Mostrando postagens com marcador Cristiano Deveras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cristiano Deveras. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O Outro



Sou outro, outra vez
refletido em um rosto que não reconheço
não sei onde me encontro
não sei qual é o preço
da sanidade que não controlo
da ingenuidade que me consola
da concordância com o mundo
ou da revolta que ainda guardo
há na mente tantos quartos !
Tantas lembranças, tantos fardos
mas vou à luta novamente
erguendo-me da lona
onde atirado estava
no fundo da minha vala
que cavei para me defender
dos assaltos ao coração
da covardia e da traição
da minha própria condenação !
sem defesa e sem juiz
me acuso continuamente
por teimar em ser feliz
por sorrir serenamente
enquanto o caos me consumia
levando os socos ainda sorria
fingindo ser tão poderoso
inatingível e inalcançável

Era outro eu que se valia
da bravura e covardia
que dissimuladamente exibia
Estóico !
era o brado que retumbava
por qualquer lugar que eu passava
Heróico !
feitos meus que não contei
que nem mesmo acreditei
terem sido obras minhas...

Mas isso é passado de um outro
que guardo longe dos olhares
e me acompanha aos lugares
sem ser visto por ninguém...

Mesmo comigo ele insiste
quer provar que ainda existe

quer provar que é alguém

quarta-feira, 4 de março de 2015

Pra não dizer que não falei dos fakes



            Depois de uns dias afastado do BdE (por conta da greve dos caminhoneiros, acabei ficando quase uma semana preso na estrada. Explico: para conseguir ir de graça de Cabrobó do Mato para Cachimbó do Aterro, onde desfrutaria das delícias locais, peguei uma “carona não autorizada” na caçamba de um caminhão. Como estavam barrando todos, acabamos retidos entre o nada e o lugar nenhum, em algum quilômetro perdido da BR 153. Ainda bem que era um caminhão de secos e molhados e que achei um carregamento de whisky falsificado que me ajudou a passar o tempo. A paciência devia mesmo ser engarrafada), eis que retornava tranquilo para o Bar do Escritor, quando topei com uma turba reunida na porta do local. Faixas, carros de som e tudo o mais que se pode pensar em um protesto desses.
            Havia uma equipe de tevê com uma repórter gostosa, digo famosa, anotando tudo em um bloquinho. Aproveitei para inteirar-me do que ocorria.
            Eu, fingindo de bobo ─ Que tá rolando?
            Ela, meio distante ─ É uma manifestação da CUF.
            Eu, fingindo interesse no assunto ─ E o que as centrais sindicais têm a ver com o botequim?
            Ela, ainda olhando para o lado ─ Em tese, tudo. Bares são lugares perfeitos para discussões políticas, sindicais, trabalhadoras e afins. Mas esses caras aí não são de nenhum sindicato fodão não. São da Central Única dos Fakes.
            Eu, querendo ser blasé ─ Ah, tá...
            Ela, tentando disfarçar a miopia sem óculos ─ Peraí, tô te reconhecendo ─ Fiquei feliz pacas, afinal, ser reconhecido pela famosa, digo, gostosa da tevê não é para qualquer um. Vai que rola alguma coisa... ─ Você é o Pablo Treuffar, o cara que reorganizou o Bar!
            Eu, avexado, querendo mandar a real ─ Olha, na verdade, sou o...
            Ela, excitada ─ Faço qualquer coisa por uma exclusiva contigo!
            O sinal ficou verde na hora. Putz, Vanessa Fadinha, a jornalista mais peituda (no sentido corajoso da palavra) e gata da telinha sujeitando-se a “qualquer coisa” comigo mesmo pensando que eu era outra pessoa? Não sabia que ela era uma Treuffete, mas se deixasse passar essa, nem o Pablito iria me perdoar.  
            Eu, na pilha ─ Aê, gata, prá tu, é “exxxclusiva e demorada”, valeu?  (mandei ver no carioquês que andei aprendendo nestes cinco anos de Flip; afinal, a zorra de meio de ano havia servido para alguma coisa).
            Ela, glamorosa ─ Maravilha, então, por onde começamos, Treuffar?
            Ao ouvirem o nome do bastado-mor de Ipanema, uma avalanche de fakes partiu para cima da gente, afastando-me da delícia em forma de notícia.
Fake 1 ─ Todo poder aos fakes!
Fake 2 ─ Os fakes, unidos, serão sempre os mais escritos!
Fakes reunidos ─ Fake é bom, fake é lindo, fake escrevendo é fake divertindo!
Tentei organizar a parada, mas lembrei que organização não é um dos fortes do lugar.
Eu, foda ─ Aê, cambada! Vamo baixando a bolinha! Deixa ver o que tá rolando nessa bagaça primeiro!
Reuniu-se então um grupo para representar os fakes (que na verdade foram criados para representarem os outros, mas vá lá...).
Fake 1 ─ Mas peraí, tu não é o...
Eu, fodão ─ A parada não é sobre fakes? Então, no momento “estou” Treuffar. ─ E apontei a gostosa.   
Fakes reunidos, sacando a dica ─ Ah, tá...
Eu, mais fodão ainda ─ Então, o que tá pegando?
Fakes reunidos ─ Bom, é que desde que o Bar do Escritor voltou, nós, os fakes, também voltamos.
Eu, fodíssimo, voz de Clint Eastwood  ─ Sei e daí?
Fakeaiada ─ Daí que estamos com medo de que aconteça aqui o que aconteceu no BdE pré-histérico, de deletarem todos da noite para o dia.  
Vanessa Fadinha ─ Pré-histórico.  
Eu, didático ─ Não, é histérico mesmo; naquela época rolou tanto barraco que fomos obrigados a deletar todos os fakes.
Ela, daquele jeito ─ Ah, tá...
Eu, pica das galáxias ─ A parada é a seguinte: o Bar é um espaço aberto a todos que queiram manda ver nas letras, tanto faz se de cara limpa ou mandando por fake; a bem da verdade, atrás de todo fake tem que ter alguém, daí que são corresponsáveis um pelo outro, sacaram? Desde que estejamos produzindo, comentando e mandando ver nas escritas, estaremos fazendo justamente aquilo a que o Bar do Escritor, desde os primórdios tempos do Orkut (quando nasceu da iniciativa e ressaca do Giovani Iemini) se dedica com afinco: Uma mesa de bar onde escritores famosos, anônimos, publicados, impublicados e impublicáveis trocam impressões sobre Literatura e afins. Pode falar mal? PODE! Pode usar palavrão? Puta que Pariu, Claro que pode! Pode xingar? Tirando a mãe, pode! Um boteco das letras!
A turba explodiu em palmas, aquilo fez com que ficasse mais atacado:
Eu, tirando onda de político ─ A arte da fakearia é muito antiga, vinda de muito antes do mundo virtual; entrelaça-se com a ordem dos pseudônimos, estes seres espetaculares que tanto já ajudaram escritores nas mais diversas eras da escrita. Tomás Antônio Gonzaga, para citar um exemplo, pode-se transvestir-se de “Critilo” para poder elaborar suas Cartas Chilenas; Samuel Langhorne Clemens pode levar uma vida sossegada, enquanto “Mark Twain” aprontava; “George Orwell” criticou meio mundo, representando o pacato Eric Arthur Blair; Porra, Fernando Pessoa foi ainda além e chegou a criar não só um, mas três heterônimos famosos: “Ricardo Reis”, “Álvaro de Campos” e “Alberto Caieiro”. Enfim, meus amigos, o problema não é se passar por outro personagem, mas o que este personagem faz, o que ele tem a dizer, para quê tê-lo. Tenho visto muita coisa boa ser feita por esta nova e interessante safra de fakes que habitam o reformulado botequim; textos primorosos, outros bem trabalhados e outros que fariam com que os músculos de minhoca ficassem com uma inveja lascada. Mas o importante é produzir, criar, tratar novos modelos de escrita, de interação literária e crescimento estilístico!
A massa pipocava igual carnaval na Bahia. Tivesse eleições agora dava até para descolar uma boquinha de vereador, quem sabe até deputado... Nisso lembrei que a gata ainda estava ali, de bobeira.  Ia mandar a letra quando um baixinho com maneiras esquisitas intrometeu-se, atrapalhando mais uma investida:
Baixinho com maneiras esquisitas  ─ Aê, cês vão ter que desocupar o logradouro.
O engraçado é que podia jurar que ele estava sendo dublado.
Eu, invocado ─ E quem é você, cara-pálida?
Baixinho com maneiras ainda mais esquisitas ─ Alvarenga Peixoto, agente de fiscalização de fakes, pseudônimos, heterônimos, praças, ruas e logradouros.
Vanessa Fadinha, curiosa ─ O que tem a ver os fakes e afins com praças e ruas?
Alvarenga Peixoto, voz de Hardy HarHar, suspirando ─ Ó, vida, ó azar: corte de verbas, misturaram os departamentos e deu nisso, de virar babá de fake maluco.
Eu, empombando ─ Ô, meia-sola, não vai rolar de liberar a via não, parceiro: gastei o maior latim para fazer essa galera acalmar. Deixa eles tomarem uns goles primeiro, caramba.
Alvarenga Peixoto, suspiro ─ Então serei obrigado a usar a força.
Eu, defenestrador de impérios ─ Você e qual exército, gnomo?
Alvarenga Peixoto ─ Dois batalhões do Choque respondem sua pergunta?
Eu, conjugando o verbo amarelar ─ Queisso, cara. A gente é da paz, mano.
Alvarenga Peixoto, puxando o bloco ─ Já esperava por isso. Então, agora é a hora em que terei que deixar algumas pequenas autuações com vocês...
Eu, reencontrando um dos colhões ─ Peraí, devagar com a passarela; tu tá falando de multar o Bar do Escritor?
Alvarenga, didático ─ Na verdade, um responsável serve.
Eu, pensativo ─ Responsável? Difícil cê achar isso por aqui, chapa.
Alvarenga, solícito ─ Comecemos pela chefia: cadê o senhor Iemini?
Eu, tranquilizando ─ Cara, o Giovani ganhou um disco do Leonard Cohen, ouviu tanto que decidiu passar um tempo no Nepal, tirando onda de monge, sacou?
Alvarenga, calmo ─ Wilson R?
Eu, mais calmo  ─ Tá em missão na Bósnia Herzegovina; coisa de academia...
Alvarenga, apontando ─ Então terá que ser o senhor mesmo, Seu Treuffar.
Eu, tentando escapar do olhar da gata, no salgado momento da verdade ─ ...
Alvarenga, inquiridor ─ Não entendi, senhor.
Eu, eloquente ─ Não sou o Treuffar.
Alvarenga Peixoto, anasalando ─ De qualquer forma, terei que autuá-lo senhor. Há uma série de irregularidades aqui: excesso de fakes atrapalhando a via pública; auto prosa lotada de referências ao BdE e o pior, uma série de auto ironias não autorizadas.
Eu, no mato sem cachorro ─ Queisso, chefia! Somos o grupo mais auto irônico do pedaço. Temos até autorização para isso.  
Alvarenga Peixoto, impassível ─ Negativo, essa primazia é dos judeus. Igual àquela piada:
─ E aí, Jacó. Como vai?
– Vou muito mal! 
– Mas o que foi que aconteceu? 
– Minha mãe morreu. 
– Não me diga! Meus sentimentos. E o que é que a sua mãe tinha? 
– Infelizmente, pouca coisa. Uma casa, duas lojinhas no centro da cidade e um terreninho no interior.
Alvarenga Peixoto, assinalando a vitória ─ Então, faço a multa em nome de quem?
Agora eu tava ferrado. Se entregava quem era, não pegava a gata; se me deduro a mim mesmo, auto alcaguetando-me, tomava uma puta multa. A solução veio na forma de uma assistente de direção, dessas que se vê aos montes nos estúdios, chegando correndo com um descafeinado e duas rosquinhas:
Assistente, coadjuvando ─ Mister Allen, sorry sir, but could not find pretzels[1]!  
Foi aí que me dei conta que havia um cara atrás do tal mister:
Eu, acabando de achar o outro colhão ─ Mas, que merda é essa?
Saiu um fulaninho ainda mais mirrado, detrás do outro, com exatamente a mesma voz.
Fulaninho mirrado ─ Er... Hehe. Sou o dublador oficial dele.
Foi aí que saquei tudo. Bem que devia ter desconfiado daqueles óculos de Groucho Marxs que o tal fiscal tava usando.
Eu, poliglota ─ Deveria saber que em se tratando de peseudônimos e afins você com certeza apareceria, Mister Allen Steward Konigsberg, ou melhor dizendo, Woody Allen!
Woody, novamente dublado ─ Hehehe, tava por aqui, procurando umas locações novas, quando fiquei sabendo dessa manifestação de fakes, resolvi dar uma passadinha e fazer um laboratório para um próximo filme.
Vanessa Fadinha, saltando para o lado do gringo ─ Ai, Woody, sou louca por uma exclusiva contigo!
Woody, que não é bobo nem nada ─ Só se for agora, baby.
Eu, tentando salvar o Titanic ─ Pô, Fadinha, e nossa exclusiva?
Vanessa Fadinha, contabilizando ─ Aí, tu tem apartamento em Ipanema?
Eu, na pendura ─ Não.
Vanessa Fadinha, aumentando o estrago ─ É presidente de academia?
Eu, minguando ─ Também não.
Vanessa Fadinha, mandando um mata-leão ─ É diretor de cinema reconhecido mundialmente?
Eu, pegando a toalha ─ Negativo.
Vanessa Fadinha, mandando o fatality ─ Então, querido, porque ia querer alguma coisa você?
Eu, cara do coyote do Papaléguas ─ Pena?
            Uma limosine sinistra abriu caminho entre a multidão de fakes, pegou todo o staff do gringo, que saiu com a maior-delícia-do-pedaço a tiracolo. E eu ali, babando vontades...
            Fakeaiada ─ E agora, o que faremos?
            Eu, anotando mais um prejuízo na carteira ─ O que fazemos sempre: vamos tomar um porre e escrever. Quando estiver bêbado o suficiente, decido se monto a Igreja Espacial ou também vou para o Nepal, tirar onda de monge kaoísta...  


[1] Senhor Allen, desculpe senhor, mas não achamos pretzels.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

OUTRA VEZ




Aqui estou novamente
eu e todas as minhas dores
eu solitário
dentro de mim

Apesar do vazio na alma
sinto-me cheio mesmo assim
o corpo grita por espaço
e estraçalho-me em espasmos

Outra vez grito por socorro
no deserto estéril a voz se perde
ainda assim lanço meu brado

Se resisto e não morro
não se engane, nem erre:

é por ser fraco, não por ser bravo...

sábado, 4 de outubro de 2014

Administrando ansiedades


Sabadão modorrento, poucas coisas na agenda, ainda sem tomar o goró sagrado do fim de semana. O que explicaria isso? As demandas necessárias para empreender, mais uma vez, uma viagem ao Velho Mundo, onde tentaremos novamente levar um pouquinho de nossas letras. 

Tendo como companhia  o comparsa barnasiano Wilson R., vamos lá meter as caras na maior have literária do planeta, o quintal dos alemães (já que vieram aqui e levantaram uma taça, porque não podemos fazer o mesmo por lá?). De quebra, apresentar para meio mundo o barato que é esse povo doido do Bar do Escritor. 

Tentaremos mandar notícias e escrever algo sobre o que rola por aquelas bandas.  


É isso, se não estivermos em algum boteco...



Fiquemnapaz, cambada.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Das novas fronteiras e outros desafios

Das novas fronteiras e outros desafios


Os pintores, quando trabalhando em uma obra, tem um expediente bacana para avaliarem se o trabalho aplicado na tela está seguindo o projeto inicial: dão um ou mais passos atrás, para avaliar com ajuda da distância (a tal da proporção), se tudo está dentro de um contento. Uma pincelada aqui, outra acolá e voilá, o trabalho está pronto.  Às vezes temos que fazer o mesmo em outras ocasiões e para fins diversos.
No meu caso, aproveitei a ida para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, para avaliar longe do calor de Goiás se nossa proporcionalidade literária está no caminho certo, bem como as atividades do coletivo Bar do Escritor. Claro que iria aproveitar para conhecer a parte paulistana do BdE, além de reencontrar uns comparsas do local.
Então, foi munido de pouca coisa (a maioria da bagagem, os livros, já haviam ido via transportadora, graças à logística da R&F Editora / Izaura Franco), que peguei um voo doméstico para a capital da garoa. Isso por si só já destoava da maioria de minhas empreitadas, uma vez que geralmente me desloco com o valente Golzão 1.0 abarrotado de coisas (como os 2.600 km ida e volta para Paraty, na Flip. Mas isso é outra estória...).




            Como perdi o primeiro final de semana, não acompanhei o que o pessoal do stand nominou como a “grande-avalanche-humana-que-congestionava-todo-o-evento”. Mas chegar na segunda feira tem lá seu charme... O que não quer dizer que fiquei de papo pro ar, vendo a caravela passar; foi chegar e meter as caras, dando início ao exercício da literatura-corpo-a-corpo, aquela em que o autor tem que tomar a frente do stand e ir chamando o pessoal, como em feira livre. Uma feira livre cultural, por assim dizer.

            Vida de independente tem disso, meus caros.
            Uma ou duas Heinekens depois da entrada no certame, apossei da entrada do espaço e já de livros em mãos, parti para o trabalho. Devo salientar que a decoração feita pelos colegas que já estavam por lá ajudava e muito atrair a atenção do pessoal, pois as atrações eram muitas. Sim, com tantos stands e uma infinidade de título e autores, o lugar era um pedaço do paraíso tanto para quem pratica o santo hábito da leitura quanto para os viciados em escrever.
           


             

O contato com o público, poder demonstrar seu trabalho para o público alvo, fazer novas conexões e outros aspectos deste tipo de aventura é sempre prolífico, mas vem acompanhado uns bônus, que podemos usar depois para capitalizar a ação.






       
Reencontrar os amigos barnasianos, Roberto Klotz, Bárbara Leite, Wilson R (parceiro sempre), César Veneziani e Tamara, Márcio Takenaka, o senhor da noite, é sempre um prazer a ajuda a colocar a birita em dia.

Em matéria de boas iniciativas, destaco o trabalho do stand comunitário do governo do Rio Grande do Sul (como bem destaca a matéria da Larissa Mundim, muito melhor escrita que esta http://www.negalilu.com.br/2014/08/procura-se-antidoto-para-invisibilidade.html), que trouxe para São Paulo um grande mix de editoras do sul, além do stand da Imprensa Oficial de São Paulo, que traz para Bienal algo mais que só os ditames mercadológicos e as listas dos mais vendidos: buscam proporcionar com que o público tenha acesso mais fácil a obras que as grandes editoras e / ou livrarias não dão a devida importância.


Fica a dica para a Imprensa Oficial aqui do estado; um outro canal para difusão da cultura goiana.

É claro que o mercado é quem dita mais ou menos o roteiro da Bienal, com as rotineiras filas para os best sellers, a presença dos badalados do momento, a histeria coletiva por alguns autores, etc... Mas o mais legal mesmo é ver tanta gente reunida pelo singelo ato da leitura. E perceber que o público mais ativo era justamente o infanto-juvenil, dá aquela sensação boa que a próxima geração será ainda mais leitora que esta.





Alguns me perguntam o saldo de tudo isso. Fazendo todas as contas e levando em consideração que foi um dos lugares onde mais vendemos livros e camisetas, fiquei no elevado saldo de R$ 40,00, (devidamente gastos em um boteco perto de casa)... Mas o verdadeiro saldo está na divulgação do próprio trabalho, do exercício literário em conjunto com os parceiros que lá estavam como a Izaura Franco, Maria Cândida, Breno Leite, Larissa Mundim, Niara, Wilson R e Wilsinho (o Wilson 2). A satisfação em levar as letras de Goiás à frente e não ficar pensando só no monte de verdinhas. Até porque, se fosse fazer as coisas pensando somente no retorno financeiro, deixava a literatura e voltava para o mercado de seguros...

É isso. Nem bem a Bienal de São Paulo terminou e já começamos os planos para a do Rio de Janeiro. Mas antes disso, uma passadinha na Feira de Frankfurt mês que vem (se o cartão de crédito aceitar) e mais algumas aventuras literárias por este Brasilzão-véio-e-sem- portêra... 

Nos vemos por aí, em um stand qualquer da vida. 

domingo, 4 de maio de 2014

Das coisas que aprendo em festas literárias

Poucas atividades na vida nos dão a dupla vantagem de crescer enquanto se faz o que gosta. De poder sentir-se realizado, mesmo naquela ralação de não ter tempo para mais nada que a operação a que se destina. Aquele tipo de aventura que te deixa todo ralado, estropiado e feliz. Sim, feliz, porque não mediu esforços para fazer aquilo que ama e o resultado será sempre satisfatório. O mesmo vale para quem gosta de trilhas, rafting, longas viagens de moto e afins.  
Assim sendo, de 30 de abril até ontem, 03 de Maio, estive na Flipiri – Festa Literária de Pirenópolis, a sexta edição deste evento que traz para esta bucólica cidade o mundo mágico das letras. Autores nacionais e internacionais, oficinas, palestras, shows e tudo o mais que se tem direito em um festival destes. A resposta do público foi imediata e o que vi nos dias que lá estive foi um sinal inequívoco que, quando a arte se mostra acessível, as pessoas comparecem em peso.  


Então, por conta da saída atrasada, cheguei em Piri somente à noite, mas no tempo certo para pegar a show de lançamento, da parceira Isabella Rovo e a Camerata Caipira. A mistura perfeita de sons para começar uma festa que começa a se tornar tradicional, em uma das mais tradicionais cidades de Goiás.

Como não tinha mais como montar o stand de noite, decidi ficar por ali e apreciar tudo com o tempo livre que raramente tenho nestas ocasiões. Foi quando aproveitei a presença de Ignácio de Loyola Brandão para aquela tietagem básica, pois não é todo dia que se topa com alguém com toda essa bagagem literária (havia o encontrado na Feira De Frankfurt de 2013, mas foi uma situação muito corrida). E a partir daí, comecei uma aprendizagem em série, pois o ensinamento está nos olhos de quem o vê.
Por conta do volume do som e da minha propensão a falar enrolado, levei-o a entender que meu nome era “Luciano” (isso acontece frequentemente, a única variação é quando entendem “Juliano”). Informado do nome certo, Ignácio, não titubeou: meteu uma errata e arremeteu que era um autógrafo único, dono de uma retificação que aumentava-lhe o crédito.
Achei aquilo tão natural e simples, que aumentou-me a admiração pelo trabalho. Em tempo, ainda não terminei de ler o livro, mas é excelente.

Meu próximo estágio de crescimento nesta viagem foi a forma como fui recebido e tratado por meus anfitriões, Marcos Lotufo e Edith. Marcão, como é mais conhecido, é um guerreiro das artes, o baluarte da Officina Cultural Gepetto, que, junto com sua esposa Edith, a europeia mais goiana que conheço, formam um dos casais mais agradáveis para um bate papo, seja cultural, político (algo raro hoje em dia) ou sobre amenidades da vida. Pessoas que te deixam à vontade com um simples bom dia, que traduzem tranquilidade só pelo linguajar pausado e a forma de demonstrar o carinho mútuo e respeito ao próximo.
Do tipo de abnegados que conseguiram transferir aos filhos (que já repassam aos netos) a ideia que na vida o importante são os valores pessoais e não os materiais; que o crescimento vem de dentro e deve ser compartilhado, seja ajudando a carregar uma simples sacola de supermercado, ou hospedando de surpresa três marmanjos de procedências diversas  quanto Goiânia, Brasília ou Moçambique. Ótimo foi poder acompanhar as trocas de experiências entre eles e Mahiriri Ossuka, de quem trato mais à frente.

O casal Lotufo e seus convidados

Outra parte importante nestas aventuras literárias é encontrar colegas autores, reconhecidos ou não, amigos barnasianos, como Gláuber Vieira ou Sonnos, o sumido, agora residente em Piri, podendo desta forma mostrar nosso trabalho em conjunto, as antologias onde traduzimos o mundo em poemas, contos, crônicas e afins... E junto poder levar as palavras de outros parceiros.

Giovani, eu e Nicholas Behr



Com o stand aberto pudemos perceber a receptividade do público ao trabalho feito por estes construtores de mundos imaginários, prosadores que subvertem a realidade vigente ou poetas que brincam com as significâncias ou significados, reafirmando a verdade que teimam em esconder, que o Brasil é sim, um país de leitores, assim como uma nação de autores, por mais que o mercado volte sempre sua face para os produtos de filmes, jogos de vídeo games ou postulantes das listas dos “dez mais”. 



Outra parte recompensadora fora a das palestras e oficinas que ministramos durante a festa. Nelas, além de podermos repassar nossa experiência com o Bar do Escritor e os percalços deste caminho literário, no mundo real ou virtual, ainda conhecemos vários exemplos e projetos desenvolvidos pelo publico participante

Descontraídas, eram verdadeiros bate papos onde relatamos o que passamos e aprendemos muito quando estávamos lá para ensinar, algo extremamente gratificante, que corrobora as palavras de Cora, de que “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”, tudo isso em parceria com autores como Alexandre Lobão e o mais recente barnasiano, Mahiriri Ossuka.. O show de declamação do poeta moçambicano foi algo que me deixou maravilhado. 
Giovani, Mahiriri Ossuka e Alexandre Lobão

Adriano Siri e Cristiano Deveras

Por falar no Ossuka, deixei-o para o final por um motivo básico: conversando com ele, tive aquela nítida impressão que às vezes reclamo demais dos percalços pelos quais passo nesta jornada. Afinal, não tenho que encomendar impressão de livros a aproximadamente 2.300 km da minha cidade; sou circundado por gráficas e editoras, algumas em meu próprio bairro e, por mais que às vezes reclame dos preços dos livros em algumas estantes ou livrarias, a acessibilidade a eles é relativamente fácil para mim.

Ainda lembro-me do brilho em seus olhos, enquanto arrumava a pilha de livros recebidos de diversos autores presentes ao evento (todos cativados por seu jeito espontâneo e o leve sotaque aparentado com o lusitano), um tanto preocupado com o transporte dos volumes, enquanto dizia, quase que para si:
Estes irão ajudar-nos muito com os miúdos...
Espero que aquelas páginas transitem inúmeras vezes por infantis mãos africanas, enquanto o mesmo processo multiplica-se aqui no Brasil.
É isso, ano que tem mais Flipiri. Espero estar lá, de um lado ou do outro do balcão.


P.S. dia 15 de Maio começa aqui em Goiânia a Galhofada Cultural, capitaneada pelo Almirante Lotufo. Estaremos lá, com a mesma dedicação e livros. Muitos livros...   

terça-feira, 29 de abril de 2014

Flipiri 2014 com a participação do Bar do Escritor

a Flipiri - Festa Literária de Pirenópolis vai de 30/4 a 3/5 nessa belíssima cidade histórica goiana de cachoeiras e livros. O Bar do Escritor estará lá para participar de várias mesas de debate e uma oficina, baseada na experiência do Bar do Escritor, claro.
A festa contará com os amigos Giovani Iemini, Cristiano Deveras, Nicolas Behr, Alexandre Lobão, Rosângela Vieira Rocha, Margarida Patriota e Maurício Melo Júnior, além de diversos outros escritores que serão convidados a compartilhar seus textos aqui no BdE, trocar umas ideias e quebrar uns copos (afinal, é festa).
Apareça.

para saber sobre minhas participações de Giovani Iemini, veja aqui.

www.correiobraziliense.com.br

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Repense - ou o dia em que o mundo não acabou

Repense
(ou o dia em que o mundo não acabou)

Não foi, não é
Mas poderia ter sido...

Imagine o mundo acabando hoje:
Você fez tudo valer a pena?
Colocou tempero, sabor, sentido, valia
Em sua vida?
A alma ganhou o mundo ou foi somente aquela
Pequena
Sua existência foi plena?
Queimou-se ao sol
Ou viveu sob a sombra de outro?

Deixou claro a quem se importava
O quão importante ela era, o quanto a amava?
Ou deixou que o trabalho, a faculdade
A fleuma, a educação, a timidez
Ditassem seu tempo,
Ou o que diria
E por mais de uma vez
Calou o “eu te amo” na ponta da língua
Deixando que aquele belo momento
Morrer à míngua?

Alguma vez olhou para o céu
E agradeceu o simples milagre
De estar vivo?

Sorte sua é que não foi hoje
E que o amanhã ainda existe
Que a humanidade persiste
(por enquanto, só por encanto)

Então diga mais “eu te amo”
Ou mesmo um “gosto de você”
Distribua beijos e obrigados
Doe abraços
Liberte risos bobos
E aquele ar pateta, que ninguém resiste.

Viva, mas viva de forma plena
E faça com que todos aqueles ao teu lado
Saibam que o mais importante
É o amor.

Pense bem.  

Não é todo dia que se tem uma segunda chance... 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Baforando ideias



Acendo um e escrevo
trago rabisco e bebo
idéias afluem aos jarros
CONTÉM 20 CIGARROS
apesar de ébrio, escrevo sobre as circunstâncias
NÃO EXISTEM NÍVEIS SEGUROS
PARA O CONSUMO DESTAS SUBSTÂNCIAS
minha escrita é rápida, desleixada
não observa muito bem a gramática
a coerência ou a rítmica
ESTE PRODUTO CONTÉM MAIS 4700 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS
E NICOTINA,
QUE CAUSA DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA
contos, prosas, esquetes
20 CLASS A CIGARRETES
Ouvindo bono vox
FLIP-TOP® BOX
me relaxa, me diverte
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE
Prazer instantâneo
FUMAR CAUSA ABORTO ESPONTÂNEO
Já não sei mais sobre o que falar
DISQUE PARE DE FUMAR
0800 703 7033