Orgulhosamente informamos que a QUINTA BARNASIANA, a 5a antologia de contos, crônica e poemas, do movimento literário Bar do Escritor, será lançada em breve, já contratamos a Teixeira Gráfica e Editora para a produção do livro.
A obra tem a participação de 39 autores de todo o Brasil, apresentando seu melhores textos com o objetivo de divulgar a literatura nacional e difundir o prazer pela leitura.
Aguardem!
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Das novas fronteiras e outros desafios
Escrito por
Deveras
Das
novas fronteiras e outros desafios
Os pintores,
quando trabalhando em uma obra, tem um expediente bacana para avaliarem se o
trabalho aplicado na tela está seguindo o projeto inicial: dão um ou mais passos
atrás, para avaliar com ajuda da distância (a tal da proporção), se tudo está
dentro de um contento. Uma pincelada aqui, outra acolá e voilá, o trabalho está pronto. Às vezes temos que fazer o mesmo em outras
ocasiões e para fins diversos.
No meu caso,
aproveitei a ida para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, para avaliar
longe do calor de Goiás se nossa proporcionalidade literária está no caminho
certo, bem como as atividades do coletivo Bar do Escritor. Claro que iria
aproveitar para conhecer a parte paulistana do BdE, além de reencontrar uns
comparsas do local.
Então, foi
munido de pouca coisa (a maioria da bagagem, os livros, já haviam ido via
transportadora, graças à logística da R&F Editora / Izaura Franco), que
peguei um voo doméstico para a capital da garoa. Isso por si só já destoava da
maioria de minhas empreitadas, uma vez que geralmente me desloco com o valente
Golzão 1.0 abarrotado de coisas (como os 2.600 km ida e volta para Paraty, na
Flip. Mas isso é outra estória...).
Como
perdi o primeiro final de semana, não acompanhei o que o pessoal do stand
nominou como a “grande-avalanche-humana-que-congestionava-todo-o-evento”. Mas
chegar na segunda feira tem lá seu charme... O que não quer dizer que fiquei de
papo pro ar, vendo a caravela passar; foi chegar e meter as caras, dando início
ao exercício da literatura-corpo-a-corpo,
aquela em que o autor tem que tomar a frente do stand e ir chamando o pessoal,
como em feira livre. Uma feira livre cultural, por assim dizer.
Vida
de independente tem disso, meus caros.
Uma
ou duas Heinekens depois da entrada no certame, apossei da entrada do espaço e
já de livros em mãos, parti para o trabalho. Devo salientar que a decoração
feita pelos colegas que já estavam por lá ajudava e muito atrair a atenção do
pessoal, pois as atrações eram muitas. Sim, com tantos stands e uma infinidade
de título e autores, o lugar era um pedaço do paraíso tanto para quem pratica o
santo hábito da leitura quanto para os viciados em escrever.
O contato com o
público, poder demonstrar seu trabalho para o público alvo, fazer novas
conexões e outros aspectos deste tipo de aventura é sempre prolífico, mas vem
acompanhado uns bônus, que podemos usar depois para capitalizar a ação.
Reencontrar os
amigos barnasianos, Roberto Klotz, Bárbara Leite, Wilson R (parceiro sempre), César
Veneziani e Tamara, Márcio Takenaka, o senhor da noite, é sempre um prazer a
ajuda a colocar a birita em dia.
Em matéria de boas
iniciativas, destaco o trabalho do stand comunitário do governo do Rio Grande
do Sul (como bem destaca a matéria da Larissa Mundim, muito melhor escrita que
esta http://www.negalilu.com.br/2014/08/procura-se-antidoto-para-invisibilidade.html),
que trouxe para São Paulo um grande mix de editoras do sul, além do stand da
Imprensa Oficial de São Paulo, que traz para Bienal algo mais que só os ditames
mercadológicos e as listas dos mais vendidos: buscam proporcionar com que o
público tenha acesso mais fácil a obras que as grandes editoras e / ou
livrarias não dão a devida importância.
Fica a dica para
a Imprensa Oficial aqui do estado; um outro canal para difusão da cultura
goiana.
É claro que o mercado
é quem dita mais ou menos o roteiro da Bienal, com as rotineiras filas para os
best sellers, a presença dos badalados do momento, a histeria coletiva por
alguns autores, etc... Mas o mais legal mesmo é ver tanta gente reunida pelo
singelo ato da leitura. E perceber que o público mais ativo era justamente o
infanto-juvenil, dá aquela sensação boa que a próxima geração será ainda mais
leitora que esta.
Alguns me perguntam o saldo de tudo isso.
Fazendo todas as contas e levando em consideração que foi um dos lugares onde
mais vendemos livros e camisetas, fiquei no elevado saldo de R$ 40,00,
(devidamente gastos em um boteco perto de casa)... Mas o verdadeiro saldo está
na divulgação do próprio trabalho, do exercício literário em conjunto com os
parceiros que lá estavam como a Izaura Franco, Maria Cândida, Breno Leite,
Larissa Mundim, Niara, Wilson R e Wilsinho (o Wilson 2). A satisfação em levar
as letras de Goiás à frente e não ficar pensando só no monte de verdinhas. Até
porque, se fosse fazer as coisas pensando somente no retorno financeiro,
deixava a literatura e voltava para o mercado de seguros...
É isso. Nem bem
a Bienal de São Paulo terminou e já começamos os planos para a do Rio de
Janeiro. Mas antes disso, uma passadinha na Feira de Frankfurt mês que vem (se
o cartão de crédito aceitar) e mais algumas aventuras literárias por este Brasilzão-véio-e-sem- portêra...
Nos vemos por aí, em um stand qualquer da vida.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
TATUAGEM
Escrito por
andrea carvalho deca
Foi como se um
machado cortasse o pulso. Uma dor insuportável. O braço ardia em
agonia. Dilacerado. O susto a fez tremer. Foi assim que
despertou de uma soneca rápida naquela tarde: aos gritos.
A tatuagem no braço direito latejava.
O desenho de um coração sangrando simplesmente pulsava. O sangue não era
mais pintado. Era de verdade. Sujara a cama onde Estela adormecera minutos
antes.
A garota de 20 e poucos anos
morava sozinha. Mantinha, ela mesma, o corte de um moicano rosa feito
na cabeça. Exibia uma maquiagem pesada que se acumulava na pele mal
cuidada. Para pagar as despesas, fazia bico de atendente numa lojinha de
roupas góticas de um amigo gringo.
Depois de gritar de dor, tomou
fôlego e acendeu a luz fraca que tentava iluminar o quarto bagunçado.
– Que porra é esta?
Disse em voz alta.
– Que merda!
Praguejou ainda mais alto.
Segurou o pulso direito, olhou mais de perto, mas não conseguia acreditar
no que via.
Era a primeira tatuagem que havia
feito na vida: um coração "retrô" vermelho atravessado por uma seta. E agora ele
sangrava de verdade!
Correu para o banheiro, enfiou o
braço na pia, abriu a torneira até o fim. A água caia forte em cima do desenho.
Limpava o sangue mas não revelava cortes, nem mordidas de animal,
nada. Era como se o coração sangrasse por conta da seta atravessada.
Estela passou a mão,
esfregou a tatuagem com a esponja que estava caída no box. Era
isso mesmo: a seta fazia o coração sangrar. O desenho todo se agitava.
A tatuagem estava viva.
Enrolou a toalha no pulso e
correu para o guarda-roupa.
Vestia somente uma calcinha
rasgada e uma blusa velha de propaganda política há muito descartada por alguém
na igreja vizinha.
Ela era assim: passava uma vez
por semana na igreja, não pra rezar, mas pra ver o que havia de donativos à
disposição. Foi lá que conseguira dinheiro para fazer o tratamento
dos dentes que no ano passado haviam caído.
Estela tinha levado uma surra do
padrasto e perdeu dois dentes da frente. O mesmo sórdido que a
estuprou quando tinha apenas 13 anos. Para conseguir visitar a mãe, a moça se arriscou encarar o homem bêbado. A mãe ficara paraplégica depois de um acidente de
carro, onde tentava fugir do marido violento. Por absoluta falta de opção,
voltou aos braços do agressor e vive à mercê da loucura do homem.
O padre da igreja é um senhor
alegre, sorridente, o chamado “gente boa”. Sempre tem uma palavra de conforto
para Estela. “Minha estrela”. É assim que o padre Mércio chama a garota
punk cheia de piercings e tatuagens. E não se importa quando Estela "renova" o guarda-roupa com as doações.
Na ansiedade que estava, Estela pegou um vestido
qualquer, pelo meio da sala, mesmo antes de chegar aos cabides minguados onde pendurava as roupas velhas. Trocou de roupa e saiu
correndo de casa. De pés descalços, com o pulso amarrado na toalha. Ia em
direção ao padre Mércio quando novamente sentiu uma chaga se abrindo. Dessa vez
no pescoço.
Estela tinha um sol tatuado no
pescoço. Que agora pegava fogo. Queimava a pele da garota. Ela gritou
e voltou para casa, não conseguia andar de tanta dor. Voou para dentro do
chuveiro e a água que caia em seu corpo amenizava a dor.
Não demorou muito e logo sentiu
uma pontada no pulmão. Uma lança atravessava suas costelas. A espada de São
Jorge lhe tirava o fôlego rapidamente. Estela tinha um dragão e o santo
tatuados nas costas.
Sem aguentar o golpe, Estela
caiu. No chão, sentindo a lança atravessada nas costas, gritou em agonia.
Ninguém ouvia.
Foi então que, de uma das
pernas dela, duas cobras começaram a rastejar pela pele. Subindo em
direção ao seu rosto. Ela tinha duas serpentes tatuadas na perna.
Estela gritou mais uma vez mas já estava quase sem ar.
A noite chegou.
A porta da frente da casa estava
aberta. Na pressa de chegar ao chuveiro, esquecera de trancar. E assim
permaneceu até o outro dia.
Na manhã seguinte, um vizinho curioso
achou estranho a porta escancarada e se atreveu a entrar para ver se estava
tudo certo.
Encontrou Estela no chão da
cozinha. Sem vida, com uma faca na mão.
FIM
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
pavão xenofóbico em versos estrangeiros
Escrito por
Giovani Iemini
entre oxente e oh shit
fico com a estupefação:
há tantos vitoriosos, lindos e poderosos
perfeitos em suas derrotas
ao perseverar o sistema
que não amam, mas divulgam
e sacrificam-se e mentem
para ser quem não são
ou
para vender-se com a dignidade
que desconhecem
ainda que a busquem
em vitórias, lindas e poderosas
mas tão vazias quanto a busca
de algo que se despreza.
me pergunto: uai e why
tanto desperdício da simples
relação íntima e úmida
do complexo e sincero amplexo?
pra quê aparentar
se podemos apenas relaxar
nas brumas dos sonhos
ou
apreciar um sorriso infantil?
existe celebridade no anonimato
e fama na solidão.
estar só é passear consigo
muito bem acompanhado
entre os próprios espaços.
isso é forrô ou for all?
estamos tolos ou tolhidos
pela perseverança vã e confusa
e inconclusa disso tudo
que é nada.
aqui, estupefato, me pego
desejando o que não quero
nem ao inimigo.
sou o pavão xenofóbico:
pio em versos estrangeiros
o que não entendo, mas repito
senão me desvio de ser quem não sou
e deixo de alcançar o que me cansa.
oh shit!
ou oxente?
---
ou leia aqui.
fico com a estupefação:
há tantos vitoriosos, lindos e poderosos
perfeitos em suas derrotas
ao perseverar o sistema
que não amam, mas divulgam
e sacrificam-se e mentem
para ser quem não são
ou
para vender-se com a dignidade
que desconhecem
ainda que a busquem
em vitórias, lindas e poderosas
mas tão vazias quanto a busca
de algo que se despreza.
me pergunto: uai e why
tanto desperdício da simples
relação íntima e úmida
do complexo e sincero amplexo?
pra quê aparentar
se podemos apenas relaxar
nas brumas dos sonhos
ou
apreciar um sorriso infantil?
existe celebridade no anonimato
e fama na solidão.
estar só é passear consigo
muito bem acompanhado
entre os próprios espaços.
isso é forrô ou for all?
estamos tolos ou tolhidos
pela perseverança vã e confusa
e inconclusa disso tudo
que é nada.
aqui, estupefato, me pego
desejando o que não quero
nem ao inimigo.
sou o pavão xenofóbico:
pio em versos estrangeiros
o que não entendo, mas repito
senão me desvio de ser quem não sou
e deixo de alcançar o que me cansa.
oh shit!
ou oxente?
---
ou leia aqui.
sábado, 30 de agosto de 2014
Convidado Dênis de Brito
Escrito por
Bardo
O CAMALEÃO
DA RUA AUGUSTA
Saí
de casa às pressas. Não contei à minha mulher aonde ia e nem o que havia
naquele bilhete. Já passava das onze horas da noite e fazia frio, as ruas
estavam desertas e os becos escuros eram um convite a todos os tipos de
violência e clandestinidade. Há muito tempo eu não via meu amigo Leandro, para
falar a verdade, minha última lembrança dele é dos tempos de faculdade, quando
saíamos para beber e nos divertir pelos bordéis da cidade. Depois disso ele se
mudou para o interior e eu me casei. Agora, após doze anos, ele retorna.
O
bilhete que chegou a minhas mãos por meios de um entregador de gás era bastante
objetivo:
Jonas, preciso de você. Encontre-me
à meia noite de hoje na Rua Augusta. Vá sozinho. Não conte a ninguém.
Leandro
Albuquerque Novaes
Fiquei
preocupado, o tom da mensagem era séria e indiretamente parecia indicar que ele
estava com problemas. Sérios problemas. No entanto, fiquei feliz, pois achava
que nunca mais o veria.
Cheguei
à Rua Augusta antes da meia noite, e não o encontrei. Só havia um bar aberto,
com meia dúzia de bêbados sentados no balcão. Na rua, uma neblina infernal.
Entrei no bar e sentei numa mesa de canto, pedi uma dose de Vodka e esperei.
Aos poucos, um a um foi saindo do bar até que só restamos eu e o atendente.
Quando pedi a quarta dose entrou no bar um homem com uma jaqueta preta, boné,
barba e uma aparência bastante desgastada. A princípio não o reconheci, mas quando
se aproximou não tive dúvida de que se tratava do meu amigo de mocidade.
—
Que bom que veio. — ele disse com uma aparente preocupação.
—
Como você está meu amigo? Fico muito feliz em...
—
Desculpe Jonas. Também estou feliz em revê-lo, mas estou sem tempo para
conversar agora. — Me interrompeu subitamente — Nesse momento há duas pessoas
vindo para cá e eles querem algo que está comigo. Preciso que você entregue
isso para uma mulher.
Ele
pegou minha mão e colocou uma chave.
—
Mas... explique isso direito, não estou entendendo nada. Que mulher? E por quê?
—
Você vai ter essas respostas assim que entregar a chave. O nome dela é Anna
Hyuga. Ela vai estar te esperando atrás do museu Carlos Prestes, às seis horas
da manhã. Quando ela te perguntar quem enviou a chave, diga que foi o Camaleão. — disse já se levantando para
ir embora.
—
Espere! Não posso fazer isso. Tenho minha esposa me esperando em casa.
—
Desculpe-me meu amigo, você é o único que poderia fazer isso para mim.
Acredite, é muito importante. — falou já saindo do bar.
E
assim ele se foi, me deixando ali com uma chave na mão e uma cabeça cheia de
dúvidas. Pensamentos ainda se conflitavam em minha cabeça quando alguém agarrou
em meu braço e me puxou com força.
—
Venha comigo. Eles não podem te ver aqui. Saia pelos fundos. — era o atendente
do bar.
Ele
resmungava algo que eu não conseguia identificar e me empurrou por um corredor
escuro que saiu na rua dos fundos. De repente acordei e me dei conta da
gravidade da situação: Leandro falou de dois homens que estavam atrás dele, e
que provavelmente é por causa dessa chave. Eu estava correndo perigo! Comecei a
suar frio e saí correndo sem rumo. Quando dobrei a esquina ouvi dois tiros.
Já
amanhecia quando eu cheguei ao museu Carlos Prestes. Tive que ir andando, pois
não encontrei nenhum táxi àquela hora. O raiar do sol trouxe de volta o calor e
afugentou a densa neblina, e as pessoas começaram a sair de suas casas para ir
trabalhar e estudar. Eu estava com medo de ir entregar aquela chave, mas ao
mesmo tempo acreditava que teria que fazer isso, pois possuía uma dívida antiga
com Leandro. Era a minha chance de quitar esse débito.
A
rua atrás do museu em pouco tempo ficou repleta de pessoas, indo e vindo de
algum lugar. Como eu saberia como encontrar a tal Ana Hyuga? Isso o Leandro não
me explicou. Mas, pelo sobrenome, imaginei que se tratava de uma descendente
japonesa, nisei ou sansei. Então procurei pessoas com fisionomias orientais.
Às
seis horas, em ponto, uma mulher se aproximou e me perguntou o horário.
—
São seis em ponto, moça.
—
Está com a chave?
Era
ela. Ao contrário do que eu tinha imaginado, não tinha nenhum traço oriental em
sua fisionomia. Era magra, cabelo ruivo, menos de trinta anos.
—
Sim, o Camaleão pediu que eu te
entregasse.
—
Vamos entrar no museu, lá dentro te explico o que você vai precisar saber. —
disse já se dirigindo à entrada principal do edifício.
—
Mas o museu só abre às oito!
—
Não para nós. — falou já estendendo a mão para que eu lhe entregasse a chave.
Ela
abriu a porta do museu com aquela chave e entramos sorrateiramente. O salão
principal era bem espaçoso e continha uma exposição da história e objetos
pessoais de Carlos Prestes, aquele que foi um desbravador daquela região em
tempos remotos. O teto era arredondado, as paredes muito brancas e nenhuma
janela. No fim do salão havia uma escada, não para cima, mas para baixo, onde
se encontravam o depósito e os banheiros.
Ana
desceu a escada e eu fui a seguindo. Quando chegamos ao depósito ela utilizou a
mesma chave para abrir um armário, então retirou de lá uma pasta. Na capa pude
ler: Leandro Albuquerque Novaes. 14
de Abril de 1994.
—
Não me apresentei ainda. Chamo-me Ana Fernandes, mais conhecida como Hyuga. Sou
amiga do Leandro e estou aqui por que ele se meteu em um grande problema e você
está diretamente ligado a isso.
—
Não o via há doze anos, como posso estar ligado aos problemas dele?
—
O Leandro não é um cidadão comum, Jonas. Ele é um assassino. É o trabalho dele
matar pessoas e receber por isso. O codinome Camaleão é bastante conhecido neste estado pelas pessoas que
requisitam esse tipo de serviço.
Fiquei
atônito com aquela informação. Leandro sempre foi muito calado e extremamente
calmo. Nunca imaginei que ele pudesse se tornar um matador de aluguel.
—
E onde eu entro nessa estória?
—
Semana passada ele recebeu de seu superior um novo nome para exterminar, mas
não conseguiu concluir o serviço. Não por incompetência, mas por que se tratava
da sua esposa, Elizabeth.
—
Elizabeth?!? Mas por quê? O que ela fez?
—
Essa é uma informação que eu não tenho. Só sei lhe dizer que se Elizabeth não
estiver morta até o fim do dia, quem morrerá será o Camaleão.
Minha
cabeça parecia que iria explodir. Recebi um simples bilhete de um amigo de
juventude e de repente minha vida se tornou um caos.
—
Ai, meu Deus. Por que isso está acontecendo? — eu estava em pânico.
—
Acalme-se! Eu estou aqui por que o Leandro me pediu para entregar esse envelope
para você. Ele não pôde dizer pessoalmente, pois estavam o seguindo, por isso
ele guardou aqui no museu, onde ele trabalha disfarçadamente durante o dia.
Leia!
Caro amigo,
Hoje recebi a mais
cruel missão da minha merda de vida. Desde que me mudei, tomei rumos obscuros e
cruéis em busca de dinheiro e satisfação pessoal. Carrego nas costas a alma de
dezenas e em minhas mãos o sangue daqueles que se endividaram, vítimas de si mesmos.
Vivo toda noite o pesadelo de viver. Meus únicos sonhos bons são da época em
que nós éramos jovens, esses sim são sonhos felizes, mas hoje são apenas
sonhos. Desculpe-me por não dar notícias minhas por tanto tempo e por voltar
causando esse transtorno em sua vida.
Hoje, antes da meia
noite, eu irei visitar sua casa para matar Elizabeth. Hyuga lhe entregará uma
arma e um envelope que só deverá ser aberto daqui a três dias. Esteja lá
esperando por mim. Quero ser morto pelas mãos do companheiro que outrora
dividiu comigo momentos de verdadeira felicidade.
Leandro
♠♠♠
O
relógio marcava onze horas e treze minutos da noite quando silenciosamente ouvi
a fechadura da porta dos fundos se mexer. Eu estava sentado no sofá da sala e
empunhava a arma vigorosamente. Nervoso, mas ao mesmo tempo aliviado.
Leandro
abriu a porta e se posicionou a minha frente.
—
O que você fez?!? Não era para você ter feito isso! Não foi isso que eu
planejei. — gritou e correu para a cozinha.
Elizabeth
estava caída, seu sangue corria por entre as frestas das lajotas. Eu a matei.
Afinal, se alguém pagou tão caro para matá-la, é porque algo muito errado ela
havia cometido.
No
envelope havia um cartão de uma conta na Suíça com dois milhões de dólares.
---
Dênis de Brito
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
O BAÚ
Escrito por
MPadilha
-Estão dizendo que a casa é assombrada...
-Não acreditou numa besteira dessas, acreditou?
-Parece que aqui morou uma bruxa que, antes de morrer lançou um feitiço para que ninguém conseguisse morar na casa.
-Deixa de besteira... O preço está ótimo!
Meu noivo havia pegado a chave na imobiliária, precisávamos alugar uma
casa urgente. O casamento era no próximo mês e ainda não tínhamos onde
morar.
-Por que o cara da imobiliária não veio com a gente?
-Ora meu amor. Ele confiou na gente, tinha outros compromissos, só isso.
Abrimos à porta da frente e ele entrou para me passar confiança.
-Venha Ana Elisa. Não há nada aqui, olhe.
Entrei e em alguns minutos esqueci totalmente dos rumores de assombração.
-A casa é linda! Olhe! Uma lareira!
-Já pensou a gente namorando ao pé da lareira no inverno? Marcos me olhou com o olhar carregado de desejo.
Em dois dias fechamos o contrato e começamos a mobiliar.
-Amor. Amanhã não poderei vir. É final de mês, trabalho até tarde. Se
quisermos nossa lua de mel na praia tenho que deixar tudo certo na
empresa.
No dia seguinte, bem cedo, estacionei na garagem da nova
casa. Precisava acertar os últimos arranjos, o pessoal da loja ia
entregar nosso jogo de quarto, queria escolher as melhores roupas de
cama, afinal íamos estrear uma vida a dois ali.
Foi quando ouvi uma voz me chamando. Parecia minha mãe.
-Ana Elisa. Suba aqui, por favor.
-Mãe? Minha mãe ali? Como ela tinha entrado? A chave estava comigo.
Minha mãe não sabia que tínhamos alugado a casa. Será que Marcos havia
contado e esquecido de comentar?
-Aqui em cima. Depressa. Socorro!
Subi as escadas correndo e percebi que a voz vinha do sótão.
-Mãe... Está aí em cima? Subi a escada estreita e abri a pequena porta que dava acesso ao topo da casa.
-Aqui...
-Onde? Onde está você? O sótão estava vazio e só havia um baú num cantinho, meio escondido.
-Aqui. No baú. Venha rápido.
Eu senti um calafrio, mas não tive dúvidas, era minha mãe. Corri até o baú e o abri.
Era enorme, velho, cheio de minúsculas bonecas de pano e fotografias recortadas. O engraçado é que as fotografias também eram de bonecas de pano....
-Mãe...? Uma das bonecas chamou minha atenção. Seu vestido era lilás e seu rosto parecia muito com o de minha mãe.
Peguei a boneca e fiquei admirando. Tive a nítida impressão que a boneca sorrira.
-Ora. É só uma boneca. Joguei-a para dentro do baú e quando ia fechar a
tampa senti dois braços fortes me empurrando para dentro da caixa. Foi
tudo muito rápido e desmaiei.
O som vinha de muito longe. Parecia a voz de Marcos. Tinha mais alguém com ele.
-Fica tranqüilo meu filho. Ela vai aparecer.
-Dois dias Dona Luíza! Dois dias sem dar notícias!
Era a voz da minha mãe. Estava escuro. Parecia que eu estava em um
lugar trancado, sem luz, sem ar. Tentei gritar, mas a voz saiu fraca.
-Marcos! Estou aqui. Ajude-me! Não conseguia identificar o lugar onde
estava. A voz do rapaz parecia se distanciar. Tinha que reunir todas as
minhas forças.
–SOCORRO! Marcos! SOCORRO!
Foram gritos
alucinados. Perdi a conta de quantas vezes gritei por socorro. Foi
quando levei um susto: O telhado se abriu e um rosto enorme apareceu.
Quase enfartei de susto. Parecia um gigante... Minha voz sumiu na
garganta. Fiquei paralisada. Era Marcos e minha mãe.
-Ora Dona Luíza. Aqui só tem bonecas de pano. Eu não disse que era só sua imaginação? Saíram e desmaiei novamente.
Contos de MMorte
SELETIVA DO CLUBE DAS BRUXAS
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
4a Bienal do B - poesia e literatura na rua
Escrito por
Giovani Iemini
A 4a Bienal do B - poesia e literatura na rua, de 24 a 26 de setembro de 2014, no T-Bone, na 312 norte, contará com a participação do barnasiano Giovani Iemini, que falará uns poeminhas no dia 25, quinta-feira,
juntamente com outros 99 poetas espalhados pelos 3 dias de evento, que é
um ótimo encontro de amigos e uma legítima manifestação da arte popular
do DF.
Participem!
Participem!
Escrito por
Francisco M. M. Arantes (Quito Arantes)
Marta era aquela mulher que ele não conseguia decifrar seu íntimo. O mais certo era ela não querer mais do que amizade, nem ter sonhos de vida conjunta. Era uma mulher independente, com um conceito de vida que gostava de descomplexar. Toda ...a relação de amizade entre ambos era levada com apreço, e não gostava de ver seu amigo sofrer. Tentava dar-lhe bons conselhos, sempre que este desabafava com ela.
Jesueh não queria desfazer aquele encantamento em que vivia. Todo aquele encruzilhar de emoções faziam-no sentir de alma desperta. Apesar de ter uma relação amorosa com Isabel, até há aquele momento, não se podia dizer que a estivesse a trair. Talvez moralmente não estivesse a agir em conformidade, mas também, não tinha certezas de nada em relação a Isabel. Esta tinha que lançar os filhotes para o mercado do trabalho, coisa que não estava fácil. Falavam muito sobre esses assuntos, e Isabel desabafava, constantemente com ele. Quase que se podia dizer que eram um casal, vivendo à distância.
" Jesueh e o Triangulo Dourado "
em curso by Quito Arantes Ver mais
Jesueh não queria desfazer aquele encantamento em que vivia. Todo aquele encruzilhar de emoções faziam-no sentir de alma desperta. Apesar de ter uma relação amorosa com Isabel, até há aquele momento, não se podia dizer que a estivesse a trair. Talvez moralmente não estivesse a agir em conformidade, mas também, não tinha certezas de nada em relação a Isabel. Esta tinha que lançar os filhotes para o mercado do trabalho, coisa que não estava fácil. Falavam muito sobre esses assuntos, e Isabel desabafava, constantemente com ele. Quase que se podia dizer que eram um casal, vivendo à distância.
" Jesueh e o Triangulo Dourado "
em curso by Quito Arantes Ver mais
Assinar:
Postagens (Atom)







