segunda-feira, 24 de outubro de 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
Contra o tempo
Escrito por
Rodrigo Domit
Explicou ao filho as coisas da vida e do tempo. Para facilitar, usou o relógio de exemplo:
– Aquele é o tempo, passando.
– Ele fica dando voltas?
– Nem sempre, às vezes passa correndo e nunca mais volta, por isso precisamos correr atrás do tempo.
No dia seguinte, após observar o relógio por horas, enquanto o pai corria de um lado para o outro, o garoto retrucou:
– Você disse que a gente tem que correr atrás do tempo; Mas ele tem uma perna bem maior que a outra, nem consegue correr. A gente é que tem que andar com mais calma, para não deixar ele para trás.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Leia Agora, Serviço de Utilidade Pública!!
Escrito por
André Bortolon
Hoje vou ser breve. Em poucas linhas vou
transmitir a você, leitor e leitora, o que quero lhes dizer. Sei que seu tempo
é curto, assim é o meu também. Então vamos ao que interessa.
Primeiro, o que te faz parar o que você está
fazendo para ler algo? O título? Uma foto que vem logo abaixo ou acima dele (do
título)? Ou você pára o que está fazendo para ler, pois o que você faz te
cansa, e assim, essa leitura poderá te distrair por uns instantes? Se encaixa
num destes perfis? Bem, vamos adiante. Não posso demorar.
Quem sabe você lê porque, ora bolas, você lê
muito. Uau, sim, eu estou ligado que existem pessoas como você. Que devoram
tudo o que veem pela frente. Que andam pela rua, lendo sob um sol infernal, no
meio da multidão. Pessoas que, na falta do que ler, leem toda a bula do remédio,
ou o manual inteiro do motorista do carro (números e siglas inclusas). Que bom
– você certamente vai ler isto, por isso já lhe agradeço aqui, antes do fim
mesmo. Mas falta só mais um pouquinho, vamos ao próximo parágrafo...
Bem, se não leu pelo título chamativo, ou pela
foto chamativa acima ou abaixo do texto, se não leu para se distrair duma
tarefa chata (ou de alguém chato!!), e se você não é o leitor devora-tudo do
parágrafo acima, bem deixa-me ver... Não sobram muitas opções, acho eu...
Rá!!! Já sei!
Você é aquela pessoa que não lê nada. Eu sei,
eu sei. Você é muito legal e tudo, mas você não lê, certo? Nada contra, você
apenas não lê. Sim, eu sei que lá no fundo você é gente fina e tudo mais... e ora
bolas, pra que ler, hum? Afinal de contas... você já sabe de tudo mesmo! Mas é lógico
que sabe! Não, não estou sendo sarcástico, até porque, você já viu tudo no
noticiário de ontem, inclusive isso que estou escrevendo agora. Eu sei que
sim!! E sabe o que mais? Vai acabar no próximo e último capítulo, aqui ó...
Eu sei quem você é, sabia? Quando eu falo com um
de vocês, é pra já que reconheço. Vocês andam como se uma aura de sabedoria
cintilante estivesse sobre as suas cabeças. É fácil notar. Bem, você deve
saber, afinal você sabe de tudo. Inclusive que ler não é para você. Isso, deixa
pros outros, vai. Seja bonzinho. Há muitas coisas boas reservadas para a sua “qualidade”
de pessoa. A política, por exemplo. Para ela existir, é fundamental que gente
como você continue sem ler; viu só? Então, sem mais delongas.
Paro por aqui, conforme prometido; hasta la
vista, baby!!!
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Sem título
Escrito por
Unknown
Que lucidez despertará tua manhã
que maça morderá teu desejo
que vociferar rugirá tua coragem
que janela abrirá teu peito
que sexo revigorará teu corpo
que poesia começara de novo
quando o sol parir teus versos e beijos
que olhar pupilará o céu do teu pensamento
que surpresa presenciará tua essência una
que brancura de horizonte beberá teu deleite
que cara lavada terá tua consciência
quando a poesia lavares na pia
que grito desabafara teu mundo
quando cargas d'Água levantares tua cabeça
que caminho levará teu passo ao outro lado do presente
que cosmo arrepio sussurrará em tua pele
quando ventos solares assobiarem em teu ouvido
quando pássaros cantarem as asas do teu ser
que ruga do tempo apanhará teu sorriso preso
que ruga da tua história lembrará aquele que ficou vivo de ti vivo
quanta alegria dormira tua realidade
quando teu sonho silenciar a vida
que precipício jogará teus sonhos
que sente sentirá nossos ossos
que chuva matará nossos corpos
que recordação carregara no bolso d memória
que que se queixara tua querencia
que olá dirá tua saudade
que distância liga teu reencontro
que desejo reciproca teu caminho
que estrela gritará teu voo noturno insólito na madrugada
quando o silêncio gritar mais alto em tua liberdade
que procura encontrará teu pensamento a reencontrar-se
que loucura repousará teus olhos estasiados e habitará teu reino
quando habitar em ti os sonhos mais deusvaneios
que sorrir sorrei sorrirá teu seio
que vento penteará teus longos cabelos
quando ele passar anunciando
que turbilhão fará teu coração
quando a tempestade tocar-te com fúria e som
que partituras comporá com a visão de novos sóis
que tropeço acentuará tuas sobrancelhas alto como faróis
que caminhar acalmará tua alma
que fruto morderá teus dentes
quando o néctar solar irradiar tua mente
que dengo fará tua vontade
quando o que querias era outro alguem
que feridas esconderá no escuro
quando alguem amares demais
que falta não terão mil palavras
quando beijares tua mulher
quão ventos loucos serás
quando cavalgares nas crinas do vento
que maturescência terá tua juventude
que juventude terá tua maturescência
que musica tocará tuas pálpebras nas noites insones
quando grilos velarem as estrelas
que espada empunhará tua mão
quando começar a guerra de teu coração
que deuses adorará
quando de só um precisar
quem estará contigo
quando não tiveres mais ninguém para estar
que será do teu ser
quando sendo ele não se foi
que será dos teus escritos
quando não tiveres mais que escreve-los
que céus descansará tua alma
quando o teu corpo estiver morto
que poder terá tua palavra
quando não disseres nada de novo
que sentido terá teu sentido da vida
que resposta responderá tua pergunta
quando a própria interrogação foi você
que grave espanto no rosto brilhará tua certeza
que dor no peito sofrerá tua duvida
que camisa de força aprisionará teus sonhos de viver
que sombra inundara teu sono
quando dormires no acalanto estelar
que silêncio fará tua vida
quando a morte em ti chegar
que abraço estará seguro
quando o sol amanhecer e afastar as sombras
que imenso vazio preencherá tua realidade
quando mais nada existir
que lama levantará teu corpo da cama
que bençãos receberam teu corpo
que ar tomará tua alma livre
que riso de criança derrubará teu orgulho
que pegadas deixará teus passos
quando caminhares na estrada da vida
que espinhos pisaram teus pés
que calmaria fará teu tormento
que ais sentirá tua dor
que será do teu amor?
que maça morderá teu desejo
que vociferar rugirá tua coragem
que janela abrirá teu peito
que sexo revigorará teu corpo
que poesia começara de novo
quando o sol parir teus versos e beijos
que olhar pupilará o céu do teu pensamento
que surpresa presenciará tua essência una
que brancura de horizonte beberá teu deleite
que cara lavada terá tua consciência
quando a poesia lavares na pia
que grito desabafara teu mundo
quando cargas d'Água levantares tua cabeça
que caminho levará teu passo ao outro lado do presente
que cosmo arrepio sussurrará em tua pele
quando ventos solares assobiarem em teu ouvido
quando pássaros cantarem as asas do teu ser
que ruga do tempo apanhará teu sorriso preso
que ruga da tua história lembrará aquele que ficou vivo de ti vivo
quanta alegria dormira tua realidade
quando teu sonho silenciar a vida
que precipício jogará teus sonhos
que sente sentirá nossos ossos
que chuva matará nossos corpos
que recordação carregara no bolso d memória
que que se queixara tua querencia
que olá dirá tua saudade
que distância liga teu reencontro
que desejo reciproca teu caminho
que estrela gritará teu voo noturno insólito na madrugada
quando o silêncio gritar mais alto em tua liberdade
que procura encontrará teu pensamento a reencontrar-se
que loucura repousará teus olhos estasiados e habitará teu reino
quando habitar em ti os sonhos mais deusvaneios
que sorrir sorrei sorrirá teu seio
que vento penteará teus longos cabelos
quando ele passar anunciando
que turbilhão fará teu coração
quando a tempestade tocar-te com fúria e som
que partituras comporá com a visão de novos sóis
que tropeço acentuará tuas sobrancelhas alto como faróis
que caminhar acalmará tua alma
que fruto morderá teus dentes
quando o néctar solar irradiar tua mente
que dengo fará tua vontade
quando o que querias era outro alguem
que feridas esconderá no escuro
quando alguem amares demais
que falta não terão mil palavras
quando beijares tua mulher
quão ventos loucos serás
quando cavalgares nas crinas do vento
que maturescência terá tua juventude
que juventude terá tua maturescência
que musica tocará tuas pálpebras nas noites insones
quando grilos velarem as estrelas
que espada empunhará tua mão
quando começar a guerra de teu coração
que deuses adorará
quando de só um precisar
quem estará contigo
quando não tiveres mais ninguém para estar
que será do teu ser
quando sendo ele não se foi
que será dos teus escritos
quando não tiveres mais que escreve-los
que céus descansará tua alma
quando o teu corpo estiver morto
que poder terá tua palavra
quando não disseres nada de novo
que sentido terá teu sentido da vida
que resposta responderá tua pergunta
quando a própria interrogação foi você
que grave espanto no rosto brilhará tua certeza
que dor no peito sofrerá tua duvida
que camisa de força aprisionará teus sonhos de viver
que sombra inundara teu sono
quando dormires no acalanto estelar
que silêncio fará tua vida
quando a morte em ti chegar
que abraço estará seguro
quando o sol amanhecer e afastar as sombras
que imenso vazio preencherá tua realidade
quando mais nada existir
que lama levantará teu corpo da cama
que bençãos receberam teu corpo
que ar tomará tua alma livre
que riso de criança derrubará teu orgulho
que pegadas deixará teus passos
quando caminhares na estrada da vida
que espinhos pisaram teus pés
que calmaria fará teu tormento
que ais sentirá tua dor
que será do teu amor?
domingo, 16 de outubro de 2016
Limpeza estomacal
Escrito por
Júlio Freitas
Vomite tudo de volta
o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu
arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo
ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.
o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu
arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo
ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.
sábado, 15 de outubro de 2016
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
sábado, 24 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Nau Lua
Escrito por
Angela Gomes
Ensina-me
uma canção
Para
despertar a lua
Desencantá-la
do seu sono
Imerso na densidade das esferas
Componha
uma canção
Isenta
de pecados
Dissolva-os
com a saliva
Do
nosso amor trocado
Componha
uma canção
Com
notas soltas
E
acordes de jasmim
Que
seja doce e,
Dissolva
na boca
Das
noites lilases
Na
transparência do negro azul mar
fim
Afete
O
amor
O
amargo
O denso
O fraco
Clareie a lua
A
sua canção
O
afeto
O
gosto
O
som
De cifra
Astro irradiado
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Svalbard, I Love You
Escrito por
André Bortolon
Durante seis meses, tive a oportunidade única de morar na cidade mais ao norte do mundo: Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard. Graças a um convite muito especial do explorador do ártico Chicco Mattos, consegui passar esse tempo de minha vida em um lugar ímpar.
Dona de uma natureza exuberante, com um clima subpolar, Svalbard possibilita aos seus visitantes e moradores a chance de testemunhar o sol da meia-noite em seu verão, e a noite polar em seu inverno. Durante a fase escura, vi um dos maiores espetáculos da natureza: a Aurora Boreal, e suas luzes verdes a dançar no céu estrelado do Ártico.
Dona de uma natureza exuberante, com um clima subpolar, Svalbard possibilita aos seus visitantes e moradores a chance de testemunhar o sol da meia-noite em seu verão, e a noite polar em seu inverno. Durante a fase escura, vi um dos maiores espetáculos da natureza: a Aurora Boreal, e suas luzes verdes a dançar no céu estrelado do Ártico.
Além do frio que senti, – com direito a um início de frostbite em meu rosto - vi uma natureza única de animais que sobrevivem ao frio intenso, e a beleza de aves que migram todo o ano para Longyearbyen. Vi a vida, através das pequenas pétalas das flores, que se multiplicam para tentar sobreviver ao verão a embelezam ainda mais este lugar, que agora faz parte de minha história, e que ficará para sempre no meu coração.
Longyearbyen, cidade mais ao norte do mundo
Rena típica de Svalbard no inverno
Eskerfossen, cachoeira congelada
O transporte mais comum de Svalbard no inverno: o snowmobile
Aurora Boreal em Adventdalen, início de março
Tempelfjorden
Uma barraca estilo indígena, clareando o branco da paisagem.
Aves migratórias - o fim do inverno chegando
Navio Nordstjernen, final de agosto
Natureza viva sobre o gelo
Eu em Magdalenefjorden
Uma foca solitária, repousando sobre uma pedra
A estátua de Roald Amundsen, o maior explorador norueguês, na localidade de Ny-ålesund
domingo, 18 de setembro de 2016
a recíproca é verdadeira
Escrito por
ofilhodoblues
eu sinto o blues o tempo inteiro,
todo dia.[1]
é minha sina, nasci com má sorte[2],
dizem,
ao menos foi o que uma cigana disse a minha mãe[3];
nasci com o blues e pronto[4],
minhas 24 horas do dia cantam os blues
incansavelmente,
e eu canto junto.
afinal, se os problemas fossem dinheiro,
eu juro que seria um milionários[5];
como não posso perder o que nunca tive[6],
eu continuo bebendo[7]
e esperando o sol bater na minha porta
algum dia[8],
pois os tempos são difíceis onde quer que você vá[9];
porque, sabe, é tão difícil amar alguém
que não ama você[10],
até porque ninguém me ama, a não ser minha mãe,
e olhe que ela pode estar bincando também[11],
mas logo eu estarei morto e dormindo a sete palmos do chão[12];
pois bem, é tanto blues na cabeça que
não sei se sou eu que sugo o blues,
ou se é ele quem me suga;
se eu o respiro ou se é o blues
que me re(in)spira.
André Espínola
[1] B. B. King – Everyday I Have The
Blues
[2] Albert King – Born Under a Bad Sign
[3]
Muddy Waters – Gypsy Woman
[4] Memphis Slim – Born With The Blues
[5] Albert Collins – If Trouble Was
Money
[6] Muddy Waters – You Can’t Lose What
You Never Had
[7] Pinetop Perkins – I Keep On
Drinking
[8] Big Bill Broonzy – Trouble In Mind
[9] Skip James – Hard Times Killin’
Floor
[10]
Son House – Death Letter
[11] B. B. King – Nobody Loves Me But My
Mother
[12] Howlin’ Wolf – How Many More Years
sábado, 17 de setembro de 2016
Vida'mor
Escrito por
Unknown
Quero a poesia madura
fruto recém colhido do pé
sabe-se lá o que é
não quero rascunho, esboço, nem tristeza
quero a palavra suculenta
antes que o fruto apodreça
quero as estrelinhas do teu corpo
afago de brisa
e sopro
quero a loucura escaldante
comer a polpa, a carnadura
a infinita tessitura do instante
quero a saliva
o sabor-a-ti, o orgasmo revigorador
antes de mais nada
quero a vida e o amor
fruto recém colhido do pé
sabe-se lá o que é
não quero rascunho, esboço, nem tristeza
quero a palavra suculenta
antes que o fruto apodreça
quero as estrelinhas do teu corpo
afago de brisa
e sopro
quero a loucura escaldante
comer a polpa, a carnadura
a infinita tessitura do instante
quero a saliva
o sabor-a-ti, o orgasmo revigorador
antes de mais nada
quero a vida e o amor
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Chuva de canivetes
Escrito por
Júlio Freitas
Pensava em um rumo
todos ali esperavam
todas as gotas
todos os minutos
todos ansiosos
aos poucos
eles iam embora
sozinhos
casais
ou grupos
tão escuro
tão frio
tão nervoso
estava na parada
seu ônibus
nunca veio.
todos ali esperavam
todas as gotas
todos os minutos
todos ansiosos
aos poucos
eles iam embora
sozinhos
casais
ou grupos
tão escuro
tão frio
tão nervoso
estava na parada
seu ônibus
nunca veio.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
sábado, 27 de agosto de 2016
São Thomé das Letras (MG)
Escrito por
Glauber Vieira
A cidade de São Tomé das Letras é um dos meus lugares preferidos, e sempre dou um jeito de passar por lá quando vou a minha Varginha, a uns 40 km de distância. A cidade é famosa pelo misticismo, bons restaurantes de comida típica e cachoeiras.
Não por acaso, mereceu uma poesia bem humorada, que estará no meu próximo livro, Poesia Estradeira:
São Thomé das
Letras
A nave
do ET de Varginha estava com o GPS quebrado
O que
queriam mesmo
era
flanar por São Thomé
pousar
perto da Pirâmide, de madrugadinha, sem ninguém por perto
sentar
no telhado, a 1400 metros de altitude
discar o
DDI, Discagem Direta Intergaláctica
e falar
com a patroa:
“Meu
bem, aqui é lindo! Daqui vejo nossa estrela:
tô pertim de casa!”
Do alto da gruta onde começou São Thomé, se vê a igreja matriz na praça
Igreja do Rosário
Pracinha com a estátua de Chico Taquara, morador já falecido, tido por alguns como um representante de outros mundos...
Uma lojinha de artesanato local, na entrada da cidade
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Cinzas
Escrito por
Rodrigo Domit
Em uma metrópole qualquer. Debaixo de uma chuva fina, mas tão fina que se tornava quase invisível, caminhavam lado a lado, de mãos dadas, o garotinho e a mãe. A mãe ia andando com pressa, sem dar atenção ao filho, arrastando-o pela mão.
Quando eles pararam em um cruza-mento, esperando o sinal abrir, o garotinho girou o pescoço e reparou no mundo à sua volta: nas centenas de pessoas apressadas, nas plantas, pássaros, prédios e tudo o mais. Após uma breve análise, por sinal muito precisa, ele virou-se para a mãe e perguntou:
– Mamãe, se os passarinhos são coloridos, as plantas são coloridas, os prédios são coloridos e até mesmo a comida é colorida... Por que é que as pessoas são assim, cinza?
E ele ficou olhando, esperando por uma resposta. Enquanto o rosto da mãe, por vergonha, passou de cinza para rosa.
domingo, 21 de agosto de 2016
Contraste
Escrito por
Angela Gomes
Como
pode haver poesia
Se
existem barrigas vazias
Se
há crianças em perigo
Refugiados
sem abrigo
Se
o medo é companheiro
A
liberdade usurpada
A
convivência insana?
Mas,
poesia é tão intensa que,
Crava n’ alma as dores e,
Faz
ouvir os gritos de pavores
Perceber
o amargo do sangue
As
cores que o corte derrama
A
lucidez que a tez exclama!
Rogo
em prece às Musas
Para
que o bom senso que jaz reviva
Como
brotos depois da chuva
Como
a paz que trazem as flores
Para
que viver e a Primavera
Continuem
a fazer sentido
(Angela
Gomes, 23/09/2015)
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Poetizo-me
Escrito por
Unknown
Faço de mim carne
Corpo para Deus manifestar-se
Faço de mim mente
Para Deus meus pensamentos povoar
Faço de mim espirito
Alma para Deus abençoar-me
E enfim faço de mim pássaro
Para com a liberdade poder voar.
Corpo para Deus manifestar-se
Faço de mim mente
Para Deus meus pensamentos povoar
Faço de mim espirito
Alma para Deus abençoar-me
E enfim faço de mim pássaro
Para com a liberdade poder voar.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Feito o diabo fugindo da cruz
Escrito por
Júlio Freitas
Ela saiu correndo
e o derrubou
e atordoado,
custou a perceber
o que havia acontecido
forçou as vistas
procurando
e foi atrás dela
Dobrou a esquina
e pôde vê-la
estava longe
nada mais a fazer
Lá se ia a sua boa sorte,
tropeçando num gato
e se esparramando numa roseira.
e o derrubou
e atordoado,
custou a perceber
o que havia acontecido
forçou as vistas
procurando
e foi atrás dela
Dobrou a esquina
e pôde vê-la
estava longe
nada mais a fazer
Lá se ia a sua boa sorte,
tropeçando num gato
e se esparramando numa roseira.
domingo, 14 de agosto de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Sutil
Escrito por
Rodrigo Domit
Cantarolando, colheu do chão uma flor cheia de pétalas. Delicadamente, retirando pétala por pétala, começou a falar, entre sorrisos e suspiros:
– Bem me quer... Bem me quer! Bem me quer... Bem me quer!
Um amigo um tanto sem sal, e totalmente sem açúcar, interrompeu:
– Não! Não é assim!
Ao que ele respondeu:
– Você só diz isso porque você não conhece ela!
E continuou sorrindo.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Conversas a sós
Escrito por
Angela Gomes
Conversas a sós,
Entre mim e,
Sombras que me habitam.
Entre as que me agradam
E, as que me irritam.
Na solidão de uma cela
Cheia da minha companhia.
No aconchego do descanso
E, terror da luz que as clareia.
Entre, quem ama e se odeia.
Entre o que se conhece
E o que não se imagina.
Ante a contemplação
Do que nunca termina...
Cosmos em átomos...,
Moléculas em desenhos abstratos.
Meu amor em um porta-retrato
Desbotado pelo tempo
Perdido.
(08/09/2013)
quarta-feira, 20 de julho de 2016
terça-feira, 19 de julho de 2016
Bush Doctor
Escrito por
André Bortolon
Arnaldo saiu de casa no horário de sempre. Banho tomado, cabelo penteado e baseado enrolado. Entrou no carro, selecionou no seu pen drive a sua coletânea preferida do Bob Marley, ligou o ar condicionado no talo e seguiu o seu tradicional trajeto da semana, por entre as ruas da cidade.
Arnaldo já sabia o tempo de percurso, tanto que sabiamente fechava o seu baseado tamanho extra large para, metricamente, fumar metade no caminho de ida, e a outra metade na volta. Sempre atento aos policiais ou guardas de trânsito, Arnaldo já tinha tanto a manha da coisa que escondia por entre seus dedos o cigarro de maconha de uma forma que poucos, ou ninguém, conseguiria perceber de fora o que era. Além de quê, seu carro tinha película e, devido ao calor tropical de sua cidade, Arnaldo sempre dirigia com os vidros fechados.
Na batida do reggae, Arnaldo prensava sua cannabis e viajava ao som do rei. Nada tirava-o do sério durante o seu ritual matinal. O trânsito, o stress, as discussões, tudo ficava de lado nessa hora. Absolutamente nada fazia Arnaldo perder sua calma. Apenas ele e seus dois Bobs, um no som do carro, o outro indo direto para a sua mente. Simples assim.
Quando o seu cigarro chegava à metade, Arnaldo já se punha a apaga-lo, geralmente entre as avenidas 07 de Setembro e Pedro II. A partir dali, se nada de anormal acontecesse, eram menos de quinze minutos até o seu destino final. Tempo para mascar um chiclete, e olhar no retrovisor a vermelhidão dos olhos. Mesmo tendo mais horas de fumo do que urubu tem de voo, Arnaldo ainda achava graça em olhar a si mesmo com as pupilas dilatadas – assim como quando era adolescente, antes ainda de entrar para a faculdade, quando Arnaldo fumara seus primeiros beques. Sim, Arnaldo parecia não perder aquele seu lado infantil, mesmo já estando perto dos quarenta – afinal, para ele, aquilo sim era a mais pura alegria.
Ao estacionar seu carro na vaga de sempre, Arnaldo pegou o colírio e pingou em seus olhos. Borrifou um pouco de perfume por entre os dedos e pelo pescoço e entrou no prédio comercial. Ao chegar no consultório, foi já de cara avisado pela secretária:
- Bom dia Doutor Arnaldo! Bem, são cinco pacientes agendados para a manhã, e quatro para a tarde de hoje. Isso se o seu Azevedo não aparecer aqui lá pelas duas horas. Aí já viu né... o que digo pra ele?
- Diga que espere. Se ele quiser uma reconsulta, vai ter de pagar. Não adianta querer fazer pelo plano, viu?
- Ah, vou dizer pra ele. Nossa, já estou até vendo a cara dele... Bem, já deixei seu chá gelado no frigobar e o café expresso na sua mesa, doutor Arnaldo. A primeira paciente já deve estar chegando...
- Obrigado, Marialva. Até mais!
Arnaldo entrou em seu consultório e ficou cantarolando a última música que escutara no carro. Bebericou o café e viajou o que pôde, até que sua primeira paciente chegasse e acabasse com sua festinha particular.
Arnaldo já sabia o tempo de percurso, tanto que sabiamente fechava o seu baseado tamanho extra large para, metricamente, fumar metade no caminho de ida, e a outra metade na volta. Sempre atento aos policiais ou guardas de trânsito, Arnaldo já tinha tanto a manha da coisa que escondia por entre seus dedos o cigarro de maconha de uma forma que poucos, ou ninguém, conseguiria perceber de fora o que era. Além de quê, seu carro tinha película e, devido ao calor tropical de sua cidade, Arnaldo sempre dirigia com os vidros fechados.
Na batida do reggae, Arnaldo prensava sua cannabis e viajava ao som do rei. Nada tirava-o do sério durante o seu ritual matinal. O trânsito, o stress, as discussões, tudo ficava de lado nessa hora. Absolutamente nada fazia Arnaldo perder sua calma. Apenas ele e seus dois Bobs, um no som do carro, o outro indo direto para a sua mente. Simples assim.
Quando o seu cigarro chegava à metade, Arnaldo já se punha a apaga-lo, geralmente entre as avenidas 07 de Setembro e Pedro II. A partir dali, se nada de anormal acontecesse, eram menos de quinze minutos até o seu destino final. Tempo para mascar um chiclete, e olhar no retrovisor a vermelhidão dos olhos. Mesmo tendo mais horas de fumo do que urubu tem de voo, Arnaldo ainda achava graça em olhar a si mesmo com as pupilas dilatadas – assim como quando era adolescente, antes ainda de entrar para a faculdade, quando Arnaldo fumara seus primeiros beques. Sim, Arnaldo parecia não perder aquele seu lado infantil, mesmo já estando perto dos quarenta – afinal, para ele, aquilo sim era a mais pura alegria.
Ao estacionar seu carro na vaga de sempre, Arnaldo pegou o colírio e pingou em seus olhos. Borrifou um pouco de perfume por entre os dedos e pelo pescoço e entrou no prédio comercial. Ao chegar no consultório, foi já de cara avisado pela secretária:
- Bom dia Doutor Arnaldo! Bem, são cinco pacientes agendados para a manhã, e quatro para a tarde de hoje. Isso se o seu Azevedo não aparecer aqui lá pelas duas horas. Aí já viu né... o que digo pra ele?
- Diga que espere. Se ele quiser uma reconsulta, vai ter de pagar. Não adianta querer fazer pelo plano, viu?
- Ah, vou dizer pra ele. Nossa, já estou até vendo a cara dele... Bem, já deixei seu chá gelado no frigobar e o café expresso na sua mesa, doutor Arnaldo. A primeira paciente já deve estar chegando...
- Obrigado, Marialva. Até mais!
Arnaldo entrou em seu consultório e ficou cantarolando a última música que escutara no carro. Bebericou o café e viajou o que pôde, até que sua primeira paciente chegasse e acabasse com sua festinha particular.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
México 70 - A Copa que eu não vi
Escrito por
Zulmar Lopes
Será possível alguém sentir saudades daquilo que não vivenciou? Por mais estranho que pareça, eu sinto, pois sempre me lembro com nostalgia da Copa do Mundo que, com meros quatro anos de idade, eu não vi. Ele foi disputada no México, 1970, quando onze homens vestiram a camisa amarela da seleção brasileira e juntos elevaram o futebol à categoria de obra de arte.
Esqueçam tudo o que ouviram falar do governo Médici, seus porões sangrentos e a utilização do futebol como massa de manobra para manter o povo alienado e em seu lugar. Ignorem milagres econômicos, Guerra do Vietnã ou o movimento hippie. Procure no Youtube a Copa de 70 e foque-se apenas nas quatro linhas que demarcaram o campo de batalha do Estádio Jalisco, na cidade de Guadalajara. Naquele longínquo mês de junho, o “scratch canarinho” como era carinhosamente chamada a seleção, apresentou um espetáculo futebolístico nunca visto antes e quiçá impossível de ser reapresentado pois, a despeito do futebol haver mudando tanto em disciplina tática quanto nos aprimoramentos físico e técnico, as peças do xadrez eram outras, e de qualidade infinitamente superior ao que vemos hoje.
Para começar, havia um deus de ébano no esplendor de sua forma física, tecnicamente perfeito e amadurecido nos seus trinta anos de idade. Pelé, simplesmente o Rei, que conseguiu a façanha de ficar eternizado na Copa em que foi magistral não pelos gols assinalados, mas pelos perdidos. Veja, reveja e deslumbre-se com o seu chute do próprio campo contra a meta adversária e o desespero do goleiro theco, ou a clássica cabeçada defendia pelo inglês Gordon Banks, jogada responsável pela fama do arqueiro da seleção inglesa por muitos anos, ou ainda a incrível, fantástica, esteticamente maravilhosa meia-lua sem tocar na bola contra um goleiro uruguaio de prosaico nome polonês. No México Pelé foi perfeito, um maestro acompanhado pelo spalla Tostão, talentoso meia do Cruzeiro que meses antes sofrera um grave descolamento de retina e, do inferno a redenção, brilhou em terras aztecas. Justamente no confronto mais difícil, contra o “English Team”, consagrado campeão do mundo quatro anos antes, Tostão deixou sua marca em uma jogada individual pelo lado esquerdo onde, após provocar um salseiro, passou a bola para Pelé que, com um simples toque para lado, deixou Jairzinho livre para decretar a magra, contudo heroica vitória por um a zero.
Como esquecer de Jairzinho, o Furação da Copa? Seis jogos, seis gols, façanha nunca antes alcançada, nosso camisa sete levou pânico as defesas adversárias com suas arrancadas mortíferas. Tivemos ainda Rivelino e sua patada atômica; Brito zagueiro raçudo, considerado o pulmão da copa; Carlos Alberto, nosso eterno capitão que perpetuou o gesto de beijar a taça Jules Rimet (que como dizia o samba-enredo “derreteram na maior cara-de-pau”); a juventude veterana de Clodoaldo, a organização tática e os lançamentos milimétricos de Gerson, o canhotinha de ouro; a classe de Piazza, a discrição de Félix e Everaldo.
Campanha sem igual, coroada com a brilhante exibição na final disputada na Cidade do México. Um 4 x 1 convincente contra a seleção italiana, tão diferente destas finais insossas que nos acostumamos a presenciar nas últimas Copas.
Parafraseio Pablo Neruda e confesso que não vivi o momento, não vi a maior seleção de futebol de todos os tempos mas, graças ao milagre tecnológico, este espetáculo está ao alcance de qualquer mortal . Aprecie sem moderação.
domingo, 17 de julho de 2016
Flor dos meus pensamentos
Escrito por
Unknown
Meus pensamentos
são como uma flor
que desabrocha com o tempo
chamuscada pelo sol
despetalada pelo vento
são como uma flor
que desabrocha com o tempo
chamuscada pelo sol
despetalada pelo vento
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