quinta-feira, 14 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
Matt Walters I Would Die For You
Escrito por
Francisco M. M. Arantes (Quito Arantes)
Thanks Matt Walters!
As coisas têm o seu tempo, enquanto cá estivermos.
Não deixarei por mãos alheias as minhas lutas pela minha liberdade intelectual.
O sofrimento pode trazer-nos felicidade, e é assim que a espero...
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Um porre
Escrito por
Unknown
Um porre de poesia para que acordes.
musica livre, arranjos harmônicos.
o copo sobre a mesa, suando.
a luz do bar acessa, piscando.
o fio do horizonte paira, ondula.
perdura no amor de cada dose
no calor de cada arrepio.
quinta-feira, 24 de março de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
Indispostos
Escrito por
Rodrigo Domit
Os opostos se atraem; E se enganam
Mas suas ações, sinceras, os traem
segunda-feira, 21 de março de 2016
Moro na “República de Curityba”
Escrito por
Angela Gomes
Sou cidadã brasileira, porém
Moro, por mera tolice
Dita “República de Curityba”.
Onde moro as leis são diferentes.
Questiono se,
Moro, sobretudo, por soberba e vaidade.
Irresponsável ou, quiçá, ardil;
Supostamente no suprassumo do poder,
Moro qual deidade, com a mídia alienante,
Fomenta confronto civil.
Disseminar
subterfúgios para “subjugar”
Representante democraticamente eleito
Parece,
no mínimo, desconfiável.
As
diferenças clamam por respeito.
Todos
têm ou não iguais direitos?
E, a
vestir as cores da bandeira?
Ideologias
separam pessoas, separam partidos.
Mas,
respeitadas as diferenças
Somos
todos, nação brasileira.
Imagem: da web
sábado, 19 de março de 2016
Sem Eira nem Beira
Escrito por
André Bortolon
Certa vez, fiz aqui uma rima
Sem nenhuma métrica
Apenas para levantar a estima
Em meio a uma situação tétrica
Por vezes, caótica
Para muitos, despótica
Que, independentemente de ótica
Segue sendo completamente idiótica
O assunto mais uma vez
É a tal da política
Que, mês após mês
Se tornou paralítica
Difícil de entender como uma mula
No caso, o ex-presidente Lula
E depois dele, uma jumenta
Conseguiu tornar-se presidenta
É tanto, mas tanto o cinismo
Dos que estão no poder
Que vão enfiando o país num abismo
Só mandando o povo se foder
É impressionante
E enervante
Em pleno século vinte e um
Enganar a todos, um por um
O refrão “Ordem e progresso”
Virou “Desordem e retrocesso”
Não há mais um pingo de respeito
E os calhordas ainda enchem o peito
Buscando sempre uma escapatória
Para essa situação vexatória
Se apoiam na ideia da democracia
Enquanto o país vive uma hemorragia
É, é foda mas é verdade
Toda essa insanidade
Essa máscara de falsidade
Já virou simples banalidade
Apenas para eu finalizar,
Até porque isso já está a me embrulhar
Essa é para você, político de terno,
Quero que você apodreça no inferno!!!
Sem nenhuma métrica
Apenas para levantar a estima
Em meio a uma situação tétrica
Por vezes, caótica
Para muitos, despótica
Que, independentemente de ótica
Segue sendo completamente idiótica
O assunto mais uma vez
É a tal da política
Que, mês após mês
Se tornou paralítica
Difícil de entender como uma mula
No caso, o ex-presidente Lula
E depois dele, uma jumenta
Conseguiu tornar-se presidenta
É tanto, mas tanto o cinismo
Dos que estão no poder
Que vão enfiando o país num abismo
Só mandando o povo se foder
É impressionante
E enervante
Em pleno século vinte e um
Enganar a todos, um por um
O refrão “Ordem e progresso”
Virou “Desordem e retrocesso”
Não há mais um pingo de respeito
E os calhordas ainda enchem o peito
Buscando sempre uma escapatória
Para essa situação vexatória
Se apoiam na ideia da democracia
Enquanto o país vive uma hemorragia
É, é foda mas é verdade
Toda essa insanidade
Essa máscara de falsidade
Já virou simples banalidade
Apenas para eu finalizar,
Até porque isso já está a me embrulhar
Essa é para você, político de terno,
Quero que você apodreça no inferno!!!
sexta-feira, 18 de março de 2016
Testemunho para o Futuro
Escrito por
ofilhodoblues
dessa noite fria,
eu escrevo pra vocês
que,
como testemunho
da frágil democracia
brasileira,
em
dezoito de março
de dois mil e dezesseis,
o ódio é o amor dos nossos dias.
André Espínola
O Sacrifício
Escrito por
Zulmar Lopes
Perdido naquele
inóspito lugar, ele se debatia procurando livrar a cabeça que ficara presa
entre os galhos de um arbusto um tanto ressecado pela aridez da região. Nervoso
ante o fracasso das tentativas e temendo pela possível asfixia, berrou por
alguns minutos, na vã esperança que o seu pastor o encontrasse, cordeiro
desgarrado e rebelde, fugitivo na intenção de conhecer o mundo que ele
desconfiava não estar restrito ao rebanho do qual pertencia. Empenhara fuga
sorrateira, escalando aquele monte ausente de qualquer pasto ou água com a qual
pudesse acalmar a sede provocada pela ansiedade da aventura. Quanto mais se
afastava do nível do mar mais as sensações de privação de fluidos e alimentos
provocavam o seu corpo, até que, diante de um solitário arbusto esquecido no
meio da imensidão de pedras e terra ressequida, os cuidados foram deixados de
lado e, por consequência ali ele se encontrou aprisionado a própria sorte.
Fazia horas que o
incidente ocorrera e o cansaço já começa a abatê-lo. As pernas doíam, assim
como o pescoço apertado entre os galhos do arbusto. Sentiu arrependimento pela
ousadia da fuga. Melhor faria se fosse obediente como os outros cordeiros e se
mantivesse cortês, servil à família de pastores zeladora do rebanho. Porém,
temia o sacrifício e a morte que tantas vezes presenciara. Nem só de lã e leite
eles cordeiros tinham serventia. Eventualmente, um ou outro era abatido em
rituais estranhos ou mesmo para a carne fornecer alimento aos pastores e aquilo
o revoltava. Tanto bem eles cordeiros
faziam à família, dando o sustento necessário para a sua sobrevivência e, como
prêmio alguns recebiam a degola na ponta da faca. Sua vontade em desbravar o
mundo aliada ao temor da morte, para ele injusta, reforçaram a decisão da fuga.
Estava quase
desistindo, aceitando passivamente o seu fim quando percebeu duas figuras
humanas aproximando-se. Imaginou que
talvez fosse o pastor com um dos seus filhos que seguira o seu rastro marcado
no chão infértil daquele monte e seu coração encheu-se de esperança pela
salvação. Pensou em berrar para que a dupla o localizasse, mas, á medida em que
os dois humanos se aproximavam, não distingiu em nenhum deles alguém conhecido,
e preferiu, assim, exercer a prudência. Tratava-se de um homem já entrado na
velhice, acompanhado de um jovem imberbe. O rapaz trazia entre os ombros um
pesado feixe de lenha que o encurvava a cada passo. Um pouco a frente, apoiado
em um cajado, vinha o ancião, levando um cutelo na mão esquerda.
Pararam cerca de 100
metros do arbusto que mantinha o cordeiro aprisionado. Descarregaram seus
pertences e iniciaram desanimada confabulação. Seguindo as ordens do mais
velho, o jovem começou a recolher pedras de tamanhos medianos e dispô-las de
modo a formar uma mesa retangular. De onde se encontrava, o cordeiro atinou que
a construção lembrava os altares onde seus companheiros de rebanho eram
eventualmente sacrificados naqueles inexplicáveis rituais de fogo que ele tanto
temia e, assustado, procurou ocultar-se ainda mais no arbusto que, antes
carcereiro, agora lhe servia como protetor.
Foi quando o tom da
conversa entre os homens pareceu sofrer certa transmutação. O cordeiro divisou
no semblante outrora sereno do ancião sinais de desespero enquanto o rapaz
metamorfoseava em sua face a obediência decepcionada. Não compreendeu o
cordeiro a atitude do menino quando se deixou de modo resignado que o velho o
amarrasse. Os dois caminharam para o altar improvisado e o jovem pousou sua
cabeça sobre imitação de távola. Agora, o cordeiro observava que os dois
choravam. Parecia também que os céus cairiam em pranto visto o tom pesado das
nuvens cinza-chumbo que o vento carregava para o monte. O velho rezava. O jovem
também parecia em oração. O cordeiro, prisioneiro em seu esconderijo, esperava
curioso, o desenrolar dos acontecimentos.
Viu o cordeiro o braço
direito do velho tomar o cutelo e posiciona-lo à altura do pescoço do rapaz.
Misto de dúvida e horror passeou por sua mente. Acaso os homens sacrificavam-se
entre si? Resoluto, o ancião levantou o cutelo e mirou a cervical do jovem,
pronto para o golpe final. O terror tomou-lhe de assalto e o animal deixou
escapar um berro que se espalhou pelo lugar através do vento que preludiava uma
tempestade.
O velho então estancou
a pancada derradeira e descobriu o cordeiro preso a armadilha natural do
arbusto. Uma alegria incontida tomou o seu ser, deixando o animal ainda mais
desnorteado com os acontecimentos que presenciava. Enquanto chorava, levantando
em conjunto as mãos para os céus em agradecimento, dirigiu-se para o altar de
sacrifícios no intuito de libertar o rapazinho trêmulo diante da morte que em
segundos se fizera vida em razão de um golpe abortado. Os dois se abraçaram e
encararam o animal. O cordeiro sentiu-se aliviado. Por algum motivo, ele havia
feito o ancião mudar de ideia e não sacrificar o jovenzinho e, em
contrapartida, seria ele libertado como prêmio.
Os dois homens
cuidadosamente separam os galhos, livrando o animal da incomoda prisão mas, ao
invés da liberdade, o cordeiro foi surpreendido pelas cordas amarrando suas
patas. Compreendia agora o que iria se suceder enquanto era levado para o
altar. Berrava em desespero diante do pavor pela morte que se aproximava. Bando
de malditos, raça vil a humana, bradava mentalmente. Amaldiçoou aqueles homens
e seu olhar, longe do perdão, denotava o mais extremo ódio quando o cutelo
atingiu seu pescoço. Sentiu o sangue molhar o pelo alvo a ainda teve tempo de
perceber e o cheiro nauseabundo das suas carnes começando a serem consumidas
pelo fogo antes de perder por completo a razão.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Cuspindo sangue em manhãs de glória
Escrito por
Júlio Freitas
encarou
as paredes
atirou
o copo
mastigou
os cacos
e
bebeu a canha
da
garrafa
a
noite estava somente começando
os
outros celebravam qualquer coisa
suas
vitórias, talvez
e
ninguém nunca iria entender
que
nenhum mal
ou
dor
da
vida
jamais
iria
afetá-lo.
segunda-feira, 14 de março de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
E por aí?
Escrito por
Rodrigo Domit
A vida por aqui anda meio conto, nada de poesia.
Mas, pelo menos, não está crônica.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Svalbard
Escrito por
André Bortolon
Me lembro como hoje, o dia em que Chico me disse:
- Estou indo morar em Svalbard, cara. Eu e a Mia.
- Onde?
- Svalbard, cara. O lugar mais ao norte do mundo.
- Não conheço...
- Olha no mapa. Mas olha bem em cima, lá pra cima da Europa. Tu vai ver tudo branco lá...
- Tu tá é louco, meu!
Essa foi a minha primeira reação. Isso não faz muito tempo - quatro, talvez cinco anos atrás. Pensei no frio. Não no frio que temos, por exemplo, lá no sul do Brasil; mas sim, um frio pior que o dos Estados Unidos quando aparece em notícia do Jornal Nacional. Daí perguntei:
- E que língua eles falam lá?
- Norueguês. Lá pertence à Noruega, Andrezão (assim, bem como ele costuma ainda me chamar). Mas todo mundo fala inglês, sem stress. E pagam uma grana pra quem for trabalhar lá.
Mesmo após questioná-lo por mais um tempo, ainda assim achei difícil de engolir a ideia de meu amigo morar num lugar meio que, sei lá, tão isolado.
Dito isto, decidi por seguir minha vida no Brasil.
Após alguns meses, Chico estava lá empregado, ganhando bem e vivendo feliz com sua cônjuge sueca. E volta e meia me ligava, contando-me novidades. Sempre excitantes. Nunca pra baixo, nem uma vez sequer. Eu ainda resistia:
- Mas e a noite polar cara? Tudo na maior escuridão... não bate uma deprê fodida?
- Bate nada, cara. O negócio é não esquentar. Depois vem o período de sol pra compensar. Três meses de noite, três meses de dia. Louco né?
"Louco é você!" pensava cá com meus botões. E seguia eu, vivendo minha vida abaixo de sol, calor úmido e muito suor no Brasil.
Um par de anos já haviam se passado quando, numa noite qualquer, nos falamos novamente. Desta vez, Chico disse-me que já tinha uma bela casa própria por lá. Não só isso, mas ele e sua escandinava viajavam tudo o que podiam e mais um pouco. Não era à toa que ele fincava sua bandeira no chão quando falava em Svalbard:
- Aqui é minha casa, cara. O meu lugar. Moro numa baita casa aqui, com tudo. No Brasil, não teria nem uma bicicleta própria, eu acho.
Novamente, uma aura pessimista, provavelmente com uma pontinha de inveja, teimava em emanar de dentro de mim; aí lhe perguntei:
- Mas, me diga uma coisa amigo velho... compensa trabalhar um monte só pelo dinheiro...???
Aí ele me contou que estava abrindo a sua própria empresa por lá e, pasmem, fazendo o que ele mais gostava na vida: fotografando e filmando. Seus panos de fundo? Montanhas cobertas de neve, geleiras, ursos polares e (a preferida dele) a aurora boreal. Depois que soube das últimas novidades, parei de nadar contra a corrente. Deixei o negativismo de lado - e se esse ficou em algum lugar, foi lá no Brasil - e me mudei de mala e cuia para cá, há exatos 8 dias e algumas horas atrás. Ao teclar estas últimas palavras, ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Chico bateu à minha porta. Já era 1 da madrugada. Apressado, foi logo dizendo:
- Corre Andrezão, desce logo. Tá bombando uma aurora no céu. Vamos lá ver e fotografar ela, agora!!!
Botei um ponto final na história e me mandei pra rua com ele...
- Estou indo morar em Svalbard, cara. Eu e a Mia.
- Onde?
- Svalbard, cara. O lugar mais ao norte do mundo.
- Não conheço...
- Olha no mapa. Mas olha bem em cima, lá pra cima da Europa. Tu vai ver tudo branco lá...
- Tu tá é louco, meu!
Essa foi a minha primeira reação. Isso não faz muito tempo - quatro, talvez cinco anos atrás. Pensei no frio. Não no frio que temos, por exemplo, lá no sul do Brasil; mas sim, um frio pior que o dos Estados Unidos quando aparece em notícia do Jornal Nacional. Daí perguntei:
- E que língua eles falam lá?
- Norueguês. Lá pertence à Noruega, Andrezão (assim, bem como ele costuma ainda me chamar). Mas todo mundo fala inglês, sem stress. E pagam uma grana pra quem for trabalhar lá.
Mesmo após questioná-lo por mais um tempo, ainda assim achei difícil de engolir a ideia de meu amigo morar num lugar meio que, sei lá, tão isolado.
Dito isto, decidi por seguir minha vida no Brasil.
Após alguns meses, Chico estava lá empregado, ganhando bem e vivendo feliz com sua cônjuge sueca. E volta e meia me ligava, contando-me novidades. Sempre excitantes. Nunca pra baixo, nem uma vez sequer. Eu ainda resistia:
- Mas e a noite polar cara? Tudo na maior escuridão... não bate uma deprê fodida?
- Bate nada, cara. O negócio é não esquentar. Depois vem o período de sol pra compensar. Três meses de noite, três meses de dia. Louco né?
"Louco é você!" pensava cá com meus botões. E seguia eu, vivendo minha vida abaixo de sol, calor úmido e muito suor no Brasil.
Um par de anos já haviam se passado quando, numa noite qualquer, nos falamos novamente. Desta vez, Chico disse-me que já tinha uma bela casa própria por lá. Não só isso, mas ele e sua escandinava viajavam tudo o que podiam e mais um pouco. Não era à toa que ele fincava sua bandeira no chão quando falava em Svalbard:
- Aqui é minha casa, cara. O meu lugar. Moro numa baita casa aqui, com tudo. No Brasil, não teria nem uma bicicleta própria, eu acho.
Novamente, uma aura pessimista, provavelmente com uma pontinha de inveja, teimava em emanar de dentro de mim; aí lhe perguntei:
- Mas, me diga uma coisa amigo velho... compensa trabalhar um monte só pelo dinheiro...???
Aí ele me contou que estava abrindo a sua própria empresa por lá e, pasmem, fazendo o que ele mais gostava na vida: fotografando e filmando. Seus panos de fundo? Montanhas cobertas de neve, geleiras, ursos polares e (a preferida dele) a aurora boreal. Depois que soube das últimas novidades, parei de nadar contra a corrente. Deixei o negativismo de lado - e se esse ficou em algum lugar, foi lá no Brasil - e me mudei de mala e cuia para cá, há exatos 8 dias e algumas horas atrás. Ao teclar estas últimas palavras, ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Chico bateu à minha porta. Já era 1 da madrugada. Apressado, foi logo dizendo:
- Corre Andrezão, desce logo. Tá bombando uma aurora no céu. Vamos lá ver e fotografar ela, agora!!!
Botei um ponto final na história e me mandei pra rua com ele...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
A Mulher e o Gorila
Escrito por
Zulmar Lopes
... e o segredo é a sincronização. A mulher e o gorila têm que estar em marcações certinhas, para que a imagem de um sobreponha a do outro no reflexo do vidro. Só não é um truque mais velho do que o circo porque a lâmpada foi inventada por Thomas Edson somente no século 19, meu camarada. Mas é claro que é necessário ter luz! Eu te explico o funcionamento: em um cubículo fica a garota, trajes sumários, bem sensual, em outro, num ângulo de 90 graus e de frente para a plateia fica o cara fantasiado de gorila. No meio, perfazendo um ângulo de 45 graus, um vidro. No mais, basta um bom iluminador. No início, o público vê a imagem da mocinha de biquíni refletida no vidro. Quando a luz vai se apagando e simultaneamente vai se acendendo a do cubículo do gorila tem-se a impressão que a menina está se transformando no primata. É... primata. Um lance de escala zoológica, não estudou isso na escola? Desculpe, não quis ofendê-lo. Mas, onde é que eu estava? Ah... depois que o público está vendo só o gorila, remove-se o vidro, ele rompe o cadeado da jaula, sai correndo atrás dos expectadores, é contido pelo domador e o número acaba. Acho que essa gente que mora no cu do mundo — quando aparece um cirquinho mequetrefe é um acontecimento para a cidade — acredita realmente na mulher-gorila. Povinho ingênuo, hein? Como é que eu sei tudo isso? Fui o gorila durante anos em um espetáculo circense, ora.
Calor aqui, né? Que espelunca. Bebida horrível, música mais brega que Reginaldo Rossi. Mais uma branquinha? Por minha conta. Obrigado por me ouvir. As pessoas perderam a paciência de escutarem umas as outras. Sim, sou novo na cidade, difícil de me enturmar. Como eu ia dizendo, fiz o gorila durante um tempo no Circo Irmãos Graziani cujos proprietários na verdade eram dois paraguaios que usavam o nome de um atacante perna-de-pau da seleção italiana de 82. Vida boa, comida mais ou menos, trailer para dormir e um salariozinho para gastar na zona de cada cidade onde parávamos. Trabalho fácil. Bastava fazer uns ruídos de gorila, socar o peito e correr atrás dos idiotas. O que estragou foi quando a Giovana deu um chilique, deixou o circo e contrataram uma nova mulher-gorila. Mulherão, altona, cabelão descendo em cascata pelas costas, pele de marfim, peitões de americana de filme pornô e uma bunda incomensurável, bunda brasileira, carnuda, redonda, algo divinal. Gamei na hora. Foi uma merda. Todo dia ela de biquíni rebolando na câmara ao lado e eu de fantasia de gorila, transbordando tesão por todos os poros. Ela era safada, me dava trela e depois fugia, escorregadia feito um peixe ensaboado. Não sei por que esse negócio de peixe ensaboado. É verdade, fico divagando, fugindo da narrativa. Bom, fiquei meses nessa lenga-lenga, me declarei, disse estar apaixonado, o diabo a quatro. O máximo que ela me deixava era tocar naquelas mamonas assassinas, mas por cima do sutiã do biquíni antes da apresentação e mesmo assim tinha que pagar vinte contos para a ordinária. Isso, uma grandíssima piranha, você tem razão.
Meu mundo ruiu quando eu descobri que ela era amante de um dos Irmãos Graziani, o Paquito, se eu não me engano. Eram gêmeos idênticos. Envenenado de ciúmes, julgando-me traído toquei fogo no circo, literalmente. Um prejuízo enorme. Não, não morreu ninguém. Apenas dois pôneis e a pombinha do mágico. Do circo, não sobrou nada para contar história. Julgado, peguei cinco anos de tranca. Saí com dois. Réu primário, bom comportamento. O processo civil ainda corre na justiça. Temo pagar milhões de indenização para aqueles italianos de araque com sotaque espanhol.
Agora, estou aqui, dentro desse cabaré infame, com a infeliz ali, razão da minha perdição, ex-mulher-gorila dos infernos, pendurada no poste, se rebolando para os clientes. Se chama pole dance? Esquisito. É inglês? Qual é o nome de guerra da vagabunda? Gigi? No circo se chamava Laurinda. Sei lá se esse é o nome verdadeiro da desgraçada. Soube que ela está de rabicho com um mágico, um tal de Mondrique, de um circo mais chinfrim que o Irmãos Graziani armado por estas bandas. Quer saber? Pego mais trinta anos mas me vingo desta mulher. Dizem que o novo macho dela tem poderes sobrenaturais? Pago pra ver!
Obs: terceiro conto publicado na antologia "Respeitável Público - Histórias de Circo e Outras Tragédias" - Editora Penalux
O Julgamento
Escrito por
ofilhodoblues
Estava sentado no banco dos réus, disperso, com o olhar preso ao chão.
Que surpresa tive eu quando vi a mim mesmo no alto da tribuna determinando minha sentença:
- pena capital a todos os sabotadores da própria felicidade!
nossos olhos úmidos entrecruzaram-se uma última vez.
voltei a baixar a cabeça.
e pensei:
é justo.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
O Queijo
Escrito por
Sergio Vinicius Ricciardi
A última safra tinha sido o ponto final de uma vida inteira dedicada à terra. Dona Eulália, Seu Bento e o filho Zeca tinham agora que encarar o rumo da cidade em busca de serviço. Qualquer serviço. A praga devorara o milho até não restar nada. Dava a impressão até que, em seu voraz apetite, a praga devorara a si mesma inclusive, numa violenta autofagia. Os poucos pertences da família, em trouxas, já estavam arrumados para a partida na primeira hora da manhã. Pegariam o caminho com o carroceiro que levava as verduras à Santana. Deram três contos por cabeça por um transporte lento e judiado.
Aquela janta seria a derradeira em casa, com os parcos recursos que sobraram da família. Dona Eulália chegou do mercado com dois pacotes, o habitual de farinha e outro que causou estranheza a Seu Bento: grosso, bem embalado em papel branco, amarrado com uma cordinha. Zeca também parou pra olhar, curioso do que seria. Dona Eulália se adiantou:
- Trouxe a farinha pro mingau salgado. E mais uma coisa. Como é nossa última refeição aqui, trouxe um queijo. O dinheiro que sobrou deu pra um pedaço modesto, mas é do melhor. Dá uma fatia grande pra cada um.
Nisso ela foi desnudando o pacote, abrindo com delicadeza a cordinha, retirando lentamente o papel. O cheiro do queijo chegou ao olfato dos três, encontrando a fome que traziam consigo, uma fome que não era de ontem somente, era de toda uma vida desvalida e aliviada tão somente no mínimo. Foi então, sem mais, que o demônio da cobiça e da discórdia se instalou entre os três. Cobiçaram aquele queijo, não uma lasca apenas, mas a sua totalidade. Naquela hora, eles quiseram o queijo com o desejo mais egoísta que se pode desejar. Eles desejaram com raiva e beligerância em seu íntimo. Fez-se porém silêncio em suas intenções; um não sabia da ameaça que o outro representava por uma porção a mais daquele manjar, que parecia ser a última fatia digna de uma vida que acabava no campo para virar algo diferente, algo pior do que já fora.
Quietos, faziam planos para terem o prazer de usufruir sozinhos do deleite do queijo. Naquele momento, não importavam consequências, o que viria a seguir. Importava apenas se apropriar sozinho do manjar, saciar o desejo ardente, tão somente. O resto era o resto.
Dona Eulália se achegou ao velho fogão a lenha para preparar o mingau salgado. Zeca pensava numa forma de pegar o queijo e sair dali correndo. Seu Bento procurava a arma pra ameaçar o filho e a esposa enquanto comeria sozinho o pomo da discórdia.
- Vamos sentar pra comer – disse Dona Eulália, servindo a porção de mingau de cada um. Os dois homens comiam lentamente, calculando o momento certo de agir para apossarem-se do queijo. Foi quando uma sensação estranha, de mal-estar, tomou conta deles: num instante estavam caídos no chão, convulsionando entre a vida e a morte. – Aquele veneno de rato viera a calhar – pensou Dona Eulália. E sentou-se diante do queijo com um ar tranquilo, apreciando aquela dádiva com todos os sentidos, lentamente. Uma refeição nobre como nunca tivera em toda sua vida. Depois tomaria também sua porção de mingau.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
Ser
Escrito por
Unknown
O pássaro é
deus
É vôo
É vida
O homem é
pássaro
É criança
É desejo
A vida é um
vôo
Por entre
nuvens de desejos
Em que o
homem escolher ser
Ser pássaro
Ser criança
Ser vida
Ser
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Escrito por
Glauber Vieira
Olha aí!
Depois de participação em 22 antologias literárias, organizadas por grupos diversos como Academia Dorense de Letras (Boa Esperança-MG), Fundação Cultural Igaçaba (Roque Gonzales-RS), Prefeituras Municipais de Caçu (GO) e Barueri (SP), Editora Phoenix (São Paulo-SP). Alba (Varginha-MG), Arara Verlag (Karlsruhe-Alemanha) e Punto de Encuentro Editorial (Buenos Aires-Argentina) e mais o Bar do Escritor (oriundo da internet), finalmente publiquei meu primeiro livro solo.
Mosaicos sai pela Editora Penalux e foi incluída no selo Microlux (minicontos). Consta de 93 minicontos dos mais variados temas: circo, natureza, conflitos sociais, história, drogas, relações familiares, etc. Há textos de humor e outros mais "sérios".
Criei um perfil do livro na rede Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/543013ED552592
Para adquirir o livro,que custa 32 reais (fora o frete) acesse o site da própria Penalux: http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?cPath=38&products_id=367
Também existe uma página do livro no facebook: https://www.facebook.com/livromosaicos/
Espero que apreciem! Mosaicos será o primeiro de muitos...
domingo, 24 de janeiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Rarefeito
Escrito por
Angela Gomes
O
que desperta
Depois
da noite desfeita
Falsas
certezas
Razões
perfeitas
Na
praticidade da desilusão?
Nem
tudo são escolhas
A
luz do dia cega e seca
O
cobertor, o frio...
E,
num arrepio
Tudo
que parece o fim
Será
Como
o que surge de um vazio
Cheio
de deserto trancado no peito
E, ainda que eu não entenda direito
Tudo
se parece com tudo
Como
um passado incerto
Coberto
pelo orvalho perfume da deusa
Difuso
pela superfície ondulada do mar
Mas,
tangível no aroma da terra molhada
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
O Presente
Escrito por
Zulmar Lopes
Quarenta e três
anos, trezentos e sessenta e três dias e algumas horas. Daqui a dois dias farei
quarenta e quatro. Difícil imaginar que tanto vivi. Besteira! Sou jovem ainda. Volta
e meia me pego feito um velho falando. Velho aos quase quarenta e quatro? Muitos
começam realmente a vida nesta idade, porém, sempre pensei que não vingaria
trinta e cinco. Pura intuição, longe da racionalidade que um estatístico como
eu deveria se possuidor. Quase acertei quando uma crise de apendicite me pegou
de surpresa dois meses após o meu trigésimo quinto aniversário. Vi a cara da
morte. De qualquer forma, eu falhei nas previsões. Estar vivo é a prova. Sou um
Nostradamus de araque, um profeta de quinta categoria, Ainda bem.
Nunca consegui
fazer um embrulho que preste. Sem jeito mandou lembranças. Sou uma negação com
trabalhos manuais, não sei trocar uma tomada. O Jorge, porteiro do prédio, é
que me salva nestas situações domésticas. Sou bom mesmo é com a cabeça.
Números. Sou uma calculadora ambulante.
Mas está muito
do mal feito este pacote. Benza Deus! O papel está amarrotado, as dobras mal feitas,
a fita adesiva que prende as extremidades parece ter sido aplicada por uma
criança. E o que dizer do barbante frouxo? Pura vergonha! Mas o que está dentro
é o que conta. Em verdade, vale mesmo é a intenção. Oswaldo na certa vibrará
com a minha lembrança. Sujeito solitário o Oswaldo, o pobre! Sem amigos, sem
esposa, mal troca umas palavras com os colegas da repartição. É só aquele vai e
vem, da casa para o trabalho, cinco vezes por semana, onze meses por ano. E o
mês de férias? Oswaldo se trancafia trinta dias no apartamento. Que vida
medíocre e sem expectativas! Coitado do
Oswaldo... Carece de saber que no mundo alguém se preocupa com ele. E calhou
desse alguém ser eu. Amanhã, mal ou bem feito, postarei o pacote nos correios.
Certamente, ele ficará exultante com o regalo.
***
Quarenta e
quatro anos. Cerca de dezesseis mil e sessenta dias, fora os anos bissextos.
Deixe-me fazer a conta exata. Um ano possui trezentos e sessenta e cinco dias e
oito horas. A cada quatro anos, um dia. Salvo engano, onze dias extras. Dezesseis
mil e setenta e um dias! E o de hoje é o do meu aniversário. Isto é o que
importa. Mas como os correios estão demorando! Postei a encomenda antes de
ontem e até agora nada! Os serviços dos correios já foram mais elogiáveis. Será
que eu errei o endereço? Não... Não cometeria tamanha estupidez. Conferi o CEP?
Deixe de bobagem, Oswaldo. Você sabe muito bem qual é o CEP! A campainha! Certamente
é o porteiro Jorge com o meu presente! Espero que o pacote mal feito tenha
resistido afinal, sou um desajeitado em habilidades manuais. Feliz aniversário,
Oswaldo! Quarenta e quatro primaveras! Dezesseis mil e setenta e um dias! Vai
ter bolo? Feliz aniversário para mim! Feliz aniversário, pobre, patética e
solitária criatura...
quando falas em fim
Escrito por
ofilhodoblues
quando falas em fim
é como se,
de súbito,
num cataclismo apocalítico
de poucos segundos,
sugasses todas as cores
do meu mundo;
as cores
de uma viagem
ultra-psicodélica,
não apenas derretem
da nossa tela impressionista
como também param de cantar
quando falas em fim
restaria apenas
o blues solitário
que sai da caixa de som
contando histórias de idas e vindas
e corações partidos.
mas esse blues do fim do (nosso) mundo
que sai de teus lábios
quando falas em fim
é um blues que eu nunca poderia
sentar e cantar junto.
André Espínola
sábado, 16 de janeiro de 2016
Fórum Social Mundial
Escrito por
Júlio Freitas
Moribundos e velhos
Não recebem a bênção
Do deus Trabalho
Mendigos e andarilhos
Foram esquecidos
Pelo deus Dinheiro
Os escafandristas
Das sarjetas
Dos tempos modernos
Trazem sempre
As mesmas velhas notícias
Enquanto isso
O pessoal do Fórum
Vem dizendo
Que um novo mundo é possível
Em falsos discursos
De vanglória e meta
Desviando recursos
E tirando o cu da reta.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
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