
Senhoras e senhores
é com embaraço que apresentamos
um novo espetáculo:
“Temores mais íntimos”
agora com vocês no palco!
Os pequenos grãos
que me apavoram
feito pedra no rim
começo a pontuar
agora, por favor
não riam de mim
Estremeço
quando a mentira
me encara os olhos
e sorri
Tenho pânico
das estacas de adeus
que ainda estão
por vir
Quando os morangos
se extinguirem
e a folha em branco
permanecer intacta
E músicos, pintores
dançarinos e poetas
decidirem greve geral
Temo os infelizes
que sangram
e os santos que não salvam
ninguém
Confesso meu pavor
de ganso, dos maus
e da solidão também
De não ter vontade
de banho de chuva
janela aberta e
vento na face
Saia bonita
ornando colares
O que farei
se o riso quiser brincar
de esconde-esconde
e não conseguir encontrar?
E se acabar a água no mundo
e não puder mais coar café
de que adiantarão os diamantes
do que servirá seguir com fé?
Barbara Leite
2 comentários:
Bacana, Bárbara. A esperança é de que sempre haverá algo a inspirar algum poeta.
Bom é sentir que ainda que se acabe tudo, o poeta co-existirá com o nada, refazendo aos poucos tudo, tudo.
Lindíssima poesia. Encantada.
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