Mostrando postagens com marcador Júlio Freitas. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 16 de março de 2017
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Das tempestades
Escrito por
Júlio Freitas
São tempestades
em copos de água
constantes
desde antanho
das quais somente os copos
desconheço o tamanho.
em copos de água
constantes
desde antanho
das quais somente os copos
desconheço o tamanho.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
domingo, 16 de outubro de 2016
Limpeza estomacal
Escrito por
Júlio Freitas
Vomite tudo de volta
o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu
arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo
ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.
o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu
arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo
ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Chuva de canivetes
Escrito por
Júlio Freitas
Pensava em um rumo
todos ali esperavam
todas as gotas
todos os minutos
todos ansiosos
aos poucos
eles iam embora
sozinhos
casais
ou grupos
tão escuro
tão frio
tão nervoso
estava na parada
seu ônibus
nunca veio.
todos ali esperavam
todas as gotas
todos os minutos
todos ansiosos
aos poucos
eles iam embora
sozinhos
casais
ou grupos
tão escuro
tão frio
tão nervoso
estava na parada
seu ônibus
nunca veio.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Feito o diabo fugindo da cruz
Escrito por
Júlio Freitas
Ela saiu correndo
e o derrubou
e atordoado,
custou a perceber
o que havia acontecido
forçou as vistas
procurando
e foi atrás dela
Dobrou a esquina
e pôde vê-la
estava longe
nada mais a fazer
Lá se ia a sua boa sorte,
tropeçando num gato
e se esparramando numa roseira.
e o derrubou
e atordoado,
custou a perceber
o que havia acontecido
forçou as vistas
procurando
e foi atrás dela
Dobrou a esquina
e pôde vê-la
estava longe
nada mais a fazer
Lá se ia a sua boa sorte,
tropeçando num gato
e se esparramando numa roseira.
sábado, 16 de julho de 2016
Onda
Escrito por
Júlio Freitas
aquele ali é hippie e está na moda
aquele outro é vegano porque é moda
fulano envenena o próprio corpo
e se diz preocupado
com a natureza
ciclanos e beltranos
estão dizendo que não vai ter copa
e tantos tantos outros
batem panelas contra o governo
poucos sabem
o que realmente estão fazendo
vejo uma onda levando todo o resto
e acabando num redemoinho
alguns se salvam
ficam boiando
como merda após a descarga.
aquele outro é vegano porque é moda
fulano envenena o próprio corpo
e se diz preocupado
com a natureza
ciclanos e beltranos
estão dizendo que não vai ter copa
e tantos tantos outros
batem panelas contra o governo
poucos sabem
o que realmente estão fazendo
vejo uma onda levando todo o resto
e acabando num redemoinho
alguns se salvam
ficam boiando
como merda após a descarga.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Ideia
Escrito por
Júlio Freitas
Um pardal entrou pela sua janela
bateu na parede
na porta da geladeira
e achou a saída
"Taí uma boa ideia", ele pensou
Então abriu a porta
abriu suas asas
respirou fundo
e voou
Dias depois
numa cidade vizinha
foi encontrado morto
apedrejado por crianças
com seus bodoques
e arminhas de chumbo
Não
ele não estava pronto
para sair do ninho
A ideia era boa
o tempo não.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Loop
Escrito por
Júlio Freitas
ergueu-se do chão
foi ao banheiro
lavou o rosto
pegou os cigarros
as chaves
e saiu para a rua
o sol e o calor
o sangue fervia
o estômago embrulhado
o barulho ensurdecia
bolhas nos pés
o trabalho imposto
bate-ponto
filas de robôs
alienados
programados
para sempre seguir ordens
e alimentar
a grande máquina
fim de turno
fim de tarde
rostos
carros
buzinas
suor
tontura
fedor
e loucura
chega em casa
liga o rádio
senta no sofá
esboça um sorriso
e morre
como tem feito todo dia, aliás.
foi ao banheiro
lavou o rosto
pegou os cigarros
as chaves
e saiu para a rua
o sol e o calor
o sangue fervia
o estômago embrulhado
o barulho ensurdecia
bolhas nos pés
o trabalho imposto
bate-ponto
filas de robôs
alienados
programados
para sempre seguir ordens
e alimentar
a grande máquina
fim de turno
fim de tarde
rostos
carros
buzinas
suor
tontura
fedor
e loucura
chega em casa
liga o rádio
senta no sofá
esboça um sorriso
e morre
como tem feito todo dia, aliás.
sábado, 16 de abril de 2016
Todos estavam errados
Escrito por
Júlio Freitas
ele
cresceu
e
a vida adquiriu aquela cor
que
tanto lhe diziam ser impossível
finalmente
mar
finalmente
flor
finalmente
rosa
rosa
como veneno de rato.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Cuspindo sangue em manhãs de glória
Escrito por
Júlio Freitas
encarou
as paredes
atirou
o copo
mastigou
os cacos
e
bebeu a canha
da
garrafa
a
noite estava somente começando
os
outros celebravam qualquer coisa
suas
vitórias, talvez
e
ninguém nunca iria entender
que
nenhum mal
ou
dor
da
vida
jamais
iria
afetá-lo.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
sábado, 16 de janeiro de 2016
Fórum Social Mundial
Escrito por
Júlio Freitas
Moribundos e velhos
Não recebem a bênção
Do deus Trabalho
Mendigos e andarilhos
Foram esquecidos
Pelo deus Dinheiro
Os escafandristas
Das sarjetas
Dos tempos modernos
Trazem sempre
As mesmas velhas notícias
Enquanto isso
O pessoal do Fórum
Vem dizendo
Que um novo mundo é possível
Em falsos discursos
De vanglória e meta
Desviando recursos
E tirando o cu da reta.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Eternos milésimos de segundo
Escrito por
Júlio Freitas
Naquela fotografia
Ficamos estáticos
Esperando o mágico
Momento da eternidade
Quando na realidade
Ele é um pássaro
Que tão sarcástico
Nunca pousaria.
Ficamos estáticos
Esperando o mágico
Momento da eternidade
Quando na realidade
Ele é um pássaro
Que tão sarcástico
Nunca pousaria.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Gravatas
Escrito por
Júlio Freitas
Não gostava de gravatas. Saía pela manhã cheirando a café, cigarro e mofo, suas baratas e ratos de estimação ficavam na porta, acenando, enquanto passava o ônibus com alguns tripulantes engravatados. Seu olho esquerdo tremia freneticamente ao vê-los de relance, preferia ficar em pé, estático, os dentes acirrados e as mãos suando, geladas. Ficava a planejar numa forma de pôr um fim naquilo tudo. Todos os dias.
Já não enxergava mais as pessoas, eram tudo gravatas. No trabalho, mais gravatas. Gravatas tomando café, coçando o saco, contando piadas, peidando. Gravatas trabalhando na grande máquina sanguessuga, chupando a alma dos pobres diabos que chegavam se arrastando, suplicando menos taxas e juros.
Na rua, gravatas berrando ao telefone, xingando umas às outras, gravatas enfileiradas esperando seu McLanche Feliz, assistindo a um imbecil qualquer na TV, outras em transe, rodeando uma gravata com bíblia na mão.
Não gostava de gravatas. Precisava acabar com aquilo.
Certo dia chegou em casa, atirando a pasta na cama e afrouxando o gola da camisa. Pegou a garrafa e começou a mamar seu bíter, ele queria evitar as palavras de seu falecido pai, mas elas marretavam cada vez mais forte em sua cabeça: "- Filho, espero ainda estar vivo para vê-lo homem, com um bom emprego, de terno e gravata. Um homem sem gravata não deve ser levado a sério. Mulher, traga-me o torresmo!".
Então foi até o fundo do guarda-roupa e a retirou de dentro da caixa de uma sandália da Azaléia. Estava intacta, vermelho-sangue, hipnotizante: a gravata que roubara de seu pai quando este descansava no caixão. Colocou-a, e imediatamente sentiu seu sangue fluir, ferver, pulsando nas veias; sente algo com um soco no estômago e começa a ficar sem ar, debruça-se na mesa e aos poucos vai aliviando, a cada inspiração e expiração. E então se sente bem. Melhor do que nunca.
Sai de casa como se um véu tivesse sido retirado de sua cabeça, tudo é muito claro e já não enxerga somente gravatas. Consegue ver os rostos, analisa-os, sente-se feliz. Uma alegria como há muito não sentia. Passeia sem rumo pela cidade até anoitecer. Então chega em casa e tudo é diferente, senta-se no sofá, a paz reina em sua cabeça. Dorme profundamente.
No dia seguinte foi encontrado morto, dizem que se enforcou com a gravata, que havia ultrapassado a pele de seu pescoço, mas ainda assim sorria. Um sorriso satisfeito de alguém que talvez tenha levado a sério demais o nó da gravata.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Marcha
Escrito por
Júlio Freitas
Tem protesto lá na esquina democrática
Me convidaram
Não vou
Eu sou bundão
E covarde
Estou cagando e andando
Protesto em casa
Fazendo sexo
Os miliquinhas
Continuarão abusando
O Zé não vai para de gritar
Vai ficar tudo na mesma merda
Algum fulano
Até vai ocupar novamente
Os painéis de controle do poder
Mas não irá desligá-los.
Me convidaram
Não vou
Eu sou bundão
E covarde
Estou cagando e andando
Protesto em casa
Fazendo sexo
Os miliquinhas
Continuarão abusando
O Zé não vai para de gritar
Vai ficar tudo na mesma merda
Algum fulano
Até vai ocupar novamente
Os painéis de controle do poder
Mas não irá desligá-los.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
The lunatic is in my head
Escrito por
Júlio Freitas
Tem um lunático lá no pátio
Ele brinca com o cachorroE atira o gato para cima
Pela manhã
Ele conta as gotas de orvalho
Por toda a grama
Tem um lunático na minha sala
Ele recita mantras e joga I-Ching
Conversa por horas sobre suas viagens
E projeções astrais
De noite sobe no telhado
E fica olhando os cometas
Tem um lunático na minha cabeça
E não quer sair
Ou talvez eu não o queira
Ele chora
Ele ri
Após vislumbrar este caos
Ou quando a dor se acentua
Ele some
E se esconde
No lado escuro da Lua.
domingo, 16 de agosto de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
O medo
Escrito por
Júlio Freitas
tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo
todos os meus suicídios
empecilhos
martírios
fracassos
tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo
todos os meus atrasos
vôos rasos
acasos
e afins
tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo
todos os porres
tarde demais
ou tão cedo
todas as mortes
tarde demais
ou tão cedo
todas as dores
tão tarde
tão cedo
tudo agora
no tempo certo
ou errado
em mim.
ou tão cedo
o velho receio
o medo
todos os meus suicídios
empecilhos
martírios
fracassos
tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo
todos os meus atrasos
vôos rasos
acasos
e afins
tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo
todos os porres
tarde demais
ou tão cedo
todas as mortes
tarde demais
ou tão cedo
todas as dores
tão tarde
tão cedo
tudo agora
no tempo certo
ou errado
em mim.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Tarado anti-modernista
Escrito por
Júlio Freitas
Cachaça com bíter me deixa tarado
não entendo poemas modernistas
nunca fui nem quis ser avant-garde
numa estética primitiva e minimalista
Cachaça com bíter me deixa tarado
note o volume em minhas calças
não sei tocar nenhum vaudeville
nunca gostei da nouvelle vague
Cachaça com bíter me deixa tarado
fico afiado
sou velho
mas ainda sirvo pra montaria
só ando armado
e tenho boa pontaria.
não entendo poemas modernistas
nunca fui nem quis ser avant-garde
numa estética primitiva e minimalista
Cachaça com bíter me deixa tarado
note o volume em minhas calças
não sei tocar nenhum vaudeville
nunca gostei da nouvelle vague
Cachaça com bíter me deixa tarado
fico afiado
sou velho
mas ainda sirvo pra montaria
só ando armado
e tenho boa pontaria.
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