quarta-feira, 27 de abril de 2011

José Alencar - herói ou homem comum?

"O mineiro só é solidário no câncer". Essa enigmática frase, atribuída por alguns a Otto Lara Resende e a outros a Nelson Rodrigues, que a usou em uma peça, remeteu-me a batalha de José Alencar contra o câncer, e ao apoio integralmente emocional que o político recebeu da população e da imprensa. Podemos, contudo, ampliar as fronteiras geográficas e sociais da frase em questão: entendo que o ser humano em geral é solidário com os demais em situação de grande sofrimento, e aí incluímos tanto as tragédias naturais que afligem populações inteiras de uma vez só, como a luta de pessoas amigas ou famosas contra determinada doença.


O sofrimento diminui a diferença entre as pessoas. Doenças e dramas sérios são capazes de aproximar ou reaproximar tanto antigos desafetos como pessoas desconhecidas - vide a quantidade de doações feitas às vítimas anuais de enchentes no Brasil; a iminência da morte faz com que cada um releve o mal feito pelo outro, ambos querendo apagar antigos rancores e pendências emocionais. Na psicologia, chamamos isso de "fechar a Gestalt", que, em suma, seria como fechar de vez um ciclo. No caso de vítimas de desastres naturais, desconhecidas para muitos, tende-se a associar o sofrimento do outro com o de si mesmo: e se fosse comigo?


O que sucedeu com a opinião pública a respeito da luta do ex vice-presidente José Alencar ilustra bem esse fato. Embora poucos dos milhões de habitantes do país o conhecessem pessoalmente, seu cargo e a visibilidade política que evidentemente tinha o colocavam como pessoa quase íntima da população. Sua luta contra a doença, no entanto, em nada difere do que a maioria das pessoas faria nessa situação: lutar com todos os meios para preservar a própria vida. Muitas pessoas sucumbiriam sem demora, não necessariamente pela resistência biológica, mas pela falta de condições financeiras para se tratar. José Alencar fez 15 cirurgias no decorrer de quase duas décadas, inclusive no exterior. Aos poucos tornou-se um herói pela vida; não desdenho de seu sofrimento, mas é mais fácil tornar-se herói quando se tem condições financeiras para bancar décadas de tratamento e ter a luta pela vida divulgada emocionalmente dia a dia pela imprensa.


Essa verdadeira "santificação" já foi vista uma década atrás, quando Mário Covas também enfrentou durante alguns anos a mesma doença que o recém-falecido Alencar. Embora ambos tenham sido políticos tidos como honestos, e de fato jamais possam ser comparados a ícones da desonestidade e da má política como Paulo Maluf ou Joaquim Roriz, também não podem ser alçados a modelos irrestritos de conduta. Covas chegou a brigar com manifestantes na rua e José Alencar, embora tenha dirigido sua vida política de forma discreta, sem percalços, manchou sua reputação ao se negar a fazer um exame de DNA, que comprovaria ou não a paternidade de uma professora já aposentada. Exame esse postergado desde 2001. Seria o medo da desonra, a que o político se referiu algumas vezes nas últimas semanas de vida? Ter um filho fora do casamento, no entanto, para mim é menos desonroso que renegá-lo anos a fio. E nunca é desonra reconhecer deslizes do passado.


A luta pela vida e a serenidade pela proximidade da morte são atitudes que devem sim ser louváveis, mas de forma alguma apagam os erros e equívocos das pessoas durante sua vida. Tampouco se trata de heroísmo, como relatado por setores da imprensa. Ser herói é sacrificar-se pelos outros, como o fez o policial que ajudou a deter o assassino dos adolescentes em Realengo, os bombeiros em situações diversas de salvamento, os funcionários japoneses que entram na usina de Fukushima para avaliar os riscos para a população, ou alguém que luta com o bandido para proteger a pessoa amada.




E então: ...herói ou um homem comum?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Abafado



Quando vem a brisa


mesmo que se arrastando


as folhinhas comemoram

dando cambalhotas

pelo amplo calçadão


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pálpebra açucarada

por Angela Gomes, Tullio Stefano e Ricardo Pozzo

Sapatos bordados de azul
Sol crepitante no asfalto rasgado
A queda de um anjo

Vermelha aspereza cravada
Na pálpebra açucarada
Da incerteza dos dias.

Tão certos como a agonia crivadaNo mel que não bebemos
O gosto que furtamos da boca

E não falamos porque é sumo
Da queda e da palavra
Privados da infinita beleza

No ácido corrosivo do tempo
Realizando no espectro de incertezas
As ilusões que se desfiguram com o vento.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Convidado Almandrade

...

O olhar inquieto
do viajante
desloca a paisagem
arranha o memória
depositada
no que restou
da arquitetura.

---

Que provocação faz
o artista
diante da arma?
Um pesadelo
Um mundo em tédio
Vida estranha
Um grito que quase
ninguém  escuta
Um sentimento de medo
A arte busca
o impossível?
Apenas uma
atitude reflexiva.

---
Almandrade

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Adoração

 
 
Em meu sonho de delírio 
muitas terras visitei
colhi flores em campos distantes
mergulhei em praias que nunca verei
corri em estradas de pedras
dormi em desertos doirados 
vi,
senti,
bebi,
comi,
uma quase infinita beleza,
mas nem uma és como ti,
amada,
adorada
encantada.
Fortaleza!

(Talles Azigon)
Feliz Niver Amada Fortaleza

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Entre o espanto e o nada


Existe uma lânguida poesia enclausurada neste portal,
um borrifo de pensamentos anacrônicos, obsoletos,
versos velados marcados de cores e odores habituais.
E existe a poesia calada do cancro infiltrada nas vísceras
a apodrecer palavras reticentes;
um engasgo bruto, uma turbulência de rompantes na língua.
Existe uma língua querendo tornar-se idioma,
um pássaro pousado,
um matiz de arco-íris no meio da noite.
Existe a palavra pingada no oco do céu de uma boca pedindo socorro.
E o poema perdido que ora berro
é só uma mentira
trancafiada
entre o espanto e o nada.

(Celso Mendes)

domingo, 10 de abril de 2011

Convidado Adilson Cordeiro Didi

NÃO ECONOMIZE!



Não economize sorriso!
Doe muito e à vontade
Sem dó nem piedade

Não economize amizade!
Bem acima do teto, sem piso
Faça-as sempre aos montes

Não economize carinho!
No porvir, agora, outrora, dantes
À noite, à tarde, de manhã cedinho

Economize muito o rancor!
O ódio, a dor e o desamor
Economize também a vingança

Jogue fora a forra e a mágoa!
A bronca e a desesperança
Desarme a fome e a falta d´água

Não economize fé e esperança!
Nem alegria, harmonia e bem querer
Gentileza e afeto, é o que vai receber

Não economize fraternidade!
Plante a paz, a bondade e o amor
Sinta a ternura expressa numa flor

Faça da sua vida uma vida só de luz
Siga a estrela-guia que nos conduz
Veja no céu desenhos do rosto de Jesus!

---
Adilson Cordeiro Didi

sábado, 9 de abril de 2011

ONDE TÁ O BAGULHO


ONDE TÁ O BAGULHO

Chegando a Búzios
Blitz
Encosta o carro
Tão indo ou voltando?
Indo!
Então têm
É melhor dar na minha mão
Se eu encontrar vai ser pior
E aí...
Só vou perguntar uma vez
Onde tá o bagulho
Vão bancar que não têm nada
Então...
Abre a mala
Dentro...
Violão
Pandeiro
Saxofone
Hehehe...
Aposto que vou encontrar
Achei!
E agora
Dinheiro ou delega
Quanto podem perder
...
É assim...
... O dia a dia dos maconheiros nas estradas brasileiras
Veja bem
Maconheiros classe média indo pra Búzios
Maconheiros pobres indo pra Duque de Caxias
Entram na porrada
Muitos...
!!!Morrem!!!

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

sexta-feira, 8 de abril de 2011

novenário torto



faz tanto tempo, meu pequeno
leio tuas entrelinhas gritadas
e me escondo nos entremeios

protegida pelos símbolos
escorrego na tua língua
uma imagem quieta e perdida
nessa retina cansada

há tantas nuvens, meu menino
e a chuva caindo
sobre teu sorriso de quem desentende
e se surpreende
com esses barcos desencontrados

a poesia,essa menina danada
trepada num galho
recita versos que caem no meu colo

enquanto durmo

recito teu novenário
feito de sorrisos distraídos e àvaros
sonhos de praia perdida

teus olhos sussurram
deslizam céu e mar
eu presto atenção

mão no queixo

soletrando pelo dia
tuas palavras avessas
construo barquinhos de papel
de versos esquecidos
que guardo bem na curva
perto da aurora


...aquela que não te dei
 
(rosa cardoso)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Matar ou Morrer !!!

"Deseim" de Luiza Guedes


Começa assim...

O risco profundo da tinta
na pele
O som silencioso das palavras
nos olhos
A cócega estranha da voz
na língua
O sorriso singelo; dela
na boca
O toque sutil dos dedos
na nuca
O suor envenenado escorrendo do colo
aos seios

o abraço eterno dos amantes despencando em gozo sobre e adentro o precipício
suas mortes anunciadas
congelados num instante divino
seu sexo abrindo novas dimensões
trazendo Atlântida submersa à superfície
existindo eternamente num mero segundo etéreo

e à noite rondando suas casas
soturno; o desejo

e d’agora em diante é matar ou morrer
cuidado!!! perigo!!!
à espreita sorrateiro no canto atrás da porta esperando
a hora certa
de pular no seu pescoço

não abra sua janela
não cubra o rosto ao dormir
revólver engatilhado sob o travesseiro

viver na corda bamba, na ponta da agulha, no fio da navalha
sangue coagulado nos lábios depois de tomar surra da própria vida

então
põe gelo, merthiolate e beije a boca de quem você queira
pois antes que morra
de desejo;
mate-o

#
http://hotelsete.blogspot.com/

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A TRAVESSIA

Matem-me amanhã
e serei novamente um cadáver agradecido
com um sorriso nos lábios
e a tranqüila serenidade
daqueles que não souberam que partiram,
dos que se foram sem se despedir
(lançados ao espaço por desproporcionais choques de massas)
enquanto o corpo descrevia uma parábola descendente
parando no meio do asfalto, meio morto
(morte de cachorro louco, dia frio, na beira de um meio-fio)
Nós,
os que sempre se vão na hora errada
não queremos mais mundos obscuros
onde as lágrimas não podem passear pelos rostos
e as dores não podem ser acariciadas
à luz do dia
Todos os dias
Por conta dessa noite de virgens loucas
a poesia nada mais é que um momento trágico e mágico
eternizado por uma pena perdida
(no fel da loucura embebida)
servida em cálices altos
aos que se embebedavam
no festim da vida
E por conta de toda esta embriaguez
é que viramos a cidade de pernas pro ar,
somente para encontrar
um par de pernas
cruzadas
Os que vierem depois disso quase nada entenderão
(farão falsos discursos em monocórdios maquinados)
mas o mundo muda de repente (à revelia)
e a travessia pode se dar à qualquer hora
confirmando assim a única certeza da vida
Meu presente para o futuro é um passado sem glórias
Ainda agarro a felicidade pelos cabelos
e a beijo sem volúpia e sem vontade
apenas para ter o prazer de lhe cravar os beiços

domingo, 3 de abril de 2011

interlúdio

sobre a cômoda
descansa um rosário
a sala está fresca
e os mensageiros ondulam
com o vento fraco

peço pouco da vida
não espero quase nada
o cigarro treme
entre os dedos
desaprendi de chorar

não há brilho na caduquice
nem silêncio nas bardanas
o gato com patas para o alto
sabe sorrir dormindo
queria aprender com ele

A voz do vento...

(Sonia Cancine)
.

Uma voz firme nos ouvidos
Seduzia em palavras ardentes
Onde a voz do vento anunciava
Que a noite tinha chegado.

Estava muito frio e eu?
Não queria desafiar o vento.

Eu só peço a Ti, meu Deus.
Que não me deixe assim
Esquecida tão facilmente.

Então, olhei ao longo da margem do rio.
Lá estava ele tão só, e somente
A lua se banhando como deusa prateada.

Tu se deitarás, na hora do crepúsculo
Em pensamentos ardentes numa relva macia.

Uma paixão interna que me foi destinada

Uma lembrança

Que trago do portal empírico.

E recebo neste rosto pálido de sorriso largo
Uma estrela do céu nublado

Imagem induzida a cheiros, nuance de prazer e dor.

No duro chão de pedra

Depois de meus pés cansados não haverá lugar

Que não revele meu semblante
- o perecer do que sou -

Perderia eu a inocência de gente?

sábado, 2 de abril de 2011

Prelúdio

Tua boca descreve apocalipses.
A minha devolve espasmos,
ipsis literis.

Tua boca manda coisas,
inconteste.

Meus dedos
deslizam orgasmos
em teu vértice.

Engastados em minhas órbitas,
fractais dos teus olhos sábios.

Enquanto teus dedos molhados
contornam

pequenos
e grandes
lábios.

(do livro Leoa ou Gazela, Todo Dia é Dia Dela)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

já viu n´O Bule?



Em mal traçadas linhas (micronarrativa)
Por Munique Duarte


Hammerskins (micronarrativa)
Por Danielle Sousa


Por Daniel Lopes


'Constelação de ossos', de Bárbara Lia (sorteio)



Por Rogers Silva


A dança (conto)

Por Geraldo Lima 


O balneário (micronarrativa)
Por Rodrigo Novaes de Almeida


Por Claudio Parreira 

>>> TUDO isso e mais n’O BULE ( www.o-bule.com )

quarta-feira, 30 de março de 2011

Convidado Jean Andrade

COISAS QUE JÁ VI


Nas minhas andanças pelo Brasil, já vi muitas coisas, algumas absurdas, bizarras até, outras até que nem tanto, mas intrigantes. Já vi enchentes cobrirem cidades inteiras, já vi muitas árvores voarem como se fossem papel em dias de muita chuva, carros rodopiarem na pista lisa, um caminhão que passou direto na curva e caiu em uma ribanceira, comentou-se que ele já havia enfartado antes de sair da estrada. Uma carreta de refrigerantes tombada e com o motorista ainda nas ferragens, e o povo só queria saber de catar os refrigerantes que estavam espalhados. Muitas coisas absurdas eu vi. Já vi um avião cair em um pasto matando simplesmente uma inocente vaquinha, depois de decolar do aeroporto de Vira Copos em Campinas SP, está pensando que é brincadeira? Não é não, realmente eu vi, passou por cima da Rodovia dos Bandeirantes no momento em que eu passava. Quem viu o jornal nacional vai lembrar. Já vi também o Presidente da República e apertei sua mão em Pouso Alegre, Sul de Minas, em uma obra de duplicação da Rodovia Fernão Dias. Ao apertar sua mão, ele me puxou e afundei na terra sujando o terno do Presidente Lula. Foi engraçado e constrangedor ao mesmo tempo, mas aconteceu.

Vi o sol se por em um colorido sem fim, diziam que era DEUS em mais uma de suas pinturas, vi a noite chegar repleta de estrelas brilhantes, algumas delas caiam, eram estrelas cadentes e cada vez que eu as via cair, um pedido eu fazia. Do mesmo modo que vi o por do sol, também vi o nascer de um novo dia, e que lindo também era, outra pintura de DEUS? Com certeza! Vi dias de chuva e também de sol muito quente e também vi, no mesmo dia, sol e chuva ao mesmo tempo, é a natureza e quem observar um pouquinho verá um milagre á cada minuto. Pelas estradas do Norte, apostei corrida com uma raposa às margens da Belém-Brasília, quase ganhei. Vi aranhas do tamanho de uma mão atravessarem a pista, que arrepio me deu! Tamanduá e macacos têm de montão por lá. Na Ceasa de Belém, por ser no meio de uma mata fechada, sempre via casais de arara voando baixinho por ali. Fui, certa vez, perto de um rio e me disseram: cuidado! Tem sucuri por aí! Tá louco - gritei e voltei correndo para o caminhão. Era tudo mentira, só para me ver correr dali.

Éh! Já vi muitas coisas, muitas cidades e estados, sotaques engraçados e incompreensíveis, pessoas muito diferentes e muito legais também. Em Sergipe, um garoto queria que o trouxesse para São Paulo, Perguntei-lhe se ele queria visitar alguém por lá. Apenas me disse que não, que eu o levasse e o deixasse por lá que ele se viraria. Claro que jamais faria uma coisa dessas, pois ele não tinha noção nenhuma de como era São Paulo.Seria apenas mais uma criança de rua e... quem sabe, mais um marginal. Vi amigos se tornarem caminhoneiros e também os vi morrer nessa profissão, momentos tristes eu vi e vivi. Faz parte. Vi bandidos assaltarem um posto e depois matarem um motorista, vi que ninguém entendia nada daquilo que estava acontecendo, vi greves de caminhoneiros sem benefício algum, vi policiais tomando o dinheiro suado dos caminhoneiros dizendo que era o café, vi e me estressei, não queria ter visto. Já vi mulheres ao volante de uma carreta, e vi um brutamonte em um caminhãozinho de pequeno porte, achei legal ver isso. Muita coisa eu já vi e, com certeza, verei muito mais, pois a vida continua e eu continuo vendo tudo por onde eu passar. Faça como eu, pare, veja, reflita. Em toda parte existem coisas belas para serem admiradas, coisas legais, curiosas e até absurdas, mas existem e aí estão. O mundo é para ser visto, admirado, portanto veja, mas com reflexão e proveito. O que não presta você joga, o que for bonito você leva.


---

Jean Andrade

 

terça-feira, 29 de março de 2011

Dia vinte e (nada de) nova

Chegou o dia vinte e nove, esse que me convida a escrever e compartilhar, aqui. O meu dia (olha só, um dia inteirinho pra mim, melhor aproveitar). Mas cada vez me sinto menos escritora (minha tarefa de bebedora segue inabalada). Encaro essa página de postagens do blogspot.com por longos períodos, e chega a mim um certo desespero - sou a única? Me canso inclusive de falar sobre minha falta de inspiração, a gente pode mamar da mesma fonte até um certo limite.
Mês passado tive sorte, olha só, não houve vinte e nove - ufa, podia fingir não escrever porque o calendário não deixava. Nos anteriores esperava ansiosamente minha hora de postar aqui, mas a vida foi tomando conta, sabe? Me ocupou de resolver papelada, rever velhos amigos, mudar de cidade e de país, procurar emprego e deixar meu apartamento. Me deixou com teto e sem teto, ao mesmo tempo. Em casa e absolutamente estrangeira, ao mesmo tempo. Diacho de mundo velho sem porteira, diria meu vô, que dizia pouco. Talvez fosse esperto o vô Jorge, quieto ficava enquanto as tias fofocavam, e se ocupava basicamente de sua horta e das missas. Já eu, fico aqui tentando escrever, tentando falar, quando às vezes, mesmo com a vida inteira te circundando, te alfinetando, não tenho nada a dizer.
Espero passar, mas às vezes até me canso de esperar. A gente já sabe que a vida não é fácil e nem sempre te dá o que quer, então aceito tranquilamente os períodos de silêncio. Aceito. Vou viver a vida, e deixo meu blog às moscas. Eu posso, ele é meu. Aceito. Espero. E nada!
Diacho!


(Pô, eu também tenho meus limites, dona fada da inspiração)

domingo, 27 de março de 2011

Pontos turísticos do DF

No meu blog, Prosas e Viagens, posto textos literários e também fotografias e pequenos relatos sobre pontos turísticos: viajar, além da literatura, é outra de minhas paixões.

Até o momento, postei no blog informações apenas sobre a cidade onde vivo, Brasília. Em breve, postarei também fotos e textos sobre outras cidades.

Confiram abaixo algumas fotos de lugares do DF; se quiser ler mais informações e ver mais fotos obre os locais, basta acessar o www.prosaseviagens.blogspot.com

Museu Vivo da Memória Candanga: ocupa as instalações do primeiro hospital instalado em Brasília; hoje possui exposição permanente sobre a construção da cidade.



Santuário de Schoentatt: a capelinha é rodeada de belos jardins e, por estar em um morro no caminho para Sobradinho, permite uma visão privilegiada da capital.



Espaço Lúcio Costa: está no subsolo da Praça dos Três Poderes, possui uma grande maquete de Brasília, constantemente atualizada.



Museu da Cidade: também na Praça dos Três Poderes, abriga painéis que situam a idéia da mudança da capital a partir dos século 18.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Aceitação


Não aceitava a realidade do momento presente.

Por isso vivia escondido,

Ou no passado ou no futuro.

terça-feira, 22 de março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

Convidada Gisela Rodriguez


Só pra mim


Aquele homem é filho da memória e eu
subo escadas com raízes nos degraus pensando
em alcançá-lo         meus pés
revoltam folhas marrom-douradas
/ petrificadas /: três mulheres banham-se
com o resto da brisa   (
... )  que levo comigo
/                        /: três mulheres não me acompanham.
– Quero ir só e só poderá ser eu e ele
este filho subverte o sexo
surpreende o fim.
E eu continuo subindo
e folhas flutuam douradas agora
totalmente reluzentes no semblante
                                                                        dele.
Ele sou eu eternamente
minha mente e alma
meu ego dissoluto
sem o obtuso realismo
/                            / rasgando meu corpo
tornando-me desejo e torpor
remexendo o centro, revirando o ventre
desencadeando a luxúria.

(No tempo estagnado
entre o copo de vinho
e meu desejo consumado)
                                                                  Ele,
meio Baco meio fera meio homem,
/                              / só pra mim.
---

quinta-feira, 17 de março de 2011

Réquiem para um sonho

quando morre um sonho
ele não se vai sozinho,
carrega consigo
o seu dono.

é preciso ser fênix

e renascer através
de pequenos sonhos
desalmados.

André Espínola

quarta-feira, 16 de março de 2011

"Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu"

Está um frio de nós dois em Sampa.

Você é minha última recordação em dias frios.Os outros dias frios feneceram em invernos passados. Queria canções e palavras, você bem sabe! Queria tantas outras coisas e queria agora.

Só porque está um frio de nós dois é que te escrevo. Carta de poeta é assim mesmo, imprecisa! Fumo e ouço cigarro. É preciso conhecer Baleiro para que possa me compreender neste momento. Um dia destes, te apresento.

Por aqui não há grandes novidades. Você já sabe que talhei os meus cabelos. Isto nem me feriu. O que me dói é talhar sonhos e decidir. Ambas as coisas não são inéditas, porém incomodam tanto quanto alguma dor sua. Queria saber suas dores. Um dia destes, me apresente!

Não te contei minhas quimeras e não vou despejar meus desgostos . Quem sabe isto seja o bom senso. Perdi meus óculos e isto me dificulta. Astigmatismo, Baby! Neblina de serra em tempo integral. Lembrei agora do primeiro dia que usei meus óculos. Foi na cozinha de casa e ali eu redescobri ou aprendi que o mundo brilhava. Queria o brilho de volta. Um dia destes, vou no oftalmologista.

Domingo houve vida, poesia e samba. Digo isto, pois na última conversa você me disse pra ficar em paz. Eu fiquei, Amor... Me acredite! A paz é um lugar igual as cartas de poetas. Mas existe. E domingo eu andei de mãos dadas com ela e jurei não abandoná-la jamais. Disse a ela que mesmo que a gente se desentenda, pra ela permanecer ao meu lado. E ela jurou fidelidade a mim. Queria mais vida, poesia e samba. Um dia destes, podemos fazer isto juntos.

O dia, dizem, que tem 24 horas. Eu não tenho acompanhado se isto é verdade. Você sabe me dizer? Quando acordo, o dia já se esgotou um tanto. Por isto sempre tento prorrogar os olhos abertos... É muito ponteiro pra pouca vida. Como estão seus ponteiros? Há tempo pra tudo que se sonha? Há tempo pra tanta perspectiva? Queria destruir o tempo. Um dia destes, ele me destrói.

O cigarro acabou cantando que não crê em santos e poetas. E você, acredita Baby?

Beijo de inverno nos desejos!

Ainda Outono de 2010

Barbara Leite

sábado, 12 de março de 2011

Descuido


Bebo uma saudade que não me cabe,
Que reflete em lágrimas
E apaga o brilho da constelação
que já foram meus olhos,
em um passado não muito distante.

Aprecio o escuro da noite,
Onde me escondo das artimanhas
das minhas emoções
Um ar de mistério me persegue e,
Caminho sem saber ao certo onde estou

Descuido.

A mudança da fase da lua expõe
Minha face oculta tão escondida
Pela escuridão.

E apesar das incertezas admito,
É hora de recomeçar

E a sombra das minhas curvas se movem lentamente
Na luz do luar e,
Ao dominar meu fingimento

Sigo sem olhar para trás.
(Ro Primo)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Convidado David Michael de Melo Rodrigues

O CAMINHO ESTREITO



Rostos estranhos, cansados já viram antes a esperança atrás do arco-íris.

Caminhando, continue a caminhar e entenda o seu caminho quando chegar.

Jazem rostos estreitos de escuridão

Cansados talvez pela persuasão.

Cansados de ouvir a esperança chamá-los para mais uma união, entre homem-céu, céu –homem como sol ouro sem trevas, sem nuvens cinzas, sem tristeza e sem escuridão. Carregam pelo obvio estes rostos estranhos e cansados.

Soldados maquinistas, jovens rostos estranhos continuem a vagar por esses caminhos e entenda a chegada.

Pensamentos dissonantes a cada passo

Pensamento altruísta que eleva á esperança.

Eram tempos aonde os amores era vida presente em todas as manhãs.

Pássaros cantavam e voavam.

Cisnes dormiam sob seu travesseiro de penas.

Rostos estranhos

Rostos jazem cansados já viram a esperança.

A caminhada ainda continua e quando chegar entenderá sua chegada.

Se compensares o amor vivo de todas as manhãs.

Se compensares cansar caminhando atrás da esperança e se tornar um estranho quando voltar de lá.

Rostos estranhos

Rostos vazios

Rostos sem esperanças

Esperança de ver mais uma vez a esperança.

---

POEMA PÓSTUMO
A morte é um poderoso vento
Tudo dissolve quando ele leva
A morte tem um grito que ninguém consegue descrever.
O mundo está de ouvidos fechados
Os lábios atentos a um canto mais profundo.
A morte é o dono do universo
O homem pode chegar ao centro do mar
Caminhar por planetas, descobrir novas criaturas... Mas...
Sobre a morte que chegou de tarde
Sofre sem saber de que morte também é arte.

---

quarta-feira, 9 de março de 2011

PARA ANDRÉ DAHMER


Hoje
Quero falar de André Dahmer
Não do verdadeiro
Não o conheço tanto assim
Não frequentamos a casa um do outro
Nem trocamos figurinhas
Talvez ele seja outra pessoa
Vou falar do meu Dahmer
Vivente em meu mundo interno
Nos meus pensamentos
O Dahmer que eu inventei, é um pouco.
Um pouco não
É um muito
Um muito dos seus quadrinhos
Um muito de suas entrevistas
Um muito de suas telas
Um muito de suas caronas apavoradas no meu carro
O meu Dahmer não acredita em faixas pretas
Não acredita em bom ou ruim
Não acredita em referencias
Ele se constrói
O meu Dahmer não atribui sucesso a dinheiro
Não considera pauta quem vai ficar rico com arte
E quando perguntam como ganhar grana...
... Fica puto
O meu Dahmer quer que as editoras se fodam
As gravadoras explodam
Os Xiitas das opiniões morram
E não tem medo por isso
O meu Dahmer não da à mínima pra cultura de massa
Defeca andando pro consumismo
Não vê novela
Nem ouve rádio
O meu Dahmer é um libertador
Não acredita no Jornal Nacional
É um anarquista
Um comunista
O meu Dahmer é um crítico ferrenho
Odeia a sociedade moderna ocidental
Não quer ficar rico
Nem pobre... de espírito
O meu Dahmer não leu Nietsche
Nem Schopenhauer
E não tá nem ai pra Freud
Não precisa disso
O meu Dahmer é humano
Se entorpece de vinho
Ajuda o vizinho
Anda muito sozinho
O meu Dahmer é um gênio
Não um gênio qualquer
Um gênio sem vaidade
Meu gênio da lâmpada

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

terça-feira, 8 de março de 2011

Coração de bolso



Há mais de uma semana caminho pelas ruas da cidade com a mesma justa calça jeans e meus surrados sapatos de couro rasgado. Nos meus calcanhares, bem como em todo o corpo a pele anda grossa e espessa.

Venho não precisando de muito nem me contentado com pouco.

No caminho, encontrei algo que havia perdido, sentindo falta dos anéis, já que foram-se os dedos.

E apenas pra exercitar meus súbitos ímpetos, dias desses troquei em antiquário meu antigo relógio de bolso, presente de velhos parentes, por uma nova relíquia, um lustroso coração de bolso.

A meu ver foi jogo, pois além de marcar as horas, meu coração não atrasa e também bate calado.



foto de Antônio Machado

#

quinta-feira, 3 de março de 2011

o redemoinho e a flor

(inspirado no poema “Flor de tempestade” de Celso Mendes)

meu perfume se acha
dentro de suas nuvens
num intento
danço como flores
de tempestade
essas que se agitam
com sopro seu
e se despedaçam
com a força das gotas
e o carmim das pétalas
se derrama na correnteza

é invisível e pouco delicado
move-me senhor dos ventos
e faz-se rubro e gigante
aqui dentro
mas saiba
que nunca estou repleta
de uma coisa só

quarta-feira, 2 de março de 2011

TODOS CONVIDADOS!

Lançamento do livro POESIA SE ESCREVE COM TESÃO em São Paulo!

terça-feira, 1 de março de 2011

Convidada MCIdeR


Ai, to com dengue


Mal estar, dor de cabeça,
Dor no corpo, to ferrada.
Tenho todos os sintomas,
Acho que fui picada.

É a danada da dengue
Que se alastra por aqui.
Ninguém ta se importando.
Não sei se vou resistir.

Vou correndo para o médico,
Pois tenho que me tratar.
A dengue não é brincadeira.
Ela pode me matar.

O povo ta reclamando
Que a Prefeitura não liga.
Mas é a população que precisa
Entrar de cabeça na briga.

Dengue é coisa séria,
Muito mais do que se pensa.
Se não a controlamos,
Logo, logo se adensa.

De cada um é a responsabilidade
De cuidar do ambiente,
Senão essa enfermidade
Toma conta da gente.

Sujeira, vasilhames,
Tudo jogado por aí.
Com água bem paradinha,
Ele não vai resistir.

Vem voando e se acomoda,
Pensando no seu porvir.
Tem casa e alimento.
Só falta reproduzir.

Se todos nos engajamos,
Cuidando de nossos quintais,
Mandamos o mosquito embora.
Dengue aqui nunca mais.

Se ele chega e vê,
Tudo seco e bem limpinho,
Bate asas, desconsolado,
Vai embora rapidinho.

Estou dando o meu recado
Pra todos dessa cidade:
Por favor, não tenham dengue,
Mãos-a-obra, de verdade.

Vamos mostrar o valor
Do povo tricordiano:
Acabar com o mosquito,
Aqui ele não causa mais dano.

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MCIdeR em TC – maio de 2010.