
Hoje eu vou me desfazer da minha bolsa de trabalho e desta farda encarnada; vou vestir uma roupa de viagem, pôr uma mochila nas costas e rumar para o norte. Mas não vou pela estrada; não vou pelas rodovias duplicadas cheias de carros apressados e caminhões cheios de produtos para saciar o insaciável consumismo metropolitano. Prefiro os caminhos de terra, trilhas velhas feitas por antepassados esquecidos; as planícies verdes sob o céu azul escaldante; as colinas vestidas de pedras que guardam a história do mundo. Prefiro o labirinto das pequenas florestas e suas lembranças dos Tempos Antigos, talvez encontre lá alguns animais já extintos. Menino criado em cidade grande, certamente em algum momento eu me perca, mas realmente não me importa, e aí eu queimo o mapa na fogueira e continuo rumando ao norte, que é para lá que eu vou. E quando meus pés estiverem cansados, feridos e calejados, quem sabe algum cavalo esteja me esperando no campo aberto para seguir comigo nessa viagem.
Mas, na verdade eu ainda estou no coletivo, com minha bolsa de trabalho e a farda encarnada. Mas penso em você, meu Norte.
André Espínola
3 comentários:
Bacana gostei, to achando legal essas criticas a forma de vida humana.
Foge pra cá, querido!
:)
Linda a prosa, lindo o prosador.
Te amo!
Mas não é assim mesmo?
Que bom que nossa escrita pode
ser esse condutor
de sonhos...isos enquanto aguardamos a hoje de ir ...
Bjins netre sonhos e delírios
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