Mostrando postagens com marcador Larissa Marques. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Larissa Marques. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

contento



nasci quase morto
sou bem susceptível
deve ser essa variedade
de remédios genéricos
similares

talvez seja o excesso
de transgênicos
transeuntes e transviados
travestidos de cena

tendo eu a modernidade pop
ou me sufocando
em conotações minimalistas
de meu id torto
me move sempre
adentro

domingo, 3 de novembro de 2013

h_ouve




veja que a letra é muda
e mesmo surdo
o verbo é intransitivo
dispensa complementos
apenas é no símio de ser

e se suspira o verso
sente-se o arfar do peito
declinando sob
um sussurro vago
a canção silenciosas do calo

vê que o dedo segue o que
o olho aponta, ou seria o contra?
mas a fala é palavra-cega
aquela que ainda atira pedras
sem mesmo ter direção

a letra muda ouve o peito em riste
rimar sentidos imperfeitos
enquanto outra sorrindo rouba
e impotente vê o invisível
escapando entre os dedos

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ungidos




se a cura vem pelo olho roxo
será o morno o respirar são
o que pode ser um paradoxo
ao passar pelo caos da terra
e pela falta de glória

vem na medida do nervo
ou frigir da história
esquece assim da guerra infame
feche os olhos tortos
e vá em cega trajetória
se guie pela mão dos mal paridos
pela oração de estranhos

será como estar ungido do sangue sacro
abençoado pelo orar dos enfermos
e amaldiçoado pelo clamar dos mortos

e que valham todos os santos nomes vãos
o culto dos cães raivosos arrastados pelo chão
que elevem sua falsa glória pelo nome vão...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

álbum de fotografias




quanta sorte sonhar quando se é verde
não gosto de falar de minha infância
não há atos nobres nessa época
o que tenho certeza é que queria
crescer logo e me livrar da caolhice
do manco de pés tortos
da aparência desengonçada
e da opressão dos adultos

mal sabia eu que a miopia aumentaria
que os pés continuariam tortos
que a aparência piora com a idade

mal sabia que a opressão maior
é a da realidade e não dos velhos
mal sabia que ser cuidada e oprimida
é mais acolhedor que ser ignorada
ou ser preterida

não me recordo de tempos para sonhar
havia um medo velado em meus olhos miúdos
e um silêncio imposto
naquela casa sempre cheia de visitas importantes
era proibido correr
dizer palavrões ou se manifestar

ali criança não tinha vez
pular o muro e viver uma alegria clandestina
rendeu-me ora a cinta ora a palmatória
quem dera ter tido a glória
de saborear da liberdade

luxo seria ser uma criança
numa casa de velhos burgueses
não me recordo de um momento
de êxtase livre de culpa
ou de uma satisfação
não fadada à mentira

sou fruto do que fui
no fundo ainda sou
aquela criança.

sábado, 3 de agosto de 2013

infalível

terra onde pouco

se vê
pois há apenas
tanger

das eras de entes
dos tempos idos
"olho por olho"
já não se tem dentes

quarta-feira, 3 de julho de 2013

ele mente




vê como seus olhos pendem
perturbando qualquer silêncio
que possa perdurar ali?

pálidas as indagações continuam
o que espera de si?
o que alcança em si?

agora traveste um corpo
que não o seu e vibra altivo
como se a pelves fosse
uma joia compartilhada

e serve chá das horas presas
como se já estivessem frias
e sem sabor qualquer
em saches estéreis.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

le fabuleux



possuo uma anomalia
em meu coração
ele não esquece nada
e traz tudo que vivi

o olhar ainda é assustado
o inocente garoto
de lábios trêmulos
no nosso primeiro beijo

uma oração com dedicatória:
"ao nosso jovem e amado filho"
a minha dedicatória só está aqui
e redunda em silêncio e não foi:
"Marco Fernando saudades sempre"

hoje virei a velha caixa
de preciosidades do passado
e entre elas seu rosto jovem
uma fotografia antiga
de sua missa de sétimo dia.

a sombra


alguma coisa me persegue
roubando o melhor de mim
cobrindo minhas pegadas
sussurrando meu fracasso
e o desgosto já esperados

ri e zomba como se para sempre
me segue feito passado a assoviar
quem há de acreditar num imbecil
quem há de acreditar em um bêbado
que se entrega a qualquer derrota?

olho para trás e ela ali
é a única que não desiste
vê todos os meus passos
sem se comover
e não me deixa dormir

diz que sou um hipócrita
mais um infeliz sem saída
um maldito mentiroso
que por vezes se precipita
e já não quer continuar isso

não peço nem que
acredite que não sou louco
mas a figura está a me assombrar
na boca da noite, antes do porvir