Está um frio de nós dois em Sampa.
Você é minha última recordação em dias frios.Os outros dias frios feneceram em invernos passados. Queria canções e palavras, você bem sabe! Queria tantas outras coisas e queria agora.
Só porque está um frio de nós dois é que te escrevo. Carta de poeta é assim mesmo, imprecisa! Fumo e ouço cigarro. É preciso conhecer Baleiro para que possa me compreender neste momento. Um dia destes, te apresento.
Por aqui não há grandes novidades. Você já sabe que talhei os meus cabelos. Isto nem me feriu. O que me dói é talhar sonhos e decidir. Ambas as coisas não são inéditas, porém incomodam tanto quanto alguma dor sua. Queria saber suas dores. Um dia destes, me apresente!
Não te contei minhas quimeras e não vou despejar meus desgostos . Quem sabe isto seja o bom senso. Perdi meus óculos e isto me dificulta. Astigmatismo, Baby! Neblina de serra em tempo integral. Lembrei agora do primeiro dia que usei meus óculos. Foi na cozinha de casa e ali eu redescobri ou aprendi que o mundo brilhava. Queria o brilho de volta. Um dia destes, vou no oftalmologista.
Domingo houve vida, poesia e samba. Digo isto, pois na última conversa você me disse pra ficar em paz. Eu fiquei, Amor... Me acredite! A paz é um lugar igual as cartas de poetas. Mas existe. E domingo eu andei de mãos dadas com ela e jurei não abandoná-la jamais. Disse a ela que mesmo que a gente se desentenda, pra ela permanecer ao meu lado. E ela jurou fidelidade a mim. Queria mais vida, poesia e samba. Um dia destes, podemos fazer isto juntos.
O dia, dizem, que tem 24 horas. Eu não tenho acompanhado se isto é verdade. Você sabe me dizer? Quando acordo, o dia já se esgotou um tanto. Por isto sempre tento prorrogar os olhos abertos... É muito ponteiro pra pouca vida. Como estão seus ponteiros? Há tempo pra tudo que se sonha? Há tempo pra tanta perspectiva? Queria destruir o tempo. Um dia destes, ele me destrói.
O cigarro acabou cantando que não crê em santos e poetas. E você, acredita Baby?
Beijo de inverno nos desejos!
Ainda Outono de 2010
Barbara Leite
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quarta-feira, 16 de março de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Lançamento de Caramelos e Almofadas
Escrito por
Barbara Leite
Olá!
Andava sumida do blog e da vida virtual. Mas o motivo me parece justo. E hoje, venho aqui convidar a todos para o lançamento do meu primeiro livro. Agradeço ao Bar do Escritor e a todos que bebem por lá, por serem parte da minha história!
Obrigada!

Quimera
Se eles me veem na rua
com olhar desesperado
proclamado em lágrima,
apressam-se em concluir:
- É choro de criança mimada!
E ali,
aconchegada na calçada,
meu pranto é santificado
perpetuando a crença
num mundo de caramelos
e almofadas
(Barbara Leite)
Convite para o lançamento de "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite
A Editora Patuá - Livros são amuletos - convida a todos para o lançamento do livro de poemas "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite.
O lançamento será realizado dia 01/03 - terça feira - às 19h - na loja TamTum Brasil em parceria com o Bar Seu Boteco, Rua Harmonia 343 - Vila Madalena - São Paulo - SP. A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda pelo valor de R$25,00.
Por que ir?
Sobre a autora: Baiana por opção, mineira por identificação e paulistana convicta, Barbara Leite é formada em Administração de Empresas. Encontrou na produção cultural uma forma de unir administração ao amor à arte. É organizadora do Politeama - Sarau Diverso. Foi publicada em antologias, entre elas a TOC 140, organizada pela Fliporto e Mundo Mundano e os 4 Cantos do Mundo. Diz ela que é a décima esposa de Vinícius de Moraes. Há de se acreditar. Cultiva amigos, manjericão e a paz. Há de se semear. Em "Caramelos e Almofadas" jazz seu primeiro livro, há de se festejar!
Sobre o livro: Poesia e ritmo. Poesia e música – poesia é som. "Caramelos e Almofadas", deBarbara Leite, apresenta uma poeta com fortes raízes musicais. Os poemas envolvem e trazem uma atmosfera contagiante, quase um convite à dança e ao canto. Bem falou Márcio Borges, em seu prefácio ao livro: “Esta linda coleção de poemas, ora doces, ora ácidos e reflexivos, ora puramente cantáveis – e todos elaborados com grande bom gosto – com certeza irá proporcionar momentos de deleite e de reflexão ao leitor".
Sobre a Editora: Com o claro objetivo de editar gratuitamente livros de novos autores de qualidade, com excelência gráfica e, principalmente literária, a Editora Patuá - Livros são amuletos - é uma alternativa no mercado editorial brasileiro.
Sobre o local do evento: Melhor será dizer: Os locais do evento, pois o lançamento acontecerá em parceria entre a loja de almofadas e decorações Tamtum Brasil e o Bar Seu Boteco, localizado ao lado da loja. Em suas próprias palavras a TamTum Brasil é "simples, divertida e brasileira" e entre seus produtos encontram-se almofadas, futons, pufes, móveis de bambu, lanternas, objetos de cerâmica, todos decorando o lançamento de "Caramelos e Almofadas". Já o Bar Seu Boteco oferece as melhores marcas de cerveja, sempre geladas, um atendimento exemplar e uma cozinha especialista nos melhores e mais tradicionais lanches e porções.
Andava sumida do blog e da vida virtual. Mas o motivo me parece justo. E hoje, venho aqui convidar a todos para o lançamento do meu primeiro livro. Agradeço ao Bar do Escritor e a todos que bebem por lá, por serem parte da minha história!
Obrigada!

Quimera
Se eles me veem na rua
com olhar desesperado
proclamado em lágrima,
apressam-se em concluir:
- É choro de criança mimada!
E ali,
aconchegada na calçada,
meu pranto é santificado
perpetuando a crença
num mundo de caramelos
e almofadas
(Barbara Leite)
Convite para o lançamento de "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite
A Editora Patuá - Livros são amuletos - convida a todos para o lançamento do livro de poemas "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite.
O lançamento será realizado dia 01/03 - terça feira - às 19h - na loja TamTum Brasil em parceria com o Bar Seu Boteco, Rua Harmonia 343 - Vila Madalena - São Paulo - SP. A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda pelo valor de R$25,00.
Por que ir?
Sobre a autora: Baiana por opção, mineira por identificação e paulistana convicta, Barbara Leite é formada em Administração de Empresas. Encontrou na produção cultural uma forma de unir administração ao amor à arte. É organizadora do Politeama - Sarau Diverso. Foi publicada em antologias, entre elas a TOC 140, organizada pela Fliporto e Mundo Mundano e os 4 Cantos do Mundo. Diz ela que é a décima esposa de Vinícius de Moraes. Há de se acreditar. Cultiva amigos, manjericão e a paz. Há de se semear. Em "Caramelos e Almofadas" jazz seu primeiro livro, há de se festejar!
Sobre o livro: Poesia e ritmo. Poesia e música – poesia é som. "Caramelos e Almofadas", deBarbara Leite, apresenta uma poeta com fortes raízes musicais. Os poemas envolvem e trazem uma atmosfera contagiante, quase um convite à dança e ao canto. Bem falou Márcio Borges, em seu prefácio ao livro: “Esta linda coleção de poemas, ora doces, ora ácidos e reflexivos, ora puramente cantáveis – e todos elaborados com grande bom gosto – com certeza irá proporcionar momentos de deleite e de reflexão ao leitor".
Sobre a Editora: Com o claro objetivo de editar gratuitamente livros de novos autores de qualidade, com excelência gráfica e, principalmente literária, a Editora Patuá - Livros são amuletos - é uma alternativa no mercado editorial brasileiro.
Sobre o local do evento: Melhor será dizer: Os locais do evento, pois o lançamento acontecerá em parceria entre a loja de almofadas e decorações Tamtum Brasil e o Bar Seu Boteco, localizado ao lado da loja. Em suas próprias palavras a TamTum Brasil é "simples, divertida e brasileira" e entre seus produtos encontram-se almofadas, futons, pufes, móveis de bambu, lanternas, objetos de cerâmica, todos decorando o lançamento de "Caramelos e Almofadas". Já o Bar Seu Boteco oferece as melhores marcas de cerveja, sempre geladas, um atendimento exemplar e uma cozinha especialista nos melhores e mais tradicionais lanches e porções.
domingo, 16 de maio de 2010
Dialética
Escrito por
Barbara Leite

Não faz sentido
brincar meu carrossel
em torno da sua ausência
brincar meu carrossel
em torno da sua ausência
Tampouco lambuzar de mel
o limão que me traz
com veemência
Não faz sentido
te inundar de pólvora
se não existe fogo
te inundar de pólvora
se não existe fogo
brincar de índio
entrar na roda
perder seu jogo
entrar na roda
perder seu jogo
Não faz sentido
o suor intenso
em dias frios
estender a outra face
aguardando outro abril
a memória
apostólica romana
apostólica romana
a dança cigana
entre boleros e ventres
entre boleros e ventres
Não faz sentido
chantili e merengue
os poemas amassados
rasgados com fúria
rasgados com fúria
esperar que você seja brando
feito bebida da uva
feito bebida da uva
Não faz sentido
todo este tamanho
todo este tamanho
as cores lá fora
e eu aqui em preto e branco
e eu aqui em preto e branco
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Sobre amores e cajus
Escrito por
Barbara Leite

Sabia amor que um cajueiro demora até cinco anos para dar frutos?
Eu esperei. Não que tenha esperado com afinco. Eu joguei a semente na terra e reguei por muito tempo aguardando um sinal, mas eu não conseguia observar as raízes se espreguiçando na terra.
Meu cajueiro tornou-se uma lembrança cada vez mais distante. Raramente eu olhava o frágil caule quase desfolhado . Confesso que sempre confiei na chuva.
Existem outras árvores na vida, meu amor! E quando eu sentia tédio eu esparramava sementes pra me distrair.
Nem tudo vingou no meu pomar. Algumas deram poucos frutos que logo apodreciam e não era viável investir tempo e amor em cultivá-las. Outras, apesar dos bons frutos, morrem cedo. E a gente chora feito Zezé lastimando seu pé de laranja lima.
E de caju em caju eu lembrava do meu cajueiro. E foi um dia triste quando constatei que não sabia mais onde eu havia deixado as raízes dele. E por mais que eu percorresse meu quintal eu não conseguia lembrar e nem encontrar vestígios. Eu não conhecia um pé de caju.
Eu esperava os julhos com esperança em ver algum esboço de castanhas. Mas não havia.
Nem todos os cajueiros são iguais. Do meu cajueiro muitos querem saber. Eu conto apenas pra quem possa acreditar que um cajueiro pode frutificar depois de vinte anos, no outono e inexplicavelmente na minha cama.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Retalhada
Escrito por
Barbara Leite

São retalhos
e não são desta saia
ou da colcha que repousa
segura do meu amor e lembrança
dentro do guarda-roupa
São retalhos
e oxalá fosse só dentro de mim
Mas não!
É dor esparramada
cheiro azedo
de felicidade estragada
Escombros no chão.
Ruínas
de Reis
e de Luízes de Paraitinga
E antes de sepultar meu amargo
a terra fez sua dança desajeitada
e de novo um cheiro de azedo
agora, de pouca felicidade estragada
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Temporão
Escrito por
Barbara Leite

Num beijo que nem chegou a ser de amor
é onde estou agora
Era terra infértil de novo
e eu ali me semeando
Não sei que problema há nos meus olhos
e nos meus sentidos
Era superficial e fogo
e eu ali me semeando
Trovões e relâmpagos
alertavam da chuva
que não veio
Por que se injetou na dança, nos planos, nas ancas
se não era para durar?
Tudo o que é demais não cabe
e em silêncio recolhi as minhas sobras
Morri semente sonhando com podas
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Do que não é amor
Escrito por
Barbara Leite
Não somos cinza
mas não chegamos a ser dourado
Somos uma delícia
mesmo que equivocados
-Paixão, eu preciso lhe dizer
Eu gosto mais da nossa história
do que propriamente de você
mas não chegamos a ser dourado
Somos uma delícia
mesmo que equivocados
-Paixão, eu preciso lhe dizer
Eu gosto mais da nossa história
do que propriamente de você
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Morada Para Barbara
Escrito por
Barbara Leite
Morar numa canção de Chico
quando nada fizer sentido
se o problema for desgaste
recomendo uso de Buarque
mas se decidir por uma festa
divirta-se ouvindo o Cesar
Caso o problema seja desgosto
experimente um cd de João Bosco
Abstinência de toxinas?
dope-se com clube da esquina
Se for por falta de maça
encoraje-se ouvindo Djavan
Se for alguma desavença
faça as pazes ouvindo Alceu Valença
Se precisar da loucura de éter
substitua por doses de Cassia Eller
Se está preocupado se vacine
com sacadas e bom gosto de Lenine
Se o dinheiro estiver curtinho
churrasco na laje com Pagodinho
Se estiver farpado feito arame
sugiro descobrir Marco Vilane
Se acha que ninguém te gosta
sofra com pitadas de Gal costa
Se é problema passageiro
encare o relógio ao som de Baleiro
Se a ferida requer atadura
envolva-se na poesia de Cazuza
Se o incômodo for distância
Encurte-a na afinação de Betânia
Se acaso entrou pelo cano
aplique na veia Caetano
Se tá curto seu pavio
Medite com o senhor Gilberto Gil
E se a angústia for maior
suma um tempo feito Belchior
Se é ausência de faz de conta
recomece com Paulinho Moska
Se for coisa pequenina
uma faixa de Elis Regina
Mas se nada disso fez sentido
eu me recolho ao meu lugar
na mais linda canção de Chico
eternamente posso morar
quando nada fizer sentido
se o problema for desgaste
recomendo uso de Buarque
mas se decidir por uma festa
divirta-se ouvindo o Cesar
Caso o problema seja desgosto
experimente um cd de João Bosco
Abstinência de toxinas?
dope-se com clube da esquina
Se for por falta de maça
encoraje-se ouvindo Djavan
Se for alguma desavença
faça as pazes ouvindo Alceu Valença
Se precisar da loucura de éter
substitua por doses de Cassia Eller
Se está preocupado se vacine
com sacadas e bom gosto de Lenine
Se o dinheiro estiver curtinho
churrasco na laje com Pagodinho
Se estiver farpado feito arame
sugiro descobrir Marco Vilane
Se acha que ninguém te gosta
sofra com pitadas de Gal costa
Se é problema passageiro
encare o relógio ao som de Baleiro
Se a ferida requer atadura
envolva-se na poesia de Cazuza
Se o incômodo for distância
Encurte-a na afinação de Betânia
Se acaso entrou pelo cano
aplique na veia Caetano
Se tá curto seu pavio
Medite com o senhor Gilberto Gil
E se a angústia for maior
suma um tempo feito Belchior
Se é ausência de faz de conta
recomece com Paulinho Moska
Se for coisa pequenina
uma faixa de Elis Regina
Mas se nada disso fez sentido
eu me recolho ao meu lugar
na mais linda canção de Chico
eternamente posso morar
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Estranho
Escrito por
Barbara Leite

“Sonho no chão e um dia uma estrada. Um estranho silêncio na rua. Um incêndio calado no homem que passa por mim”
Lô Borges
....
Eram olhos desesperados de paralelepípedos
vasculhando restos de sonhos pelo chão
Imaginei tempo demais
deixando-os esquecidos
Me debrucei da janela
e tentei o meu maior sorriso
ofertado em aquarela
Mas ela não podia ver
além das pernas cansadas
pisoteando o que amava
Eu não sabia que sonhos naufragavam
no asfalto
Perguntei o que a vida lhe fez
cantando outubros que virão
E supliquei em silêncio
Mas eram passos de última vez
“Sonho no chão e a festa não apaga o estranho silêncio na rua” Lô Borges
Barbara Leite
domingo, 16 de agosto de 2009
Apenas vestígios
Escrito por
Barbara Leite
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Tez necessária
Escrito por
Barbara Leite
Da lástima em forma líquida
sobra o rímel escorrido na face
judia!
Envergo(nho)-me
pelas chibatadas
rumo ao campo
de concentração
E de novo tentar entender
é correr atrás da sombra
(vão)
Rosto borrado
atualmente antigo
A guerra nada mais é
que a menina que rouba risos
sobra o rímel escorrido na face
judia!
Envergo(nho)-me
pelas chibatadas
rumo ao campo
de concentração
E de novo tentar entender
é correr atrás da sombra
(vão)
Rosto borrado
atualmente antigo
A guerra nada mais é
que a menina que rouba risos
terça-feira, 16 de junho de 2009
Inadimplentes
Escrito por
Barbara Leite
Do ser humano
aceito tudo!
Escarro na cara
porrada no rim
até emboscada
embalada em cetim
Aceito marrom
azul marinho
frutos secos
Que façam de suas vidas
um eterno fevereiro
Aceiro prego, martelo
e uma cruz
chatice, macumba,
ausência de luz
Coliformes fecais jorrados da boca
em julgamentos precipitados
Aceito aço,
escárnio, maldizer
preguiça no primeiro passo,
o mal por puro prazer
Aceito sopro
quando estou a beira do precipício
e indiferença
quando sou alheia ao umbigo
O hospício
A decadência
A hipocrisia
O ódio
O cuspe
A melancolia
Que destruam me pé de tâmara
e tudo o que eu tenho pra colher
Do homem aceito tudo
exceto que me cheguem
feito cheque sem fundo
aceito tudo!
Escarro na cara
porrada no rim
até emboscada
embalada em cetim
Aceito marrom
azul marinho
frutos secos
Que façam de suas vidas
um eterno fevereiro
Aceiro prego, martelo
e uma cruz
chatice, macumba,
ausência de luz
Coliformes fecais jorrados da boca
em julgamentos precipitados
Aceito aço,
escárnio, maldizer
preguiça no primeiro passo,
o mal por puro prazer
Aceito sopro
quando estou a beira do precipício
e indiferença
quando sou alheia ao umbigo
O hospício
A decadência
A hipocrisia
O ódio
O cuspe
A melancolia
Que destruam me pé de tâmara
e tudo o que eu tenho pra colher
Do homem aceito tudo
exceto que me cheguem
feito cheque sem fundo
sábado, 16 de maio de 2009
O que sei do que sou
Escrito por
Barbara Leite
Sou fruto que sorri o meu maduro
a qualquer boca esfomeada
nau sem bússola
que sabe o caminho
buscando coragem nas paradas
devastadora de almas virgens
mendiga de entender o outro
Faço fronteira com o impossível
desfilando paixões por trigo e por
joio
Coleciono saudades, esperanças
e buquês
Um estoque de amanhãs, panoramas
e porquês
No ventre
um filho que ainda não tem pai
nem vida, nem certeza
Nos pertences
delírios em excesso pra qualquer ocasião
papel , lápis e batom
Eu sou poeta
amante dos futuros
a retina que dobra a
esquina
em busca de assunto
a qualquer boca esfomeada
nau sem bússola
que sabe o caminho
buscando coragem nas paradas
devastadora de almas virgens
mendiga de entender o outro
Faço fronteira com o impossível
desfilando paixões por trigo e por
joio
Coleciono saudades, esperanças
e buquês
Um estoque de amanhãs, panoramas
e porquês
No ventre
um filho que ainda não tem pai
nem vida, nem certeza
Nos pertences
delírios em excesso pra qualquer ocasião
papel , lápis e batom
Eu sou poeta
amante dos futuros
a retina que dobra a
esquina
em busca de assunto
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Festa em mim
Escrito por
Barbara Leite

Não. Não foi de repente
mas não me pergunte quando
que dei pra ser contente
quando estamos nos olhando
É uma festa dentro de mim!
E se assim pareço fria,
é por não saber o que dizer
mas muito me contentaria
te nomear meu novo você
E seria outra festa dentro de mim!
Imagem retirada do site:
www.textolivre.com.br/poemas/3678-seducao
segunda-feira, 16 de março de 2009
Ciranda
Escrito por
Barbara Leite
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Maremoto
Escrito por
Barbara Leite

São ciclos desejando
oceanos e paz
quase suplicando areia
e rede
E depois, tudo tanto faz.
O mar causa angústia
por mais de cinco dias
Ser descalça, inflama
a mente
Me consolo nas águas de minha mãe
por mais um instante
Ninguém é ileso ao asfalto:
É preciso um Niemeyer ao alcance
é necessário que meu olhar se fragmente
na próxima parede
assim lembro-me pequena e
limitada.
Uma vez infectada de pressa
Apresenta-se sintoma latente de
Madalena e Mariana.
Mochila de novo nas costas
O último olhar de paulistana.
Riso, gratidão e alívio num
suspiro alto
E eu ainda
Morro de São Paulo
Barbara Leite
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Só isso
Escrito por
Barbara Leite

Sozinha
Repleta de poeira,
Senhora
Sem eira sequer beira,
Caminha
Descendo ribanceira,
E chora
Sua vida corriqueira...
Apenas dorme para acordar
Acorda somente pra se deitar
Mas antes do sono sempre precede
Um gemido, uma espécie de prece
“Deus, eis que estou cheia de pó.
Suplico:
-Me leve
Ou traga um aspirador de só”
Barbara Leite
domingo, 16 de novembro de 2008
Panorama
Escrito por
Barbara Leite
No tempo que assistia o mundo
dependurada nos pés de ameixa
Eu rodopiava canções bonitas em companhia do meu amado e saboreava maças do amor nas festas juninas e tinha um estoque de bilhetes apaixonados...
Contudo,
o tempo nada deixa
Onde estão as paisagens
que eu ria do arvoredo?
Pra ser só, me sobrou coragem
desisti do uso do amor placebo
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Estação extinta
Escrito por
Barbara Leite

Pro inverno você,
e as doses de saudade
que não me bastam
Carregue também os seus silêncios
constantemente apontando minha cara
Quando na crescente me procurar
surrarei no seu ouvido
palavras de cetim
Se na minguante retornar
perceberá os meus lábios
impregnados de carmim
Por favor, não peça desculpa
pois detesto ter razão.
Vá pro inverno você
e as sobras de verão
Barbara Leite
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Sopro (o poema infinito até o meu fim)
Escrito por
Barbara Leite

Um índio morre queimado,
indefeso, dormindo.
Descaso.
Morreu.
Problema de exclusão!
Trinta morrem na igreja
de deus, do Quênia.
Peleja.
Morreram.
Problema de uma nação!
Os pais mortos a paulada
ganância, barbárie,
facada.
Morreram.
Problema de educação.
Um menino arrastado,
pela rua, para a morte.
Pecado.
Morreu.
Problema de alienação.
Uma bela arremessada
da janela, pelos ares
Judiada.
Morreu.
Problema de degradação.
Dois irmãos esquartejados
Deus do céu que
desgraçados!
Morreram.
Problema de legislação
Morrem homens todo dia
que somam-se aos índices.
Ironia.
Morreram.
Problema de coração.
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