Mostrando postagens com marcador Me Morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Me Morte. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Eu não escrevo o amor, mas amo quando escrevo...



amor se faz amando
como tratamento cancerígeno
mata-se temores
mata-se pudores
depois em metástase
nascem plenos, de novo
pelas veias, pele, em rogos
gemidos, gritos sem socorro
corpos grudam em harmonia
numa plena quimioterapia
numa cura total, sem cura
num ápice carnal, que não dura
acaba em gozo
ou crime passional...

sábado, 29 de novembro de 2014

Índio não quer cachimbo só e fumaça. Índio quer fogo!

(Emerson Wiskow)

A fumaça atrapalhava a visão dos que entravam, era assim todas as noites no Bar do Escritor, os que estavam lá não se importam, encharcados pelo álcool, sem distinguir o que era fumaça de cigarro ou do gelo seco que vinha do palco. A rotina era essa, corpos alcoolizados, música ambiente, risos... A garçonete olhava tudo com olhos diferentes, especialmente nessa noite estava diferente, como se repensasse toda sua vida.
-Ei Me! Traz meu conhaque. Está de moleza mulher? Era Véio China, sempre mal acostumado, achava que ela tinha que esperá-lo com o copo à mesa.
-Olha o jeito caboclo... Eu não bato em véio e nem bebum, mas tenha respeito com minha nega. Disse
Doctor, sempre tomando as dores da moça, como se fosse seu dono. Ela tinha grande carinho por ele, o chamava de Guapeca, cão vira lata no dialeto gauchêz.
-Ao trabalho. Sirva a mesa do fundo, eu cuido desses bebuns. Querem tratamento de primeira? Eu dou!  O Barman depositou com força o copo de conhaque na mesa do velho. Ele percebera o olhar perdido da moça e sabia que não estava bem. Se o Bar não tivesse tão cheio até a dispensaria, ele era um bom patrão.
Começa uma briga... Ossip, assíduo freqüentador, vendo o Fernando, maloqueiro conhecido, se Insinuar para uma freguesa, interveio. Cadeiras voaram, copos foram arremessados, gritos histéricos das moças do reservado, Thaís, Alessandra, Larissa, Jimenna, Flávia e Rosália, e o Barman sem saber onde acudir primeiro.
Um grito de mulher entoa e todos fazem silêncio: Me, a garçonete, fora atingida por uma garrafa na cabeça. A cena parecia congelada. Todos ficaram mudos.
-Acertaram a Me! Foi o único som que se ouviu no Bar. Todos queriam socorrer a moça. O sangue
Jorrava no chão sujo.  Seria seu fim? Morrer de uma garrafada num Bar de quinta categoria? O Barman ficou histérico:
-Quem foi o filho da puta que fez isso?
-Esquece disso e vem estancar o sangue... Disse Leonardo, o segurança que entrara depois de ouvir a
gritaria. Pegaram uma toalha e amarraram firme em sua cabeça.
-Tem algum médico aqui? Paulão Fardadão,  policial assíduo do boteco,  perguntou aos curiosos.
-“Mim ser” - Um cara minguado, cor de burro quando foge, cabelos escorridos, parecia descendente de índio brasileiro, todo feinho de dar dó.
-É médico, fera?
-“Ser sim, lá na tribo dos Tupiniquins da Amazônia”.
-Faz alguma coisa então seu índio de uma figa! O Barman estava descontrolado! Sempre presenciava brigas no seu Bar, mas nunca o prejuízo ultrapassava o lucro. Dessa vez sabia, era peça primordial essa garçonete, ia ser a falência na certa se morresse, além de que, seu orgulho de macho estava atacado, afinal todos pensavam que ele a comia e,  que importava a mentira se isso o fazia ser visto como um garanhão? O coitado vivia para o Bar, sem muito tempo para relacionamentos, só de vez em quando uma puta ali, outra aqui...
-“Índio precisar privacidade, levar moça pro reservado. Índio usar ervas e cachimbo milagreiro”. Levaram a moça e índio se trancou no quarto.
Depois de duas horas saiu com cara de felicidade e disse:
-“Moça bem, vai viver”. A garçonete veio logo atrás, toda desalinhada e com um sorriso sem vergonha na cara. Todos se aproximaram para vê-la.
-“Deixem moça ... Ela precisar  sossego... Agora ser Lua Morena, noiva de índio Cavalo Malhado”.
-O que?
-“Mim dizer: Moça branca ir pra tribo casar com índio. Tudo muito rápido, igual nuvem de fumaça”.
-Que tribo caralho?...
-Desculpa chefinho, eu vou sim, encontrei o amor da minha vida...Falou a moça agarrando o braço do índio.
Saíram em disparada sob os olhares atônitos de todos.
O faxineiro Kaspa varria os cacos quando reparou na garrafa que tinha acertado a garçonete.
-Que estranho chefe. Essa marca de bebida eu nunca vi por aqui. Cachaça de Manaus.
-Deixa ver. O barman leu no rótulo: Fabricação artesanal da Tribo dos Tupinanquins da Amazônia.

-Mas que porra é essa...



Textos de Me Morte
(esse velhinho foi retirado do Bar do Escritor em meados de 2007)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Da série: "Minha arma é minha voz" - Um zero à esquerda!

Outro dia um chefe surtou durante uma discussão de trabalho. O que sempre foi normal, uma divergência de opiniões, se tornou um grande problema!
Eu questionei uma porta fechada num ambiente fedorento que acabara de ser pintado. Como trabalhar durante 8 horas num lugar fedendo a verniz? Minha rinite atacada, já viu...Quando percebi que ele não ia facilitar saí de perto. Foi aí que ouvi: "Vai tomar no meio do seu cu". Eu voltei na mesma hora, paralisada, sem saber direito o que tinha ouvido.
_O que você disse?
_"Vai tomar no seu cu sua estressada"! Repetiu.
Perdi totalmente a noção do certo e do errado! Disse que ele não podia falar comigo daquela forma. Que fosse ele tomar no cu e disse que era um chefe despreparado. Saí novamente e ele correu atrás de mim. Quase pude sentir seu hálito nas minhas costas. Aí parei e me voltei novamente:
_Vai me bater? Se vai,  bate logo! Junto mais essa agressão quando for reclamar!
Quando continuei caminhando na direção da sala onde trabalho escutei:
_"É falta de homem! Tanto estresse é falta de um homem na sua vida"!
Fiz BO. Fui ao RH e reclamei. Disseram que tomariam providências.
Isso foi dia 15 de outubro. Depois desse dia tiraram o elemento da minha vista e ainda disseram que seria demitido.
Na segunda-feira, depois das eleições do dia 26, ele voltou. Retomou suas atividades normais e tudo voltou a normalidade.


Continua...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Me Morte do ††† Vale das Sombras†††





    

Me Morte nasceu quase junto ao Vale. Na verdade sempre gostei do goticismo. É uma atração inexplicável! O modo de vida, os pensamentos, atitudes, a maneira com que encaram a vida. Mas nunca aceitei o lado rotulado do estilo: “que gótico só pode usar preto”, “que nunca sorri”, a ligação com satanismo e outros rótulos.O que eu via nos jovens era uma necessidade de chocar os mais velhos, seguindo um caminho muitas vezes sem volta. Dizia-se gótico se já tivesse falado ou se ligado à morte ou suicídio. Foi dessa revolta que surgiu a idéia do Vale das Sombras. Um cantinho para se falar de literatura e goticismo. Fazer a ponte entre os dois. Versar sobre a morte sem precisar morrer. Levar as pessoas a uma melhor convivência com essa palavra que assusta tanto. E, finalmente, tirar esse rótulo de que para ser gótico precisa necessariamente ser depressivo e em algum momento da vida ter tido alguma experiência com a morte.
No dia 23 de fevereiro de 2006 nascia o Vale das Sombras e a partir daí foram muitos concursos de poemas sombrios. No começo tímidos, cheios de erros e tentando se enfiar de cabeça no tema, que era apaixonante. Depois, mais ousados, chegando mesmo a conta de 50 ou mais poemas por concurso. Depois, periódicos, os concursos se tornaram vitais para o movimento.
O Vale lançou cinco e-books que estão no Recanto das Letras para quem gosta do estilo poder baixar.
“Somos um bando de jovens, de corpo ou de espírito, que acredita que estilo gótico é arte e não precisa necessariamente ser rotulado de louco ou depressivo.”
O E-book do Vale nasceu da idéia de registrar essa história e dele fizeram parte escritores a pessoas envolvidas com artes em geral. Entre eles a Banda Anarquia89, o escritor Giovani Iemini do Bar do Escritor, Carlos Cruz, nosso xerife querido, os ilustradores LUCASI e Rafael Pereira, que nos brindaram com capas maravilhosas e muitas outras feras. A idealização e coordenação editorial foi de Me Morte/MPadilha, projeto gráfico e editoração de René Ociné e colaboração de muita gente de talento!

O Projeto do Vale morreu com o Orkut, porém a mensagem que tentou passar ficou na cabeça e coração de muita gente que até hoje reclama a falta dos concursos. Eles voltarão, com certeza, mas com outra roupagem, porque o Vale das Sombras é único e jaz com suas almas atormentadas pelas galerias que restaram naquela rede social.

Mas, escrevi tudo isso para anunciar que a cria e herdeira dessa bagunça toda, o personagem Me Morte, que se tornou naquela época heroína dos quadrinhos através do ilustrador LUCASI e entrou para a ”Turma dos Radicais” com história e tudo, agora, em 2014, finalmente entrará para o catálogo dos heróis brasileiros, fazendo parte de 600 personagens de grandes ilustradores talentosos! Eu estou feliz como se um filho tivesse se formando e eu participando da formatura, corujona, chorona e muito feliz!

Por isso hoje agradeço a todos que me ajudaram nessa conquista, ou seja, todos que fizeram parte de minha grande história aqui na Internet: “O Vale das Sombras”. De coração, valeus!



MPadilha/Me Morte

Obs.: quando estiver pronto mando o link do catálogo para todos apreciarem, por enquanto, recordem aquela fase maravilhosa baixando os e-books do vale aqui:

terça-feira, 29 de julho de 2014

O enterro de Catherine


 




Rosas negras
Manchas roxas
E sonhos desfeitos
Foste louca!
Agora fria
Nesse leito
Vê se acorda
Faz direito!

Antes que te cubram de terra...

O caso nº 12.051/OEA, de Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de violência doméstica durante seis anos, foi o caso homenagem  da lei 11.340, que longe de ser a solução, apenas  contribui timidamente para ela.





domingo, 29 de junho de 2014

Ao “Líndio” com carinho










Não se conhece nada por fora
Só a alma!
Se dorme, se ri, se chora
Nem se come chimia
Ou se a chimia é de amora...
Não se sabe se tem costume indígena
Só que assume a forma
E a alma tem pena
E me acena e  corre por entre a flora...
Não conheço nada por fora
Só fotografia, que belo! Ironia...
Ou índio, ou “líndio”, ou Léo...
Como diz o Zé: bate, bate, bate na porta do céu
E  lá vem outro poema quente,  inteligente, “da hora”...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Subscrevo, Poesia





Eu sou o mar
O espelho das estrelas
Refletindo um céu azul num verde mar

Eu sou o ar
O respiro do universo
Mero reflexo, tão diverso desse ar

Sou melodia
O encanto das sereias
E na areia enfeitiço noite e dia

Nasci e fui criado
De versos brancos ou metrificados
Tão discreto e violento, vou calado


No abstrato, sou humano
Como retrato instantâneo
Fora do contemporâneo, sou insano


Eu sou amor
Já fui paixão, ódio, furor
Por vezes, ilusão e dor


Sou amizade
Fiel no amor e na necessidade
Num futuro próximo, talvez, saudade


Sou ventania
Um marginal, um servo, um guia
Brisa leve ou vendaval


E subscrevo,

Poesia.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Conluio


Você se diz meu amigo
Amigo incondicional
De todas as horas
Me beija se choro
Me abraça se beijo
Se aproveita
Me deita
Me possui
Um conluio
De dias
 
Amor,
Mata meus inimigos pra mim?

sábado, 29 de março de 2014

“O silêncio dos culpados”

Se são inocentes, não sei... Sei que não falam. Não calam por dentro, mas também não bradam por fora. São elos de uma democracia falsificada. Querem começar o dia, admirar a tarde, terminar a noite e dormir... Mais nada! MPadilha 26/03/2014

sábado, 1 de março de 2014

Cativo





Minha cela foi minha cama! A maior parte do tempo eu dormi... De vez em quando me davam gatos e frangos vivos, com a desculpa de que eu precisava manter meu instinto de caça, pois sim!  Como manter algo que nunca tive? Um dia eu fugi durante  uma visita do tratador. Que presente! Passei 8 horas correndo de lá para cá sentindo a terra sob meus pés. Até que me anestesiaram e acordei de novo no meu cubículo!


 Valentino - Vivia numa jaula de menos de 2 metros quadrados no horto florestal de Pouso Alegre/MG e  morreu quando era transportado para um zoo de outro estado - maus-tratos a vida inteirinha - confinamento por 15 anos (desde o nascimento) - sedativos para o transporte (não acordou mais) - tristeza…



quem sou
nesse corredor de morte
entre pipocas e gritos
um ser de espetáculo
um macho sem sexo
um rei sem coroa
e uma história de vida à toa
sem nexo




 MM/MP
(o meu dia é 29 de todo mês, porém fevereiro eu ficaria de fora, por isso, gentilmente, o Barman  repartiu o dia comigo, valeu!!!!)