Desde que o tempo é tempo, as pessoas desejam ter a capacidade de enxergar através das outras. Sensações, sentimentos e os mais profundos pensamentos. E a essa capacidade, deu-se o nome de compreensão.
Nos tempos atuais, caminhando pela rua, percebe-se que as pessoas têm a capacidade de enxergar através das outras; A essa capacidade, dá-se o nome de indiferença.
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sábado, 22 de abril de 2017
quarta-feira, 22 de março de 2017
Espetáculo
Escrito por
Rodrigo Domit
A noite de estreia é um espetáculo, mágico, incomparável.
As noites seguintes já não têm o mesmo encanto. Os sorrisos já não são mais os mesmos.
Algum tempo depois, ela junta as tralhas e toma outros rumos, paixão itinerante.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Mundano
Escrito por
Rodrigo Domit
O golpe ditatorial teve, no exército, seu braço armado
E na imprensa, o desalmado
domingo, 22 de janeiro de 2017
Povo das sombras
Escrito por
Rodrigo Domit
O povo das sombras aparece sempre no mesmo horário, junto com as sombras, assim que o sol nasce. Sempre muito cedo, ainda na madru-gada, mas, aparentemente, sem nenhuma ajuda de qualquer deus.
Preparam seu café antes de você acordar, limpam o escritório antes de você chegar, colocam o ônibus para rodar antes de você se aglomerar ao congestionamento... Ligam os motores e preparam a cidade para você só chegar e sentar na janelinha, exigindo serviço de bordo.
E você nem ao menos os enxerga, faz questão de desviar o olhar.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Notável
Escrito por
Rodrigo Domit
Naquela noite que se fez outro dia, a lua estava tão cheia, de si própria, que mesmo depois de o sol ter se aprumado, ostentoso, ela ainda desviava a atenção de muitos desavisados.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Espaço
Escrito por
Rodrigo Domit
– Eu preencho meus dias com ela.
– E quando ela vai embora você fica com um buraco, vazio.
– Não é que eu fique vazio, eu guardo espaço para quando ela voltar.
sábado, 22 de outubro de 2016
Contra o tempo
Escrito por
Rodrigo Domit
Explicou ao filho as coisas da vida e do tempo. Para facilitar, usou o relógio de exemplo:
– Aquele é o tempo, passando.
– Ele fica dando voltas?
– Nem sempre, às vezes passa correndo e nunca mais volta, por isso precisamos correr atrás do tempo.
No dia seguinte, após observar o relógio por horas, enquanto o pai corria de um lado para o outro, o garoto retrucou:
– Você disse que a gente tem que correr atrás do tempo; Mas ele tem uma perna bem maior que a outra, nem consegue correr. A gente é que tem que andar com mais calma, para não deixar ele para trás.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Cinzas
Escrito por
Rodrigo Domit
Em uma metrópole qualquer. Debaixo de uma chuva fina, mas tão fina que se tornava quase invisível, caminhavam lado a lado, de mãos dadas, o garotinho e a mãe. A mãe ia andando com pressa, sem dar atenção ao filho, arrastando-o pela mão.
Quando eles pararam em um cruza-mento, esperando o sinal abrir, o garotinho girou o pescoço e reparou no mundo à sua volta: nas centenas de pessoas apressadas, nas plantas, pássaros, prédios e tudo o mais. Após uma breve análise, por sinal muito precisa, ele virou-se para a mãe e perguntou:
– Mamãe, se os passarinhos são coloridos, as plantas são coloridas, os prédios são coloridos e até mesmo a comida é colorida... Por que é que as pessoas são assim, cinza?
E ele ficou olhando, esperando por uma resposta. Enquanto o rosto da mãe, por vergonha, passou de cinza para rosa.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Sutil
Escrito por
Rodrigo Domit
Cantarolando, colheu do chão uma flor cheia de pétalas. Delicadamente, retirando pétala por pétala, começou a falar, entre sorrisos e suspiros:
– Bem me quer... Bem me quer! Bem me quer... Bem me quer!
Um amigo um tanto sem sal, e totalmente sem açúcar, interrompeu:
– Não! Não é assim!
Ao que ele respondeu:
– Você só diz isso porque você não conhece ela!
E continuou sorrindo.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Visionários
Escrito por
Rodrigo Domit
Os donos do mundo sabem que o petróleo derivou-se de animais e vegetação soterrados
Pensando no futuro, matam, desmatam e encobrem
domingo, 22 de maio de 2016
Domador de demônios
Escrito por
Rodrigo Domit
Deito em minha cama e milhares de pequenos demônios infestam-me as ideias, o travesseiro e o canto escuro do quarto.
Ando cautelosamente até o som, ligo-o e volto para a cama; Com a música, ao menos, eles dançam.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Baleado
Escrito por
Rodrigo Domit
Quando chegava ao quarto cambaleando, sentia-se como um voluntário do atirador de facas; Enquanto a cama girava, ele ficava inerte, incapaz de desviar das acusações.
terça-feira, 22 de março de 2016
Indispostos
Escrito por
Rodrigo Domit
Os opostos se atraem; E se enganam
Mas suas ações, sinceras, os traem
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
E por aí?
Escrito por
Rodrigo Domit
A vida por aqui anda meio conto, nada de poesia.
Mas, pelo menos, não está crônica.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Desesperança
Escrito por
Rodrigo Domit
Haviam começado o namoro há pouco tempo. Sorrisos, bicos, charmes e birras; Apelidos fofos e juras de amor.
Foi quando ele escreveu a carta de despedida, com a certeza de que a entregaria em breve. Sabia até os motivos da separação, tinha tudo anotado, explicado, em palavras friamente selecionadas.
Nunca teve a chance de entregá-la.
domingo, 22 de novembro de 2015
Destino bipolar
Escrito por
Rodrigo Domit
Em alguns momentos, a sorte sorri para mim.
Mas, no momento seguinte, emburrada, franze o cenho, faz bico e me dá as costas.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Todo dia
Escrito por
Rodrigo Domit
– Eu passo o dia todo esperando ela aparecer.
– Que triste isso...
– Não é triste não. Triste é quando ela não vem.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Aliviado
Escrito por
Rodrigo Domit
Puxou o ar, para espairar, e soltou lentamente. Sentiu como se há muito tempo não tivesse respirado, inspirado.
Dissipou a neblina que lhe cobriu o mundo e deu um passo atrás. Dali, aliviado, olhou para a própria vida e esboçou um sorriso no canto da boca.
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