
sábado, 27 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Vão
não digere
fere a glote
o trato gástrico
e queima a falta do ato
a falta do fluxo do dizer
é refluxo
incompreensão que teima
vai e vem
e torna em azia
só consegue expressão
no vão do verso da poesia
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Série: Cabeça Oca - VI
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Curiosa
folheava displicente
todas as ruas do bairro
ps: menção honrosa no concurso nacional de poesias Helena Kolody 2009
domingo, 21 de fevereiro de 2010
CWB
Tapete de flores e chuva.
Sob a pressa dos meus passos
Malha de rede esquecida em mar revolto.
Por todos os lados, pessoas voando
Para os clautros aéreos
Nos quais o sol se espelha.
No piso, a centelha da beleza
Que distraída foi flagrada,
Na Curitiba de tantos
Múltiplos nuances ópticos
Entre os seres, o concreto,
Os vôos, as calçadas.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Chave própria.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Pintura a dedo para a distância
Porta aberta pro mar
onde só há serras.
E o Porto que lhe guarda
acaba sendo ainda mais distância que vidraça
Ainda mais maresia do que praça
Ainda mais horizonte que bom tempo.
Benditos segredos que se arrastam
dentro dos cantares oceânicos.
Nem sempre somos amantes.
Carregadores de vida é o que somos:
papel de jornal velho,
andantes por caminhos eternos,
vidas carregadas de sonhos
(Jessiely Soares)
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Mergulhando Ressacas
Amanheci sob o sol e continuei meu caminho. Já acostumara com essas tormentas.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Convidado Cleber Pacheco
restaura a floresta,
bom do ruim
que renega e atesta.
Árvore e fruto
sem gosto e raiz,
improvável furto
que doa e desdiz.
Restaurada areia
de sede isenta,
coração e veia
que a morte inventa.
---
Cleber Pacheco
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Saqueador de Almas
Um vampiro faminto saqueador de almas corruptas,
Suas habilidades e poderes são tão intensos quanto sua fome,
Possuía um desejo pervertido e insaciável por sangue.
O Poder consumia sua sanidade ao correr por suas veias,
Sua energia exalava terror pelas noites nebulosas de caça,
O usurpador saía faminto de seu túmulo à noite,
Sua luxúria era saciada em caçadas por carne e sangue.
Há muitos séculos perdera seus traços de humanidade,
Seu Ka fora amaldiçoado, não chegaria ao Amenti,
Ganhou uma existência amaldiçoada pelos deuses,
Agora o Egito adquiriu um novo demônio sanguinolento.
Passou suas garras e presas nos corpos de suas vítimas,
Dilacerou carnes e ossos por fome e prazer,
Corpos em espasmos foram consumidos pelo monstro,
Gritos e violência contagiavam ambientes invadidos.
Sobraram paredes e um assoalho manchado após sua visita.
Correu para banhar-se, ainda com mãos e lábios vermelhos.
Gargalhou de si mesmo vendo seu reflexo turvo,
Olhou seu próprio rosto pálido e brilhoso no espelho.
Na banheira cochilou como se fosse seu valioso sepulcro.
Sua ira e gula fizeram-no chorar parcas lágrimas inconsistentes.
Sua noite estava acabando, tinha de fugir do sol,
Vestiu outras roupas e retornou voando como névoa.
Sangue corrupto era o seu alvo, o Néctar do Justiceiro,
Era o Saqueador de Almas, um semideus sugador de sangue.
Seus leais servos enalteciam de seu egocentrismo divino,
Somente espíritos nobres salvavam-se de sua fome agressiva.
Novas noites sangrentas ainda alimentariam o insano usurpador infeliz.
- Mensageiro Obscuro.
Junho/2007.
-- Glossário --
Amenti = Habitação dos mortos, a segunda etapa da Viagem, morada de Osíris onde são julgados os mortos.
Ka = Estranha dualidade do morto: Alma e Guardião, Corpo Vital e Gênio Protetor.
Néctar = Alimento dos deuses. Dava imortalidade aos que o comiam e tornava-os eternamente jovens e radiosos.
Segunda Morte = Para os egípcios a morte material pouco importava, para eles era bem pior ser um espírito perverso a receber altas punições na sua pós-vida no Além, então a Segunda Morte sem dúvida era a pior punição acima de maldições divinas.
Foto: Boris Karloff como Imhotep no filme "A Múmia" (1932).
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Convidada Fran Duarte
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
aura rara
sábado, 6 de fevereiro de 2010
ensaio sobre a imbecilidade

só imbecis quebram garrafas cheias de cerveja
na cabeça de outros imbecis
só imbecis desperdiçam o líquido amarelo precioso
borbulhante
e o rubro
espumante
precioso a enfermos e vampiros
só imbecis escrevem imbecilidades
quando não têm nada a dizer aos demais imbecis
que lêem com olhos míopes, turvos e idiotas
palavras imbecis e tortas
pensam-nas imbecis (traidores do movimento)
preparam tortas de morango e leite moça
bebem red bull com uísque old eight e gelo
arrotam e peidam e riem e filosofam
a inesgotável filosofia obtusa e imbecil
transitam com lepidez e imbecil sensatez
entre o teatro e o morro
entre mozart e mc catra
entre a mão e a pata
a loura e a mulata
o estúpido e o douto
o cancro mole e o duro
a tísica e o câncer
o haxixe e a cachaça
assim falava zoroastro:
o homem é um ser imbecil
desde o berço (pequeno, logo, imbecilzinho)
preparem seus cerebelos
estendam o tapete de alfafa
babem, gargalhem, lambam a própria cauda
ele está ao umbral
a quintessência do homem
o super-imbecil
venha o cálice, bebamos todos
um brinde à imbecilidade humana
Carlos Cruz - 02/01/2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Um curta com algumas palavras minhas
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A Travessia
e serei novamente um cadáver agradecido
com um sorriso nos lábios
e a tranqüila serenidade
daqueles que não souberam que partiram,
dos que se foram sem se despedir
(lançados ao espaço por desproporcionais choques de massas)
enquanto o corpo descrevia uma parábola descendente
parando no meio do asfalto, meio morto
(morte de cachorro louco, dia frio, na beira de um meio-fio)
Nós,
os que sempre se vão na hora errada
não queremos mais mundos obscuros
onde as lágrimas não podem passear pelos rostos
e as dores não podem ser acariciadas
à luz do dia
Todos os dias
Por conta dessa noite de virgens loucas
a poesia nada mais é que um momento trágico e mágico
eternizado por uma pena perdida
(no fel da loucura embebida)
servida em cálices altos
aos que se embebedavam
no festim da vida
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Letras em Teu Corpo - Flá Perez
fazemos poesia e amor até bem tarde.
E ela acorda cedo de manhã.
Beija minhas costas, me acarinha .
Eu a puxo de volta, vasculho seu corpo,
encosto todo meu desejo nela.
Mulher que penso submissa, abelha rainha ,
se desvencilha e sai apressada.
Durante o dia sinto seu cheiro em minhas mãos, nos lábios,
refaço cenas, passo a passo.
À noite, quando chego da minha lida, a encontro na cama,
cabelos molhados, adormecida.
Por um tempo velo seu sono,
- algum tremor passageiro, algum sonho –
Não me contenho:
exploro, farejo, beijo.
Minha felina se estica,
abre seu sorriso mais lindo,
Abre as pernas e me recebe.
Quente, quente, quente!.
Então começamos tudo de novo...
Ah! vida meio vagabunda essa da gente!
Que não acabe nunca!
(Repostagem de 03/11/007, com vídeo).
Cesar Veneziani declamando no Politeama:
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
três ds
ou aprender a esquecer os sonhos?
será que viver é morrer a cada dia
ou a morte só encerra as decepções?
será que aceitarei tantas derrotas
ou simplesmente não irei mais tentar?
desilusões, decepções, derrotas
será que viver é lastimar-se
ou é preciso se prender aos serás?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Lugar Comum
Fazer todo um poema de rimas
Desgastadas, cansadas, cretinas.
Vou rimar “coração” e “paixão”.
Vou usar só palavras banais,
Desfiar rimas burras e pobres
Até que nenhuma mais sobre
No meu velho e surrado Houaiss.
Vou fazer construções qualquer-nota,
E usar, sem ter medo nenhum,
Um milhão de lugares comuns
E as hipérboles mais idiotas.
Não faz mal se for tudo clichê,
Pois no fim resta salvo o poema
Se tiver algo raro por tema
E esse algo, mulher, for você.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
TerreMortos
Haiti
pobre
pedra
podre
que treme
e trama
o trauma
em tanta gente
domingo, 24 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
A vida imita a arte
Os socorristas se abraçaram chorando enquanto a velhinha, coberta de pó, era colocada numa maca improvisada onde recebeu soro intravenoso e um cobertor térmico antes de ser levada para um hospital.
Anna Zizi foi resgatada duas horas antes de completar exatamente uma semana da ocorrência do terremoto que devastou o país.
"Nunca perdi a esperança. Nunca. Rezamos muito", afirmou o filho de Zizi, Maxime Janvier.
Fonte: Notícias UOL
Foto: Catedral de Porto Príncipe após os terremotos, tirada por Rafael Beleboni
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Ciranda
Sobre a eclíptica.
Em dança climática e cíclica.
Rítmica das estações.
Outonos e invernos,
Primaveras e verões.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A dor do Haiti

Mesmo cá, eu choro e sinto a dor daí.
O terremoto que abalou o mundo
Ainda faz tremer meu ser
Que vê tanta dor e angustia
E quase nada pode fazer.
Fico eu cá, vendo vos ai.
Em oração e pensamento
Manifestando o desejo
De não mais sentir a dor que dói ai.
Ai! Ai! Haiti!
Termino eu cá, pedido a Deus
Para abrandar essa dor aí.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Sem desistir.
Não venha com dramas já não choro ou descabelo,
da sua menina resta a mulher sem pressa,
a parte mais forte daquela que por você ressuscitava
a coragem de quem gozava dos carinhos o melhor.
Passei da fase de ter alguém pelas metades
se é isso o que quer procure outra qualquer,
meu passo é longo e mais longe estão meus olhos,
os dedos querem geografia carnal de alguém com fome.
Não ouse ligar ou pense em surpresas,
cansei de brincar com quem não sabe jogar,
respiro a beleza dos que sabem amar sem temores
os recortes enluarados dos meus destinos de fêmea.
Eu quero sugar dos delírios os risos alados,
as rebentações de todos os gozos mordidos
e adormecer suada em braços exaustos
sem noção de que possa no aconchego haver perigo.
Há em meu peito o tremor de mil silêncios,
basta de dores e amores vadios, vazios.
Caía fora, já passou o seu tempo,
agora só cabe em mim aquele que for para sempre.
(E nem sempre há o para sempre, mas eu insisto).
Eliane Alcântara.
domingo, 17 de janeiro de 2010
O Capibaribe e Sua Guerra
Na noite de hoje, eu estava atravessando a ponte e, subitamente, decidi parar. Acabara de escurecer e era hora dos trabalhadores fatigados retornarem ao lar. Mas era uma noite incomum, dessas que não tem no Recife facilmente. Não havia sinal de engarrafamento numa das principais vias da cidade, nem buzinas e motores soprando suas melodias. Por isso decidir parar e observar como estava a noite para o Rio Capibaribe, se ele também compartilhava do breve regozijo de uma cidade em paz.
Suas águas carregavam um grande Mapa Mundi de nuvens, como que disposto em uma extensa mesa flutuante. Distinguiam-se os continentes cinzentos em sua imensidão, separados por oceanos negros. Enquanto eu fantasiava sobre qual seria a minha pátria querida, vi surgindo embaixo da ponte uma água podre, de tom mais claro, porém pestilento. Depois eu entendi que era como um estandarte, representando o silencioso contingente de lixo que avançava. Não tardou para invadir os continentes anuviados até dominá-los por completo. Um a um, estes foram caindo diante de sua força interminável, pois quando parecia que havia terminado um ataque, logo em seguida vinha um ainda mais forte e fulminante. Era uma guerra silenciosa, mas feroz. E o Capibaribe agonizava. Numa atitude desesperada, deu as ordens às suas águas e tentou recuar, mas a mesma correnteza que o recuou foi a que fez avançar ainda mais o exército em sua perseguição. O campo de batalha foi deixado desconfigurado. Os continentes sem a mínima força ou esperança de reagir.
O mais curioso é que neste exato momento olhei para o céu e o Mapa Mundi de nuvens estava intacto, numa tranqüilidade digna somente dos deuses. Assim o Capibaribe foi sentenciado a travar, sozinho, sua guerra contra os dejetos humanos.
André Espínola
Dos tempos chuvosos
01:36, sábado.
O tempo conjuga
medidas de vida
em ventos polares.
Arranham minha janela
em doses
tão maiores
que meus conhecidos
ares
Se eu abrir a vidraça pro mundo
ele me arrancará tudo.
Tudo que me cabe é um quadrado
muito menor que ela.
Tempestade, tempestade
passa.
A minha vida é uma fragata atracada
já não pode mais
ir ao sabor das velas.
(Jessiely Soares)
Imagem: Priscila Pimentel
sábado, 16 de janeiro de 2010
Retalhada

São retalhos
e não são desta saia
ou da colcha que repousa
segura do meu amor e lembrança
dentro do guarda-roupa
São retalhos
e oxalá fosse só dentro de mim
Mas não!
É dor esparramada
cheiro azedo
de felicidade estragada
Escombros no chão.
Ruínas
de Reis
e de Luízes de Paraitinga
E antes de sepultar meu amargo
a terra fez sua dança desajeitada
e de novo um cheiro de azedo
agora, de pouca felicidade estragada
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Passeio
PASSEIO
Hoje visitei a beira do abismo
Eu e meu jeans
No fundo, sempre achamos que o tempo não iria passar
Acocorei-me sobre o limbo que cobria o chão que pisava
Abotoei uma borboleta amarela na lapela
Cobri-me daquele sol desbotado e velho
Apanhei um cogumelo solitário que insistia em crescer na pedra
Cheirei duas nuvens passageiras
Mas resolvi não olhar para o espelho do mar
E o azul acima da minha cabeça sempre me desafiando
Resolvi seguir pra lá
Estou cansado de tentarem me convencer que envelheço
(Celso Mendes)
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
No cais deserto
(Sonia Cancine)
.
A sina da vida me ensina amar
- sem narcisismo, eu sei -
Embora a luta persista no mundo
A maior delas é vencer a si mesmo.
No instante do amargo sabor
Que [aos teus olhos]
Peregrinam no barco da dor
O entendimento confuso
No mar dos pensamentos, navega.
Mas no teu barco junto ao vento
E nas ondas do teu olhar
Navegam sentimentos.
Carregada de um silêncio mortal
Abro a janela, entreaberta do caos
E não reconheço o arrebol
Que outrora refletia emoções.
Será que não o deixei antes de à hora
Despontar-se a de mim?
É o íntimo abatido de face cansada
Cansada
De esquadrinhar sempre sozinha
No cais deserto, o meu barco.
De ouvir ecos na sombra da voz
Que clama em chama por liberdade?
De escapar infeliz das lições
E das artimanhas nas manhas
Deste mar de contradições...
Mas sobre a areia molhada
Tua voz eu escuto...
Afaga-me a alma numa onda calma
Ecos que chegam ao meu silêncio.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Cadeia Alimentar
Teu sangue está temperado para o banquete,
Eles estão às tuas costas a seguir seu aroma,
Corra, pule os muros, arme-se e esconda-se,
Não deixe que eles lhe peguem, corra!
Na noite a sede aplaca os famintos,
Tu és a presa, eles os caçadores,
Não deixes tua vida escapar do corpo,
Fujas enquanto pode, combata teu inimigo,
O terror e mistério lhe caçam.
São bestas de sede insaciável, malditos!
A gula implacável de imortais noturnos,
Corra dos sanguessugas que lhe farejam,
Vidas humanas são teu alimento.
A existência frágil contra existência trágica,
A sentença mortal contra a sentença eterna,
Humanos e vampiros, duelo de dois monstros,
Resolução de apenas mais uma cadeia alimentar.
Eis a cadeia alimentar: mais um vivo saciou um vampiro.
- Mensageiro Obscuro.
Fevereiro/2007.
Foto: Conde Stradh por Clyde Caldwell.
Página do artista: http://www.clydecaldwell.com
domingo, 10 de janeiro de 2010
Border
Vê como é tudo?
Pedra planta bicho homem:
o sim não exclui o resto, encontrou o infinito.




