(Sonia Cancine)
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Do alvedrio espelhado
- pela candeia -
Um cheiro de rosas
Um brilho nos olhos
Ilumina-me os lábios
Na taba sombria.
Derramo a lágrima oculta
Uma fotografia à tua alma
Um cheiro de canela, pimenta e chocolate no ar.
Sorrio
- como pequenina pétala de cristal
Como se fosse partir devagarzinho
[ao leve contacto com o ar]
Como se tudo fosse parar agora -
E cantos baixinhos me aconchegam
- como se quisessem me embalar -
Sussurros
- saltitam de lá para cá –
E bailo com as mãos
- e como se me escondesse
fecho os olhos
e contemplo o amanhecer -
O vento acaricia-me a face.
O cheiro da terra
O frescor da bruma
O sabor do vento
Trazem-me um sorriso.
Vislumbro
Passos, tatuados à beira-mar
Segredos, numa caixinha de pandora
O bater das asas dos pássaros
O curso dos rios e mares
Os saltos das águas em cachoeiras
O brilho da Lua...
Colho dos cestos floridos, o passado.
E sei que nada disto me é eterno, nada é meu.
quarta-feira, 14 de março de 2012
A Candeia & Alqueires
sábado, 14 de janeiro de 2012
A Pescadora de Luas
(Sonia Cancine)
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Eternizam-se na memória
- no embalo do vento -
Absorvidas pelo nó sorvido
- com gosto de maçã -
Emoção em gotas cítricas e hortelã.
Das pupilas e das contas d’água
- do verde mar de seus olhos -
Da bruma espuma, nódoas de solidão
O vinho escorre nas veias, rompendo o chão.
Arranco calhetas e cascalhos
Do ferrolho de meu peito
- sou pescadora de Mim -
Húmus mudos
Fragmentos que perdi...
A Luz espalha o seu aroma
Na Terra que fenece
Irrompe em tempos estranhos
Onde se tinge de sangue
Precipita-se ao Sol e
Só se detém, ao amanhecer.
Vislumbro o oceano
- no marejar de meus olhos -
E ao trazer a alma azul do mar e do céu
Eu chorava ao voltar para a Terra.
O imaginário da Lua inspira-me
- a mulher guerreira -
No fundo do lago ou de Yaci...
Qual espelho da Lua, na face refletida
O antes e o agora
- pescadora e cavalgante -
De águas e terras distantes
Neste agreste mundo aquoso
domingo, 15 de maio de 2011
O Silenciar dos Anjos
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Na calada fria da noite escura
Ao ouvir o sussurrar dos Anjos
Emudecem-me os sentidos
Um olhar de olhos infindos me vigia...
Inquieta, reverencio o tempo
Onde o aqui agora nem perto nem distante
Canta junto ao meu coração e
Entrego-me na finitude de tudo o que sou.
Em meio a nuances e tormentos
Teço traçados desalinhados em cunho e
Perco-me neste labirinto de metáforas.
Um Anjo tetro num recôndito invisível
Pelas vias/mente, algoz - a morte me anuncia.
Peregrino pela campina verde e me deito no sereno.
Sonho (de novo) ao ouvir o gorjeio das gaivotas
O murmurinho das águas do mar e do vento.
O perfume que exala das flores
Cintila na aparição do céu inexorável
E me liberta do cárcere em que vivo.
Será loucura de meus pensamentos?
Luto para fugir do mal que me assola
Montada no meu cavalo indomável
Na noite sombria à luz da Lua nua.
Meu destino, minha senda
Que transita entre o céu e o inferno
Como vidro se despedaça no chão.
Alço finalmente de asas abertas à Luz ao final do túnel e
Vencendo o vento angario do pó alma minha.
Do efêmero isolamento
- vôo como fênix em direção ao Sol -
domingo, 3 de abril de 2011
A voz do vento...
(Sonia Cancine)
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Uma voz firme nos ouvidos
Seduzia em palavras ardentes
Onde a voz do vento anunciava
Que a noite tinha chegado.
Estava muito frio e eu?
Não queria desafiar o vento.
Eu só peço a Ti, meu Deus.
Que não me deixe assim
Esquecida tão facilmente.
Então, olhei ao longo da margem do rio.
Lá estava ele tão só, e somente
A lua se banhando como deusa prateada.
Tu se deitarás, na hora do crepúsculo
Em pensamentos ardentes numa relva macia.
Uma paixão interna que me foi destinada
Uma lembrança
Que trago do portal empírico.
E recebo neste rosto pálido de sorriso largo
Uma estrela do céu nublado
Imagem induzida a cheiros, nuance de prazer e dor.
No duro chão de pedra
Depois de meus pés cansados não haverá lugar
Que não revele meu semblante
- o perecer do que sou -
Perderia eu a inocência de gente?
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
De volta pra casa...
(Sonia Cancine)
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Enigmas ocorrem, repentinamente!
Olhares dúbios e motivos aparentes
Fazem da gente - exultante ou desencantada
Amada ou desalmada de alma cansada.
A minha? Após o olhar terno do Mar
Respira o ar que me dá vida, de poesia
Som de ondas deslizando espumas
Esbravejam a natureza descontente.
Não consigo na calma aparente
Deixar de sentir na pele
As delicias da paz desejada e
Aquela concha que eu segurava, eu não a vejo aqui.
Cansada, mas de alma lavada
De alinho combalido pelas ondas
Chorei onde a cortina em desalinho escondia
A alma trancada, onde o tempo pára.
Após olhar o Mar...
Danço a dança das sereias
Na arte impudica dos deuses e
Deito em cima dos penhascos
- os temores ocultos -
Na brisa fresca da maresia em dias de escuridão
Transvio para além da ebriedade azul
Pergunto - o que é isso que soa ao longe?
É o vento que embala emoções e
De volta pra casa, após olhar o Mar
Volto a sorrir
- e o espírito curumim ressurge
mais uma vez -
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
No cais deserto
(Sonia Cancine)
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A sina da vida me ensina amar
- sem narcisismo, eu sei -
Embora a luta persista no mundo
A maior delas é vencer a si mesmo.
No instante do amargo sabor
Que [aos teus olhos]
Peregrinam no barco da dor
O entendimento confuso
No mar dos pensamentos, navega.
Mas no teu barco junto ao vento
E nas ondas do teu olhar
Navegam sentimentos.
Carregada de um silêncio mortal
Abro a janela, entreaberta do caos
E não reconheço o arrebol
Que outrora refletia emoções.
Será que não o deixei antes de à hora
Despontar-se a de mim?
É o íntimo abatido de face cansada
Cansada
De esquadrinhar sempre sozinha
No cais deserto, o meu barco.
De ouvir ecos na sombra da voz
Que clama em chama por liberdade?
De escapar infeliz das lições
E das artimanhas nas manhas
Deste mar de contradições...
Mas sobre a areia molhada
Tua voz eu escuto...
Afaga-me a alma numa onda calma
Ecos que chegam ao meu silêncio.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Parcas luzes...
(Sonia Cancine)
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Pudera...
Ter a leveza dos pássaros
A delicadeza das pétalas e
Os sentidos felinos.
Quem sabe assim, sobreviveria
Em meio à tormenta escura em que vivo?
Por assim dizer, respiro.
Respiro lágrimas silenciosas
Que exalam cristais
As parcas luzes
De meu finito desejo
Apagam-se e
Eu não posso mais ver a luz...
Dói-me os sentidos por perceber a alma tão pequena.
sábado, 14 de novembro de 2009
O Silêncio que Cala
(Sonia Cancine)
Do novelo de fatos estranhos
O maceramento dos olhares
Do exílio, intacta indignação.
É limítrofe
(a insanidade e a lucidez)
Nos ventos álgidos
Que encobrem meus passos
Entre ruas laceradas da Terra.
Queria um Silêncio absurdo
De gritos lascados
De lágrimas gritantes
De cada gota de sangue
De cada lágrima derramada
Da arena da vida
Mas um silêncio profano e de pupilas ardentes
Pôs-se a caminho, tendo às costas a ninhada.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Descortina-me a alma adormecida
(Sonia Cancine) Os ventos rasgam forte o meu medo
A chuva irrompe o silêncio
Os trovões soam angustiantes
No espetáculo que se impõe
Gotas incendeiam meu adágio
Que estremece nas entranhas
Cortantes de expectativas
E congelam na memória
Vivi as teias traçadas pelo destino
Mas não vivi os desejos reprimidos
Marcados pelas pedras e tempestades
Vidas desafiam e desfiam o tempo...
Nuvens afagam lágrimas que caem
E enlaçam as dores cristalinas
Da lua escura que se distrai em cólera
Em júbilo junto à noite que desencanta
E sob a indiferença dos céus indigentes
Descortina-me na inerte alma adormecida.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Cálice de Adversidade
(Sonia Cancine)
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A margem da estrutura social
Eu tento digerir
O que se impõe nas caldeiras ferventes
Das relações existentes.
Cozidos os destemperos
Sobram as porções carnudas
Para o prazer da gula animal.
Desmancham-se nos caldeirões
Aos borbotões olhos tristes
No regalo de perdas infindas
Onde deveriam nascer canções.
Embriagada pelo sentimento de saudade
O amor jazido entoa palavras jogadas ao vento
Buscando a brisa suave
Na esperança de que esta enleve
E abrande as cinzas do lado sombrio d’alma
Corrompida pela dor.
Sou livre sou pássaro
Que no alto de vôos imaginários
Deste inverno triste, aguardo os raios de Sol
Pousar e aquecer os quintais humanos
Para que me tragam de volta o brilho do olhar.
Olhar que se perde ao longe
E reflete a expressão de anseios
Inebriando-me no mais absoluto Silêncio d’Alma.
Assim num ritmo cigano
Ao som de pandeiros e violinos
Representando o júbilo do Sol
Embainhada de lenços eu danço
Um lamento arcano
E aos poucos revelo tão somente
A beleza e o poder da dança
Como forma de oração
E me basto neste instante.
Tal como filha do amor
Neste cálice de adversidade
Ao que o mundo se destina
Ao dançar manifesto desejo, sentimentos e sonhos
Movidos pelo deslizar dos lenços tristes pelo ar
Num transe livre e musical como o vento
Numa tentativa de envolver e fortalecer teu coração.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Ode ao teu Olhar
(Sonia Cancine)
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Em silêncio ouço fortes gemidos
Que rompem a sombra da noite
Repleta de estilhaços de dor.
Dos instantes em que te vejo
Guardo-te no olhar e contemplo.
Das serpentes dos teus olhos claros
A íris bucólica do teu olhar
Agoniza-me e me seduz.
Olhos que prometem me cegam
Como se fossem reflexos de espelho.
Colhem lírios e embriagam-se de absinto
Afastando-me do ninho das ninfas.
De súbito, enxergam ao longe uma flor
Jamais vista, a mais bela, e
Tua luz é brilhante (mente) intensa.
Do alto dos montes, delirantes súplicas
De espírito intranqüilo, de grata prece
Abro, então, uma cova no teu olhar
Rogo-te o calor
A incendiar-me as entranhas e
Sob a carne impenetrável
No pulsar do amor
Olhos que aos poucos fenecem
Causam-me - medo.
terça-feira, 16 de junho de 2009
A Ilha do Corvo
(Sonia Cancine)
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De onde eu venho
Salta-me aos olhos tua face tristonha
Deleito-me nas imagens tempestivas
De fogo em flores.
Espalham-se, semimortas
Pela lagoa de sentimentos.
Mergulhada, na incerteza, eu te vejo ao longe
Pela janela da emoção, furtiva e silenciosa.
Distante, nada é mais como antes
Eis, que emergida da pugna, cansada e ferida.
Um lago espelhado e azul
Cercado de areia fina e branca
Plantado no coração de meu sítio
Tinha tuas nuas águas tão clara
Que muitas vezes me iludia na tua profundidade
Como tudo na vida, não era de fácil acesso.
Ao galgar na areia macia e escaldante
Meus pés chiavam no encontro com a água
Recuava, num pequeno deslize provocado
Na lagoa de flores, que nasciam nas margens da alma
Colhidas, eram ofertadas em ebulição e
Na ilha do Corvo, dos amores vulcânicos
Mergulhava nas cascatas do teu olhar...
segunda-feira, 16 de março de 2009
Lascas flamejantes
(Sonia Cancine) Esputam rastros de chamas que cruzam os céus
Lascas flamejantes à noite vulcão devoram
a fúria inquietante que em mim (de) flora.
Em meio a lampejos que iluminam o empíreo
Acenam-me tuas saudades de nuanças rubras
Das veladas vontades
Reviram-me a mostra suculenta
De nuvens escuras
De tua sina me ensinas a te desejar e
Na maré de teus sonhos me conduzes
Bem devagar
Para saborear o paladar das espumas
Ensinas-me a deslizar em teus braços e
Nas minhas teias jugulas teu espaço
Em rios de lágrimas corres em minhas veias
Em pensamento murmuras teus cantos
O que teu rosto revela nas minúcias de tua face
Nas lascas negras de amor espalham-se
Pequenas asas luzentes
Vens dançar tua emoção, nas pupilas dançantes minhas
Nos rastros das chamas, o espelho da tua mente.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Círculo de Fogo
(Sonia Cancine)
Abrasa-me aforismos insanos
Em agravo e erupções vulcânicas
Ah! Guerreiro, serena tua indiferença
Dos ditos danos, do que julga cabal
Da veracidade inquieto-atraída
Atraída pela onda desconhecida, difícil e perigosa
De mente e peito aberto, rumo ao desconhecido
Tento me encontrar, na tua crença e distanciamento.
Pelas vibrações de notas sensuais, desperto e
Possuída pelo amor, abro o círculo de fogo.
A força da terra pulsa a ira dos deuses
É o toque que domina a dor que te inflige
- ateio fogo em tuas mãos sem queimá-las,
invoco o mover das pedras e, neste desalinho
me toma em teus braços incandescentes -
O caminho do fogo é estonteante e
Na luz da ilusão da força bruta, a destruição.
No véu da noite: espectros, penumbra e medo.
Ofusco feito pássaro de luz o oponente
No holocausto arquétipo de tua alma
Ante o fogo que cai do céu num ritual de anistia e
Tua índole debaixo do sol desta adversidade
Tem a ver com tua condição rescindida em ti mesmo?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Lótus de Mil Pétalas
(Sonia Cancine)

Símbolo flor de pureza e perfeição
Iluminada pelo sol da manhã
Eclodem tuas pétalas e irradia perfume
Do lodo, floresce tua liberdade
Intocada pela imundície
Homem, inclina tua força interior
Apesar do teu sítio antagônico.
À espera de eclodir a tua existência
Oh! Belo lume lótus de mil pétalas
Espelho dos grandes homens do Sol
Abra tuas asas para mim...
Através do poder do fogo sagrado
e da grande força dos princípios vitais
Faz-te vida vivente, em minha carne.
O fogo arde neste sutil revelar
Uma vaga sombra da consciência
Fogo serpentino que pode criar ou destruir
Teu despertar num todo harmonioso.
Converte-te em pássaro e desvenda tuas asas
Incapaz de levantar vôo. Mas, neste afã de voar
Abaliza o belo do feio. Experimenta!
É chegada à hora que finalmente
>mil pétalas da lótus
o libertarão
e deitará sobre tua cabeça
a Coroa de flores do Amor.
Não tenhas medo, é vórtice que nos sintoniza
Neste cálice de vontades...