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sexta-feira, 25 de março de 2011

Aceitação


Não aceitava a realidade do momento presente.

Por isso vivia escondido,

Ou no passado ou no futuro.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

sábado, 25 de dezembro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A dor do Haiti


Ai! Ai! Haiti
Mesmo cá, eu choro e sinto a dor daí.

O terremoto que abalou o mundo
Ainda faz tremer meu ser
Que vê tanta dor e angustia
E quase nada pode fazer.

Fico eu cá, vendo vos ai.
Em oração e pensamento
Manifestando o desejo
De não mais sentir a dor que dói ai.

Ai! Ai! Haiti!
Termino eu cá, pedido a Deus
Para abrandar essa dor aí.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ouve


Ouve o silêcio, viajante ouve o silêcio
Veja a maravilha que nele habita
Esteja lá e viva cá.

Caos, violência e insensatez

No silêcio tudo se disfaz
Lá não há forma,
Há apenas paz.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tormento

Naufragado em pensamentos
Me encontro quase afogado
Num mar de ilusões.
Clamo a Deus

Para alcançar

A terra vazia do silencio,

Onde a paz lá está.

Quadro "Tormento" de Cátia Rodrigues

Contato caty.vlc @ gmail.com

domingo, 20 de setembro de 2009

Do Passado Presente




Muitas vezes vivo morto


Perdido no tempo



Revivendo o desgosto



Do passado amargo, já passado, já pensado e repensado.



Ai de mim pobre coitado, me iludo com esse fato.



Que de fato já não fato, pois tudo já é passado.



Mas nessa eu sou o pato.



Pois procuro viver aquilo que não é mais



Que está em minha mente e nunca se desfaz.



Queria não mais volta pra lá, mas não sei, não consigo me controlar.



Deve ser loucura.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Convidada: Ana Paula Maia

Teu sangue em meus sapatos engraxados


"Purificam-se manchando-se com outro sangue, como se alguém, entrando na lama, em lama se lavasse."
Aristócrito

Eu tive um dia cujo sol foi da cor do desespero e a lua, a lua está embaçada e um tanto desgastada, e não tem outra opção senão refletir a luz do sol, e outra vez há mais desespero sobre minha cabeça. Ainda bem que não preciso matar a lua ou o sol todos os dias, mas se tivesse, eu resplandeceria a sua cor.
Sigo calado, esgotado e embaçado como a lua que esforça-se por desaparecer. Certamente, se vivesse nas alturas eu desapareceria quando as coisas atingissem essa tonalidade.
Cutuco o nariz nervoso, porque posso sentir resíduos de pó agarrado nos pelos; do punhadinho do pó branco depositado sobre a mesa do quarto, aquela pequena montanha mágica que desci esquiando por suas depressões, esquivando-me de suas falhas. Com o cabo da colher, a montanha transformou-se em trilhas paralelas e consegui construir três fileiras curtas. Trilhas breves, limitadas como a vida para algumas pessoas.
Tapo a narina direita e arrasto como um porco o focinho sobre a mesa. Absorvo o estado bruto da liberdade, da mudança e apago da mesa os três caminhos que criei, e já não há mais caminhos ou rastros, eu os absorvi e tornei-me o próprio, o dono de minhas trilhas.
Isso pode ser daninho e doce feito mel apodrecido em dias com o sol da cor do desespero. Estou com fome e devoraria qualquer substância orgânica nessa hora. Não me lembro de ter comido nada durante todo o dia. Talvez agora tivesse um almoço. Nu.
Através de uma janela pouco maior que minha televisão vinte polegadas, no centro da sala é onde vejo meu tempo escoar. Ter um horizonte com menos de vinte polegadas não deve ser o sonho de ninguém e só entendemos isso quando nos acordam. Um terrível pesadelo é ótimo para te fazer acordar. O sono da razão pode produzir monstros, mas o sono da inabilidade pode te paralisar. As imagens ali são sempre do meu próprio tempo acelerado, um desperdício. Prefiro os monstros. Sempre os preferi e comecei a me afeiçoar a eles, meus monstros entranhados no lago do meu espírito, tão sombrio que quando retorno à superfície, o ar rarefeito me deixa anestesiado.
Não falo de amor ou ódio, falo dos monstros que me deixam acordado. Que me fazem avançar, sombras que me perseguem, rastejando, tentando abocanhar meu calcanhar. E eu posso sentir a nuvem de fuligem espessa armazenada sobre minha cabeça. É a lua, entende? Esse maldito satélite sem luz própria que traz o desespero do sol, do péssimo dia que tive. Quanto mais eu ando, mais percebo que a lua corre depressa. Não dá para alcançá-la e as estrelas já estão mortas... brilham, mas não existem mais. Mortas imortais vivendo a morte de uns, morrendo a vida de outros tantos.
Olho para meus pés e vejo que esqueci de trocar os sapatos. Meus sapatos manchados de sangue que secou faz tempo, quando ainda fazia sol e quando eu ainda pensava se devia ou não matar aquele monstro. Monstros que te acusam, que te amam e te esquecem, que te fazem sofrer, mas não falo de amor, isso não cabe em minhas linhas, nem no meu coração ou no mais profundo lago do espírito. Pouca coisa cabe aqui e quando me sufocam eu afundo tudo para o lago, na parte mais sombria e esquecida, depois lavo minhas mãos, troco meus sapatos e o sangue é sempre lavado, levado pelas águas
Os monstros são daninhos e doces feito mel apodrecido, alguns o chamam de amor ou ódio, para mim mel estragado. Frias mandíbulas trituradoras no seu encalço. Não deixaria que alguém me fizesse isso de novo, te esquecem e te fazem sofrer. Eu a quero ainda, e só consigo pensar que meus sapatos carregam um pouco dela. Suas hemácias ressecadas. E por todos os lados eu a vejo como sombras se cruzando, mas a culpa é da lua que insiste em manter tudo aceso. Eu posso fazer novamente, afogar mais alguns monstros até que as nuvens decidam escondê-la, eu posso avançar mais alguns passos enquanto suspiro minha possível maldade.
Nunca me arrependo. Sempre sigo em frente, tossindo pedaços do meu pulmão doente, embalado por bebida barata. O caos da expansão do meu microcosmo, esse tipo de necessidade meramente humana. Predadores não tiram férias, resvalam na consciência de um possível ajuste, mas nunca deixam de acossar.
Seu sangue em meus sapatos engraxados ontem; estavam limpos e reluzentes como fazia o sol quando você derramou-se sobre eles. E ainda a vejo e continuo avançando sobre as sombras que me cruzam e cortam feito navalha, na carne e na alma, mas nunca falo de amor, só do mel apodrecido que ela deixou na minha boca. Já estou tão perto que já sinto o perfume dos monstros e eles ainda não sabem, mas vão lavar seu sangue dos meus sapatos.
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Ana Paula Maia publicou "O Habitante Das Falhas Subterrâneas" (ed. 7 letras _ romance/2003). E o romance “A Guerra dos Bastardos” (ed. Língua geral). Participou das antologias "25 Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira" (ed. Record/2004), Sex´n´Bossa (ed. Mondadori _ Itália/2005), Contos sobre Tela (ed. Pinakotheke/2005), Sexo, Drogas & Tralalá (ed. 7 letras_microcontos/2005).

Publicou no site www.folhetimpulp.blogspot.com, em 2006, o Primeiro Folhetim Pulp da Internet Brasileira, chamado "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos". E em 2007 o segundo folhetim pulp: “Barbudos Cretinos e suas histórias canalhas” no site (www.barbudoscretinos.blogspot.com) .

segunda-feira, 12 de março de 2007

Um corte

Cego, já velho, deformado e enrugado, esta sozinho a caminhar, procurando um abrigo, onde possa descansar. Pois sobrevive do resto, do lixo, é um ser que ninguém quer por perto, esperto, fica quieto, esperando algum resto para poder comer. Não o tratam feito gente, pois animal para muitos parece ser. Muitas vezes pisoteado, esmurrado e espancado, só para ver se sabe gemer. Muitos passam por ele e sentem medo ao lhe ver, as mães ensinam seus filhos que perto dele não se deve chegar, entristecido não fica mais, pois acostumou a se esconder.
Muitos o tacham de drogado ou bêbado, mas se bebe a para tentar esquecer, que família já teve, que feliz já foi, mas hoje só lhe resta a dor e a agonia. Da boca de muitos já ouvi, o como eu sofro por aqui, mas entre só ele que
tem o direito de dizer que esta nesse mundo apenas a sofrer.

Anaconda de Deus