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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
domingo, 3 de agosto de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
sábado, 3 de maio de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
segunda-feira, 3 de março de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
contento
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
nasci
quase morto
sou
bem susceptível
deve
ser essa variedade
de
remédios genéricos
similares
talvez
seja o excesso
de
transgênicos
transeuntes
e transviados
travestidos
de cena
tendo
eu a modernidade pop
ou
me sufocando
em
conotações minimalistas
de
meu id torto
me
move sempre
adentro
domingo, 3 de novembro de 2013
h_ouve
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
veja que a letra é muda
e mesmo surdo
o verbo é intransitivo
dispensa complementos
apenas é no símio de ser
e se suspira o verso
sente-se o arfar do peito
declinando sob
um sussurro vago
a canção silenciosas do calo
vê que o dedo segue o que
o olho aponta, ou seria o contra?
mas a fala é palavra-cega
aquela que ainda atira pedras
sem mesmo ter direção
a letra muda ouve o peito em riste
rimar sentidos imperfeitos
enquanto outra sorrindo rouba
e impotente vê o invisível
escapando entre os dedos
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
ungidos
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
se
a cura vem pelo olho roxo
será
o morno o respirar são
o
que pode ser um paradoxo
ao
passar pelo caos da terra
e
pela falta de glória
vem
na medida do nervo
ou
frigir da história
esquece
assim da guerra infame
feche
os olhos tortos
e
vá em cega trajetória
se
guie pela mão dos mal paridos
pela
oração de estranhos
será
como estar ungido do sangue sacro
abençoado
pelo orar dos enfermos
e
amaldiçoado pelo clamar dos mortos
e
que valham todos os santos nomes vãos
o
culto dos cães raivosos arrastados pelo chão
que
elevem sua falsa glória pelo nome vão...
terça-feira, 3 de setembro de 2013
álbum de fotografias
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
quanta sorte sonhar quando se é verde
não gosto de falar de minha infância
não há atos nobres nessa época
o que tenho certeza é que queria
crescer logo e me livrar da caolhice
do manco de pés tortos
da aparência desengonçada
e da opressão dos adultos
mal sabia eu que a miopia aumentaria
que os pés continuariam tortos
que a aparência piora com a idade
mal sabia que a opressão maior
é a da realidade e não dos velhos
mal sabia que ser cuidada e oprimida
é mais acolhedor que ser ignorada
ou ser preterida
não me recordo de tempos para sonhar
havia um medo velado em meus olhos miúdos
e um silêncio imposto
naquela casa sempre cheia de visitas importantes
era proibido correr
dizer palavrões ou se manifestar
ali criança não tinha vez
pular o muro e viver uma alegria clandestina
rendeu-me ora a cinta ora a palmatória
quem dera ter tido a glória
de saborear da liberdade
luxo seria ser uma criança
numa casa de velhos burgueses
não me recordo de um momento
de êxtase livre de culpa
ou de uma satisfação
não fadada à mentira
sou fruto do que fui
no fundo ainda sou
aquela criança.
sábado, 3 de agosto de 2013
infalível
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
terra
onde pouco
se vê
pois há
apenas
tanger
das eras
de entes
dos
tempos idos
"olho
por olho"
já não
se tem dentes
quarta-feira, 3 de julho de 2013
ele mente
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
vê como seus olhos pendem
perturbando qualquer silêncio
que possa perdurar ali?
pálidas as indagações continuam
o que espera de si?
o que alcança em si?
agora traveste um corpo
que não o seu e vibra altivo
como se a pelves fosse
uma joia compartilhada
e serve chá das horas presas
como se já estivessem frias
e sem sabor qualquer
em saches estéreis.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
le fabuleux
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
possuo uma anomalia
em meu coração
ele não esquece nada
e traz tudo que vivi
o olhar ainda é assustado
o inocente garoto
de lábios trêmulos
no nosso primeiro beijo
uma oração com dedicatória:
"ao nosso jovem e amado filho"
a minha dedicatória só está aqui
e redunda em silêncio e não foi:
"Marco Fernando saudades sempre"
hoje virei a velha caixa
de preciosidades do passado
e entre elas seu rosto jovem
uma fotografia antiga
de sua missa de sétimo dia.
a sombra
Escrito por
Larissa Marques - LM@rq
alguma coisa me persegue
roubando o melhor de mim
cobrindo minhas pegadas
sussurrando meu fracasso
e o desgosto já esperados
ri e zomba como se para sempre
me segue feito passado a assoviar
quem há de acreditar num imbecil
quem há de acreditar em um bêbado
que se entrega a qualquer derrota?
olho para trás e ela ali
é a única que não desiste
vê todos os meus passos
sem se comover
e não me deixa dormir
diz que sou um hipócrita
mais um infeliz sem saída
um maldito mentiroso
que por vezes se precipita
e já não quer continuar isso
não peço nem que
acredite que não sou louco
mas a figura está a me assombrar
na boca da noite, antes do porvir
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