sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Quinta Barnasiana - em breve!

Orgulhosamente informamos que a QUINTA BARNASIANA, a 5a antologia de contos, crônica e poemas, do movimento literário Bar do Escritor, será lançada em breve, já contratamos a Teixeira Gráfica e Editora para a produção do livro.
A obra tem a participação de 39 autores de todo o Brasil, apresentando seu melhores textos com o objetivo de divulgar a literatura nacional e difundir o prazer pela leitura.
Aguardem!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Das novas fronteiras e outros desafios

Das novas fronteiras e outros desafios


Os pintores, quando trabalhando em uma obra, tem um expediente bacana para avaliarem se o trabalho aplicado na tela está seguindo o projeto inicial: dão um ou mais passos atrás, para avaliar com ajuda da distância (a tal da proporção), se tudo está dentro de um contento. Uma pincelada aqui, outra acolá e voilá, o trabalho está pronto.  Às vezes temos que fazer o mesmo em outras ocasiões e para fins diversos.
No meu caso, aproveitei a ida para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, para avaliar longe do calor de Goiás se nossa proporcionalidade literária está no caminho certo, bem como as atividades do coletivo Bar do Escritor. Claro que iria aproveitar para conhecer a parte paulistana do BdE, além de reencontrar uns comparsas do local.
Então, foi munido de pouca coisa (a maioria da bagagem, os livros, já haviam ido via transportadora, graças à logística da R&F Editora / Izaura Franco), que peguei um voo doméstico para a capital da garoa. Isso por si só já destoava da maioria de minhas empreitadas, uma vez que geralmente me desloco com o valente Golzão 1.0 abarrotado de coisas (como os 2.600 km ida e volta para Paraty, na Flip. Mas isso é outra estória...).




            Como perdi o primeiro final de semana, não acompanhei o que o pessoal do stand nominou como a “grande-avalanche-humana-que-congestionava-todo-o-evento”. Mas chegar na segunda feira tem lá seu charme... O que não quer dizer que fiquei de papo pro ar, vendo a caravela passar; foi chegar e meter as caras, dando início ao exercício da literatura-corpo-a-corpo, aquela em que o autor tem que tomar a frente do stand e ir chamando o pessoal, como em feira livre. Uma feira livre cultural, por assim dizer.

            Vida de independente tem disso, meus caros.
            Uma ou duas Heinekens depois da entrada no certame, apossei da entrada do espaço e já de livros em mãos, parti para o trabalho. Devo salientar que a decoração feita pelos colegas que já estavam por lá ajudava e muito atrair a atenção do pessoal, pois as atrações eram muitas. Sim, com tantos stands e uma infinidade de título e autores, o lugar era um pedaço do paraíso tanto para quem pratica o santo hábito da leitura quanto para os viciados em escrever.
           


             

O contato com o público, poder demonstrar seu trabalho para o público alvo, fazer novas conexões e outros aspectos deste tipo de aventura é sempre prolífico, mas vem acompanhado uns bônus, que podemos usar depois para capitalizar a ação.






       
Reencontrar os amigos barnasianos, Roberto Klotz, Bárbara Leite, Wilson R (parceiro sempre), César Veneziani e Tamara, Márcio Takenaka, o senhor da noite, é sempre um prazer a ajuda a colocar a birita em dia.

Em matéria de boas iniciativas, destaco o trabalho do stand comunitário do governo do Rio Grande do Sul (como bem destaca a matéria da Larissa Mundim, muito melhor escrita que esta http://www.negalilu.com.br/2014/08/procura-se-antidoto-para-invisibilidade.html), que trouxe para São Paulo um grande mix de editoras do sul, além do stand da Imprensa Oficial de São Paulo, que traz para Bienal algo mais que só os ditames mercadológicos e as listas dos mais vendidos: buscam proporcionar com que o público tenha acesso mais fácil a obras que as grandes editoras e / ou livrarias não dão a devida importância.


Fica a dica para a Imprensa Oficial aqui do estado; um outro canal para difusão da cultura goiana.

É claro que o mercado é quem dita mais ou menos o roteiro da Bienal, com as rotineiras filas para os best sellers, a presença dos badalados do momento, a histeria coletiva por alguns autores, etc... Mas o mais legal mesmo é ver tanta gente reunida pelo singelo ato da leitura. E perceber que o público mais ativo era justamente o infanto-juvenil, dá aquela sensação boa que a próxima geração será ainda mais leitora que esta.





Alguns me perguntam o saldo de tudo isso. Fazendo todas as contas e levando em consideração que foi um dos lugares onde mais vendemos livros e camisetas, fiquei no elevado saldo de R$ 40,00, (devidamente gastos em um boteco perto de casa)... Mas o verdadeiro saldo está na divulgação do próprio trabalho, do exercício literário em conjunto com os parceiros que lá estavam como a Izaura Franco, Maria Cândida, Breno Leite, Larissa Mundim, Niara, Wilson R e Wilsinho (o Wilson 2). A satisfação em levar as letras de Goiás à frente e não ficar pensando só no monte de verdinhas. Até porque, se fosse fazer as coisas pensando somente no retorno financeiro, deixava a literatura e voltava para o mercado de seguros...

É isso. Nem bem a Bienal de São Paulo terminou e já começamos os planos para a do Rio de Janeiro. Mas antes disso, uma passadinha na Feira de Frankfurt mês que vem (se o cartão de crédito aceitar) e mais algumas aventuras literárias por este Brasilzão-véio-e-sem- portêra... 

Nos vemos por aí, em um stand qualquer da vida. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

TATUAGEM


Foi como se um machado cortasse o pulso. Uma dor insuportável. O braço ardia em agonia.  Dilacerado. O susto a fez tremer. Foi assim que despertou de uma soneca rápida naquela tarde: aos gritos.
A tatuagem no braço direito latejava. O desenho de um coração sangrando simplesmente pulsava. O sangue não era mais pintado. Era de verdade. Sujara a cama onde Estela adormecera minutos antes.
A garota de 20 e poucos anos morava sozinha. Mantinha, ela mesma, o corte de um moicano rosa feito na cabeça. Exibia uma maquiagem pesada que se acumulava na pele mal cuidada. Para pagar as despesas, fazia bico de atendente numa lojinha de roupas góticas de um amigo gringo.
Depois de gritar de dor, tomou fôlego e acendeu a luz fraca que tentava iluminar o quarto bagunçado.
– Que porra é esta?
Disse em voz alta.
– Que merda!
Praguejou ainda mais alto. Segurou o pulso direito, olhou mais de perto, mas não conseguia acreditar no que via.
Era a primeira tatuagem que havia feito na vida: um coração "retrô" vermelho atravessado por uma seta. E agora ele sangrava de verdade!
Correu para o banheiro, enfiou o braço na pia, abriu a torneira até o fim. A água caia forte em cima do desenho. Limpava o sangue mas não revelava cortes, nem mordidas de animal, nada. Era como se o coração sangrasse por conta da seta atravessada.
Estela passou a mão, esfregou a tatuagem com a esponja que estava caída no box. Era isso mesmo: a seta fazia o coração sangrar. O desenho todo se agitava.
A tatuagem estava viva.
Enrolou a toalha no pulso e correu para o guarda-roupa.
Vestia somente uma calcinha rasgada e uma blusa velha de propaganda política há muito descartada por alguém na igreja vizinha.
Ela era assim: passava uma vez por semana na igreja, não pra rezar, mas pra ver o que havia de donativos à disposição. Foi lá que conseguira dinheiro para fazer o tratamento dos dentes que no ano passado haviam caído.
Estela tinha levado uma surra do padrasto e perdeu dois dentes da frente. O mesmo sórdido que a estuprou quando tinha apenas 13 anos. Para conseguir visitar a mãe, a moça se arriscou encarar o homem bêbado. A mãe ficara paraplégica depois de um acidente de carro, onde tentava fugir do marido violento. Por absoluta falta de opção, voltou aos braços do agressor e vive à mercê da loucura do homem.
O padre da igreja é um senhor alegre, sorridente, o chamado “gente boa”. Sempre tem uma palavra de conforto para Estela. “Minha estrela”. É assim que o padre Mércio chama a garota punk cheia de piercings e tatuagens. E não se importa quando Estela "renova" o guarda-roupa com as doações.   
Na ansiedade que estava, Estela pegou um vestido qualquer, pelo meio da sala, mesmo antes de chegar aos cabides minguados onde pendurava as roupas velhas. Trocou de roupa e saiu correndo de casa. De pés descalços, com o pulso amarrado na toalha. Ia em direção ao padre Mércio quando novamente sentiu uma chaga se abrindo. Dessa vez no pescoço.
Estela tinha um sol tatuado no pescoço. Que agora pegava fogo. Queimava a pele da garota. Ela gritou e voltou para casa, não conseguia andar de tanta dor. Voou para dentro do chuveiro e a água que caia em seu corpo amenizava a dor.
Não demorou muito e logo sentiu uma pontada no pulmão. Uma lança atravessava suas costelas. A espada de São Jorge lhe tirava o fôlego rapidamente. Estela tinha um dragão e o santo tatuados nas costas.
Sem aguentar o golpe, Estela caiu. No chão, sentindo a lança atravessada nas costas, gritou em agonia. Ninguém ouvia.
Foi então que, de uma das pernas dela, duas cobras começaram a rastejar pela pele. Subindo em direção ao seu rosto. Ela tinha duas serpentes tatuadas na perna.
Estela gritou mais uma vez  mas já estava quase sem ar.
A noite chegou.
A porta da frente da casa estava aberta. Na pressa de chegar ao chuveiro, esquecera de trancar. E assim permaneceu até o outro dia.
 Na manhã seguinte, um vizinho curioso achou estranho a porta escancarada e se atreveu a entrar para ver se estava tudo certo.
Encontrou Estela no chão da cozinha. Sem vida, com uma faca na mão.

 FIM

Vento de Outubro
os lábios sempre carregam
velhas saudades.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

pavão xenofóbico em versos estrangeiros

entre oxente e oh shit
fico com a estupefação:
há tantos vitoriosos, lindos e poderosos
perfeitos em suas derrotas
ao perseverar o sistema
que não amam, mas divulgam
e sacrificam-se e mentem
para ser quem não são
ou
para vender-se com a dignidade
que desconhecem
ainda que a busquem
em vitórias, lindas e poderosas
mas tão vazias quanto a busca
de algo que se despreza.
me pergunto: uai e why
tanto desperdício da simples
relação íntima e úmida
do complexo e sincero amplexo?
pra quê aparentar
se podemos apenas relaxar
nas brumas dos sonhos
ou
apreciar um sorriso infantil?
existe celebridade no anonimato
e fama na solidão.
estar só é passear consigo
muito bem acompanhado
entre os próprios espaços.
isso é forrô ou for all?
estamos tolos ou tolhidos
pela perseverança vã e confusa
e inconclusa disso tudo
que é nada.
aqui, estupefato, me pego
desejando o que não quero
nem ao inimigo.
sou o pavão xenofóbico:
pio em versos estrangeiros
o que não entendo, mas repito
senão me desvio de ser quem não sou
e deixo de alcançar o que me cansa.
oh shit!
ou oxente?

---
ou leia aqui.

sábado, 30 de agosto de 2014

Convidado Dênis de Brito




O CAMALEÃO DA RUA AUGUSTA











Saí de casa às pressas. Não contei à minha mulher aonde ia e nem o que havia naquele bilhete. Já passava das onze horas da noite e fazia frio, as ruas estavam desertas e os becos escuros eram um convite a todos os tipos de violência e clandestinidade. Há muito tempo eu não via meu amigo Leandro, para falar a verdade, minha última lembrança dele é dos tempos de faculdade, quando saíamos para beber e nos divertir pelos bordéis da cidade. Depois disso ele se mudou para o interior e eu me casei. Agora, após doze anos, ele retorna.
O bilhete que chegou a minhas mãos por meios de um entregador de gás era bastante objetivo:
Jonas, preciso de você. Encontre-me à meia noite de hoje na Rua Augusta. Vá sozinho. Não conte a ninguém.
Leandro Albuquerque Novaes
Fiquei preocupado, o tom da mensagem era séria e indiretamente parecia indicar que ele estava com problemas. Sérios problemas. No entanto, fiquei feliz, pois achava que nunca mais o veria.
Cheguei à Rua Augusta antes da meia noite, e não o encontrei. Só havia um bar aberto, com meia dúzia de bêbados sentados no balcão. Na rua, uma neblina infernal. Entrei no bar e sentei numa mesa de canto, pedi uma dose de Vodka e esperei. Aos poucos, um a um foi saindo do bar até que só restamos eu e o atendente. Quando pedi a quarta dose entrou no bar um homem com uma jaqueta preta, boné, barba e uma aparência bastante desgastada. A princípio não o reconheci, mas quando se aproximou não tive dúvida de que se tratava do meu amigo de mocidade.
— Que bom que veio. — ele disse com uma aparente preocupação.
— Como você está meu amigo? Fico muito feliz em...
— Desculpe Jonas. Também estou feliz em revê-lo, mas estou sem tempo para conversar agora. — Me interrompeu subitamente — Nesse momento há duas pessoas vindo para cá e eles querem algo que está comigo. Preciso que você entregue isso para uma mulher.
Ele pegou minha mão e colocou uma chave.
— Mas... explique isso direito, não estou entendendo nada. Que mulher? E por quê?
— Você vai ter essas respostas assim que entregar a chave. O nome dela é Anna Hyuga. Ela vai estar te esperando atrás do museu Carlos Prestes, às seis horas da manhã. Quando ela te perguntar quem enviou a chave, diga que foi o Camaleão. — disse já se levantando para ir embora.
— Espere! Não posso fazer isso. Tenho minha esposa me esperando em casa. 
— Desculpe-me meu amigo, você é o único que poderia fazer isso para mim. Acredite, é muito importante. — falou já saindo do bar.
E assim ele se foi, me deixando ali com uma chave na mão e uma cabeça cheia de dúvidas. Pensamentos ainda se conflitavam em minha cabeça quando alguém agarrou em meu braço e me puxou com força.
— Venha comigo. Eles não podem te ver aqui. Saia pelos fundos. — era o atendente do bar.
Ele resmungava algo que eu não conseguia identificar e me empurrou por um corredor escuro que saiu na rua dos fundos. De repente acordei e me dei conta da gravidade da situação: Leandro falou de dois homens que estavam atrás dele, e que provavelmente é por causa dessa chave. Eu estava correndo perigo! Comecei a suar frio e saí correndo sem rumo. Quando dobrei a esquina ouvi dois tiros.
Já amanhecia quando eu cheguei ao museu Carlos Prestes. Tive que ir andando, pois não encontrei nenhum táxi àquela hora. O raiar do sol trouxe de volta o calor e afugentou a densa neblina, e as pessoas começaram a sair de suas casas para ir trabalhar e estudar. Eu estava com medo de ir entregar aquela chave, mas ao mesmo tempo acreditava que teria que fazer isso, pois possuía uma dívida antiga com Leandro. Era a minha chance de quitar esse débito.
A rua atrás do museu em pouco tempo ficou repleta de pessoas, indo e vindo de algum lugar. Como eu saberia como encontrar a tal Ana Hyuga? Isso o Leandro não me explicou. Mas, pelo sobrenome, imaginei que se tratava de uma descendente japonesa, nisei ou sansei. Então procurei pessoas com fisionomias orientais.
Às seis horas, em ponto, uma mulher se aproximou e me perguntou o horário.
— São seis em ponto, moça.
— Está com a chave?
Era ela. Ao contrário do que eu tinha imaginado, não tinha nenhum traço oriental em sua fisionomia. Era magra, cabelo ruivo, menos de trinta anos.
— Sim, o Camaleão pediu que eu te entregasse.
— Vamos entrar no museu, lá dentro te explico o que você vai precisar saber. — disse já se dirigindo à entrada principal do edifício.
— Mas o museu só abre às oito!
— Não para nós. — falou já estendendo a mão para que eu lhe entregasse a chave.
Ela abriu a porta do museu com aquela chave e entramos sorrateiramente. O salão principal era bem espaçoso e continha uma exposição da história e objetos pessoais de Carlos Prestes, aquele que foi um desbravador daquela região em tempos remotos. O teto era arredondado, as paredes muito brancas e nenhuma janela. No fim do salão havia uma escada, não para cima, mas para baixo, onde se encontravam o depósito e os banheiros.
Ana desceu a escada e eu fui a seguindo. Quando chegamos ao depósito ela utilizou a mesma chave para abrir um armário, então retirou de lá uma pasta. Na capa pude ler: Leandro Albuquerque Novaes. 14 de Abril de 1994.
— Não me apresentei ainda. Chamo-me Ana Fernandes, mais conhecida como Hyuga. Sou amiga do Leandro e estou aqui por que ele se meteu em um grande problema e você está diretamente ligado a isso.
— Não o via há doze anos, como posso estar ligado aos problemas dele?
— O Leandro não é um cidadão comum, Jonas. Ele é um assassino. É o trabalho dele matar pessoas e receber por isso. O codinome Camaleão é bastante conhecido neste estado pelas pessoas que requisitam esse tipo de serviço.
Fiquei atônito com aquela informação. Leandro sempre foi muito calado e extremamente calmo. Nunca imaginei que ele pudesse se tornar um matador de aluguel.
— E onde eu entro nessa estória?
— Semana passada ele recebeu de seu superior um novo nome para exterminar, mas não conseguiu concluir o serviço. Não por incompetência, mas por que se tratava da sua esposa, Elizabeth.
— Elizabeth?!? Mas por quê? O que ela fez?
— Essa é uma informação que eu não tenho. Só sei lhe dizer que se Elizabeth não estiver morta até o fim do dia, quem morrerá será o Camaleão.
Minha cabeça parecia que iria explodir. Recebi um simples bilhete de um amigo de juventude e de repente minha vida se tornou um caos.
— Ai, meu Deus. Por que isso está acontecendo? — eu estava em pânico.
— Acalme-se! Eu estou aqui por que o Leandro me pediu para entregar esse envelope para você. Ele não pôde dizer pessoalmente, pois estavam o seguindo, por isso ele guardou aqui no museu, onde ele trabalha disfarçadamente durante o dia. Leia!

Caro amigo,
Hoje recebi a mais cruel missão da minha merda de vida. Desde que me mudei, tomei rumos obscuros e cruéis em busca de dinheiro e satisfação pessoal. Carrego nas costas a alma de dezenas e em minhas mãos o sangue daqueles que se endividaram, vítimas de si mesmos. Vivo toda noite o pesadelo de viver. Meus únicos sonhos bons são da época em que nós éramos jovens, esses sim são sonhos felizes, mas hoje são apenas sonhos. Desculpe-me por não dar notícias minhas por tanto tempo e por voltar causando esse transtorno em sua vida.
Hoje, antes da meia noite, eu irei visitar sua casa para matar Elizabeth. Hyuga lhe entregará uma arma e um envelope que só deverá ser aberto daqui a três dias. Esteja lá esperando por mim. Quero ser morto pelas mãos do companheiro que outrora dividiu comigo momentos de verdadeira felicidade.
Leandro

♠♠♠


O relógio marcava onze horas e treze minutos da noite quando silenciosamente ouvi a fechadura da porta dos fundos se mexer. Eu estava sentado no sofá da sala e empunhava a arma vigorosamente. Nervoso, mas ao mesmo tempo aliviado.
Leandro abriu a porta e se posicionou a minha frente.
— O que você fez?!? Não era para você ter feito isso! Não foi isso que eu planejei. — gritou e correu para a cozinha.
Elizabeth estava caída, seu sangue corria por entre as frestas das lajotas. Eu a matei. Afinal, se alguém pagou tão caro para matá-la, é porque algo muito errado ela havia cometido.
No envelope havia um cartão de uma conta na Suíça com dois milhões de dólares.  


---

Dênis de Brito

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O BAÚ




-Estão dizendo que a casa é assombrada...
-Não acreditou numa besteira dessas, acreditou?
-Parece que aqui morou uma bruxa que, antes de morrer lançou um feitiço para que ninguém conseguisse morar na casa.
-Deixa de besteira... O preço está ótimo!
Meu noivo havia pegado a chave na imobiliária, precisávamos alugar uma casa urgente. O casamento era no próximo mês e ainda não tínhamos onde morar.
-Por que o cara da imobiliária não veio com a gente?
-Ora meu amor. Ele confiou na gente, tinha outros compromissos, só isso.
Abrimos à porta da frente e ele entrou para me passar confiança.
-Venha Ana Elisa. Não há nada aqui, olhe.
Entrei e em alguns minutos esqueci totalmente dos rumores de assombração.
-A casa é linda! Olhe! Uma lareira!
-Já pensou a gente namorando ao pé da lareira no inverno? Marcos me olhou com o olhar carregado de desejo.
Em dois dias fechamos o contrato e começamos a mobiliar.
-Amor. Amanhã não poderei vir. É final de mês, trabalho até tarde. Se quisermos nossa lua de mel na praia tenho que deixar tudo certo na empresa.
No dia seguinte, bem cedo, estacionei na garagem da nova casa. Precisava acertar os últimos arranjos, o pessoal da loja ia entregar nosso jogo de quarto, queria escolher as melhores roupas de cama, afinal íamos estrear uma vida a dois ali.
Foi quando ouvi uma voz me chamando. Parecia minha mãe.
-Ana Elisa. Suba aqui, por favor.
-Mãe? Minha mãe ali? Como ela tinha entrado? A chave estava comigo. Minha mãe não sabia que tínhamos alugado a casa. Será que Marcos havia contado e esquecido de comentar?
-Aqui em cima. Depressa. Socorro!
Subi as escadas correndo e percebi que a voz vinha do sótão.
-Mãe... Está aí em cima? Subi a escada estreita e abri a pequena porta que dava acesso ao topo da casa.
-Aqui...
-Onde? Onde está você? O sótão estava vazio e só havia um baú num cantinho, meio escondido.
-Aqui. No baú. Venha rápido.
Eu senti um calafrio, mas não tive dúvidas, era minha mãe. Corri até o baú e o abri.
Era enorme, velho,  cheio de minúsculas bonecas de pano e fotografias recortadas. O engraçado é que as fotografias também eram de bonecas de pano....
-Mãe...? Uma das bonecas chamou minha atenção. Seu vestido era lilás e seu rosto parecia muito com o de minha mãe.
Peguei a boneca e fiquei admirando. Tive a nítida impressão que a boneca sorrira.
-Ora. É só uma boneca. Joguei-a para dentro do baú e quando ia fechar a tampa senti dois braços fortes me empurrando para dentro da caixa. Foi tudo muito rápido e desmaiei.
O som vinha de muito longe. Parecia a voz de Marcos. Tinha mais alguém com ele.
-Fica tranqüilo meu filho. Ela vai aparecer.
-Dois dias Dona Luíza!  Dois dias sem dar notícias!
Era a voz da minha mãe. Estava escuro. Parecia que eu estava em um lugar trancado, sem luz, sem ar. Tentei gritar, mas a voz saiu fraca.
-Marcos! Estou aqui. Ajude-me! Não conseguia identificar o lugar onde estava. A voz do rapaz parecia se distanciar. Tinha que reunir todas as minhas forças.
–SOCORRO! Marcos! SOCORRO!
Foram gritos alucinados. Perdi a conta de quantas vezes gritei por socorro. Foi quando levei um susto: O telhado se abriu e um rosto enorme apareceu. Quase enfartei de susto. Parecia um gigante... Minha voz sumiu na garganta. Fiquei paralisada. Era Marcos e minha mãe.
-Ora Dona Luíza.  Aqui só tem bonecas de pano. Eu não disse que era só sua imaginação? Saíram e desmaiei novamente.




Contos de MMorte
SELETIVA DO CLUBE DAS BRUXAS

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

4a Bienal do B - poesia e literatura na rua

A 4a Bienal do B - poesia e literatura na rua, de 24 a 26 de setembro de 2014, no T-Bone, na 312 norte, contará com a participação do barnasiano Giovani Iemini, que falará uns poeminhas no dia 25, quinta-feira, juntamente com outros 99 poetas espalhados pelos 3 dias de evento, que é um ótimo encontro de amigos e uma legítima manifestação da arte popular do DF.
Participem!

Marta era aquela mulher que ele não conseguia decifrar seu íntimo. O mais certo era ela não querer mais do que amizade, nem ter sonhos de vida conjunta. Era uma mulher independente, com um conceito de vida que gostava de descomplexar. Toda ...a relação de amizade entre ambos era levada com apreço, e não gostava de ver seu amigo sofrer. Tentava dar-lhe bons conselhos, sempre que este desabafava com ela.
Jesueh não queria desfazer aquele encantamento em que vivia. Todo aquele encruzilhar de emoções faziam-no sentir de alma desperta. Apesar de ter uma relação amorosa com Isabel, até há aquele momento, não se podia dizer que a estivesse a trair. Talvez moralmente não estivesse a agir em conformidade, mas também, não tinha certezas de nada em relação a Isabel. Esta tinha que lançar os filhotes para o mercado do trabalho, coisa que não estava fácil. Falavam muito sobre esses assuntos, e Isabel desabafava, constantemente com ele. Quase que se podia dizer que eram um casal, vivendo à distância.

" Jesueh e o Triangulo Dourado "
em curso by Quito Arantes
Ver mais