sábado, 30 de outubro de 2010

Convidado Djalma Pinheiro

O amor de um Poeta

Quando o Poeta ama,

Ele ama intensamente,

Ama com o seu intimo,

Ama com o seu ego, em flor

Sai de seus versos,

Longas e lindas palavras,

Saem de seus olhos

Lindos lampejos de amor,

Saem de sua boca,

O mais melado dos beijos,

Saem de seu coração,

Expelidas pela boca,

A mais linda declaração

Eu te amo....

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Publicado no: www.djalmapinheiro.recantodasletras.com.br

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Reticências

em cada ponto reticente
de repente
fico tonto
e o não dito
acredito
fala alto o tempo todo

são 3 pontos
e eu me escondo
na entrelinha
que entretinha
a vida tosca

foi na mosca:
disse mais quando não disse...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Caixa de música


Nos raros momentos de lucidez, chorava pelos cantos, percebendo-se condenada

No entanto, quando permanecia presa ao passado, alegrava-se e comovia-se, repetindo as mesmas histórias de sempre

Girando ao redor de seus caminhos e devaneios, tornava-se bailarina, refém de sua própria caixinha de memórias


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Convidado Ricardo Kelmer

LIBERDADE É NÃO ESTAR NA MODA

Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada… Começava assim a musiquinha. Uma turma de jovens cabeludos e felizes esperando o trem na plataforma. Jeans desbotados, mochilas e o frescor da liberdade em seus semblantes. Era um filminho comercial do jeans US Top, de 1975, que fez muito sucesso, tanto o filme como o jeans. Fez tanto sucesso que a frase virou bordão e até hoje a geração daquela época se emociona quando canta a musiquinha.

Era o governo do general Geisel. As correntes da repressão da ditadura militar já se afrouxavam e o Brasil, ufa, começava a respirar ares mais democráticos. A palavra liberdade tava na moda. Liberdade de pensar e de falar. Liberdade de votar. E, é claro, de vestir. O comercial foi uma grande sacação, o jingle ganhou prêmio e muita gente vestia jeans US Top porque isso era um símbolo de liberdade.

Eu? Putz, eu era mais um menino louco pra ter um US Top. E assistia ao comercial sonhando em embarcar no trem com aquela patota divertida. Mas não era um jeans dos mais baratos e só pude ter o meu anos depois, quando até o termo liberdade já havia desbotado. Com o andamento da abertura política, a liberdade perdera o apelo publicitário que antes possuía e os comerciais passaram a seduzir o público com outra ideia: a de que ser feliz é ter muito, cada vez mais. E assim estamos até hoje, que beleza, tendo tudo que não precisamos pra ser feliz.

E a liberdade, que foi feito dela? Minha velha US Top da minha adolescência que me perdoe mas liberdade não é e nunca foi uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser, não usa quem não quer. Pra começo de história, eu não usava não porque não quisesse mas porque simplesmente não podia. Então, pela lógica da publicidade, eu não poderia ser livre pois não tinha grana pra pagar por um jeans. Se alguém precisa estar na moda pra ser livre, que liberdade é essa?

Infinitas noções de liberdade existem, eu sei. Pra um adolescente, é voltar da balada à hora que quiser. Pra outra pessoa, é ganhar seu próprio dinheiro. Pra um presidiário, ser livre é tão-somente não estar numa cela. Tudo isso é liberdade, sim, mas depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos – e não quem a sociedade ou a moda quer que sejamos. E que a pior prisão que existe é justamente a ignorância de si próprio, que nos faz escravos dos quereres alheios.

Somente a essência do que somos pode nos libertar. Seguir a moda jamais nos conduzirá a ela, apenas nos levará junto com outros, feito uma boiada, durante o tempo que durar a moda, quando então teremos que seguir outra moda e assim por diante. Quem realmente somos nós por trás dos modismos que adotamos? O que há de permanente em nós por trás do transitório da fachada? A moda não poderá responder a essas perguntas, e nem mesmo você, enquanto a estiver seguindo. Aliás, a moda nem quer que você pense nisso. Ela quer apenas que você a siga – e pode pagar em até dez vezes.

Liberdade é sermos quem realmente somos em nossa essência mais legítima. É uma velha ideia, azul e desbotada. Mas que nunca vai estar na moda. Ainda bem.


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blogdokelmer.wordpress.com

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sexo sem complexo.

Sexo sem complexo.

Deixa de lado o preconceito, quero sexo,
seu ar de lobo, fera e riso no sal da carne
a aprofundar garras e dentes as claras.

Vem que abocanho sua tara
e tudo o que restar será começo
até que perplexo você peça mais farra.

No horizonte do seu corpo serei língua
qualquer íngua sem dor a incomodar,
sedução intempestiva, calor a provocar.

Não finja não gostar da febre que tenho entre as pernas,
louca tortura e vontade de gozar
no demente aconchego de quem sabe se dar.

Rasga minha pele com ternuras,
copula dentro das entranhas sem vergonha
a tingir de alegria minha encenação de meretriz.

E se ainda assim for pouco devora-me,
quero seu sexo no meu a incendiar,
prazer a toda hora, enquanto a alma aguentar.


Eliane Alcântara.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Evisceração

Espere pela volta das borboletas na poeira do tempo
Espere por aquele olhar a se projetar entre estilhaços de angústia
Espere pela nuvem de gafanhotos-devoradores-de-horizonte
Mas não vá, fique um pouco mais, ainda há muito o que esperar
E não me deixe plantado neste inferno cor-de-rosa sem um porquê

Eu bem que queria lhe dizer que a lágrima não se mostra
Por puro orgulho
Eu bem queria lhe mostrar
Esta jugular que pulsa no aguardo de uma nova mordida
O que se esconde neste brilho que já não há
E revelar aonde a lua se ocultou e dormem as estrelas

Fique um pouco mais
Só um pouco mais
Sinta o som do mar
Sinta o som
O som do mar
E o som
Do Sol
E o Sol
No mar
Fique um pouco mais

Queime comigo nossas verdades douradas e as mentiras azuis
Não minta mais para o azul
Ou para o vermelho
Espalhe algumas verdades transparentes sobre a mesa
Diga para mim desta ferida
Daquela esperança forjada em frases insolúveis
Do impossível e do improvável que já vivemos
Que eu prometo
Que eu lhe juro
Pela divina providência dos semideuses
Estancar este corte que vaza minhas vísceras
E partir

(Celso Mendes)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Troféu Surreal

Esmurrei um padre pegando sua idolatrada cestinha transbosdando de fé verde, vandalizei o quadro vermelho do ditador gigolô com anarquia preta, também destruí os cabos transmissores daquela emissora televisiva e ainda arranquei umas máscaras sangrantes rindo copiosamente.

Au, Au, ou... ou! Chutei a poltrona, manquei feio. Onomatopéias...

O arame farpado prendeu e rasgou um idiota que insistia em babar fezes enquanto resmungava ferido e amedrontado no quintal. Eu não tenho pena, não tenho mesmo. Que se exploda meu cinismo e sujeira moral, assumo mesmo: te desci a porrada!

Te amarrei para assistir sua desgraça, solei em meu baixo elétrico chorando e gritando desesperadamente e duas cordas grossas de metal arrebentaram cortando seu rosto.

Scarrf! Escarrei uma goma grossa e visceral que te encapuzou nessa podreira toda. Cuspi, sim senhor e foi fodido, você quase se sufocou no meu catarro.

Bati palmas e gargalhei do teu medo, pois te odeio, é puro sadismo meu. Pausa para meu riso! Eu quero rir, cacete! Ha, ha, he, he. Satisfeito!

Posso falar mais alto? Posso sim! Nenhum babaca vai me impedir, não podem te ouvir gritar! Eu tenho o megafone e seus ouvidos vão estourar com minha histeria!

Pingue, escorra nesse show desgraçado onde gerarei insanidade com tanta vodka na idéia, vou colocar a culpa nessa cachaça. Tá eu sei que não é cachaça, trepe com o gargalo!

Eu mato e torturo mesmo, eu te torturei e matarei mesmo na insônia voraz que me prostitui nessa merda fedida. Qual é a tua? Diz pra mim!

Só na minha cabeça você existe. Pare de chorar, é o fim!

Engulo risonho a chave para minha fuga, fico trêmulo com minha confissão amassada na mão, então rasgo o chão para longe do meu rastro rubro. Eles chegarão para nos recolher, não se preocupe. Você não foi escondido, sua cabeça está nessa mão. Já finquei teu corpo como troféu no portão de casa. Enrolei eles por meia hora dando prejuízo no fone deles. Agora eles querem me exibir e já estou devidamente trajado para isso.


- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2010.


Foto: "Bloody Trophy", troféu feito de sangue humano e sangue animal por Thyra Hilden e Diaz.
Portal da artista: Thyra Hilden

sábado, 9 de outubro de 2010

NÃO VAI DOER NADA

Arte: Anthony Falbo

NÃO VAI DOER NADA

Adoro dentistas
Ao contrário
De quatro
Eu empurrando a janta deles pra dentro
Sou o vingador na sala de espera
Odontologia é o meu caralho na bunda deles
Masoquistas sem sangue
Dentistas deitam-te na cadeira
Olham-te de cima pra baixo
Mandam abrir a boca
Balançam sua bochecha como se fosse carne morta
Aplicam-te uma injeção maior que a piroca do Kid Bengala
Olham seus olhos e rindo dizem
Não vai doer
Na boca deles não vai
Com certeza
Na sua dói pacaraio
Enfim
Enfiam um suga baba na tua boca
Exploram-na com aparelhos de metal
Pontiagudos
Gelados
Picam a sua gengiva com o agulhão do jumento comedor de traveco
Futucam daqui
Futucam de lá
Dói aqui
Dói acolá
Humilhação suprema
Domínio total do Dr. Mau
E você ali parado
Deitado
Entregue
Piada
O dentista é o piadista
Todos são
Sodomizadores rentáveis
Ganham dinheiro
O nosso dinheiro
Pagamos caro por isso
Quando um cara pensa:
“Vou ser dentista”
Na verdade tá pensando:
“Vou botar pra fuder com os meus instrumentos de tortura”
Ninguém que trabalha com o bafo alheio pode ser normal
Dentistas Opressores Poliatômicos Sanguinários
Todo mundo sabe
No DOPS eram todos dentistas
É
O dentista é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir NÃO dor
A dor do seu paciente
Fernando Pessoa Ruim
Vou versar
Dentistas não perdem por esperar
A hora deles vai chegar
Rubem me ensinou a matar
Fonseca a cobrar
Vou exterminar todos os dentistas antes de Deus os levar
Não vai doer nada
Não em mim

Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

domingo, 3 de outubro de 2010

a flor do ópio























os pés-de-boi
ou patas-de-vaca
que importa?
têm flores desenhadas
belas e cheirosas

mas em encostas abissais
a flor do ópio
que induz ao pulo
ao infinito de sensações
ergue-se em resistência
quase frágil
sob os olhos do leste
sob a ânsia e a cólera
só existe pelo fato
doutro querer-lhe
a essência vertiginosa

que importa?

a flor do ópio
impera soberana
a visagem humana.


(imagem de minha autoria)

sábado, 2 de outubro de 2010

O lançamento do livro BAR DO ESCRITOR - Edição Brand

Na grande São Paulo, aconteceu no dia 11 de setembro, na Biblioteca São Paulo, onde antes era o Carandiru.

Flá Perez


Cesar Veneziane


Claire

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sobre o dia...

"tem dia que não sei se é de dia
ou é à noite que não sei que dia é
tô na minha sem sabê
se é dia ou é noite
que não sei o que é que é"

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sonhos Enjaulados

Viver intensamente um sonho
Sem enjaular sua essência.
Deixar o coração bombear o impulso
Sentir o grilhão da abstinência

Um vício de pensamentos errantes
Desde a aurora até os dias inacabados
Continuou com o som ofegante
Dos suspiros, dos sonhos enjaulados.

Pudera eu desatar este nó
Que aperta minha´alma
Até as lágrimas virarem pó.

Por que esse brilho me prende?
Teu sussurro – por dentro – me afaga
Por viver sonhos incessantemente

Autora:Lena Casas Novas

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sinfonia do medo



Quando aquele jovem casal mudou-se para o 209, as batidas e gritos viraram a trilha sonora da rotina

A entrada dos metais, graves, adicionou tensão

Por fim, ouviu-se apenas um sopro agudo, último suspiro

A platéia permaneceu estática, cada um em sua poltrona



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lótus

Acordo no silêncio da noite
Com uma estaca cravada no peito.
Sufoca-me a garganta, o grito.
Imperfeição dos sentidos.
Borboleta aprisionada no casulo
Metamorfoseando-se em lagarta.
Afogando-se no sangue
Da carne putrefata.
Afasta-se da cartilagem
Do que fora cor e asas.
Corrompendo o próprio sonho
A rastejar sobre brasas.
Esperando que o coração apodreça
E refaça-se com calma,
Para que novo vôo floresça.
Iluminado e sem pressa.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Revoada

Tua boca já não comove ou remove minha decepção.
Renovo sentimentos contra teu sorriso impassível, engessado,
incrustado em minhas fantasias mais rubras. Teus olhos
negros
teimam brilhar
em meus dias de insanidade
que se repetem pontualmente às treze horas
na porta do inferno.
Inda não acabou. Mas já rasgo o ar
com minha palavra mais secreta de emudecer pintassilgos.
Estou abandonando o meu refúgio. Recrudesça-te
a tua condição do nada que já foste, pois eu irei,
novamente,
à procura do azul.

(Celso Mendes)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Romance Arriscado


Mesmo que estejamos fisicamente distantes estarei emocionalmente próximo,  sei que não sou o mais romântico dos seres e talvez eu não tenha as palavras certas para lhe cativar o entendimento de parte do que se passa em mim, não tenho domínio dessa empatia. Desejo-te pelos meus sentidos  e pensamentos que voam pelas doces e amargas nuvens que engulo durante minhas jornadas simultaneamente enquanto estou em sua presença. Fingiremos que o tempo parou, que não temos expectativas, que somos inocentes descobrindo o amor pela primeira vez, assim seguiremos, ignorando a inconveniente existência de obstáculos entre nós.

Nesse tempo que nos resta assistiremos o pôr do sol e dormiremos antes que ele se erga novamente, celebrando nossos momentos passageiros como se fossem os últimos. Num encontro entre o etéreo e o material negaremos a cobrança de certezas nessa vida tão incerta. Onde a efemeridade existencial que tanto nos fere ainda nos proporciona prazeres na persistência da convicção. Sejamos então corajosos para nos afundar nessa experiência na qual a virtualidade e realidade revelam nosso romance arriscado, que de tão incógnito nos fascina e envolve.


- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2010.


Foto:  Cena do filme "Asas do Desejo" (Wings of Desire) de 1987.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

POR FAVOR, COMAM MINHA MULHER.


POR FAVOR
COMAM MINHA MULHER



Rua Dias Ferreira
Apartamento nos fundos
Morávamos
Minha mulher
Meu cachorro
Dois gatos
Uma tartaruga
Eu odeio tartarugas
Odeio gatos
Odeio cachorros
Odiava minha mulher
Sou da tribo dos maupacaraio
Nascido para odiar
Nefasto prazer sinistro sem culpa
Meu nome é Trator
Bebi umas cachaças no embalo
Embalo Bar, meu escritório no Lebronx.
Rapaziada da Chácara do Céu e do Vidigal
Negócios
Eu trabalho com vendas
Vendo aviões
Depois de três aviões pro Ferreira
Doutrinando Humberto de Campos
Garanti o faz me rir doutro dia e voltei pra casa
A safada de merda da minha namorada era uma cara de cavalo
Pistoleira
A puta sem valor cheirava minha cocaína
Muito
De novo
Outra vez
Abeça
Porra, ela cheirava o meu trabalho.
Meu trabalho!
Já andava cheio dessa piranha viciada
Ficou baranga de uns tempos pra cá
Não tinha mais aquele cuzão com cinturinha
Reclamava
Não cozinhava
Não faxinava
Não botava alimento em casa
A sanguessuga encostada não vai mais encher meu saco
Se ainda fizesse programa
Resolvi o problema
Sete tiros na cara de cavalo
Matei
Tem miolos pelo chão
Sangue por toda parte
A honra é o presente do homem
Vou fazer uma feijoada com os miolos dela
Quem não comeu em vida
Vai comer em morte
Ora viventes, alguém tinha de pagar a conta da esbórnia.
Muquirana da porra
Tá pago!
Agora vou comer vadias sem dinheiro
Sou o verdadeiro canalha
Tenho dois filhos com outra
Uma burguesinha do Jardim Pernambuco
João e Pedro são meus amores
Eles têm vergonha de mim
A mãe dos meus rebentos merece morrer
Vou dar tiros na cara da burguesinha
Ela não dá pra mim
Ela fala de mim
Traficantezinho viciado
Quando eu a matar, não vai falar.
Não reclamava quando era minha mulher
Adorava dar um tequinho
Gostava muito duma orgia com drogas
A Trilogia Lasciva
Casas de swing
Ecstasy
Belengo
Hedonista luxúria
Minha ex gostava de vez ou outra...
... Outras gritando em minha jeba
Amava-me comendo o seu rabo
O Raburguês de seda enfiada
Bons tempos
Botava amigas pra rolo
Rola
Eu, minha rola e elas.
Comi muito o fiofó das amigas
Da ingrata, mais ainda.
Na buça dessa filha da puta meti até gerar crias
Os gêmeos são a minha vida
Já disse isso
Agora eu não valho nada
Sou descartável
Foda-se
Eu tenho a pica dura
Sou El Comedor
Vai todo mundo pra casa do cacete
O profeta falou:
- Meu caralho voador invadirá as casas de todas as fêmeas habitantes no mundo.
Mulheres
Tudo a mesma bosta
A patricinha mãe dos meus filhos cheira muito
Quem é ela pra falar de mim
A filhinha da mamãelhonaria não me deixa em paz
Vou explodir o Jardim Pernambuco
Ela quer meu fim
Eu o dela
Quem mandou largar-me
Existem seres humanos talentosos em transformar ouro em merda
Encanta-me o oposto
Transformar merda em ouro
Impressionante a capacidade humana de fazer cagada
Ela saía com outros
A outra também, tá morta.
Tenho de limpar a sala
Salada
Comprar salada
Picar as cebolas e o alho
Refogar a couve e as folhas de louro
As carnes estão pelo chão
Miolo de burra ordinária
Maminha de puta fatiada
Costela de vadia safada
Lombo de pistoleira cozido
Filé de rabo de vagabunda
Língua de trambiqueira defumada
É só azeitar com feijão e degustar
Amanhã é domingo
Dia de feijoada com esquartejadinho à rameira
Aquilo tudo
Amigos reunidos
Jogo do Mengão
Minha vida é como ela é
Monogamia é conto de fadas
Depois dou um tempero de azeitonas na fuça da minha ex
Minha 9mm tá azeitadinha de agora a pouco
Quentinha
Amanhã vou servir feijoada
Feijoada de piranha xinxeira mal passada ao miolo pardo
Estão todos convidados
Por favor, comam minha mulher.

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
POR FAVOR COMAM MINHA MULHER de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

Entrevista de Pablo Treuffar pro BDE


O jornalista Guto Correia entrevista Pablo Treuffar pro BDE




COMO FOI CRESCER NO RIO, ESPECIALMENTE EM IPANEMA?

Ipanema é um bairro de praia, cresci na praia, junto com tudo que ela oferece. Foi na praia de Ipanema que conheci a turma do morro, do subúrbio, da classe operária, da classe média, os traficantes, as putas, as sapatas, os viados, os artistas, os esportistas e a burguesia; enfim, a praia é um território democrático, todos os segmentos da sociedade estão lá.


VAMOS AO QUE INTERESSA. O QUE É ESCREVER PRA VOCÊ?

É um processo criativo no qual desejo irritar as pessoas perante suas próprias mazelas, suas inquietações. Quando escrevo, penso na reflexão, minha e do leitor. Escrever é passar minha alma a limpo, passar a humanidade a limpo. Gosto da ideia de Sócrates que o importante é a pergunta e não a resposta. Procuro o questionamento. Não há respostas.

EU LI SEUS TEXTOS E POSSO DIZER QUE TEM MUITO HUMOR NELES, VOCÊ CONCORDA QUE A IRONIA E O HUMOR SÃO FATORES MARCANTES NA SUA OBRA?


O humor é de cada um. Eu acho meus textos muito divertidos, outros também acham, mas os que acham são porque têm neles o senso de humor, outros leitores acham meus textos simplesmente ruins e ofensivos, um dedo na cara das mazelas que eles carregam e não querem assumir. Por isso eu incomodo. Conta uma piada pra um cara com dor de dente, ele não vai rir. Humor é mão dupla.


VOCÊ ENCONTRA DIFICULDADE AO ALTERNAR TEMAS POLÊMICOS E SÉRIOS COM A COMÉDIA?

Não há dificuldade alguma, a alternância entre rir e chorar se faz na consciência do leitor, não é lido o escrito, é lido o entendimento escrito, o entendimento é de cada um, uma vez escrito, sendo tudo verdade, escrito não é verdade, ou seja, o mesmo texto é cômico pra uns e sério pra outros.


COMO COMEÇOU A ESCREVER?

Quando criança, eu tinha meu diário, escrevia nos meus cadernos durante as aulas, no primário, no ginásio e daí pra sempre segui registrando alguns pensamentos. Devo ter quase mil textos inacabados. Escrevo muito, mas mostro quase nada. Se todas as pessoas escrevessem tudo o que vem à cabeça, qualquer pensamento, todos seríamos gênios. Comecei a escrever quando entendi que eu escolho meus pensamentos. Concordo com o Waly Salomão “A memória é uma ilha de edição”.


QUANDO DECIDIU TORNAR-SE ESCRITOR?

Acho que sempre fui escritor, mesmo quando não era, quando não escrevia, pensava. Estou sempre escrevendo mentalmente, sempre fiz isso, desde que me entendo por gente. Não paro um minuto. Minha mente é um caderno de redação. A única diferença é que hoje vocês podem ler alguns dos meus pensamentos.


QUANDO VOCÊ CRIOU SEU BLOG?

Meu blog é de outubro de 2006. Mas as pessoas começam a ter acesso aos meus escritos em meados de 2005, graças ao Bar do Escritor, de Giovani Iemini. Um dia, eu estava navegando no Orkut e achei esta comunidade, comecei a postar e fui achincalhado por muitos membros, vários comentários sucederam em todos os meus textos, muitos de cunho pessoal, daí percebi que eu incomodava e não parei mais. Com o tempo, os desafetos começaram a entender o meu não estilo. Ainda tenho muitos inimigos no Bar do Escritor. Adoro incomodar. Vou citar uma frase do escritor Alex Wildner que cabe muito bem agora: “Se tiverem a oportunidade de escolher como serão reconhecidos, optem por ser o incômodo. O Gênio. O Sábio. O Belo. O Astuto. O Achaque. A Doença. O Mal. O Incômodo. Todo Incômodo tem seu Talento.”


QUEM É ALEX WILDNER?

Um blogueiro da nova safra de bastardos da literatura, assim como eu, um escritor amador em busca de dois leitores.


COMO FOI PUBLICAR SEU PRIMEIRO TEXTO?

Foi porrada, apanhei muito dos leitores. Apanho ainda nas comunidades de textos net adentro. Faz parte.


COMO VOCÊ ENCARA AS CRÍTICAS?

Adoro, é muito fácil ler alguma coisa e escrever “gostei”, mas pra criticar você tem de ter lido a fundo, formado opinião a respeito, prestado atenção. Realmente, uma crítica de várias linhas me envaidece muito mais que um simples “muito bom”. Não tenho problema com isso.


QUERIA QUE VOCÊ FALASSE DE COMO FOI ULTRAPASSAR A BARREIRA DO ANONIMATO?

Não ultrapassei, ainda sou anônimo, mas é muito gratificante ver que dois ou três malucos entendem o que escrevo.


SABERIA DIZER O NÚMERO DE ACESSOS DIÁRIOS DO SEU BLOG?

Muito pouco, uma média de 80 visitas novas por dia.


VOCÊ ACHA QUE COM ESSE FENÔMENO DE MILHÕES DE BLOGS INTERNET ADENTRO O BRASILEIRO ESTÁ LENDO MAIS?

Infelizmente não acredito, acho que os internautas ainda são um retrato da TV aberta, usam a internet basicamente pra Orkut, MSN, futebol e sítios de fofoca. Todo o resto são jogos e pornografia. Se o meu blog tivesse mulher pelada, eu teria 80.000 vistas dia e não míseras oitentinhas visitas dia.


VOCÊ DISSE QUE COMEÇOU A MOSTRAR SEUS TEXTOS NO ORKUT, ACHA O ORKUT UMA BOA FERRAMENTA DE DIVULGAÇÃO PRA NOVOS ESCRITORES?

O Orkut pra nós que queremos ser lidos é uma boa ferramenta de debate, mas, por exemplo, se você entrar na Comunidade do BDE vai ter por volta de 4.000 membros, dos quais, 200 no máximo publicam e comentam regularmente uns aos outros, já a comunidade EU SOU GOSTOSA tem 1.658.652 membros, mais ou menos, veja bem, o Orkut é usado pra ver fotografias, pra azaração, não estão lendo no Orkut.


QUAIS SÃO SEUS AUTORES PREFERIDOS?

Poderia citar os ditos clássicos: Machado de Assis, Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Mario Quintana, Clarisse Lispector, Isabel Allende, Garcia Marques e tantos outros que são tudo e mais alguma coisa de bom em matéria de narrativa e conteúdo, gosto muito, mas eu gosto mesmo é dos marginais. Rubem Fonseca pra mim é Deus, Nelson Rodrigues um monstro sagrado, esses dois são fontes inspirativas sempre. Não posso esquecer o João Ubaldo de jeito nenhum, adoro a Norma Lucia, um ídolo pra essa sociedade careta (Norma Lucia é personagem do livro “A casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro). Dos gringos, gosto muito do Charles Bukowski, do John Fante, do Henry Miller, do Maiakovski, tô completamente apaixonado por um escritor cubano chamado Pedro Juan Gutiérrez. Se eu tivesse de falar só um escritor hoje pra você, seria sem sombra de dúvidas o Gutiérrez. Tô lendo agora Pornopopéia, do Reinaldo Moraes, e achando muito bom. Gosto da linguagem suja.


VOCÊ REALIZA ALGUMA ESPÉCIE DE RITUAL ANTES, DURANTE OU APÓS O ATO DE ESCREVER?

Não, mas se eu puder fumar unzinho eu gosto.


ONDE ESCREVE?

Em qualquer lugar, a qualquer hora, sou escatológico, eu vomito onde estiver. Se possível, como eu já disse, gosto de fumar unzinho pra escrever.


VOCÊ FALOU SOBRE A MACONHA EM DUAS RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS QUE EU TE FIZ, VOCÊ ACHA QUE A MACONHA AJUDA NO PROCESSO CRIATIVO?

Não é isso, sou um cara muito ansioso, minhas pernas não param de mexer um minuto, essa inquietude física, nada mais é que o reflexo da minha alma ansiosa, fumar unzinho me deixa menos apreensivo e fica mais fácil de terminar os meus escritos. Só isso.


SEUS TEXTOS SÃO BASTANTE POLÊMICOS, PRINCIPALMENTE QUANDO VOCÊ ABORDA TEMAS COMO SEXO, DROGAS E VIOLÊNCIA. QUAL É SUA RELAÇÃO COM ESSES TRÊS TEMAS RECORRENTES?

Intensa, é uma trilogia recorrente na humanidade, a pecaminosa trindade. Eu sou o pecado. Você também é. Todos são. Eu admito. Sou pessimista e acredito na maldade humana.


SEUS CONTOS SÃO INSPIRADOS NA SUA VIDA, NO SEU DIA A DIA?

Esse tema é legal, por eu escrever na primeira pessoa, as pessoas acham, na maioria das vezes, que estou escrevendo sobre a minha vida, não é verdade! Meus escritos são inspirados na sua vida, na minha vida, na vida de todo o mundo. Escrevo as muitas visões da vida.


COMO SURGE SUA POESIA, SEUS CONTOS?

Depende muito, uma frase, um olhar, um filme, um livro, uma conversa, tudo me inspira. Basicamente, meus escritos surgem da observação das fraquezas humanas.


ANOTA MUITO?

O tempo todo, guardanapos, extratos bancários, cartões, anoto em qualquer lugar. Se você abrir minha carteira, vai achar coisas escritas em toda parte.


O QUE O INSPIRA?

Essa é fácil, tudo!


COMO FOI SEU APRENDIZADO?

Não foi. Eu nunca aprendo. A ideia de ter aprendido alguma coisa assusta-me, saber algo é a possibilidade real da estagnação. Como eu já disse: interessam-me as perguntas, e o aprendizado são as respostas. Prefiro as perguntas.


LENDO COMENTÁRIOS NOS SEUS TEXTOS, NOTEI QUE HÁ UMA DÚVIDA RECORRENTE SOBRE O QUE VOCÊ ESCREVE, SEUS LEITORES CLASSIFICAM SEUS TEXTOS DE FORMAS DIFERENTES, ALGUNS COMO CONTO, OUTROS COMO CRÔNICA E OUTROS AINDA COMO POESIA, MUITAS VEZES NO MESMO TEXTO VOCÊ É CLASSIFICADO DAS TRÊS FORMAS, SEU ESTILO É BASTANTE PECULIAR, COMO O DESENVOLVEU, COMO VOCÊ CLASSIFICA A SUA ESCRITA?

Adoro isso. Não me preocupo com o que escrevo, é assim que se desenvolve minha escrita. Meu estilo é não ter estilo. Já discuti com vários leitores por causa disso, lembro de uma discussão que tive com o escritor Edson Bueno de Camargo sobre esse assunto. Prosa ou verso? Não dou à mínima. Odeio rótulos. Existem correntes que me mandam escrever prosa, outros dizem o contrário. Comentaristas brigam entre si pra definir a minha escrita. Sinceramente, eu escrevo textos, ou “coisas” como Giovani Iemini gosta de denominar meus escritos. Acredito em textos bons ou ruins, além disso... o nada. Sei que vou continuar sendo massacrado pelos catedráticos de plantão por essa minha postura com a literatura, mas pra mim existem dois tipos de literatura, a literatura boa e a ruim, e isso na visão do um. Não necessariamente o que você vai gostar eu vou também. Só isso.

QUAL A SUA MAIOR DIFICULDADE AO PRODUZIR UM TEXTO?

Não tenho dificuldades, talvez o processo de me convencer que o texto está pronto às vezes seja doloroso, outras vezes é muito fácil, mas, se tenho um momento de dúvida no processo, esse momento é terminar. Nada que um ponto final não resolva.


VOCÊ CITOU O NOME DE GIOVANI IEMINI ALGUMAS VEZES. QUEM É GIOVANI IEMINI PRA VOCÊ?

Giovani Iemini é o responsável por vocês estarem me lendo. Foi na comunidade dele: O Bar do Escritor, que comecei a botar pra jogo meus escritos. Ele é autor do livro Mão Branca, entre outros projetos. Junto com Cristiano Deveras, são eles os idealizadores e escritores dos livros BAR DO ESCRITOR – Anarquia Brasileira de Letras e BAR DO ESCRITOR BRAND. Estes dois livros são coletâneas de vários autores independentes em formato pocket e de baixo valor de comercialização, com a finalidade de divulgar uma turma de escritores, que se não fosse por pessoas como eles, não seriam impressos tão cedo (Pablo Treuffar escreve nos dois livros). Outra coisa, com muita luta, eles conseguiram levar esses livros pra FLIP 2010 e pra Bienal de São Paulo 2010, ou seja, Giovani Iemini é um empreendedor, um amante da escrita. Pra mim, Giovani é o cara!


VOCÊ TEM CONTOS ESCRITOS NO FEMININO, COMO É PRA VOCÊ ESCREVER NA PRIMEIRA PESSOA UMA PERSONAGEM FEMININA?

Isso foi uma brincadeira, mulheres comentavam meus escritos e me chamavam de porco chauvinista pra baixo. Eu tenho um texto que se chama VADIAS MIMADAS, muitas que o leram vestiram a carapuça e me atacaram de todas as formas possíveis, resolvi criar uma personagem mulher que pisava nos homens e escrevi: MEU NOME É LUA. Deu certo. Elas adoraram. Gostei e escrevi mais dois. São três textos na verdade, PSICO-FOFO, MEU NOME É LUA e O PRAZER. Faço minhas as palavras de Gilberto Gil “Minha porção mulher que até então se resguardara, é a porção melhor que trago em mim agora”.


VOCÊ TEM UM CONTO SOBRE DEMETRIO TENÓRIO DE MELLO, QUE DE FATO EXISTIU. QUERIA QUE VOCÊ FALASSE COMO ERA SUA RELAÇÃO COM ELE?

Demetrio morou no meu prédio, em Ipanema, na década de 80. Era um cara enigmático, bonito, cheio de mulheres, dirigia carros importados e não trabalhava. Tráfico de influência era o seu ganha pão. Foi o ídolo da minha infância. Ele morreu assassinado, o caso nunca foi resolvido.


QUANTAS PUBLICAÇÕES IMPRESSAS VOCÊ TEM?

Além da minha participação nos dos dois livros do Bar do Escritor supracitados, tenho também um contrato assinado com a Editora Multifoco. Meu livro será lançado no dia 11 de janeiro de 2011.


PARA FINALIZAR. O QUE VOCÊ PODE ADIANTAR SOBRE O SEU LIVRO?

O nome é A DOENÇA É A DESCULPA DO CARÁTER. A editora é a MULTIFOCO. São 42 textos. A capa é do cartunista ANDRÉ DAHMER, pra mim o melhor cartunista da nova geração. O texto de apresentação do livro é do escritor TONINHO VAZ, autor das biografias de Torquato Neto, Paulo Leminski, Darci Ribeiro, entre outras. As orelhas são de GIOVANI IEMINI e GUTO CORREIA, que não por acaso é você que está me entrevistando. (gargalhadas)




Pablo Treuffar pode ser lido no blog:
http://www.pablotreuffar.com/



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

descrédito visionário
















antes fosse cego
penetrar além da visão
descaminhar pelos banheiros públicos
sentir-se a latrina descontaminada

ser aquele que perambula
de um pólo a outro
na cegueira por excesso
ou por falta de luz

ser aquele que desarma
a alegoria dos fatos
sem decifrar criptogramas
ou desnudar o dito perfeito

antes fosse ele mesmo
um desatrelado social
que se orgulhasse apenas
de sua tagarelice infeliz.


(imagem de Gilberto de Almeida Pinto, meu tio materno)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vampira


Sedenta
provo com a língua
e gosto
do gosto
do teu beijo.

Tua desdita,
meu desejo.

Deixo-te vazio
e me afasto,
satisfeita.

Devoro a alma,
mas ponho
no pires do meu gato

o sangue
dos homens que mato.

(poema do meu livro LEOA OU GAZELA, TODO DIA É DIA DELA)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Boas Novas



Olá, amigos!

Tenho novidades!!

Está no ar a Loja Virtual Incessante Presentes. Estamos desenvolvendo um portifólio de produtos para atender a todos que querem presentear pessoas queridas.

Vamos cuidar com muito carinho do setor de produtos ecologicamente corretos. Temos a missão de estimular a prática da reciclagem, assim deixaremos de extrair recursos naturais bem como desacelerar a produção de produtos nocivos ao meio ambiente.

Para quem pretende ampliar seu canal de venda no seguimento de presentes, papelaria e artesanato, aceitamos parceria na divulgação e vendas de produtos.

Receba novidades assinando a newsletter e fique incessante!!

domingo, 22 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Três anos de Hotel Sete ...
21 de Agosto
Três anos de Hotel Sete ...
Acordei
Lavei o rosto
Passei no espelho o resto da noite que restava sob os olhos e minhas olheiras ...
Do bolso da calça tirei a chave do meu quarto
antes eram ácidos ou outros
Me dei conta que hoje já sei onde durmo
e que quando cheguei aqui me perdia nos andares
Hoje abro as portas e indico os quartos pros novos inquilinos e novatos
Percorri o corredor e desci as escadas
Passei a mão no jornal do dia
Na rua o mesmo trânsito iniciando sua transa, seu vai e vem
E eu, complexo transeunte, relembro minha primeira noite aqui dentro
A cabeça dói
Tudo a sua volta gira, se movimenta
Seu próprio estômago soca sua garganta
Golfadas de vômito
Engulho, e dormência nas pontas dos dedos dos pés
Esse sol intenso desequilibrando as paredes e o teto

São apenas 7:47
Depois disso foram muitas festas, encontros, brigas, amores e noites bem vividas e mal dormidas
Certas madrugadas, às vezes pra incomodar a justa serenidade do sossego do quarto, caminhava pelos becos e circunvizinhanças as duas, três horas pra alegrar os notívagos e arriscar minha vida, sempre obviamente com a carteira vazia...
Do meu quarto compus meu livro de poemas, escrito hora em caneta tinteiro envenenada, hora em máquina Remington enferrujada, relíquia do meu avô e destruída por amigos eufóricos
Freqüentemente avisto, na esquina, dois mendigos folheando as páginas
Eles me acenam fervorosamente quando passo e balançam o livro nas mãos dizendo em que poemas estão
Adoro presentear os amigos
Ocasionalmente aconteciam fantásticas jam’s musicais, onde compúnhamos canções e rocks, fumando cigarros e olhando o som da cidade pelas janelas abertas, surgindo assim uma banda que veio a gravar um disco empoeirado que toca no saguão central do Hotel numa velha vitrola de 1958, nas noites de sexta pra alegrar os inquilinos mais idosos, que reclusos preferem o conforto das poltronas, seus chás, dominó e gamão
Nesse ínterim fui conhecendo outros escritores, que sem lar vieram alugar quartos no Hotel e mesmo outros artistas que sublocaram todo o Subsolo do prédio
Com esses fiz mais amizade e por muito tempo morei junto a eles nos porões, confabulando e perpetrando nossa nova confraria.
Nossas intenções não eram de forma alguma muito nobres, sobretudo, porque ademais queríamos ser lidos, fato que em si só, contrariava uma premissa do status quo
Começamos motivados a realizar leituras e festas, organizar encontros, zines e ...
Mas esperem aí, já estou me estendendo e estou atrasado, deixe eu ir trabalhar para descolar uma grana porque hoje é dia 21 ...
e tenho que pagar o aluguel.

Vôo

Despertar...
Dar asas as asas do dia.
Manhã fria, preguiça de levantar.
Mas, um pássaro canta lá fora.
Um sabiá.
Não consigo ficar impassível a este chamado.
Com o cobertor nas costas ensaio um vôo.
Escrevo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Notícias do Bar do Escritor na FLIP 2010

A empreitada foi um sucesso!
O sonho de tornar o Bar do Escritor uma realidade durante a FLIP 2010 se concretizou de maneira mágica (como elogiaram os espectadores dos saraus).
De 02 a 08 de agosto de 2010, a comunidade literária mais anárquica e libertária do Brasil se reuniu num delicioso bar na Praia do Pontal em Paraty, RJ, em evento paralelo à Festa Literária Internacional.


Foram dias de poesia, contatos e, principalmente, de celebração à amizade e ao amor às letras.
Durante o dia, nosso cardápio incluía bebidas e comidas ao gostoso papo furado que dispensávamos em frente à linda baía de Paraty. Já de noite, às 8:00h, abríamos o microfone explicando sobre o projeto do BdE em difundir e discutir a literatura de forma absolutamente livre e respeitosa. Músicos, declamadores, atores, poetas, contistas, adoráveis loucos de toda espécie dividiram sucessivamente as atenções dos clientes do bar, cada um na medida do seu interesse, bagunçadamente organizados, como deve ser uma comunidade livre.
Foram tantas pessoas interessantes que não citaremos para não esquecer logo aquele amigo ...

Numa mesa ao lado do balcão, expomos os livros dos autores do bar e de todos os escritores que nos procuraram amistosamente, inclusive a Antologia Bar do Escritor Edição Nº 2 Brand, que lançamos durante o evento, com 41 autores de todo o país, organizada pelo escritor Cristiano Deveras.

Também havia exemplares da primeira, Anarquia Brasileira de Letras, de 2009, com 38 autores e organizada pelo idealizador do BdE, Giovani Iemini.







O Bar do Escritor em Paraty só foi possível com o apoio da cachaça Poesia, uma inspiradora branquinha que consumimos inebriados praticamente o tempo inteiro (sem ressaca, diga-se). Esta prestimosa cachaçaria também lançou o livro de contos do jornalista Paulo Rezende, da Vitrine Literária, novo parceiro do Bde.






Também travamos contato com os organizadores do clube de autores, um interessante projeto que instalou-se no centro histórico de Paraty, onde palestramos sobre as formas de produção do autor iniciante e o mercado editorial. Há mais detalhes no blog.





segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DOIS TIROS NA FAVELA


DOIS TIROS NA FAVELA

Hoje
Leio o jornal
Ontem mataram um garoto no Morro Azul
Onde estou lendo, ontem estava no segundo papelote.
Estava eu aqui
Depois de bater várias carreiras
Botei napa adentro
Adoro a Falete
Tarja amarela
É o que há
50 paus
Tem sempre um moto-táxi pra entregar
Acabei de foder
Digito compulsivamente entre um teco e outro
A imagem da minha letra recolhe em si negativamente o conteúdo do texto
Benditos Blocos de Nota, Word e WordPad.
Viva a cocaína
Mataram alguém no Morro Azul
Ouvi os tiros
Dois
A queima roupa
Tuf. tuf.
Da janela do quarto, na cama onde linda morena dorme ao meu lado, vejo dois clarões.
Ouço dor
Sinto morte e medo
Procuro
Paranoica, mente.
Furos de bala em minha cabeça
Não tenho
Estou de frente pro morro, sentado na cama, digitando merdas em um laptop.
A imagem digitada faz bem pro texto
No meu outro lado, o prato com pó.
Dou mais um belengo
A morena não acorda
Bom
Não quero foder
Quero entender
Um desconhecido insignificante deve ter morrido
Eu com isso
Foda-se
Acabei de foder
Tô cheirando e digitando
Caguei pro Azul
Azul é o caralho
Eu gosto é de Branco
Vou dar outro teco
A morena está roncando
Mulheres ronronam, vai saber...
Mataram alguém
Fui chupado, eu como, assim.
Como assim?
Porra! Mataram alguém!!
Foi a polícia
O Bope
Pronto, agora sou politicamente correto.
A culpa é da polícia
Pessoas morrem
Não tô ferido
Maldita polícia
É tudo culpa do Estado
O cidadão é um fodido
Nossa, sou uma pessoa boa.
Vou dar outro teco
Polícia matando remete culpar ao Estado absorvendo a bosta toda, absolvendo assim o pensador da imagem.
É
Bendita polícia
PUTA PÁTRIA QUE ME PARIU
Não sou assim
Tia dizia-se médium, vai saber...
A múmia paralítica disse eu ser também
Por que procurei a bala em minha cabeça?
Não quero ser médium
Vou dar outro teco
Foi a cocaína que matou esse garoto
Assim falaria o Capitão Nascimento
Fascista infeliz
É, sou uma pessoa boa.
Vou meter a pica na boca da morena safada
Mataram alguém
Uns fodem
Outros morrem
E agora...
Foder é o cacete
Tão fodendo o Morro e eu querendo foder
Sou o próprio Filho do Dinheiro escarrado e cuspido
Fico justificando pra legitimar prazer
O mundo tá fodido
Eu pensando em foder
Foder de novo
Só tem mais um belengo
Vou ligar pro moto-táxi
Terá moto-táxi no Azul?
Mataram alguém no Morro Azul, eu pensando se lá tem moto-táxi pra trazer cocaína.
Eu matei
Matei porra nenhuma
Vai se foder, Capitão Nascimento.
Vou foder sim!!!
Como disse o gênio Rubem Fonseca
Tão me devendo buceta e todo o resto que viria ao caso agora
Vou dar último teco e acordar morena pros trabalhos orais
Não tenho culpa
Não sei sobre vocês
A verdade é que eu minto
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

terça-feira, 3 de agosto de 2010
























a lúcida em mim
crucifica meu ser
administra mentiras
tenta ser correta
ser tão concreta

a lúcida em mim
afaga e engana
precede e o consente
meia volta
pra recomeçar

a lúcida em mim
sufoca o precipício
a lúcida em mim
parece não existir.




(imagem de Gilberto de Almeida Pinto, meu tio materno)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mil em uma noite

Dá um pouco de cansaço
dar o que fazer ao Rei,
ocupar bastante a sua agenda,
sua vida e seu espaço.

Tem suas vantagens,
lá isso tem...

Mas eu nunca fui a preferida
do harém.