segunda-feira, 3 de outubro de 2011
o sonho de Lilith
altiva e por hora a chamarei de Hécate
a guardiã escarlate das portas do inferno
há quem diga que tem asas
que seus cabelos longos
e vermelhos como fogo
trazem um aroma de inexplicável
de sémen e mirra
o desejo passivo nos olhos
travestia seu coração de pedra
afeita a tomar falos em contrações
que de tão violentas eram castrantes
quem há de se olhar refletido
nesse espelho de mil faces
sem que a deseje e se sinta impotente
enquanto o peito esmagado arfa
e o sorriso debochado estremece?
(arte visual de Sindri Mendes)
sábado, 1 de outubro de 2011
Oportunidade
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Convidado Rafael Freitas
Mantiqueira
O alto da montanha
é mais próximo do céu.
Se as vacas fossem leves
voariam entre nuvens
cagariam feito pombas nos carros de passeio
pastariam toda a grama dos jardins do paraíso.
Estrume santo é o que seria.
Esterco bom pra ervas milagrosas,
poluição pros riachos do inferno,
solução pras terras pouco férteis.

O que salva o paraíso
é o que destrói o inferno.
Eu rolaria em bosta sacra
Pra sentir o peito em paz.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
gestação
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| Eleanor Davis |
gesta-se a si mesma, indo contra a ideia de natureza do homem. e, dentro do inesperado, pare-se a si mesma, inúmeras vezes. são esses os ciclos da vida - dessa vez, no seu dentro. está no 105o trimestre de gestação (o relógio não zera a cada parto), e é gestante e feto. deve precisar e prover, ao mesmo tempo. possui a delicadeza e fragilidade do bebê que está por vir, e a força da mãe, que segura seus kilogramas e divide seu corpo, suas cavidades e seus órgãos, com outro ser (quanta intimidade). possui a força do feto (que se permite frágil), e a fragilidade da mãe (que se cansa como forte). coexistem.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Selvagens
Praia da Paciência. Para alguns, a do Jó.
Revoada de animais revoltos
qual “Os Pássaros”, de Hichtcock.
Cercam a mim e pessoas próximas e nos bicam selvagens, sem dó.
O porquê? Ao mar, bóia o lixo e a tralha humana, entre si, envoltos
Da humanidade, o escroque.
Deixa pra lá. Os selvagens?
Somos nós.
Fotos: wikipédia
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Deficiência
As palmas evitaram uma reação agressiva. Quanto ao constrangimento, que o levou a entrar no carro e partir meio sem rumo, espero que tenha sido a melhor forma de reabilitação.
Menção honrosa no 9º Prêmio Paulo Setúbal - Prefeitura de Tatuí - SP
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Pássaro de Folhas
búúú
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Convidado Walter Bezerra
O verdadeiro boêmio não bebe para esquecer, mas, vez e quando, bebe a memória.
O verdadeiro boêmio não é um bêbado contumaz, não bebe para se embriagar, mas para venerar a noite e as suas benesses.
O verdadeiro boêmio não é só aquele que dá de bom grado a gorjeta ao garçom, mas aquele que também o presenteia com um bom disco de Noel, Vinícius ou outros tais.
O verdadeiro boêmio tem cadeira cativa em todos os botecos onde se faz indispensável e desejado.
O verdadeiro boêmio não tolera bate-boca nem disse-me-disse. Ele pode até beber fiado, mas se abstém de conversa fiada.
O verdadeiro boêmio não senta à mesa cuja principal iguaria é a vida alheia, mas lhe cai bem banalizar os canalhas e velhacos que usurpam o país e se aproveitam da embriaguez política do seu povo.
O verdadeiro boêmio nem sempre canta ou toca qualquer instrumento, mas sabe como ninguém interpretar a beleza nostálgica de um Tango para Tereza.
O verdadeiro boêmio não é um “malandro”, mas um idolatra que celebra a vida e ressuscita, a cada golada de pinga, cerveja ou uísque, uma boa sacada de igual boêmio como Mário Lago: “Quando deixarmos de ter esperança, é melhor apagar o arco-íris”.
O verdadeiro boêmio não polemiza com os que se dizem donos da verdade, simplesmente porque ele não cobiça ter 51% das ações de soberba nenhuma.
O verdadeiro boêmio pode até esquecer a primeira namorada, jamais a “saideira”.
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Walter Bezerra
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sábado, 10 de setembro de 2011
Convidado Eurico de Andrade
Zé Mané sai de Tabuí. Baile na roça. E arruma namorada. Fazendeirinha bem ajeitada, novinha, limpinha e cheirosa. Moça muito distinta e recatada.... Tantos predicados deixaram o Zé na maior paixão.
- Se ocê quisé memo namorá ieu tem que falá com o pai.
O rapaz fica desanimado. Mas depois de alguns dias, várias noites sem dormir, conclui com seus botões:
- Ela é moça boa demais da conta. Vô lá resorvê o pobrema.
Mandou recado. Vestiu a melhor roupa, calçou botina gomeira e foi rever a paixão e enfrentar o velho, futuro sogro. Andou horas e horas até chegar ao destino. A família recebe bem o nosso Zé Mané. Velho pega na mão, bate nas costas, velha o chama de meu filho, paixão fica segurando sua mão e as três irmãs se derramam em sorrisos. Tudo era ânimo. Os dois apaixonados combinam, num momento em que conseguiram ficar a sós, que a conversa de homem pra homem seria no dia seguinte, na hora do almoço.
Tudo muito bem, tudo muito bom, noite chegou. Era junho. Tempo de frio. O Zé, como não previa passar a noite em casa alheia, nem uma blusa trouxera.
- Tô sentino frio não, gente! Sô assim memo, num sinto frio!
A desculpa não colava, mas o rapaz não queria dar o braço a torcer. O negócio era impressionar. Queria dar uma de macho e, no seu conceito, macho que é macho não sente frio.
A moça mostra-lhe o quarto e leva-lhe cobertores.
- Não, amô! Carece disso não. Nem lençor eu uso! Durmo só de cueca!
Donzela ficou corada ao ouvir essa palavra de baixo calão.
- Mas assim cê intangue, bem!
- Que nada. Tiau, amô! Té manhã!
Zé Mané fica sem os cobertores tão quentinhos. Tira a roupa e, para honrar a palavra, fica mesmo só de cueca esperando o sono chegar. Mas o frio tava brabo e ele, tremendo, não consegue pegar no sono. Rola pra lá e pra cá, com raiva da sua burrice, até que se lembra do monte de palha de feijão lá no terreiro da sala. Pula a janela e tafuia dentro do monte pra afugentar o frio que lhe entrava até os ossos. E, de fato, lá embaixo tava tão quentinho que ele dormiu sono profundo. Tão profundo que o dia amanheceu e ele nem tium. Continuou lá, encoberto, só com a ponta do nariz num buraco por onde entrava o ar. Lá fora, tudo gelou por causa da geada que chegara de madrugada.
O pai acordou, mãe também e as quatro filhas. Sol mal dava as caras.
- Bamo lá botá fogo na paia de feijão pra mode a gente esquentá, mininas? Chamou o pai.
E lá se foram e meteram fogo sem dó nem piedade na palha de feijão. O fogo rodeou o monte, pegando com certa dificuldade, pois tava meio úmido devido ao orvalho. Por isso o fumacê que começou a sair dali não tava no gibi. E aquela fumaça foi entranhando pro meio do monte e o calor do fogo também. O Zé Mané, ainda dormindo, começa a ficar prejudicado pela fumaça e pelo calor. Sufocado e suando, acorda. Sem entender nada, o instinto de sobrevivência avisa que ele tem que cair fora. Assustado, dá um pulo, fica de pé levantando cinza e fumaça e o fogo começa a chamuscar-lhe a pele. Zé Mané sai correndo empretecido, quase pelado, só de cueca vermelha desbotada, levando junto um canudo de fumaça e fogo. As moças, cada uma mais santa e donzela que a outra, são pegas de surpresa e não entendem nada. Nem reconhecem o moço. E vendo aquela figura estranha e inesperada saindo do meio do fogo, caem de joelhos, prontas para rezar, pensando estar vendo coisas do outro mundo.
- É o demônio! - Gritou uma.
- É o capeta, mãe! - Gritou outra.
- Livrai-nos Deus, Nosso Senhor! - Berrou a mãe.
Zé Mané nem no quarto passou. Cheio de vergonha, ainda sem entender direito o acontecido, se mandou estrada a fora e só foi descobrir que estava nu ao entrar em Tabuí, sendo vaiado por um bando de moleques.
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Eurico de Andrade
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
PEÇO PERDÃO AO ZICO

Flamengo Campeão do Mundo
Zico, Junior e Cia...
Lembro do frenesi pós-conquista
Foi quando entendi alegria de massa
Pessoas rindo na rua
Cidade colorida em vermelho e preto
Uma lembrança quase igual
No sentido contrário é claro
Ao terceiro gol de Paulo Rossi em...
Deixa pra lá
Lembro de pessoas chorando nessa data
Também em 82 foi o segundo Campeonato Brasileiro do Flamengo
Depois veio o Brasileiro de 83
Era eu um Flamenguista de fanfarronices infantiloides validadas em farras primárias colegiais
Em 1987, Bebeto marcou na final contra o Internacional.
Lembro do Fernando (creme craquer) Vannucci chamando a matéria no Bobo Esporte
Flamengo Tetra Campeão Brasileiro
Eu?
Eu nunca tinha ido ao Maraca
Era eu um Flamenguista de festa
Sendo assim
Não lembro o gol de Cocada no Carioca do ano seguinte
Lembro o gol de Maurício, em 89.
Quem não lembra?
Pense
Meu pai queria que eu fosse Botafoguense
Imagina esperar tantos anos pra zoar os amiguinhos do colégio
Zico livrou-me disso
Devo desculpas ao Zico
Nunca o vi jogar no Maracanã
Como eu disse
Eu era Flamenguista de segunda-feira
Não acompanhava o dia a dia do Flamengo
Gostava de ser Flamengo pra atazanar meus coleguinhas
Nunca lidei bem com derrotas
O Flamengo deu-me segundas-feiras estudantis gloriosas
Tirando o gol do Mauricio é claro
Confesso nada ter mudado em mim essa derrota pra cachorrada
Até fiquei feliz por meu pai
Um dia, o Botafogo tinha de comemorar a maior idade civil.
...
Em 1991, já com 17 anos, fui entender o sentimento Rubro-Negro.
O Ser Flamengo
O Sangue Vermelho e Preto em minhas veias
O jogo?
Flamengo e River Plate
Supercopa dos Campeões
Maracanã
Inesquecível
Minha primeira vez no maior do mundo
Lembro muito bem
O Flamengo foi eliminado nos pênaltis
Junior perdeu um
Nesse dia, virei Flamengo de verdade.
Flamengo de Maracanã
Flamengo de coração
Desde então, sou Flamengo fanático.
Nesse dia, entendi.
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
sibila
no meu céu de baunilha
flutuam mentiras azuis
ladeadas pelas sereias decapitadas
o mesmo céu onde o criador vigia
escondo-me na folha branca
nesses versos ateus
lilith pisca o olho
serpenteia pela rua
flertando com evas dispersas
rebola fantasticamente
sorrio e rabisco armaduras
ela as ignora
enrosca-se às minhas costas
pensamos beijos-tempestade
abraços-nuvem
marasmos sem fim
sibilamos feitiços pagãos
pele e mar sob a lua santa
sorrio na rua vazia
delírio findado
ficam os dentes
metade do meu sorriso é dela
serpenteamos juntas
lilith e eu
poetisas enfastiadas trancadas em prosa e
em verso enoveladas
sábado, 3 de setembro de 2011
mortal
são gametas impunes
e assim como meu coração
habitam meus olhos
quisera que me tocasse a vulva
como me desfere seu olhar
muito mais que sua boca
mais profundo que seu falo
é o invisível imagético
que nos prende nesse laço
essa pele já não me protege
do externo e já não deseja
ser indivídua
quer ser alvejada, aferroada
rasgada e carcomida
para que me travestir pura
se a mulher ancestral berra
mesmo silenciosa e inculta
dá-me o que é de febre
encolha-me ao que há de profano
que ainda serei eu a chamá-lo de meu
mesmo que por poucas horas
pouco tempo, tempo algum
nem ao menos isso.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
conselho
da honrada conquista
mas não afane-se
da celebração humilde
pois fana-se
o brio no auto elogio
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Convidada Iara Fernandes
Organizados são eles
...Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central...
(Chico Buarque)
O primeiro contato do dia foi a voz de Silas:
“Doca, semana passada cê ficou no posto da República. Hoje é na Atlântica?”
“Isso. É eu, a Joana e o Tota, por quê? Tá preocupado?”
“Preocupado com tudo. Preciso é ver um futebol na TV, viajar. Sabe aquilo de cachorro, criança, sogra? Coisa de vida de gente normal. Nem sei mais o que é isso. Minha mulher fica me cobrando.”
“Xi!!! Então vê se se ajeita, mas vai ficar difícil sem você nas coordenadas.”
“É. Mas, vou esperar acabar essa semana. Preciso ver quanto vamos lucrar. Os clientes estão ficando espertos e a concorrência não dá trégua.”
Enquanto tomavam café, Joana e Doca viram no noticiário que os assaltos na cidade reduziram-se em 23%. Ganharam a rua e assim que o ônibus se alinhou à calçada, entraram e tentaram se equilibrar no balanço agressivo da geringonça. Desceram bem no centro, rumaram para a Atlântica e encontraram-se com Tota.
Osvaldo coordenava o posto da avenida Afonso Pena. Andava atribulado com Marão, filho de Felicce, compatriota de Picollo Barnabieri, o dono da empresa. A atividade lá exigia terno discreto e cabelo comportado. Marão contrariou. Alegou o ridículo do traje e deu-se folga naquela sexta-feira.
Doca, Joana e Tota posicionados. Doca comunicava as características das vítimas a Tota. Joana – discreta e meiga – abordava outras na agência mesmo, surrupiando carteiras, cartões e senhas. Tota, na moto, percorria a rota dos indicados. Depois de um grande saque, foi dona Aurora chegar à porta de sua casa e um motoqueiro derrubou-a, levando a bolsa.
Ágeis na comunicação, lucravam alto. Em 2006, Picollo premiou os três com passagens para o Nordeste.
“Silas!”
“Diz aí, Osvaldo.”
“Silas, esse cara vai melar!”
“Peraí! Problemas no posto da XV de Novembro. Sexta lá é foda!”
“Porra! Eu preciso resolver essa parada agora!”
“Tá falando do Marão? Que que tá pegando?”
“Vou acabar com ele!”
“Calma! Seu Picollo te apaga. Pensa nos seus filhos!”
“O caralho! Foda-se! Tira ele da minha equipe!”
“Desloca você lá pra XV. O grupo de lá tá desfalcado, hoje.”
Na semana seguinte, as equipes reunidas. Picollo distribuiria prêmios. Marão queria função de destaque, mas não fora agraciado. Antes da fuga, entregou todos e a reunião foi barulhenta: sirenes, tiros, alto-falantes.
O delegado – cara rechonchuda e rosada de anjo barroco – detalhava, orgulhoso, o feito. O repórter, falando em “administração” “coordenação” e “planejamento”, mostrou onde e como funcionava a central.
Picollo extraditado, Silas, penitenciária estadual, Doca, presídio de segurança máxima e os outros espalhados em outras prisões.
O doce de coco veio para Silas, camuflando o celular. Na vasilha de rosquinhas entregue a Doca, um aparelho caramelado, funcionando com perfeição.
“Doca!”
“Silas?”
“Como vai, meu velho?”
“Indo... Algo em vista?”
“Picollo fez contato. Em breve a gente volta.
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sábado, 27 de agosto de 2011
Fotos - Cataratas do Iguaçu
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Vital
inexoravelmente tudo
leva a você
fim maior
mesmo pétreo
cedo ou tarde me desfaço
e
esteja onde estiver
sigo incansavelmente
até seu ser
mesmo nos céus
meu destino
é o mergulho em seus braços
eu
fluído vital
você
o mar
amar
amor
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Amparo
até ouso blasfemar
Mas no desespero
rezo fervorosamente
Quando estou para baixo
ter um santo ajuda
@bardoescritor
Com a anuência do chefe, está criado o @bardoescritor, que vai puxar automaticamente todas as postagens deste blog. Sigam e divulguem!
http://twitter.com/bardoescritor
Aproveito também para destacar o seguinte projeto, vale a pena conhecer:
http://www.dicionariocriativo.com.br/
domingo, 21 de agosto de 2011
casa
sábado, 20 de agosto de 2011
Convidada Cinthia Kriemler
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Cínthia Kriemler é carioca e mora em Brasília há mais de 40 anos. Relações Públicas por formação. Contista e cronista por necessidade de respirar o ar meio puro, meio diesel das palavras. De vez em quando, passeia pelas Cartas e Artigos.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Crime Passional
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Convidado Marco Buzetto
terça-feira, 9 de agosto de 2011
BURRICE EMOCIONAL
Deveria existir um manual de fim de relação
Aprenda a terminar com sua mulher
Algo absorvendo o sofrimento de uma
Ou ambas as partes do relacionamento
Absolvendo
Como dar a notícia final
Não gosto mais de você
Não funciona!
Tô comendo outra
Pior ainda!!
Você merece mais
Hipocrisia!!!
Talvez peidar na cara dela quando estiver fazendo sexo oral seja a melhor opção
Um jato de merda mole e quente em sua face
Durante a felação
Seria perfeito
Não
Definitivamente não
Foi só uma ideia
Pelo menos ela sentiria nojo
Não rejeição
Rejeição é o pior pensamento humano
Rejeição deságua negação
Negação
Não
Não tenho o manual
Tento ser sincero
Não trair a alma
Trair é mentir a sua verdade ao outro, a quem você diz gostar.
Verdade
Mulheres não gostam de verdade
Tentei dar a minha
Rejeitaram
O importante...
... Não é a verdade
O importante...
... É o que sabemos
Vai saber...
Uma coisa eu tenho certeza
Burrice emocional irrita profundamente
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
white lies
fantasma vago
ponto cego
no canto do olho
desaconteço
o mundo adolesce
treme e eu encolho
num canto desse quarto crescente
fotos, câmeras, manifestos
desvarios roucos
punhetas entrópicas
afogam ofélias
insepultas e castas
flutuam dormentes
recitando cantigas mortas
versos inúteis
resgatam insetos
riem dos manifestos
rasgam incunábulos
repletos de promessas
fatos, atos, ratos, mortos
falos, otelos, ralos, ateus
cubro teus ouvidos
protejo tua pele nua
enquanto danças evitando
roletas poliglotas
filtro meu olhar em verbos
traçando esses caminhos intransitivos
“quem lê tanta notícia?”
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Beleza Irrefletida
não vê lago ao largo
para se ver refletido,
e não vendo que não há Eco
para os seus gritos
se desespera...
e acaba afogado em lágrimas.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
estirpe
como se soubesse suportar
mas mal entende a realidade
roga os vazios mundanos
como se ainda existissem lutas
que não causassem danos
sabe bem de sua origem
mas não lhe cobrem os panos
mostra-se nua feito as putas
não há como julgar uma rainha
essa que se cobre de enganos
só há o que dizer do belo
daquela que nos enfeitiça
sobram as lágrimas
de quem viu e não pôde tocar
sabe bem de sua semente
musa rubra de felicidade
pouca e pernoitada
vê que não lhe pedem nada
além do suplício de ser
a vertente intocada.
a visita do poeta
poucas horas
mais que um livro
dono de olhos opacos
como que insatisfeito
tinha poesia nas mãos
bem mais que um livro
e ficaram as palavras apenas
e a indagação
do que eu olhava
ficaram as palavras apenas
naquela casa simples
de piso frio e dedos mornos
a visita do poeta
deixou-me poetiza
bem mais que antes
ele me contou
que há vinte e seis anos
chora
olhando o horizonte
não querendo sol.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Carnívora
e se encolheu num canto,
feito menino intimidado.
- Loba em pele de Chapeuzinho,
sempre levo a culpa pelo estrago -
O gatinho ficou assustado.
Então faço ron ron no peito,
seus pelos
e falo
:
- Felino...
Pra ficar mais relaxado.
(Ai, que porre ser perigosa
a animais domesticados!)
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
ideia adversa
a ideia adversa
que te irrita
é só o que você não aceita
digo: aceita
verá que a briga aflita
é tolice controversa
se tolerar facilita




