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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Quando Voltar El Rei D. Sebastião

Um dia El Rei D. Sebastião vai voltar:
El Rei redivivo, ressurgido dos mortos,
virá restaurar o Império
e o exército d'El Rei D. Sebastião
serão extras de um filme de Romero.
Quando voltar, El Rei D. Sebastião
nos vai fazer frequentar a igreja.
El Rei D. Sebastião vai coibir o consumo abusivo de cerveja;
proibir ir à praia sem roupa;
acabar com essa pouca-vergonha
de transar antes do casamento,
comer carne às sextas-feiras,
dormir mulher com mulher
e barbado com barbado.
D. Sebastião I, O Desejado, quando vier,
vai por fim a essa mania da Colônia
de querer ser Sede da Coroa.
Um dia El Rei D. Sebastião,
à frente de uma armada de mil caravelas,
vai botar ordem nesta zona.
Um dia El Rei D. Sebastião vai voltar
e acabar com essa bela balbúrdia.
Nesse dia, por via das dúvidas,
me mudo prum outro lugar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Buquês de Rosas Vermelhas

Olha a mulher que se acha feia.
Em casa, sozinha
numa noite de sexta-feira.

Uma taça de vinho
(é noite de sexta-feira).
No banheiro,
defronte o espelho,
a mulher que se acha feia
fita-se de frente e de lado,
brinda com seu reflexo
e sonha ver-se linda.
E sonha ver-se amada.

A mulher que se acha feia
reclinada na banheira.
Um livro e uma taça de vinho.
E o sonhar em segredo
com toques de dedos
que a conheçam tão bem
quanto ela se conhece.
Um breve tremer de pernas nuas.
Um gemido. Uma lágrima. Duas.
(a mulher que se acha feia, estranhamente,
chora, quando goza, o companheiro inexistente).

Gillette e uma taça de vinho.
A mulher que se acha feia,
com gestos bem calculados,
esculpe com todo o cuidado
os contornos dos pelos do púbis
que ninguém irá tocar.
E imagina ver no fluxo
dos jatos da jacuzzi,
surgindo dos pulsos,
buquês de rosas vermelhas
que ninguém jamais lhe deu.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pele

Pisa-te mal quem te acha feia.
Mas não eu, que te sei,
sob a máscara rude, delicada.

Pisa-te mal quem te tem medo e te acha fria.
Mas se te piso, São Paulo amada,
é como quem acaricia.

Cada passo a que me atrevo sobre o asfalto,
cada toque dos sapatos sobre as tuas avenidas
é como um afago, um agrado
sobre a pele da mulher querida.
Se percorro as tuas ruas e te toco o calçamento,
toco como quem toca, leve e lento,
as costas nuas da namorada.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tempo

Eterna dança de roda,
um baile estático e mudo,
uma ciranda de rocha.
As pedras dançam sem pressa
e giram junto com o mundo
(seu tempo se conta em eras).

Canta como dança a pedra:
pra si e não para a gente.
A voz da pedra é interna,
sua cantiga é silente.
Antes cantasse mais alto
e desse a quem ouvisse
a voz que vem do basalto
lição, ainda que triste:

"O construtor, sendo humano,
é breve, mortal, finito
(seu tempo se conta em anos,
não é o tempo do granito).
E finda a vida nada sobra
a não ser, talvez, a obra."

domingo, 27 de junho de 2010

Cantos Vivos

Detesto as palavras redondas:
parecem-me frouxas e gordas
e de modo geral enfadonhas.

Prefiro as palavras agudas,
palavras que tenham arestas,
que saltem da língua afiadas.
Palavras assim como estas.

sábado, 27 de março de 2010

Emoldurada

Viro pro lado e vejo
(filme adulto sem cortes,
revista de sacanagem),
em chiaroscuro e água-forte
à luz que vem da janela,
a obra-prima do vernissage.
Ainda sinto seu cheiro
doce e quente sobre a pele.
Ela dá uma de inocente
(nem catecismo do Zéfiro,
nem bem óleo sobre tela),
espreguiça e faz que não sente
os meus olhos sobre a dela.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lugar Comum

Vou usar e abusar do chavão:
Fazer todo um poema de rimas
Desgastadas, cansadas, cretinas.
Vou rimar “coração” e “paixão”.

Vou usar só palavras banais,
Desfiar rimas burras e pobres
Até que nenhuma mais sobre
No meu velho e surrado Houaiss.

Vou fazer construções qualquer-nota,
E usar, sem ter medo nenhum,
Um milhão de lugares comuns
E as hipérboles mais idiotas.

Não faz mal se for tudo clichê,
Pois no fim resta salvo o poema
Se tiver algo raro por tema
E esse algo, mulher, for você.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ton-sur-ton

Agora não quero falar
de coisas coloridas,
bonitas, delicadas,
de flores e borboletas.
Não quero falar de nada.
Hoje estou monocromático.

Por que não cantar o cinza
do asfalto e do cimento,
da gasolina e do diesel,
da poeira e da fuligem?

Por que não cantar o cinza
duro, frio, onipresente?
Os diversos tons de cinza
sobre cinza da cidade?

E uma vez cantado o cinza,
concreto armado e neblina,
e pintada a cidade em P/B,
aí, sim, falar de flores
e até, talvez, borboletas.
Sobre o fundo de cimento
não mais apenas bonitas,
mas praticamente perfeitas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sobre um Mote de Tati Bernardi

("Recaída é o nickname do diabo." - Tati Bernardi)

O certo seria, no fim duma história,
deixar para lá e se dar por contente.
Deu certo? Beleza. Não deu? Tudo joia.
Azar, paciência. E bola pra frente.

Problema é a gente ficar nessa noia,
de achar que o tal fim pode ser diferente,
sonhar fantasias que em nada se apoiam,
não ver que é erro e tentar novamente.

Descaminho que começa onde termina,
cicatriz que se desdobra em chaga aberta,
cobra estúpida que morde o próprio rabo.

Insistência em conhecer uma só sina,
um destino só que nunca se completa.
Recaída é o nickname do diabo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Notícias Populares

O mau poeta acossa a musa.
Não admite recusa,
nem se conforma com um “não”.
O mau poeta não desiste:
protocolo, formulário em três vias,
requerimento, recurso — em vão.
Ataca, então, rasga-lhe a blusa:
abuso em busca de poesia,
estupro à guisa de inspiração.
Crava os dentes no peito
ainda quente, embora inerte,
e suga até que repleto
do sangue que o seio verte.
Foge dali safisteito,
Pensando com seus botões,
“Agora me sai um poema que preste”.

domingo, 27 de setembro de 2009

SM

Há momentos para a delicadeza das rendas.
Mas não hoje: corpete de couro, correntes.
É noite de algemas e vendas.
E ninguém tem nada com isso,
A não ser a gente.

Você se rende, se entrega,
Se dá ao luxo da confiança cega
No carrasco que elegeu.
Em pé à beira do leito, o tal eleito, eu,
Faço de você brinquedo e deleite.

Te quero dada de corpo e mente,
Te quero em bondage, amada, afoita,
Te quero em estro, miando, felina,
Te ouvir gemer meu nome entre dentes.
A cada meu toque de afago-açoite
E cada beijo quente da parafina.

Se quiser, depois a gente troca,
Você senhora, eu submisso.
Danem-se vizinhos e fofocas!
Ninguém tem nada com isso.
Há muitas e várias formas de gozo
E titio Sade ficaria orgulhoso.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Confiança

Meia hora para o show. Anos atrás estaria acendendo o enésimo cigarro do dia e bebendo uísque ou vodka no gargalo. Ao contrário de tantos companheiros daquela época, nunca tinha caído na tentação das drogas mais pesadas; lhe bastavam a nicotina e o álcool. Os companheiros se foram, quase todos; ele ainda estava de pé – e às vezes se perguntava se valia a pena. Tinha largado tanto uma quanto o outro há anos e agora se contentava com um antiinflamatório e um analgésico engolidos com um gole de coca zero. Sim, porque além da hipertensão, havia o diabetes.

Quinze minutos para o show. Estaria no enésimo cigarro mais dois a essas alturas. E naquele estado entre sóbrio e bêbado que com cuidado cultivava. Observando os companheiros de banda mais para lá do que para cá, consciências alteradas, mas talento imaculado. Os companheiros se foram, quase todos, menos o que entra no camarim. Tinha sido baixista da primeira formação da banda. Mas nunca muito bom. Quando surgiu o primeiro hit, a gravadora sugeriu uma substituição e ele, humilde, aceitou. Por insistência do líder, foi contratado como assistente do manager. E encontrou-se: dois anos depois era o empresário oficial daquela já grande e ainda crescente potência da música. Ao longo das mais de duas décadas, cuidara da banda como se dela fosse parte. Como de fato era, de certa forma. Ou tinha sido. Ou algo assim. Um homem de confiança.

No camarim, a conversa de sempre: “Tudo em ordem, chefe?” Desde que passara de músico a burocrata, sempre o chamara de chefe, em tom de brincadeira. “Tudo”. “E a mão? Tá doendo?” – logo antes de todo show, a mesma pergunta, desde o primeiro diagnóstico de artrite. “Não, hoje tá boa”. Sempre a mesma resposta. E, por trás da resposta, o que os dois sabiam e nunca tinham dito: um dia a mão não ia aguentar riff após riff; solo após solo. Um dia o dinossauro ia morrer em praça pública.

Nunca tinham dito, mas uma hora iriam dizer e foi naquele dia. “Cara, preciso me aposentar. Parar antes de fazer feio”. “Que nada, chefe. Você ainda tem anos pela frente”. Sempre assim: de um lado os músicos e seus egos frágeis, seus vícios bobos. Do outro, o executivo que só fazia administrar finanças, vaidades, inseguranças. “Não sei o que seria de mim se não fosse você”. “Claro que sabe. Você ia fazer sucesso de qualquer jeito. Talento como o seu?” Condescendência e adulação. Bases estranhas para uma amizade de mais de trinta anos, desde antes de descobrirem a música. O ex-baixista ruim sentou-se ao lado do guitarrista prodígio. “Quer a bolsa de água quente?” A resposta foi só um abanar desanimado da cabeça. “Quer alguma outra coisa?” Mesma resposta. Ficaram sentados em silêncio.

Cinco minutos para o show. Levantaram-se. “Cara, preciso mesmo parar logo”. “Não se preocupa. Vai dar tudo certo.” Sorriram um para o outro e foram cada um para o seu lado: o músico para o backstage; o empresário para a cabine de som. Vai dar tudo certo, o guitarrista repetia para si mesmo, ouvindo a voz do amigo. Vai dar tudo certo. Entrou no palco ainda escuro, pegou a Gibson e esperou as luzes.

Dez minutos de show. As mãos, já aquecidas, não doíam mais. “Vai dar tudo certo.” Tinha até incluído no setlist desta turnê um medley que passava por aquela do Bob Marley que dizia isso.

Vinte minutos de show. Trinta. As mãos já cansadas. Mas sem problemas até agora. Mesmo porque, com o passar dos anos, tinham simplificado as passagens de guitarra, diminuído as extensões de dedo mínimo. Já não era um moleque de vinte anos.

Quarenta minutos. Já não conseguia dizer para si mesmo que a mão não doía. Porque doía. Mas repetia para si mesmo “tudo vai dar certo, vai dar certo, everything’s gonna be alright”, numa voz que misturava a do Tuff Gong e a do amigo que, fora a música, era a única constante em tantos anos de estrada; que tinha ajudado a lidar com divórcios, pensões, advogados, a largar o cigarro e a bebida, a enfrentar os médicos, a encarar um show depois do outro. Sentia um pouco de vergonha de ser condescendente com ele. Mas era assim a amizade: condescendência e adulação. E funcionava. A única constante, a amizade: a confiança que tinha no amigo e que o amigo tinha nele. Sabia muito bem, no fundo, que só não tinha desistido ainda, só não tinha parado por medo de fazer feio, por causa dessa confiança inabalável que o músico sem talento tinha no virtuose. Entre uma música e outra, um gole de chá gelado e mais um analgésico. Ia dar tudo certo.

Quase uma hora de show. Os shows da banda hoje em dia duravam pouco mais do que isso. A mão já não aguentava as maratonas de antigamente. Quase uma hora de show e, com uma hora exata, entrava aquela música. Aquela que tinha feito com que passasse de guitarrista de sucesso a deus do rock. Aquela que os moleques suavam para aprender. Aquela do solo heróico de seis minutos. Aquela que para ele tinha virado uma forma especialmente cruel de auto-flagelação. Aquela única que os fãs faziam questão absoluta de ouvir e que não podia sair do show. Tinham tentado uma vez. Foi a pior turnê da história da banda. Os jornais avisavam antes: não vá esperando ouvir Aquela.

O guitarrista respirava fundo e tentava esquecer a dor. Na metade da música já sabia que dessa vez ia ser difícil. Os remédios já não bastavam. Sentia cada tendão como se fosse uma corda de mizão esticada até virar um mizinho. Mas respirava fundo e ia em frente. Já nem estava mais preocupado com a platéia, nem com fazer feio. No fundo, o que queria mesmo era não decepcionar o amigo. Ou mostrar para ele que ainda era o gênio das cordas e sempre ia ser. Mas dizia para si mesmo que era para justificar aquela confiança.

No meio do solo, um pequeno erro, mas achou que ninguém tinha percebido. Dois compassos depois, outro erro. Não ia dar. Olhou na direção da cabine de som, que não via por causa das luzes. Mas olhou assim mesmo, querendo que o amigo visse em seus olhos o pedido de desculpas por ter traído sua confiança. A mão já não aguentava mais. Errou de novo. Feio

E viu que ninguém percebeu. Tinha perdido quatro notas seguidas, mas elas vieram no retorno. Parou de tocar. E a guitarra continuava. Aos poucos o público parou de bater palmas no ritmo da música. O guitarrista base parou também e, logo em seguida, o baixo. A bateria e o teclado demoraram um pouco mais. Mas a guitarra solo continuava. Daí vieram as vaias.

Na cabine de som, o ex-baixista gargalhava e brincava com a caixa do CD de playback que há anos deixava preparado para esse dia.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Fim de Noite

Fim de noite. Ele abre a porta. Ela entra em casa. Segundos depois, ele também entra. Ela vai direto para a geladeira, pega uma garrafa de Coca-cola de dois litros, quase no fim, e bebe o restinho direto do gargalo. Ele vai ao banheiro, faz xixi, lavas as mãos e vai para o quarto. Enquanto ele tira a roupa com cheiro de cigarro, é ela quem vai ao banheiro e faz xixi. Ele veste o pijama enquanto ela lava as mãos.

Ele liga a TV, começa a zapear pelos trocentos mil canais em busca de algo que mate a insônia, de preferência, ou, se não der, pelo menos mate o sono. Ela liga o computador, lê emails, abre o Orkut, entra invisível no MSN para ver se tem alguém com quem valha a pena conversar sobre o que quer que seja. Mas é claro que às cinco da matina só estão online os losers completos. “Eu inclusive”, pensa.

“Droga de festa. Gente mais chata”, diz ele para os botões do controle remoto. “Festa mais chata. Droga de DJ”, ela pensa. Morto de tédio, mas ainda sem conseguir dormir, ele resmunga, “Que se dane” e serve-se de um uísque. Ela desliga o computador, pega a Veja de duas semanas atrás, vai para o quarto e acende um cigarro que fuma enquanto lê o Mainardi pela décima vez. Agora é ele quem liga o computador, abre um arquivo de trabalho e tenta dar uma adiantada nas coisas da semana que vem. Claro que morto de cansado – e não exatamente sóbrio – tudo o que fizer vai ter que fazer de novo outro dia. Mas pelo menos ocupa o tempo. Ela joga a revista no chão, liga a TV do quarto e assiste a um capítulo de Allie McBeal que já viu tantas vezes que sabe os diálogos de cor. Mas ocupa o tempo, pelo menos. E preenche o silêncio.

Ele desiste de estragar trabalho, fecha o Word e abre o Orkut, lê emails. Vai ter outra festa amanhã. As mesmas pessoas, o mesmo tipo de lugar. Gosta das pessoas e gosta do lugar. Mas já está meio saturado tanto de umas quanto do outro. Melhor ficar em casa, ler alguma coisa. Mas, no fim, provavelmente vai acabar indo, sim. E morrendo de tédio. Ela, que já sabia da festa, tenta resolver se está ou não com vontade de ir. Passam os créditos finais de Miss McBeal e ela dorme embalada pelo sotaque horrendo do Dr. Phil. A essas alturas o sol já ameaça raiar e ele desiste de dormir na hora em que o zelador arremessa delicadamente o jornal contra a porta do apartamento.

São perfeitos um para o outro. Pena que, mesmo morando na mesma cidade, no mesmo quarteirão, nunca vão se conhecer, nunca vão se apaixonar, nunca vão ter três filhos lindos e quatro netos. Não vão montar casa juntos, nem viajar juntos para Barcelona, nem ver juntos o pôr-do-sol em Santiago, nem envelhecer juntos, nem esquecer juntos das coisas que viram e fizeram juntos.

sábado, 27 de junho de 2009

De Gato e Rato

É no escuro, no quarto sem cantos vivos ou horizonte, que abro meus olhos. É no escuro, do lado de dentro do cubo de faces pretas, que faço o convite. É no escuro, com fumos de tabaco e assa-fétida, que ergo as cortinas do mundo. É no escuro, ao som de um violoncelo a noventa decibéis, que arranco da terra uma coluna de fogo. É do escuro, agora negro-escarlate, que me lanço em seu encalço. É no escuro que encontro, a cada noite, a sua luz baça. É no escuro que, a cada noite, atrelo seu sono aos cães.

É no escuro, perdido nos vapores, que você cai a cada noite. É no escuro, em ré menor, que um quarteto de cordas toca seu réquiem. É no escuro que você, cordeiro, bale perante os lobos. É no escuro que você, fraco, rasteja em busca de saída. É no escuro que você, fraco, implora por uma saída. É no escuro que você, fraco, jura que mataria seus pais em troca de uma saída. Quando, então, desfaço as amarras, é no escuro que você, fraco, balbucia e soluça obrigados.

É no escuro que pinto seu sono com os monstros da sua infância. É no escuro que corto, noite mal dormida por noite mal dormida, uma por uma, as cordas da sua sanidade.

(Quem mandou se meter com alguém que, um dia, matou um deus?)