quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PUTRICINHAS - La virtu della Santa Famiglia



Assumi meu vício
Não meu emprego
Nunca vou confessar
Era viciado em fuder
Sexo traduzido em relacionamentos
Córneos trocados com gostosas mimadas
Sentimentos confusos pós-luxúria
Intensidade e lubricidade constantes
Paudurescencia com perfume de bucescencias diárias
Éramos mutuamente doentes
Eu era o cara
Resolvi mudar
Revi valores e reinventei
Relacionamentos sadios a base de mulheres do bem
La virtu della Santa Famiglia
Transar pouco por menos dor de cabeça
Maximus error vitae
Sei por causa de cagada monstra
Mulher doce do bem de família faz também
Premeditadamente
Sem culpa ou arrependimento
Com intenção de ferir
Essa era pra casar
Só com muito tiro na testa
Não fosse isso
Requintes de crueldades
Viveria o resto da vida fingindo ser o que não sou
Depois de muitos anos de estrada
À convicção
Não as concessões
Valem mais as viciada em sexo e seus problemas que as fadadas boas moças
As que vêm em função trepar de todas as formas são as melhores
Sem frescurinhas
Mas não
Erroneamente engoli essa baboseira moral sobre a invenção do certo
O conceito familiar
Erros no pensar a vida têm ponto de partida em falsas explicações
Analises errôneas são impostas
Ideias correntes
Recorrentes éticas de religião e civilidade
Inventaram uma falsa consideração humana
Vivemos essa farsa de sofrimento e culpa
Aprisionados por conceitos religiosos
Pros que acreditam nessas babaquices eu digo na lata
Ofensivo é a Bíblia
A Bíblia é o injurioso livro
Infiéis sendo assassinados
Trabalhadores aos sábados sendo apedrejados
La Sacra Bibbia vende filhas como escravas
La Sacra Bibbia tem ficha criminal
La Sacra Bibbia faz de bucha os profissionais do artifício de matar
Posso incitar genocídios bíblicos

Em Deuteronômio 13

“Se você souber de uma cidade onde se louva a outro Deus, você deve matar cada um naquela cidade: homens, mulheres, bebês e até os animais. depois queimar tudo.”

Essa doutrina não me representa
Religião é a arma nas mãos dos opressores
Fodam-se as boazinhas fiéis do senhor
Fode-se a porra toda
Só respeito às infiéis que trepam muito
Não aceito as que não fodem
Essas merecem a morte
Tem a puta e a filha da puta
Eu gosto da puta
A puta chupa pau até o talo
A filha da puta não
Passei os últimos anos fodendo pouco e mal com a filha da puta da minha mulher
A onda dela era se fazer de boa moça pra me apunhalar de olhos abertos
Gostava de me tirar de otário
O máximo da merda humana
Ser negado por minha mulher era a rotina do casamento
Porra nenhuma!
Ser negado sexualmente por mulher não é normal
Eu tenho passado e memória
Antes dela passei minha vida trocando sexo com as putricinhas
Barganhávamos muitos chifres
Mas não deixávamos de trepar
Nossas infidelidades não esfregavam casinhos na cara um do outro
Não havia intenção de ferir
Tínhamos tesão pra dar e vender
Não existia ódio
Escapulidas eram reflexos de sexualidades compulsivas
Não falta de paixão
Foi mulher do bem e de família e que não dava que trouxe um cara pro quintal de casa
Em flagrante disse eu merecer, rindo.
Daquelas que vivem vendo novela e JN e baseiam suas vidas nos dogmas reproduzidos por esses meios
Num fode
Essa não fodia e também traia
Mulher de família
Sei...
Deixo pra vocês
Essas recalcadas, infelizes e frustradas são capazes das piores maldades.
Leblonetes passeando com seus xitsus de laços de fita não falam ao pau
Mulher fresquinha que chupa pau com nojinho não dá
Nascemos todos de uma foda e vivemos pra fuder
Se não for é a morte em vida
Deixemos as boas moças na igreja
Fiquemos com as trepadeiras
O mundo gira
A lua se põe e o sol nasce
Marés sobem e descem
Foi aí que o destino misturou minha profissão e meu pessoal
Recebi um telefonema de uma cliente
Ela queria uma faxina completa
Barba, cabelo e bigode.
Precisava dos meus serviços
Seu marido estava comendo outra
A amante deveria ser exterminada
Não sem antes eu receber o extra por meus serviços
Não estou falando do dinheiro
Só recebo depois do desaparecimento da vitima
Ganho muito bem
Mas quando a contratante é gostosa eu cobro um adicional
Quem já me contratou sabe
Pra ter o melhor precisamos dar o melhor
La fui eu despejar meu leite na cliente
Mulheres traídas são demais
Dei o trato merecido
Depois da alcova ela mostrou-me a vitima
Sensacional
Sim, minha mulher era a amante do seu marido.
Alucinante
A vida é imprevisível
Ela perguntou se eu teria problema em fazer o trabalho
Respondi que não daria desconto por causa disso
Sai rindo e feliz
Fui de encontro à execução
Toquei o interfone e falei:

- Eu vou te matar

Ela abriu a porta
Deve ter pensado que era frase de macho ferido
De homem traído
Querendo ver minha derrota
Tadinha
Entrei no apartamento e dei-lhe um soco na cara
Ela caiu desmaiada
Botei-a em meu colo e quebrei seu pescoço
Abri minha maleta
Adoro minha machadinha
Faz picadinho
Depois de esquartejar o corpinho que eu não gozava, fui mijar.
Dentro daquele banheiro limpinho lavei minhas mãos
Sem coração
Matar minha mulher foi uma dádiva
O mal da santinha foi achar que todo mundo era otário
Falar dos outros é fácil
Quero ver ser diferente
Mas a vida pune
A natureza marca
E a lei do eterno retorno é infalível
Eu ganhei dinheiro pra fazer e faria de graça
Estou de alma lavada
Sigo o meu caminho
Morte as filhas da puta
Vida longa as vadias mimadas
Sorte as compulsivas por esculachos
Só as viciadas em sexo merecem viver
A mulher escolhe como vai ser reverenciada
Ela pode ser a trepada
Ou ser lembrada porque fazia um feijão gostoso
Um brownie maneiro
Passava aspirador em casa
Lavava uma louça
Fazia a cama
Essas merdas
Meu desprezo aos restos
Meu mantra agora é outro
Quem reclama muito e não fode se fode
Mulheres que não fodem merecem a machadinha
Abram os olhos
A maletinha da faxina pode estar em sua porta


Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at www.pablotreuffar.com
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

terça-feira, 7 de outubro de 2014

POEMANIFESTO – SE POESIA NÃO VENDE



Se poesia não vende,
compremos então um naco do coração do poeta,
enegrecido pela fumaça do cigarro e embrulhado em papel de pão

Compremos um ou dois de seus maiores cílios,
pontiagudos e piscantes – para servirem de enfeites de abajur -,
um saco de suas unhas roídas
e alguns chumaços de seus cabelos revoltos

Se poesia não vende, adquiramos três quartos
de músculo dos braços dos poetas, fatigados, do cotovelo ao punho,
da escrita, fenecente e morta, corcunda sobre a máquina

Em prestações, financiemos seus rins
ou um ou outro fígado de bons poetas menos alcoólicos

Com um ou dois anos de consórcio,
você poderá adquirir, novinho, um poeta,
desses recitantes, das novas tendências,
mais contemplativos que românticos

Aderindo a algum novo plano de saúde,
poderá adquirir as amostras de sangue,
chapas de pulmão e até mesmo um eletrocardiograma recente
dos batimentos cardíacos do escriba

Raridade seria um encefalograma que demonstrasse,
em gráficos, as tendências modernistas de seus versos livres
e como Rimbaud e Baudelaire fizeram sua cabeça

Se poesia não vende, adquira ao menos um pôster nu do poeta
e o afixe na porta de seu banheiro – muitos deles, os poetas, são bem gostosos!

Faça uma gincana de poetas ou mesmo os apedreje,
amarre-os em praça pública com coleiras de couro
ou os enjaule em grades de roliços ferros fundidos

Os que não forem adotados na exposição, enviem para amigos e parentes distantes
-“não queremos cuidar de poetas nesta casa”- disse a mulher, tia que mora em Maceió, ao receber, de surpresa, o recém-chegado poeta devidamente remetido a ela
pela família do Sudeste

Se poesia não vende, contrate um poeta para sua festa de debutante,
depois de alguns goles a emoção toma conta
e os convidados gostarão da leitura completa
dos picantes poemas de Hilda Hilst

Se poesia não vende,
então não negue nunca um trago, um tapa,
nem tempestade ou maremoto,
um riso ou um resto, um cuidado
ao atravessar a rua ou um afago
na nuca
do poeta

E se lhes der uma pouca,
qualquer que seja, atenção
eles, de olhos vibrantes
fantasmagoricamente voltarão,
com ideias na cabeça,
quase como delirantes
cineastas do Cinema Novo
e lhe ofertarão, segurando com todo o cuidado
- como se fossem afiadas navalhas cortantes
ou mesmo o pequeno corpo morto de um recém nascido -
pilhas de seus poemas, rabiscados,
nas mãos

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eleições 2014 sob a ótica de um eleitor-leitor que leu o pequeno texto do Bertoldo ou o naufrágio do sufrágio



01) Dilma Roussef - candidata da situação à reeleição cujo partido, antes de se tornar situação, era a melhor opção pra quem desejava uma aurora menos cinza. sempre com cara amarrada, parece pronta a cravar as unhas no pescoço de algum desavisado. passaram-se os anos e ninguém que tenha vivido o antes e o depois pode negar que a coisa melhorou um gole. hoje o povo brasileiro menos favorecido pode ser entregar a luxos dantes impensáveis, como comprar um fardo de cerveja importada. mas o partido, no afã desesperado de se perpetuar no poder, se perdeu e descambou na mesmice pantanosa daqueles mesmos partidos que tanto criticaram no passado. o fim justifica os meios, por mais pestilentos e nauseabundos. lamentável, especialmente para mim que, sendo um eterno lago de paciência, naqueles idos de 1989, por pouco não me engalfinhei com um boçal na defesa do meu ideal representado por aquele ogro barbudo de fala cavernosa e língua presa.
02) Aécio Neves - primo siamês do ex-presidente fernando collor. cara de playboy criado a leite semidesnatado com pera, mamão papaia e sucrilhos kellogs. o fofucho cresceu e, na adolescência, passou a frequentar o iate clube aos domingos, para relaxar e se curar dos excessos das baladas de sábado à noite, regadas à jack daniels com red bull, drogas diversas, muito sertanejo universitário e a mulherada doida pra passear na carroceria da camioneta presenteada pelo papai, aquele mesmo que, de quando em quando, vinha resgatar o filhinho na delegacia. puto, chegava dando esporro: "porra! vocês estão de sacanagem? prender meu filho só porque ele bebeu algumas garrafas de uísque, capotou com o carro e morreram 3 pessoas? foi só um acidente, caralho! eu pago a porra toda! vamos embora, filho, esse pessoal parece que nunca foi jovem. papai dá outro carro, novinho e mais possante, tá?"
03) Marina Silva - chata pra caralho. cara de anfíbio, voz esganiçada, discurso confuso. estivéssemos nos 70 e ela fosse candidata a integrante dos novos baianos, votava nela sem titubear, desde que não cantasse, só compusesse. vejo uma trilha errática em meio à selva difusa nebulosa que vai descambar na sociedade alternativa sonhática. ou não. caso perca a eleição, fecha fácil uma parceria com o rapper criolo.
04) Luciana Genro - sem marina, ganharia o troféu 'mais chata da eleição' sem maior esforço. estuda ciência política na UFRS desde os 05 anos de idade; em casa, papai toma as lições. fez pós-graduação em retórica, mestrado em oratória, doutorado em dialética. poderia ganhar a eleição mas um grave deslize do passado, mancha indelével na sua bela história de vida, torna-a persona non elegível: ela tirou uma foto em cuba, de boina vermelha, com a estátua de che guevara ao fundo. perdeu, maluca.
05) Levy Fidelix - mineiro de Mutum, baixinho, gordinho, bigodudo e macho até a raiz do cabelo que sobrou atrás do cocuruto. se eleito, promete dar um gás, com o apoio do candidato Eymael, na combalida TFP e restabelecer o poder da tradicional família brasileira. seu lema: “a moral acima de tudo”. criará centros de pesquisa e reabilitação hermeticamente fechados para casais LGBT, onde especialistas altamente gabaritados tentarão provar por meio de experiências científicas que aparelho excretor não faz filho e que todo homossexual é útil na forma de adubo.
06) Pastor Everaldo - promete instituir o bolsa-danoninho e o vale-grapete. não sabe o que é previdência social mas sabe tudo de dízimo e gosta muito de púlpito. se pressionado, peida.
07) Eduardo Jorge - sempre que o vejo, penso em Trindade, Paraty. penso em praia, ondas, ondas quebrando na praia, onda, muita onda, viagem à lua, lua cheia, luau, estrelas brilhantes, hippies, dreadlocks, fogueira, alguém toca um violão, dança, roda, tudo roda. areia fofa. fogo colorido no céu. o mundo é lindo. A natureza é nossa amiga. a vida é boa demais.
08) Eymael – não convocado ao debate. menos de 1% das intenções de voto segundo os principais institutos de pesquisa. sabe-se tão só da parceria com o candidato Levy Fidelix no projeto Câmara do Amor Livre, destinado à reabilitação de homossexuais com vistas à reinserção na tradicional família cristã brasileira. 
09) Zé Maria – não convocado ao debate midiático. menos de 1% das intenções de voto. inexpressivo. peru de festa. sem nenhuma chance. acha que ficou bem na foto do site do TSE. só isso. mais nada. acabou. 
10) Mauro Iasi – vide Zé Maria.
11) Rui Costa Pimenta – vide Mauro Iasi.  


Face às facetas, provavelmente, uma vez mais irei no bom e velho voto-cacareco: zé maria presidente.

sábado, 4 de outubro de 2014

Administrando ansiedades


Sabadão modorrento, poucas coisas na agenda, ainda sem tomar o goró sagrado do fim de semana. O que explicaria isso? As demandas necessárias para empreender, mais uma vez, uma viagem ao Velho Mundo, onde tentaremos novamente levar um pouquinho de nossas letras. 

Tendo como companhia  o comparsa barnasiano Wilson R., vamos lá meter as caras na maior have literária do planeta, o quintal dos alemães (já que vieram aqui e levantaram uma taça, porque não podemos fazer o mesmo por lá?). De quebra, apresentar para meio mundo o barato que é esse povo doido do Bar do Escritor. 

Tentaremos mandar notícias e escrever algo sobre o que rola por aquelas bandas.  


É isso, se não estivermos em algum boteco...



Fiquemnapaz, cambada.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Convidado Miguel Gomes

Capítulo 1 - De Criança a Homem, numa chamada.

Era manhã de sábado.  Eu tinha aquela sensação boa de ser um dos 2 curtíssimos dias de fim-de-semana. Aquela sensação de descanso, de não fazer nada. Era o dia de ficar em casa, de pijama, a olhar para a televisão enquanto comia bolo de mármore, fofinho, fatia a fatia. Este era o típico e o melhor dos cenários.
Porém, nem tudo é como nós desejamos... Recebi uma chamada...
- "Tou" ?
E, de repente,  a manhã de sábado de suposto descanso tornara-se uma manhã pálida, com a televisão desligada, com o bolo de mármore escondido e só. Apenas eu, a mesa, o jornal, o telefone e uma inútil esperança de arranjar emprego. Como haveria eu de me sustentar? Eu que vivia sozinho, no meu apartamento T1, com uma cama barata e uma televisão com os canais nacionais apenas. Não iria de certo pedir dinheiro aos pais, aos amigos, nem pedir esmola na rua. Não, não queria chegar a esse ponto. Ao ponto de ser gozado e a minha reputação de garanhão iria por água a baixo.
Eram já 4 horas da tarde e já havia tentado dezenas se não centenas de oportunidades de emprego. Mas nada resultava. "Pedimos desculpa, mas se não tem o 10º ano, não poderá entrar para a nossa empresa".
E o tempo passava... Mas porquê esta estúpida ideia de sair da escola no fim do 9º ano? Porquê? Achava eu que ia ficar a trabalhar naquela treta de arrumador de caixas dos supermercados, ou lá como se chamava. Eu, como só trabalhava para sustentar a minha vida de solteiro, nem queria saber o que eu fazia, desde que o cheque com os números do salário mínimo estivesse nas minhas mãos ao fim do mês.
Enfim, era Domingo e agora tudo parecia importante. Eu, que nunca me importara se a porta estava quase a cair ou se as escadas de madeira antiquíssimas deveriam ser substituidas, estava agora importado com tudo. Importava-me com a canalização, as contas da água e da eletricidade. Estava com medo de as receber, mas principalmente de as pagar. Certamente que nem as do mês em que estava poderia pagar, porque todo o dinheiro que ganhava era dividido em noitadas, bebidas, até prostitutas e, eventualmente drogas, porque não era uma pessoa que se viciasse facilmente. Fumava o meu cigarrito 4 vezes ao dia, mandava pela varanda a baixo e divirta-me a vê-lo acertar na cabeça das pessoas que passeavam na rua, e depois fugir como se fosse uma criança.
As semanas passavam, e eu estava agora decidido a mudar. Talvez o despedimento tivesse sido um mal que veio por bem. Treinava agora malabarismos para ganhar uns trocos na rua. Quem sabe, se nos instantes encarnados dos semáforos não ganharia eu algo para comprar comida água e para entregar a roupa à lavandaria. Eu não queria que os meus pais soubessem, fingia estar tudo bem.  Nem lhes pedia um bocado de comida que fosse. Nem um resto de um almoço em família que se fazia de 15 em 15 dias, aos domingos. Domingos esses em que eu deixei de fingir não fumar, deixei de fingir ter um trabalho estável e uma vida igualmente estável, repleta de amigos e de quem me queria bem.Deixava de ser quem era. Porque agora eu tentava algo novo. Além de malabarismos, tentava ser um "Homem".
Foi então, num daqueles dias monótonos de malabarismos para cá, malabarismos para lá, que um homem me interrogou:
- Porque fazes isto? Porque começaste e continuas a fazer isto?


---

Miguel Gomes

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Me Morte do ††† Vale das Sombras†††





    

Me Morte nasceu quase junto ao Vale. Na verdade sempre gostei do goticismo. É uma atração inexplicável! O modo de vida, os pensamentos, atitudes, a maneira com que encaram a vida. Mas nunca aceitei o lado rotulado do estilo: “que gótico só pode usar preto”, “que nunca sorri”, a ligação com satanismo e outros rótulos.O que eu via nos jovens era uma necessidade de chocar os mais velhos, seguindo um caminho muitas vezes sem volta. Dizia-se gótico se já tivesse falado ou se ligado à morte ou suicídio. Foi dessa revolta que surgiu a idéia do Vale das Sombras. Um cantinho para se falar de literatura e goticismo. Fazer a ponte entre os dois. Versar sobre a morte sem precisar morrer. Levar as pessoas a uma melhor convivência com essa palavra que assusta tanto. E, finalmente, tirar esse rótulo de que para ser gótico precisa necessariamente ser depressivo e em algum momento da vida ter tido alguma experiência com a morte.
No dia 23 de fevereiro de 2006 nascia o Vale das Sombras e a partir daí foram muitos concursos de poemas sombrios. No começo tímidos, cheios de erros e tentando se enfiar de cabeça no tema, que era apaixonante. Depois, mais ousados, chegando mesmo a conta de 50 ou mais poemas por concurso. Depois, periódicos, os concursos se tornaram vitais para o movimento.
O Vale lançou cinco e-books que estão no Recanto das Letras para quem gosta do estilo poder baixar.
“Somos um bando de jovens, de corpo ou de espírito, que acredita que estilo gótico é arte e não precisa necessariamente ser rotulado de louco ou depressivo.”
O E-book do Vale nasceu da idéia de registrar essa história e dele fizeram parte escritores a pessoas envolvidas com artes em geral. Entre eles a Banda Anarquia89, o escritor Giovani Iemini do Bar do Escritor, Carlos Cruz, nosso xerife querido, os ilustradores LUCASI e Rafael Pereira, que nos brindaram com capas maravilhosas e muitas outras feras. A idealização e coordenação editorial foi de Me Morte/MPadilha, projeto gráfico e editoração de René Ociné e colaboração de muita gente de talento!

O Projeto do Vale morreu com o Orkut, porém a mensagem que tentou passar ficou na cabeça e coração de muita gente que até hoje reclama a falta dos concursos. Eles voltarão, com certeza, mas com outra roupagem, porque o Vale das Sombras é único e jaz com suas almas atormentadas pelas galerias que restaram naquela rede social.

Mas, escrevi tudo isso para anunciar que a cria e herdeira dessa bagunça toda, o personagem Me Morte, que se tornou naquela época heroína dos quadrinhos através do ilustrador LUCASI e entrou para a ”Turma dos Radicais” com história e tudo, agora, em 2014, finalmente entrará para o catálogo dos heróis brasileiros, fazendo parte de 600 personagens de grandes ilustradores talentosos! Eu estou feliz como se um filho tivesse se formando e eu participando da formatura, corujona, chorona e muito feliz!

Por isso hoje agradeço a todos que me ajudaram nessa conquista, ou seja, todos que fizeram parte de minha grande história aqui na Internet: “O Vale das Sombras”. De coração, valeus!



MPadilha/Me Morte

Obs.: quando estiver pronto mando o link do catálogo para todos apreciarem, por enquanto, recordem aquela fase maravilhosa baixando os e-books do vale aqui:

domingo, 28 de setembro de 2014


Sabes amiga? Este tempo que passa por mim, ao de leve, em sensações serenas, é aquela dádiva de Deus, que estava adormecida em mim. Não quero saber muito do futuro, quero ter sustentabilidade no presente, entrar em casa e saber preservar o meu lar, torná-lo confortável, amigo de um corpo e de uma alma que carrega mazelas de um passado que urge desabitá-lo.

Por vezes pode acontecer eu questionar se sou feliz… mas que poderei pensar eu? A felicidade está em cada momento que nos entregamos às pessoas de alma aberta, é o sentir que somos bem-vindos, é a entreajuda, é amar sem querer nada em troca.

Página 180
brevemente

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Nuance

vida pulsante
vida que vibra
em cada traço
do semblante
em cada nuance
em cada gesto
o riso do ser grato
que elege
valer a pena
cada cena
cada segundo
neste mundo
vida que contagia
quem diria
o cético descrente
vida que dá vida
à pobre vida da gente

(em 18/07/2014)

Stalingrado

rastejo
entre escombros e corpos
escalo
quieto
os pontos-chave:
tocaia

espero

miro
e o tiro atinge
e tinge em rubro
o manto cinza

era ele ou eu
eram eles ou eu
eram vidas
e a minha
ainda viva
morreu

(Inspirado no filme "Enemy at the Gates" de 2001 que conta a história do atirador de elite do exército russo Vasily Zaitsev na defesa de Stalingrado durante a Segunda Grande Guerra - Maio/2012)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Antes do fim chegar

Quando eu morrer, queimem meu corpo e coloquem as cinzas nos canteiros com plantas da casa em que cresci na aldeia. Antes, bebam, riam, lembrem das nossas histórias e toquem umas canções. Quem sabe alguma coisa do Paulinho da Viola, do Chico Buarque, da Legião Urbana, do Pearl Jam. Façam uma mistura grande, uma farofada mesmo, essa mistura toda que me formou.

Esse é meu desejo. Se puderem cumprir, que seja. Espero não dar muito trabalho. Se não puderem, entenderei também. Ou não, já que morto, em tese, não teria condições de relativizar a situação. Mas fiquem tranquilos, não atormentarei ninguém, juro.

Minha avó, por exemplo, sempre disse querer ser enterrada de pé. A morte, rápida, um mês entre a descoberta da doença e o fim, atrapalhou as coisas: ela não falou sobre isso, os filhos fingiram que esqueceram. No enterro, não havia meio de enfiar o caixão deitado na gaveta. Levou uns 40 minutos até que muitos homens, além do coveiro, esforçados, conseguissem resolver a situação. Parecia haver dedinhos invisíveis segurando. A gente até riu de tudo isso, como uma forma de aplacar a dor.

Tenho pensado na morte ultimamente. Mais que o normal. Ver tanta gente boa morrer, próxima e distante, mas conectada de alguma forma, faz isso. No fundo, depois de várias conexões possíveis, volto sempre à mesma questão: é estúpida a morte. E como é.

A mãe de dois amigos queridos foi atropelada por uma bicicleta lá na aldeia. Na rua de casa. É a cena da qual provavelmente riríamos. Como sempre fizemos, aliás, rindo das nossas desgraças, dos fracassos, das nossas tragédias pessoais, coletivas e individuais.

Só que dessa vez não teve graça. A estupidez dela, da morte, veio rasgando. E o atropelamento de bicicleta virou morte cerebral. Em horas, dias, quase uma semana, não sei e nem importa. Estúpida a forma, estúpida a morte.

Nunca sei o que pensar nesses momentos. Como a gente consola alguém diante de uma coisa assim?, o que a gente diz?, não sei, não sei. Acho que a gente só deve chorar, a única forma de expressão sincera desse sentimento esquisito que vem. E, claro, dizer que tá ali, por perto, e pras pessoas ficarem firmes.

Mas é maior que isso. Fico pensando em quantas vezes na vida, nos próximos anos, vou ter, teremos nós, que nos deparar com situações, se não iguais, parecidas. E como em todas as vezes que penso sobre isso, reforço a certeza de que não estou preparado pra lidar com a morte.

Nem sei se alguém está. Só que a gente perde as pessoas sem estar mesmo. A gente recebe o soco, empurra o soco de volta e tenta transformá-lo em lágrimas e lembranças. Às vezes, literatura ou música.

Um pouco por tudo isso, voltar à aldeia é sempre pensar em saudade. E só aumentará, penso, essa sensação. Porque as coisas seguem, a vida segue, as pessoas envelhecem e morrem. E nem sempre envelhecem antes de morrer.


A verdade é que escrevi tudo isso pra falar as coisas de sempre, que a gente tá cansado de saber, que dói, às vezes, que a perda é foda, sempre. Então desculpa os clichês que estiverem soltos pelo caminho, mas escrevi pra falar, porque a gente precisa falar, precisa colocar pra fora essa coisa meio angustiante que toma a gente quando alguém morre. Não importa se próxima ou distante, tenho aprendido isso a cada dia, a morte de alguém querido, pra nós ou pros nossos queridos, é sempre uma força quase inconsolável que esmaga tudo por dentro.

Outra verdade, desculpem, não era só uma, é que escrevi pra lhes pedir o impossível. Amigos e amigas, não morram. Não, por favor, não morram. Vamos fazer o seguinte: vivemos todos até os 100 anos e, depois disso, começamos a evaporar devagarzinho.

E, se por acaso não for possível mesmo, que a gente possa se encontrar mais antes do fim chegar, porque a gente não sabe nunca quando ele vem, e ouvir mais músicas juntos e rir mais de tudo, de todos, dos outros, de nós, dos riscos. Da vida. Fazer as coisas que sempre fizemos, uma farofada mesmo, como sempre, essa mistura, essas grandes misturas que nos formaram.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

FLASHBACK LITERÁRIO V

FLASHBACK LITERÁRIO V

2008: a batata sempre assa, não é mesmo?

Abraços Literários e até +.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Antropofagia


Depois de um dia cansativo, dando suor e sangue no trabalho, ele sentou-se à sua poltrona, no meio da sala. O filho surgiu correndo pelo corredor, saltou sobre ele e lhe deu um abraço apertado. Já sem forças, retribuiu com um beijo no rosto e disse para o garoto que se sentasse no chão para que pudesse prestar atenção no jornal.

Após uma notícia, o garoto ficou curioso e perguntou:

– Como é que as vacas ficaram loucas?

– Elas foram alimentadas com ração que continha carne de vaca e um monte de produtos químicos, daí elas ficaram doentes e enlouqueceram.

– Então as vacas que se alimentaram de vacas são chamadas de vacas loucas?

– Sim. Isso mesmo.

– E como é que são chamadas as pessoas que se alimentam de pessoas?

Após pensar um pouco, no seu dia e no estado em que se encontrava, ele respondeu:

– Chefe, meu filho. Nós chamamos de chefe.



domingo, 21 de setembro de 2014

Poema de Mar


Rotina das ondas
Pelo foco da retina,
Câmera e ocular.
 
Registros do silício,
Pulsos singulares
Há tempo navegar.
 
Barcos saindo e voltando
Trazendo redes, peixes,
Pescador salgado.
 
Ruído branco,
Conchas, mar, areia...
Azul espera.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Falei o que acho.

Sei que nessa época é quase inevitável
Não falar nesse tema de eleição
Tento apenas ser maleável
Mesmo sem dar muita atenção

É que esse raio de assunto
Parece sempre vir junto
Esteja você em casa, na rua
Andando acompanhado, ou na sua

Ou o que é ainda pior
Estampado em um outdoor
Aquele rosto falso e sorridente
Buscando voto até de indigente

O discurso é: se não votar nessa eleição
Não estará fazendo seu papel de cidadão
Agora diga-me: qual a minha opção?
Se só se candidata ladrão?

E outra: pode mudar a cara, o sexo
A legislação vigente continua sem nexo
Enquanto não reformar o judiciário
Só ladrão de galinha vira presidiário

Ano passado o povo saiu para se manifestar
Gostei, tem mais mesmo é que protestar
Mas e depois, o que aconteceu?
Quem está no poder já esqueceu

Veja bem, sei que o assunto causa polêmica
Mas e a corrupção no país, não é endêmica?
Por isso prefiro não comentar
Apenas o meu voto anular

Você pode dizer: ‘mas o país é maneiro’
Se você acha isso, já foi pro estrangeiro?
‘Pelo menos aqui não tem guerra!’
De fato, mas que o povo se ferra, se ferra!

Meu negócio é mudar pro exterior
Lá até um forasteiro é tratado com mais valor
Ter uma vida mais decente, mas de luta
Não ser usurpado por mais um filho da puta

Uau, foi tanta indignação que passei do ponto
Melhor ficar quieto e me fazer de tonto
Perdoem-me por deixar escapar um palavrão
É o tema em questão que está cercado de podridão

Se fui inconveniente?
Não sei, mas estou consciente
Caso a rima tenha sido consistente
Atenção, o país que você mora está doente...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Pentecostes

Balruje ebis az actis,
Lareamta um ducaco avias ibo.
Gavani atu om lactis,
Muto bonati avarac pulibo.

Xataomi! Mulariar ov bononi abari,
Mist avarac olovanimat Isdinote.
Acatomi! Lactvaris av mumpi podari,
Mist olariv amraviri lameque mustanote.

Kataroc ombi alavava noteratu lala,
Karatoc ambi camatico estes libro.
Karatoc ombi putis que paritis lala
Karatoc ambi venenus ov av matribro.

Balruje ebis az actis,
Balruje ebis az pulibo.
Balruje ebis az mustanote,
Balruje ebis az matribro. 

Do Olimpo

Do Olimpo



no olimpo
não há faxineiras.
há cálices
sangrando nos
corredores
e deuses
junkies
desfalecidos
pela sala
com gozo pintado
em paredes inteiras.
e é sempre tudolimpo

André Espínola

(poesia presente no Ebook "Apenas Cinco Minutos")


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fado

Meu coração emotivo e ingenuo, 

fardado com milhares de filamentos,
vividos cardiopétalos e hematopoéticos, 
a brotar de amores eviternos e dores cardiopatias.             
                                                     
Minha mente inteli'Gentil e sorrateiramente fértil
toma novos ares, novos pilares, 
o clarear de ideias,
vulgares aos olhos de gente indiferente.

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Eu mutável 


Minha cabeça, toma novos ares

minha boca, novos cantares
meus olhos, novos olhares
meu corpo, novos alegrares e cansares
nas diferentes fases lunares
em meio a tantos lugares
haverá sempre novas facetas, novas façanhas, novos ares.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

13 000 livros do BAR DO ESCRITOR.




Com o lançamento, em breve, da próxima antologia do movimento literário Bar do Escritor, ultrapassaremos a marca de TREZE MIL LIVROS publicados. É um orgulho. O BdE firma-se como uma legítima manifestação literária originada diretamente da World Wild Web, provando que a anarquia bem intencionada é absolutamente produtiva.
A Quinta Barnasiana terá edição de 2400 exemplares, 240 páginas com 39 escritores, de 8 estados brasileiros e um de Moçambique.