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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Monotonia

Se o que é reto for muito longo
muito mesmo
sem nenhuma nuance
se tornará eterno
e chato.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Duas faces







Faça um circulo de fogo em volta de um escorpião que de imediato ele se suicida. Mentira! Este artrópode não tem esse sentimento guardado em seus instintos. Ele morre pelo calor do fogo, ele se desidrata e, automaticamente, seu aguilhão se curva como se estivesse sendo encravado em sua própria carapaça. Mas bem que a ideia de que o escorpião se suicida é bem interessante, é quase filosófico, guerreiro, poético ou qualquer coisa dessas inventadas pelo bicho-homem.
Quando a pessoa diz: sou um escorpião! Ela quer dizer o quê? Sou um suicida? Um ser peçonhento e vingativo? Uma pessoa que não leva pra casa desaforo, que não aceita perder?
Então vamos conhecer o outro lado deste grupo de aracnídeo: Ele é um dos mais românticos na hora de se acasalar. Depositam seus espermatozóides (guardados numa caixinha) num substrato limpo e numa corte nupcial ele dança pra fêmea, até hipnotizá-la por completo com o seu bailado sedutor, aí segura-a pelas pinças e a traz até a sua caixinha de amor que é sugada por ela. O escorpião é um cavalheiro que dança para a sua noiva.
Então, eu entendo, que quando se diz ser um escorpião, talvez seja pela fragilidade do ser, pela maneira de se defender e pelo amor que tem pela fêmea. Não vou entrar, neste texto, no mérito da partenogênese - deixo pra outro dia.
Faça um circulo de fogo da paixão em volta de mim, que de imediato, eu danço a dança do amor. Neste caso sou um escorpionídeo.

domingo, 24 de junho de 2012

Escrevinhador Paulo Francisco estreiando hoje com: Mesa de bar




- Paulo, o que você vai querer?

 - O de sempre.

Seria tão fácil responder assim pra tudo: O de sempre, mas com uma pitadinha a mais de amor; o de sempre com mais cafuné até eu dormir em seu colo; o de sempre com um pouquinho mais de chamego – eu mereço.

- Paulo, o de sempre?

-Sim, mas traga aquela poesia e leia em minha orelha, hoje não estou pra prosa. Quero poemas recitados baixinhos até eu arrepiar.

 -Paulo, cerveja?

-Não, hoje estou pra vinho. Aproveita e coloca uma música suave pra eu pré-aquecer este coração vagabundo. Gosto da surpresa que existe em nós.
Quando passam a me conhecer, a frase não é mais necessária. Todas sabem o que eu vou querer e repetir. E sabendo de meus desejos, pegam-me lambendo o fundo do tacho.

 E hoje? O que quero?

Bem, talvez eu queira o de sempre ou a surpresa de teu céu em estrelas e poesias. Quem sabe uma boca vermelha e unhas que marquem as minhas costas numa surpresa divina.

Gosto da mesmice enfeitada, de saber da existência do dia, mas da surpresa do aparecimento do sol ou não. Gosto da cerveja gelada e do vinho à temperatura ambiente. Gosto da mistura da cerveja gelada e de sua boca quente, do vinho na temperatura ambiente que se transforma no corpo da gente.

Paulo o que você vai querer?

 -Hoje!? Hoje eu quero agradecer por você ter vindo até aqui e curtir comigo este dia 24. E, como agradecimento, eu deixo, no balcão deste bar, o bloco de anotações só pra você rabiscar.

. Até o próximo mês, à noite ou de dia, com cerveja ou com vinho; pouco importa; o que importa mesmo é a certeza do nosso encontro, neste bar, entre prosa e poesia.

Paulo Francisco
http://cores-e-nomes.blogspot.com.br/