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sábado, 12 de março de 2011

Descuido


Bebo uma saudade que não me cabe,
Que reflete em lágrimas
E apaga o brilho da constelação
que já foram meus olhos,
em um passado não muito distante.

Aprecio o escuro da noite,
Onde me escondo das artimanhas
das minhas emoções
Um ar de mistério me persegue e,
Caminho sem saber ao certo onde estou

Descuido.

A mudança da fase da lua expõe
Minha face oculta tão escondida
Pela escuridão.

E apesar das incertezas admito,
É hora de recomeçar

E a sombra das minhas curvas se movem lentamente
Na luz do luar e,
Ao dominar meu fingimento

Sigo sem olhar para trás.
(Ro Primo)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fim de tarde


A fina garoa da tarde
se sobressai na linguagem dos corpos
ávidos por um desejo incontrolável
que incomoda o mundo,

Palavras,saliva, partículas, tudo se torna um...
Enquanto observamos o pôr -do -sol laranja e calmo
nas curvas das sombras maliciosas do toque

Gotas de sonho e suor se misturam
com a límpida água que cai do céu
que mesmo em meio a luxúria nos purifica

Nas ventanias trazida pelas tardes de verão
orgasmos sussurrados delicadamente entre nuvens
transforma o eterno em efêmero.

(Ro Primo e Alano)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Nunca Mais

Ao sonhar demais me perdi,
Enlouqueci em devaneios inventados
por uma mente que sozinha jurou amor eterno.

Imaginação fértil em terrenos impróprios,
plantações de frutos raros
que nunca serão colhidos.

A beleza que floresceu não terá cor
pois os olhos de quem as plantou estão vendados

Só restam os aromas que penetram na alma e
se fixam no coração que palpitante grita
Tudo que poderia ser mas por medo não foi e,

Cala-se.

Para nunca mais.

(Ro Primo)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sensações


A noite escura, a guerra perdida
Os olhos em fuga são colhidos pela tempestade
Que assolou aquele terreno infértil de murmúrios.

Lembranças transformadas em temidos furacões
Redemoinho de sensações
Deserto...

Os sonhos foram perdidos
A lua compadecida os acalenta
E os repousa em uma estrela...
Aquela, que se desprendeu da constelação.

Sem rubor os anjos observam atentamente
Os sentimentos expressados com ternura.

As fadas ensaiam passos novos,
bailam nas palavras proferidas que se encaixam
perfeitamente como notas musicais
Bela melodia...

A alma alimentada e os pelos eriçados...
Sentimentos e sensações jamais experimentadas.

Um feixe de luz...
O sol mansamente começa a brilhar
E nos faz lembrar que,
Construímos nosso castelo nas nuvens

Vendaval...

Desmorono

Restam escombros...

(Ro Primo)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

***


Distraída,
perdeu sua face no espelho do quarto
Em cada reflexo uma promessa
Em cada olhar lânguido, momentos vagos
vivenciados na noite...

Tem a mania de
transformar amores não vividos em estrelas
Sabe exatamente a localização de cada um.

Colecionadora de sonhos
Criou sua própria constelação

Inatingíveis !

Alguns desapareciam
ela nem tinha tempo de perceber...

A cada dia um novo brilho
Pedaços da noite, estilhaços no chão.

Aprendeu que feridas cicatrizam
E segue pisando firmemente.

A dor não incomoda,

Satisfaz.

(Ro Primo)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Domínio


Nesta noite tão fria,
Partículas pulsam quentes em meu corpo.
Me torno imprevisível: instabilizo, devasto;

Afloro em potencial perigo,
quase desejável.

Mesmo assim
O frio insiste.
E me toca.

Do estado de dormência
latente que me encontro,
Posso passar ligeiramente
ao estado altivo do vulcão
prestes a uma erupção.

Mas com sua indiferença,
o frio conseguiu.
Me domar.

E o restante
da noite continua.

Tão frio.


(Ro Primo)

domingo, 13 de setembro de 2009

Revelação


Absolvida pelos ventos esfuziantes do sul
Deixo a brisa tocar levemente minha face,
já tatuada de amarguras e profanas inquietações.

Uma força invadiu meu ser,
Mergulho na intensa profundeza
dos meus instintos mais sombrios

Impulsiono-te a conhecer meu inconsciente,
e apresento o que tenho de mais agressivo e feroz...

Revelo-me...

Ofereço a magia inebriante do prazer e,
Proporciono a mais bela e tenebrosa
psique da visão humana.

Faço-te perder os sentidos...

Torno-me o principio do precipício
Da tua perdição...

Se mesmo assim, quiseres me segui
Aviso...

Não é seguro.

(Ro Primo)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ostras

"Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas"



Rumores e sensações, vividas em silêncio
De profanas inquietações.

Guerras deflagradas a procura
Daquilo que foi encontrado
Na pureza dos sentimentos
Vividos antes do despertar
Da lua que nos observa
Brilhante e cheia...

Visionários de sonhos
Trazidos pelos ventos esfuziantes
Da maldita estrada que nos separa

Em um longínquo futuro inexistente
Tornamos-nos pérolas.

(Ro Primo)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Êxtase


Quem me dera...
Ao menos, uma vez

O prazer de sentir
O estado latente, dos desejos
De sensações inexplicáveis
Vividas num momento

Único...

Sem limites impostos
Sem preocupações expostas
Transcendente,
O que chamamos razão

O surreal, a se tornar físico e
Em cada suspiro delirante
A realidade bem longe

Por breves e inesquecíveis
Instantes e

A imaginação
Transportada
Para planos
De puro sentir...


(Janderson Cunha e Ro Primo)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Descoberta


O barulho que tua ausência
transcorre em minha alma
é ensurdecedor

Me transformo em uma via de mão única
e sinto o coração dilacerar

Então consigo perceber...
que você se basta.

(Ro Primo)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Menina


Menina frágil
Nem sempre...
finge

Pureza nos sentimentos
Da menina sufocada
Por anseios e devaneios
Tão longínquos
Adormecidos
Esquecidos...

Agora atiçados
Pelo desejo despertado
Por um simples olhar frio

Enlouquecida, enfurecida
descobre a ansiedade
Que estava encolhida
Na sua alma virgem
De emoções perturbadoras

Com seus olhos
Cor de amêndoas doces
seduz e hipnotiza

E faz qualquer um tentar descobrir
O que aquele olhar indecifrável
Quase esfíngico clama e,
involuntariamente
absorvidos por aquela falsa calmaria
surta a todos que a segue

Seu olhar sempre ta apontado
rumo as estrelas
Ousada se perde...
Como o meteorito
Que acabou de cruzar o céu...

(Ro Primo)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Livre outra vez


"Engarrafo nuvens"
não só elas,
junto esperanças e sonhos
os meus
os seus
que terminam em nossos
e nessa mistura ainda adiciono
uma pitada individual
da essência do nosso ser
e nos tornamos uno

Envazados
a espera da libertação
nesse universo de voltarmos

a ser nuvens novamente
doces, eternas e efêmeras...

(Ro Primo)

domingo, 15 de março de 2009

Inspiração

Ávida de desejos...
Nessa selva escura de corpos epiléticos te faço vergar
Sob os meus mais insólitos devaneios a ti aprisiono
Transformo-te em meu rei voraz,
Com a energia que somente os leões têm,
Te apeteço

Envolvo-te na imagem do poder do instinto
Mais selvagem...

Minha mente gira na mesma rotação da terra e,
Entrego-me sem pudor.

Sinto o arrepio que minha pele e meu cheiro te causam
Rendo-me aos teus encantos, não por vontade própria
Mas, pela fúria inquietante deste vulcão que me habita

Nesta trilha de amante
me torno devota do meu tesouro, e perco os sentidos...

Purifico-me na entrega total
do latente desejo que me compromete
Entre olhos lacrimosos e felizes
Rejubilo-me completamente e,
Dou vez somente ao puro gozo

Meus lábios vermelhos e doces
Têm sede de todas as tuas fontes

Deixo teus olhos absortos aos meus e te fascino
Penetra nas entranhas de minha alma
Ensina-me que posso voar, metamorfoseando
Entre uma figura dominada e dominadora
Enfeitiço-te e,

Ao tentar alcançar aquilo que sinto e não vejo
Eu me firo...
Mesmo com minha armadura,
Sou picada pelo escorpião que estava escondido e,
Consciente, fico a observar e esperar...

A minha própria ruína

(Ro Primo)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Esfinge







.
.
.


Sou esfinge marcada pela própria dor,


ofereci a chave de entrada para o princípio de minha lucidez


mas você recusou,


Atordoada...


Atropelo as palavras tornando-me um hieróglifo incompreensível


E arrastada pela sua negação


vou ao ponto mais obscuro da minha condição de deusa


E estrangulo -me.


.


(Ro Primo)