quinta-feira, 16 de março de 2017
terça-feira, 14 de março de 2017
domingo, 12 de março de 2017
OUTRO MUNDO
Escrito por
Daniel Delgado Queissada
Hoje
Repeti
o mesmo mundo....no fim
Viver
de amor....e depois
Morrer
brandamente em mim
Outro castelo recriei
Após
rochas caírem
Até
a pintura borrei
Com
as mais belas alvitres
Agora
procure o que te desperta
O
que te deixa em alerta
O
que queima, mas não arde
O
que, mesmo no fim, nunca é tarde
O
que ficou para trás
São
esfumaturas embranquecidas
Perde-se
o tom da tinta
Mas
não a importância adquirida
Pois
mesmo manchas abstrais
Ainda
borram a pintura que já fora
A
vida em sete cores iniciais
Torna-se
cinza, diferente de outrora
E
não segui seus passos
Preferi
os meus
Eram
mais suaves
E
livres do que os teus
Pesadas
eram as rédeas
Que
determinavam a direção
Dos
raios e das pedras
Que
atingiam o coração
Amanhã
Vou
reinventar outro mundo.....se der
Morrer
de amor....e depois
Ressuscitar
num domingo qualquer
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Mundano
Escrito por
Rodrigo Domit
O golpe ditatorial teve, no exército, seu braço armado
E na imprensa, o desalmado
domingo, 19 de fevereiro de 2017
Doutor Edgar, Psicólogo
Escrito por
André Bortolon
O homem
olhou fixamente para o cartão de visitas que havia recebido. Nele, a inscrição:
Edgar
Christian
Doutor em Psicologia e Mestre em Meditação
Transcendental
Já fazia
tempos que ele queria fazer aquela ligação. Agora era o momento. Procrastinar
não adiantava mais, especialmente àquela altura do campeonato. O homem passou a
mão no celular e ligou. Uma voz feminina atendeu. Tratava-se da secretária do
doutor. Muito solícita, a jovem (pelo tom de sua voz) marcou um horário para
uma conversa com o doutor. Ao final da ligação, contudo, ela salientou: “Se
você recebeu o cartão do doutor, é porque foi por indicação. Portanto, saiba
desde agora que só divulgamos esse trabalho para quem realmente precisa do
doutor. As demandas pelos serviços dele são enormes, e o doutor não pode
atender a todos. Então, peço-lhe por gentileza que não comente com ninguém a nosso respeito...”
O homem já
sabia aquele papo todo. O doutor vivia corrido. Era “concorrido”. Ele só
atendia figurões, gente graúda. Não tinha tempo para qualquer um, para povão.
Só podia ser. O homem sabia disso, e ficou feliz que, depois de tudo o que
tinha passado, feito e vivido nos últimos anos, finalmente teria a oportunidade
de tirar de dentro o que lhe incomodava. “Antes tarde do que nunca” pensou,
feliz por ter um horário para si já na tarde seguinte.
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O lugar
parecia mais com um prédio abandonado. Uma porta com um pequeno interfone, e pronto,
lá dentro estava o homem. “Ao menos, o interior é bem confortável” pensou o
homem, sentando-se num sofá de couro, enquanto a secretária – uma menina nova,
de fato – o pedia para aguardar um instante. Em seguida, ela perguntou:
- O senhor
trouxe o pagamento em espécie?
- Sim. Está
aqui. Só preciso de uma nota fiscal, pois sairá como pagamento da empresa.
- Tudo bem.
Ao final da consulta estarei lhe entregando a nota, que será para o tratamento
todo já.
- Ok, de
acordo. – disse o homem, tirando de dentro do paletó uma carteira forrada de
notas de cem.
Com a
rapidez e a precisão de quem conhece dinheiro, a jovem secretária contou os
cinco mil reais, e agradeceu ao homem. Em seguida levantou-se, e disse:
- Vamos? O
doutor já pode atende-lo agora.
Entrando na
sala, o doutor recebeu-o com um sorriso amigável em seu rosto. Sem um divã para
se deitar, havia na sala do doutor apenas uma confortável poltrona de couro
preto, que ficava virada de costas para a porta, bem de frente para a do
doutor. Atrás do psicólogo, uma estante forrada de livros, que ia de fora a
fora. O homem teve a impressão que já conhecia o doutor Edgar de algum lugar,
mas não sabia ao certo de onde.
- Sou um
tipo físico comum. Muita gente acha que me conhece, seu Firmino... prefere que
o chame assim ou por seu primeiro nome?
- Pode ser
Oscar mesmo doutor...
- Edgar, me
chame só de Edgar. Aqui somos amigos. Nada do que acontece dentro desta sala sai
daqui, jamais. Sabe que a minha reputação é algo que estimo muito. E se está
aqui, Oscar, você pode me contar absolutamente tudo nos mínimos detalhes, que
lhe prometo desde já: sua vida irá mudar drasticamente a partir do fim desta
sessão. Você não está aqui por acaso. Ninguém vem aqui por acaso...
- Eu sei
Edgar, eu sei. Só espero mesmo que adiante de verdade para mim...
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E a
consulta transcorreu muito bem, superando as expectativas de um antes cético
Oscar Firmino. Sim, o famoso empresário Oscar Firmino, dono de uma fortuna
outrora estimada em 100 milhões de reais, mas que vinha passando por uma série
de problemas recentes, a maioria deles, para não dizer todos, por culpa única e
inteiramente sua. Após um desabafo profundo e sincero, como Oscar nunca havia
feito em toda a sua vida para ninguém, é que o doutor lhe deu as considerações
finais:
- Muito bem
Oscar, você está de parabéns por hoje. Já tenho tudo o que preciso de você para
a mudança, que começará a surtir efeito nos próximos instantes. Antes de lhe
dar as instruções de como o senhor procederá para a sua mudança de vida, uma
pergunta: estava bom o chá servido por Ágata?
- Hum, sim,
delicioso... até por sinal, me parece que agorinha mesmo eu fiquei um pouco
tonto...
- É? Nesse
exato momento?
- Sim,
parece uma sensação de leveza, não normal... mas fale-me doutor, digo Edgar, o
que devo fazer a partir dessa semana?
- Sim, só
um momentinho... – o doutor voltou-se ao seu laptop e falou: - Ágata? Sim,
paciente já concluído aqui...
Voltando
sua atenção para Oscar, olhando bem fundo em seus olhos – que já pareciam mais
cansados, ligeiramente vermelhos – é que o doutor Edgar disse:
- Pois
então, Oscar Firmino, você tem plena consciência que roubou dinheiro grosso de
seus ex-sócios... correto?
- Sim Edgar,
mas como lhe falei, foi porquê...
- Não,
Oscar. Agora você não precisa justificar mais nada. Apenas concorde comigo, se
o que eu lhe falar realmente aconteceu, independente de motivo. Tudo bem?
Apenas diga “sim” a cada pergunta, para seguirmos com o tratamento, OK?
- Sim, pode
ser – dizia Oscar, deixando o nó da gravata mais frouxo, evidenciando o
mal-estar repentino.
- Então
vamos lá, novamente: você tem plena consciência que roubou dinheiro grosso de
seus ex-sócios, Oscar?
- Sim.
- Você
negou e/ou abandonou dois filhos legítimos seus fora do matrimônio?
- Ah...
sim.
- Você
subornou pessoas públicas para conseguir benefícios fiscais ou vantagens sobre
outras pessoas?
- Sim,
várias vezes...
- Você
pegou parte bem maior do que a reservada para você da herança de seu falecido
pai, através de esquema ilícito com advogados, para ficar com mais dinheiro que
seus irmãos e irmãs?
- Sim...
- Você
deveu e até hoje deve dinheiro para fornecedores, alguns dos quais inclusive que
tiveram de fechar suas portas, devido principalmente ao rombo financeiro
causado pelo senhor?
- Sim, sim!
Nessa hora
o suor na testa de Oscar já era visível a olho nu. Que perguntou:
- O ar
condicionado tá desligado? Não tô legal...
Gentilmente
abrindo a porta do consultório, Ágata entrou delicadamente no recinto, sem que
Oscar a percebesse. O doutor prosseguiu:
- Pois
então seu Oscar Firmino, a sua tontura e o seu mal-estar não são em vão...
- Como
assim?
- O chá que
o senhor acabou há pouco de tomar, continha uma quantidade de veneno capaz de
matar um ser vivo de até 150 quilos em menos de uma hora... o senhor, como deve
pesar uns... noventa, estou certo?
- O quê?!?
O que você disse, seu maldito, O QUÊ?!?
Fazendo
menção que iria levantar-se atabalhoadamente de sua poltrona, o doutor Edgar,
apenas com um olhar assertivo para Ágata, deu o sinal. Com uma agilidade de
quem sabe o que faz, antes que Oscar Firmino levantasse da poltrona, Ágata
segurou-o firme pela testa com sua mão esquerda, enquanto com a mão direita
firme atravessou uma reluzente navalha pela garganta de Oscar Firmino.
Um esguicho
de sangue atravessou a pequena mesa de centro que separava doutor de paciente, deixando a cara do
doutor Edgar toda vermelha com o sangue quente recém-saído da jugular de Oscar
– que convulsionou por poucos segundos, até morrer ainda sendo seguro por Ágata.
Pacientemente,
o doutor Edgar tirou um lenço de seu bolso, e começou a limpar o sangue de
Oscar do rosto, que era sentido já em seus lábios.
- Ótimo
trabalho, Ágata. Você é ótima no que faz. Estou orgulhoso de você!
- Ah
doutor, estava com muita vontade de passar essa navalha na garganta de
alguém... saudade disso, sabe? Mas... a única coisa é o sangue, sempre dá um
trabalho extra pra gente, né... isso não é tão prático, não é doutor?
O doutor
levantou-se para auxiliar a “sua Ágata”, que era muito mais do que uma
secretária para ele; Ágata era a razão de tudo para Edgar. Que falou:
- Pode
soltá-lo, Ágata. Só forra o chão ali que eu mesmo boto o corpo desse Firmino
ali em cima. Você já fez demais por hoje, deixa aqui comigo – e nesse momento,
enquanto segurava a cabeça do homem para que seu corpo não caísse no chão, é
que o doutor beijou Ágata na boca, sentindo um prazer difícil de pôr em
palavras.
Quando suas
bocas se desencostaram, Ágata, agindo como uma gata de estimação, lambeu do
rosto do doutor os últimos vestígios de sangue do empresário.
- Ah, assim
você me acaba... vamos terminar nosso trabalho primeiro Ágata, depois a gente
pode fazer amor aqui, com o cadáver nos olhando...
- Hum...perfeito!! – respondeu Ágata empolgada, ansiosa para cair nos braços de seu amado.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Liberdade Cativa
Escrito por
Daniel Delgado Queissada
Na esperança da liberdade da entrega
Mas preso nos temores deformados pelo tempo
Questionando as certezas da espera
Certamente duvidosas geram medo
Clareando o breu da alma
Faltando o que antes era sobra
Sobrando o que agora mata
Auspicioso continuo na entrega
Entregando o que mais me afeta
Afetivamente preso na liberdade que auferi
Displicente ao que se passa ao redor
Mas consciente ao que se passa em mim
Hoje liberto nos desígnios que hoje pelejo
Mas cativo nos anseios presos a mim
Criados pela certeza que hoje vejo
Mas ainda esperançoso na liberdade que sinto em ti
Tendo certeza do que hoje almejo
Tão certo do que apeteço
Tão clara como a luz que cega
É a dúvida que tudo isso acarreta
Nada mais intenso me inspira
Do que a liberdade cativa
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
domingo, 22 de janeiro de 2017
Povo das sombras
Escrito por
Rodrigo Domit
O povo das sombras aparece sempre no mesmo horário, junto com as sombras, assim que o sol nasce. Sempre muito cedo, ainda na madru-gada, mas, aparentemente, sem nenhuma ajuda de qualquer deus.
Preparam seu café antes de você acordar, limpam o escritório antes de você chegar, colocam o ônibus para rodar antes de você se aglomerar ao congestionamento... Ligam os motores e preparam a cidade para você só chegar e sentar na janelinha, exigindo serviço de bordo.
E você nem ao menos os enxerga, faz questão de desviar o olhar.
sábado, 14 de janeiro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
LIBERDADE APRISIONADA
Escrito por
Daniel Delgado Queissada
Na
esperança da liberdade da entrega
Entrego a
ti todas as minhas amarras
Preso nos
medos deformados pelo tempo
Libertas
os sentimentos prisioneiros da alma
Questionando
as certezas
Certamente
duvidosas
Afirmando
negações
Negativamente
silenciosas
Clareando
o breu da alma
Faltando o
que antes sobejava
Sobrando o
que agora mata
Auspicioso
continuo na entrega
Entregando
o que mais me afeta
Afetivamente
preso na liberdade que recebi
Displicente
ao que se passa ao redor
Mas consciente
do que se passa em mim
Todavia
liberto na prisão em si
Criada
pela certeza que hoje vejo em ti
Mas ainda
esperançoso na liberdade da entrega
Entrega
que me aprisionará na liberdade enfim
sábado, 24 de dezembro de 2016
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Sou e Sempre serei grata.
Escrito por
Catiaho Reflexod'Alma
Depois de alguns anos, vou Encerrando nessa publicação de dia
23 de dezembro de 2016 a minha participação neste maravilhoso
e democrático espaço.
Não há causa que não a falta de tempo.
Sou e sempre serei:
Grata aos que aqui escrevem.
Grata aos que aqui leem.
E aos administradores.
Feliz 2017 a todos.
Catiaho Alc./dezembro de 2016
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Notável
Escrito por
Rodrigo Domit
Naquela noite que se fez outro dia, a lua estava tão cheia, de si própria, que mesmo depois de o sol ter se aprumado, ostentoso, ela ainda desviava a atenção de muitos desavisados.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Apenas há penas para os raros (?)
Escrito por
Angela Gomes
Pássaros
Passantes
Passam
Passos...
Apenas há
Penas.
Pisamos
Por onde nos deixamos
Pegadas (?)
Apenas há
Penas
Sob os pés
Que deixaram rastros (?)
Entretanto e, contudo,
Embora aflitos em conflitos e, confusos
Gravitamos esfera que circunda astro.
Saudemos, então,
Novo verão, no pólo sul.
Com asas camufladas de azul, solar
Pra festejar novo solstício.
Que nossos voos permaneçam
Desafiadores e raros
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Marcel, do Inferno ao Céu
Escrito por
André Bortolon
Marcel nasceu numa tarde cinzenta de 1990. Fruto
de uma união que não durou mais do que alguns meses, Marcel foi criado então
pela mãe, vendo o pai apenas de vez em quando. Apesar de alguns parentes mais
próximos por perto, Marcel sempre teve bastante tempo livre em seu dia-a-dia,
uma que sua mãe trabalhava em dois empregos para poder mantê-los em uma
situação confortável enquanto a sua avó materna, tadinha, já não dispunha mais de
condições físicas para cuidar do neto. Já os avós paternos de Marcel, àquela
altura já tinham partido dessa pra uma melhor, antes mesmo dele nascer.
E foi num ponto entre os anos de 2003 e 2004
que Marcel conheceu o caminho das drogas. Ainda adolescente, sem ter tido
sequer a sua iniciação sexual, Marcel já estava fumando maconha com alguns
carinhas, aqueles da turma do fundão da sala – todos já repetentes. Nem é
preciso dizer que além da maconha, o álcool também passou a ser uma novidade
constante na vida de Marcel, que ia conhecendo bebidas e se entorpecendo,
enquanto a sua mãe trabalhava para sustenta-los.
E sim, sua mãe percebeu a mudança no filho. Ela
tentou intercepta-lo por mais de uma vez, mas o filho ficara extremamente
agressivo, o que passou a ser motivo de medo por parte dela. Sabendo que a
coisa não ia bem, mas querendo um pouco de paz quando podia estar em casa, a
mãe de Marcel “deixou” a coisa ir adiante dessa forma, apesar de um pouco
incerta de sua decisão.
E Marcel começou a tomar pau na escola, ano
após ano. Aos dezesseis anos, ele já tinha namorada firme e tudo. Mas, com um
porém – a menina também era viciada. E agora o repertório no cardápio de
narcóticos já havia aumentado: os dois provaram juntos benzinha, cola de
sapateiro, chá de cogumelo... e cocaína. Essa última, por sinal, era quase
todos os dias. Não havia mais controle. O dinheiro dado pela mãe de Marcel não
dava conta dos gastos com as drogas. Enquanto sua namorada roubava dinheiro dos
pais, Marcel sabia que se pegasse um centavo a mais que fosse de sua mãe,
faltaria para a comida e a moradia dos dois. Ao menos reconhecendo o esforço
que sua mãe fazia para conseguir dinheiro, Marcel deu um jeito de arrumar um
pouco para si. Só que para isso, ele teria que largar de vez os estudos –
afinal, trabalhar, estudar e usar drogas, tudo num mesmo dia, não tinha como.
E Marcel trabalhou. Foi ajudante de pintor por
um tempo. Distribuiu panfletos nas ruas para lojas que eram de conhecidos seus
ou de sua mãe. Começou a fazer malabares nos sinais de trânsito, a troco de
migalhas. Repassou pequenas quantidades de droga para seus conhecidos da época
de escola que, à esta altura, estavam melhores na vida do que Marcel, já
cursando nível superior ou até em empresas. Ainda trabalhou lavando carros e por
fim como “chapa”, guiando motoristas de caminhão que entravam na cidade.
Outras namoradas também vieram. Marcel mudava
de parceira, mas algo parecia inerente à cada uma delas: o vício por drogas.
Algumas inclusive já encontravam-se na sarjeta, sem esperanças de um futuro
melhor. Enquanto isso, a outra mulher da vida de Marcel, sua mãe, apenas via o
filho se perdendo, dia após dia. Magro, andando em trapos velhos... cada roupa
que sua mãe lhe dava parecia desaparecer, como poeira ao vento. Os dias
pareciam cada vez mais difíceis para esta mulher, que se perguntava
incessantemente onde ela tinha errado para com o filho.
Com os “pilas” que conseguia fazer, Marcel
passou a gastá-los comprando ecstasy e LSD, drogas essas que passaram a servir
como substitutas à cocaína. Marcel até preferiu essa troca de início, só que
essa onda durou apenas por alguns meses. Como ele mesmo já sabia, o vazio, a
frustação e o desespero vinham da mesma forma, fosse usando droga A, B ou C. E
num momento de solidão total, andando com gente em condições iguais ou piores
do que a sua, Marcel acabou experimentando o crack, já no início de 2012.
Aí as coisas degringolaram. Marcel não
conseguiu mais trabalhar para ninguém, pois ninguém mais queria lhe dar
trabalho. Sua mãe, que já tinha buscado ajuda em psicólogos e até em algumas
religiões, só queria que o filho se internasse o quanto antes em alguma clínica
para dependentes. Em vão. Marcel fugia de cada tentativa, para voltar à
sarjeta, onde consumia crack com pessoas na mesma situação desoladora em que
ele se encontrava. Todo esse martírio, esse sofrimento desumano que deixava
filho e mãe cada vez mais afastados um do outro, seguiu-se em 2013, 14, 15...
Até que, perto de completar 26 anos, sentindo
fome, frio, e tendo alucinações horripilantes pela falta da droga, Marcel
finalmente bateu na casa de sua mãe para pedir ajuda. Pela primeira vez em
anos, Marcel viu como sua mãe tinha envelhecido: as rugas, as olheiras
profundas pelas noites de sono mal dormidas, e o olhar de medo visível por não
saber a reação que o filho poderia ter, tudo isso parecia evidente agora para
Marcel. Que, arrependido até o último fio de cabelo, clamou pela ajuda de sua
mãe.
No mesmo dia, Marcel tomou um banho como a
muito tempo não tomava, e vestiu uma das poucas peças de roupa suas que haviam
restado no apartamento de sua mãe. Trêmulo e cambaleante, foi levado de carona
pela mãe para a melhor clínica da região, e por lá ficou por mais de 30 dias.
Hoje, quase seis meses após a sua alta da
clínica, Marcel leva uma vida completamente diferente da que um dia teve. Namorando
firme, desta vez uma menina trabalhadora e totalmente “do bem”, Marcel vê agora
o olhar de sua mãe, outrora marejado, brilhar de alegria com a nova vida que o
filho vem levando. E ele também, pela primeira vez em toda a sua vida, se sente
finalmente uma pessoa livre.
Hoje, Marcel vive cada dia como se fosse o
último, só que da melhor maneira possível. É por isso que na virada de ano – a
primeira que Marcel passará em família em muitos anos – ele quer fazer muitos
pedidos para ano de 2017. Pensando no tempo todo que perdeu entregue às drogas (praticamente
metade de sua vida), Marcel agora mescla desejos de adulto com desejos de
menino ao escrever numa folha de papel quais serão suas metas para os próximos
anos:
- fazer atividade física todos os dias;
- pular de bungee
jumping;
- fazer um cruzeiro de navio com a sua namorada;
- participar de uma procissão ao lado de sua
mãe;
- ajudar uma entidade para pessoas com câncer;
- ajudar um asilo;
- comprar o seu primeiro carro;
- participar de uma corrida ou maratona;
- ter um animal de estimação
- fazer uma língua estrangeira;
- ligar para o pai, que ainda vive, no mínimo
uma vez por semana;
- iniciar uma faculdade para buscar uma
graduação;
- conhecer o Rio de Janeiro;
- assistir a um show internacional de rock;
- comer alimentos saudáveis;
- assistir a peças teatrais com a mãe e a namorada;
- escrever um blog;
- agradecer ao criador todas as noites antes de
dormir;
Etecetera,
etecetera, etecetera...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Das tempestades
Escrito por
Júlio Freitas
São tempestades
em copos de água
constantes
desde antanho
das quais somente os copos
desconheço o tamanho.
em copos de água
constantes
desde antanho
das quais somente os copos
desconheço o tamanho.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
DOR NÃO SE COMPARA
Escrito por
Daniel Delgado Queissada
Dor não se
compara
Não se
compara a dor da perda
A dor do
coração corado de tristeza
A dor da
fome na praça
Dor não se
compara
A dor de
perder um filho
Não se
compara a dor de perder qualquer ente querido
A dor de
sentir a pedra na vidraça
Dor não se
compara
Não se
compara a dor da religião extrema
A dor da
invasão sangrenta
A dor de uma
mãe perder a guarda
Dor não se
compara
A dor da
cara suja de lama
Não se compara
a dor de nenhum drama
A dor de
quem foi levado com a casa
Dor não se
compara
Não se
compara a dor de se ganhar um rótulo
A dor da
intolerância sem modo
A dor do
dedo apontado na cara
Dor não se
compara
A dor do
desgosto pelo trabalho
Não se
compara a dor da mãe do presidiário
A dor da mãe
da vítima caída na sacada
Dor não se
compara
Não se
compara a dor do refugiado
A dor do europeu
explorado
A dor do
extremismo da nossa alma
Dor não se
compara
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Espaço
Escrito por
Rodrigo Domit
– Eu preencho meus dias com ela.
– E quando ela vai embora você fica com um buraco, vazio.
– Não é que eu fique vazio, eu guardo espaço para quando ela voltar.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
Contra o tempo
Escrito por
Rodrigo Domit
Explicou ao filho as coisas da vida e do tempo. Para facilitar, usou o relógio de exemplo:
– Aquele é o tempo, passando.
– Ele fica dando voltas?
– Nem sempre, às vezes passa correndo e nunca mais volta, por isso precisamos correr atrás do tempo.
No dia seguinte, após observar o relógio por horas, enquanto o pai corria de um lado para o outro, o garoto retrucou:
– Você disse que a gente tem que correr atrás do tempo; Mas ele tem uma perna bem maior que a outra, nem consegue correr. A gente é que tem que andar com mais calma, para não deixar ele para trás.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Leia Agora, Serviço de Utilidade Pública!!
Escrito por
André Bortolon
Hoje vou ser breve. Em poucas linhas vou
transmitir a você, leitor e leitora, o que quero lhes dizer. Sei que seu tempo
é curto, assim é o meu também. Então vamos ao que interessa.
Primeiro, o que te faz parar o que você está
fazendo para ler algo? O título? Uma foto que vem logo abaixo ou acima dele (do
título)? Ou você pára o que está fazendo para ler, pois o que você faz te
cansa, e assim, essa leitura poderá te distrair por uns instantes? Se encaixa
num destes perfis? Bem, vamos adiante. Não posso demorar.
Quem sabe você lê porque, ora bolas, você lê
muito. Uau, sim, eu estou ligado que existem pessoas como você. Que devoram
tudo o que veem pela frente. Que andam pela rua, lendo sob um sol infernal, no
meio da multidão. Pessoas que, na falta do que ler, leem toda a bula do remédio,
ou o manual inteiro do motorista do carro (números e siglas inclusas). Que bom
– você certamente vai ler isto, por isso já lhe agradeço aqui, antes do fim
mesmo. Mas falta só mais um pouquinho, vamos ao próximo parágrafo...
Bem, se não leu pelo título chamativo, ou pela
foto chamativa acima ou abaixo do texto, se não leu para se distrair duma
tarefa chata (ou de alguém chato!!), e se você não é o leitor devora-tudo do
parágrafo acima, bem deixa-me ver... Não sobram muitas opções, acho eu...
Rá!!! Já sei!
Você é aquela pessoa que não lê nada. Eu sei,
eu sei. Você é muito legal e tudo, mas você não lê, certo? Nada contra, você
apenas não lê. Sim, eu sei que lá no fundo você é gente fina e tudo mais... e ora
bolas, pra que ler, hum? Afinal de contas... você já sabe de tudo mesmo! Mas é lógico
que sabe! Não, não estou sendo sarcástico, até porque, você já viu tudo no
noticiário de ontem, inclusive isso que estou escrevendo agora. Eu sei que
sim!! E sabe o que mais? Vai acabar no próximo e último capítulo, aqui ó...
Eu sei quem você é, sabia? Quando eu falo com um
de vocês, é pra já que reconheço. Vocês andam como se uma aura de sabedoria
cintilante estivesse sobre as suas cabeças. É fácil notar. Bem, você deve
saber, afinal você sabe de tudo. Inclusive que ler não é para você. Isso, deixa
pros outros, vai. Seja bonzinho. Há muitas coisas boas reservadas para a sua “qualidade”
de pessoa. A política, por exemplo. Para ela existir, é fundamental que gente
como você continue sem ler; viu só? Então, sem mais delongas.
Paro por aqui, conforme prometido; hasta la
vista, baby!!!
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Sem título
Escrito por
Unknown
Que lucidez despertará tua manhã
que maça morderá teu desejo
que vociferar rugirá tua coragem
que janela abrirá teu peito
que sexo revigorará teu corpo
que poesia começara de novo
quando o sol parir teus versos e beijos
que olhar pupilará o céu do teu pensamento
que surpresa presenciará tua essência una
que brancura de horizonte beberá teu deleite
que cara lavada terá tua consciência
quando a poesia lavares na pia
que grito desabafara teu mundo
quando cargas d'Água levantares tua cabeça
que caminho levará teu passo ao outro lado do presente
que cosmo arrepio sussurrará em tua pele
quando ventos solares assobiarem em teu ouvido
quando pássaros cantarem as asas do teu ser
que ruga do tempo apanhará teu sorriso preso
que ruga da tua história lembrará aquele que ficou vivo de ti vivo
quanta alegria dormira tua realidade
quando teu sonho silenciar a vida
que precipício jogará teus sonhos
que sente sentirá nossos ossos
que chuva matará nossos corpos
que recordação carregara no bolso d memória
que que se queixara tua querencia
que olá dirá tua saudade
que distância liga teu reencontro
que desejo reciproca teu caminho
que estrela gritará teu voo noturno insólito na madrugada
quando o silêncio gritar mais alto em tua liberdade
que procura encontrará teu pensamento a reencontrar-se
que loucura repousará teus olhos estasiados e habitará teu reino
quando habitar em ti os sonhos mais deusvaneios
que sorrir sorrei sorrirá teu seio
que vento penteará teus longos cabelos
quando ele passar anunciando
que turbilhão fará teu coração
quando a tempestade tocar-te com fúria e som
que partituras comporá com a visão de novos sóis
que tropeço acentuará tuas sobrancelhas alto como faróis
que caminhar acalmará tua alma
que fruto morderá teus dentes
quando o néctar solar irradiar tua mente
que dengo fará tua vontade
quando o que querias era outro alguem
que feridas esconderá no escuro
quando alguem amares demais
que falta não terão mil palavras
quando beijares tua mulher
quão ventos loucos serás
quando cavalgares nas crinas do vento
que maturescência terá tua juventude
que juventude terá tua maturescência
que musica tocará tuas pálpebras nas noites insones
quando grilos velarem as estrelas
que espada empunhará tua mão
quando começar a guerra de teu coração
que deuses adorará
quando de só um precisar
quem estará contigo
quando não tiveres mais ninguém para estar
que será do teu ser
quando sendo ele não se foi
que será dos teus escritos
quando não tiveres mais que escreve-los
que céus descansará tua alma
quando o teu corpo estiver morto
que poder terá tua palavra
quando não disseres nada de novo
que sentido terá teu sentido da vida
que resposta responderá tua pergunta
quando a própria interrogação foi você
que grave espanto no rosto brilhará tua certeza
que dor no peito sofrerá tua duvida
que camisa de força aprisionará teus sonhos de viver
que sombra inundara teu sono
quando dormires no acalanto estelar
que silêncio fará tua vida
quando a morte em ti chegar
que abraço estará seguro
quando o sol amanhecer e afastar as sombras
que imenso vazio preencherá tua realidade
quando mais nada existir
que lama levantará teu corpo da cama
que bençãos receberam teu corpo
que ar tomará tua alma livre
que riso de criança derrubará teu orgulho
que pegadas deixará teus passos
quando caminhares na estrada da vida
que espinhos pisaram teus pés
que calmaria fará teu tormento
que ais sentirá tua dor
que será do teu amor?
que maça morderá teu desejo
que vociferar rugirá tua coragem
que janela abrirá teu peito
que sexo revigorará teu corpo
que poesia começara de novo
quando o sol parir teus versos e beijos
que olhar pupilará o céu do teu pensamento
que surpresa presenciará tua essência una
que brancura de horizonte beberá teu deleite
que cara lavada terá tua consciência
quando a poesia lavares na pia
que grito desabafara teu mundo
quando cargas d'Água levantares tua cabeça
que caminho levará teu passo ao outro lado do presente
que cosmo arrepio sussurrará em tua pele
quando ventos solares assobiarem em teu ouvido
quando pássaros cantarem as asas do teu ser
que ruga do tempo apanhará teu sorriso preso
que ruga da tua história lembrará aquele que ficou vivo de ti vivo
quanta alegria dormira tua realidade
quando teu sonho silenciar a vida
que precipício jogará teus sonhos
que sente sentirá nossos ossos
que chuva matará nossos corpos
que recordação carregara no bolso d memória
que que se queixara tua querencia
que olá dirá tua saudade
que distância liga teu reencontro
que desejo reciproca teu caminho
que estrela gritará teu voo noturno insólito na madrugada
quando o silêncio gritar mais alto em tua liberdade
que procura encontrará teu pensamento a reencontrar-se
que loucura repousará teus olhos estasiados e habitará teu reino
quando habitar em ti os sonhos mais deusvaneios
que sorrir sorrei sorrirá teu seio
que vento penteará teus longos cabelos
quando ele passar anunciando
que turbilhão fará teu coração
quando a tempestade tocar-te com fúria e som
que partituras comporá com a visão de novos sóis
que tropeço acentuará tuas sobrancelhas alto como faróis
que caminhar acalmará tua alma
que fruto morderá teus dentes
quando o néctar solar irradiar tua mente
que dengo fará tua vontade
quando o que querias era outro alguem
que feridas esconderá no escuro
quando alguem amares demais
que falta não terão mil palavras
quando beijares tua mulher
quão ventos loucos serás
quando cavalgares nas crinas do vento
que maturescência terá tua juventude
que juventude terá tua maturescência
que musica tocará tuas pálpebras nas noites insones
quando grilos velarem as estrelas
que espada empunhará tua mão
quando começar a guerra de teu coração
que deuses adorará
quando de só um precisar
quem estará contigo
quando não tiveres mais ninguém para estar
que será do teu ser
quando sendo ele não se foi
que será dos teus escritos
quando não tiveres mais que escreve-los
que céus descansará tua alma
quando o teu corpo estiver morto
que poder terá tua palavra
quando não disseres nada de novo
que sentido terá teu sentido da vida
que resposta responderá tua pergunta
quando a própria interrogação foi você
que grave espanto no rosto brilhará tua certeza
que dor no peito sofrerá tua duvida
que camisa de força aprisionará teus sonhos de viver
que sombra inundara teu sono
quando dormires no acalanto estelar
que silêncio fará tua vida
quando a morte em ti chegar
que abraço estará seguro
quando o sol amanhecer e afastar as sombras
que imenso vazio preencherá tua realidade
quando mais nada existir
que lama levantará teu corpo da cama
que bençãos receberam teu corpo
que ar tomará tua alma livre
que riso de criança derrubará teu orgulho
que pegadas deixará teus passos
quando caminhares na estrada da vida
que espinhos pisaram teus pés
que calmaria fará teu tormento
que ais sentirá tua dor
que será do teu amor?
domingo, 16 de outubro de 2016
Limpeza estomacal
Escrito por
Júlio Freitas
Vomite tudo de volta
o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu
arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo
ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.
o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu
arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo
ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.
sábado, 15 de outubro de 2016
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
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