sexta-feira, 19 de novembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
o poema fujão
As vezes, assalta-me de repente um poema.
Corro em desespero a procura de um papel
que o prenda na eternidade.porem, como gostam de liberdade.
logo voam apresados
para ficarem livres, para sempre.
em outra eternidade
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Aforismo
e em verdade vos digo:
saudade
é eufemismo
de solidão.
André Espínola
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Escolhas
apanhadas do vento
giro, giro
entonteço, entorpeço
mas toda lágrima tem um preço
e sal
rimas, nem as busco
tenho andado um tanto dispersivo
talvez pelo pólen que me brilha nos olhos
por isso me agarro a grãos de areia
não é o vinho
nem sua mancha
fantasmas habitam em árvores
e nas paredes mora um passado
percorro olhares como um instante
mas instantes não existem mais
pássaros, sim os pássaros
então me distraio com livros e formigas
há dois contos e um menino perdido na página trinta
nuvens, sempre as nuvens
eu calo por não saber gritar
mas minha arma está carregada de palavras
agora entendo aqueles trens
que percorrem trilhos de cristal
e sempre partem
ingresso nessa frágil viagem
caminhos
quantas vezes precisei deles
(Celso Mendes)
sábado, 13 de novembro de 2010
Trinta e três
que travam o intenso e apertam o ser?
E quando a respiração se expande em 3 D?
E quando se acorda do sonho, memórias no caleidoscópio?
O que berra o alpinista no pico do Taj Mahal?
- Não clama por uma escada, ingênua ambição vertical:
nota que o céu é o mesmo,
seja no vale ou na serra, visto da terra ou do sal,
e que o tempo é o rio nadando entre o vazio dos dedos
enquanto se apontam estrelas e se inventam constelações
(formas míticas, humanas, animais,
espelhos, paixões
e batsinais).
O que se grita de dentro é o silêncio de entranha,
definição solitária para o infinito momento:
berra-se o todo no agora - o verdadeiro, o Nirvana
o aleph de Borges,
os vinte e dois arcanos,
a pasárgada, o paraíso, shangrilah
o olimpo, terra prometida:
trinta e três anos.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
***

Distraída,
perdeu sua face no espelho do quarto
Em cada reflexo uma promessa
Em cada olhar lânguido, momentos vagos
vivenciados na noite...
Tem a mania de
transformar amores não vividos em estrelas
Sabe exatamente a localização de cada um.
Colecionadora de sonhos
Criou sua própria constelação
Inatingíveis !
Alguns desapareciam
ela nem tinha tempo de perceber...
A cada dia um novo brilho
Pedaços da noite, estilhaços no chão.
Aprendeu que feridas cicatrizam
E segue pisando firmemente.
A dor não incomoda,
Satisfaz.
(Ro Primo)
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Convidado Nazareno de Sousa Santos
Teatro Maldito
(Legítima defesa)
Noite calada,
Escura e fria.
Beco fechado,
Rua vazia.
O palco está sempre montado,
E, as personagens fazem, de fato,
Novas cenas do mesmo ato.
No elenco,
Como é constante,
O experiente
E a iniciante.
O silêncio pesa,
Quase não há luz,
Ela soluça,
- essa é a deixa -
Ele introduz.
Ela se esforça,
Tenta gritar.
Com a boca ocupada,
Por mãos e língua,
Somente pode chorar,
Enquanto seu sangue
Escorre e pinga.
Em sua mente,
Pensamentos desordenados
Passam como um furacão.
Ela é só dor,
Ele todo tesão.
No desempenho de seu papel
Ele se acha o melhor do planeta.
Ela já não se acha nada.
Sente, apenas, muita dor
E o horrível gosto de gameta.
Ele estremece e relaxa,
Outra explosão.
Ela percebe, movimenta rápido,
O brilho metálico troca de mão.
O novo quadro surpreende,
Ela não está mais no chão.
Ele, paralisado, quase se arrepende,
Experimenta algo novo,
O medo trocou de coração.
O dedo, tenso,
Pressiona o gatilho.
O coração dispara,
O dele pára.
Ela, nua, corre, chora e grita.
Mas está aliviada
Caído e sem vida,
Ele interpreta, brilhantemente,
O final, definitivo, daquela história,
Que ele próprio estrelou,
Em tantas outras madrugadas.
---
E do Fernando, o meu livro de cabeceira
Basta abri-lo
E meu quarto se enche de “Pessoas”
---
terça-feira, 9 de novembro de 2010
ENCONTROU JESUS É O CARALHO
Não eximo a Igreja Católica
Pelo contrário
Mãe de toda desgraça
Todavia
Contudo
Entretanto
Evangélicos
Fiéis
Silgas Malfalares da vida
Esses
Com tetos de vidros
Templos desabantes
É!
A casa caiu
Ruiu
O telhado
Ploft
Em outros tempos
Chutavam Santas
Brããbouos e whatevers
Em seus iates
Helicópteros
Jatinhos cheios de putas
Vivem rindo fiéis
Depositantes de dízimos
Rasgando dinheiro
O próprio dinheiro
Favelados pagam não tendo
Para serem perdoados
Perdoados do quê
Se ganha muito dinheiro em nome da fé
Jesus me ama
Jesus me ama é o caralho!
Não venham com papo de Jesus
Não preciso de intermediários, interpretando em causa própria.
Tiro na testa dos Silgas Malfalares
Pastores
Pastores de cu é rola
Coitado de Jesus, o verdadeiro!
Livre arbítrio
Eu acredito em livre arbítrio
O Jesus usado pelas Igrejas para fins contrários a tudo que o próprio pregou
Esse Jesus eu quero que se foda
...Eee...
Os sociopatas
Usam Jesus para dissimular sua essência
Pagam dízimos
Pronto
Agora são melhores do que eu
Escondendo-se no falso sublimar
É mole
Eu mato
Estupro
Roubo
Pago o dízimo
Aí
Silgas Malfalares diz eu ter encontrado Jesus
É
Seus problemas acabaram
Mate hoje
Encontre Jesus amanhã!
Tudo certo
Tá de sacanagem!
Canalhas a um piscar de cu pra sucumbirem
Convencer-me...
Nunca!
Preferia mil vezes quando a professora da academia assumia-se vadia
Tinha dois namorados
Chupava meu pau
Ela era feliz
Agora encontrou Jesus
Vive lendo a bíblia
Pregando
Cabisbaixa
Isso resolve tudo
Hahaha...
E o meu vizinho
Tinha um esquema de roubo de carros
Todo mundo sabia
Falava com geral
Vivia rindo
Sempre com lindas mulheres
Também encontrou Jesus
Vive na Praça General Osório
Pregando
Sozinho
Tenho medo desses sociopatas regenerados
Eram mais honestos antes de encontrar Jesus
Não se negavam
Por isso digo e repito
Encontrou Jesus é o caralho!
UNÇÃO R$ 12.000,00
ROUBANDO OS DESEMPREGADOS
O DINHEIRO DO CULTO
ENCONTROU JESUS É O CARALHO
domingo, 7 de novembro de 2010
um postal do fim do mundo
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
J´accuse
Carlos, um brasileiro, pagou com a vida, aquilo que os descrentes não vêem: que aqui ainda tem saída, que aqui ainda convem, ser um cidadão honesto.
Pois não tinha lado nem bandeira, não tinha inimigos nem trincheira, só a luta labor diário de quem batalha a vida inteira.
Carlos tinha sonhos...
Que foram cortados ao meio, raptados. ABATIDOS. Por algum salteador de meia pataca
Vida perdida, justiça ingrata...
Eu acuso este clima eleitoreiro que bate boca de quatro em quatro anos e deixa tudo como está; essa farra de visões vendadas que tenta mascarar o quão perdidos estamos; divididos entre os gomos, federal, estadual e municipal de merda, que nunca resolvem nada...
Eu acuso essa justiça lenta, letárgica e leniente, que passa a mão na cabeça do meliante, enquanto as vítimas gritam para o nada...
Eu acuso nossa própria inatividade, em quedarmos queixosos e aflitos, sem termos ao menos o princípio, de buscar um país melhor...
Eu acuso o Destino, que fez de mais um menino, o mártir da vez e a razão do pranto...
E, Céus! Até quando?!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Quinta Poética na Casa das Rosas - São Paulo
Eis os meus vídeos do evento:
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Papo sério de sujeito homem
Sempre me incomodei com filmes que o narrador relembra o passado comentando neste dia aprendi alguma coisa. Pô, eu nunca aprendi nada. Quer dizer, não entendia na hora que acontecia, só depois de muita pestana é que atinava para as verdadeiras motivações e conseqüências. Se aprendesse no momento, como nos programas, teria seguido caminhos absolutamente diferentes, minha percepção teria sido mais madura. O alento nisso é que nunca me arrependi do que fiz, só de como.
A introdução tá parecendo um desses seriados, mas não é.
Um amigo me contava suas safadezas:
- tu sabes como são essas coisas. Tu és sujeito homem.
Parei ali, nem registrei as informações das peripécias sexuais.
- como é um sujeito homem.
- tu sabes. - ele riu. - é macho de raça, que encaçapa toda boceta que dá mole, mas segura a onda na perversidade.
Gostei de saber que minhas fraquezas eram comuns. Achava que tivesse algo de errado comigo por ainda pensar com a cabeça do pau. Mas isso era ser sujeito homem, um cabra honrado.
Ainda feliz com minha condição de sujeito homem, reuni-me com a namorada a um grupo de amigos em viagem ao litoral para o réveillon. Casa à beira mar, coqueiros no jardim, pessoas compartilhando a mesma tranqüilidade, ótima oportunidade para dar merda. Big brother da vida real.
Uma lambisgóia se engraçou comigo. Desprezou completamente a presença da minha garota e caiu matando numa sedução à la operário da construção civil: “hum, dá para perceber as veias do seu bilau com essa sunga”, Eu escapulia como dava, minha educação nunca poderia ser confundida com retorno.
O outro homem da casa, também com namorada, me chamou:
- mermão, a madame mim tá pulando no teu pescoço.
- impressão tua. xapralá.
- pô, maior pilantragem. tua mina vai pirar. vou pedir pra minha mulher falar pra madame se tocar.
No outro dia, tudo diferente. A sedutora mal me olhava nos olhos. Parou de oferecer os seios e nem mais tentou ver meu pinto. Mansinha. A praia até ficou mais bonita.
- tua mulher falou com a madame mim, não é? – Perguntei - tudo está diferente.
- não foi ela. - Ele estava emburrado, mas como falei, eu não percebia esses detalhes na época, só hoje, pensando nisso. - fui eu. tá tudo bem.
Acreditei. Ficou tudo por isso. Era o que eu pensava, pois nada tava bem. A conversa com a lambisgóia foi em tom de acusação, você tá agindo como uma piranha, insinuou que ela ameaçava a estadia de todos na casa por sua conduta vulgar. Hora alguma pediu ajuda à namorada. Do jeito que aconteceu, até acharia que houve ciúme dele, mas isso é só especulação e, como disse, eu nunca percebo nada na hora.
Voltamos para Brasília na maior paz, eu e minha namorada. Os outros passavam por conflitos velados: o namorado brigando com a madame mim, que descontava na amiga, influenciando-a negativamente em relação ao namorado. A moça fingia que não via tensão alguma.
Já na cidade, a canoa virou. A namorada chamou o cachorrão na xinxa e perguntou o por quê dele se importar tanto com a amiga. Ele disse que era para me proteger, pois, no fundo, eu havia gostado da sedução e estava dando corda pra safada. O papo furado colou, a moça sempre foi meio ingênua, ela concordou com aquilo para simplesmente esquecer a desconfiança de algo entre o namorado e a amiga e eu é que fiquei como o canalha da história, mesmo sem saber.
Até um dia num futebol, em que perguntei sobre o sumiço da sua namorada.
- ela tá meio puta contigo. por conta daquela treta com a madame mim na casa da praia.
- como é?
- pô, tu gostou da peituda dando em cima, até era todo educado. foi isso que expliquei pra minha mina: que briguei com a madame mim para te proteger.
- mas... eu não fiz nada. foi você que me alertou sobre aquela louca.
- tu gostou da peituda. Foi isso que expliquei. - e saiu trotando atrás da bola. Lembro bem da cena pois me senti apunhalado. Só então eu percebia que ele era sujeito do tipo contrário, daquele que fode os amigos para papar alguma mulher. Como é que ele tinha coragem de me escrotizar para sair bem na fita? Nana-na-não. Não sou um cara de muitos bens, um dos poucos que me importa é a limpeza do meu nome.
Dai, fiz a besteira que não faria se já tivesse aprendido algo.
Um tempo atrás fiquei enraivecido com um broder. Escrevi um email direto explicando meu incômodo. Como resposta recebi uma lista de impropérios seguida por outra com meus defeitos e fracassos. Fiquei chateadão, não conhecia a reação dos falsos. O cara já me tinha um monte de raiva, mas se fingia de próximo meio que de inveja. Na primeira ingrizia, despejou fel e amargura.
Nesta nova situação, tentei resolver escrevendo uma crônica em que dizia não me importar em perder amigos. Esperteza sem tamanho. Obviamente o namorado nunca mais falou comigo, todo emburradinho. Mais uma vez fui precipitado e confuso, mas o resultado foi o melhor que poderia ter acontecido, mesmo se eu não tivesse perdido o broder. De que me adianta amigo traíra?
Sempre escolhi minhas amizades pelo prazer em estar com elas, nunca por interesse, status ou qualquer outro motivo. Se aquele amigo, e também o outro, não queriam mais partilhar minha companhia, bem, no fundo, acho que a vantagem foi minha, pois não sofreria novamente alguma traição ou reação nervosa.
Nunca aprendi as coisas, na verdade. Se aprendesse, não escreveria esta história, relembrando estes fatos, mas entendo a literatura como explanação dos medos e angústias, como percepção das visões de uma época, como alicerce filosófico para novos pensamentos e idéias, tenho que escrevê-la no mínimo para resolver a questão na minha visão e superar os acontecimentos.
O sujeito homem não precisa ser um bom sujeito, mas eu preciso de caras bons como amigos.
sábado, 30 de outubro de 2010
Convidado Djalma Pinheiro
Quando o Poeta ama,
Ele ama intensamente,
Ama com o seu intimo,
Ama com o seu ego, em flor
Sai de seus versos,
Longas e lindas palavras,
Saem de seus olhos
Lindos lampejos de amor,
Saem de sua boca,
O mais melado dos beijos,
Saem de seu coração,
Expelidas pela boca,
A mais linda declaração
Eu te amo....
---
Publicado no: www.djalmapinheiro.recantodasletras.com.br
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Reticências
de repente
fico tonto
e o não dito
acredito
fala alto o tempo todo
são 3 pontos
e eu me escondo
na entrelinha
que entretinha
a vida tosca
foi na mosca:
disse mais quando não disse...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Caixa de música
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Convidado Ricardo Kelmer
Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada… Começava assim a musiquinha. Uma turma de jovens cabeludos e felizes esperando o trem na plataforma. Jeans desbotados, mochilas e o frescor da liberdade em seus semblantes. Era um filminho comercial do jeans US Top, de 1975, que fez muito sucesso, tanto o filme como o jeans. Fez tanto sucesso que a frase virou bordão e até hoje a geração daquela época se emociona quando canta a musiquinha.
Era o governo do general Geisel. As correntes da repressão da ditadura militar já se afrouxavam e o Brasil, ufa, começava a respirar ares mais democráticos. A palavra liberdade tava na moda. Liberdade de pensar e de falar. Liberdade de votar. E, é claro, de vestir. O comercial foi uma grande sacação, o jingle ganhou prêmio e muita gente vestia jeans US Top porque isso era um símbolo de liberdade.
Eu? Putz, eu era mais um menino louco pra ter um US Top. E assistia ao comercial sonhando em embarcar no trem com aquela patota divertida. Mas não era um jeans dos mais baratos e só pude ter o meu anos depois, quando até o termo liberdade já havia desbotado. Com o andamento da abertura política, a liberdade perdera o apelo publicitário que antes possuía e os comerciais passaram a seduzir o público com outra ideia: a de que ser feliz é ter muito, cada vez mais. E assim estamos até hoje, que beleza, tendo tudo que não precisamos pra ser feliz.
E a liberdade, que foi feito dela? Minha velha US Top da minha adolescência que me perdoe mas liberdade não é e nunca foi uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser, não usa quem não quer. Pra começo de história, eu não usava não porque não quisesse mas porque simplesmente não podia. Então, pela lógica da publicidade, eu não poderia ser livre pois não tinha grana pra pagar por um jeans. Se alguém precisa estar na moda pra ser livre, que liberdade é essa?
Infinitas noções de liberdade existem, eu sei. Pra um adolescente, é voltar da balada à hora que quiser. Pra outra pessoa, é ganhar seu próprio dinheiro. Pra um presidiário, ser livre é tão-somente não estar numa cela. Tudo isso é liberdade, sim, mas depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos – e não quem a sociedade ou a moda quer que sejamos. E que a pior prisão que existe é justamente a ignorância de si próprio, que nos faz escravos dos quereres alheios.
Somente a essência do que somos pode nos libertar. Seguir a moda jamais nos conduzirá a ela, apenas nos levará junto com outros, feito uma boiada, durante o tempo que durar a moda, quando então teremos que seguir outra moda e assim por diante. Quem realmente somos nós por trás dos modismos que adotamos? O que há de permanente em nós por trás do transitório da fachada? A moda não poderá responder a essas perguntas, e nem mesmo você, enquanto a estiver seguindo. Aliás, a moda nem quer que você pense nisso. Ela quer apenas que você a siga – e pode pagar em até dez vezes.
Liberdade é sermos quem realmente somos em nossa essência mais legítima. É uma velha ideia, azul e desbotada. Mas que nunca vai estar na moda. Ainda bem.
---
blogdokelmer.wordpress.com
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Sexo sem complexo.
Deixa de lado o preconceito, quero sexo,
seu ar de lobo, fera e riso no sal da carne
a aprofundar garras e dentes as claras.
Vem que abocanho sua tara
e tudo o que restar será começo
até que perplexo você peça mais farra.
No horizonte do seu corpo serei língua
qualquer íngua sem dor a incomodar,
sedução intempestiva, calor a provocar.
Não finja não gostar da febre que tenho entre as pernas,
louca tortura e vontade de gozar
no demente aconchego de quem sabe se dar.
Rasga minha pele com ternuras,
copula dentro das entranhas sem vergonha
a tingir de alegria minha encenação de meretriz.
E se ainda assim for pouco devora-me,
quero seu sexo no meu a incendiar,
prazer a toda hora, enquanto a alma aguentar.
Eliane Alcântara.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Evisceração
Espere por aquele olhar a se projetar entre estilhaços de angústia
Espere pela nuvem de gafanhotos-devoradores-de-horizonte
Mas não vá, fique um pouco mais, ainda há muito o que esperar
E não me deixe plantado neste inferno cor-de-rosa sem um porquê
Eu bem que queria lhe dizer que a lágrima não se mostra
Por puro orgulho
Eu bem queria lhe mostrar
Esta jugular que pulsa no aguardo de uma nova mordida
O que se esconde neste brilho que já não há
E revelar aonde a lua se ocultou e dormem as estrelas
Fique um pouco mais
Só um pouco mais
Sinta o som do mar
Sinta o som
O som do mar
E o som
Do Sol
E o Sol
No mar
Fique um pouco mais
Queime comigo nossas verdades douradas e as mentiras azuis
Não minta mais para o azul
Ou para o vermelho
Espalhe algumas verdades transparentes sobre a mesa
Diga para mim desta ferida
Daquela esperança forjada em frases insolúveis
Do impossível e do improvável que já vivemos
Que eu prometo
Que eu lhe juro
Pela divina providência dos semideuses
Estancar este corte que vaza minhas vísceras
E partir
(Celso Mendes)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Troféu Surreal
Au, Au, ou... ou! Chutei a poltrona, manquei feio. Onomatopéias...
O arame farpado prendeu e rasgou um idiota que insistia em babar fezes enquanto resmungava ferido e amedrontado no quintal. Eu não tenho pena, não tenho mesmo. Que se exploda meu cinismo e sujeira moral, assumo mesmo: te desci a porrada!
Bati palmas e gargalhei do teu medo, pois te odeio, é puro sadismo meu. Pausa para meu riso! Eu quero rir, cacete! Ha, ha, he, he. Satisfeito!
Só na minha cabeça você existe. Pare de chorar, é o fim!
Setembro/2010.
Foto: "Bloody Trophy", troféu feito de sangue humano e sangue animal por Thyra Hilden e Diaz.
Portal da artista: Thyra Hilden
sábado, 9 de outubro de 2010
NÃO VAI DOER NADA
NÃO VAI DOER NADA
Ao contrário
De quatro
Eu empurrando a janta deles pra dentro
Sou o vingador na sala de espera
Odontologia é o meu caralho na bunda deles
Masoquistas sem sangue
Dentistas deitam-te na cadeira
Olham-te de cima pra baixo
Mandam abrir a boca
Balançam sua bochecha como se fosse carne morta
Aplicam-te uma injeção maior que a piroca do Kid Bengala
Olham seus olhos e rindo dizem
Não vai doer
Na boca deles não vai
Com certeza
Na sua dói pacaraio
Enfim
Enfiam um suga baba na tua boca
Exploram-na com aparelhos de metal
Pontiagudos
Gelados
Picam a sua gengiva com o agulhão do jumento comedor de traveco
Futucam daqui
Futucam de lá
Dói aqui
Dói acolá
Humilhação suprema
Domínio total do Dr. Mau
E você ali parado
Deitado
Entregue
Piada
O dentista é o piadista
Todos são
Sodomizadores rentáveis
Ganham dinheiro
O nosso dinheiro
Pagamos caro por isso
Quando um cara pensa:
“Vou ser dentista”
Na verdade tá pensando:
“Vou botar pra fuder com os meus instrumentos de tortura”
Ninguém que trabalha com o bafo alheio pode ser normal
Dentistas Opressores Poliatômicos Sanguinários
Todo mundo sabe
No DOPS eram todos dentistas
É
O dentista é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir NÃO dor
A dor do seu paciente
Fernando Pessoa Ruim
Vou versar
Dentistas não perdem por esperar
A hora deles vai chegar
Rubem me ensinou a matar
Fonseca a cobrar
Vou exterminar todos os dentistas antes de Deus os levar
Não vai doer nada
Não em mim
domingo, 3 de outubro de 2010
a flor do ópio

os pés-de-boi
ou patas-de-vaca
que importa?
têm flores desenhadas
belas e cheirosas
mas em encostas abissais
a flor do ópio
que induz ao pulo
ao infinito de sensações
ergue-se em resistência
quase frágil
sob os olhos do leste
sob a ânsia e a cólera
só existe pelo fato
doutro querer-lhe
a essência vertiginosa
que importa?
a flor do ópio
impera soberana
a visagem humana.
(imagem de minha autoria)
sábado, 2 de outubro de 2010
O lançamento do livro BAR DO ESCRITOR - Edição Brand
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
sobre o dia...
ou é à noite que não sei que dia é
tô na minha sem sabê
se é dia ou é noite
que não sei o que é que é"
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sonhos Enjaulados
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Sinfonia do medo
Quando aquele jovem casal mudou-se para o 209, as batidas e gritos viraram a trilha sonora da rotina
A entrada dos metais, graves, adicionou tensão
Por fim, ouviu-se apenas um sopro agudo, último suspiro
A platéia permaneceu estática, cada um em sua poltrona
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Lótus
Com uma estaca cravada no peito.
Sufoca-me a garganta, o grito.
Imperfeição dos sentidos.
Borboleta aprisionada no casulo
Metamorfoseando-se em lagarta.
Afogando-se no sangue
Da carne putrefata.
Afasta-se da cartilagem
Do que fora cor e asas.
Corrompendo o próprio sonho
A rastejar sobre brasas.
Esperando que o coração apodreça
E refaça-se com calma,
Para que novo vôo floresça.
Iluminado e sem pressa.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Revoada
Renovo sentimentos contra teu sorriso impassível, engessado,
incrustado em minhas fantasias mais rubras. Teus olhos
negros
teimam brilhar
em meus dias de insanidade
que se repetem pontualmente às treze horas
na porta do inferno.
Inda não acabou. Mas já rasgo o ar
com minha palavra mais secreta de emudecer pintassilgos.
Estou abandonando o meu refúgio. Recrudesça-te
a tua condição do nada que já foste, pois eu irei,
novamente,
à procura do azul.
(Celso Mendes)










