quarta-feira, 12 de março de 2014

O PÊNDULO DO TEMPO

Mesmo que se altere
O pêndulo do...
Tempo se reverta
Ao princípio do...
Segundo...minuto horário
Marcado pelo dia
Não perpetue o que
De fato é temporário
Não determine fim
O que eterno é
Sedentário
Sentimento inverso
Contudo...alienado
Aliena o teimoso
Hereges és sagrado
Não converta o feito
Inverta o que será
Não retorne o tempo
O pêndulo perpetuará
No fim do que é
O póstumo chegará
Trará estigmas...cicatrizes
E...então...pensarás
Nunca é tarde para ouvires
Nunca é cedo para amar
Até no breu vires
Aquela luz a flamejar
Iluminou o céu tristonho
Agora a luz a ofuscar
 Claro vejo o que é risonho
A face iluminada do seu olhar

terça-feira, 11 de março de 2014

Teatro das Formigas - Ato 7 e Ato 8

Sétimo Ato
.
sob a ótica
dos velhos comandados

traçam rotas
sob túneis caóticos,
inúteis.

antenadas,

capturam sinais
digitais e
analógicos

desertam a lei
e debandam,
como cegos

à procura de luz...
.
Oitavo Ato
.
em porões
escuros e úmidos

sob tortura
barata,
delatam companheiros

alguns, capitalistas
e outros,
comunistas...

investigadas
por crimes de evasão
de direitos

pedem asilo,
às milícias,
a despeito da honra

forjada...
.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Convidado Walter Bezerra (2)



Crônica sobre o fim do mundo

Sabemos que o mundo não se acabou no ano 2000, frustrando a interpretação de uma das centúrias do astrólogo, astrônomo, alquimista, erudito e mago francês Michel Nostradamus.
Agora, os donos da bola de cristal estão afirmando que o dia 21 de dezembro de 2012 será o fim do mundo (ou o início de um novo ciclo, como dizem os mais românticos), segundo previsão apocalíptica baseada na cultura maia.  
A premonição é que o Sol nascerá, no tal dia, aliado ao planeta e ao centro da Via Láctea, um fato astronômico que só acontece a cada 26 mil anos e que provocará o cataclismo, causando o fim da vida na Terra.
Em alguns países, como na Espanha, as pessoas de alto poder econômico estão construindo, em sistema de cooperativas, os famosos bunkers, refúgios subterrâneos emergenciais, para se protegerem da possível explosão do planeta.
Os bunkers permitem que as pessoas permaneçam no interior deles até 3 anos, respirando ar puro e sobrevivendo à base de medicamentos e alimentos estocados. Eles estão protegidos por uma capa de 60 centímetros de concreto e contam com filtros de partículas radioativas para evitar a infiltração de resíduos tóxicos ou a passagem de radiação ou bactérias.
A história dos bunkers é uma realidade inconteste. Mas, suponhamos que as pessoas realmente acreditem que o mundo vai se acabar em 21 de dezembro, eu fico a imaginar, cá da minha porção vidente hilária, o que poderia acontece, a partir de agora, diante dos efeitos colaterais causados pela síndrome do pânico generalizada:
Milhares e milhares de mulheres grávidas desesperadas por não poderem sequer conhecer a cara dos frutos de seus ventres;
Mulheres casadas – reprimidas, sofridas e traídas por seus maridos – pulando, por simples vingança, a cerca pela primeira e última vez;
Outras revelando, para seus maridos mulherengos, que tais filhos não são deles, mas dos vizinhos, patrões e amantes;
Outras ainda, agora estimuladas e encorajadas, revelando suas fantasias sexuais a seus maridos, namorados e parceiros de cama sexualmente conservadores;
Casais, namorados, amantes e pessoas de todos os sexos, classe sociais e culturas aderindo ao ménage à trois, swing e sadomasoquismo;
Recatados, caretas e falsos moralistas experimentando maconha, cocaína, LSD e outras drogas alucinógenas e “reveladoras”;
Boa percentagem dos católicos, evangélicos, mulçumanos, espíritas e outros crédulos rogando a Deus para que lhes salve as almas, posto que só eles - por serem religiosos confessos e praticantes - merecem mais do que ninguém sobreviver à tragédia;
Centenas de milhares de agnósticos saindo de cima do muro e fazendo opção definitiva por Deus;
Empresários e milionários gastando tudo com viagens, extravagâncias e orgias;
Maus políticos, insaciáveis, promovendo a farra do Dinheiro Público dos Últimos Dias;
Homens e mulheres de bem revelando seus quinhões corruptos camuflados;
Multidões incautas, pobres, honestas e sem grandes ambições jogadas ao deus-dará;
Empregados e bajuladores mandando seus gerentes, diretores e patrões tomarem no devido lugar;
Formação acirrada e célere de cartéis, empresários majorando os preços, inflação a todo pique;
Devedores debochando seus credores;
Aproveitadores e caloteiros adquirindo tudo a crédito: carros de luxo, lanchas, vinhos, uísques, jóias, casacos de couro e perfumes caríssimos, visando desfrutar os últimos prazeres da vida;
Bancos, financeiras e comércio varejista, atentos aos calotes voluntários e involuntários, limitando seus prazos de pagamentos de boletos, faturas e cartões de crédito;
Todo mundo, pessoas jurídicas e físicas, sonegando impostos, provocando a falência múltipla de países, estados e municípios e quebrando, por osmose, seus funcionários e fornecedores;
Tchau, tchau serviços públicos essenciais (saúde, segurança, educação etc.)!
Estupradores de plantão violentando ídolos, divas e paixões adormecidas e dissimuladas;
Homossexuais enrustidos assumindo suas opções e preferências sexuais,
Vegetarianos devorando carnes, inclusive vermelhas, e naturalistas comendo produtos de origem animal, incluindo enlatados;
Naturistas e exibicionistas desfilando nus pelas ruas, sem nenhum pudor ou constrangimento;
Comercialização massificada de confessionários eletrônicos aplicados em iPhones, (concessão já aprovada pela Igreja Católica), e a efervescência da prática do Sacramento da Confissão nas paróquias de todo o mundo;
Vaticano revelando, ainda que tarde, seus segredos históricos e eclesiásticos guardados secularmente a sete chaves;
Líderes de todas as facções religiosas revelando - em confissão e por desencargo de consciência - que Dostoiévski, Nietzsche, Saramago, Chaplin, Galilei, Reich, Freud, Einstein, Huxley, Epicuro, Fernando Pessoa, Thomas Edison, Charles Darwin e Lennon, entre inúmeros gênios, eram figuras sapientes, confiáveis, generosas e amáveis, dignas de serem ouvidas e seguidas;
NASA tirando do baú e divulgando, embora sem mais nenhuma serventia, suas descobertas científicas e pesquisas espaciais sigilosas;
Terroristas e homens-bombas explodindo de raiva, revoltados com o efeito bumerangue do colapso planetário;
Todo mundo, incluindo aidéticos, praticando sexo sem camisinha;
Pedófilos dissimulados praticando suas taras imorais e esdrúxulas;
Psicanalistas, psicólogos e terapeutas irresponsáveis seduzindo seus pacientes;
Homofóbos, racistas, chauvinistas, xenófobos e preconceituosos em geral praticando calorosamente suas aversões nefastas;
Depravação, obscenidade, parentes copulando com parentes, Sodoma e Gomorra se reeditando, tudo como Satã quer e gosta;
Pessoas revoltadas fazendo justiça com as próprias mãos, visando, por exemplo, vingar a morte do irmão assassinado ou a da mãe acidentada no trânsito;
Pessoas injustiçadas dando, numa atitude revanchista, o troco a seus déspotas e opressores;
Oportunistas e caras de pau vendendo terrenos na Lua e em Marte, à vista e em espécie, com desconto de 90%;
Internautas inescrupulosos espalhando boatos e defecando nas redes sociais contra seus desafetos;
Desesperados querendo ser, a todo custo, sequestrados por extraterrestres, só para fugir da calamidade;
Propaganda de lançamento de um novo produto de conteúdo religioso: “Adquira já o seu Invisilex. Fique invisível, livre-se da explosão e ganhe a eternidade!”;
Ecologistas ufanos defendendo e preconizando: “O Brasil tem tantas belezas naturais que Deus vai deixar o país de fora do curto-circuito!”;
Brasileiros satíricos profetizando (chupei da crônica humorística): “Fim de mundo no Brasil não! O país não tem infra-estrutura para receber um evento de grande porte como esse!”;
Grandes laboratórios farmacêuticos futurando zilhões e zilhões de euros com a pandemia de doenças como a antlofobia, astrofobia, brontofobia, termofobia, calipsefobia, demonofobia, somnifobia, meteorofobia e necrofobia, entre outros transtornos de ansiedade de nomes morfológica e semanticamente estapafúrdios e psicodélicos;
Superpotências mundiais pedindo (agora vá!) perdão à Humanidade pela ganância capitalista e ocupações imperialistas, que causaram guerras e mortes de milhões de pessoas inocentes em diversos continentes do Planeta.
Enfim, se as pessoas acreditassem plenamente na previsão apocalíptica, o fim do mundo seria um verdadeiro deus nos acuda, uma bagaceira sem tamanho e igual.
Mas, se eu fosse Deus, não destruiria o mundo não. Faria algumas reformas essenciais, justas e necessárias
Primeiro ato: em vez de Terra, o planeta passaria a se chamar Paz!
Em seguida, ignoraria essa conversa de herdeiros  do pecado original. Nada de pagar o justo pelo pecador! Nem aqui, nem na China!
Chega de tragédias: não haverá terremotos, tsunamis, tornados, vulcões, dilúvios ou qualquer outro fenômeno natural destrutivo em nenhum lugar do mundo!
Eu, o Todo-Poderoso, acabaria com a indústria bélica. Não haverá bombas nucleares, mísseis e nenhum tipo de arma de fogo sobre o planeta!
Eu, o Criador Onipresente, faria a reforma racial: não haverá brancos, negros, amarelos, índios.Todos serão coloridos! 
Eu, o Soberano Onipotente, implantaria a reforma geográfica: não haverá país maior que outro! Todos terão os mesmos metros quadrados e a mesma quantidade de recursos e belezas naturais! Todos falarão uma só língua e suas moedas correntes terão o mesmo valor cambial! Não haverá mais superpotências e nem impérios!
Eu, o Supremo Magistrado, faria a reforma moral: fora todos os corruptos, crápulas, usurpadores e ditadores de qualquer tendência político-ideológica!
Eu, o Senhor da Democracia, promoveria também a reforma social: todos serão realmente iguais perante a lei e gozarão dos mesmos privilégios materiais e culturais!
Eu, o Sumo Sacerdote da Alma, faria, com urgência e sem pestanejar, a reforma religiosa e espiritual: a partir de hoje, a religião do planeta será o Amor!
E, por fim, eu, o Onisciente, decretaria: não tentarás contra a natureza. A partir de agora, a consciência ecológica passará a ser matéria disciplinar obrigatória em todas as escolas do planeta Paz!



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Walter Bezerra
imagine.al@gmail.com

domingo, 9 de março de 2014

HITLER ÀS AVESSAS – profanas profecias do lado B


Ponteiros não giram rapidamente ao amanhecer
Oito e meia da matina é cedo pacas
Levantar antes da hora deixa a pessoa abobalhada
Pela manhã tenho o olhar perdido
Meu aspecto é de um morto vivo
Não quero labutar
Nem fazer parte da elite
Só roubar e matar
Observo a natureza desumana
Ontem vi um animal ensinando o filhote a caçar
O animal era um mendigo
O filhote era um menor
A caça era o lixo
O bairro era o Leblon
O verdadeiro, não o do Manoel Carlos.
É!
A verdadeira essência está ausente
Não habitamos um mundo justo
Não é fácil ser vagabundo
A desgraça alheia sustenta a existência de poucos
Adoro andar à noite no calçadão da Delfim Moreira
Olhar pros apartamentos dos milionários
Vê-los assistindo a suas telas de plasma de infinitas polegadas
Sabe o que eles veem
Novela
É Fantástico
Definitivamente o dinheiro não escolhe cultura pra ninguém
Morte à High Society!
Miséria e ódio são meus alimentos
Sou um ladrão sem escrúpulos
Durante os assaltos gosto de torturar ricaços
Estrangular a felicidade deles
Minha glória é fatiar grã-finos
Faço banquetes sem precedentes para indigentes
A imagem dos miseráveis antropófagos famintos por seus algozes me conforta
Corações alheios à verdade exalam aversão
Nas minhas veias corre vinho
Libertar-me-ei completamente
Não das drogas
E sim dos filhos do dinheiro
Eu sou hediondo
Estamos todos condenados ao fracasso da alma
A morte sempre vence
Sim
Eu não sou pobre
Tenho um trabalho frontispício onde ganho um bom dinheiro
Sim
Eu não sou feio
Sou um belo espécime de macho
Mas minha índole é feita de preguiça e maldade
Detesto todas as profissões
Não preciso submeter-me ao batismo social
A moral é a fraqueza do pensamento
Sofismas da loucura
Prefiro ser da raça inferior
Proclamo o lado B
Os criminosos me enobrecem
Os presídios me encantam
Quanto mais perverso melhor
Minha mente é feita de profanas profecias
Sou um pagão à deriva
Não há família abastada no Leblon que não mereça minha ira
A riqueza nunca foi um bem público
Horroriza-me a pátria amada
A mãe gentil não deveria abandonar seus rebentos
Não tenho saudades do meu berço esplêndido
Nunca mais trabalharei
Nas cidades o espectro negro subsiste nas favelas
Jamais pertenci ao burgo do asfalto
Criaturas nefastas
A natureza humana é um obstáculo perverso
Só velhos mendigos mutilados são respeitáveis
A condenação é eterna
O inferno é aqui
Sem piedade
O fardo está posto
Somos náufragos sociais
Condenados à farsa contínua
Não há almas honestas
Tudo é vaidade
Todos seres são fatais
Vivemos na degradação
A megera da foice está entre nós
Dilacerante infortúnio
Eu darei o troco
Imitarei a farsa do Bush
Sequestrarei um avião
De preferência um vôo Rio-Paris
E cabul!
Vou estuporá-lo contra os prédios da Delfim Moreira
Morrerei em paz
Serei lembrado como o Hitler às avessas

**********
Sentado confortavelmente em seu apartamento, na Vieira Souto, o psicólogo Gustini Victor Strasser desligou o gravador e sorriu.

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at www.pablotreuffar.com
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

sábado, 8 de março de 2014



não tem nome

.

o céu dispara seus dardos
setas azuis lancinantes
fiapos de sombra rastejam medos

cismo anjos
livros sedados
fogueiras e selos
sexo e mentiras

tudo cai

enredadas pelos cantos as meadas desfiam
longos rosários de verdades entrecortadas
os anjos segredam revelações
em meus olhos moucos

queria que contassem dos desenhos
das tramas traçadas
dos ardis pintados na areia

mas eles sussurram sem parar
cegando teus encantos

queria que ouvissem
essas notas dissonantes e embaraçadas
sopradas no avesso da trama

distraída pela algaravia de cores
despedaço teu olhar surdo
espargindo cacos
vitríolos em que refulgem incêndios


(rosa cardoso)

.

Não sei se é , exatamente, para Heloísa Galves Fiz pensando nela, mas creio que falo de mim e não dela, todo poema acaba sempre falando de nós mesmos ? Não sei. O poema fica como registro do susto de perder alguém querido mesmo que apenas entrevisto nas entrelinhas dos poemas.
Fica o poema e fica o beijo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre escrever ...




Escrever sobre guerras e velas derretendo

Sobre jogos de hóquei e corridas de carro
Escrever sobre os padres e as putas
Escrever sobre a ciência e a religião

Sobre cursos de cinema ou origami
Escrever sobre remédios e insônia
Escrever sobre livros e burocracia
Escrever sobre noitadas extremas

Sobre jogos lotéricos e tele-senas
Escrever sobre amizade e desejo
Escrever sobre sorrisos e missas

Sobre desvios de personalidade
Escrever sobre música e poesia
Sobre acordar no meio da noite
Sobre a seda e seus toques sutis
Sobre mulheres e seus homens

Escrever sobre infernos astrais
Sobre sexo, drogas e rocknroll
Sobre dilúvios e rituais pagãos
Sobre pôr do sóis e pescarias

Escrever sobre tempestades
Escrever sobre nascimentos
Sobre a primavera de Praga
Sobre botulismo e infecções
Sobre tragédias e acidentes
Sobre banheiros e navalhas
Sobre os amores perdidos
Sobre colchas de retalhos                                                                                                                    
Escrever sobre os mortos
Escrever sobre multidões                                                                                                                                     Sobre os conflitos do Rio
Escrever sobre mentiras
Escrever sobre musicais
Escrever sobre o samba

Sobre a verdade velada
Escrever sobre as sinas
Escrever sobre bebidas
Sobre preces e orações

Escrever sobre o ódio
Escrever sobre o caos
Escrever sobre o ócio
Escrever sobre beijos
Escrever sobre o jazz
Escrever sobre o mar
Escrever sobre a fala
Escrever sobre filhos
Escrever sobre a luz
Escrever sobre o pó

Sobre os sonhos
Sobre os deuses
Sobre solidão
Sobre o amor
Sobre o fogo
Sobre o falo
Sobre você
Sobre nós
Sobre fé
sobre
          tudo
sobre
         todos

nós

quarta-feira, 5 de março de 2014

Baforando ideias



Acendo um e escrevo
trago rabisco e bebo
idéias afluem aos jarros
CONTÉM 20 CIGARROS
apesar de ébrio, escrevo sobre as circunstâncias
NÃO EXISTEM NÍVEIS SEGUROS
PARA O CONSUMO DESTAS SUBSTÂNCIAS
minha escrita é rápida, desleixada
não observa muito bem a gramática
a coerência ou a rítmica
ESTE PRODUTO CONTÉM MAIS 4700 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS
E NICOTINA,
QUE CAUSA DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA
contos, prosas, esquetes
20 CLASS A CIGARRETES
Ouvindo bono vox
FLIP-TOP® BOX
me relaxa, me diverte
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE
Prazer instantâneo
FUMAR CAUSA ABORTO ESPONTÂNEO
Já não sei mais sobre o que falar
DISQUE PARE DE FUMAR
0800 703 7033



segunda-feira, 3 de março de 2014


Teu corpo


Revela a escuridão de teus olhos
no calor da loucura
pois veneram-lhe sonhos e orgias
homens da perdição e pecados.

Um paraíso distante, razão onde
o amanhecer é noite, o escurecer é dia
toma como possível lembrança...
- Nada é tão presente quanto o agora!

Entre o ébrio desejo
de Deuses Libertinos,
cujo caminho veludoso 
são pernas e instintos.

domingo, 2 de março de 2014

PRECISO ENLOUQUECER

Preciso de um estrago
Um trago
Um ex
Um desassossego qualquer
Preciso perder a linha
As horas
A lucidez
O recato de mulher
Preciso de um desalinho
Um furacão
Um redemoinho
O que der e vier
Preciso deixar de precisar.

sábado, 1 de março de 2014

Cativo





Minha cela foi minha cama! A maior parte do tempo eu dormi... De vez em quando me davam gatos e frangos vivos, com a desculpa de que eu precisava manter meu instinto de caça, pois sim!  Como manter algo que nunca tive? Um dia eu fugi durante  uma visita do tratador. Que presente! Passei 8 horas correndo de lá para cá sentindo a terra sob meus pés. Até que me anestesiaram e acordei de novo no meu cubículo!


 Valentino - Vivia numa jaula de menos de 2 metros quadrados no horto florestal de Pouso Alegre/MG e  morreu quando era transportado para um zoo de outro estado - maus-tratos a vida inteirinha - confinamento por 15 anos (desde o nascimento) - sedativos para o transporte (não acordou mais) - tristeza…



quem sou
nesse corredor de morte
entre pipocas e gritos
um ser de espetáculo
um macho sem sexo
um rei sem coroa
e uma história de vida à toa
sem nexo




 MM/MP
(o meu dia é 29 de todo mês, porém fevereiro eu ficaria de fora, por isso, gentilmente, o Barman  repartiu o dia comigo, valeu!!!!)