terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Nova Classe


em tempos de aquecimento econômico, nada melhor que algumas caixas de budweiser, heineken ou stella artois para refrescar o esôfago, tentar aplacar a sede de consumir o mundo. agora, agente podemos. a classe outrora sub-sub-sub agora tem um sub a menos e ruma, garbosa, perfumada e cheia de marra, ao lugar nenhum, mas não um lugar nenhum qualquer: lá é chique e tem muitos brinquedos eletrônicos. pode-se tirar uma miríade de fotos com o novo ai pede e - alegria! - publicar no instagram. um viva para fhc! um hip-hip-hurra para lulalá!! uma salva de palmas e duas de tiros de canhão para dilma-furacão-do-cabelo-armadão!!! o brasil deixou de ser o país do futuro, o brasil é o futuro. e o futuro somos nós, a nova classe emergente mais ou menos. temos fome de isca de filé, temos sede de cerveja cara, temos múltiplos desejos a comprar e dividir no cartão. te cuida, vip besta empolado do high society, porque estamos chegando!

sábado, 3 de novembro de 2012

tenho câncer

http://www.youtube.com/watch?v=tOHrEk2yRTA&feature=BFa&list=PL3DF0D8F92B3AED9B


tenho câncer
a maneira simplista
e jocosa
para explicar esse
desgosto

a bangueleza
também é efeito
de um cancro
que desconheço


trópico?
não o de capricórnio


queimem minhas córneas
não quero doá-las
não quero que vejam
o que vi

câncer, câncer
e nem acredito
em zodíaco!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Factotum: sugestão

Factotum: sugestão: confiram a sugestão para capa da próxima antologia do bde. é apenas o rascunho. sugiram alterações, inclusões, etc.

Acho que a expressão "Tomo IV" deve ficar um pouco mais abaixo.

AMANHÃ!!!


SÁBADO 03 DE NOVEMBRO
AS 19:30 HS NA CASA DAS ROSAS
TEM SARAU A PLENOS PULMÕES
Lançamento do Livro da poeta Flá Perez , "POESIA SE ESCREVE COM T"
ENTRADA FRANCA MICROFONE E PALCO ABERTO
Av. Paulista , 37 Casa das rosas
Apresentação : Marco Pezao, Carlos Galdino e Jaime Matos




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Durma com deus




Eu durmo com uma deusa
despudorada, dourada
doida e adorada.

Me descabelo
em beijos indecentes
amassos inerentes
em longa estocada.

Depois, venerável, deito
em seu ventre e me deixo voar
vago etéreo e feliz
sou deus a dormitar


terça-feira, 30 de outubro de 2012

convidado Cedenir Haas

Sentidos

Acordei sentindo o cheiro
de tinta da casa ao lado.
Olhos abertos, semiacordado,
espumo o travesseiro
que me espanta com seus gritos
(aquele ganso morto masoquista)
enquanto o ovo do sol 
anuncia o novo dia:
um céu azul sem sonhos.

Do lado de lá das pálpebras,
o mundo não é nada.


---


Cedenir Haas

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Vida em nossas mãos

Viver a vida é tempo ganho,
saber viver é arte pura.
Sofrer à toa é inumano,
na certa é dose de loucura.

A gente vive se anulando,
doente sempre sem a cura.
E a vida segue, no entanto,
independente da postura.

Pois tome as rédeas da sua vida,
porque ela é curta e tão sofrida.
A hora é agora, a decisão:

Não perca o prumo, vá em frente,
que a vida passa de repente
e gera mágoa ao coração.

(Um "das antigas", encontrado numa pasta esquecida, escrito em 04/11/2008)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Converta-se!



“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião” (Raul Seixas)

As redes sociais estão interferindo nos espetáculos da mídia de massa. Refiro-me aos programas de televisão com grandes pontos de audiência. Os programas atacados pelas redes sociais estão censurando indiretamente o status “no que você está pensando?”. 

De uma forma cognitiva, mexem com sensibilidade dos usuários de internet: segurança e privacidade. Ao entrar numa rede, todos são obrigados a concordarem com os “termos de uso”, e se não concordarem não abrem a conta, muito simples. Muitas pessoas se entregam de corpo e alma ao domínio público e aos proprietários dos sistemas, elas sabem o que estão fazendo, assim eu creio. 
O que acho terrível dentro da sociedade da informação é a tentativa de imbecilização da mídia tradicional, que está caindo de madura.
Estamos vivendo uma metamorfose de idéias, pensamentos, opiniões. Somos a própria convergência digital. Mas ainda precisamos levar palmadas, só que não!

Monotonia

Se o que é reto for muito longo
muito mesmo
sem nenhuma nuance
se tornará eterno
e chato.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Esplendor


A sala era divida em quatro blocos, que, por sua vez, eram divididos em quatro cubículos. Apenas a sala do chefe, separada da outra, tinha janelas - que de nada adiantavam, uma vez que não se abriam e que eram cobertas por uma película escura. Aqueles tantos cúbiculos estavam todos ocupados, com exceção de um: discutiu com o chefe e pediu demissão, não aguentava mais.

Dizem que foi porque um dia teve que sair um pouco mais cedo, para levar o filho ao dentista, e, só então, depois de anos, reparou que o mundo não era cinza como na hora em que saia de casa ou na hora em que voltava.

No dia seguinte, com um sorriso reluzente, comentou com os colegas:

- O mundo é amarelo!







texto do livro Colcha de Retalhos

sábado, 20 de outubro de 2012

convidada Belén Greece

50 RAZONES PARA AMARTE


Porque siempre estás cuando se te necesita.
Por tu corazón tan generoso.
Porque nunca falta un palabra de ánimo.
Porque nunca me dejas desfallecer.
Porque haces de cada momento el más especial.
Porque iluminas mi mirada con solo pensarte
Porque eres mi cómplice.
Porque pensar en ti me da la vida.
Porque mi madre aún te debe una receta.
Porque en cinco años nunca me has fallado.
Porque sueño contigo cada noche.
Porque me gusta dormir abrazado a ti.
Porque cuando me acaricias siento un escalofrió recorrer todo mi cuerpo.
Porque haces de mis problemas los tuyos propios.
Porque a tu lado, mi mundo es perfecto.
Porque cada recuerdo tuyo es un recuerdo feliz.
Por el calor de tus abrazos.
Por la dulzura y sabor de tus besos.
Porque haces de nuestra relación algo mágico.
Por tu compañía impagable.
Por tu amor desinteresado.
Por el sentimiento de tus lágrimas.
Por el resplandor de tu sonrisa.
Porque das sentido a mi vida.
Porque me haces volar en la tierra.
Porque eres mi compi de camino.
Porque nunca me falta tu mano.
Por nuestras interminables charlas en el sofá.
Por enseñarme a sentir.
Porque nunca me has abandonado, pese a tener motivos para ello.
Por quererme como soy.
Por soportar todos mis defectos.
Por tu apoyo incondicional.
Por darle sentido a mi vida con tu regreso.
Por regalarme un donuts.
Por enseñarme a expresar sentimientos.
Por tener el blog más bonito que he visto.
Por dejarme escribir en él.
Por darme la oportunidad de disfrutarte.
Por dejarme esta a tu lado.
Por dejarme quererte.
Por hacerme sonreír cada día.
Por aquella preciosa postal de cumpleaños que me enviaste.
Por hacerme tocar el cielo al escuchar tu voz.
Porque necesito cada día que esa letra verde me diga que me tengo que mover.
Por esa comida juntos tan maravillosa.
Por el olor de tu pelo.
Por el tacto de tus manos.
Y porque te quiero, no por lo que eres, sino por quien soy cuando estoy contigo.

--
Belén Greece

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Somniu


              https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQb9MW9eKqi8wKd34sxAUMt7LvW4kPbrxQV8ChZOBRkrpfw3otzhm1gczUjruCzOo9CXsouDa5VY8Cj_mnIixso581SSW2Xry92RYNs6tLe_DH4FZ0BcMm5qLdC0bGSRfiJccP/s1600/sonho.jpg

Ainda era madrugada quando ele me tomou por assalto. Onírico, lançou seu corpo sobre o meu, dormiu em mim, contou-me de vulcões e trigais, roçou-me a língua da inverdade. Abandonou-me. Acordei solitária. Manhã azul, anunciação de Sol.

Sendo assim, fiquei dividida. Metade pétala, metade vento.

Porta entreaberta. Algumas gotas ainda brilhavam sobre o assoalho branco-fosco da primeira sala. Seus passos, ainda mornos, mergulhavam naquela imensidão azul que cantava lá fora. Deixei meus olhos sentarem. E me re-dividi: Um quarto de tristeza, um quarto de vulcão, um quarto de andor, um quarto de descrença.
Dois dedos de café com leite e canela.

Na cabeça ecoava alguma coisa de gratidão. Alguma coisa de certeza. Alguma coisa de dor. Algumas palavras entaladas de faringe abaixo. Anulações.

Só teu sorriso ainda cantava desperto no meu travesseiro.

Fui duas, dez, mil vezes ao teu encontro, e em todas, tu me lambeste e pediste pra que eu ficasse. Eu tonta, sentava em teu colo, tu me dizias palavras bonitas: “Tudo é possível, em breve, acredite, estarei com você”.

Até que a última cortina cerrou no fim do último ato.
Não lançaram flores, recém beijadas, ao meu encontro.
Ninguém aplaudiu.
Ninguém secou aquela lágrima salgada que correu serena até os teus pés.
Nem mesmo tu.

Ingrato.

Tu a quem devotei minhas noites mais mansas e as mais quentes. Tu, que amamentei, ninei, aconcheguei e embalei como a um filho.

Foste, e nem me deixaste bilhetes. Só cacos.
Cacos imateriais que machucam mais que farpas de vidro.

Fiquei.
Partistes.

Adeus, Sonho.

(Jessiely Soares)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O que o vento não conseguiu levar


Mario Quintana
Quando ainda estava no colégio não compreendia muito bem o que aqueles poemas todos que aprendíamos na matéria de literatura diziam. Talvez pela falta de interesse, talvez por falta de competência da profe
ssora. Nessa época nunca me apaixonei por nenhum poeta, daqueles que te fazem suspirar com seus poemas.
Durante muito tempo acreditei que a poesia era para as aulas de literatura ou para grandes estudiosos. Felizmente depois de algum tempo, tive a oportunidade de conhecer os poemas de Mario Quintana. E me descobri uma apaixonada sem medidas. Em cada palavra dita por ele, podia enxergar uma parte de algo que acontecia em minha vida.
Dentro de cada poema uma nova descoberta para o aumento de uma paixão. Entre passarinhos e ventos Quintana sempre me mostrou caminhos da vida, amores perdidos, sonhos realizados. Teve uma infância difícil, foi um menino azul por traz das vidraças. 
Saber que a dele foi assim, deu-me mais alegrias de quanto divina a minha foi, sempre brinquei com minhas amigas, montei sonhos com minhas Barbies e sempre interagi com pessoas. Quintana não, durante muito tempo seus únicos amigos foram cadernos e lápis, onde criou obras primas da literatura, soube genialmente passar por seus problemas e aproveita-los para produzir.
Já na adolescência remédios foram suas maiores inspirações, pois durante muito tempo trabalhou na farmácia do seu pai. Um gaúcho com gostos parecidos com os meus, adorador de quindim e café, assim como eu. Sempre com seu jeito excêntrico de ser.
Meu maior lamento, não ter me apaixonado por ele enquanto ainda era vivo, pois assim poderia ter o conhecido e provavelmente teria ficado sem palavras diante da genialidade de um poeta que não foi aceito na Academia Brasileira de Letras, mas se consagrou muito mais grandemente que muitos que lá tiveram. Afinal, eles passarão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ruídos de um silêncio sobre luzes imaginárias


cacos violeta de um caleidoscópio
ecos, reflexos, cacos
giros violeta de todas as cores

de repente a visão, mas não há imagem
e o que eu supunha indelével
eram apenas pegadas em tempestade de areia
apenas o início do precipício
um lapso negro
do dia mais brilhante
do que eu previra primavera

há momentos em que a estrada escapa-me dos pés
como se engolisse o olhar de aves migratórias fora de seu rumo
em rotas tortas que indeferem sentidos
como o decidir a revoada dos dedos que seguram as asas em silêncio
a calar sobre costas que pesam cem milhões de lembranças

de repente a visão, não a imagem
há momentos assim
impregnados da descoberta da verdade doída da ilusão
de se palpar o irreal
de se enxergar o que não há
mas há
assim

(Celso Mendes)

sábado, 13 de outubro de 2012

A ressaca

Era domingo de Carnaval.
Levantou meio zonzo e foi até a cozinha. Na gaveta do armário, procurou um antiácido. Ou um anti-qualquer-coisa. Ou qualquer outro remédio. Talvez um que não existisse.
Mas insistia na procura.
Logo, tinha encontrado um envelope pequeno que rasgado sem muita perícia, foi despejado no copo com água. Olhou para a espuma. Quase numa contemplação.
Ele não estava feliz.
E não havia motivos para estar. Acordara com uma ressaca absurda. Mas não, não havia saído na noite anterior. Havia passado o sábado de carnaval em casa.
Sozinho.
Assistira ao desfile das escolas de samba de São Paulo. Junto, uma garrafa inteira. Sem misturas ou aperitivos.
Ou companhia.
Andara pelos blocos da cidade na sexta e no sábado. Bebera o dia inteiro. Voltou pra casa. Não pelos motivos que deveria.
Não, não estava doente. Era. Tentou, depois de tantos anos, brincar o carnaval. Não foi capaz.
O golpe derradeiro fora a noite anterior. Em frente à televisão, percebeu a total ausência de sentido da sua respiração. Queria ter um coquetel molotov para destruir suas alegorias.
Precisava de uma solução para aquela sensação.
Era um clichê ambulante. Saber disso não o fazia sentir melhor. Ignorar também nunca resolveu nada. Era ele, ali, sentado no sofá da sala, garrafa na mão, uma vez mais sem respostas.
Insistia.
Era forte. De um lado pro outro, pensava. Não que fosse solução. Foi ao quarto. Em frente à porta, olhou para dentro. Antes de entrar.
Encarou o ambiente.
Dentro, abriu o armário. Contemplou o interior por dez ou doze segundos. No cabideiro, estava a fantasia de Super Homem. Ao lado dela, os ternos que usava nos outros 360 dias do ano. Nas gavetas, mágoas.
Separadas por cor e tamanho. Tudo aquilo havia sido acumulado ao longo de muitos anos. Sem fechar a parte em que mexia, abriu a porta ao lado.
Vazio.
Pegou a fantasia. Vestiu-se com o que restava de dignidade e foi para o terraço do prédio.
Não retornou mais ao apartamento.


Verdades...



Assim é a vida…

A verdade do governo…
A verdade da imprensa….
A verdade de Hollywood….
A verdade do vencedor…
A verdade do derrotado…
A verdade fantasiada…
A verdade da igreja….
A verdade falsa….
A verdade conveniente….
A verdade para as crianças….
A verdade da internet….
A verdade verdadeira…

E no final, é tudo mistério!