domingo, 9 de janeiro de 2011

ELE É O CARA


ELE É O CARA

Vou falar
Doa a quem doer
O William Bonner
O Zeca Camargo
O Luciano Hulk
O Faustão
Infinitos sem fim outros
São a legitimação da hipocrisia humana
Eles sabem
Facilitam as negociatas nas politicagens empresariais
São coniventes
Corrompem o Brasil
Seus sorrisos amarelamentem falsos vendem nosso país em promoção
Alienaram sua alma por milhões
Infinitas prestações
Monstros destruidores de um Estado Maior
Ciência exata da representação de suas palavras
Estão aniquilando a sociedade com seus programas
Garotos de programa
Não aceito em hipótese alguma a palavra inocência pra eles
Não são inocentes
São filhos do dinheiro sujo
Não estão nem aí
Muita gente boa morre, servindo como moeda na troca das elites.
Dou de cara com o moleque, saindo do Beco de Eduardo Marinho.
Sua pistola cromada
A verdade de um menino boleiro, abandonado na serventia do crime.
Não por acaso
Não se tornou um craque
É triste
Que vencedor, que nada.
Anos de convívio desumano
Escassez de pessoas interessantes
Eu não sou tão atraente
Sim
Falo mal da nata da sociedade
A simbiose dos meus escritos é descrever essa realidade cruel
Contudo
Escrevo tudo do meu apartamento no Leblon
Bebendo uma coca-cola gelada
Ou
Saboreando um uísque
Sinto-me mal por isso
É difícil assumir-me parte da elite por mim criticada
O passo na estrada dos invisíveis sociais de Luiz Eduardo Soares eu não dei
Fazer parte do resto, com tudo, é pra poucos.
Eduardo Marinho faz
Ele é O CARA

Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

sábado, 8 de janeiro de 2011

SIBILA


SIBILA

* Escrito para Lanóia depois de alguma conversa sem sentido e o pq alguém tinha me pedido um conto que incluísse um pacto e meias sete oitavos.


Era uma noite fria do começo de junho. Meu carro havia parado no meio de um imenso nada, o celular não tinha sinal e eu esperava na estrada, sozinho, desempregado, falido e mal pago. Depois de quinze minutos de raiva e recriminação, parei de pensar e apenas esperei. Preparava-me para desistir daquela tolice, quando Sibila surgiu das sombras e ficou um momento imóvel, a silhueta recortada contra o céu.

Nenhuma luz brilhava além do clarão mortiço da lua minguante que delineava as curvas que eu conhecia bem. Estava na mesma encruzilhada onde dez anos atrás eu a invoquei pela primeira vez.

— Pontualidade. Gosto disso num homem, especialmente quando ele é meu.
Meu coração começou a bater tão forte que meu peito doeu. Tive esperança de que ela não viesse. A saia balançava suavemente, respondendo aos movimentos do vento, mas ela não se afastava do ponto onde as estradas se encontravam. Atravessei a distância que nos separava tremendo, enquanto Sibila me saudava com um aceno e uma rajada de chuva fina e gelada, um truque bem típico dela.

— Você não me deixou muitas escolhas, deixou?
Sempre que pensam em seus demônios, as pessoas pensam em calor. Eu penso em frio, mas tinha esquecido que, ao voltar àquela encruzilhada, sentiria muito frio todo o tempo e não só pelo clima.

— Não reclame. Foram dez anos felizes que te dei. Uma família bonita, bom trabalho, grana. Tudo que me pediu, sem tirar nem pôr.

— Você se esqueceu de dizer que me tiraria tudo, assim.

Ela sorriu quando me aproximei e abriu os braços.

— Vem fácil, vai fácil. Você sabe que não sou nenhum anjo.

A pálida luz da lua brilhando em seu rosto produziu o resultado de sempre: uma quebra na linha de pensamentos infelizes. Aquela mulher era uma festa para meus olhos. Sorri, esquecido por um momento da razão do reencontro.Ela sorriu também, antes de me envolver num abraço, antes que eu me perdesse em seu perfume, antes do beijo. Era uma velha amiga que, com o passar dos anos, havia se tornado inimiga, mais uma na imensa lista de amigos a quem eu havia traído. Uma das muitas pessoas dedicadas a arruinar minha vida.
— Tá, sou seu, mas deixe minha família em paz. Eles não te devem nada.

Ela sorria enquanto deslizava a unha afiada e vermelha pelo meu rosto, deixando uma trilha de sangue. — Deixo. — Lambeu o sangue suavemente.

— Vamos terminar logo com isso, então.

Ela tirou o vestido e ficou ali, no meio da estrada, vestindo apenas suas meias sete oitavos e os sapatos de saltos intermináveis. O tempo passava denso e escuro. Fechei os olhos. Não precisava ver para saber que ela tinha uma tatuagem em forma de estrela na virilha, ou de como seus seios eram perfeitos. Na última vez, tudo me foi dado depois de um beijo. O beijo de agora seria o pagamento. Minha alma e tormentos menos suaves pela eternidade.

— Tic TAC tic TAC tic TAC... Vamos, querido. Tenho outras almas para tomar.
O tempo passava. Eu lutava para encontrar uma saída, mas não havia, a menos que fosse um bom exorcista. Desajeitado, beijei-lhe a tatuagem na virilha; ela contorceu o rosto num esgar de prazer, enquanto eu murmurava minhas últimas preces, as orações mais sentidas e verdadeiras que jamais fiz. Sibila gargalhou, ergueu-me pelo queixo e gritou alguma coisa que não pude entender, numa língua gemida, língua que já devia ser velha e esquecida antes que eu sonhasse em nascer; e, mesmo sem ter entendido o conteúdo das frases, senti meus pelos se eriçarem enquanto ela as dizia.

Antes do beijo final, ouvi um rosnado baixo, um desafio, vindo das margens da estrada, de onde surgiu uma figura negra e graciosa. Sibila largou meu queixo e disse algo suave e gentil à sombra escura e lhe estendeu a mão. A sombra respondeu com mais frases na língua morta e cravou os dentes no braço da minha bruxa, que cuspiu em sua direção.
Então, Sibila olhou para mim, e se eu duvidei por muito tempo que ela fosse o que dizia ser, agora tinha certeza: seus olhos vermelhos chisparam sobre mim, depois se torceu e se retorceu até virar algo que lembrava um gato, para desaparecer na noite. A sombra que viera em minha defesa desapareceu também e eu fiquei ali com o coração aos pulos.
Então, um ronco de motor à distância quebrou o encanto: um caminhão descia a estrada buzinando para o louco parado na encruzilhada. Caí no acostamento vendo o vermelho das luzes traseiras do caminhão, depois os insetos, depois as estrelas, depois mais nada. Corri para o carro, fechei os vidros e esperei por algum socorro.

Isso foi há uma semana. Sibila ainda vem à minha casa cobrar a dívida. Não aparece todas as noites, mas vem na maioria delas. Entra pela janela do banheiro e murmura coisas naquela língua estranha, desliza a língua pelo meu corpo e desaparece quando ouve o rosnar das sombras. Não sei o que fiz para merecer a ajuda, e egoísta e amedrontado, tento ser bom para que ela não suma.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011













Vênus saiu das águas numa manhã de Sol muito forte em Copacabana. De repente, algo ocorreu em na praia, algo peculiar. As pessoas homens e mulheres começaram a observar aquela moça. Tão bonita em sua beleza irretocável, era algo simplesmente diferente, extasiante. Ela era muito mais bonita do que qualquer banhista, modelo, atriz ou vizinha de condomínio. Um corpo perfeito, um cabelo que começou a secar ao sol e que formava um volume que realçava seus olhos e rosto. Ela era o desejo em pessoa. Ao ser vista, pensamentos ardentes se materializavam no ar. O seu jeito era febril. Ela era etérea e significava simplesmente, tudo. Era impossível não olhá-la ao caminhar atravessando a areia quente.


Ajoelhou e disse a um rapaz. Atônito, ele tremia.

Posso pegar seus chinelos.

São da minha mulher... mas pode sim

E a canga?

Claro, leva.


Continuou seu desfile, num gingado sublime.

Passou na barraca e pegou uma água de coco. Ela apenas tocou o balcão e sorriu aos freqüentadores. Ao chegar ao calçadão, o trânsito foi seu mar na cidade. Distraída, passeou seus chinelos e dedos delicados pelos vista dos retrovisores e vidros fumês, e os motoristas – ah! os motoristas !!! – eles começaram a descer dos carros, parar e filmar. A claridade da manhã incidia sobre o caos fazendo tudo ficar leve pueril e simples. As mazelas os defeitos as raivas os pecados os segredos e as desgraças, e também os medos, tudo se dissipava ali, na instância daquela mulher.


De repente, uns passos rápidos às suas costas.

Ei ei minha mulher quer os chinelos dela de volta, e a canga

Os chinelos...?

É sim, sim


Ela o olha, ele não resiste

Ele a beija eles se beijam

Que isso você ta beijando essa mulher, que porra é essa


Eles se separam

Que putaria é essa porra

Nada ... nada... você é linda demais hehebahua meu Deus


Ele se ajoelha e pega sua mão

ela sorri

Ele treme sua mulher o bate

ele sorri


Que que ta acontecendo aqui (um mortal pergunta)

Essa mulher aí ta tirando a roupa no calçadão, ta doida ficando pelada (uma outra mortal diz)

Essa mulher ta mexendo com o meu marido ( a mulher dele diz)

Os olhos esbugalhados da multidão e o sorriso de Vênus se degladiam. E venceu a multidão.

Todos querem se aproximar, ver de perto, sentir o cheiro, poder observar detalhes, nuances, pintas, formas. Ah muitas vozes no ar (mortais), um turbilhão de pessoas toma o espaço em volta dela, e Vênus é tocada, beijada, acarinhada, arranhada, esmurrada, quebrada e feita em pedaços, em poucos minutos.


Alguns saíram com nacos do seu corpo envoltos em suas camisas, correndo pela avenida e sendo perseguido por outros menos afortunados, uns levaram ao mar e nadaram até o meio do oceano atlântico pra morrerem loucos apenas pra ficar na exata solidão com seu pedaço ideal dela; fosse uma mão apodrecendo do sal quente do mar, ou um parte do seu lábio inferior e queixo, cova e pele morta.


Isso foi numa manhã em Copacabana...

O fato não repercutiu.

Foi hedonismo supremo.

Todos os envolvidos negam e ficou o pensamento pra quem não conseguiu sua parte da deusa; mesmo se indignando com os estupros e casos de pedofilia nos telejornais, a vaga idéia “- mas dela eu devia ter arrancado um pedaço”
#

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Outro

Sou outro, outra vez
refletido em um rosto que não reconheço
não sei onde me encontro
não sei qual é o preço
da sanidade que não controlo
da ingenuidade que me consola
da concordância com o mundo
ou da revolta que ainda guardo
há na mente tantos quartos !
Tantas lembranças, tantos fardos
mas vou à luta novamente
erguendo-me da lona
onde atirado estava
no fundo da minha vala
que cavei para me defender
dos assaltos ao coração
da covardia e da traição
da minha própria condenação !
sem defesa e sem juiz
me acuso continuamente
por teimar em ser feliz
por sorrir serenamente
enquanto o caos me consumia
levando os socos ainda sorria
fingindo ser tão poderoso
inatingível e inalcançável

Era outro eu que se valia
da bravura e covardia
que dissimuladamente exibia
Estóico !
era o brado que retumbava
nos caminhos onde passava
Heróico !
feitos meus que não contei
que nem mesmo acreditei
terem sido obras minhas...

Mas isso é passado de um outro
que guardo longe dos olhares
e me acompanha aos lugares
sem ser visto por ninguém...

Mesmo comigo ele insiste
quer provar que ainda existe
quer provar que é alguém

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

das coisas belas e sujas

essa face rasa respinga
no concreto
é o asco que abarca seres
rancorosos e magoados
iguais a você

surge com suas mãos
seus dedos sobre olhos
máscaras de esconder
com toque nocivo
que desdenha o que
mais quer

feche o punho que a vertigem
é mais soco que miragem
reflete o que há de belo
e aceitável

é imiscível com o que trago
sou suja, incurável
muco e substância
fétida

não vivo em seu mundo
e se sou uma qualquer
não sou para seus olhos

o que há de mais precioso aqui
é o que não pode alcançar
ou ao menos perceber.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Joio



Pra ser sincera:

sei que te assanho
e tiro o sossego.

Às vezes me entrego...

Mas na maioria,
é só brincadeira
e se aperta,

eu espano.

Tenho um escudo
à prova
de perdas e danos.
--------------------

Em janeiro, no dia 21, estarei no primeiro sarau do

que acontecerá no Bagaça Botequim, em Sampa.
Nos vemos lá!

sábado, 1 de janeiro de 2011

jack daniels

hei, jack
I am back
after you try give me a tack
I said: hangover is a sack

---
poemeto ridículo que fiquei repetindo no dia primeiro, após agradecer aos deuses da bebida a falta de ressaca. viva jack!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Convidado José Hamilton da Costa Brito


O SUPINO

O dia mais difícil da sua vida...houve?
A vida corria, como se diz: legal.
Um dia o menino ficou em pé na porta da cozinha, com as pernas e braços abertos. O cachorro da casa, não tendo por onde passar , “vazou” por entre as suas pernas e o levou junto lá pra baixo...a casa ficava mais elevada, para evitar os danos do rio, nas enchentes.
Um braço quebrado. Era tarde, quase por anoitecer. Seu tio colocou-o nas costas e foi rumo à estação para pegar “ o noturno”; esse, já havia partido. Restou uma caminhada de mais de vinte quilômetros até a cidade, onde os cuidados médicos seriam tomados. Fazenda naquele tempo...tinha carrão, não.
O tempo passou, o braço sarou e a vida mudou.
Já meninão, foi estudar para ser padre, por influência do meio no qual vivia e porque alguns amigos disseram que iam,.foi também.
Rezar, estudar, praticar esportes. Quando não era assim, era praticar esportes, estudar e rezar. Vocês sabem o que é o supino? Pois é: ele sabe.
Nos retiros espirituais, por ocasião da semana de carnaval, incomunicabilidade por três dias consecutivos. Formava-se grupo de três seminaristas que caminhavam pelas dependências do seminário, sob observação dos padres e a única coisa permitida era rezar o rosário. Havia um puxador e os outros ficavam com os ora pro nóbis.
Ave Maria, cheia de graça: “cacete, você me deu uma paulada naquele lance”, o senhor é convosco” ah! Você que é frouxo”, bendita sois vós: “ frouxo é sua mãe, seu filho da puta”
E assim oravam, conversavam e acho que Nossa Senhora ria lá de cima...corja!
Havia um padre que gostava de vinho.No ofertório, o coroinha colocava três gotas no cálice.O padre ficava esperando, olhando com cara de bravo. O menino colocava mais um pouquinho...nada.O padre ali, olhando feio.O jeito era derramar.Um dia, na sacristia, o padre disse:
-Olha, “firio” io non vô ti excomungá. Vô te quebrar a cara, desgraciato.O vinho é seu?
Deus dispôs e o menino saiu do seminário. Na verdade, Ele pôs um rabo de saia no caminho do já adolescente, em uma das últimas férias. Foi-se o futuro papa brasileiro. Ficou sabendo de uma língua que já era morta; mas o que deu de trabalho, a desgraçada. Com ela que ficou sabendo do supino, do dativo, do ablativo etc.
Tomando o café da manhã na companhia do bispo, estava descascando a laranja com garfo e faca. A maldita escapou, correu pela mesa, bateu no bule de café, caiu tudo na roupa do santo homem.Foi excomungado.Virou Corintiano...ad aeternum.
.Por sinal, aeternum está no acusativo, regido pela preposição ad. No seminário a matemática não era lá muito estudada.Padre não aprende a somar, também não multiplica. A divisão que prega não necessita de cálculos. Só restou ao ex-seminarista, o clássico. Depois fez um curso de letras e por fim, de direito.
O que tinha que fazer na vida, já fez.
O supino?
Vide próximo capítulo ou perguntem para a Cecília, tia do Allan Vidigal.


---
josé hamilton da costa brito


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tempo Nosso


Ela não o conhece, mas sabe de seu bonito coração. Nenhuma palavra e um sorriso dele a informam que ele ama sua vida, e secretamente o coração dela se alimenta desse amor emprestado. Um olhar ao som do abrir de latas de cerveja é suficiente para dizer a ele que ela está muito feliz exatamente onde está, justo ela, que não é lá exatamente um terreno fértil para alegrias fáceis. Ela sabe que esse seu momento é dele também (um tempo compartilhado), e uma risada vem coroar o feliz segundo seguinte. O perfume dela o faz lembrar que ela é de carne, e o mês é ideal para essas coisas de carne e alegria. Uma cadeira amarela de plástico é trono, e as mãos caladas juntas conversam. Num entendimento mútuo as bocas se beijam, e do silêncio da boca dele ela só ouve bem-querer. Ela não diz, mas sabe que ele escuta. Os corpos tagarelas lamentam ter estado longe, mas logo correm atrás do tempo e sentem os segundos passar, tempo que agora é corpo, um corpo - o pecado mais acertado que poderiam cometer. Uma pele comemora ter encontrado a outra para descansar, como é bom se vestir de pele alheia, e ela poderia ficar embaixo dele por horas. Ele sabe que isso não acontece todo dia, e ela sabe que ele a prefere às outras. O silêncio é como se fosse de reencontro, misturado com despedida. As bocas se calam, mas é só pra deixar os corações, agora quase colados um ao outro, conversarem em alta e boa batida (quantos centímetros separam seus corações?). Os segundos seguem passando, agora correndo, escorrendo entre os dedos que entrelaçados tentam segurá-los. Voam rápido, a deixá-la descabelada. Ele consegue salvar alguns para o dia seguinte, sempre tão bom com essas engenhocas de tempo, e os presenteia a ela, que com um beijo em seu ombro nu agradece. Mas seu estômago sabe que agora a hora é de despedida, são dez-pra-hora-de-ir, e não deixa nem mais a comida entrar (o estômago às vezes tem dessas de inanição companheira - trata de não se alimentar mais de comida quando sabe que ao coração faltará amor). Seu coração sabe que com a distância vai se encher de saudades, mas ele manda na bagagem de mão alegria pra ela. O último beijo a diz que ele tem muitos planos, e sua mala na mão dele esclarece a tristeza que ele nela percebeu. A menina não é feita de pedra. Ela agora segue, sem medo. E ele sabe, ela um dia vai voltar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estômago.

    ??
    ??
   ??
  ??
 ??
??
Ué??
Cadê??
Voaram?
Fugiram?
Roubaram?
Ninguém diz.
Não me respondem.
Não sei aonde foram,
as tantas borboletinhas.
Será coisa de cientista?
Há tempos já ando notando
que quem se crê cientista
parece se sentir à vontade
para sequestrar friamente 
imprecisões tão singelas. 
Usando redes entomológicas
capturam, mecanicamente,
tudo o que o cabimento
deixava guardado em
seus devidos lugares.
Borboletinhas! 
Pequenas e
enfeitadas de
todas as cores.
Há tempos lá estavam,
de forma um pouco difusa,
armazenadas na câmara escura.
Que realmente não era grande,
mas também não era tão pequena.
Quando voavam roubavam-me o ar.
Eu suspirava com o bater de asas
dos lepidópteros que sabiam como
acusar a sua presença na paisagem.
Agora já não as tenho. como pode?
Você surgindo no horizonte é coisa
tão irrelevante, que me faz pensar
que carrego dentro de mim um vasto 
silencioso cemitério de borboletas. 
Quem se responsabilizará por esse
sumiço repentino dos seres que me
faziam reconhecer que entre alguns
encontros e tantos desencontros, 
repousam doses diárias de 
ácido clorídrico e uma 
noção de amor sofrido.
Sem o voar das tais, 
me sinto vazia. 
Será gastrite?
Ou será azia?
Quero todas,
de volta.

Me dá?

sábado, 25 de dezembro de 2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Verão Incessante. [1]


É sempre assim, chega no final do ano, todo mundo começa fazer promessas para o ano novo, são inevitáveis – corriqueiras! Algumas bem cabeludas, enquanto outras, já estamos carecas de saber. O grande lance é desejar aos amigos e familiares boas entradas, nem que seja pelo cano... e, como ficam as saídas?

Amigas “4ever”

- Amigaaaa... eu já prometi pra mim mesma que no próximo ano, eu vou emagrecer!!
- Ah! Que isso?você está ótima!
- Amiga você não está entendendo... preciso perder uns cinco quilos, no mínimo.
- Pára!
- Chegou o verão. Eu quero ir a praia todos os domingos. Mas pra isso, preciso entrar no biquíni novo que comprei. Precisa vê. É lindo!
- Depois me mostra.
- Shopping no final do ano ninguém merece... Vamos comer uma pizza? Eu tô morta de fome.
- Bem... É assim que você quer emagrecer???
- Relaxa amiga, vou fazer dieta só ano que vem.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ítalo Calvino - Os nossos antepassados


Aproveito meu espaço para recomendar a leitura de três livros do Ítalo Calvino, um escritor nascido em Cuba, mas que seguiu ainda no colo para a Itália, onde despontou para a literatura.

As obras são: "O cavaleiro inexistente", que conta a história de uma armadura vazia em suas batalhas e dilemas na época das Cruzadas; "O barão das árvores", sobre o teimoso primogênito de um barão que, após uma briga com o pai, promete nunca mais pisar o chão; e "O visconde partido ao meio", que conta a história de um nobre literalmente dividido, por uma bala de um canhão turco, entre uma parte excessivamente boa e uma parte excessivamente ruim.

Os livros compõem a trilogia "Os nossos antepassados" e são - como já deve ter dado para notar pelas sinopses - obras de realismo fantástico, dotadas de um contexto histórico, mas com ares de fábulas. Os livros conduzem o leitor por um quebra-cabeça da formação do que chamamos de "homem moderno" - alienado, dividido e incompleto - e podem ser lidos em qualquer ordem, uma vez que não há relação direta entre os enredos. O caráter lúdico das histórias, quase infantis, torna a leitura prazerosa - diria até relaxante, são daqueles livros que fazem o relógio andar depressa, que te fazem descer alguns pontos depois de onde devia, essas coisas de leitor que se desprende do resto do mundo.

Não pretendo falar mais dos livros porque espero que os que se interessarem leiam eles por inteiro. A trilogia foi publicada no Brasil pela Companhia das Letras e há, inclusive, edições mais recentes - e que cabem no bolso - de "O cavaleiro inexistente" e "O barão nas árvores".


ps: uma curiosidade é que logo depois de ler "O visconde partido ao meio", li "O homem duplicado", do José Saramago, e é impressionante como os argumentos das obras se entrelaçam. Se puderem, sigam este roteiro, vale a pena.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Esfinge


Convidado: Rafael Walter [Palavra sem Teto]

"...O nome da Esfinge é Tempo..."
(Carpindo o dia - Ricardo Pozzo)

como se toda eternidade
esperasse por um momento

e no instante, o coração bombeasse
o sentimento puro, quase inocente

e num beijo, dar a sede
do desejo insaciável

e perder-se na clara evidência
do amor existente,

latente e escondido,
na palavra escancarada

dançar então, na beira do abismo
rodopiar o mundo com a força dos ventos

velejar sem rumo
admirando a "estática" paisagem

e gritar, sangrar o peito,
tragar a vida, suspirar ao alto

ouvir o silêncio,
como bela canção

falar em línguas desconhecidas
dar tudo aos pobres

e pedir a deus, o acerto de contas
porque neste instante pairou:

_ leve, o vôo da borboleta

imagem: arquivo particular.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Convidado Osmar Prestes

Perfume original

Mais original do que o cheiro de Puta não tem

Puta tem perfume original, cheira doce caseiro quente

Respira, fuma, ri, sorri, sonha, encanta tantos por pouco, poucos por tanto.

É original.

É Puta e pronto

Não há Puta falsa

Pode virar esse mundo

Puta tem preço e prazo de validade contratados

Não da pra guardar nem levar pra casa

Puta não mente

Ilude, alimenta sonhos e sonha, goza vez ou outra, coisa de Puta

E não paga

E esconde seus sonhos

Ela pode

É Puta

Tem perfume original com gosto de sal no baton

Que alimenta saudades e chora também


---



(Osmar Prestes)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Costura.

Boas festas e um 2011
pleno de conquistas!
Beijinhos.

***


Costura.


Infiltre o jeans dos meus pensamentos,
Os silêncios de gritos gemem suas mãos.
Não importa o sussurro do vento
Desabotoe minha perdição em renda.
Renda-se aos meus pés com palavras sacanas,
Preciso coser seus risos no cálice dos meus prazeres.


Não cale múltiplos gozos, não atrase ou adiante os seus,
Crave dentes, devagar, na volúpia dos meus ombros,
Veste a minha carne de saliva e caso eu pareça louca
Seja camisa de força. Force-me a pontos miúdos.
Vire noite quente a acalmar minha tara,
Muitas vezes serei sua madrugada sorridente.


Condene os tecidos ao encontro, faça-me cor predileta.
Arranhe, apalpe, alinhave minha fome a buscar sua fonte.
Olhe manso meu corpo quando eu adormecer; lamba-me.
Quero acordar com suas marcas, seu gosto, seu cheiro,
Amanhecer nua e recorrer as suas roupas. Minha intenção?
Confirmar que o sonhei alma minha em seda!


Eliane Alcântara.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Por Tão Pouco

bando de mendigos,
cuja fome é eterna,


basta oferecer
um mísero pedaço de vida


que vocês todos
abrem as pernas.


André Espínola

Soledad




É chegado o tempo da solidão.

O tempo de sentir as paredes da casa comprimindo durante o fim da tarde.
É chegado o tempo das ruas desertas e das amigas distantes... É chegado o momento em que tudo mais parece um dia sem cor.
O tempo dos celulares com bônus exagerados e dos chips que se comprometem a ligar de graça por 31 anos. Nada perdura mais que o ermo e o sentimento de que a voz, de alguma forma, consola. É tempo de se aceitar a solidão como amiga. Conviver com ela com paciência e animosidade.

Como pode se estar agora, nesse tempo, em tempos de solidão?

Meu trabalho é solitário. As pessoas entram na minha vida como uma voz. Ouço-as, mas não as conheço. Sei dos seus dados bancários, mas não as conheço. Se as conhecesse, lhes diria "oi", mas não saberia dos seus medos. Ninguém mais quer ouvir sobre os avós... Não há mais a cadeira na calçada e o tio que contava suas passagens de retirante. Ninguém mais se orgulha das raízes. Ninguém mais quer conhecer o passado mais próximo do seu melhor amigo. Eu nunca posso dividir com ninguém os singelos dias com o meu avô e sua cadeira de balanço.

Ninguém mais quer ouvir as músicas que minha avó cantava.

É chegado o tempo de cantos secretos à noite, de pequenos segredos de parafina, de escondidos gatos sobre o telhado.

É chegada a hora de recolher o pano de chita dos sonhos e fazer com ele o encosto para assistir televisão. A hora de fazer comunhão virtual com pessoas do outro lado do mundo e de se armar para a revolução com mouse, teclado e assinatura num blog de ideias.

É chegada a hora.
Nada mais existe, nem os campos de borboletas, nem os dentes de leão, nem as tardes esculpidas nas montanhas.

Só o mundo inteiro, avizinhado pela casa mais vazia com ecos de esconder alegrias, que habita dentro dele mesmo.
 
 
 
(Jessiely Soares)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Entropia


falo num idioma que entende noites
e dialoga com estrelas

meu dizer não é meu, é do universo
pois não sou de mim ou de ninguém
fui gerado para romper fronteiras
e só agora me descobri

busco a magia escondida em cumes
e a essência do átomo

semeio e me desfaço lentamente

o risco na pele é um sinal
eu sinto
mudo a cada segundo

(Celso Mendes)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sensações


A noite escura, a guerra perdida
Os olhos em fuga são colhidos pela tempestade
Que assolou aquele terreno infértil de murmúrios.

Lembranças transformadas em temidos furacões
Redemoinho de sensações
Deserto...

Os sonhos foram perdidos
A lua compadecida os acalenta
E os repousa em uma estrela...
Aquela, que se desprendeu da constelação.

Sem rubor os anjos observam atentamente
Os sentimentos expressados com ternura.

As fadas ensaiam passos novos,
bailam nas palavras proferidas que se encaixam
perfeitamente como notas musicais
Bela melodia...

A alma alimentada e os pelos eriçados...
Sentimentos e sensações jamais experimentadas.

Um feixe de luz...
O sol mansamente começa a brilhar
E nos faz lembrar que,
Construímos nosso castelo nas nuvens

Vendaval...

Desmorono

Restam escombros...

(Ro Primo)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Convidada Maria Júlia Pontes

Do que não escrevi nos muros dos colégios

É a noite que revira

Sem escrúpulos o afã

Enroscado nos muros

Dos colégios no mês de julho,

É ainda noite

Quando arrepios

Em forma de titãs

Estremecem desejos régios,

Enquanto ladram os cães

Reviram vontades de apenas ser

Num sonhado alvorecer

A rosa de Guimarães.

---

Maria Júlia Pontes


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PENSANDO NA MORTE


PENSANDO NA MORTE
PARANÓIA CARDIOPATA DE UM VICIADO


Sentado no vaso sanitário do Braseiro na Gávea
Terrificado
Penso, logo desisto.
A qualquer hora, vou morrer.
Vou ter uma apoplexia
Derrame de merda
Derramo bosta
Aqui, eu sei.
Flatulências
Não posso mais com doce
Meu bestunto tá derretendo
Não consigo respirar
Sinto dores no coração
Compressão
Premonição
Vou morrer de uma parada cardíaca
Ataque de cardiopatia
300.000 batimentos por segundo
Tô nem aí
Bato outra carreira neste banheiro nojento
Onde estou, ensaio sensações.
Pavor, não nego, tenho medo da morte.
Engulo...
... Um ecstasy
Minha testa pinga
Ouço zumbidos
Zumbis
Fantasmas
A passagem pro além eu comprei nas bocas da vida
No trem da extinção, meu sombrio embarcou.
Embaçou, meu olho dói.
Ocularmente, pressionado.
Sinto, a visão vai explodir.
A foice vai me partir
Enfarte
Não
Eu não
Socorro!
Minha cachimônia lateja
Dores
Pontadas
Náuseas
Vômitos
Por fim, a morte vem me buscar.
Não realizei nada
Ninguém me ouviu
Não ouvi ninguém
Sei que vou morrer
Vai ser agora
Não levarei saudades
Vou embora

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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

A DOENÇA É A DESCULPA DO CARÁTER

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

cardo


Escrevo

Um arremedo de poesia
sem rima nem métrica
não há regras
não há nem mesmo verso
talvez...

Um pseudo-verso
perdido na noite insone

O que eu faço?

Cardo almas irmãs
bordo caminhos avessos
distraída artesã
teço versos peregrinos
conto histórias
Do que não sou
fulgores distantes

Persigno velocinos
Em nome dos santos desvarios
Que vagam pela cabeça
Benzo os beijos perdidos
Abençôo meu amor
E esconjuro teus pecados


Rosa Cardoso

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O sol, nossos beijos e as estrelas




Sonhei conosco “sis” dias

Você com uma camiseta do Nirvana
eu de jaqueta e calça jeans

Sentados, cercados de amigos, numa mesa de bar
falávamos sobre política e sobre o Obama
e bebíamos cerveja e batida de cajuzin

Não nos beijávamos
no sonho apenas nos olhávamos como se algo ainda fosse vir a acontecer
e te convidei pra se levantar e vir comigo

Subimos as escadas até a cobertura pra ver a noite
toda sua profundeza negra
e a vastidão das estrelas
já mortas
que piscavam pra nós seus olhos de meretriz

Enciumadas por você estar ali tão perto delas tão alta a ofuscá-las
em protesto pela injusta competição, pararam de brilhar
e fizeram tolas, da noite seu rápido fim
Recolheram-se as estrelas, ao mirar em você
com tremendo assombro
mais luz que em bilhões delas

Foi-se a noite e veio assustado e surpreso o Sol emanar seu dia

Descemos então pra rua a caminhar e só então nos demos as mãos
E entre os carros e os passantes fiz questão de lhe dizer
num beijo
meu desejo de você

O comércio parou pra ver
pessoas aplaudiram
e os jornais do dia seguinte noticiaram nosso beijo na TV.

“Que bonito!
No Fantástico os amantes se beijando.
Desse crime podemos morrer!”

E o Sol invejoso de mim, ao me ver ao lado seu
esquentou suas veias e fez da manhã um fim de tarde ardente
e foi preciso fugir e nos esconder por um tempo
pra que o Sol acalmasse sua ira e flanasse vagaroso
seu costumeiro hálito de mormaço
e seu silencioso rugido quente

Te dei uns óculos escuros
pra te proteger
do olhar fumegante do meu rival enciumado

Dizia ele em delírio e febre
que desde tempos remotos brilhava sobre esta
Terra
fazendo árvores, plantas, florestas densas
animais e seres humanos
respirarem
só pra fazer você existir

Que relação perigosa, essa nossa
O Sol, possessivo de você, ameaça varrer o mundo em labaredas
As estrelas despeitadas do seu brilho
morrem fugazes e se apagam a milhões de km de distância
ao te verem ao meu lado
Sinto que o mundo corre perigo fatal de se extinguir devido simplesmente aos nossos beijos

Já eu
o único perigo que lhe ofereço
é que você fique no bar e queira beber mais um pouco
quando me ver chegar

Mas que o Sol saiba desde já
que de agora em diante
brilhe sua flama por outras saias
ou que ilumine a nós dois
descontente ou desesperado.

E que as estrelas que se contentem
frente à sua luz
com seu brilho extinto e mirrado
pois se eu não puder mais te beijar
que se foda o Sol
as estrelas
e que o mundo inteiro
então
suma apagado ...


#

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Deus Cadáver


Flutuava, atônito, ao redor de si. O peito doía, mais pelo pontapé em seu cadáver que pela passagem do metal incandescente. Seus volumosos códigos jaziam espalhados na via, à mercê dos passantes, das intempéries. A visão de sua bela toga negra, agora suja, rasgada, sacrilegamente repousada sobre o monturo de excremento canino deixou hirsutos seus pêlos ectoplásmicos. O condenado foragido, a valise, o Rolex e a carteira há muito haviam sido engolidos pelas trevas noturnais, restando, apenas, a capital sentença a reverberar em sua mente confusa, mesclada ao estampido ensurdecedor: "É, seu juiz. O senhor me fudeu aquele dia lá no tribunal. Agora, quem vai se fuder é o senhor. Quem o senhor pensou que era pra ferrar com a minha vida daquele jeito? Deus?"

Carlos Cruz - 07/10/2008

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Segunda elegia

















o homem perturbado
dialoga com a vida
e há quem diga
que é um baseado
ou que é heroína
mas ele encena
a luta diária
de se dar por nada, na perda
no movimento do outros.

o homem entende
com seus olhos invertidos
vê o que ninguém mais consegue
enxuga seus lábios tardios
enfastiados de agonia
para tentar ser feliz
vomita Euclides da Cunha
e drogas ilícitas
para se livrar das grades.

o homem interna-se
só há grades nos outros
no mundo e em si
no retrair do músculo
na tensa paz vazia
nas ocupações diárias
tenta ser livre
e solta seu verbo
na Jaceguaí.

o homem olha-se
e não vê-se completo
vê-se coagido e liberto
e dança parado
com a fumaça do fumo
e se vai com ela
como se fosse o único
a ver, a sentir, amar e perder
tudo que desejou na vida.




(imagem de minha autoria)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

alguns poemas

durante o sarau da Casa das Rosas: "Norma, a Inculta" e outros.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Natureza

A natureza

tão bela

flor roxa

azul e amarela

que coisa singela



mas se piso nela

ou jogo pela janela

Querela!



a esses mosquitos

Insisto

Citronela!

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