Mostrando postagens com marcador Quito Arantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quito Arantes. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Marta continuava sem dar sinal de vida, talvez estivesse mesmo ressentida com o conselho de Jesueh, quando esta estava a passar um mau bocado com o patrão. Ela eram de decisões repentinas e por vezes bastante frias para quem as recebia. Jesueh de uma forma original e de conhecimento de vida, tentava mostrar-lhe o lado da liberdade sem freios. Claro que apesar de Marta ser uma mulher bastante inteligente, não tinha a idade, e experiência de vida dele. Custava acreditar que do lado dele pudesse haver uma porta para a felicidade. Prática e resolvida nas suas ações, o mundo dela limitava-se à sua pequena cidade e núcleo restrito de amigos. Mesmo que Jesueh quisesse mudar Marta, isso não iria acontecer, pois ela não o estava a amar. Jesueh não lhe podia dar muito mais do que lhe dera até então. E talvez a diferença geracional fosse mesmo a principal entrave para terem um caso de amor.
 
by Quito Arantes

domingo, 28 de setembro de 2014


Sabes amiga? Este tempo que passa por mim, ao de leve, em sensações serenas, é aquela dádiva de Deus, que estava adormecida em mim. Não quero saber muito do futuro, quero ter sustentabilidade no presente, entrar em casa e saber preservar o meu lar, torná-lo confortável, amigo de um corpo e de uma alma que carrega mazelas de um passado que urge desabitá-lo.

Por vezes pode acontecer eu questionar se sou feliz… mas que poderei pensar eu? A felicidade está em cada momento que nos entregamos às pessoas de alma aberta, é o sentir que somos bem-vindos, é a entreajuda, é amar sem querer nada em troca.

Página 180
brevemente

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Pintura de Idalina Dionisio

                          “ Aqui e agora “
                        Ao longo da bruma
Que exalta as marés
Dos meus contentamentos,
Recordo o teu olhar fugidio,
A ternura de um acontecimento inesperado,
A fé que um dia descanse no teu seio
Desprotegido da ânsia provocatória.

Olho o horizonte furtivo
Perpetuado nos percalços da vida.
Quero deixar um sinal
Que transvase a eloquência do meu ser.

                         Percorro os tempos da paixão arrebatadora
No feitiço das almas desamparadas
Que escorrem os jardins do néctar erotizado.

Aqui sentado mais perto do Céu,
Esperarei pelo teu sinal
Que dará razão à minha existência.

Quito Arantes/Portugal

sábado, 28 de junho de 2014

Prefácio

Em jeito de Prólogo

Até Sempre!
Esta saudação de despedida dá título ao mais recente livro de Quito Arantes que, embora se apresente como um autodidata, já está a caminho do sétimo trabalho publicado. E, segundo o próprio me confidenciou, existem mais projetos em curso.
Centremo-nos agora no texto que temos em mãos. O leitor que esteja habituado a romances mais dinâmicos, após a leitura das primeiras páginas, pode considerar que se trata de uma escrita monótona, talvez devido a uma ténue escansão diarística que o mesmo apresenta. No entanto, rapidamente se irá habituar a essa cadência e perceber que esse é o ritmo em que a personagem principal passa os seus dias. É como que um convite para o leitor fazer parte daquele mundo, onde tudo se passa com a calma da vida da aldeia, sem pressas, sem agitação e em perfeita comunhão com a natureza.
E assim, pela mão do narrador, o leitor vai entrando no mundo de Adolfo, no seu dia-a-dia, nos seus desejos e angústias, nos seus constantes dilemas mas, também, nas suas conquistas e alegrias, nas suas vivências chegando até a sentir o ar puro e fresco da manhã acompanhado de um café no seu terraço, que ele tanto aprecia.
Adolfo mostrou, desde muito cedo, ser uma pessoa peculiar, com uma sensibilidade muito especial para a música, para a escrita, extremamente virado para a contemplação das pessoas, das relações humanas e do mundo em seu redor.
Nunca se enquadrou dentro da castradora moldura de cidade. Quando, por motivos de vária ordem, finalmente o conseguiu, libertou-se dela e optou pela tela viva e sem moldura do campo. Aí não sentia amarras físicas, nem psicológicas, que lhe prendiam o corpo e lhe sufocavam a alma.
Agora, ele não tem que viajar ao encontro da natureza, como fizera desde a sua juventude, ele está em plena natureza e sente-se parte dela. Longe do rebuliço de um centro urbano, refugiou-se numa aldeia minhota onde se podia dedicar àquilo que mais gostava: a fotografia e a escrita.
O seu grande sonho, pelo qual luta incessantemente, é conseguir o reconhecimento no panorama literário nacional (ou eventualmente internacional) e poder viver apenas da sua arte. Neste ponto, Adolfo poderia ser um escritor qualquer que, tal como ele, batalha a pulso pela sua fama, sem ter a magia e o poder da grandiosa máquina do marketing.
Adolfo debate-se com dois dilemas paralelos, que tenta equilibrar ao longo de todo o romance. Para além da, já referida, constante tentativa de crescer e ser reconhecido enquanto escritor, o amor por Delfina e a dificuldade em conseguir que ela (uma citadina confessa) deixasse a cidade e fosse definitivamente viver com ele, deixavam a sua alma numa permanente inquietação.
Esta personagem feminina surge definida como o seu “calcanhar de Aquiles”. Embora se amassem e apreciassem os momentos que estavam juntos, o facto de viverem em sítios diferentes obrigavam-no a deslocações à cidade, esse lugar pejado de recordações pouco agradáveis que Adolfo queria, definitivamente, deixar para trás.
Sendo um livro recomendado a todos, a sua leitura é especialmente importante para aqueles que estão agora a iniciar-se na escrita e sentir que, antes da passadeira vermelha, há um longo caminho de terra e pedras a percorrer.
Convido-vos, então, a fazer esta caminhada com Adolfo rumo ao sucesso que não se sabe se está a poucos metros ou a longos quilómetros de distância, mas já dizia o poeta: O sonho comanda a vida!

Até Sempre!



Fernanda Carrilho

segunda-feira, 28 de abril de 2014

“Contos de Encantos”, uma nova obra literária de Quito Arantes, a confirmar o percurso de um escritor, atento e recetivo à mudança, mas à mercê de seus concidadãos, numa época que se nos depara rigorosa e intransigente. Opta, por isso, por um narrador que se desdobra, ora em participante, envolvendo-se no enredo, ora como observador, distanciando-se do vivido para melhor compreender e agir, face às exigências de uma sociedade em (im)perfeita mutação.
      Um livro que, à semelhança de obras anteriores do mesmo autor, ressaltam, nas ações das personagens, estados de inquietação comungando, simultaneamente, com a evocação, alicerçada na memória de um tempo ido e vivências do contemporâneo.
     “Histórias” de encantar aos olhos do leitor, onde sobressaem temáticas como o amor, a amizade, a compreensão, a (in)justiça… , evidenciadas no caráter de Jorge, em “Momentos da Vida de Isabel”; na fragilidade de Estrela, no Conto “A Maresia de Estrela” ou, entre outros, no ”A Conquista do Poder aos Malfeitores”, protagonizado por Mafalda e Mateus.

     Os “Contos” surgem, embora em “cenários” distintos: na Serra, no Mar ou na Cidade, como “exemplos de vida”, onde o Homem se reconhece, por vezes, “ser imperfeito” e somente o conseguirá superar, na alteração de regras e comportamentos, num espírito comummente, altruísta e de dignidade. 

by Quito Arantes

À venda em www.amazon.com

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capítulo XXVIII - "A Carta nas Quatro Estações"

Neste desgelo, da última nevada, com vontade de ir à civilização, depois de estar três dias, fechado em casa, havia uma necessidade de comprar géneros alimentícios. O carro para não fugir à regra estava com a bateria em baixo. Tive que pedir auxílio a um amigo da vila, que curiosamente me disse: - “ Não sei onde vou estar, sou como o vento!”. Fiquei a pensar na sua frase, e realmente, às vezes andamos ao sabor do vento, coisas da serra, que nos leva pelos sentimentos ancestrais, de um isolamento histórico, só quebrado pelo empenho do pároco da vila, homem de convicções, que deu cinquenta anos da sua vida a este povo serrano.
Este mês de fevereiro, será como um teste à minha capacidade de sobrevivência. Os recursos são muito poucos, quase impossíveis de sustentar a minha vida mundana. Encravado na minha própria sustentabilidade, vejo que o dinheiro é um demónio que nos enxerga, e nos torna dependentes. É de fato uma droga dura, sem tratamento imediato. Depois das despesas fixas pagas, pouco resta para o dia-a-dia, mas vou tentar combater mais esta barreira que aflige minha alma. Sempre esperarei por dias melhores, onde posso sossegar esta minha aflição materialista.
Certamente os povos na época recolectora, sobreviviam, e eram, penso eu, felizes. Esta invenção das civilizações; o salário, ou dinheiro, que no início da sua implantação nas sociedades, não passava duma mera troca por bens, e era um bem adquirido nos recursos naturais, o famoso “sal”. Agora, passados milhares de anos, são os mercados económicos, e grandes banqueiros, que ditam a nossa sorte. Estou consciente que não posso fugir a esta “sina”, mas também, farei sempre o essencial, largar-me do supérfluo, e viver em paz comigo.
Este fevereiro de nevadas constantes, fazem com que me mantenha, mais por casa, que até é bom. Trabalho mais nos meus escritos, mesmo que seja para a gaveta, porque as edições estão muito difíceis.  

Quando regressei da sede do concelho, o sol raiava por entre as nuvens brancas e batia nas montanhas, ainda cobertas por mantos de neve. A fusão destes elementos da natureza, à medida que subia para o meu lugar serrano, fizeram, dizer em voz alta, mesmo que ninguém me ouvisse, só eu, Deus e a natureza; “Como é belo este alto Minho serrano!”

Quito Arantes

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

" A Carta nas Quatro Estações "

Tenho o privilégio de poder não distinguir dias da semana de fins de semana. Mas sei que todos os dias são dias de trabalho. Não um trabalho de horas fixas, mas de compromisso com os meus objetivos.
 Apesar de não ter a oferta dos grandes centros urbanos, tenho aquilo que me faltava; o encontro sistemático com a mãe natura, onde reflito sobre a minha vida, e aquilo que pretendo com ela. Ainda mesmo agora me levantei, pelas 4:30 horas, tomei um duche bem quentinho, fiz um café forte, e sem imposição externa à minha vontade, estou escrevendo-te, porque é assim que quero que as coisas aconteçam. Não é fácil viver assim, abdicar de muita coisa, que por vezes até dava jeito ao dia a dia, mas como muita gente o diz: - ”não se pode ter tudo”.
Uma coisa muito importante, e talvez essencial, eu tenho; uma paz interior, que suporta todas as minhas adversidades. Já tive ambição de ser rico, dar a volta ao mundo, ou então viver na ostentação, mas um sinal, talvez do Supremo, me fez ver a luz da razão, e sentir, quanto pequenino nós somos no universo. O legado que deixo, neste mundo terreno, são os meus escritos, fruto do meu trabalho criativo, ou não, tu o podes dizer, amiga. Deus assim quis que fosse, não ter filhos, não foi nenhum drama para mim. Foi algo que devia estar premeditado para mim. Agora vejo, que a frase religiosa: “ Deus escreve bem, por linhas tortas”, assenta que nem uma luva em mim…

Capítulo XXIV
excerto
Quito Arantes

sábado, 28 de dezembro de 2013

A " Carta " Capitulo XI - outono

 
Entro devagarinho num trilho que me levará à ponte da fertilidade, o tempo está agreste mas luminoso, e preparo a minha máquina fotográfica para registar a bela paisagem que envolve esta ponte romana, pequena, mas com um sentido lendário elevado. Tudo em redor está dourado, o feno não retirado, os vidoeiros com as suas folhas matizadas de cor de ouro, e em frente vejo a ponte, que um riacho por baixo dela passa, tranquilo, com poucos obstáculos. Como pano de fundo, ficam as montanhas escarpadas com a sua vegetação verde eterna. Faço um disparo com a máquina, mais um e mais outro. E fico com a garantia que consegui eternizar o momento, de uma beleza sem fim. Na minha memória também ficou gravado, todo o cansaço belo da natureza em transformação. Ali, advinha-se que o inverno estará próximo nesta serra paradisíaca, que me vai envolvendo, cada vez mais, com o decorrer dos anos…
 
A editar brevemente / Quito Arantes - Portugal
 


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Até Sempre!

Sonhar acordado era o que mais o deliciava. Apreciador da natureza, sentia-se bem no meio dela, gostava de deitar-se na erva fresca de um bosque, ouvir o vento redopiar nas árvores, as aves saltitando de ramo em ramo, sentir os regatos de águas cristalinas, serpenteando pelas encostas de montes virgens.

Viajava pela natureza, muitas vezes pedia uma carinha emprestada a amigos, e sozinho ia em busca de novas sensações na natureza. As compaixões pelo que era natural, aldeias e serras preenchiam-lhe a alma.
 
In  "Até Sempre! "
 
a editar
Quito Arantes/Portugal

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Contos de Encantos

Pintor barcelense Afmach
 
 

Momentos na vida de Paula

 
Paula refastelava-se na esplanada junto à beira-mar, num café como outro qualquer, vazio de veraneantes, onde só ela sabia o que esperava que acontecesse, naquela tarde de um dia de semana.
Aguardava, não sei porquê, talvez por um engate feito por ela. Ao seu lado estava um homem, acabado de chegar. Era pequeno, talvez dos seus quarenta anos, e uma farta barba preta em forma de pera. Já calvo, de sinais do tempo, começou a observá-la. Paula era um bom pedaço de mulher, belas pernas que se estendiam visíveis até a ante coxa. Ela não parava de falar com o dono do café, também até ao momento da chagada do barbudo, não tinha mais ninguém com quem falar. Era uma hora morta, onde só alguns carros passavam perto sem significado relevante. O homem começou a interessar-se pela conversa que ouvia de “espirito santo de orelha”. O dono do café já não respondia, Paula tomara posse da conversa, todo o tempo de antena era para ela. O homem achava que havia alguma coisa de diferente em Paula, mas não estava a conseguir saber o quê. Até que chegou o momento de Paula meter conversa com o homem de pera. Num começo de fala sobre o tempo, Depois de a conversa entrar no foro da intimidade, trocaram contactos e marcaram um encontro à noite no mesmo café.
Paula gostava de beber umas cervejinhas, ou então uns Bloody Mary. Naquela noite que estiveram juntos num recanto do café, que há noite ficava na média luz, trocaram caricias fugidias, e onde o tema era a terra de sua majestade. Jorge olhava as belas pernas de Paula, perfeitas a pedir uma passagem breve de suas mãos, mas como ele era de bons modos, não se atreveu, não fosse ela virar “a cabeça ao prego”. Já o café se preparava para fechar, resolveram dar um passeio pela praia. Tudo rolava sobre rodas, já bem bebidos, deitaram-se na areia fresca daquela noite quente de verão. Paula prometia mundos e fundos a Jorge, em Londres. Ele começou a pensar; que as coisas não podiam ser assim tão fáceis. Aquilo que ela prometia, tinha que ter lacunas e isso era o que ele tentava descobrir. A partir de um momento que ela já não estava muito católica, devido ao álcool que emborcara em toda a tarde e noite, ele começou a dar cortes nos pensamentos dela. De um momento para o outro, Paula começou um discurso em desconexão, não deixava Jorge falar, falava por cima dele. A situação começou a criar quezílias entre ambos, e de um mar de rosas, passaram a discutir. Ela tornara-se agressiva, amarrava os braços dele com violência, ficara histérica. Jorge queria sair daquele filme, tentou acalmá-la, e ao fim de uma hora, já exausta, prostrou-se de braços estendidos e pernas, como se de uma rosa-dos-ventos se tratasse. Os cabelos encaracolados de um negro azeitonado, percorriam o seu rosto ao sabor de uma brisa leve. Jorge pensou que se passaria naquela cabeça de uma mulher tão bonita e ao princípio tão acolhedora. Paula adormecera de exaustão, e Jorge cobrira-a com o seu casaco. Ficaram ali os dois, o resto da noite. De manhã, regelados da madrugada fria, Paula acordou e num salto enérgico, levantou-se dizendo para ele: - que é que estou eu a fazer aqui? – Conhecemo-nos?
Jorge ficou atónico, com mais aquela reação dela. Pensara que tinha sido o álcool da noite passada que a levara àquelas reações, mas não. A mulher não batia mesmo bem, fugiu a toda a velocidade pela praia fora, para nunca mais voltar a ser vista.
Jorge aprendera uma lição; “nem tudo o que parece é aquilo que vemos”.
Naquela bipolarização de sentimentos, nem Jorge, nem Paula ficaram bem, cada um pelas
suas razões.
Havia, realmente algo de misterioso naquela mulher, que Jorge não compreendia. Tinham trocado contactos e quando menos esperava, recebeu um telefone; era Paula a dizer que queria encontrar-se com ele para lhe pedir desculpa do outro dia.
Jorge queria saber, concretamente qual era a personalidade dela, e o que a movia naquele desenfrear de emoções. Aceitou o pedido de encontro, no mesmo bar que se tinham conhecido. Nesse mesmo dia marcaram encontro ao fim da tarde; era uma tarde amena. O vento soprava ao de leve, e o sol apesar de quente era suportável.
Jorge chegou ao bar e já Paula se refastelava, sentada na esplanada, apanhando sol nas suas belas pernas bronzeadas. Parecia ter ficado um pouco inquieta, quando deu pela presença dele.
Paula deu um sorriso tímido, e começou o discurso de pedido de desculpas: - Jorge! Desculpa a minha atitude no outro dia, mas estava um pouco fora de mim, o álcool falou mais alto.
Jorge ouvia, observando o seu olhar comprometido, e respondeu: - Paula! Não te preocupes, por vezes as coisas não correm como queremos, só quero que estejas bem contigo e em paz.
Paula sorriu, passou a mão pela face dele e disse: - Penso que não me enganei que tu eras um bom homem, e não mereces aturar os meus desatinos.
Jorge tranquilizou-a mais uma vez: - Sossega que encontrarás alguém que te complete.
Ela viu que ele não estava definitivamente interessado numa relação amorosa, simplesmente amizade, e isso, ela teria que se conformar.
Paula buscava companhia para ir para Londres, vai se lá saber porquê. Numa tentativa desesperada, voltou à carga: - Sabes, estava a pensar que talvez quisesses vir comigo para Londres, lá é fácil de arranjar trabalho e podias seguir uma carreira lá.
Jorge, queria sair daquele filme, e sem rodeios, teve que dar por terminada o fim daquela relação precoce.
- Paula! Agradeço o convite, mas não está nos meus planos emigrar, seja lá para onde for.
Os olhos dela começaram aficar húmidos, os dedos que seguravam o cigarro, tremiam e por fim lá foi dizendo: - Sempre pensei que podíamos fazer um bom par, mas enganei-me, não tenho sorte nenhuma na vida.
Agora as lágrimas corriam-lhe pelo rosto, Jorge olhava para todo o lado, na esplanada cheia de gente, não queria que pensassem que era uma quezília de namorados. Pousou uma nota de cinco euros, encima da mesa para pagara despesa e pegando-lhe por um braço, ao de leve, foram caminhar pela praia ali ao pé.
Paula não reconhecia que tinha um problema de dependência com o álcool e barbitúricos, tentava esconder de tudo e de todos. Mas Jorge que não era nenhum ignorante, sabia que algo não batia certo com ela. Reparava que bebia demais, isso, ele já se tinha dado conta, mas quando se apercebeu que ela ia constantemente à carteira, mexer em tabletes de medicamentos, viu que algo se passava. Tentou abordar o assunto enquanto passeavam pelas areias finas da praia. Talvez o momento fosse o ideal para essa abordagem. Parecia tudo tranquilo, o mar estava sereno, e as ondas deslizavam suavemente naquela tarde veraneante.
Depois de passearem duas centenas de metros em pleno silencio, como que meditando os seus problemas, Jorge pôs-se de frente para ela e questionou-a:- Paula! Eu sei que tu tens um problema de saúde, ou antes um problema de dependência, queres falar sobre isso?
Paula ficou um pouco apreensiva, olhou-o nos olhos como procurando um ar de reprovação, e lá foi desabafando: - Sabes! Realmente não consigo controlar a bebida e ainda por cima viciei-me em calmantes, estou um trapo.
Jorge apertou-a junto ao seu peito, como fosse um conforto para ela, e disse: - Ouve! Tu podes vencer isso, não é um problema irremediável, tens que ser forte, como és para os homens, mostrar que és mais forte que o vício.
- Mas Jorge, não tenho conseguido! Sinto-me perdida nesta miséria.
- Tu vais conseguir, se assim o desejares de corpo e alma.
Continuaram, agora abraçados, até ao fim da praia, e na volta, Paula já sorria, esquecera-se do álcool e dos calmantes. Estava bem com Jorge, ele era a droga saudável que ela precisava. Era uma mulher carente de afetos, isso estava visto por Jorge, que não sendo a mulher que ele queria para viver, podia sempre ser uma amiga, e os amigos ajudam-se mutuamente.
Naquele verão, Paula encontrara um amigo verdadeiro, e foram as palavras amigas e o afeto que este lhe deu, que a levou a mudar os seus comportamentos. Depois de vários encontros, chegara a hora de ela ir para Londres, e apesar de voltar a insistir com, não conseguiu convencê-lo. Fora um romance de verão e os dois aprenderam como nós somos frágeis, muito embora não pareça. E não custa nada tentar ajudar quem de nós se aproxima com a vontade de ser nosso amigo.

 

In “ Contos de Encantos “
Quito Arantes/Portugal
A editar

 

 

 

 

 



sábado, 28 de setembro de 2013

Agora, os mares são rios
E os rios são mares.
As montanhas tornam-se em planícies.
O teu coração palpita na força da natureza
Como se tu pudesses encontrar-me
No momento fresco
De uma manhã de Primavera,
Onde brotam flores rejuvenescidas.
Terei aquilo que meu corpo ditar
Não poderei ser mais que um elemento,...
Na constante mutação da vida.
E enquanto os mares forem rios
E os rios forem mares,
Seremos só nós dois.
In "Poesia aos Quatro Ventos"
Quito Arantes/Portugal
 
 
 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Se o tempo foge…
Não é porque fiquei para trás
Mas porque a Alma não tem tempo
E o Amor eterniza os sentimentos.

(Quito Arantes)

domingo, 28 de julho de 2013

Até Sempre!

Eu queria acreditar que Adolfo, um dia, veria o seu trabalho reconhecido, sem estereótipos e quezílias do passado. Admirava a sua forma de vida, alheio a más vontades, no seu mundo a solo. Era um caminhar pela vida, sem pressas de chegar, sem más intenções. Queria ser feliz e fazer os outros felizes. Quem viesse por bem, entregava o seu coração sem receios. Aprendera que o bem seria sempre vitorioso, e nas suas deambulações pelos trilhos da vida, chegara à conclusão que a liberdade de decidir e agir, eram fundamentais para poder coexistir com a sua personalidade.

In " Até Sempre! "
 
Quito Arantes/Portugal

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Desculpa??? Quito Arantes!!!

 
Desculpa??? Quito Arantes!!!


Dizem: o que vai volta… Mas será mesmo assim tão linear? Os encontros e desencontros da vida acontecem a cada passo dado, as incertezas acumulam-se no dia-a-dia, e para todo chamamento do coração, a dor da perda é uma espada cravada na alma, que à medida que o tempo vai correndo, e essa espada vai cortando os pequenos sinais de um calor humano dado à alegria de viver, é sentida a esperança e o forte desejo de derreter a lâmina afiada que ofusca os sentimentos mais nobres.

Quero que volte toda aquela vontade e desejo de amar, todo aquele fulgor de abraçar e constituir harmonia nas almas. Não há rancor que persista quando a alma não é pequena e nada é em vão.

Quero deixar um legado que sirva de inspiração a quem perdido nas trevas, luta pela salvação do corpo e alma num só.

Na tranquilidade de um desejo, fica a esperança no dia do amanhã, mais belo, mais sentido em amor, mais próximo de ti.

Tudo passa pela aprendizagem da vida, que não se limita à juventude do corpo, mas a todo um conjunto de emoções que nos vão enxergando todos os dias.

Deixarei os meus rios fluírem para o teu mar, onde tento navegar contra as intempéries dos males entendidos.

Quito Arantes/Portugal

terça-feira, 28 de maio de 2013

Quim Bob Dylan


Quim Bob Dylan

             Existem aquelas personagens que nos ficam para sempre na memória. Umas pelas piores razões, mas outras pelos momentos inesquecíveis vividos.

Joaquim Ricocas, ou Bob Dylan, alcunhas pelas quais era conhecido na cidade pacata do baixo Minho, era uma pessoa bastante excêntrica. Talvez se tivesse nascido e vivido em Nova Iorque não fosse apelidado assim. As pequenas localidades portuguesas criam as suas personagens sem o mínimo respeito pela condição humana. É uma realidade que nenhum de nós pode fugir.

Convivi muito de perto com o Joaquim e pude constatar que era uma pessoa de bom coração. Um pouco fora do ser comum, tanto na sua fisionomia, como nos adereços que ele fazia questão de exibir.

Tinha lutado na guerra colonial, havendo quem dissesse que ficara com aquele aspeto e discurso, devido a traumas da guerra. Mas eu não queria crer que fosse tudo disso. Havia algo nele mágico de uma autêntica pop star. Era um homem de estatura baixa, todo ele ruivo, usava uma barba muito esmerada e um cabelo liso cumprido que o entrelaçava em tranças finas. Havia quem dissesse que dormia com uma touca para não estragar o penteado. Coisa que eu acreditava, como verificou-se mais tarde.

Toda esta emblemática personagem tinha os seus seguidores, nas suas incursões musicais pela cidade, muitas vezes em autênticas serenatas do tipo medieval. Ele era um exímio tocador de guitarra, aliás tocava qualquer instrumento musical de ouvido. Daí o apelidarem de Bob Dylan, cantava e tocava apaixonadamente e o curioso é que cativava quem por ele passava e o ouvia.

Uma das características muito peculiares do Joaquim era a linguagem usada, tanto a falar normalmente como a cantar. Quase todas as frases que dizia eram de um surreal soberbo, mas às vezes de difícil interpretação. Mas era bastante agradável de ver e ouvir o maravilhoso mundo de Joaquim.

Quando estava bem-disposto e queria borga não faltava quem o acompanhasse nas suas incursões, muitas vezes para outras cidades. Depois de emborcar os copos de vinho branco, as coisas afinavam e ele executava excelentes shows musicais e teatrais. Para dar uma ideia do discurso desencontrado para o cidadão comum da cidade, muitas vezes começava assim uma conversa: - Ontem esteve um dia de gesso cré, passei pela rua dos candeeiros e só vi esferovite negra.

Ou então: - Anda-me a caçar se tiveres bombazine grossa!

Eram frases completamente disparatadas, e difícil era de entender o que Quim Ricocas dizia.

Quem o visse, espantava-se, pelo seu visual excêntrico. Os sapatos tinham um salto de quinze centímetros, as calças feitas por ele, ao boca-de-sino, ilustravam a época dos anos 60. Além disso costumava usar umas blusas que faziam lembrar artistas circenses.

Muitas vezes era incitado a fazer serenatas a meninas burguesas da cidade, para regozijo de alguns que se queriam divertir com aquelas performances de Quim. A maior parte das vezes, aquelas declarações de amor cantadas e tocadas ao som de acordes melodiosos da sua guitarra, eram respondidas com o chamamento das autoridades por distúrbios da ordem pública.

Havia noites que me cruzava com Quim, que me saudava fugazmente, e daí surgiam, por vezes, reuniões amigáveis, como a de um dia que o levei a minha casa, e depois de uns copos bebidos, e de declamações poéticas descabidas, como era costume nos seus rituais, quis comer os meus peixinhos de aquário. Chegou mesmo a meter a mão dentro do aquário, não fosse eu, desviá-lo de lá, não sei o que aconteceria. Nele eram previsíveis as coisas mais invulgares.

No fundo, apesar do seu visual meio brejeiro, eu gostava dele. Tinha sido a sociedade que tinha feito aquela personagem. Dentro do trauma da guerra colonial e da não-aceitação do politicamente correto da sociedade, era um homem de bom coração. Fazia-me um pouco de impressão, como podia ele nunca tirar os seus óculos, tipo rayban, de lentes espelhadas. Até quando dormia não tirava os óculos, aliás pude constatar isso aquando de um acampamento que ele apareceu. Dormiu ao meu lado na tenda, praticamente sentado e de óculos postos. Por último a sua barba tinha-se transformado numa longa trança barbal.

Naquela noite que dormiu na minha tenda, estivemos ao rubro; fomos ao bar da praia, e estando lá um senhor a tocar concertina, logo Joaquim interagiu pegando na sua guitarra, cantando e tocando ao desafio. Fora um momento único, toda a gente presente maravilhava-se com aquele espetáculo musical. Como se não chegasse, logo de seguida, quando o bar fechou fomos todos para a cidade de Caminha, numa “excursão”, de carros, com a motivação para uma noite de glória.

Quando caminhávamos pelas ruas históricas de Caminha, onde os bares se multiplicavam ao nosso passar, Quim, ia entrando num e noutro, para espanto das pessoas que lá estavam. Então, às vezes entrava só para largar uma “farpa”, ou libertar uns gases, numa tentativa, animal, de marcação de território. Passado um tempo, já tínhamos um regimento de pessoas, que se tornaram fãs de Quim, andamos pelas ruelas com Quim reproduzindo suas baladas. Demos a volta à Sé de Caminha em plena apoteose. Foi uma noite em grande, momentos únicos que passamos, e de volta ao acampamento, e já exaustos, fomos para a tenda. Quim simplesmente se sentou, protegendo o seu cabelo, e sem tirar os óculos, ficou mesmo assim todo o resto da noite.

Havia algo que já nos últimos anos que convivi com ele me deixava triste. Joaquim fechava-se em casa dias e até meses, ninguém o via. Nunca entendi a sua reclusão, ele não era de desabafar com ninguém.

Lembrei-me de falar do Quim Bob Dylan, Quim Ricocas, ou Joaquim para mim, porque deu-me uma certa nostalgia de um tempo, vivido, fora das novas tecnologias, onde os valores da amizade prevaleciam, e onde o preconceito social não existia no nosso núcleo de amizades.

Joaquim! Onde quer que estejas, estarás sempre no meu coração.

 

In “ Contos de Encantos “ a editar

Quito Arantes/Portugal

domingo, 28 de abril de 2013

Por Ti!!

No meu peito caem as águas por ti oferecidas

No recanto milagreiro da minha existência.

Enquanto cristalinas, vão purificando os tormentos

Em terras perdidas de outrora.

 

Quero deixar tua frescura assediar minhas comportas

De uma presença inequívoca olhando a brandura

Que enlaças em mim a mais singela vontade de te amar.
 
 in    "Poesia aos Quatro Ventos"
Quito Arantes/Portugal

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Pode ser um dia...


Pode ser um dia…

Há dias que quando vou à minha cidade materna, me questiono sobre a vida no campo, sobre a vida no Alto Minho. Do rodopio do trânsito caótico ao ensurdecedor borburinho das comadres que deambulam pela padaria e cabeleireiros, onde a vida alheia é posta a nu, fico com a sensação que não há mais que o belo sentir a natureza a falar por si.

Aqui neste recanto do Alto Minho a vida vai mais ao encontro dos meus desejos. Embora seja sempre um pelica que aterrou nestas terra bravias e em comunhão com a natureza, fico pensando que já devia ter feito esta decisão há muitos anos. Não existe nada que compre o sossego do interior minhoto, onde a vida segue o seu ritmo sem grandes sobressaltos.

Claro que é sempre um ato de coragem, deixar tudo para trás e sem família aposentar-me nestas terras lindas e verdejantes. Mas para tudo há sempre uma primeira vez, e esta foi certeira, direta ao meu aconchego desejado.

Pode ser um dia… em que o mundo dê-me as voltas, mas por enquanto quero viver estas dádivas que Deus me oferece, onde longe de enguiços levo a vida que escolhi para que meu trabalho dê os seus frutos. 

Muito embora, como todos sabemos que a vida não é nenhuma pera doce, podemos sempre aproveitar o que dela melhor se tira, e fazermos em comunhão com os nossos semelhantes o melhor proveito.

Pode ser um dia… em que as forças me faltem para elogiar a mãe natura, mas o meu olhar estará sempre lá, onde a visualização Dela poderá trazer novo enlace para melhor me sentir. Guardarei no coração a inspiração dos teus vales e serras que me fazes comtemplar num privilégio inigualável.

Pode ser um dia… em que o que resta de mim sirva para educar uma nova geração perdida nas interrogações.

Pode ser um dia… em que respirar os ares puros da serra me levem a acreditar num mundo melhor, onde a mentira e a opressão não tenha lugar em nós.

Pode ser um dia…

 

Quito Arantes

Portelinha

Castro Laboreiro

27/02/13

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Traz a memória!

Guardo o recanto enaltecido
Pelos meus duendes enraizados...
Enquanto que o tempo desliza
Pelos meus dedos agrestes
Encontro o sinal que não é
Só meu, mas de muitos mais
Que fluem em minhas memórias.
Agora será sempre o rasgo
Do bem querer, em harmonia
Com o bem estar com Deus.
Deixarei que me tragas a poção
De todo o universo desejado...