terça-feira, 16 de setembro de 2014

13 000 livros do BAR DO ESCRITOR.




Com o lançamento, em breve, da próxima antologia do movimento literário Bar do Escritor, ultrapassaremos a marca de TREZE MIL LIVROS publicados. É um orgulho. O BdE firma-se como uma legítima manifestação literária originada diretamente da World Wild Web, provando que a anarquia bem intencionada é absolutamente produtiva.
A Quinta Barnasiana terá edição de 2400 exemplares, 240 páginas com 39 escritores, de 8 estados brasileiros e um de Moçambique.

Loop nº2


Num jogo de luz e sombras
Sístole e diástole
A fumaça em loop
Movida a vontades forjadas

Estou voltando ao artifício
Estou voltando ao fictício


Partículas etéreas soltas
Ecoando como trechos sonoros
A música
Confortavelmente sem fim

Estou voltando ao resquício
Estou voltando ao propício


Paredes como almofadas
Diálogos como imagens
Saltando e passando e gritando
De novo e de novo

Estou voltando ao início
Estou voltando ao hospício.


domingo, 14 de setembro de 2014

200 000 acessos




O blog Bar do Escritor está prestes a receber o ducentésimo milésimo acesso. Com contos, crônicas e poemas quase diariamente desde março de 2007, são mais de 2000 postagens, 70 colunistas e 130 convidados. 
Conheça. Participe.


Brinde por conta da casa: ganha um exemplar da próxima antologia Quinta Barnasiana o literointernauta que for o DUCENTÉSIMO MILÉSIMO leitor do blog. Para comprovar, basta fazer um PRT SC (print scream) da tela e enviar a imagem para a fanpage do bde no facebook.

Promoção valendo! DIVULGUE!

É PRIMAVERA!



O sabiá
não gosta de queixas.
Por isso nos deixa:
prefere voar.

*

sábado, 13 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

OUTRO MUNDO

 
 
Hoje
Repeti o mesmo mundo....no fim
Viver de amor....e depois
Morrer brandamente em mim
Outro castelo recriei
Após rochas caírem
Até a pintura borrei
Com as mais belas alvitres
Agora procure o que te desperta
O que te deixa em alerta
O que queima, mas não arde
O que, mesmo no fim, nunca é tarde
O que ficou para trás
São esfumaturas embranquecidas
Perde-se o tom da tinta
Mas não a importância adquirida
Pois mesmo manchas abstrais
Ainda borram a pintura que já fora
A vida em sete cores iniciais
Torna-se cinza, diferente de outrora
E não segui seus passos
Preferi os meus
Eram mais suaves
E livres do que os teus
Pesadas eram as rédeas
Que determinavam a direção
Dos raios e das pedras
Que atingiam o coração
Amanhã
Vou reinventar outro mundo.....se der
Morrer de amor....e depois
Ressuscitar num domingo qualquer

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Dia de Lourenço

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- não enche! - lourenço, impaciente, rejeitava toda e qualquer tipo de aproximação por parte daquela turminha aborrecente de imbecis. - não dou autógrafos para principiante, vaza! - irritou-se com uma delas, enquanto acendia o dona-flor baiano. - tu me paga, Gio! - condenou, em pensamento, o patrão por ter caído na carapuça - nem mil anos me farão esquecer a guilhotina que armaste pra mim... - concluiu.

aquela tumultueira de moleques correndo de lá pra cá infernizava a vida de qualquer um. mas antes era diferente, lourenço apenas cuidava da faxina, se encarregava de recolher estilhaços de copos quebrados e outros afazeres semelhantes. mas agora não, saiu do anonimato por sua recente aparição num tablóide londrino que anunciara seu que seu último romance seria transformado em filme.

- bela merda - criticou-se, ao ser questionado sobre o roteiro do filme - aquilo lá é isso aqui, uma bosta! entende? - tentou explicar - um bando de retardados querendo aparecer para uma câmara desligada, saca? um hospício? 'um estranho no ninho' lembra? aqueles malucos assistindo à tv desligada! é o que é isso aqui!! um bando de doidos sem noção alguma do que fazem. - finalizou.

ressentido, levantou-se vagarosamente e foi ao banheiro. a pretensa mijada deu lugar a cagada 'humanitária'. a tudo aquilo que ouviu e àquilo que ouvirá escapava-lhe o eco de sua merda caindo n'água. o barulhinho de seu peido tornou-se a sonata da ópera dos bdeianos. ninguém imaginava que aquele faxineiro, hoje vestido a rigor, também tinha seu dia de astro.

- adeus! - despediu-se ao limpar o traseiro com uma das folhas de sua última antologia...
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Convidada Vivian Aurora de Moraes Bragagnolo




O que dizem os cabelos




Fecho o portão da minha casa, quando vejo uma mulher completamente careca, sem qualquer lenço, boné ou chapéu que lhe disfarce a calvície, certamente gerada por um câncer.
Espero não ter câncer.
Mas se tiver, serei como esta mulher: corajosa, transparente, e linda, apesar da falta de cabelos.
Ela é magra, veste-se bem, nota-se que não se cobre não por falta de vaidade, mas por consciência da própria beleza desnudada.
Ela é branca. Será que é loira, morena, ruiva?
Vejo sua interlocutora. Tem cabelos alisados. Isso eu não faria com os meus. Logo a de cabelos alisados se despede e atravessa a rua, para cumprimentar a outra vizinha. Aquela, sem cabelos, se recolhe à casa. Talvez sinta um pouco de enjoo. Talvez só queira descansar.
A alisada se aproxima de uma senhora de muita idade que pinta os cabelos escandalosamente de um preto azul.
Quando envelhecer, deixarei meus cabelos branquearem todinhos. Eventualmente, pode ser que os pinte de loiro. Cabelos amarelos ficam bem em gente velha.
Mas talvez, se eu tiver câncer, nunca chegue a ser velha.
É nisto o que a moça bonita e sem cabelos está pensando, deitada, enquanto tenta ler um bom livro, sem sucesso. Quantos anos viverá? Os médicos fizeram um bom prognóstico, mas é difícil chegar tão perto da morte a ponto de tocá-la.
Do outro lado da rua, a alisada e a tingida fazem fofocas, falando da vida de uma mulher com cabelo afro que mora nas redondezas.
Uma coisa que certamente não tenho é cabelos afro, porque não sou negra. Mas jamais me quedaria em conversas sobre os cabelos “black power” de ninguém.
Uma mocinha passa de bike, fones nos ouvidos. Não ouve a fofoca, nem a observação de que hoje em dia a juventude anda perdida, pintando o cabelo de azul.
A menina de cabelos azuis chega até a esquina, passando por uma religiosa de cabelos infinitamente longos, trançados, que conversa com uma colega de escola, de cabelos curtinhos. Elas acham legais os cabelos azuis da ciclista.
Acho que vou aparar as pontas neste sábado.

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Vivian Aurora de Moraes Bragagnolo

terça-feira, 9 de setembro de 2014

MARIAVILHOSA MULHER DO BANQUINHO


Tuas delícias fazem-me igual aos deuses
Beijar-te os lábios é o torpor ardendo em lascividade
Quando trepamos não sobram palavrões em nossas bocas
Transbordamos luxúria exaltando devoção
Ócio sexual
Nosso quarto grita
No som dos atritos do nosso trêmulo leito o cheiro das flores são odores vadios
Seu corpo arde em chamas
As gotículas da sua língua levam-me do céu ao inferno
Prefiro o inferno!
E lhe digo:

“Superamos deuses e demônios”

Seu corpo amalbençoou-me
Bem-aventurados banquinhos do Zona Sul
Bem dita SEXta-feira dos 8 dos 8 infinitos
Desde então sou atordoado de infames pensamentos sujos
Seu malicioso sorriso é minha heroína
Preciso de doses cavalares
Sou todo feito de abstinências
Porque, talvez perguntes.
Não sei
Mas é assim
Tu és meu vinho
Meu sol e riso
Desejo-te mais que ao ar
Não há nada mais estúpido e ignóbil que não estar em você
Somos fusões de eternas paixões
Impunemente a cruz vê-me liberto
És delícia e encanto
Meu presente de Vênus
Vós me julgastes sem pudor
E graças a sua ausência do mesmo trepamos como os deuses devassos fudiam as ninfas sedentas
Somos puras magias imundas de infinitas maldades e possibilidades
Somos orgias gregas
Somos deuses do sexo
Não há limites pra nós
E isso é tudo!
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Maria é da safra de agosto

Maria Vitis 1981
Cabernet Sauvignon
Tinto seco
Reserva
Uvas viníferas
Roxo amora madura
Frutos vermelhos
Graduação alcoólica 12,9%.
Setecentos e cinquenta vermelhos ml de prazeres ingeridos
Bouquet complexo
Gosto belíssimo
Cheiro límpido de rubras ninfas
Uva passa
33 anos de delicias
Maria Vitis 1981 é submissão degustada
É o Casillero del Diablo


Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
MARIAVILHOSA MULHER DO BANQUINHO de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at www.pablotreuffar.com
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

sábado, 6 de setembro de 2014

a ave que cagava diamantes fedegosos, a tipoia e a azáfama




há alguns anos, durante um bate-papo antes do início das aulas com o professor Marcelo Leite na Universidade Severino Sombra, presenciamos uma cena lamentavelmente cada vez mais comum: um funcionário da universidade, seguramente dos mais graduados (e abastados), havia estacionado seu enorme e reluzente carro do ano numa tal posição que "matava" três outras vagas, um claro recado aos demais funcionários reles do campus: "cambada de insignificantes, vão estacionar seus carros populares financiados em quatrocentas prestações em outro lugar. eu sou rico, lindo, inteligente e muito importante, eu sou a pessoa mais importante da universidade, quiçá do mundo todo. logo, ocupo todo o espaço que eu quiser, faço o que quiser, inclusive cagar em suas piolhentas cabeças sem valor." aquele remoto - e esquecível - episódio foi a pedra angular da Teoria da Expansão Espacial do Ego dos Seres Pseudo VIPs na Sociedade de Consumo Contemporânea. Grosso modo, a teoria parte do pressuposto de que quanto mais arrogante, cheia-de-si e besta a pessoa for, mais espaçosa ela é.

ontem, tive nova comprovação da teoria. estávamos eu e minha amiga Suzana Muniz fumando em frente ao Hospital Samaritano em Botafogo, quando um gigantesco Jeep Cherokee assomou à toda e parou com direito à guinada de pneus à porta do nosocômio, precisamente no meio da passagem onde cabem dois veículos grandes, atravancando a porra toda. As quatro portas se abrem simultaneamente e desembarcam quatro orangotangos esbaforidos, tendo o menos corpulento pouco mais de dois metros. Um deles oferece a mão à uma mulher que reconheci no ato pois já a havia visto na TV. a pobrezinha aparentemente tinha torcido o tornozelo e estava acompanhada de outra mulher muito parecida com ela, ou seja, tão esquálida, feia e desprovida de atrativos quanto. a tal acompanhante já entrou reclamando pois cinco segundos haviam se passado e ninguém trouxera uma cadeira-de-rodas à muito-sobremodo-demasiado-pessoa-célebre-rica-famosa-mais-importante-de-todas. o porteiro corre desabalado (azafamado é o termo mais apropriado, certo, Suzana?) para atender à ordem da integrante do séquito.

até aí, tudo mais ou menos dentro do script. contudo, eis que surge um "Corsinha". o motorista aciona a buzina e gesticula, pedindo a liberação do acesso à entrada do hospital. simples: bastava um dos brutamontes entrar no monstro e locomovê-lo poucos metros à frente; ao invés disso, ele limitou-se a olhar de esguelha e com cara de poucos amigos o pobre veículo de pobre, como se dissesse: "você faz ideia da importância da minha patroa? foda-se! trate de esperar!" vendo que a buzina não surtira efeito, desembarca do carro uma senhora muito idosa, deslocando-se custosamente com seu andador. o detalhe que me fez pensar: a idosa sorria. refleti: será que essa moça rica e famosa, cheia de pompa, circunstância e empáfia, viverá tanto quanto essa senhora do carro popular que sorri diante de uma adversidade boba? se viver, com toda a descomunal importância que dá a si mesma, com todo o seu dinheiro e mordomias, impotente ante a ação implacável do tempo, será feliz?

ao final de tudo, fiquei matutando sobre como assim caminha a humanidade e onde descambaremos. uma interjeição seguida de uma expressão não me saía da cabeça, mas sem exclamação, posto que branda. sem nenhuma potência ou importância, qual um programa da rede globo: ai. que loucura.