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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
O Queijo
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
A última safra tinha sido o ponto final de uma vida inteira dedicada à terra. Dona Eulália, Seu Bento e o filho Zeca tinham agora que encarar o rumo da cidade em busca de serviço. Qualquer serviço. A praga devorara o milho até não restar nada. Dava a impressão até que, em seu voraz apetite, a praga devorara a si mesma inclusive, numa violenta autofagia. Os poucos pertences da família, em trouxas, já estavam arrumados para a partida na primeira hora da manhã. Pegariam o caminho com o carroceiro que levava as verduras à Santana. Deram três contos por cabeça por um transporte lento e judiado.
Aquela janta seria a derradeira em casa, com os parcos recursos que sobraram da família. Dona Eulália chegou do mercado com dois pacotes, o habitual de farinha e outro que causou estranheza a Seu Bento: grosso, bem embalado em papel branco, amarrado com uma cordinha. Zeca também parou pra olhar, curioso do que seria. Dona Eulália se adiantou:
- Trouxe a farinha pro mingau salgado. E mais uma coisa. Como é nossa última refeição aqui, trouxe um queijo. O dinheiro que sobrou deu pra um pedaço modesto, mas é do melhor. Dá uma fatia grande pra cada um.
Nisso ela foi desnudando o pacote, abrindo com delicadeza a cordinha, retirando lentamente o papel. O cheiro do queijo chegou ao olfato dos três, encontrando a fome que traziam consigo, uma fome que não era de ontem somente, era de toda uma vida desvalida e aliviada tão somente no mínimo. Foi então, sem mais, que o demônio da cobiça e da discórdia se instalou entre os três. Cobiçaram aquele queijo, não uma lasca apenas, mas a sua totalidade. Naquela hora, eles quiseram o queijo com o desejo mais egoísta que se pode desejar. Eles desejaram com raiva e beligerância em seu íntimo. Fez-se porém silêncio em suas intenções; um não sabia da ameaça que o outro representava por uma porção a mais daquele manjar, que parecia ser a última fatia digna de uma vida que acabava no campo para virar algo diferente, algo pior do que já fora.
Quietos, faziam planos para terem o prazer de usufruir sozinhos do deleite do queijo. Naquele momento, não importavam consequências, o que viria a seguir. Importava apenas se apropriar sozinho do manjar, saciar o desejo ardente, tão somente. O resto era o resto.
Dona Eulália se achegou ao velho fogão a lenha para preparar o mingau salgado. Zeca pensava numa forma de pegar o queijo e sair dali correndo. Seu Bento procurava a arma pra ameaçar o filho e a esposa enquanto comeria sozinho o pomo da discórdia.
- Vamos sentar pra comer – disse Dona Eulália, servindo a porção de mingau de cada um. Os dois homens comiam lentamente, calculando o momento certo de agir para apossarem-se do queijo. Foi quando uma sensação estranha, de mal-estar, tomou conta deles: num instante estavam caídos no chão, convulsionando entre a vida e a morte. – Aquele veneno de rato viera a calhar – pensou Dona Eulália. E sentou-se diante do queijo com um ar tranquilo, apreciando aquela dádiva com todos os sentidos, lentamente. Uma refeição nobre como nunca tivera em toda sua vida. Depois tomaria também sua porção de mingau.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
A Reforma
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
Faltava apenas um ano para o ano 1000. As pessoas estavam apreensivas sobre o que viria: o fim do mundo? O Apocalipse? Águas ou fogo? O temor era geral e os Senhores viam seus ganhos nas vilas diminuirem.
Foi quando o Senhor da Vila de Ginzburg decidiu chamar o Sábio para que o ajudasse. Há trinta anos aquele homem estava recolhido em sua morada fortificada, desde que voltara das guerras contra os infiéis, estudando as ciências ocultas e o milagre da transmutação do vil metal em ouro. Adquirira muita sabedoria nesse período. Essa sabedoria, aplicada ao quotidiano dos aldeões de Guinzburg, era o que interessava ao senhor.
Atendendo ao chamado, o Sábio largou seus livros e seu laboratório e foi ter com o povo. Ensinou os agricultores sobre as fases da lua e as conjunções planetárias. De repente, esses produziam verduras, legumes e frutos em maior quantidade e em tamanhos nunca antes vistos. Aos ferreiros ensinou as corretas práticas com os metais e a temperatura do fogo. Surgiam espadas e escudos mais fortes e mais brilhantes, em abundancia. Aos trabalhadores das guildas e ao povo em geral versou sobre a correta arte de guardar e estocar os bens. O Senhor impressionou-se: naquele Inverno, recolheu mais impostos do que em toda a história da vila e, ainda assim, o povo de Guinzburg era o mais rico da região.
Foi quando o Burgomestre procurou o Cardeal. Ele era Burgomestre desde quando o seu pai, o Burgomestre anterior, partira para a morada celeste, e isso fora há muito, muito tempo. Falou sobre a chegada do milênio e sobre o Anticristo. Toda aquela “prosperidade” não seria um truque do Diabo para perder as almas dos aldeões? Ademais, quem era aquele homem para ensinarem-lhes novas formas de fazer as coisas? Seus pais, seus avós e bisavós e os que vieram antes deles já faziam o que faziam do seu jeito! Era assim e deveria continuar sendo. A mudança, afinal, era obra do Diabo.
O Sábio acompanhou, atônito, a chegada de todo o povo reunido em sua busca. Do seu lugar na pira de toras, viu o rosto resignado e triste do Senhor em meio ao seu povo, sem nada poder fazer. Antes do fogo roubar-lhe a consciência, pensou em como é difícil transmutar o coração do homem em algo melhor, muito mais que mudar o vil metal em ouro.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Poema canalha
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Sergio Vinicius Ricciardi
Não quero mais do amor / O enlevar do espírito / Nem da paixão / O falso brilhante... / Muito obrigado! / Já não sou o mesmo que dantes. / Quero aqui, comigo, / Somente essa solidão, tão minha, / Que sentimento igual / Tão puro e virginal / Nenhum outrem me daria... / Quero o silêncio / De uma tarde fria / Tempo para ler, pensar, / Tempo para ser eu / Sem importar a quem seja / Sem me importar com quem seja. / E quando os desejos da carne / Afligirem-me o corpo? / Ora! / Afirmo, nesse poema canalha: / Deixem-me chafurdar /Como um lúbrico porco / Nos imundos lupanares! / Deixem-me da noite / Sorver esses ares... / Deixem me perder por um triz / Nas curvas da dissimulada meretriz / (Amante e ao mesmo tempo atriz...) / Quero pagar com prazer pelo prazer vendido / Pois tem ele muito mais verdade / Que quaisquer desses sentimentos fingidos. / Então, amigo, não sejas tolo, não ames! / Busques antes / O gozo rápido e o orgasmo infame / Pois eles serão mais sinceros / Que uns cínicos e falsos "eu te amo", "eu te quero"... / Quanto às doenças do sexo? Te afianço: / Estas tem eficaz proteção / Em uns poucos centímetros de látex / Muito, muito mais / Que as dores do coração. / E se acaso, por esses males passares, / Mantém a calma; / Afinal, serão eles muito menos penosos, / Que os ditos males da alma...
domingo, 15 de dezembro de 2013
Funeral
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
O reverendo vestiu-se com sua melhor batina e repassou o discurso que iria proferir em mais um funeral. Diferente da monotonia dos sermões de tantas décadas como pastor, esse tinha conteúdo e entusiasmo, vida verdadeira. Fizera uma profunda pesquisa nas Escrituras, escrevera calmamente o texto e o decorara, ensaiando em voz alta suas entonações e pausas. Seria um marco em sua carreira religiosa. Sua esposa realmente merecia tanto empenho. Deixara a vida pondo um ponto final em quarenta anos de casamento em que o dominara totalmente, legando-lhe um papel apenas secundário e apagado. Era o primeiro dia de um novo ciclo e o sol e o céu azul lhe sorriam lá fora. Saiu para cantar alegremente sua melhor elegia de todos os tempos.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Mandrágora
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
Era sabido naqueles dias da Idade Média que, onde repousavam pendurados os corpos dos enforcados, brotava na terra uma raiz mágica chamada mandrágora. Iselda aprendeu com sua mãe que, nos últimos estertores, os enforcados ejaculavam o esperma que fecundava a terra, transformando-se no elemento que servia para evocar o diabo. Ela fez tudo conforme ensinava o grimório: o círculo, o caldeirão fervente, as palavras ancestrais e, por fim, a sagrada raiz, que se parecia com um pequeno homúnculo de cinco pontas. O cheiro de enxofre no ar anunciou a presença maligna: - Mulher, aqui estou. Faze teu pedido. - Quero que me faças homem. E assim foi feito. Ela se tornou um lindo moço chamado Isar, que matou um desafeto pelo amor de uma donzela. Certa de que viveria melhor como homem, a bruxa acabou sentenciada à forca. Do seu estertor brotou uma nova mandrágora...
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Reunião
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
Irineu verificou os lugares à mesa. Seis, com o seu à cabeceira. Esperava a chegada dos convidados ansiosamente. Uma pontada no peito, uma sensação de zonzeira na cabeça o deixavam inquieto. A reunião, no entanto, era o mais importante, o mais urgente. Finalmente cumpriria com seus compromissos há tanto adiados. Sentou à mesa da grande sala de jantar da fazenda e esperou. Eles chegaram todos juntos, em silêncio, e ocuparam seus lugares. Aquela sensação de algo errado era cada vez mais forte. Antes de servir o almoço ele tinha que comunicá-los da decisão que tomou. Precisava aliviar aquele peso no peito de uma vez. Tinha que ser agora.
- Meus queridos, tomei uma decisão muito importante. Não vou esperar até minha morte para dividir os bens de todos esses anos obtidos aqui na fazenda. Tive que guardar durante muito tempo para que não ficássemos sem nada. A economia e o zelo são a chave para as bênçãos no futuro. Mas agora resolvi legar a cada um sua parte, e quero que a usem da melhor forma. Pra mim deixarei apenas o suficiente para minha subsistência nesses anos que me restam, que não hão de ser muitos.
- Pra ti minha velha Ester, te deixo a quantia suficiente para que consultes os melhores médicos na capital pra tratares essa tua persistente dor no baixo ventre. Para o meu neto Zequinha, uma quantia que pague os médicos e a fisioterapia para a pólio, para que ele volte a andar. Para minha filha Larissa o suficiente para acompanhar o Zequinha onde quer que ele tenha que ir. Ao meu genro Manoel, ajudarei a abrir aquela venda aqui na província, onde poderá finalmente ter um trabalho decente. E ao final, não menos importante, ao meu velho capataz Laurêncio, que sempre administrou a fazenda da melhor forma, deixo o suficiente para que se aposente e viva o resto de seus dias com dignidade. Sinto que agora cumpri com meu dever para com vocês. Poderei, quando chegar minha hora, morrer em paz...
Os convidados permaneciam quietos, imóveis, fitando Irineu de uma maneira desconcertante. Aquela sensação de desconforto em seu interior aumentou demasiadamente. De repente, num lance de vista, o velho deu com a mesa vazia, os lugares intocados. Então a memória, que estava embaçada e perdida em algum lugar, despejou suas lembranças de forma impiedosa: Ester morrera de câncer de útero, sem que o marido chamasse um médico para assisti-la. Zequinha morrera pelo agravamento da pólio, seguido da mãe que se foi por desgosto. Manoel terminou seus dias no fundo de uma garrafa. Quanto ao capataz Laurêncio, já muito velho e ainda na lida para garantir o pão da família, teve um infarto fulminante em meio às rezes e foi enterrado como indigente.
Irineu começou a chorar copiosamente e a pelejar contra a realidade. Pensava que, se fosse lá pegar o dinheiro há muito guardado e o trouxesse, eles apareceriam novamente e então poderia corrigir tudo o que havia feito de errado. Pegou o facão de cortar churrasco e dirigiu-se ao seu quarto, em direção ao grande colchão de sua cama. Cravou-lhe a lâmina e abriu-o às cegas. Junto ao pano e aos flocos de espuma, estava uma grande quantidade de notas de diferentes épocas. Amareladas, amassadas, sem valor algum. O velho olhou para suas economias de tantos anos, ciente agora de que não passavam de pedaços de papel, apenas. A consciência libertadora e ao mesmo tempo pungente de que em qualquer tempo, não eram de fato nada mais que pedaços de papel, lavou seu rosto com as últimas lágrimas antes que a dor do derrame fatal reverberasse por seu crânio e sua alma encontrasse a escuridão.
domingo, 15 de setembro de 2013
Rendição
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
Estou cansado de fugir... / Se eu fosse um criminoso, / Me entregaria... / E, paradoxalmente, /As grades e o concreto / Trariam a proteção não encontrada / Ao ar livre, ao céu aberto... / Mas não cometi nenhum crime! / E a culpa? / A culpa vem do fato de eu ser / Dubiamente / Eu(s) mesmo(s)... / E apesar do entendimento, / De todo os reveladores / “Insigths” de auto-conhecimento, / O que resta? / Resta a vontade de erguer / As mãos ao alto / Num gesto de impotência / Ser algemado, coagido / Ser conduzido / A uma cela solitária / Com paredes cruas / E a um pôr-de-sol que nasce / Entre barras de ferro / Um pequeno quadrado emoldurando o céu infinito... / (A paz dos condenados, / O estancar do tempo / Em uma pena perpétua...) / Por quê? Como dizia o poeta: / “Por tanto amor / Por tanta paixão / A vida me fez assim... / Doce ou atroz, / Manso ou feroz, / Eu, caçador de mim...” / Caça e caçador, diria outro cantor... / E eu? / Eu me rendo...
(Publicado originalmente em meu blog "Cielo Tormentoso" em outubro de 2008).
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Nada além de cinzas...
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
Muller progredira rapidamente no partido. Membro da juventude hitlerista, galgou degraus até se tornar oficial da temida SS. Ele era um dos coordenadores do campo de extermínio de Auschwitz. Quando pensava em sua carreira, lembrava como aquele garoto pobre que convivera com os ricos judeus em Berlim pudera chegar tão alto. E agora era responsável por erradicar de vez o mal que assolava a Alemanha, varrer da face da Terra os tão odiados judeus. Inseridos nas camadas dominantes da sociedade germânica, banqueiros, comerciantes, médicos e outros profissionais judeus parasitavam a sociedade e sangravam o pouco a que os alemães tinham direito. Agora tinham o que mereciam.
O ano, porém, era 1945. Os oficiais do campo já sabiam da iminente chegada dos russos, vindos do leste. A guerra estava perdida. O III Reich, que duraria mil anos, agonizava. As ordens eram claras: matar todos os judeus, ciganos, homossexuais e comunistas, não deixando nenhum rastro. Um trabalho conjunto das câmaras de gás e dos fornos de cremação. Nada além de cinzas... Foi na última semana que Muller colocou as últimas etapas de seu plano em prática. Um plano que vinha tomando corpo nos últimos meses. Havia cinco oficiais restantes no campo, responsáveis por matar os últimos prisioneiros. Restavam poucos, todos gravemente doentes. O trabalho nos fornos estava se tornando lento demais, então cavavam grandes trincheiras nos arredores e enterravam os mortos. Ultimamente não perdiam sequer tempo com o gás; como os judeus não tinham força para reagir, jogavam-nos direto às fossas, e os cobriam com terra.
Naquela segunda, uma semana antes dos russos libertarem Auschwitz, um cadavérico Muller colocou a parte final de seu plano em prática. A dieta a partir de ração de alimentos havia dado certo. Para os colegas oficiais, o camarada havia contraído tifo ou outra doença no campo, mas mesmo assim esmerava-se em executar até o fim seu dever. Era digno da admiração de seus pares. Admiração e confiança. Por isso tinha sido tão fácil matá-los todos enquanto dormiam, na noite anterior, em seu alojamento. No campo restavam somente poucos doentes, fracos demais sequer para falarem. Foi quando raspou seu próprio cabelo, vestiu o uniforme com a estrela de David e, sem ser percebido, se alojou em um dos pavilhões junto àqueles a quem tanto odiava.
A circuncisão, que tinha realizado em si mesmo há três meses, fora a parte mais dolorosa do seu ardil. Muller queria passar por um autêntico judeu. Já tinha um nome e um passaporte, Klaus Weimann, um professor que chegara a Auschwitz contando com então 30 anos, a mesma sua idade. Tinha que parecer um judeu até em sua máxima intimidade, não bastavam a desnutrição e o álibi que havia forjado. Injetou em seu pênis anestésicos e cortou seu prepúcio com um bisturi afiado. Sangue, dor. Determinação. Depois reservou antibióticos, que tomou até cicatrizar sua ferida, sua nova identidade.
Aguardou com paciência, comendo a ração diária que reservara num esconderijo, a chegada dos russos e seu horror quanto ao que descobriram no campo. Foi “libertado” junto com os poucos que restavam.
Nos meses que se seguiram foi cuidado por benfeitores do pós-guerra. Ganhou peso novamente, e não tardou a encantar uma linda moça de uma família judia influente. Crescera entre os judeus em Berlim, conhecia como poucos seus costumes e crenças. A posição de seus sogros o permitiu seguir a carreira de guia religioso.
Muller conseguira. Ou melhor, Klaus. Apagara seu passado, comprara sua liberdade e sua absolvição e agora era o modelo de retidão moral da comunidade a que servia. Após o final de cada culto, despedia-se de cada homem, mulher ou criança com a palavra “shalom”, que significa paz em hebraico.
Tudo ia bem. Até um dia em que, na sinagoga vazia, um homem transtornado entrou. Órfão da antiga ordem da Alemanha, aos gritos de “morte aos judeus”, lançou sobre o religioso uma bomba incendiária, que tomou conta de todo o local. Ao ser devorado pelo fogo, Muller podia ver e ouvir as milhares de almas dos mortos, que clamavam por ele do inferno longínquo. Em breve não seria nada além de cinzas...
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