sábado, 13 de julho de 2013

Fim do Mundo falha e o mundo continua.... (DBS)

Fim do Mundo falha e o mundo continua....
(escrita ano passado depois que o Mundo não acabou de novo, como previsto...)

Oba! Ainda temos mais tempo!
De qualquer forma, espero que, além do humor e da expectativa, possamos refletir sobre algumas coisas:
1.Desde que nascemos, só há uma certeza, vamos morrer um dia. Então aproveite sua vida, ela vai acabar sim, um dia....
2.Gaste seu tempo com quem você ama e com o que você gosta, ou pelo menos, tente priorizar isso, afinal o seu tempo aqui é finito.
3.Não deixe para amanhã coisas simples e fáceis como dizer ‘Obrigado’, ‘Desculpa’, ’Te amo’ e outras coisinhas legais que só levam 1 segundinho e deixam a vida melhor!
4.Lembre-se também de elogiar, de rir, de dizer para as pessoas coisas boas. Não porque nosso tempo é finito, mas porque é BOM!
5.Cuide do mundo, de você, das pessoas. Isso pode fazer com que o mundo dure mais tempo! 
6.Perdoe! Não perca tempo com coisas ruins. Se não for fácil perdoar, converse, ore e perdoe! Ajuda a aproveitar mais o tempo que nos resta!
7.Não fique preocupado demais com esse tempo finito, do mesmo jeito que você não escolheu o momento de nascer, não escolherá o momento de partir! Apenas viva!
 
E está lançada a pesquisa, não consigo achar mais nada sobre o fim do mundo mais. Tudo dizia que o mundo ia acabar em 2012 e não acabou, e não há mais previsões de fim do mundo... E agora, será que o mundo agora vai mesmo? Pra sempre?
Opa, espere, já há sim notícias do novo Fim do Mundo, em 2014. 1 de Junho de 2014! Uau, esse pessoal é rápido. http://thedustofdan.blogspot.ca/2010/06/fim-do-mundo-e-adiado-para-2014.html ehttp://www.sempretops.com/curiosidades/fim-do-mundo-2014/ (como você pode ver, dois sites realmente confiáveis, ahahaha).
Eu estou achando que esse negócio de Fim do Mundo está ficando comercial demais, daqui a pouco vão começar a vender produtos do Fim do Mundo e registrar a marca! Hmmm... deixa eu ver se o domínio está livre ainda. Putz, já pegaram no Brasil: http://www.fimdomundo.com.br/ . Deixa eu ver nos EUA agora:http://www.endoftheworld.com/ . Também já tem. Agora no Canadá: o do Canadá tá sem abrir nada... ops... (http://www.endoftheworld.ca/).
 
De qualquer forma, como o fim sempre está próximo, leia logo essas dicas:http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/12-dicas-para-sobreviver-ao-fim-do-mundo.shtml (não deixe de ler a última dica, são lugares que não estão contemplados no Fim do Mundo, ou seja, lá o Mundo não vai acabar mesmo) (Yukon no Canadá está na lista, afinal lá já é o Fim do Mundo ).
E por fim, aliás, fim é o assunto da moda, já erramos 5 vezes, aliás, 6 com essa. Era pra ser em 1914, depois 1936, então 1982, então 2000 (com o Bug do Milênio, mas os nerds salvaram o mundo (e eu ajudei)) e 2011. Veja mais aqui: http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/5-previsoes-de-fim-do-mundo-que-nao-se-concretizaram-20122012-28.shl .

Ufa, FIM. Quer dizer, CONTINUA!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Reinventar

Com tudo em volta
Nada me surpreende
Não há mistério que eu não saiba
Não há descoberta já eminente

Com todos em volta
Nada me tenta
Não há pessoas complexas que eu não entenda
Não há desejos já desdobrados

Com a fome saciada
Migalhas resumidamente coletadas
Não há coração contido
Não há pensamentos famintos

Com os lábios úmidos
Umedecidos pelo complementário
Não há saliva mais viva
Não há doce mais exaltado

Com...pleto sou neste instante
Dúvidas...incertezas...distantes
Não há sobras para atrelar
Não há linhas para enlaçar

Tenho que me reinventar

Com nada em volta
Tudo pode ser novo no ausente
Insinuantes rebeldias femininas
Desembrulhadas como presentes

Com ninguém em companhia
Tudo é metediço
Pessoas implexas virtuosas
Com anseios reprimidos

Sem a fome de palavra
Letras esmigalhamente soletradas
Coração circunspecto
Circunspectamente esmigalhado

Com a boca sedenta
Longe de outros exemplares
Secura morta de vontade
Salga o céu da promiscuidade

In...completo volto a ser
Afirmações...certezas....ao longe
Pedaços em todo lugar
Cordas para se enforcar

Tenho que me reinventar

terça-feira, 9 de julho de 2013

A PRIMEIRA ANÁLISE DE CYTHEREA HORSE


Sou uma sumidade na Prado Junior  
Il mio nome è Horse
Cytherea Horse
A traveca mais convocada de Copacabronx
Minha fama não vem do meu jeitinho angelical
Nem do meu rostinho de boneca de porcelana
Ou do meu corpo curvilíneo e tesudo de égua no cio
Menos ainda do meu boquete insano engolidor de cacetes 
Reservam-me a notoriedade dos portadores de pirocas descomunais 
Tenho uma pica invejada pelo jumento campeão pornô de zoofilia 
Entretanto, sou abundantemente mulher.
Uma das mais lindas
Gata com pedigree 
Arrumada, é impossível não verem-me como fêmea.
Montada pra noitada eu sou divina
No submundo equivalho à Afrodite
Dançando, paro qualquer casa noturna.
Perdi a conta de quantos clientes pagaram paixão
Uns surpreenderam-se com meu brinquedinho
Outros gostaram
Na adolescência, pra arrumar namorados, além de tomar hormônios, sumia com minha tromba amarrando-a com esparadrapo.
Enganar a todos era o meu objetivo
À época, tinha raiva do meu membro cavalar.
Achava-o causador de problemas
Tolinha eu
Hoje a maioria dos meus clientes são passivos
Gostam de ser enrabados
Os diferentes são desavisados
Pros negócios é bom ter pau grande
Dito isto
Outro dia, saí com um pela-saco.
Um ator Bobal
Fomos ao Jobi, um bar no Lebronx onde artistas adoram meter a nareba. 
Não deu outra
O manezinho azarador partiu pra dentro
Beijos apaixonados e tudo mais
Quando ele meteu a mão na minha buceta, bingo! Encontrou meu pau.
Ficou louco e me bateu
Coitado
Dei-lhe tanta porrada
Os garçons tiveram que segurar-me para não matá-lo
O atorzinho mequetrefe voltou pra casa ensanguentado
Um cara abordou-me
Fui tirar satisfações com ele
Gritei cuspindo de raiva:

- Qual é a tua, quer apanhar também, filho da puta?

Ele ficou quietinho
Não dei mole e meti o pé
Andei um pouco e fui beber no Diagonal
Um mauricinho chegou junto
Mandei-o à merda e fui pra casa
No dia seguinte, a campainha tocou.
Dei uma olhada no espelho antes de ir à porta
Senti-me acabada de ontem
Contudo estava gostosa 
Ouvi um barulho no corredor
Olhei pelo olho mágico
Vi o atorzinho mequetrefe caminhando
Ele parou na porta do meu apartamento
Tocou a campainha outra vez
Consegui ver o estrago na cara dele
Botei o trinco na porta e a abri 
Fiquei com meu rostinho bem próximo ao dele
Quase juntinha
Como boa putinha, perguntei o que queria.
Antes de ele responder
Ajeitei meus deliciosos peitos de muitos mil dólares
Enfiei a mão no original de fábrica, no maior do mundo, puxei o gigantesco pra fora e sacudi dizendo:

- É isso que você quer né, viadinho? Pode chupar! Eu sei que você gosta.

O sujeito ficou possesso 
Foi embora esbravejando me matar
Arrebitei meu rabão apetitoso e fechei a porta
Voltei pra cama e dormi
Não sei se por coincidência 
Ou por obra do destino 
No dia seguinte
Encontrei-o num posto na Bartolomeu Mitre
Saiu fora com o rabinho entre as pernas
Eu fiquei toda toda
No fundo sabia que ia dar merda
Ninguém gosta de ser humilhado
Com certeza o levei ao limite
Passou o final de semana
Terça-feira por volta das cinco horas
Minha porta foi arrombada 
Três homens encapuzados me dominaram
Amarram-me
Não conseguiram me bater 
Preferiram me foder
Estava eu ali
Linda
Tesuda
E indefesa
Aproveitei a perplexidade deles
Ofereci-me
Hesitação
Excitação
Fiz os três gozarem muito 
E fazendo, consegui a ficha completa do mequetrefe covarde.
Se ele achava que iam me arrebentar
Tadinho do borra-botas
Eu vou maltratar
Esse bundão não sabe quem eu sou
Sou traveco matador
Comecei a me prostituir em Milão
Antes de ir pra Itália, fazia parte do Grupo de Extermínio Duque de Caxias.
Eu sou Baixada
Lei da sobrevivência
Manuseio armas como ninguém
Sou filha de miliciano
Acerto tiro na testa de geral a quilômetros de distância
Eu sou sniper
Quando eu boto pra foder é pica das galáxias 
O manezinho não perde por esperar
Não vou sujar minhas mãos
Ligo pra rapaziada da GDEDDC, marco umas mamadas e passo o endereço.
É vala na certa
Minha duvida é 
Vou querer ver playboy virar menina?
Na mão de vagabundo garanhão vira filé
Ele vai saber por que tá morrendo
A vingança é o meu desequilíbrio progressivo
Há um ano, um cliente trouxe problemas.
Evaporou do mapa
Adivinha quem deu o sumiço 
Galera do GDEDDC, é lógico.
Fiquei com cãibra na boca
Valeu a pena
É nóis
Sentença final
Falei 

**********
Décimo andar da Galeria Menescal, Copacabana.
Sala 1008
A plaquinha:
“Dr. Gustini Victor Strasser – Psicólogo”

A transação penal foi sentenciada
Acompanhamento psiquiátrico duas vezes por semana
Assim foi a primeira sessão de terapia de Cytherea Horse

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
A PRIMEIRA ANÁLISE DE CYTHEREA HORSE de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at www.pablotreuffar.com
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

segunda-feira, 8 de julho de 2013

acordei desalmada



acordei desalmada 
hoje fiquei enredada no breu 
 
nada serve, nada me encanta 
não me espanta o canto da cigarra 
que, deslocada  ciciou até estourar 
  
perdi a alma na escuridão 
escorregou num desvão 
 
 teu sorriso me valia no céu azul 
eu entrevi numa entrelinha 
tentei sorrir de volta 
acenei  
 
acho 
 
ando esvaída de certezas 
 mente pintada em tarjas vermelhas e pretas 
 
 encolhi num canto o esgar  
não era um sorriso 
 
minha alma evaporou 
sinal de fumaça  
código morse 
 
sopra de volta 
manda a cigarra cantar 
cicia pra mim 
sorria por mim 
acredita por mim? 
 

domingo, 7 de julho de 2013

Flip'sters




Nunca duvide 
de alguém escrevendo

Ele sempre poderá
estar parindo 0 maior 
poema de todos os tempos

sábado, 6 de julho de 2013

Dos Sectários do Canho-Do-Pé-Preto



Petição Pública dos Headbangers, Góticos e Aficionados Por Death e Black Metal Miguelenses aos Exmos. Membros da Câmara de Vereadores de Miguel Pereira

Exmos. Srs.

Nós, integrantes da galera que enverga roupa preta, usa braceletes de tachinhas, passa sombra nos olhos, curte um rock podreira, frequenta cemitérios e assiste a filmes de zumbis, vimos, por meio do nosso representante (que não compartilha do ideário nem tampouco da indumentária dos representados, que fique bem claro), reivindicar nosso sacrossanto direito, enquanto cidadãos brasileiros, fluminenses (não me agrada esse designativo local) e miguelenses ilibados e cumpridores fiéis de seus deveres, no sentido de que seja estabelecido o DIA DO SATANISTA, a ser celebrado no dia 06 do mês 06 dos anos vindouros, a partir de 06:00 h. Requeremos, ainda, que o DIA DO SATANISTA seja elevado à categoria de FERIADO PÚBLICO MUNICIPAL, para podermos nos dedicar aos rituais comemorativos (que incluem bebericar drinques feitos à base de sangue de bode e dançar pelados em torno da fogueira no centro da estrela mágica, em local hermeticamente fechado e sem acesso ao público, obviamente). Rogamos aos conspícuos edis que se dispam de todo e qualquer preconceito, por mais arraigado, ao analisar o teor de nossa demanda, porquanto, como é notório, vivemos em um Estado Democrático de Direito laico, cujos princípios basilares previstos na Carta Magna incluem a inviolabilidade do direito à liberdade e à igualdade. Ademais, "aequitas in paribus causis, paria jura desiderat."

Nestes Termos,
Pedimos Deferimento.

Ass. Pupilos de Moloch Miguelenses

*Nota: O texto acima é ficcional e humorístico. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas é mera coincidência.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

ele mente




vê como seus olhos pendem
perturbando qualquer silêncio
que possa perdurar ali?

pálidas as indagações continuam
o que espera de si?
o que alcança em si?

agora traveste um corpo
que não o seu e vibra altivo
como se a pelves fosse
uma joia compartilhada

e serve chá das horas presas
como se já estivessem frias
e sem sabor qualquer
em saches estéreis.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A PREFERIDA


Poeminha meu publicado no jornal Correio Braziliense de 29 de maio de 2013, na página do "Tantas Palavras". 

A preferida
De todas as ninfas era a mais bela
De todas as rimas era a mais fácil
De todos os sonhos era o mais longo
De todas as deusas era a mais linda
De todos os medos era o mais triste
De todas as chegadas era o adeus
De todas as bocas foi a que não beijei.



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Programa Iluminuras da TV Justiça

Fui entrevistado no programa Iluminuras da TV Justiça.
Discorri sobre o BdE, sobre meu livro Mão Branca e sobre outras coisas que agora não me lembro. Hehehe. Assistirei para me lembrar.



 "O Iluminuras é um programa semanal com foco no universo literário e apresenta quadros especiais: O "Autor" traz detalhes sobre vida e obra dos escritores convidados. No "Obra Viva", o destaque é a leitura de um trecho da obra do entrevistado. Já o "Entrelinhas" propõe uma reflexão diferenciada sobre o trabalho de literatos brasileiros e até mesmo obras internacionais. O Iluminuras também dedica espaço às pessoas ligadas ao Poder Judiciário apaixonadas por Literatura"
Dia 05/07/13 - com reprises nos dias 6, 7, 8 e 9.
Assista na TV:
SEX 20H30   SAB 11H00   DOM 11H30   SEG 21H00   TER 22H30
Em todo o Brasil:
DHT: canal 6
Embratel: canal 120
GVT: canal 232
Oi: canal 21
SKY: canal 117
Star Sat: canal 27
Telefônica: canal 691
Distrito Federal:
Analógico - canal 53
Digital - canal 52
Net Brasília - canal 10.1
TVA - canal 222

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Desculpa??? Quito Arantes!!!

 
Desculpa??? Quito Arantes!!!


Dizem: o que vai volta… Mas será mesmo assim tão linear? Os encontros e desencontros da vida acontecem a cada passo dado, as incertezas acumulam-se no dia-a-dia, e para todo chamamento do coração, a dor da perda é uma espada cravada na alma, que à medida que o tempo vai correndo, e essa espada vai cortando os pequenos sinais de um calor humano dado à alegria de viver, é sentida a esperança e o forte desejo de derreter a lâmina afiada que ofusca os sentimentos mais nobres.

Quero que volte toda aquela vontade e desejo de amar, todo aquele fulgor de abraçar e constituir harmonia nas almas. Não há rancor que persista quando a alma não é pequena e nada é em vão.

Quero deixar um legado que sirva de inspiração a quem perdido nas trevas, luta pela salvação do corpo e alma num só.

Na tranquilidade de um desejo, fica a esperança no dia do amanhã, mais belo, mais sentido em amor, mais próximo de ti.

Tudo passa pela aprendizagem da vida, que não se limita à juventude do corpo, mas a todo um conjunto de emoções que nos vão enxergando todos os dias.

Deixarei os meus rios fluírem para o teu mar, onde tento navegar contra as intempéries dos males entendidos.

Quito Arantes/Portugal

quinta-feira, 27 de junho de 2013

PIT-BOY


Esse texto já saiu publicado por aí, mas não custa nada divulgar um pouco mais.


..............................


Tinha braços de leão,


tórax de touro,


garras de águia,


sangue de fera.






Só lhe faltava um coração de gente.



sábado, 22 de junho de 2013

Final de tarde


Seria uma ofensa chamar o céu de azul naquele momento. Era uma mistura de rosa, laranja, amarelo e azul.

Sem aviso, veio o vento gelado que varre todo final de tarde, garantindo que esteja tudo limpo quando a noite chegar.

O sol, com frio, foi embora; E levou com ele todas as nuvens, para cobrir-se até a aurora.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Desafio


Quanto brilho solto

Dentro do nosso olhar perdido.

Quantos caminhos vagos

Percorrendo aonde não temos ido.


O que esperamos encontrar,

Se passamos pela vida

Como se não a víssemos passar?

 
Risos sufocados em noites sombrias.

Eterna procura; forte agonia.

Somos sombras caladas

De reflexos do que não somos.


Quando enfim seremos

A realidade que escondemos

Em nossos sonhos?

 

domingo, 16 de junho de 2013

No que você acredita?

Andando no meio da escuridão, triste demais para pensar diferente do que está acontecendo, pensa que a vida é aquele pequeno mundo a sua volta.
Aparecem oportunidades, que de alguma maneira são afastadas como uma ventania sem rumo. Dedica-se então a tentar.
E nessa tentativa mais uma vez, a vida não é tão solidária.
O que faz?
Um lema, uma lenda, um pensamento: não desistir.
Já ouviu muito falar de pessoas que desistiram, que não aceitaram os rumos da vida. E num instante impensado passou a ser uma dessas pessoas.
A vida não é feita dos bons momentos, as oportunidades para poucos aparecem, e se não estiver com os olhos abertos, o mundo será sem colorido. Basta, acreditar.
Pois os caminhos feitos de pedras, são tão belos quanto aqueles feitos somente de flores coloridas e borboletas.
Inspirar-se na vida. É mais sensato do que abandonar tudo como se não servisse mais para nada.
Nunca é tarde mais para recomeçar. Nunca é difícil demais o caminho a seguir.
Bastar acreditar, querendo.
Que muito rapidamente a vida vai te impressionar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Triste Igual

Não sei se sempre foi assim, mas parece que não é algo novo. Parece que é algo igual a antes e antes...

O normal, o igual, a maioria... sempre nos robotizando, nos rotulando, nos igualando... nos tornando cópias, clones, previsíveis...

Não estamos preparados para coisas não iguais, muito menos pessoas não iguais... e vamos perdendo e desperdiçando pessoas e vidas e oportunidades de aprender coisas novas e ver o mundo de forma diferente...

Diferente! A palavra sinistra!

Só queremos e aceitamos ser diferente, se for um diferente igual a algo já conhecido e testado e de sucesso. Não exatamente diferente de verdade, mas novo e novo bom, novo aceito, novo igual a algo já ok!

E vamos vivendo nesse triste igual, triste cenário onde não ser igual é perverso, é cruel, é perigoso, é errado...

Igual igual. Sob controle.


Triste igual!



A garota da mesa em frente


Usava sandálias.
Mas não deveria, ele pensou.
Era um café. As mesas marrons ficavam na calçada, debaixo de um toldo verde. O céu era cinza e as paredes vermelhas.
Havia uma garota sentada na mesa em frente a dele. Vestido florido, ela rabiscava em um papel branco sobre a mesa. Não dava pra ver o que fazia exatamente.
Se estivesse preocupado com o tempo, não teria sentado do lado de fora. Parecia que ia chover. O ar estava pesado. Ou talvez fosse só uma impressão.
Ele, sentado, olhou ao lado do jornal que lia e pôde ver os pés dela sob a mesa. Desviou os olhos. Não deveria usar sandálias. Eram bonitas. Mas não deveria.
Ao desviar o olhar, pouso seus olhos sobre um casal, sentado na mais longe da porta do café. Contemplou o amor dos dois por alguns segundos. Depois, teve vontade de vomitar. Eram feios. Feios demais. E entrelaçados nas carícias românticas ficavam ainda mais feios. Desviou o olhar de novo.
Foram parar no toldo, onde se fixaram rapidamente. O toldo era verde, um verde meio ressecado. A existência dele, naquele momento, não exercia função alguma, visto que não havia sol. Olhou para o céu. O dia era escuro. Não de uma cor exatamente. Talvez chovesse. O dia tinha uma cara de chuva. O que, de certa forma, era bom. Quem sabe, assim, o toldo servisse. Ou talvez fosse só uma impressão. Sobre toldos ressecados, sóis e cores.
A garçonete passou por ele. Pensou em chamá-la. Mas não sabia como se dirigir. Mocinha, garçonete, atendente, querida. Vestia uma roupa branca. Um branco bastante encardido, na verdade. Esperava que ela olhasse e entendesse o desejo de ser atendido. Mas ela não olhou. O que também não era ruim, já que era bem feia. Não olhar pra ela certamente poupou-lhe a esperança em dias melhores.
E tentou voltar ao jornal. Mas não conseguiu. Muitas emoções, pensou.
Olhou, mais uma vez, pra garota da mesa em frente. E, como numa revelação, encarou-os.
Eram pés bonitos.
Inexplicavelmente bonitos. Pequenos, unhas feitas, pintadas de branco. Tão bonitos que o tornaram incapaz de se concentrar no jornal ou em qualquer outra coisa. Que tornaram todo o resto suportável.
O dia era tão feio.
O café era tão feio.
O toldo era tão feio.
O casal era tão feio.
A garçonete era tão feia.
E os pés daquela garota eram tão bonitos.
Entendeu que havia, na natureza, compensações. E se deu por satisfeito.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Tiflose

Às vezes, ser cego é enxergar além
 
Sentir
As saliências do seu semblante desbotado
O bálsamo da matiz púrpura de seus olhos
O volume inesperado de tua boca

Ilumina
A paisagem do meu olhar
O breu do que vejo
Que se colore nos devaneios contidos em você

Vejo
O sentimento tão aguardado
Impossibilitado tantas vezes
Pelo conceito pré-deformado

Comportas
O meu mundo em desejos profundos
Profanas alegrias
Clareiam o mais inóspito dia

Enceta
A vida tão resguardada
Hirta pela luz, claridade que falta
Assustada pela cor que tinge minha alma

Aprendi
Que sobrevivendo vou aprendendo a sobreviver
E que sobre viver
É viver vivendo intensamente sem saber

Concluí
Que a luz que me falta não faz morrer
Pois a luz que importa, ilumina e salta aos olhos de viver
Está bem a frente...está em você

domingo, 9 de junho de 2013

A INCINERADORA


Cresci numa família pseudonormal
Meus pais não eram permissivos
Ao contrário
Extremistas religiosos
Frequentavam a Igreja Universal
Eu odiava esse ritual 
À época, eu não entendia nada.
Não sabia a verdade
A virada da minha vida aconteceu
Três pastores amigos do meu irmão trancaram-me num galpão e me estupraram
Nunca contei pra ninguém
De menina boazinha a monstra em uma tarde
Passei anos chorando em sublimação solitária
Depois, comecei a permitir-me ser agressiva.
Principalmente com meu irmão, a quem culpei por minha tarde de sodomia.
Planejei tudo
Mas depois de matá-lo fiquei meio arrependida
Ele parecia inocente quando arranquei seus olhos
Deve ter morrido sem saber o acontecido naquele galpão
Pois é
Eu não
Sou uma morta viva 
E por isso só dei o tiro de misericórdia na nuca dele depois de três dias de tortura
Um dia para cada estuprador
O problema de matar alguém é saber como livrar-se do corpo
Aprendendo a sumir com os restos mortais, matar torna-se corriqueiro.
No caso do meu irmão
Meu primeiro óbito voluntário
Eu o esquartejei e o levei aos pedaços, dia após dia, para a Funerária Incineradora Boa Morte, onde trabalho.
Apesar de ter nojo de homens
Sou amante do dono
Assim fica fácil misturar os pedaços dos meus cadáveres nas incineradoras diárias
Depois é mamão com açúcar
Melzinho na chupeta
Não existe célula que tolere temperatura acima de 1000 graus
Esse calor é suficiente para derreter até a alma de quem sonhava reencarnar
Perdi a conta de quantos mandei pro inferno 
Foi por isso que arrumei esse emprego
Para trucidar
Adoro saber que as cinzas entregues às famílias estão juntas com pedaços de outros defuntos
Depois de muitos matarmos, o gosto pelo insano fica apurado.
Fico molhadinha
Voltando à minha família
Em seguida ao sumiço do meu irmão, meus pais pioraram muito.
Oravam dúzias de salmos por dia
Eu não aguentava mais
Comecei a pensar em matá-los
Principalmente depois de ver meu pai e os três pastores algozes da minha felicidade inócua comendo mamãe na matinha
Excessos emocionais geram desarmonia
Não demorou muito
Esquartejei meu pai e o mandei aos pedaços para incineradora
Nesse caso específico, guardei pedacinhos e botei na sopa da minha mãezinha.
Foi lindo vê-la comendo-o
Matei-a logo depois dessa cena
Martelei sua cabeça até seu cérebro virar patê
Requintes de crueldade
Hoje tenho pencas de corpos para incinerar 
Quantos mais, eu não sei precisar.
Todos cortadinhos e embalados nos meus freezers
Não tem um dia que eu não queime uma mão
Um pé
Uma cabeça
Ou qualquer outra parte do corpo desumano
As cabeças dão algum trabalho de transportar
Boa bosta
Logo todos estarão em suas urnas sublocadas 
Sem coração
Doa quem doer 
Eu planto ódio para colher desamor
Quanto aos meus três estupradores
Vou deixá-los vivos até suas filhas crescerem
Depois vou estuprá-las com um pé-de-cabra até a morte diante dos olhos pastorais
Estamos todos fadados de injúria
A morte começa viva
Meu compromisso é sobreviver

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO