedo, depois de desligarem o velho rádio de pilhas na sala, onde, após a ave Maria, ouviam as notícias..O pai e irmãos tinham uma sanfona, onde se dedicavam em incansáveis notas, passando de mão em mão entre eles. Em pouco apenas o ressonar de pessoas dormindo, por vezes um ronco mais forte, mas todos entregues aos leitos, depois da labuta na lavoura pelo dia todo.
 Ao ver-se dentro do quarto, ainda assustado por transpor a janela de forma clandestina, como um ladrão na madrugada, ela lembrava-se risonha e divertida da expressão de espanto dele. Possivelmente também sua primeira experiência com uma mulher, pelo susto e despreparo que apresentava naquela situação.
Teve que ser dela novamente a iniciativa, diante ao inerte companheiro, sem saber como agir. O temor de ser descoberto tirava-lhe a excitação, sem saber o que dizer, estava mudo e apatetado. As conversas, poucas, deveriam ser sussurradas aos ouvidos para não atrair a atenção dos demais da casa, entregues ao sono pesado.
O que faltava a ele sobrava a ela, afoita e desejosa de ser possuída. Vendo-o atônito, despiu a camisola e o beijou no pescoço, ajudando-o a desvencilhar das vestes. Aquele homem troncudo e ingênuo, parecendo antes um menino assustado, tinha o corpo malhado pelo sol do campo das colheitas. O viço dos ombros largos, que o recostar de seus seios nas costas os intumesceram de desejo, erguendo-lhe os mamilos. Arfava só com o encontro de sua pele macia na dele, áspera e máscula. Seu dorso nu a instigava a quebrar o gelo que o constrangimento do incipiente jovem demonstrava. Por fim, seduzido e entregue, rompia os limites da timidez e a embalava nos braços, sequioso de seu corpo alvo e bem delineado. Vulcões em erupções, amaram-se freneticamente, quedando-se extenuados. De quantas milionésimas vezes aquele filme voltava a ser exibido em suas lembranças, a reavivando nas saudades, deixando-a excitada? Suspirava querendo reter no presente o passado distante.
 Contudo, a sua ousadia era demais para ele, assustado com a sua voluntaridade, mesmo tendo sido o primeiro, os vestígios rubros no pano não deixavam dúvidas, não suportou a avidez da companheira, sempre o desejando mais e mais. Em nada lembrava a terna namorada, discreta, que conhecia. Aparecia diante a ele como uma devassa, ainda bem que ela se manifestou antes do matrimônio, jamais teria paz com aquele demônio de saias como esposa, com aquela sanha indomável com certeza o trairia. Escafedeu-se da cidadela, após mais alguns encontros arrebatadores e furtivos, emagrecera a olhos vistos. Seu sumiço deu-se a conta de que estivesse enfermo e fora buscar recursos médicos em outra cidade. O pai e os irmãos, por respeito à abandonada, evitavam o assunto, preocupados com a má sorte da desafortunada familiar.
Ela ,na cara de santa, sabendo bem o porquê da ausência, fazia-se de muda, triste, viúva de homem vivo desaparecido. Razão de silenciosa e solidária consternação dos familiares. Quando as saudades batiam mais forte, vinham as lembranças daquelas noites clandestinas e sensuais, sua iniciação sexual tão desejada. Ele poderia ter sumido, mas duvidava que não se lembrasse dela e de seus encontros, estreantes ambos nos inconfessáveis prazeres.
O segundo a cair na teia da aranha, ou no quarto da desconsolada solitária, foi um vendedor ambulante, vindo de outras plagas. Achegou-se cavalheiro para apresentar suas bugigangas, foi fisgado. Estavam a sós em casa, os demais demandavam cedo para a roça, ela ficava para cuidar dos afazeres domésticos e da comida.
 O homem de fala rápida, matreiro expositor de seus produtos, a quem foi servido um cafezinho. Observando a vizinhança, atenta, foi  fechada a janela e o  trinco na porta. Ela bem sabia seduzir, deixando a mostra as pernas, de forma proposital. Ele, respeitoso, fingiu não perceber, continuando com sua prosa comercial, repetitiva e chata. Não havia tempo a perder, quando deu por si ela estava lhe roçando os seios desnudos, expondo seu sorriso provocante e convidativo, não dando azos a nenhuma dúvida de suas libidinosas intenções.
 Homem experiente, entendeu rápido o jogo da sedução, a pegando pelos cabelos e mordendo de leve seu pescoço... De leve, recomendou ela, sem deixar marcas...
 Nus como vieram ao mundo, saciaram-se um do outro. Extasiados naquela tarde solarenta e prazerosa. Dele não aceitou nada, nem uma lembrancinha. O que o intrigou, afinal, pensava, elas sempre cobravam alguma coisa, um enfeite para o cabelo ou outro mimo de pequena monta, dos quais seu mostruário era repleto. Ele que não imaginasse que ela fosse uma rameira, vendendo-se por quinquilharias, não disse mas deixou claro, demonstrando desinteresse por sua mercadoria. Dele desejou o calor e ardor de seu sexo, nada além disso.
 Ficaram de se ver outras vezes, sempre no máximo sigilo. Nem se preocupou com aliança no dedo do conversador, não era ciumenta, só o quis por momentos. Nunca mais se viram.
 Lembrava-se do romance com o dentista, espremidos no consultório, alvoroçados, ela e o doutor, parecendo consulta ginecológica e não dentária. Aquele tratamento rendeu muitas idas, parecia que estava com os dentes em cacarecos, com duas sessões semanais, durante algum tempo. Até que ele se rendeu, revelando que não poderiam continuar, baixando a guarda nos brios de macho e confessando-se exaurido, comprometendo sua vida conjugal já estremecida.
 Outros se seguiram, de preferência casados. Assim não abriam o bico com receio de se comprometerem. Quanto a ela, o interesse era por instantes fugazes, não se prendia a ninguém. Gostava de tê-los quando quisesse, embora, assustados com sua volúpia, após poucos encontros se ausentavam. Alguns, respeitosos e temerosos, ao vê-la na janela, cumprimentavam-na retirando o chapéu, cortesia dispensada a respeitáveis senhoras e senhoritas. Respondia as vênias com irônico e insinuante sorriso.
 Tinha  a certeza de que os varões a temiam na intimidade, debandavam com receio de não darem conta de sua tara insaciável. Era melhor assim, detinha um trunfo contra boatos maledicentes, sabia os limites de cada um com  quem se deitava, tinham-os à mão, por temerem esse segredo. A convicção do receio deles com aquela arma implacável, assim, tacitamente entendidos, a veneravam como uma respeitável dama..
 Para os demais que passavam, obsequiosos, podia ler em suas fisionomias os seus pensamentos, imaginando-a uma pobre infeliz que ficara para titia, solteirona. Havia ainda as casadas, a passarem orgulhosas exibindo seus pares ( muitos deles bastante conhecidos na intimidade das quatros paredes de seu quarto) a ostentarem o matrimônio como troféus.
 Quanto a ela, ria consigo mesma, sentia-se livre para usufruir  de todos,sem compromissos com  nenhum..

 ---
Ediloy Ferraro