terça-feira, 30 de agosto de 2011

Convidada Iara Fernandes

Organizados são eles


...Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central...

(Chico Buarque)


O primeiro contato do dia foi a voz de Silas:

“Doca, semana passada cê ficou no posto da República. Hoje é na Atlântica?”

“Isso. É eu, a Joana e o Tota, por quê? Tá preocupado?”

“Preocupado com tudo. Preciso é ver um futebol na TV, viajar. Sabe aquilo de cachorro, criança, sogra? Coisa de vida de gente normal. Nem sei mais o que é isso. Minha mulher fica me cobrando.”

“Xi!!! Então vê se se ajeita, mas vai ficar difícil sem você nas coordenadas.”

“É. Mas, vou esperar acabar essa semana. Preciso ver quanto vamos lucrar. Os clientes estão ficando espertos e a concorrência não dá trégua.”

Enquanto tomavam café, Joana e Doca viram no noticiário que os assaltos na cidade reduziram-se em 23%. Ganharam a rua e assim que o ônibus se alinhou à calçada, entraram e tentaram se equilibrar no balanço agressivo da geringonça. Desceram bem no centro, rumaram para a Atlântica e encontraram-se com Tota.

Osvaldo coordenava o posto da avenida Afonso Pena. Andava atribulado com Marão, filho de Felicce, compatriota de Picollo Barnabieri, o dono da empresa. A atividade lá exigia terno discreto e cabelo comportado. Marão contrariou. Alegou o ridículo do traje e deu-se folga naquela sexta-feira.

Doca, Joana e Tota posicionados. Doca comunicava as características das vítimas a Tota. Joana – discreta e meiga – abordava outras na agência mesmo, surrupiando carteiras, cartões e senhas. Tota, na moto, percorria a rota dos indicados. Depois de um grande saque, foi dona Aurora chegar à porta de sua casa e um motoqueiro derrubou-a, levando a bolsa.

Ágeis na comunicação, lucravam alto. Em 2006, Picollo premiou os três com passagens para o Nordeste.

“Silas!”

“Diz aí, Osvaldo.”

“Silas, esse cara vai melar!”

“Peraí! Problemas no posto da XV de Novembro. Sexta lá é foda!”

Porra! Eu preciso resolver essa parada agora!”

Tá falando do Marão? Que que tá pegando?”

“Vou acabar com ele!”

“Calma! Seu Picollo te apaga. Pensa nos seus filhos!”

“O caralho! Foda-se! Tira ele da minha equipe!”

“Desloca você lá pra XV. O grupo de lá tá desfalcado, hoje.”

Na semana seguinte, as equipes reunidas. Picollo distribuiria prêmios. Marão queria função de destaque, mas não fora agraciado. Antes da fuga, entregou todos e a reunião foi barulhenta: sirenes, tiros, alto-falantes.

O delegado – cara rechonchuda e rosada de anjo barroco – detalhava, orgulhoso, o feito. O repórter, falando em “administração” “coordenação” e “planejamento”, mostrou onde e como funcionava a central.

Picollo extraditado, Silas, penitenciária estadual, Doca, presídio de segurança máxima e os outros espalhados em outras prisões.

O doce de coco veio para Silas, camuflando o celular. Na vasilha de rosquinhas entregue a Doca, um aparelho caramelado, funcionando com perfeição.

Doca!”

Silas?”

Como vai, meu velho?”

Indo... Algo em vista?”

Picollo fez contato. Em breve a gente volta.


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Iara Fernandes

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sábado, 27 de agosto de 2011

Fotos - Cataratas do Iguaçu

Galerinha, como estamos em um bar virtual, aberto a toda manifestação artística, seguem algumas fotos de uma viagem recente às Cataratas do Iguaçu:







sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vital

tudo
inexoravelmente tudo
leva a você
fim maior

mesmo pétreo
cedo ou tarde me desfaço
e
esteja onde estiver
sigo incansavelmente
até seu ser

mesmo nos céus
meu destino
é o mergulho em seus braços

eu
fluído vital
você
o mar
amar
amor

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Amparo

Na desforra
até ouso blasfemar

Mas no desespero
rezo fervorosamente

Quando estou para baixo
ter um santo ajuda





@bardoescritor


Com a anuência do chefe, está criado o @bardoescritor, que vai puxar automaticamente todas as postagens deste blog. Sigam e divulguem!

http://twitter.com/bardoescritor



Aproveito também para destacar o seguinte projeto, vale a pena conhecer:

http://www.dicionariocriativo.com.br/

domingo, 21 de agosto de 2011

Chico Cateto







Saudade
Tem pele espinhenta
Lambuzada de lama
Do quintal da casa.

Chico Cateto
Chico, cadê tu?

Saudade
Tem morada na beira do rio
Entre os gritos coloridos das araras
E as pegadas que serão afogadas.

Chico Cateto, cadê tu?
De tão doce tens que ter espinhos.



Imagens: Angela Gomes

casa

sabem "casa"? pois bem. existem casas que são muito engraçadas, umas não tem teto, outras nada. existem casas que são de prostituição e casas de reabilitação. dentre todas, a mais engraçada e peculiar, é a casa onde, no interior dela, podemos nos surpreender com uma família de caralhos. para quem lê esta mensagem, que vá para uma casa dessa. que vá para a casa do caralho!

sábado, 20 de agosto de 2011

Convidada Cinthia Kriemler


O ladrão e a alma

O nome Francisco de Assis recebeu em homenagem ao santo. Virou Fininho por acaso, no seu primeiro assalto. Na hora da fuga, como era magro que nem vara foi o único a escapar, esgueirando-se por entre as barras de uma grade de ferro. Daquele dia em diante, o apelido pegou e o santo ficou enclausurado na certidão de nascimento.
A mãe, Dona Cidinha, cozinheira de grandes prendas, deu vida boa a Fininho, dentro do possível, porque queria que o menino virasse “um homem de bem”. Não virou. Firmou-se na vida como ladrão e especializou-se em furto a residências.
Fininho adorava a mãe, mas tinha medo dela. Mulher de bondade farta, virava uma fera com os malfeitos que chamava de “coisa do demo”. Quando pegava Fininho chegando muito tarde da farra, ou sentia nele o cheiro de pinga, obrigava o rapaz a ajoelhar-se em frente à imagem de Nossa Senhora das Graças e a rezar duas Ave-Marias em penitência.
O rapaz protestava, mas ela, irredutível, respondia:
— Reza logo, menino! Uma pelo pecado, outra pelo pecador.
Dona Cidinha jurava que depois das duas Ave-Marias no capricho a Santinha pedia a Deus para perdoar o delito. Por outro lado, se o pecador não se arrependia, e nem rezava, a Senhora pedia às almas do outro mundo para virem atormentá-lo sem sossego. Fininho rezava pelo pavor às almas.
Então, aconteceu o roubo à casa de dois andares. Era ainda cedo quando Fininho encostou o veículo em frente ao jardim. Proprietário de férias, rua tranquila, tudo corria bem. Usava como fachada para os furtos um utilitário branco, com adesivo de floricultura, e nunca estacionava dentro das casas para não despertar suspeita. Além do mais, desde que Zé Gaguinho, seu primo, tinha se juntado ao negócio, as coisas estavam mais tranquilas, porque enquanto um vigiava, outro furtava.
Entrou facilmente na casa e foi direto para o andar de cima. Por experiência, sabia que começar por ali era sempre mais seguro. No primeiro quarto, um aparelho de TV e um de DVD. No segundo, apenas material de costura. Ansioso, abriu a porta do terceiro aposento, esperando encontrar ali alguma coisa que valesse mais a pena.
Na cama, uma mulher idosa parecia dormir. Fininho estancou, sem reação, ficando assim por alguns instantes. Mas alguma coisa ali não estava certa. Aproximando-se sem ruído, verificou e comprovou que a coitadinha não respirava. Morta, completamente morta!
Automaticamente, fez o sinal da cruz e rezou duas Ave-Marias. E já pensava em sair quando enxergou, sobre a cômoda, um colar de pérolas pequeno e uma aliança de ouro. Indeciso, voltou-se para a defunta e desculpou-se:
— A senhora me perdoe, mas isso aqui não vai mais lhe fazer nenhuma falta mesmo.
E agarrou as duas joias.
— Devolva! Isso não é seu! — advertiu uma voz tremida de mulher.
Fininho deu um pulo para trás, apavorado.
— Quem está aí? — perguntou, tirando a arma de brinquedo da cintura.
— Eu, ora bolas! — respondeu a voz.
— Eu quem? — insistiu ele, sentindo o pelo arrepiar nos braços.
— A pobre senhora de quem você está roubando as joias.
Fininho se apoiou na parede, sentindo-se desorientado e tonto. Mas, recuperando-se um pouco do susto, imaginou que aquilo era alguma brincadeira de Zé Gaguinho para pôr medo nele. No auge da raiva, ligou para o primo, reclamando, mas o rapaz, colérico,respondeu:
— Oooolha peeela jaanela paara a r-r-rrua, seu be-besta! Eu eestou aaaqui na es-es-quiiina, tra-traabalhando! Nãão aaamola!
Tentando impedir que o medo tomasse conta dele, agachou-se, procurando pela voz debaixo da cama. Abriu o closet de porta de madeira e espiou, depois mexeu nas cortinas. E enquanto o terror tomava novamente conta dos seus músculos, escutou a mulher irritar-se:
— Como é, vai devolver o colar e a aliança ou não vai? — insistiu a voz que parecia de outro mundo.
Jogando os dois objetos de volta na cômoda, Fininho apressou-se em sair dali, mas antes que seus pés obedecessem, a voz gritou:
— Nem pense em ir embora agora! Se sair daqui, vai se arrepender!
As almas! As almas de Nossa Senhora tinham vindo persegui-lo pelos pecados, pelos furtos, pela vida de ladrão! Bem que a mãe tinha avisado!
Parado no meio do quarto, tremendo, perguntou num fio de voz:
— Dona alma, o que a senhora quer que eu faça para me deixar em paz? Diga!
— Pouca coisa. Uma penitenciazinha aqui, outra ali e você pode ir embora, perdoado.
— É só falar, dona alma! O que a senhora quiser, viu? — continuou, sem coragem de olhar para a defunta.
— Vamos lá. Vou lhe dizer tudo o que tem a fazer. Preste a atenção. Primeiro, arrume as camas dos três quartos.
— Como?! — estranhou o rapaz.
— Isso mesmo, e ande logo antes que o meu filho chegue, porque se ele pegar você aqui é cadeia na certa!
De onde é que Zé Gaguinho tinha tirado a informação de que os moradores daquela casa tinham viajado? — remoía-se Fininho — Ah, Zé Gaguinho, você hoje vai se ver comigo! — esbravejou.
— Alôô! Você ainda não se mexeu, é?
— Mas arrumar as camas é penitência, dona alma?
— Uff...você nem sabe o quanto! Obedeça logo, vamos!
Acostumado a ajudar a mãe em casa, Fininho colocou rapidamente em ordem as camas dos três aposentos.
— Posso ir? — perguntou timidamente.
— Que pressa é essa? Você não estava com pressa quando entrou aqui! Ainda tenho mais duas tarefas para você, antes de deixá-lo partir.
— Duas? Então diga, por favor, dona alma, diga que eu faço!
— 1º: varrer a casa. 2º: preparar o almoço. Só isso. Depois, pode ir embora.
Mas que alma folgada! Arrumar, cozinhar...
— Está pensando em quê? — interrompeu a voz da defunta — Quer desistir? Tudo bem. Eu posso começar a atormentar a sua vida, quer ver?
— Nem pensar, dona alma! Calminha aí! Só estou achando esquisito esse negócio de a senhora ficar me pedindo pra limpar e cozinhar! Isso não parece penitência... É muito esquisito.
Com uma risadinha que deu calafrios em Fininho, a voz explicou:
— Hehehehehe! É que eu fui empregada doméstica. Trabalhei aqui nesta casa durante muitos anos, até hoje, quando morri. E não consigo pensar num castigo pior do que as tarefas domésticas, hehehehehe! Ande! Ao trabalho, meu rapaz! E se quiser falar comigo, volte aqui em cima, porque como eu desencarnei há pouco tempo, ainda não consigo ir para longe do meu corpo. Acho que a missa de Sétimo Dia vai dar um jeito nisso...
Encharcado de suor, aterrado pela companhia da alma, prometendo à Santinha que iria se emendar, correu a se desempenhar das penitências solicitadas. Em menos de uma hora, o cheiro de casa limpa se misturava ao de um almoço apetitoso. Retornou ao quarto e chamou a alma, na esperança de ela ter ido embora:
— Dona alma?
— Terminou tudo?
Ali estava ela, esperando por ele. Alma chata!
— Terminei. Posso ir agora?
— Pode. Agora pode.
Fininho alcançou a porta em duas passadas mas, antes de sair, uma curiosidade que o atormentava falou mais alto:
— Dona alma — perguntou sem se virar — a senhora pode me responder uma coisa?
— Depende, meu rapaz, depende do que você quer saber.
— A senhora é uma alma do outro mundo, dessas que só aparecem quando a gente faz coisa errada, ou é uma alma penada, que não encontra rumo e fica por aí vagando e perseguindo as pessoas? — perguntou sem respirar.
— Com eu disse, depende, meu rapaz, depende.
— Do quê? — insistiu Fininho.
— Assim que a gente desencarna, tem que começar a ajudar os vivos a encontrar o seu caminho. Se corre tudo bem, a gente vira alma do outro mundo. Agora, se o sujeito é teimoso, insiste nas coisas erradas, a gente vira alma penada e persegue o infeliz eternamente.
As pernas empurraram Fininho escada abaixo, aos tropeções, mas antes que alcançasse a porta da rua, ouviu de novo, distante, a voz da alma:
— E precisa rezar, viu meu rapaz? Rezar muito para as almas!
Saiu dali um homem de bem. Sem fazer caso do carro que o esperava com Zé Gaguinho ao volante, desceu a rua feito um louco, repetindo: “Um rosário inteiro, minha Santinha, um rosário inteiro, eu juro!”.
Na casa, uma senhora de cabelos brancos desligou o moderno circuito de comunicação que interligava o seu closet ao closet do quarto ao lado, ocupado pela defunta que tinha lhe servido de empregada, de companhia e de amiga pelos últimos 40 anos de vida.
Entrando no quarto da morta pela porta camuflada atrás das prateleiras, colocou-lhe no pescoço o pequeno colar de pérolas e sussurrou em seus ouvidos:
— Quem diria, hein, minha amiga? Afinal, a tal geringonça que o meu filho tanto insistiu em instalar entre os nossos quartos teve a sua utilidade!
E soltando um riso abafado, completou:
— Eu não lhe disse que você podia partir tranquila que eu dava um jeito de me


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Cínthia Kriemler é carioca e mora em Brasília há mais de 40 anos. Relações Públicas por formação. Contista e cronista por necessidade de respirar o ar meio puro, meio diesel das palavras. De vez em quando, passeia pelas Cartas e Artigos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Crime Passional

Estava cagando e com uma dor de cabeça terrível. Em minhas mãos, um jornal da semana passada. Com minha visão turva, olhava-o sem ler. Fazia força. Suava. Saiu, enfim. Uma respiração de alívio se seguiu. As palavras do jornal tomavam forma. Pude ler: “Mulher assassina ex-marido no quarto por ciúme”. Chorei. Uma sensação indescritível de inveja tomou conta de mim enquanto me limpava. Não pude evitar e imaginei a cena. Uma mulher ensandecida invadia o quarto com passos fortes, nervosos, porém decididos. O homem a olhava com surpresa e curiosidade. Ela escondia uma arma. Suava. Fazia força. Puxou a arma. Saiu, enfim. Após primeiro tiro o homem a olha incrédulo, como uma grande interrogação. Não sentia dor. Suava. Olhou-a nos olhos. Chorou. Lágrimas corriam por seus olhos enquanto mais dois tiros se seguiram. Ele, debruçado na cama ensanguentada, olhava para o teto enquanto sua vida se esvaía. Ele ainda lembrava-se do olhar dela ao puxar o gatilho. Sorria. Por fim, suspirou, feliz: - Meu deus, quanto amor havia em seus olhos! Morreu. Terminei de me limpar, dei descarga e abri a porta pensando que alguma mulher imaginária iria irromper pela porta com uma arma na mão e olhos de amor para me matar.

André Espínola

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Convidado Marco Buzetto

Aske I

A pergunta que ficou no ar, sobre mim, fora exatamente a que menos queria saber. Haveria, eu, encontrado o que queria?
Maldição! Claro que sim! Infelizmente.
Passei alguns anos em companhia de outras pessoas, e me cansara de tal maneira de mim mesmo, que tudo o que mais desejava era a solidão, e chamava isso de liberdade, por mais que a companhia da terceira tenha me feito o mais feliz entre os pagãos de todo o mundo, em pouco tempo.
Esta foi uma cicatriz que nunca se fechou. Procurei a liberdade, encontrei-a, mas perdi minha sanidade controladora.
Quis, por muito tempo, dizer algumas palavras depois do final. Mas sempre que tive a oportunidade, a coragem me abandonava, e eu pensava mais do que duas vezes nas conseqüências. Conseqüências estas que quis a todo custo evitar no futuro, pois sabia, tinha certeza de que viriam, ruins, pesadas, e dificultariam ainda mais as coisas para nós dois.
Certo, é verdade: quis sua felicidade a qualquer custo, mesmo que isso significasse abandonar o barco, pular no cosmos. E fora o que fiz. Eu tive a certeza de que não conseguiria trazer esta felicidade se permanecesse naquele sorriso. Me arrependo amargamente até hoje, até meus últimos dias.
Não tenho inveja, não tenho ciúme, não possuo lágrimas visíveis nos olhos. Não pergunto ou quero saber de sua vida. Nada disso! Quero apenas um pós-escrito, que talvez um dia seja lido e lembrado, como minha cicatriz eterna nos olhos e em minha língua.
Maldição! Quis tanto uma coisa, que abri mão de minha sanidade. Quanto a tal liberdade... Rufh!... Tornei-me seu prisioneiro mais fiel.


* * *
Marco Buzetto é professor.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

BURRICE EMOCIONAL


Deveria existir um manual de fim de relação
Aprenda a terminar com sua mulher
Algo absorvendo o sofrimento de uma
Ou ambas as partes do relacionamento
Absolvendo
Como dar a notícia final
Não gosto mais de você
Não funciona!
Tô comendo outra
Pior ainda!!
Você merece mais
Hipocrisia!!!
Talvez peidar na cara dela quando estiver fazendo sexo oral seja a melhor opção
Um jato de merda mole e quente em sua face
Durante a felação
Seria perfeito
Não
Definitivamente não
Foi só uma ideia
Pelo menos ela sentiria nojo
Não rejeição
Rejeição é o pior pensamento humano
Rejeição deságua negação
Negação
Não
Não tenho o manual
Tento ser sincero
Não trair a alma
Trair é mentir a sua verdade ao outro, a quem você diz gostar.
Verdade
Mulheres não gostam de verdade
Tentei dar a minha
Rejeitaram
O importante...
... Não é a verdade
O importante...
... É o que sabemos
Vai saber...
Uma coisa eu tenho certeza
Burrice emocional irrita profundamente

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

white lies



fantasma vago
ponto cego
no canto do olho

desaconteço

o mundo adolesce
treme e eu encolho
num canto desse quarto crescente

fotos, câmeras, manifestos
desvarios roucos
punhetas entrópicas
afogam ofélias

insepultas e castas
flutuam dormentes
recitando cantigas mortas
versos inúteis

resgatam insetos
riem dos manifestos
rasgam incunábulos
repletos de promessas

fatos, atos, ratos, mortos
falos, otelos, ralos, ateus

cubro teus ouvidos
protejo tua pele nua
enquanto danças evitando
roletas poliglotas
filtro meu olhar em verbos
traçando esses caminhos intransitivos

“quem lê tanta notícia?”

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Beleza Irrefletida

Narciso, no sertão aflito,
não vê lago ao largo
para se ver refletido,
e não vendo que não há Eco
para os seus gritos
se desespera...
e acaba afogado em lágrimas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

estirpe

pede os calos do mundo
como se soubesse suportar
mas mal entende a realidade

roga os vazios mundanos
como se ainda existissem lutas
que não causassem danos

sabe bem de sua origem
mas não lhe cobrem os panos
mostra-se nua feito as putas

não há como julgar uma rainha
essa que se cobre de enganos
só há o que dizer do belo

daquela que nos enfeitiça
sobram as lágrimas
de quem viu e não pôde tocar

sabe bem de sua semente
musa rubra de felicidade
pouca e pernoitada

vê que não lhe pedem nada
além do suplício de ser
a vertente intocada.

a visita do poeta

foi numa tarde de quarta
poucas horas
mais que um livro
dono de olhos opacos
como que insatisfeito
tinha poesia nas mãos
bem mais que um livro

e ficaram as palavras apenas
e a indagação
do que eu olhava
ficaram as palavras apenas
naquela casa simples
de piso frio e dedos mornos
a visita do poeta
deixou-me poetiza
bem mais que antes

ele me contou
que há vinte e seis anos
chora
olhando o horizonte
não querendo sol.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Carnívora


Talvez tenha entendido errado
e se encolheu num canto,
feito menino intimidado.

- Loba em pele de Chapeuzinho,
sempre levo a culpa pelo estrago -

O gatinho ficou assustado.

Então faço ron ron no peito,
seus pelos

e falo

:

- Felino...

Pra ficar mais relaxado.

(Ai, que porre ser perigosa
a animais domesticados!)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ideia adversa

reflita:
a ideia adversa
que te irrita
é só o que você não aceita

digo: aceita
verá que a briga aflita
é tolice controversa
se tolerar facilita

sábado, 30 de julho de 2011

Convidada Simone Pedersen

FIM DA VIDA

I
Tem dias que acordo, assim, com medo da vida. Fecho as cortinas, tiro os sapatos, me visto de silêncio e me alimento de lágrimas.
Desligo o telefone, dispenso a empregada e coloco meu gato para fora. Tento afastar o mundo com as mãos enquanto me cubro com as cobertas.
Dizem que é coisa de poeta. Outros, que é coisa de louco. Como se dor fosse privilégio de alguns. Mas o que vejo quando permito que o mundo entre em minha casa, pela tela falante, causa muito mais dor do que eu já sinto. O mundo está rachando em tsunamis e terremotos. Furacões furiosos devastam o que destruímos antes superficialmente. Vejo crianças com fome, outras trabalhando enquanto sonham que estão brincando de escravos. Escuto mentiras vestidas de promessas. Assisto a comerciais que oferecem sonhos. Vejo, assustado, dragões se alimentando da esperança de inocentes.
Percebo que sou uma sombra projetada na parede, distorcida e fraca. Fecho os olhos e busco desesperadamente, no cinema de minhas memórias, lembranças que sirvam de elixir da vida. Penso no meu jardim, com sua jabuticabeira que enfeita os cabelos com brancas flores, como noiva ao caminho do altar, fecunda e acreditando em seus frutos. Sinto o pelo macio de um cachorro feliz, que abana o rabo somente porque eu cheguei. Escuto a gargalhada de um bebê encantado com uma bexiga que lhe escapa das mãos e vai cambaleando como um bêbado pelo teto da sala. Lembro-me dos aniversários festejados com beijos e abraços.
Onde estarão meus filhos? Onde estarão os amigos? Onde estará a vida? Se eles soubessem que os velhos precisam de tão pouco... Uma visita de cinco minutos é o melhor analgésico. Notícias dos netos que fizeram um passeio nos levam a viagens indescritíveis. Tão pouco para nós. Sei que muito para eles. O mundo dos jovens é outro. Cheio de aventuras. Conquistadores, desbravam o mundo.  Mas ainda não são altruístas o suficiente para dividir com os idosos. Com o tempo, perceberão que tudo passa. Não há tristeza eterna. Nem felicidade.
Olho no calendário e controlo as datas marcadas em vermelho. Nos aniversários eu posso ligar, que os encontro em suas casas. E aguardo ansiosamente o dia dos pais, do meu aniversário e do natal. É tudo que resta do ano para mim. Três dias em que eles aparecem. Três dias em que eu abro minhas cortinas, me visto de terno e gravata, e sento-me na varanda para aguardá-los.

IITalvez sejam agraciados os que lá chegam. Há poucas semanas, perdemos um amigo de cinquenta e quatro anos que teve um ataque cardíaco após jogar futebol por meia hora. Deixou esposa e duas filhas adultas, além de uma netinha. Semana passada, perdemos uma amiga de apenas trinta e cinco anos. Ela deixou o marido e o filho de quatro anos cuidando da bebezinha recém-nascida de quinze dias. Teve um AVC seis dias após o parto, foi internado em coma e não mais acordou. Morreu feliz por ter tido a menina e completado a família que não pode acompanhar. As fotos da gravidez, ultrassom, escolha do nome, cada momento foi compartilhado com amigos pelo Facebook, inclusive a notícia de sua morte. Quando a morte chega tão perto de nós, refletimos sobre a vida. Cada dia é um mistério. O simples fato de viver é um mistério. Seria prudente se celebrássemos a vida e dedicássemos mais tempo às pessoas que amamos e menos tempo ao mundo das coisas.
Todos que se foram até hoje, foram de mãos vazias. Só nos resta preencher o coração. Agende, se preciso for, uma visita aos familiares e amigos. São os únicos que nos amam independente do que temos ou somos. E, quando partem, não temos como voltar nem um dia para dizer o quanto os amamos, fazer uma visita ou um carinho.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fotos do Brasil

Pessoal, resolvi variar um pouco e resolvi publicar algumas fotos de lugares por onde passei.


BONDE EM SANTOS (SP)


MUSEU DOS DINOSSAUROS (PEIRÓPOLIS, DISTRITO DE UBERABA-MG)



FÓSSIL NO MUSEU DOS DINOSSAUROS



ESTÁTUA EM PEIRÓPOLIS



MARIANA (MG)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A cadeira


Ali sentado. O cansaço bate. E nada acontece.
E o cansaço bate mais forte. Bate no corpo, bate no rosto. Não há distração que faça o relógio correr. Ou ao menos andar. No momento, ele parece parado. Parado naquele momento. Todo o resto correndo. E ele parado.
Esperando.
Esparramou-se na cadeira. Como um sorvete que se der­rete na casquinha. Tomou a forma da cadeira. Inerte. Angústia, cansaço. Uma dor que não sabe ao certo se é no pescoço, na nuca, nas costas ou nos três.
Esperando.
Pegou mais um café. Já é o terceiro (é grátis mesmo). Sen­tou novamente, corrigiu a postura. Queimou a ponta da língua. Arqueou novamente a coluna, tomando a forma da cadeira. Su­biu o olhar para o relógio. Aproximou o copo da boca e asso­prou. Seguiu assoprando. O café esfriando.
Esperando.
Pensou que podia ter aproveitado melhor esse tempo. Umas horinhas poderiam fazer alguma diferença. Talvez pu­desse ter adiantado aquele trabalho. Podia ter conversado com alguém interessante. Chegou à conclusão de que nada o impe­dia de conversar com alguém ali mesmo. Era o que pensava. Na prática percebeu que muita coisa o impedia de ter uma boa con­versa. A pressa, o medo, a tendência a não falar nada interessan­te, a falta de intimidade, o distanciamento mínimo comum, o pensamento múltiplo comum, as idéias vagas, as vagas idéias, as idéias procurando vagas, sem espaço para estacionar em meio aos transtornos que ocupam as mentes. Desistiu após duas con­versas sobre o clima, quatro sobre futebol, uma sobre violência e outras três sobre religião. Caminhou desoladamente, de volta para sua cadeira. Não que fosse sua, mas aquela onde ele estava antes, na qual devia ter sentado muita gente diferente. Tentou fazer um cálculo de quantas pessoas deviam passar ali por dia, dividir pelo número de cadeiras e talvez chegar a um número médio de pessoas por dia naquela cadeira. Podia fazer um livro só sobre aquela cadeira e os tantos personagens incomuns que passam por ali. Mas desistiu da idéia. Esparramou-se novamen­te na cadeira. E ficou ali.
Esperando.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Convidado Edson Rossatto

Dia desses, minha mãe veio me perguntar se eu sabia de alguma empresa que estava contratando, pois o filho da vizinha dela estava desempregado, e entre os argumentos de que ele era uma pessoa que merecia a tal chance ela mencionou “honesto” e “sempre chega no horário”. Realmente ser pontual é uma grande vantagem em relação a maioria dos profissionais por aí, porque hoje, se você marca uma reunião às nove da manhã no escritório, ela não começa às nove. Ela começa umas nove e quinze, nove e vinte… Então, quando dizem “te espero às nove” isso pode ser traduzido como “te espero lá pelas nove” ou seu equivalente “a gente se encontra nove horas mais ou menos”. Honestidade também é algo que as pessoas se orgulham em ter. Outro dia, fui tomar um café e paguei com uma nota. O caixa me deu o troco. Eu ia saindo, quando ele me chamou. Ele havia me dado troco para vinte, quando deveria ser para cinquenta. Ele me entregou a quantia certa, abriu um sorriso, como se quisesse dizer “viu como sou honesto?”. Acho que ele esperava ser agradecido por isso, então dei o que ele queria: “Obrigado por ser honesto!”. Isso me fez pensar em quanto nossos valores sociais mudaram. Quando na História “honestidade” e “pontualidade” se tornaram qualidades? O mesmo vale para “justiça. Deveriam ser obrigação de qualquer cidadão. E destaco “justiça”, pois se as pessoas fossem justas não tirariam vantagem das outras e assim extinguiríamos o “jeitinho brasileiro” tão vergonhoso, uma vez que não é justo cortar uma fila, pois as pessoas que estavam na frente chegaram antes. E em algumas situações, essa mentalidade de valorizar aspectos que deveriam ser obrigação de todos nos cega. Quantas vezes, no ônibus, metrô ou trem você se deparou com um vendedor ambulante com o seguinte discurso: - Eu poderia estar roubando ou matando, mas estou trabalhando. Vendo essa caneta por um real. Aí você se sensibiliza e compra a tal caneta, pensando “poxa, o rapaz está trabalhando”. Mas, na verdade, ele está querendo dizer: - Se eu não tirar dinheiro suficiente desse trabalho, vou virar ladrão ou assassino. A responsabilidade é sua. Os valores sociais e a cidadania não podem mudar com o tempo. Pelo menos não negativamente como tem acontecido. Uma forma de preservá-los é manter os olhos e a mente aberta e enxergar as situações como elas realmente são. Fiz o que minha mãe pediu e encaminhei o currículo do rapaz para algumas empresas que eu conhecia, mas não antes de dar uma bela olhada. Entre os motivos que ele julgava que o tornavam apto a exercer uma função naquela empresa, ao lado das palavras “honesto” e “pontual” estavam “ético” e “educado”.

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Edson Rossatto

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bar do Escritor na FLIP 2011




O escritor Wilson R, da Academia Joeense de Letras, preparou o jornal abaixo, com as principais atividades do BdE em Paraty. Clique para ver em tamanho grande.

Abaixo, clipping da Folha de São Paulo, com a foto do Cristiano Deveras como "ativista cultural de grupo alternativo".

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Revisando conceitos

Esse desmanche de fetiches sob meus pés ferem-me as retinas
e hoje eu não estou para limonadas.

Pouco me importa esse seu olhar enviesado
a atravessar meu semblante interditado;
tudo não passa de um espetáculo improvisado
onde citronelas se defumam lentamente
espantando mosquitos, besouros sensíveis e transeuntes anônimos.

Repare nas minhas mãos esburacadas:
elas estão vazando e não consigo mais
segurar suas mentiras nem meus delírios.
Perceba, minha fome está voltando
e meu desejo de devorar feitiços se manifesta
em cada serpentina
lançada de antigos carnavais.

Hoje eu posso digerir o fogo dos dragões sem queimar minha armadura.

Estou jogando as cartas para o ar a espera da mágica;
não se iluda, que a inocência já se foi há muito.
Agora eu vou morder a mesma víbora que me picou e sorver o seu veneno.
E o deleite é nosso, meu amor.

Então vamos, que o inferno ainda não chegou e temos muito o que morrer.


(Celso Mendes)

domingo, 10 de julho de 2011

Convidado Alexandre Brito

ouvi do Leminski num dia de vai e vem
quem gosta de poesia é poeta também





ouvi do Quintana
num dia que ía e vinha
poeta é quem se adivinha
ouvi do Mario no meio da mata
Pirata é leão com espinho na pata


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Alexandre Brito é poeta.

sábado, 9 de julho de 2011

MARIA

MARIA
Romeu e Julieta?


Estávamos sentados
Eu
Lia
José
O lugar
Bar Hipódromo
Baixo Gávea
Conversávamos bobagens
Bebíamos muito
Cheirávamos cocaína
Na mesa em frente
Sentado o tal do Fábio
Namorado da Maria
Não falo com Maria desde o fim de nossa história
Contei ao Fabio as barbaridades que fiz com Maria durante o romance dos dois
Deve ter três meses que não falo com Maria
Cheguei a vê-la uma vez
Ignorei
A vi tremendo de raiva
Querendo matar-me
Voltemos ao Hipódromo
Percebi Fábio observando-me algumas vezes
O fato dele não levantar e vir tirar satisfações comigo
Deixou-me tranquilo em relação a minha infantilidade
Ele ficou com ela depois de eu ter dito tais sevícias
Certamente, ela o convenceu que era mentira.
Homens acreditam em qualquer coisa, quando estão embucetados.
Sabemos só a verdade existencial da mulher dos outros
As nossas mentem sua essência
Não contei a ninguém o observar-me dele
Foda-se
Uma morena deliciosa entrou no bar
Cabelo negro liso
Costas nuas
Um rabo muito tesudo
Deliciosamente, caminhando em direção ao toalete.
Passou por mim
Olhou-me os olhos
Sorriu
Piscou
Nunca foi tão fácil
Mentira
Mulheres são fáceis
Levando-se em conta a maioria numérica das fêmeas no mundo
Fica óbvio o desespero delas por homens
Os homens estão virando viados
Elas descontroladas
Levantei da mesa
Fui atrás do rabo tesudo
Sempre vou atrás de rabos tesudos
Uma coisa mais gostosa na mulher que a própria mulher
É o rabo
Já namorei vários rabos
Levei os rabos pra jantar
Levei os rabos à praia
Levei os rabos ao cinema
Sempre gostei de levar minha vida de mãos dadas aos rabos deliciosos das fêmeas
Na porta do banheiro
Eu espero a saída da morena rabuda
Ao sair
Vendo-me esperando
Foi suficiente
Beijamos loucamente
Entre um beijo e outro
Sugeri a minha casa
Ela aceitou
Chegando lá, trepamos.
Seis vezes
Todas sem camisinha
É ilógico
Deve ser
Assim tem sido minha ativa vida sexual
Mulheres não estão nem aí para preservativos
Querem sentir a porra jorrando dentro
Mulheres são reservatórios de porra
Não sou eu que digo
Quem afirma isso em autobiografia publicada
É a francesa e crítica de artes
Catherine Millet
Bagatela à parte
Acordarmos pela manhã
Eu e a deliciosa morena
O rabo e eu
Trepamos
De novo
Duas vezes
Ela tomou banho
Foi embora sem eu saber nada
Nem mesmo precisei levá-la à porta
Adoro mulheres independentes
...
Dois dias passaram
Eu em casa sozinho à noite
Toca o telefone
Atendo

EU - Alô

ELA - Alô

EU - Quem tá falando?

ELA - Sou eu Maria, posso falar com você?

EU - Tá maluca, tá me ligando depois de tudo que falei pro corno do seu namorado.

ELA - Tudo bem com você?

EU - Você é barata mesmo

ELA - O Fábio falou que viu você no Baixo Gávea

EU - Pois é eu o vi e daí

ELA - Por que você não falou comigo outro dia?

EU - Depois do que eu fiz?

ELA - E daí, tô morrendo de saudades de você, te adoro.

EU - Porra, eu te vi tremendo naquele dia, achei que você queria me matar.

ELA - Eu te amo

EU - E o Fábio?

ELA - Esquece o Fábio, ninguém é homem como você.

EU - O que você quer?

ELA - Quero você, me fode hoje.

EU - Claro que não, já tivemos cinco anos de doença sentimental juntos, não quero.

ELA - Eu faço o que você quiser, pode-me sodomizar.

EU - Não quero

ELA - Por favor, eu pago o motel, preciso da sua pica.

EU – Nem vem

ELA - Me come amanhã, amanhã é meu aniversário, eu dou perdido no Fábio, olha a moral que tô te dando.

EU - Tá bom, só vou te comer e você paga o motel.

ELA - Obrigada, não vai se arrepender, te amo.

Dia seguinte
Encontramos um ao outro
Abraçamos
Dei os parabéns
Fomos ao motel
Transamos como condenados
Três longas vezes
Depois conversamos
Nossas vidas sem o outro
Maria disse amar-me
Eu diria
Amarrar-me
And...
... End...
Pediu pra voltar
Esvaindo em lágrimas falou ter que confessar coisa horrível

ELA - O Fábio falou que você tava com uma morena no Baixo Gávea

EU - Quem?

ELA - Uma morena

EU - Sou solteiro, você tem namorado, tá me cobrando o quê.

ELA - Eu mandei a morena pra você

EU - Você é maluca, sabia que era roubada te encontrar. Sempre da merda.

ELA - Eu estava com raiva de você, você me ignorou.

EU - Eu já disse, achei que você queria me matar.

ELA - Eu te amo

EU - Ama porra nenhuma, por que mandou uma mulher ficar comigo, você é louca...

ELA - Ela tem aids

EU - Você é doente...

ELA - Eu estava com muita raiva de você

EU - Não acredito

ELA - Por isso te liguei, por isso estou aqui, por isso transei com você sem camisinha, agora eu também tenho aids, estamos ligados pra sempre, quero sofrer com você, eu te amo.


FIM

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

sexta-feira, 8 de julho de 2011

sinas e tentáculos


Finalmente desentendi
Não me pergunte quando
Deslembro, apago e afago
O dia, a semana, o mês

Você estava lá e basta

Desmonto todos os fatos
Desencaminho sinas e tentáculos

Teu sorriso assassina regras e atos

Ando farta de fatos
Dessas dúvidas órfãs

Numa tarde vazia
Recito orações tecidas em desvario

quinta-feira, 7 de julho de 2011

a música



a música, ela é mais forte que você
ela se impõe ela se instaura e te leva

renega tua face cotidiana

e te sacode na esquina, no ponto de ônibus
ou em frente à loja de conveniências

move o ar à sua volta e negocia vácuos na retidão

não importa quem você
seja
ou
seja

a música

a música é um deus secreto e sacana

a música dói, machuca e fede
a música ri, masturba e gargalha.
a música ilude, ilumina e inaugura.
a música ruge, range e reza
a música lounge
a música love
a música leve
a música naife

a música

a sua música.

aquela música

“lembra?”

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Idiossincrasias


Tinham gostos semelhantes, opiniões semelhantes, temperamentos semelhantes, ideologias semelhantes, genitálias semelhantes. Duas mulheres lindas, exuberantes, inteligentes, bem-sucedidas, perfeitas! Amavam-se com um amor de fêmea: intenso, sutil, oral. Certa noite, surgiu um falo. Não um falo qualquer, mas um falo grande, volumoso, de avantajado diâmetro e envergadura. Duro, vibrante, pujante. Meteu-se no meio das amantes, separando-as. Foi o racha, a divisão das rachas. Tempos depois, surgiu outro falo, tão grande, volumoso, de avantajado diâmetro e envergadura, duro, vibrante e pujante quanto o primeiro. Meteu-se no orifício que fica atrás do saco. Após o encontro dos falos, as rachas uniram-se novamente, as fêmeas reconciliaram-se. Os quatro concupiscentes promoveram bacanais, muitos. Falo e falo. Vulva e vulva. Vulva e falo. Falo e ânus. Falo e vulva e falo e ânus. Gozaram e viveram felizes para sempre.

Carlos Cruz - 06/11/2007


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Confissão

Se hoje trago um rasgo,
no riso,
explico:
é porque já beberiquei
da felicidade alheia
de vossas seivas
de suas sereias,
herdei a devassidão.

domingo, 3 de julho de 2011

Antologia III do BdE - escritores sem orkut

amigos de letras,
por conta da nossa centralização no orkut, vários escritores interessados em participar da nossa antologia não puderam acessar as informações de participação. por conta disso, abrimos novamente a inscrição, deixando aqui as regras e as datas.

Bar do Escritor
a terceira dose

o grande diferencial desta antologia é a quantidade de livros recebidos pelo participante (da cota inteira), CEM EXEMPLARES, além da expressiva distribuição nacional, pois a edição tem em média 3000 livros. os textos da antologia são contos, crônicas e poesias, dispostos livremente no livro, logo após a apresentação do autor.
o sucesso das edições anteriores (Anarquia Brasileira de Letras e Brand) incentiva a produção literária nacional e aumenta o intercâmbio entre os autores, sem contar a expressiva mídia espôntânea em tvs e jornais (veja no blog).
as cotas podem ser divididas segundo a classificação abaixo:

- cota inteira - 530 reais - 10 páginas - 100 exemplares.
- meia cota - 290 reais - 5 páginas - 40 exemplares;
- 1/4 cota - 160 reais - 2 páginas - 20 exemplares.

Para participar, envie um e-mail para bardoescritor@gmail.com , indicando o tamanho da cota que deseja e como fará o pagamento (em ATÉ 03 VEZES). Na resposta, receberá os valores, as datas e também OS CENTAVOS que deverão ser acrescidos ao valor para ser reconhecido na conta bancária.
Ex: cota inteira – 02 vezes = R$ 250,55 em 20/07 + R$ 250,55 em 20/08.
Obs.: sem os centavos, o reconhecimento é muito mais difícil. Não o esqueça.

o pagamento será efetuado em conta bancária do Banco do Brasil (depósito ou transferência):
agência 1419-2
conta 6389-4
nome: giovani g iemini de rezende

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após cumprir as etapas acima, envie os TEXTOS, a FOTO e a BIOGRAFIA para:
e---------e@gmail.com (o e-mail será encaminhado após conferência)

sob as instruções abaixo.

textos

cada página de texto tem até 480 palavras e 2650 caracteres!

dessa forma, a página fica recheada de texto, mas não caberia uma poesia em que cada três palavras formam uma linha, por exemplo. tenham essa perspectiva em mente.


a página de apresentação, a primeira, poderá ter no máximo a metade dos valores acima, pois nela constarão a foto e a biografia ocupando espaço.

lembre-se que no papel a informação é eterna. busque sua melhor obra para publicar na antologia.
- ENVIE MAIS MATERIAL que o previsto, para facilitar a diagramação.

foto

por indicação profissional, a foto deverá impreterivelmente ser do rosto ou busto, de frente ou perfil, mas com os dois olhos na perspectiva da foto (óculos, inclusive escuros, são permitidos).

qualidade mínima de tamanho 480x640mm, colorida ou PB, mas de preferência em cor, para que o tratamento em preto e branco seja feito pelo nosso diagramador, utilizando as mesmas tonalidades de cinza para todas as fotos.

e o mais importante: o fundo na foto, atrás da imagem do escritor, deverá ser uniforme e sem detalhes, como uma parede, mas de cor diferente do branco, pois ele se confunde com a cor do papel e dá um efeito estranhíssimo. ou seja, foto com fundo liso e não branco.

- não serão permitidas fotos em que não apareçam a cara do escritor. se não quer mostrar a fuça, não pode participar.

atenção - o nome da foto deverá ser o nome e sobrenome do escritor.


biografia

nela deverá constar o NOME do autor, na forma que será divulgado na capa da antologia e no índice, depois a origem (cidade ou estado de nascimento ou de onde se criou ou vive) e então as informações da carreira literária.
lembre-se que a soberba na auto descrição é desinteressante, mas não esqueça de citar as conquistas e os prazeres.

para divulgar algum site ou blog, escreva o link a partir do WWW. esqueça o https.
só poderá ser divulgado UM link, o principal. não relacione os 27 blogs em que participa.
os links do site do bde, do blog e das comunidades relacionadas já serão divulgados em outra parte da antologia.

- ex:
giovani iemini, de brasília, não entende joça nenhuma de literatura mas fica nesse nhenhenhém. acha que é dono do bar do escritor. nunca ganhou concursos literários mas publicou uns livrinhos.
www.giovaniiemini.blogspot.com


ah, lembre-se: quanto maior a biografia, menor o texto da página de apresentação do autor.
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dúvidas podem ser resolvidas pelo email bardoescritor@gmail.com
no orkut (hehehe) a comunidade da 3a antologia tem melhores detalhes e esclarecimentos.