quinta-feira, 10 de junho de 2010

Convidado Márnio J. S. Teixeira Pinto


Da série:  A  ODISSÉIA DE UM CIDADÃO COMUM NUM DIA COMUM.   

    IGUALDADE SIM, MAS COM ALGUNS LIMITES ! 

Os Shopings Centers são, hoje em dia, os locais de maior afirmação da presença do primeiro mundo.
Lojas muito bem estruturadas, oferecendo os produtos com os artifícios da imaginação capazes de convencer os passante a adquiri-los, mesmo que deles não necessitem; pátios de alimentação com orgulho de satisfazer , com razoáveis retribuições, os mais refinados paladares e, para as eventuais necessidades, instalações sanitárias com sofisticação operacional capaz de saber se o usuário já as liberou de sua utilização.
Esse local de apreciável ardor capitalista iguala os e as consumistas no afã de demonstrar atualização no que respeita a modas e costumes, pois, afinal, nele desembocam todas as  tendências preconizadas pelos figurinistas nem sempre convictos das necessárias  e inconfundíveis diferenças entre o masculino e o feminino.
O cenário acabou sendo o palco de meditações filosóficas sobre  a igualdade.
Compareço, por necessidades fisiológicas às instalações sanitárias elogiadas em parágrafo anterior. 
Porto um pacote de volume moderado resultante de compra recém efetuada por minha senhora, nesse mesmo momento usuária das dependências ainda destinadas ao sexo oposto.
Uma ligeira inspeção me confirma a suspeita da inexistência de local apropriado para colocar, temporariamente, o embrulho.  No chão molhado, não sei de que, nem pensar !
Em virtude de a urgência começar a se fazer presente, com certa insistência, resolvo adequar o embrulho debaixo do braço mas logo  reconheço que essa providencia não me libera a mão direita para outra atividade. 
Equilibrar o incomodo pacote no cocuruto concluo não ser capaz com certo grau de segurança.  A solução foi segura -lo com a mão esquerda.
Destino a mão direita, já que sou destro, `a missão mais nobre de conduzir a atividade principal do momento.
Com ela, procuro encontrar a braguilha da calça e me surpreendo com a sua inexistência. Com certeza,  fruto do talhe moderno de dedicados estilistas.
Restava-me fazê-la descer mas, para tal, o cadarço que a ajusta `a cintura deveria ser afrouxado.
Pensa que e fácil desatar um nó com uma só das mãos? E, principalmente, quando há urgência ?            
Situação difícil nos conduz a fazer certos milagres e desta feita a ansiedade conduziu a habilidade ao sucesso.
Baixada a parte frontal da vestimenta, inutilmente procuro a abertura da cueca. Não sei o porquê , mas, hoje, em nada difere das calcinhas a não ser pelo conteúdo.
Sou obrigado a fazer subir o sujeito da ação por sobre a borda da cueca tentando abaixá-la com apenas uma mão o suficiente para aponta-lo para o paciente mictório acremente perfumado.
 Sucesso num primeiro e aliviante momento! 
É evidente que os equilíbrios instáveis tendem a provocar mudanças bruscas e nem sempre esperadas. 
O resultado é  que o queixo e minha gravata foram aquinhoados com razoável quantidade de liquido caliente no momento em que a impertinente cueca resolveu voltar a sua posição normal.
Ainda bem que a platéia era constituída de apenas meia dúzia de gozadores que não puderam conter o riso, gratuitamente, por mim provocado.
O fato me leva a meditar se a globalização da igualdade não me obrigará  a igualmente urinar, apenas, sentado! 


Obs. O autor é pós graduado em Estudos de Problemas Brasileiros.  
---
Márnio J. S. Teixeira Pinto

 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O BARANGUERREIRO IDEOLÓGICO


O BARANGUERREIRO IDEOLÓGICO
guerra justa?


Odeio esses caras que só comem mulher bonita
Ficam escolhendo
Pensando
A bunda dessa é caída
Essa é gorda
Aquela é magra
Essa tem narigão
Aquela tem cabelo ruim
Essa não tem peito
Aquela não tem bunda
Todas têm defeito
Quase todas são barangas
Esse negócio de avaliar muito é coisa de mulherzinha
Homem que é homem fode mulher feia
Seleção natural porra nenhuma
Eu quero é cuspir porra
Esporrar
Todo dia
Quem pondera demais não mete em ninguém
Quem avalia muito acaba virando viado
Eu sou macho
Só como mulher feia
No mínimo uma por dia
Sem dente
Gorda
Pixaim
Adoro
Gosto muito duma nega gorda desdentada
Naomi Campbell
Beyoncé
Monica Bellucci
Bárbara Mori
Angelina Jolie
Não quero
De jeito nenhum
Mulher bonita não sabe foder
Dona bela é pra baitola
Ontem matei o décimo segundo babaca selecionador dos muitos que vou matar
Esqueci de falar
Tive um sonho noites atrás
Deus falava comigo:
- Nada de seleção cultural.
- As bonitas têm de sofrer.
Ele disse:
- Quando acordar vai ser pouco ter relações sexuais com uma mulher feia por dia até o fim da sua vida.
- De agora em diante você vai matar um mauriceba escolhedor por dia.
Obedeci
Agora estou indo pro analista
Procuro meu eu interior
Na mala do meu carro tem um corpo
Isso não é bom
Foge ao meu estilo de desova natural
Deixa pra lá
Vou contar como matei um zé cu
O mané tava pegando uma mulata deliciosa
Pensei
Bichaloca
Coloquei minha máscara
Minhas luvas
Saí do meu carro
Andei até os dois
Saquei minha Remington
Disparei
Adoro armas velhas
São como as mulheres feias
Vendidas por um terço do valor
Um patamar baixo
Como eu dizia
Dei um tiro perfurante no estômago do playboy
Gosto de atirar no estômago e ficar vendo o sujeito morrendo
Sofrendo
Tiro no estômago mata por embolia
Dá tempo deu explicar por que ele tá morrendo
Gosto que o fulano entenda que tá fenecendo por fazer pouco de mulher feia
Eu sou o equitativo
Eu faço a minha parte nas excluídas da beleza cultural
Sou o enviado de Deus em prol da salvação das mocreias sem picas
Em viado pegador de gata eu meto bala
Sem dó
Nem piedade
Lisura de procedimento
Rectidão
Esse é o meu destino na terra
Depois que vi o otário morrer
Reparei sua mulher olhando apavorada
Ela me disse chorando:
- Eu faço qualquer coisa, não me mate.
Tive uma ereção e por isso atirei nela também
Foi a primeira mulher que matei
Não posso fraquejar
Não como mulher bonita em hipótese alguma
Atirei na testa
Não queria explicar nada pra ela
Daqui a pouco, meu analista vai enlouquecer.
Contei pra ele do meu sonho com Deus
Descrevi minha teoria da crueldade humana com o não belo
Das sem pirocas
E agora não basta eu só foder elas
Deus mandou matar os homens que não copulam com mulher feia
O analista não perguntou se já matei alguém
Filho da puta
Ficou ouvindo plácido
Tudo bem
Hoje ele vai saber
Hoje ele vai morrer
A mulher dele é protagonista da novela das oito
Foi eleita uma das dez mulheres mais lindas do Brasil
Estou bolando requintes
Crueldades pra morte dele
Antes tenho que me livrar do corpo da mulher na mala do carro
Sim
A carcaça dela está na mala
O cadáver dos ditos-cujos que mato deixo no lugar onde caem
Nem ligo pras investigações
Não leio a repercussão
Não sou vaidoso
Sou Diplomata
Não sinto culpa
Papo pro meu analista
Sociopata
Ele deveria ter me dito isso
Não disse
O fato é
Imunidades para Diplomatas estrangeiros existem desde a Antiguidade
Esqueci de dizer que sou de El Salvador
O menor país da América continental
Nasci na cidade de Sonsonate
Voltando aos meus privilégios
Os embaixadores romanos eram considerados sagrados
Sua violação constituía motivo para guerra justa
Sei lá o que isso quer dizer
Adoro “guerra justa”
Na Idade Média as relações internacionais davam-se entre Chefes de Estado
Ofender um embaixador significava ofender o Chefe de Estado
Isso justifica as precauções da imunidade
E sendo assim
Foda-se todo o resto
Mato mesmo
Quer saber
Depois eu penso no que fazer com o corpo da mala
Meu carro tem placa azul
Não podem guinchar um carro com placa azul, mesmo que ele esteja fechando uma via.
Essa é minha guerra injusta
Vou direto pro analista
Hoje ele vai entender
Salvem as barangas
Não bata, coma!

Licença Creative Commons
O BARANGUERREIRO IDEOLÓGICO de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Autobiografia

















Escarrou-me numa calçada, cão lambeu, proliferei bactéria grudada no olho alheio. Sigo sedenta por sapatos desatentos pra não secar no passeio público.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Precisa-se



com urgência
de uma musa inspiradora,

- sexo masculino(claro!) -

Dá-se preferência as de boa aparência,
segundo o gosto da patroa,
- então
pode ser que nem precise ser tão boa -

paga-se bem:
em poemas desabridos, controversos

(que não podem ser mostrados
aos seus netos)

folga:
só nos dias santos (vade retro!)

pra trazer desassossego
e dormir comigo em sonhos.

mas aviso: com alguma referência
não consegue o emprego.


Dê o livro LEOA OU GAZELA, TODO DIA É DIA DELA no Dia dos Nmorados.
Pedidos pelo email: flavia_perez@hotmail.com

quarta-feira, 26 de maio de 2010

HIPOCONDRIA


Gostou? Ficou estranho? Não entendeu nada?
Preciso saber da opinião do povo...
Aproveito e aviso que meu blog está sempre de portas abertas: www.prosaseviagens.blogspot.com

Droga

Seu carinho
é droga alucinante
que vicia.
É caminho
delirante
pela via
do desconhecido,
como se já sentido
mas refeito.
Me pega de jeito
me cativa,
chama de brasa viva,
a incendiar a vida,
já cinza fria,
descrente.
É diferente,
luz e medo,
segredo
que se grita ao vento.
É agulha e pó
que faz desse homem só
apenas sentimento...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Reclusão

Por favor,

soltem os passarinhos

da Gaiola



Não cortem as asas

da liberdade!



semelhante aos homens

que mendigam um pedaço de pão



são os passarinhos

numa prisão

sábado, 22 de maio de 2010

Viagem solitária

Sentindo-se só, o sujeito mais injustiçado do mundo, sentou-se ao silêncio da praça

Ajeitou-se e tirou do bolso o velho caderninho no qual regurgitava o que depois chamaria de poesia

Ao curvar-se para escrever, caiu no próprio umbigo





sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sobre a pele




Tua imagem grudou na retina
Fez crisálida no cristalino
E morada de pássaro em minhas asas.

Fauno, vibra no meu corpo tua carne
Trança entre as pernas gozo
Sêmen, néctar e flor.

Rito sagrado do perfume
Do tempo que fecunda as árvores.
Valsa penetrante entre as entranhas

Teu desejo de androceu.
Saboreia sobre a pele
Crepúsculo cerúleo, amêndoa e mel.

Bebe a nuvem na taça
E a saliva do olhar úmido do sonho
No vôo terreno solitário castanho.



Foto: Ricardo Pozzo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Convidada Nina Rizzi

ronron

a gatinha em minha calcinha
de sessão infantil
não diz: miau.

ela geme:
me come lobo-mau.

---
texto do blog putas resolutas

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Brevidades


*

Desde a sua partida
só o cheiro de relâmpago
ainda espalha seus raios.

A brisa assobia.
E é como se o vento ainda
quisesse me dizer algo...

Eu o espero.


~
~
~

mas a noite agoniza...
e o vento passa calado.




(Jessiely Soares)

domingo, 16 de maio de 2010

Dialética



Não faz sentido
brincar meu carrossel
em torno da sua ausência

Tampouco lambuzar de mel
o limão que me traz
com veemência

Não faz sentido
te inundar de pólvora
se não existe fogo

brincar de índio
entrar na roda
perder seu jogo

Não faz sentido
o suor intenso
em dias frios

estender a outra face
aguardando outro abril

a memória
apostólica romana

a dança cigana
entre boleros e ventres

Não faz sentido
chantili e merengue

os poemas amassados
rasgados com fúria

esperar que você seja brando
feito bebida da uva

Não faz sentido
todo este tamanho

as cores lá fora
e eu aqui em preto e branco

sábado, 15 de maio de 2010

Sobre Levezas e Inutilidades

Eu ando a caça de palavras aladas
que possam compor versos planadores
e recheados de desimportância.

Palavras-borboleta, conhecedoras
do voo e da metamorfose, donas
de seu destino. Não desejo aprisionar
significâncias.

Se for à noite, que sejam palavras vaga-lumes
ou de estrelas falantes. Estou cansado de opacidades,
de seriedades,
do inútil marrom que não sabe sorrir.

Feliz eu ficaria se delas nascesse
um poema com a mesma inutilidade
dos aviõezinhos de papel,
tantas vezes atirados ao vento
bem de lá da minha infância...

(Celso Mendes)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Convidado Matheus José Mineiro


Coisa Esquisita e Humana que...

derruba uma barreira a soco
                                   para aproximar -se duma peça de pano
aterra um abismo com a pá
                                  para aproximar -se dum byte
não anda,corre quilômetros
                                  para aproximar -se da Tv
a nado atravessa o Tieté
                                  para aproximar -se dum pixel
arranca a cerca de arame com a boca
                                  para aproximar -se da grana
faz o diabo a 0,a 1,a 2,a 3,a 4...
para ficar                perto               perto                         pertinho
disso                      ou                                                daquilo
mas não consegue(e pode)
abrir a cabeça
abrir os ouvidos
abrir a boca
abrir os braços
abrir o peito
abrir a cerveja
abrir o zíper as pernas
para ficar pertopertopertinhodeladinho do outro
                                          ser         AM
igO (R)


-------------

Matheus José Mineiro de Ponte Nova(1988) Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia-Casa de Raul de Leoni – Produz o Zine Apologia Poética e Alcoologia Poética.

domingo, 9 de maio de 2010

EUROPA PRA MIM É ISSO!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAFoto: Silvia Saint
TCHECA DA TCHECA
europa pra mim é isso!

Os brasileiros adoram ir pra Europa
Amam a França e seus museus
Vivem enaltecendo o velho continente
Ahhh...
Paris...
Eu quero que Paris vá pra puta que a pariu
Pra mim, os franceses são uns pedantes insuportáveis.
Bando de mal-educados
E não me venham falar da Espanha
Barcelona
Arquitetura de Gaudi
Sua obra notável
A suburbana Casa Vicens
Eu quero que o Gaudi se foda
Aos que preferem a Itália
Pergunto
O Templo de Saturno, no Fórum Romano, serve pra quê?
Pra nada
Tô cagando e andando pra Roma
Pra mim, Roma, só se for à de Calígula.
A Roma lasciva
Essa sim!
Se for falar da Europa
Só falo do Leste
Europa pra mim é o Leste
Agora eu digo
Ahhh...
O Leste Europeu...
Suas vadias...
Eu gosto é da Hungria
Bulgária
Eslováquia
Romênia
Polônia
Bielorrússia
Moldávia
Eee...
República Tcheca
Gosto da “tcheca” da tcheca Silvia Saint
Das húngaras...
... Sophie Evans
Nikky Andersson
Anita Blond...
... E suas duplas penetrações
Entre outras
Entro em outras
Sem fim
Em fim
Curto as mulheres amorais
Gostando da verdadeira putaria
Essas loucas do Leste Europeu
Fascinam
Dando na Europa esquecida
Uma mais linda que a outra
Deliciosas
Sem pudores
Fazem tudo
Tudo mesmo
As deslembradas
Europa pra mim é isso!
São elas!
O resto eu deixo pra vocês

Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO
__________________________________________________
Esse texto está no Livro do Bar do Escritor que foi vendido na Flip 2010. Parabéns para Cristiano Deveras e Giovani Iemini, idealizadores do projeto e escritores no mesmo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Para adquirir a Antologia Bar do Escritor - Volume 2

A Antologia Bar do Escritor Volume 2 pode ser adquirida por R$ 15,00, com envio gratuito  para qualquer lugar do Brasil. 
Entre em contato por email: giovani.iemini@gmail.com

Como adquirir a Antologia Bar do Escritor - Anarquia Brasileira de Letras

 
A Antologia Bar do Escritor pode ser adquirida por R$ 10,00, com envio gratuito  para qualquer lugar do Brasil. 
Entre em contato por email: giovani.iemini@gmail.com

mojo books publica Ouro de Tolo

olha que legal: a mojo books publicou minha crônica Ouro de Tolo, inspirada por Raul Seixas. a mojo é uma editora online especializada em literatura baseada na música. tem muita coisa bacana por lá.
Danilo, o editor, disse que semana que vem será a vez de A Balada de Alessandra, inspirada pelo disco Baladas Sangrentas do Wander Wildner.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Convidada Mariana Pinto

RELÓGIO
 
Cada segundo, um instante.
Bem perto ou muito distante.
Tanto faz. Algo vago.
Estou aqui, não existo.
Permaneço, não sinto.
Há desapego, não minto.

---

NUNCA

E você me disse nunca.

Bem adequado para a minha pergunta

Resposta curta, mensagem convincente

Olho no olho, sinceridade latente.

Palavra, no entanto, um pouco vaga.

Sentido perigoso, significado passível de interpretação.

Antítese latente, pode significar sempre, como pode também pode dizer não mais.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O mundo é delas





Foi após a 5ª Guerra Mundial. Apesar de ter recebido essa denominação, o conflito não envolvera todos os países do mundo, mas apenas aqueles com poderio militar suficiente para apagar da história toda a humanidade, em todos os cantos do planeta. Isso acabou sendo alcançado, incluindo na destruição os próprios países causadores do conflito, o que possivelmente não havia sido planejado...
Enfim, as próximas cenas se passaram após esse conflito atômico que destruiu toda a humanidade e boa parte dos animais. Os únicos sobreviventes foram as baratas, que agora tinham como companhia apenas o reino vegetal.
O mundo era um rascunho do que o homem promovera nos últimos séculos. Arranha-céus, estradas, ferrovias, maquinários, tudo isso ainda existia, mas iam aos poucos sendo absorvidos pela natureza ao redor, que dia após dia avançava a vegetação para as cidades. Em algumas só se via agora o verde, interrompido em pontos isolados por um ou outro prédio mais elevado, ainda não alcançado pelas árvores.
Aeronaves, caminhões e veículos há anos estacionados em pátios ou ruas viravam verdadeiros fósseis de aço.
Os velhos depósitos de lixo desapareciam à medida que o tempo tratava de absorver no solo o antigo esgoto da humanidade, ou seja, plástico, latas, pneus velhos, eletrodomésticos quebrados e papel, muito papel. Os restos de alimentos já há muito tempo não existia, boa parte deles consumidos pelas próprias baratas.
O lixo acumulado no fundo dos rios aos poucos desaparecia e a erosão em suas margens também sofria o processo inverso.
No céu das antigas cidades não se via mais o cinza, mas o verdadeiro e límpido azul celeste.
Foi então que duas velhas baratas, andando por aqueles verdejantes caminhos, rememoraram os anos passados que o tempo não traria mais. Passaram ao largo de um córrego de água límpida, que ao tempo delas praticamente secara por causa do excesso de lixo em seu curso; depois seguiram por uma trilha na mata, onde naquele tempo havia um beco com um filete de esgoto a céu aberto que o acompanhava. Por fim, chegaram em um antigo lixão praticamente coberto de arbustos e flores, lugar onde antes se acumulara toneladas de entulho e onde hoje abrigava apenas uma ou outra latinha de alumínio que não teria vida longa. O parque dos sonhos da infância das duas não era mais o mesmo...
O mundo já abrigava a 265ª geração de baratinhas pós-conflito mundial, geração esta que não chegara a conviver com o ser humano, visto entre muitas de maneira quase que lendária, sem comprovação científica, algo como a Atlântida ou extraterrestres. É certo que só se passara alguns meses da grande destruição, mas lembremos que o ciclo de vida desses insetos é diferente dos humanos e uma barata, ao contrário dos humanos, pode ser tataravó em algumas semanas...
Enfim, o relato de histórias protagonizadas com os homens era visto por algumas das mais jovens como caduquice das baratas mais idosas. Era o velho conflito de gerações...
Mas as duas companheiras anciãs, de fato, já conviveram com o homem e conheceram o mundo quando os humanos dele faziam parte. E uma delas, ao contemplar aquele ambiente desolador cheio de verde e sem lixo, com gravetos e brotos de plantas a atravessar-lhes o caminho (em vez das latinhas com restos de cerveja ou comida), com lágrimas nos olhos, finalmente exclamou nostálgica e comovida para a outra:
— Puxa vida, que saudade dos humanos!

sábado, 24 de abril de 2010

Beba-se

Beba-se
n’água ardente
da minha boca

sua língua louca
bebeu conivente

com meu vício
de provocar [acidente]

foi um beijo que virou sina
e até mesmo suspeito

que causou [aquele] efeito
de tirar segundos de vida


Autora:Lena Casas Novas

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sucessão

Entristeceu-se profundamente com a notícia da morte do avô. Era a primeira vez que teria que lidar com a morte de alguém - que nem era tão próximo, mas que era muito querido. Já haviam falecido outros parentes mais distantes e amigos da família, mas, apesar da insistência dos telejornais, a mãe tentava mantê-lo afastado do tema delicado - ao menos até aquela cinzenta manhã de chuva fina.

Após vestir a melhor roupa de domingo e, por cima dela, o casaco vermelho de gorrinho, entrou no carro calado e seguiu cabisbaixo durante as duas horas de estrada. Por vontade própria não falaria uma palavra, mas respondia monossilabicamente as perguntas da mãe, que tentava consolá-lo.

Ao chegarem à capela da pequena cidade, muitos dos parentes já estavam por lá. Também já estavam presentes no velório muitos dos amigos do seu Alfredo: o pessoal da bocha, a turma dos bingos e dos jantares dançantes (as pessoas eram as mesmas, só trocavam os dias, com bingo na quinta e baile no sábado) e, por fim, os que jogavam truco e dominó na praça (essas turmas eram diferentes e, inclusive, como dizia o seu Alfredo, que costumava apaziguar os ânimos, disputavam as mesinhas a unhas e dentaduras).

Quando pararam o carro e o garoto desceu, os amigos do seu Alfredo, compadecidos com a presença da criança, viraram-se para ele com os olhares bondosos de quem cuida. Observando a cena, o garoto lembrou-se do ano anterior, quando havia morrido o cãozinho que ele tinha desde quando nem se lembrava. Recordou-se que, no dia seguinte ao do atropelamento, a mãe o levou à loja de animais. Naquele momento, percebendo-se em meio a dezenas de opções, respirou fundo e sorriu, reconfortado.








Neste sábado, dia 24 de abril, ocorrerá o lançamento do
Vem cá que eu te conto em Curitiba.

O evento será realizado no Quintana Café
Av. do Batel, 1440, das 16:30 às 20:00



Mais informações, acesse: http://vemcaqueeuteconto.wordpress.com

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Outono






Folhas pelo chão...
As árvores se despem.
Vestem-se de outono.




Imagem: arquivo pessoal.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Amanhã, ezine BRASÍLIA por Nicolas Behr

Amanhã, 21/04/2010, no aniversário de 50 anos de Brasília, a capital do Brasil, o ezine BAR DO ESCRITOR tem a honra de receber como editor o poeta Nicolas Behr, numa publicação dedicada à literatura relacionada à cidade.
Confiram em
www.bardoescritor.net

segunda-feira, 19 de abril de 2010

As fatias e o todo.

As fatias e o todo.


Embora eu tenha medo é na solidão que reconstruo-me,

é no silêncio profundo do mar que infiltro sonhos

e de lá só volto à tona quando estou leve das falhas.


Tudo o que aprendo são motivos para inteirar-me

no mundo dos homens de dores e crescimento.

Nunca vou ou volto antes do tempo. O outono concilia-me.


As sombras no prisma luz são crianças,

escadas desejosas de serem encontradas,

pisadas, desvendadas ao gosto único.


Nada abala-me em meu lar de reais fantasias

onde danço e canto sem olhares definhadores.

Olho-me e basta a aprovação da alma.


Coleciono silêncios, retalhos e asas.

São as cores a fonte dos meus passos

e os íngremes caminhos a certeza do melhor.


Ninguém tira-me da pele o viço

ou acorrenta meus pés ao desfiladeiro,

se caio permito-me o levantar. Há outras primaveras à espera.


Entre apelo e escolha eu nado e afundo...

Dentro de mim existe a força que contagia o fora,

embora eu tenha medo, eu existo, procuro-me,


banho-me de encontro e transpiro

não a que incentivam, mas a que resiste

e faz da construção a base da que sou: uma mulher feliz.


Eliane Alcântara.

sábado, 17 de abril de 2010

Segundo voo da mariposa








Não era fabulosa,
a mariposa que pousou na perna da minha calça
na hora da aula.

Apesar de ter as asas
para habitar em tudo,
pelas quais Ícaro teria dado mais vida
se mais vida tivesse.

Asas de cera,
dissera,
para o Sol e para mais nada.

Penso às vezes
que a sua essência
era uma mariposa
- Uma mariposa-cinza-cigana de asa quebrada



(Jessiely Soares)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sobre amores e cajus


Sabia amor que um cajueiro demora até cinco anos para dar frutos?
Eu esperei. Não que tenha esperado com afinco. Eu joguei a semente na terra e reguei por muito tempo aguardando um sinal, mas eu não conseguia observar as raízes se espreguiçando na terra.
Meu cajueiro tornou-se uma lembrança cada vez mais distante. Raramente eu olhava o frágil caule quase desfolhado . Confesso que sempre confiei na chuva.
Existem outras árvores na vida, meu amor! E quando eu sentia tédio eu esparramava sementes pra me distrair.
Nem tudo vingou no meu pomar. Algumas deram poucos frutos que logo apodreciam e não era viável investir tempo e amor em cultivá-las. Outras, apesar dos bons frutos, morrem cedo. E a gente chora feito Zezé lastimando seu pé de laranja lima.
E de caju em caju eu lembrava do meu cajueiro. E foi um dia triste quando constatei que não sabia mais onde eu havia deixado as raízes dele. E por mais que eu percorresse meu quintal eu não conseguia lembrar e nem encontrar vestígios. Eu não conhecia um pé de caju.
Eu esperava os julhos com esperança em ver algum esboço de castanhas. Mas não havia.
Nem todos os cajueiros são iguais. Do meu cajueiro muitos querem saber. Eu conto apenas pra quem possa acreditar que um cajueiro pode frutificar depois de vinte anos, no outono e inexplicavelmente na minha cama.

domingo, 11 de abril de 2010

Meu Passeio Com a Milla Jovovich

Na semana passada assisti o filme Ultravioleta com a Milla Jovovich, ela estava linda como era de se esperar, daí depois ao dormir sonhei que eu saía do hospital estadual onde faço estágio na emergência com acadêmico de Enfermagem. Daí veio um Porshe prateado muito bonito que sem dúvidas valia uma nota preta, quando me aproximei do carro para contemplá-lo o vidro fumê abaixou e quem estava lá dirigindo solitária? Ela mesma: Milla Jovovich!

- Cara... isso é mentira! Essa mulher não vai me dar mole...- pensei logo.

Milla abaixou o teto do carro, pois o Porshe era conversível e me perguntou se eu estava livre do estágio do hospital, eu disse que acabei tudo e estava pronto para sair. Ela usava um óculos escuro de armação prateada, eu não acreditava, ela falava português fluente com sotaque eslavo, que charme!

- Sobe aqui lindinho que te levo para um passeio. Esqueça o ponto de ônibus hoje, temos muito a fazer juntos - disse Milla com um português com forte sotaque ucraniano, ao mesmo tempo era incomum e sensual ouvir aquela voz delicada e exótica.

Nem pensei em nada, fiquei levemente perdido, entrei logo no carro. Senti a brisa no rosto e o conforto de um carro de luxo europeu.

- Pisa fundo Milla! - eu estava animado. Milla acelereou dentro dos limites permitidos.

Rodamos por Niterói, eu no Porshe prata com aquela mulher linda ao meu lado, aproveitei para esnobar, pois não é todo dia que recebo uma carona de uma mulher desse nível.

Pensei no sonho que trepar com mulher feia agora seria coisa do passado, agora só teria a Milla na jogada. Passei em frente à minha faculdade, olhei para aqueles playboys toscos com suas patricinhas sem cérebro, foi aí que um playboy otário. Empinei a cara enquanto o vento batia em meus longos cabelos, eu me sentia o máximo.

- Aí Obscuro, tá só na carona... Ah... vai "arroz". Só acompanha! - disse um playboy escroto que detesto.

Fiquei puto, odeio babaquice comigo quando estou com mulher ao lado. Estávamos perto da pizzaria, Milla olhou para ele com nojo, e mesmo a cara de zangada dela é um espetáculo.

- Ninguém fala assim com você na minha frente! - Milla falou com tanta firmeza, fiquei impressionado.

Vi aqueles lindos olhos por detrás do óculos, que bela visão... que sensualidade, coisa de louco!

Milla estacionou o carro, saiu e deu a volta, eu saí também e íamos até a pizzaria, o playboy babaca ficou afastado a nos observar, então entramos. Milla disse que pegaria a pizza e refrigerantes para a gente. Eu fiquei ali fora encostado no carrão, já havia tirado meu jaleco. Então o playboy tentou se aproximar e jogou umas cantadas toscas nela. Milla já estava com raiva, tentei chegar junto para tirar satisfações com o babaca, mas antes ela foi mais rápida e enquanto segurava a caixa de pizza com as duas latas de refrigerante a minha musa deu um chute no saco do paspalho. Ela veio até o carro, peguei a caixa de pizza e entramos no carro maravilhoso dela.

- Não vai esnobar mais um pouquinho? - Milla sorriu maliciosamente, mordeu seus próprios lábios e entendi que ela queria um beijo. Beijei-a suavemente segurando a caixa de pizza, ela segurava os refrigerantes. O povo fútil da faculdade ficou impressionado. O Obscuro agora beijava a Milla Jovovich... isso merecia matéria no jornal acadêmico. Não é todo dia que um cara desconhecido fica com uma atriz, ex-modelo, estilista, cantora e musa dos marmanjos e nerds.

Entrei no carro, fiz “piru” para um bando de babacas, aí ela me puxou e meu deu um beijo mais intenso, seguiu com o carro e logo estávamos dando a volta para seguir rumo ao MAC (Museu de Arte Contemporânea) em Niterói, era de tarde, saímos do carro, conversamos, comemos e bebemos por lá. Um baita clima de romance, eu pensava que tinha ganho na loteria, o melhor é que ela falava português e conversava como uma mulher bem inteligente. Que tesão, então namoramos muito observando a paisagem enquanto vinha o pôr do sol, ela sorria e ficávamos abraçados, eu me senti “o cara”.

- Vem comigo... tive uma idéia louca – eu disse a ela com bastante malícia enquanto a beijei no pescoço. Ela entendeu que o clima esquentou entre nós.

Descemos até a escada do bistrô do MAC, nos beijamos e começamos a nos acariciar. Era quarta-feira e tudo estava bem deserto, ela estava com um vestido roxo bonito e elegante com um decote discreto e seus joelhos à mostra, tinha botas roxas curtas de bico redondo e salto médio. Tudo parecia tão real... meus sentidos me enganavam nesse sonho, meus instintos estavam intensos enquanto o desejo onírico me tomava firme com aquela sedução fascinante. Tivemos beijos, mordidas, toques, arranhões e amassos intensos colados a uma parede enquanto a brisa batia em nossos corpos. Sua pele clara já estava vermelha após tantos apertos, então o segurança nos viu.

- Tá certo que a mulher é bonita e gostosa, mas tem motel aqui em Niterói. Fora daqui sortudo! - o segurança ria e sacudia a cabeça, Milla botou a língua para fora em careta e sorriu. Virou-se comigo segurando sua cintura, fiz uma cara de "deixa que eu cuido disso" para o segurança e fui embora.

Voltamos na direção do carro, tiramos fotos pelo pátio do museu, nos comportamos como bons cidadãos quietos e discretos, mas nossos rostos falavam o inverso. Seguimos de mãos dadas só namorando e contando histórias engraçadas. O mais cômico é que ela me conhecia pela internet. Tá certo que já saí com mulheres da internet e não foram poucas, mas nunca dei sorte tão grande na vida real como nesse sonho.

- Tá afim de uma loucura só nossa? - Milla propoz uma safadeza, dando estalinhos na minha boca, então eu fiquei pensativo.

- Diz o que é... Eu decido se vamos ou não – eu não ia dar tanto mole assim de cara.

- Pára de se fazer de difícil! Meninos maus como você apanham mais, sabia? - Milla tirou os óculos e os colocou na bolsinha prateada com que andava. Ela apontava um dedo para minha boca e fingi que ia mordê-lo. Ela sorria de boca fechada e passava a língua pelos lábios... maliciosa e pensativa.

- O que você propõe minha querida? - eu agora estava curioso, adoraria negociar uma diversão a dois.

- Vamos logo para um motel ótimo que conheço... até telefonei para lá, eles estão com muitas vagas hoje – Milla mordeu os lábios e passou a língua entre eles, ainda mais maliciosa que antes. Pensei que aquela noite prometeria surpresas e prazeres incríveis.

Voltamos para o carro, ela fechou o conversível e começamos a nos divertir, no carro mesmo. Milla beijava meu pescoço e bem de leve começava a me morder, retribuí a carícia e comecei a alisar suas coxas. Então ela batia nas minhas mãos dizendo que eu era um menino mau e não merecia tal intimidade. Novamente minhas mãos a alisaram, nos beijávamos, um pouco lentamente e depois ficávamos mais frenéticos, eu alisei suas costas e sentia um zíper ao meio, abaixei devagarinho e senti seu sutiã e toquei sua pele aquecendo ao meu toque, era suave e macia tão lisa e gostosa ao toque que é difícil definir, o perfume dela era o Hypnotic Poison da grife Christian Dior para o qual ela fez propaganda do mesmo, como adoro esse perfume! Com classe e cuidado eu abri com uma só mão a junção de seu sutiã e com a outra mão alisava seus cabelos carinhosamente, o soutien caiu por dentro da roupa.

- Safado! Ainda não vamos fazer aqui...guarde o doce pra festa! – disse ela com a voz ofegante e com uma falsa seriedade.

- Eu garanto que o doce não vai derreter aqui no carro, aqui é só a "entrada". O "prato principal" é no motel – eu ria com a situação e ela fingia que não queria que eu visse seus seios, mas eu os vi, ela me provocava e em poucos minutos vi seus mamilos rosadinhos e aquela pele branquíssima me deixava louco de desejo. Fiquei muito louco com aqueles seios, mas me contive, eu estava eretíssimo, com muito desejo mesmo, mas me segurei e isso aumentava minha tensão e tesão.

- Agora que viu pode brincar com carinho, brinque com meus seios – disse a musa branca ao deixar as alças do vestido caírem, deixando os seios nus. Não me contive e comecei um série de carícias com as mãos e boca nos seios dela, então ela abriu minha camisa com ferocidade e chupou e mordeu meus mamilos ávida por me provocar desejo. Eu acariciava aqueles cabelos macios suavemente e aquele pescoço pequeno e delicado estava com os pêlos da nuca arrepiados enquanto ela me chupava no peito, ela estava com o corpo quente e gemia forte durante a brincadeira, até me mordia só para me ouvir gemer baixinho.

Fomos para o banco de trás e nos acariciamos muito, estávamos excitados, mas não queríamos transar no carro, ainda não era o momento. Ela estava sentada no meu colo de frente para mim rebolando sobre minha calça e arranhava minha barriga, então eu lhe dei uns tapas na bunda, ela ria com a maior cara de sem-vergonha, chegou a me lembrar as mulheres criadas por Nelson Rodrigues, grande escritor e cronista. Mandei a Milla para o banco da frente, ela foi uma boa menina e obedeceu-me fazendo um biquinho de triste, puro teatrinho dela. Adorei!

- Dessa vez eu dirijo e por favor, não faça gracinhas senão a gente bate e aí vai ser um problema sério para nosso encontro – eu a desejava demais e me continha, estávamos com as roupas amarrotadas e quase suados se não fosse o ar condicionado potente do carro dela.

Dirigi e segui até o motel, estacionamos lá dentro. Saímos do carro, passei no balcão e ela falou com o balconista sobre reservas, então pegamos um bom quarto. Paguei o balconista uma pernoite em espécie e subimos. Nos corredores não tinha ninguém, estávamos tão excitados... Milla me atirava contra a parede com tesão e fúria e me beijava frenética até rosnando, me mordeu os lábios duas vezes e quase sangrei. Fiquei mais agressivo e também passei a correr atrás dela pelo corredor com cuidado para não fazer barulho. Ela corria muito e como era bem cautelosa não incomodava os outros quartos. O corredor era enorme, mas ela sempre se fingia de lerda só para que eu a puxasse com força pelos braços ou pela cintura. Ficamos brincando assim por uns tempos, mas ela sempre dava um mole para levar uns puxões de cabelo e tapas na bunda sem exagero, que brincadeira gostosa!
Quando Milla estava perto eu a beijava no pescoço e ela ria, tentava fugir risonha e fingia não querer nada, mas era tudo um jogo e ela era boa em brincar.

Entramos no quarto finalmente, 4º andar, quarto 404. Entramos e fomos logo tirando a roupa, então entramos na banheira juntos completamente nus. No sonho ela não tinha seus 1,73 m, Milla era pequena do jeito que gosto, devia ter cerca de 1,60 m enquanto eu tinha meus 182 centímetros de altura que marcavam uma certa grandeza física que a excitava. Nos banhamos ainda excitados, mas sem transar, foi nesse momento que nos banhamos e deixamos a banheira encher para então desfrutar da mesma.

- Gosto de jogos de sedução, Ursão. Foi ótimo escolher a pernoite, pois 4 horas de estadia nesse motel não são suficientes para saciar nossos desejos – ela ria sarcasticamente e me olhava agora levemente tímida, mas era tudo brincadeira, ela sabia o que queria e não recuaria.

Nos beijamos na banheira, fizemos massagens, nos tocamos e as coisas se intensificavam, retomávamos o ritmo das brincadeiras do corredor. Mas que desagradável... aqui no meu mundo real meu celular tocou de manhã para me acordar. Levantei da cama com uma cara de raiva, então minha mãe abriu a porta e me encontrou só de bermuda com um grande volume e perguntou.

- Obscuro, como você explica essa cara de raiva e essa ereção? - minha mãe foi incisiva e perguntou o que não devia.

- Dessa vez começo pelo fim: a causa da ereção é a Milla Jovovich, que você vai dizer que nunca ouviu falar nela. Já a minha cara de zangado é idêntica a careta que você fez quando interrompi seu sonho erótico com o Richard Gere. Estamos quites! - respondi rispidamente.

Lá se foi meu sonho erótico, nem deu para completar o sonho. Tive um dia tedioso na faculdade, encontrei aquele mesmo payboy babaca da faculdade com aquelas piadas sem graça, passei naquela pizzaria e apenas olhei as pizzas na vitrine pois estava somente com a grana da passagem. Não tive nenhuma conversa interessante em nenhum local pelo qual passei durante o dia, ao chegar em casa ninguém interessante apareceu no orkut e MSN, só notei gente sem assunto que me adicionou por alguma razão. Mesmo tendo um dia ferrado tive um bom sonho interrompido, então será dificil esquecer esse meu passeio com a Milla Jovovich.


- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2008.

Foto: Milla Jojovich em campanha publicitária para o perfume "Hypnotic Poison" por Christian Dior.