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quarta-feira, 16 de março de 2011

"Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu"

Está um frio de nós dois em Sampa.

Você é minha última recordação em dias frios.Os outros dias frios feneceram em invernos passados. Queria canções e palavras, você bem sabe! Queria tantas outras coisas e queria agora.

Só porque está um frio de nós dois é que te escrevo. Carta de poeta é assim mesmo, imprecisa! Fumo e ouço cigarro. É preciso conhecer Baleiro para que possa me compreender neste momento. Um dia destes, te apresento.

Por aqui não há grandes novidades. Você já sabe que talhei os meus cabelos. Isto nem me feriu. O que me dói é talhar sonhos e decidir. Ambas as coisas não são inéditas, porém incomodam tanto quanto alguma dor sua. Queria saber suas dores. Um dia destes, me apresente!

Não te contei minhas quimeras e não vou despejar meus desgostos . Quem sabe isto seja o bom senso. Perdi meus óculos e isto me dificulta. Astigmatismo, Baby! Neblina de serra em tempo integral. Lembrei agora do primeiro dia que usei meus óculos. Foi na cozinha de casa e ali eu redescobri ou aprendi que o mundo brilhava. Queria o brilho de volta. Um dia destes, vou no oftalmologista.

Domingo houve vida, poesia e samba. Digo isto, pois na última conversa você me disse pra ficar em paz. Eu fiquei, Amor... Me acredite! A paz é um lugar igual as cartas de poetas. Mas existe. E domingo eu andei de mãos dadas com ela e jurei não abandoná-la jamais. Disse a ela que mesmo que a gente se desentenda, pra ela permanecer ao meu lado. E ela jurou fidelidade a mim. Queria mais vida, poesia e samba. Um dia destes, podemos fazer isto juntos.

O dia, dizem, que tem 24 horas. Eu não tenho acompanhado se isto é verdade. Você sabe me dizer? Quando acordo, o dia já se esgotou um tanto. Por isto sempre tento prorrogar os olhos abertos... É muito ponteiro pra pouca vida. Como estão seus ponteiros? Há tempo pra tudo que se sonha? Há tempo pra tanta perspectiva? Queria destruir o tempo. Um dia destes, ele me destrói.

O cigarro acabou cantando que não crê em santos e poetas. E você, acredita Baby?

Beijo de inverno nos desejos!

Ainda Outono de 2010

Barbara Leite

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lançamento de Caramelos e Almofadas

Olá!

Andava sumida do blog e da vida virtual. Mas o motivo me parece justo. E hoje, venho aqui convidar a todos para o lançamento do meu primeiro livro. Agradeço ao Bar do Escritor e a todos que bebem por lá, por serem parte da minha história!

Obrigada!






Quimera

Se eles me veem na rua
com olhar desesperado
proclamado em lágrima,
apressam-se em concluir:

- É choro de criança mimada!

E ali,
aconchegada na calçada,
meu pranto é santificado
perpetuando a crença
num mundo de caramelos
e almofadas

(Barbara Leite)

Convite para o lançamento de "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite


A Editora Patuá - Livros são amuletos - convida a todos para o lançamento do livro de poemas "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite.
O lançamento será realizado dia 01/03 - terça feira - às 19h - na loja TamTum Brasil em parceria com o Bar Seu Boteco, Rua Harmonia 343 - Vila Madalena - São Paulo - SP. A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda pelo valor de R$25,00.






Por que ir?

Sobre a autora: Baiana por opção, mineira por identificação e paulistana convicta, Barbara Leite é formada em Administração de Empresas. Encontrou na produção cultural uma forma de unir administração ao amor à arte. É organizadora do Politeama - Sarau Diverso. Foi publicada em antologias, entre elas a TOC 140, organizada pela Fliporto e Mundo Mundano e os 4 Cantos do Mundo. Diz ela que é a décima esposa de Vinícius de Moraes. Há de se acreditar. Cultiva amigos, manjericão e a paz. Há de se semear. Em "Caramelos e Almofadas" jazz seu primeiro livro, há de se festejar!

Sobre o livro: Poesia e ritmo. Poesia e música – poesia é som. "Caramelos e Almofadas", deBarbara Leite, apresenta uma poeta com fortes raízes musicais. Os poemas envolvem e trazem uma atmosfera contagiante, quase um convite à dança e ao canto. Bem falou Márcio Borges, em seu prefácio ao livro: “Esta linda coleção de poemas, ora doces, ora ácidos e reflexivos, ora puramente cantáveis – e todos elaborados com grande bom gosto – com certeza irá proporcionar momentos de deleite e de reflexão ao leitor".

Sobre a Editora: Com o claro objetivo de editar gratuitamente livros de novos autores de qualidade, com excelência gráfica e, principalmente literária, a Editora Patuá - Livros são amuletos - é uma alternativa no mercado editorial brasileiro.

Sobre o local do evento: Melhor será dizer: Os locais do evento, pois o lançamento acontecerá em parceria entre a loja de almofadas e decorações Tamtum Brasil e o Bar Seu Boteco, localizado ao lado da loja. Em suas próprias palavras a TamTum Brasil é "simples, divertida e brasileira" e entre seus produtos encontram-se almofadas, futons, pufes, móveis de bambu, lanternas, objetos de cerâmica, todos decorando o lançamento de "Caramelos e Almofadas". Já o Bar Seu Boteco oferece as melhores marcas de cerveja, sempre geladas, um atendimento exemplar e uma cozinha especialista nos melhores e mais tradicionais lanches e porções.

domingo, 16 de maio de 2010

Dialética



Não faz sentido
brincar meu carrossel
em torno da sua ausência

Tampouco lambuzar de mel
o limão que me traz
com veemência

Não faz sentido
te inundar de pólvora
se não existe fogo

brincar de índio
entrar na roda
perder seu jogo

Não faz sentido
o suor intenso
em dias frios

estender a outra face
aguardando outro abril

a memória
apostólica romana

a dança cigana
entre boleros e ventres

Não faz sentido
chantili e merengue

os poemas amassados
rasgados com fúria

esperar que você seja brando
feito bebida da uva

Não faz sentido
todo este tamanho

as cores lá fora
e eu aqui em preto e branco

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sobre amores e cajus


Sabia amor que um cajueiro demora até cinco anos para dar frutos?
Eu esperei. Não que tenha esperado com afinco. Eu joguei a semente na terra e reguei por muito tempo aguardando um sinal, mas eu não conseguia observar as raízes se espreguiçando na terra.
Meu cajueiro tornou-se uma lembrança cada vez mais distante. Raramente eu olhava o frágil caule quase desfolhado . Confesso que sempre confiei na chuva.
Existem outras árvores na vida, meu amor! E quando eu sentia tédio eu esparramava sementes pra me distrair.
Nem tudo vingou no meu pomar. Algumas deram poucos frutos que logo apodreciam e não era viável investir tempo e amor em cultivá-las. Outras, apesar dos bons frutos, morrem cedo. E a gente chora feito Zezé lastimando seu pé de laranja lima.
E de caju em caju eu lembrava do meu cajueiro. E foi um dia triste quando constatei que não sabia mais onde eu havia deixado as raízes dele. E por mais que eu percorresse meu quintal eu não conseguia lembrar e nem encontrar vestígios. Eu não conhecia um pé de caju.
Eu esperava os julhos com esperança em ver algum esboço de castanhas. Mas não havia.
Nem todos os cajueiros são iguais. Do meu cajueiro muitos querem saber. Eu conto apenas pra quem possa acreditar que um cajueiro pode frutificar depois de vinte anos, no outono e inexplicavelmente na minha cama.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Retalhada


São retalhos
e não são desta saia

ou da colcha que repousa
segura do meu amor e lembrança
dentro do guarda-roupa

São retalhos
e oxalá fosse só dentro de mim

Mas não!

É dor esparramada
cheiro azedo
de felicidade estragada

Escombros no chão.

Ruínas
de Reis
e de Luízes de Paraitinga

E antes de sepultar meu amargo
a terra fez sua dança desajeitada
e de novo um cheiro de azedo
agora, de pouca felicidade estragada

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Temporão


Num beijo que nem chegou a ser de amor
é onde estou agora

Era terra infértil de novo
e eu ali me semeando

Não sei que problema há nos meus olhos
e nos meus sentidos

Era superficial e fogo
e eu ali me semeando

Trovões e relâmpagos
alertavam da chuva
que não veio

Por que se injetou na dança, nos planos, nas ancas
se não era para durar?

Tudo o que é demais não cabe
e em silêncio recolhi as minhas sobras

Morri semente sonhando com podas

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Do que não é amor

Não somos cinza
mas não chegamos a ser dourado

Somos uma delícia
mesmo que equivocados

-Paixão, eu preciso lhe dizer

Eu gosto mais da nossa história
do que propriamente de você

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Morada Para Barbara

Morar numa canção de Chico
quando nada fizer sentido
se o problema for desgaste
recomendo uso de Buarque
mas se decidir por uma festa
divirta-se ouvindo o Cesar
Caso o problema seja desgosto
experimente um cd de João Bosco
Abstinência de toxinas?
dope-se com clube da esquina
Se for por falta de maça
encoraje-se ouvindo Djavan
Se for alguma desavença
faça as pazes ouvindo Alceu Valença
Se precisar da loucura de éter
substitua por doses de Cassia Eller
Se está preocupado se vacine
com sacadas e bom gosto de Lenine
Se o dinheiro estiver curtinho
churrasco na laje com Pagodinho
Se estiver farpado feito arame
sugiro descobrir Marco Vilane
Se acha que ninguém te gosta
sofra com pitadas de Gal costa
Se é problema passageiro
encare o relógio ao som de Baleiro
Se a ferida requer atadura
envolva-se na poesia de Cazuza
Se o incômodo for distância
Encurte-a na afinação de Betânia
Se acaso entrou pelo cano
aplique na veia Caetano
Se tá curto seu pavio
Medite com o senhor Gilberto Gil
E se a angústia for maior
suma um tempo feito Belchior
Se é ausência de faz de conta
recomece com Paulinho Moska
Se for coisa pequenina
uma faixa de Elis Regina

Mas se nada disso fez sentido
eu me recolho ao meu lugar
na mais linda canção de Chico
eternamente posso morar

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Estranho


“Sonho no chão e um dia uma estrada. Um estranho silêncio na rua. Um incêndio calado no homem que passa por mim”
Lô Borges


....

Eram olhos desesperados de paralelepípedos
vasculhando restos de sonhos pelo chão

Imaginei tempo demais
deixando-os esquecidos

Me debrucei da janela
e tentei o meu maior sorriso
ofertado em aquarela

Mas ela não podia ver
além das pernas cansadas
pisoteando o que amava

Eu não sabia que sonhos naufragavam
no asfalto

Perguntei o que a vida lhe fez
cantando outubros que virão
E supliquei em silêncio

Mas eram passos de última vez


“Sonho no chão e a festa não apaga o estranho silêncio na rua” Lô Borges


Barbara Leite

domingo, 16 de agosto de 2009

Apenas vestígios


Não sei dos meus caminhos
de amanhã.
Nem de hoje daqui a pouco.

Sei que tenho pernas
e espasmos de intuição.

E prazer nos labirintos.
E tenho cestas de maçãs.

Detenho um grito rouco,
e pressa em seguir chão.

Meus rastros se perderam em
ânsias,

e certos pedaços de asfalto
são apenas ruas sem importância.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Tez necessária

Da lástima em forma líquida
sobra o rímel escorrido na face

judia!

Envergo(nho)-me
pelas chibatadas
rumo ao campo
de concentração

E de novo tentar entender
é correr atrás da sombra
(vão)

Rosto borrado
atualmente antigo

A guerra nada mais é
que a menina que rouba risos

terça-feira, 16 de junho de 2009

Inadimplentes

Do ser humano
aceito tudo!

Escarro na cara
porrada no rim
até emboscada
embalada em cetim

Aceito marrom
azul marinho
frutos secos

Que façam de suas vidas
um eterno fevereiro

Aceiro prego, martelo
e uma cruz
chatice, macumba,
ausência de luz

Coliformes fecais jorrados da boca
em julgamentos precipitados

Aceito aço,
escárnio, maldizer
preguiça no primeiro passo,
o mal por puro prazer


Aceito sopro
quando estou a beira do precipício
e indiferença
quando sou alheia ao umbigo

O hospício
A decadência
A hipocrisia

O ódio
O cuspe
A melancolia

Que destruam me pé de tâmara
e tudo o que eu tenho pra colher

Do homem aceito tudo
exceto que me cheguem
feito cheque sem fundo

sábado, 16 de maio de 2009

O que sei do que sou

Sou fruto que sorri o meu maduro
a qualquer boca esfomeada

nau sem bússola
que sabe o caminho
buscando coragem nas paradas

devastadora de almas virgens
mendiga de entender o outro

Faço fronteira com o impossível
desfilando paixões por trigo e por
joio

Coleciono saudades, esperanças
e buquês
Um estoque de amanhãs, panoramas
e porquês

No ventre
um filho que ainda não tem pai
nem vida, nem certeza

Nos pertences
delírios em excesso pra qualquer ocasião
papel , lápis e batom

Eu sou poeta
amante dos futuros

a retina que dobra a
esquina
em busca de assunto

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Festa em mim





Não. Não foi de repente
mas não me pergunte quando
que dei pra ser contente
quando estamos nos olhando

É uma festa dentro de mim!

E se assim pareço fria,
é por não saber o que dizer
mas muito me contentaria
te nomear meu novo você

E seria outra festa dentro de mim!



Imagem retirada do site:
www.textolivre.com.br/poemas/3678-seducao

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ciranda


A angústia da beleza que já possuía a fez bulímica
A bulimia a fez escrava
A escravidão a fez sozinha
A solidão a fez fraca
A fraqueza a fez desistir
A desistência a fez tuberculosa
A tuberculose a fez osso
A angústia da beleza que já possuía a fez morta

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Maremoto


São ciclos desejando
oceanos e paz
quase suplicando areia
e rede

E depois, tudo tanto faz.

O mar causa angústia
por mais de cinco dias
Ser descalça, inflama
a mente

Me consolo nas águas de minha mãe
por mais um instante

Ninguém é ileso ao asfalto:

É preciso um Niemeyer ao alcance
é necessário que meu olhar se fragmente
na próxima parede

assim lembro-me pequena e
limitada.

Uma vez infectada de pressa
Apresenta-se sintoma latente de
Madalena e Mariana.

Mochila de novo nas costas
O último olhar de paulistana.
Riso, gratidão e alívio num
suspiro alto

E eu ainda
Morro de São Paulo


Barbara Leite

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Só isso


Sozinha
Repleta de poeira,

Senhora
Sem eira sequer beira,

Caminha
Descendo ribanceira,

E chora
Sua vida corriqueira...

Apenas dorme para acordar
Acorda somente pra se deitar
Mas antes do sono sempre precede
Um gemido, uma espécie de prece

“Deus, eis que estou cheia de pó.

Suplico:
-Me leve
Ou traga um aspirador de só”


Barbara Leite

domingo, 16 de novembro de 2008

Panorama


No tempo que assistia o mundo
dependurada nos pés de ameixa

Eu rodopiava canções bonitas em companhia do meu amado e saboreava maças do amor nas festas juninas e tinha um estoque de bilhetes apaixonados...

Contudo,
o tempo nada deixa

Onde estão as paisagens
que eu ria do arvoredo?

Pra ser só, me sobrou coragem
desisti do uso do amor placebo

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Estação extinta


Pro inverno você,

e as doses de saudade
que não me bastam

Carregue também os seus silêncios
constantemente apontando minha cara

Quando na crescente me procurar
surrarei no seu ouvido
palavras de cetim

Se na minguante retornar
perceberá os meus lábios
impregnados de carmim

Por favor, não peça desculpa
pois detesto ter razão.

Vá pro inverno você
e as sobras de verão


Barbara Leite

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sopro (o poema infinito até o meu fim)


Um índio morre queimado,
indefeso, dormindo.
Descaso.
Morreu.
Problema de exclusão!

Trinta morrem na igreja
de deus, do Quênia.
Peleja.
Morreram.
Problema de uma nação!

Os pais mortos a paulada
ganância, barbárie,
facada.
Morreram.
Problema de educação.

Um menino arrastado,
pela rua, para a morte.
Pecado.
Morreu.
Problema de alienação.

Uma bela arremessada
da janela, pelos ares
Judiada.
Morreu.
Problema de degradação.

Dois irmãos esquartejados
Deus do céu que
desgraçados!
Morreram.
Problema de legislação

Morrem homens todo dia
que somam-se aos índices.
Ironia.
Morreram.
Problema de coração.