terça-feira, 8 de abril de 2014
Medusa,Prometeu, totens e espelhos
Escrito por
bemditorosa
hoje pensei tanto nessa coisa doida
pensei no teu sorriso
sorri da tua voz
cansei de te ver
mas gostei de te sorrir
da nesga da janela
donde despenca esse céu
eu te chamo
doidivana mente
tempestuoso vento trás teu nome
e vens arrastado e sereno
contar dos nadas abissais
braços remotos falam de totens colossais
cabeças de Górgonas caem dos bolsos
recolho cacos no colo
acaricio teus cabelos
sorrimos e eu
desentendo
deslizo dedos tortos
pelo reverso desses medos
quietos e caros
roubei a égide de uma deusa
tão doida quanto eu
numa tarde quieta de abril
para congelar sorrisos
prometeu empedrar paixões e terrores
Odisseu, Aquiles, Penélope, Zeus, todos prometeram
Afrodite te escondeu sob um manto fino
oblíquo tu desvias dessa defesa incerta,
ri das serpentes que invento,
abraça-me os joelhos
através dos espelhos em que me guardas
deslinda venenos
destrava portas
ilumina desencantos febris
domingo, 6 de abril de 2014
conjunção carnal-advérbio-infernal
Escrito por
Carlos Cruz
entre tantos entretantos
perambulando por aí
trôpegos todavias
contudos cheios de si
emboras que não visitam a tia
no entantos que olham de soslaio
adredes de cara pra parede
algures pretensamente alhures
ceando em casa de sampaio
sita porventura lá pras bandas
do longínquo nenhures
porém, sempre vem o porém
acabar com a festança
à proporção que fode assaz
a cachola rubro-cornuda de satanás
zonzo, cara escarlate, vaza
zás-trás!
embora pr'os outroras
zamora, beleléu, conchinchina
fedentina casa das prima
sempiternos quintos dos infernos
porquanto o tacho está fervente
urge preparar gramáticos crentes
picantemente
alegremente
al dente.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Repense - ou o dia em que o mundo não acabou
Escrito por
Deveras
Repense
(ou o
dia em que o mundo não acabou)
Não foi, não é
Mas poderia ter sido...
Imagine o mundo acabando hoje:
Você fez tudo valer a pena?
Colocou tempero, sabor, sentido, valia
Em sua vida?
A alma ganhou o mundo ou foi somente
aquela
Pequena
Sua existência foi plena?
Queimou-se ao sol
Ou viveu sob a sombra de outro?
Deixou claro a quem se importava
O quão importante ela era, o quanto a
amava?
Ou deixou que o trabalho, a faculdade
A fleuma, a educação, a timidez
Ditassem seu tempo,
Ou o que diria
E por mais de uma vez
Calou o “eu te amo” na ponta da língua
Deixando que aquele belo momento
Morrer à míngua?
Alguma vez olhou para o céu
E agradeceu o simples milagre
De estar vivo?
Sorte sua é que não foi hoje
E que o amanhã ainda existe
Que a humanidade persiste
(por enquanto, só por encanto)
Então diga mais “eu te amo”
Ou mesmo um “gosto de você”
Distribua beijos e obrigados
Doe abraços
Liberte risos bobos
E aquele ar pateta, que ninguém resiste.
Viva, mas viva de forma plena
E faça com que todos aqueles ao teu lado
Saibam que o mais importante
É o amor.
Pense bem.
Não é todo dia que se tem uma segunda
chance...
quinta-feira, 3 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
PROSTITUTA
Escrito por
andrea carvalho deca
Mostra o corpo como quem toca o cabelo
Simples, natural, bela
Seduz como quem diz bom -dia
Mostra a pele como quem quer aplauso
Graciosa, sensual
Mas mantém a máscara
É a difícil escolha entre ser e estar ali
Novamente sorri como quem tira a roupa
Mostra o corpo belo, gracioso
Recebe os aplausos como quem toca o cabelo
E mantém a máscara
É difícil a escolha.
domingo, 30 de março de 2014
Convidado Rinaldo Leite
Escrito por
Bardo
Brasil
Ainda há muito verde na bandeira do Brasil
Mas o amarelo-ouro
Da aquarela já sumiu.
O meu diário não é oficial
Mas sem ordem prgresso não basta.
Basta de Brasil de foto,
Eu quero um Brasil de fato.
Meu Brasil do coração
Desculpe o cuspe no chão,
Poluição em geral,
Queimada em terceiro grau,
Desculpe a estupidez dos erros de português.
Um dia ao deixar-te
Certo de ter feito bem minha parte
O meu último suspiro
ainda hei de entregar-te.
---
Rinaldo Leite
rinaldoleitehot@hotmail.com
sábado, 29 de março de 2014
“O silêncio dos culpados”
Escrito por
MPadilha
Se são inocentes, não sei... Sei que não falam. Não calam por dentro, mas também não bradam por fora. São elos de uma democracia falsificada. Querem começar o dia, admirar a tarde, terminar a noite e dormir... Mais nada! MPadilha 26/03/2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
"Contos de Encantos"
Escrito por
Francisco M. M. Arantes (Quito Arantes)
“Contos de Encantos”, uma nova obra
literária de Quito Arantes, a confirmar o percurso de um escritor, atento e recetivo
à mudança, mas à mercê de seus concidadãos, numa época que se nos depara
rigorosa e intransigente. Opta, por isso, por um narrador que se desdobra, ora
em participante, envolvendo-se no enredo, ora como observador, distanciando-se
do vivido para melhor compreender e agir, face às exigências de uma sociedade
em (im)perfeita mutação.
Um
livro que, à semelhança de obras anteriores do mesmo autor, ressaltam, nas
ações das personagens, estados de inquietação comungando, simultaneamente, com
a evocação, alicerçada na memória de um tempo ido e vivências do contemporâneo.
“Histórias” de encantar aos olhos do
leitor, onde sobressaem temáticas como o amor, a amizade, a compreensão, a
(in)justiça… , evidenciadas no caráter de Jorge, em “Momentos da Vida de Isabel”;
na fragilidade de Estrela, no Conto “A Maresia de Estrela” ou, entre outros, no
”A Conquista do Poder aos Malfeitores”, protagonizado por Mafalda e Mateus.
Os “Contos” surgem, embora em “cenários”
distintos: na Serra, no Mar ou na Cidade, como “exemplos de vida”, onde o Homem
se reconhece, por vezes, “ser imperfeito” e somente o conseguirá superar, na
alteração de regras e comportamentos, num espírito comummente, altruísta e de
dignidade.
à venda em www.amazon.com
by Quito arantes
ALÉM DO OLHAR
Escrito por
Samuel Balbinot
Os nossos olhos humanos
Não enxergam mais além...
No invisível os pianos
Sempre tocam para alguém;
Nossos olhares tem véus
Duma ilusão infinita;
Nunca enxergamos os céus
Nem cada estrela bonita;
Não enxergam mais além...
No invisível os pianos
Sempre tocam para alguém;
Nossos olhares tem véus
Duma ilusão infinita;
Nunca enxergamos os céus
Nem cada estrela bonita;
quinta-feira, 27 de março de 2014
Poemeto matinal
Escrito por
Glauber Vieira
Acorde
Estique braços e pernas
Boceje.
Agora me abrace:
meu coração também precisa espreguiçar.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Quando nos conhecemos
Escrito por
Marcos Campos
Quando me conheceu,
pensava que seria assim?
Pensava que teria nojo de mim?
Quando me beijou pela primeira vez,
sentiu seu estômago embrulhar
ou logo depois me fulminou com o olhar?
Ou não?
Quanto te conheci
já não tinha esperanças,
revivi em ti a criança?
Quando te beijei,
o sabor era insuperável?
Era pra ti, inestimável?
E agora?
Somos pessoas estranhas.
Sentindo as marcas
bem lá nas entranhas,
com todo furor,
do nosso ódio/amor.
E cuspindo em tudo que aconteceu,
amaldiçoando o que já foi seu e meu,
esquecemos de tudo.
Esquecemos da valsa
que tocava lá no fundo
A nossa valsa,
no nosso mundo.
Onde a única preocupação
era bailar e brincar.
Porém, já não é mas assim,
não deu pra evitar.
Enfim,
pobre dos dois
que quando se conheceram,
não pensaram no fim.
Publicado originalmente em: http://ilusoesliterarias.blogspot.com.br/
Publicado originalmente em: http://ilusoesliterarias.blogspot.com.br/
Brisabraço
Escrito por
Cesar Veneziani
A areia em brasa...
Sento na praça
e a brisa que passa
é vento que abraça:
Bento Calaça!
(Ao amigo poeta do Bar do Escritor Bento Calaça)
Sento na praça
e a brisa que passa
é vento que abraça:
Bento Calaça!
(Ao amigo poeta do Bar do Escritor Bento Calaça)
terça-feira, 25 de março de 2014
Frase para começar um romance
Escrito por
Rafael Cal
Subiu as escadas tateando no escuro, como fizera tantas vezes em situações distintas.
segunda-feira, 24 de março de 2014
LABORANDO A PALAVRA
Escrito por
geraldo trombin
POEMA-LABOR
Gosto de poema-pimenta,
Aquele que a língua esquenta,
A víscera arde em prece
E nunca mais se esquece.
Gosto de poema-tormenta,
Aquele que ondeia, mareia
E, no viés do meu convés,
Não se sabe se é sorte ou revés.
Gosto de poema-bala,
Aquele que é tiro e queda
– abala, vara, queima –,
Ou lambuza como deliciosa guloseima.
Gosto de poema-labor,
Aquele em que se trabalha,
Batalha, risca, passa a navalha,
Independente do prazer ou da dor.
sábado, 22 de março de 2014
Final do verão
Escrito por
Rodrigo Domit
Ao final do verão, as cigarras invadem a cidade. Chegam queimadas pelo sol, trocando de pele.
As formigas, trabalhadoras, da cidade nunca saem. Para elas, o inverno é uma ameaça constante.
sexta-feira, 21 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
Convidado Ivo Costa
Escrito por
Bardo
Alicerces do Tempo
Capítulo 1 - Ventos de Agosto
Era início de setembro de 1959, o céu estava num tom azul clarinho e
intenso. Os ventos de agosto ainda sopravam como se não quisessem dar
vez à primavera que se aproximava. A família Santos vivia mais um dia de
sua rotina humilde e feliz. O pai, seu Geraldo, sertanejo de Arcoverde,
homem de bem e pedreiro de mão cheia, nunca deixava faltar nada em casa
e cuidava bem da esposa, dona Marlene, grávida e de seus três filhos,
Vicente de 14 anos, Vilma de 12 e Valter de apenas cinco. “O que vem se
for menino vai ser Valdir e se for menina, Marlene quer o nome de
Valéria. Com saúde é que importa”, dizia ele radiante aos conhecidos, ao
imaginar como seria a criança que sua senhora trazia no ventre.
A
propriedade era modesta, mas caprichada. Tratava-se de um terreno de
bom tamanho, cerca de 20x20, fruto de uma invasão mesmo, que findou
formando uma rua. Afinal, na época muita gente fez isso e com eles não
foi diferente. Tinha bom solo, quase às margens do rio Morno, braço do
Beberibe, onde vez por outra os moleques da região pescavam piabas para
assar na lenha e catavam betas para servirem de gladiadores em garrafas
com água.
A
casa, seu Geraldo tinha construído com as próprias mãos, sem dispensar é
claro, a mão de obra de seu fiel ajudante Lourival, um rapaz meio leso
que viera de Gravatá sem eira nem beira, procurar trabalho em Recife.
Seu Geraldo o acolheu em casa por um tempo até ensinár-lhe o suficiente
para que participasse de suas empreitadas, além de fazer vez por outra,
alguns bicos por conta própria em troca de uns cruzeiros.
A
construção tinha apenas dois quartos, mas a sala espaçosa compensava.
Tinha também um banheiro largo e cozinha caprichosa, que aproveitava
toda a luz do Sol que pudesse passar pelos combogós. Atrás da casa, seu
Geraldo ainda plantou uma muda de aroeira. “é pra fechar talho”, dizia
ele destacando a propriedade cicatrizante da planta. Já no terreno
restante da frente, permaneceu a sombra presenteada pela velha mangueira
que já existia no local.
Numa
manhã rotineira, quando os primeiros raios de sol se espremiam pelas
brechas da janela do quarto, o cheiro do café quentinho já tomava conta
de toda a casa. Na verdade à mesa já estava posto um belo cuscuz feito
no bafo ao fogo de lenha e banana cozida, comprada na banca do
verdureiro que negociava na Praça da Convenção e pão comprado na barraca
de seu Martiniano. O leite era fresquinho e trazido na porta de casa,
oriundo de uma criação em Linha do Tiro.
Enquanto
seu Geraldo se preparava para o trabalho, Vicentinho dava um pulo da
cama acordando os outros, pois dormiam todos juntos. O caçula, Valtinho
ainda resistia catando sono, mas a fome fazia a vez.
Então
dona Marlene tomava uma boa fatia do cuscuz macio, ainda fumaçando e
despejava no prato de cada um, decorando com uma boa colherada de
manteiga, que derretia lentamente ensopando a massa. Vicentinho ficava
olhando o pai comer. Tamanha era a admiração daquele menino, que se
esquecia de olhar para o próprio prato como se esperasse autorização.
Quando seu Geraldo percebia e o encarava, Vicentinho sorria e seu
Geraldo franzia a testa dizendo: “coma que vai esfriar”. Só assim o
menino dava as primeiras garfadas, enquanto seus irmãos já se
esbaldavam. Ele sabia o quanto era trabalhador, honesto e dedicado
aquele pai e quanto era amado por ele, ainda que o mesmo não
demonstrasse a todo o momento. Ele sabia, sentia.
Ivo Costa
icostalivro@gmail.com
quarta-feira, 19 de março de 2014
Pesquisa para a aula de Jornalismo
Escrito por
André Bortolon
João Miguel estava devendo essa para seus colegas. Sexta-feira seria o prazo final de entrega do trabalho para sua aula de “Conceitos e Gêneros do Jornalismo”, e ele, de novo ele, não tinha feito a sua parte, que seria a de conduzir pequenas entrevistas com dez pessoas sobre determinado tema previamente escolhido por seu grupo. A bem da verdade, João Miguel não lembrava nem se dez era o número certo de pessoas, ou cinco, ou quinze.
Então JM mandou um torpedo para Flávia, sua colega e também a pessoa que JM tinha maior afinidade no grupo, para saber o número certo de entrevistados. Flávia respondeu: “Três. Pode fazer só três que completa o que falta, Miguel. Para hoje, belê?”. “OK” pensou JM, que foi depressa do trabalho para a Faculdade, sem direito a lanche nem nada, disposto a fazer as entrevistas que faltavam lá mesmo em, quem sabe, uma hora – ou o tempo que desse antes de sua aula-apresentação começar.
Já no Campus, JM sentou-se num banco próximo à praça de alimentação, numa hora intensa de movimento de pessoas. JM queria escolher a dedo quem seriam os entrevistados para suas perguntas, que, diga-se de passagem, iam direto ao ponto. O assunto? Bem, este estava bem evidente já na primeira pergunta formulada por JM: “Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?”. A segunda pergunta, JM pensou, pensou e pensou por uns dois minutos inteiros e não conseguiu formular nada. Na verdade, JM achava que esta primeira questão já era muito abrangente e decidiu por conta e risco utilizar só ela para a sua parte na pesquisa.
O que se segue agora é uma breve apresentação de cada um dos três entrevistados, e as suas respectivas respostas para a entrevista “valendo nota” de JM, ou melhor, do grupo de JM (repare que algumas informações que vocês verão aqui entre parênteses foram editadas para apresentação em sala, por decisão unânime do grupo). Segue aqui a transcrição na íntegra destas três entrevistas:
1ª Entrevista
Nome: Adalberto Sebastião Gonçalves de Jesus
Idade: 45 anos
Cursando: Direito
Escolaridade: 3º grau completo (em Ciências Políticas)
Profissão: Assistente de Gabinete do Vereador Adão Burzinski, do PTJS (Partido dos Trabalhadores pela Justiça e Solidariedade).
Filhos: 2 com a esposa, 1 fora do casamento (paternidade assumida após imbróglio judicial)
Casado(a): sim
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Depende. Sim e não.”
Indeciso?
“Não. Concordo em termos, pois um evento desta magnitude a ser realizado em nosso país só poderá engrandecer a nossa pátria e as nossas instituições democráticas; o tempo dirá, mas isto é mais uma demonstração de progresso para o país, e uma vitória para nossos governantes.”
A resposta então é sim?
“Não. Depende do ponto de vista. Mas sim, claro que é um sim. Porém, conforme o andar da carruagem, posso mudar de opinião... Quem sabe?”
2ª Entrevista
Nome: Karin Stéfani da Silva Santos
Idade: 18 anos
Cursando: Moda
Escolaridade: cursando o 3º grau (caloura)
Profissão: Estudante
Filhos: Não
Casado(a): Não
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Sim, sim, eu concordo. Muito maneiro, né?”
Por quê?
“Ah, porque traz dinheiro, né? Os jogador. Os time. Cada jogador lindo né... uns sarado...”
Algum outro motivo em particular, além destes recém-mencionados pró Copa do Mundo?
“Ãh? Como assim?”
A favor da Copa então, só para confirmar...?
“Sim. Sim, super a favor. Vamuuuu Brasil!”
3º Entrevista
Nome: Juliana Tamura Sebastian
Idade: 31 anos
Cursando: Pós Graduação em Linguística
Escolaridade: 3º Grau em Letras com especialização em Inglês; Cursos de Medicina Alternativa em terapia Ortomolecular, Reflexologia Podal, Reiki (e vários outros parecidos).
Profissão: Professora universitária e trabalhadora autônoma.
Filhos: Não
Casado(a): Sim (união estável, sem casamento)
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Agora que já estamos na véspera, minha opinião é... não sei se vale a pena dizer...
Por favor, gostaria muito de saber! É só uma coleta de opiniões para a aula de Jornalismo...
“Tudo bem, OK então. Bem, na verdade sou veementemente, absurdamente contra. O nosso país tem muitas e muitas deficiências, a maioria estruturais, e um governo corrupto que fecha os olhos para a miséria, para a ignorância de seu próprio povo; não podemos ter a ilusão de que um evento desta magnitude irá apagar toda a nossa falta de infraestrutura, de saneamento básico, de escolas, o problema da reforma agrária. As reformas fiscais e tributárias. A burocracia. As filas. A lavagem de dinheiro...”
OK, obri...
“A reforma do Judiciário. As leis que favorecem os políticos. A imprudência. A burocracia. Ah, maldita e atrasada burocracia! O descaso com os deficientes. O salário mínimo – que piada! As favelas. Os menores viciados. Os menores ladrões. A maior idade penal...”
Sim, mas então...
“A desigualdade. A péssima distribuição de renda. Os desempenhos na educação em rankings internacionais. As...”
Neste momento, JM pegou o seu celular e interrompeu repentinamente a gravação que fazia para fingir que atendia a uma ligação. Disfarçou um tempo e em seguida, tapou com a mão o aparelho (torcendo para que o telefone não tocasse de verdade) e disse brevemente à entrevistada: “Muito obrigado. Tchau!”. E se mandou em direção ao prédio de Jornalismo, um pouco tonto, um pouco atônito, pensando em como algumas aparências nos enganam, enquanto que outras, nem tanto... mas JM também lamentou outra coisa, e isto sim profundamente: que ele poderia ter comido um misto de queijo e presunto com ovo e batata palha que a cantina preparava, ao invés de ter entrevistado estas pessoas. E pensou: “Esses benditos trabalhos de Faculdade...”
Então JM mandou um torpedo para Flávia, sua colega e também a pessoa que JM tinha maior afinidade no grupo, para saber o número certo de entrevistados. Flávia respondeu: “Três. Pode fazer só três que completa o que falta, Miguel. Para hoje, belê?”. “OK” pensou JM, que foi depressa do trabalho para a Faculdade, sem direito a lanche nem nada, disposto a fazer as entrevistas que faltavam lá mesmo em, quem sabe, uma hora – ou o tempo que desse antes de sua aula-apresentação começar.
Já no Campus, JM sentou-se num banco próximo à praça de alimentação, numa hora intensa de movimento de pessoas. JM queria escolher a dedo quem seriam os entrevistados para suas perguntas, que, diga-se de passagem, iam direto ao ponto. O assunto? Bem, este estava bem evidente já na primeira pergunta formulada por JM: “Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?”. A segunda pergunta, JM pensou, pensou e pensou por uns dois minutos inteiros e não conseguiu formular nada. Na verdade, JM achava que esta primeira questão já era muito abrangente e decidiu por conta e risco utilizar só ela para a sua parte na pesquisa.
O que se segue agora é uma breve apresentação de cada um dos três entrevistados, e as suas respectivas respostas para a entrevista “valendo nota” de JM, ou melhor, do grupo de JM (repare que algumas informações que vocês verão aqui entre parênteses foram editadas para apresentação em sala, por decisão unânime do grupo). Segue aqui a transcrição na íntegra destas três entrevistas:
1ª Entrevista
Nome: Adalberto Sebastião Gonçalves de Jesus
Idade: 45 anos
Cursando: Direito
Escolaridade: 3º grau completo (em Ciências Políticas)
Profissão: Assistente de Gabinete do Vereador Adão Burzinski, do PTJS (Partido dos Trabalhadores pela Justiça e Solidariedade).
Filhos: 2 com a esposa, 1 fora do casamento (paternidade assumida após imbróglio judicial)
Casado(a): sim
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Depende. Sim e não.”
Indeciso?
“Não. Concordo em termos, pois um evento desta magnitude a ser realizado em nosso país só poderá engrandecer a nossa pátria e as nossas instituições democráticas; o tempo dirá, mas isto é mais uma demonstração de progresso para o país, e uma vitória para nossos governantes.”
A resposta então é sim?
“Não. Depende do ponto de vista. Mas sim, claro que é um sim. Porém, conforme o andar da carruagem, posso mudar de opinião... Quem sabe?”
2ª Entrevista
Nome: Karin Stéfani da Silva Santos
Idade: 18 anos
Cursando: Moda
Escolaridade: cursando o 3º grau (caloura)
Profissão: Estudante
Filhos: Não
Casado(a): Não
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Sim, sim, eu concordo. Muito maneiro, né?”
Por quê?
“Ah, porque traz dinheiro, né? Os jogador. Os time. Cada jogador lindo né... uns sarado...”
Algum outro motivo em particular, além destes recém-mencionados pró Copa do Mundo?
“Ãh? Como assim?”
A favor da Copa então, só para confirmar...?
“Sim. Sim, super a favor. Vamuuuu Brasil!”
3º Entrevista
Nome: Juliana Tamura Sebastian
Idade: 31 anos
Cursando: Pós Graduação em Linguística
Escolaridade: 3º Grau em Letras com especialização em Inglês; Cursos de Medicina Alternativa em terapia Ortomolecular, Reflexologia Podal, Reiki (e vários outros parecidos).
Profissão: Professora universitária e trabalhadora autônoma.
Filhos: Não
Casado(a): Sim (união estável, sem casamento)
Pergunta: Você concorda com a realização da Copa do mundo no Brasil em 2014? Por quê?
“Agora que já estamos na véspera, minha opinião é... não sei se vale a pena dizer...
Por favor, gostaria muito de saber! É só uma coleta de opiniões para a aula de Jornalismo...
“Tudo bem, OK então. Bem, na verdade sou veementemente, absurdamente contra. O nosso país tem muitas e muitas deficiências, a maioria estruturais, e um governo corrupto que fecha os olhos para a miséria, para a ignorância de seu próprio povo; não podemos ter a ilusão de que um evento desta magnitude irá apagar toda a nossa falta de infraestrutura, de saneamento básico, de escolas, o problema da reforma agrária. As reformas fiscais e tributárias. A burocracia. As filas. A lavagem de dinheiro...”
OK, obri...
“A reforma do Judiciário. As leis que favorecem os políticos. A imprudência. A burocracia. Ah, maldita e atrasada burocracia! O descaso com os deficientes. O salário mínimo – que piada! As favelas. Os menores viciados. Os menores ladrões. A maior idade penal...”
Sim, mas então...
“A desigualdade. A péssima distribuição de renda. Os desempenhos na educação em rankings internacionais. As...”
Neste momento, JM pegou o seu celular e interrompeu repentinamente a gravação que fazia para fingir que atendia a uma ligação. Disfarçou um tempo e em seguida, tapou com a mão o aparelho (torcendo para que o telefone não tocasse de verdade) e disse brevemente à entrevistada: “Muito obrigado. Tchau!”. E se mandou em direção ao prédio de Jornalismo, um pouco tonto, um pouco atônito, pensando em como algumas aparências nos enganam, enquanto que outras, nem tanto... mas JM também lamentou outra coisa, e isto sim profundamente: que ele poderia ter comido um misto de queijo e presunto com ovo e batata palha que a cantina preparava, ao invés de ter entrevistado estas pessoas. E pensou: “Esses benditos trabalhos de Faculdade...”
terça-feira, 18 de março de 2014
Lista de convidados em 2014
Escrito por
Bardo
lista dos convidados que publicarão (ou já
publicaram) seus textos em 2014 no BLOG BAR DO ESCRITOR. continuamos
recebendo textos como colaboração. acesse aqui para conhecer os
procedimentos.
Flávio Sanso 10/10/14
Miguel Gomes 30/09/14
Tairo Lima de Loiola 20/09/14
Vivian Aurora de Moraes Bragagnolo 10/09/14
Dênis de Brito 30/08/14
Rui Catoma 20/08/14
João Victor Ferreira Batista 10/08/14
Isabel Furini 30/07/14
José Alcantara 20/07/14
Fábio Portela 10/07/14
Jovanna Lima 10/07/14
Karoline Andrade 30/06/14
Fabricio Souza 30/06/14
João Amarante 20/06/14
Ediloy Ferraro 20/06/14
Emerson Sarmento 10/06/14
Mauro Silva 30/05/14
Lêda Selma 20/05/14
Lucimar Rodrigues 10/05/14
Ricardo Mainieri 30/04/14
Luiz Neves de Castro 20/04/14
Talize Cardoso 10/04/14
Rinaldo Leite 30/03/14
Ivo Costa 20/03/14
Walter Bezerra (2) 10/03/14
Belén Greece 20/02/14
Cristina Rangel 10/02/14
Cacau Oliveira 30/01/14
Isabel Demétrio 20/01/14
Emyli Sousa 10/01/14
Esse Jesus é um filho da puta
Escrito por
Zulmar Lopes
Sim, xinguei Jesus e não me arrependo. Também, como ele pôde
anular aquele gol legítimo que nos daria o campeonato? Não só eu, mas toda a
torcida do Flamengo, em uníssona indignação, saudamos aquela que o pariu.
“Filho da Puta! Filho da Puta! Filho da Puta!”. Com mil perdões, Filho de Deus,
mas o seu xará, Jesus Firmino Alcazar da Silva, bandeirinha filho d’uma égua,
não sabe o que é um impedimento.
Nota da Imprensa, Roma, 75 d.C
Escrito por
ofilhodoblues
#AObradasObras
Em meio a atrasos e superfaturamento, em Roma, a plebe ensandecida vai às ruas com cartazes escritos em sangue: #NãoVaiTerColiseu!, #PorViasPúblicasLivres!, #QueremosHabitaçõesPadrãoDomus! O exército imperial da capital reprime violentamente a manifestação e Vespesiano vai a público reafirmar o legado do Coliseu para a civilização romana.
André Espínola
domingo, 16 de março de 2014
Porto Belo
Escrito por
Júlio Freitas
E lá estava eu novamente
me arrastando até a privada para
vomitar
depois voltando a beber no sofá
em meio a garrafas pet de vinho
barato,
bitucas e várias folhas de poemas
e contos batidos à máquina.
Não era bem isso
que eu queria da vida
quase todo dia
repetindo a mesma cena ridícula
talvez isso passe
como esta linha que escrevo agora
ou esta, quem sabe.
me arrastando até a privada para
vomitar
depois voltando a beber no sofá
em meio a garrafas pet de vinho
barato,
bitucas e várias folhas de poemas
e contos batidos à máquina.
Não era bem isso
que eu queria da vida
quase todo dia
repetindo a mesma cena ridícula
talvez isso passe
como esta linha que escrevo agora
ou esta, quem sabe.
sexta-feira, 14 de março de 2014
ALDRAVIA 02
Escrito por
edweinels
vendo
a
queimada
Curupira
chora
brasas
Nota: o texto foi selecionado no Concurso “Cardápio Poético” do Movimento Ativista (Fevereiro/ 2014):
http://movimentoativista.blogspot.com.br/2014/01/concurso-cardapio-poetico-fevereiro.html
a
queimada
Curupira
chora
brasas
Nota: o texto foi selecionado no Concurso “Cardápio Poético” do Movimento Ativista (Fevereiro/ 2014):
http://movimentoativista.blogspot.com.br/2014/01/concurso-cardapio-poetico-fevereiro.html
quinta-feira, 13 de março de 2014
nao era...
Escrito por
DBS
ele nao era
bonito
ele nao era
rico
ele nao era
bom filho
ele nao era
bom marido
ele nao era
bom funcionario
ele nao era
engracado
ele nao era
esperto
ele nao era
querido
ele nao era
lembrado
ele nao era
nada
ele era o
nao era....
quarta-feira, 12 de março de 2014
O PÊNDULO DO TEMPO
Escrito por
Daniel Delgado Queissada
Mesmo que se altere
O pêndulo do...
Tempo se reverta
Ao princípio do...
Segundo...minuto horário
Marcado pelo dia
Não perpetue o que
De fato é temporário
Não determine fim
O que eterno é
Sedentário
Sentimento inverso
Contudo...alienado
Aliena o teimoso
Hereges és sagrado
Não converta o feito
Inverta o que será
Não retorne o tempo
O pêndulo perpetuará
No fim do que é
O póstumo chegará
Trará estigmas...cicatrizes
E...então...pensarás
Nunca é tarde para ouvires
Nunca é cedo para amar
Até no breu vires
Aquela luz a flamejar
Iluminou o céu tristonho
Agora a luz a ofuscar
Claro vejo o
que é risonho
A face iluminada do seu olhar
terça-feira, 11 de março de 2014
Teatro das Formigas - Ato 7 e Ato 8
Escrito por
Quintela
Sétimo Ato
.
sob a ótica
dos velhos comandados
traçam rotas
sob túneis caóticos,
inúteis.
antenadas,
capturam sinais
digitais e
analógicos
desertam a lei
e debandam,
como cegos
à procura de luz...
.
Oitavo Ato
.
em porões
escuros e úmidos
sob tortura
barata,
delatam companheiros
alguns, capitalistas
e outros,
comunistas...
investigadas
por crimes de evasão
de direitos
pedem asilo,
às milícias,
a despeito da honra
forjada...
.
.
sob a ótica
dos velhos comandados
traçam rotas
sob túneis caóticos,
inúteis.
antenadas,
capturam sinais
digitais e
analógicos
desertam a lei
e debandam,
como cegos
à procura de luz...
.
Oitavo Ato
.
em porões
escuros e úmidos
sob tortura
barata,
delatam companheiros
alguns, capitalistas
e outros,
comunistas...
investigadas
por crimes de evasão
de direitos
pedem asilo,
às milícias,
a despeito da honra
forjada...
.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Convidado Walter Bezerra (2)
Escrito por
Bardo
Crônica sobre o fim
do mundo
Sabemos que o
mundo não se acabou no ano 2000, frustrando a interpretação de uma das
centúrias do astrólogo, astrônomo, alquimista, erudito e mago francês Michel
Nostradamus.
Agora, os donos da
bola de cristal estão afirmando que o dia 21 de dezembro de 2012 será o fim do
mundo (ou o início de um novo ciclo, como dizem os mais românticos), segundo
previsão apocalíptica baseada na cultura maia.
A premonição é que
o Sol nascerá, no tal dia, aliado ao planeta e ao centro da Via Láctea, um fato
astronômico que só acontece a cada 26 mil anos e que provocará o cataclismo,
causando o fim da vida na Terra.
Em alguns países,
como na Espanha, as pessoas de alto poder econômico estão construindo, em
sistema de cooperativas, os famosos bunkers, refúgios subterrâneos emergenciais,
para se protegerem da possível explosão do planeta.
Os bunkers
permitem que as pessoas permaneçam no interior deles até 3 anos, respirando ar
puro e sobrevivendo à base de medicamentos e alimentos estocados. Eles estão
protegidos por uma capa de 60 centímetros de concreto e contam com filtros de
partículas radioativas para evitar a infiltração de resíduos tóxicos ou a
passagem de radiação ou bactérias.
A história dos
bunkers é uma realidade inconteste. Mas, suponhamos que as pessoas realmente acreditem
que o mundo vai se acabar em 21 de dezembro, eu fico a imaginar, cá da minha
porção vidente hilária, o que poderia acontece, a partir de agora, diante dos
efeitos colaterais causados pela síndrome do pânico generalizada:
Milhares e
milhares de mulheres grávidas desesperadas por não poderem sequer conhecer a
cara dos frutos de seus ventres;
Mulheres casadas –
reprimidas, sofridas e traídas por seus maridos – pulando, por simples
vingança, a cerca pela primeira e última vez;
Outras revelando,
para seus maridos mulherengos, que tais filhos não são deles, mas dos vizinhos,
patrões e amantes;
Outras ainda, agora
estimuladas e encorajadas, revelando suas fantasias sexuais a seus maridos, namorados
e parceiros de cama sexualmente conservadores;
Casais, namorados,
amantes e pessoas de todos os sexos, classe sociais e culturas aderindo ao ménage
à trois, swing e sadomasoquismo;
Recatados, caretas
e falsos moralistas experimentando maconha, cocaína, LSD e outras drogas
alucinógenas e “reveladoras”;
Boa percentagem
dos católicos, evangélicos, mulçumanos, espíritas e outros crédulos rogando a
Deus para que lhes salve as almas, posto que só eles - por serem religiosos
confessos e praticantes - merecem mais do que ninguém sobreviver à tragédia;
Centenas de
milhares de agnósticos saindo de cima do muro e fazendo opção definitiva por Deus;
Empresários e
milionários gastando tudo com viagens, extravagâncias e orgias;
Maus políticos,
insaciáveis, promovendo a farra do Dinheiro Público dos Últimos Dias;
Homens e mulheres
de bem revelando seus quinhões corruptos camuflados;
Multidões incautas,
pobres, honestas e sem grandes ambições jogadas ao deus-dará;
Empregados e
bajuladores mandando seus gerentes, diretores e patrões tomarem no devido
lugar;
Formação acirrada e
célere de cartéis, empresários majorando os preços, inflação a todo pique;
Devedores
debochando seus credores;
Aproveitadores e
caloteiros adquirindo tudo a crédito: carros de luxo, lanchas, vinhos, uísques,
jóias, casacos de couro e perfumes caríssimos, visando desfrutar os últimos
prazeres da vida;
Bancos,
financeiras e comércio varejista, atentos aos calotes voluntários e involuntários,
limitando seus prazos de pagamentos de boletos, faturas e cartões de crédito;
Todo mundo, pessoas
jurídicas e físicas, sonegando impostos, provocando a falência múltipla de
países, estados e municípios e quebrando, por osmose, seus funcionários e
fornecedores;
Tchau, tchau serviços
públicos essenciais (saúde, segurança, educação etc.)!
Estupradores de
plantão violentando ídolos, divas e paixões adormecidas e dissimuladas;
Homossexuais enrustidos
assumindo suas opções e preferências sexuais,
Vegetarianos devorando
carnes, inclusive vermelhas, e naturalistas comendo produtos de origem animal,
incluindo enlatados;
Naturistas e
exibicionistas desfilando nus pelas ruas, sem nenhum pudor ou constrangimento;
Comercialização
massificada de confessionários eletrônicos aplicados em iPhones, (concessão já
aprovada pela Igreja Católica), e a efervescência da prática do Sacramento da
Confissão nas paróquias de todo o mundo;
Vaticano revelando,
ainda que tarde, seus segredos históricos e eclesiásticos guardados secularmente
a sete chaves;
Líderes de todas
as facções religiosas revelando - em confissão e por desencargo de consciência
- que Dostoiévski, Nietzsche, Saramago, Chaplin, Galilei, Reich, Freud,
Einstein, Huxley, Epicuro, Fernando Pessoa, Thomas Edison, Charles Darwin e
Lennon, entre inúmeros gênios, eram figuras sapientes, confiáveis, generosas e
amáveis, dignas de serem ouvidas e seguidas;
NASA tirando do
baú e divulgando, embora sem mais nenhuma serventia, suas descobertas
científicas e pesquisas espaciais sigilosas;
Terroristas e homens-bombas
explodindo de raiva, revoltados com o efeito bumerangue do colapso planetário;
Todo mundo,
incluindo aidéticos, praticando sexo sem camisinha;
Pedófilos
dissimulados praticando suas taras imorais e esdrúxulas;
Psicanalistas, psicólogos
e terapeutas irresponsáveis seduzindo seus pacientes;
Homofóbos,
racistas, chauvinistas, xenófobos e preconceituosos em geral praticando calorosamente
suas aversões nefastas;
Depravação,
obscenidade, parentes copulando com parentes, Sodoma e Gomorra se reeditando,
tudo como Satã quer e gosta;
Pessoas revoltadas
fazendo justiça com as próprias mãos, visando, por exemplo, vingar a morte do
irmão assassinado ou a da mãe acidentada no trânsito;
Pessoas injustiçadas
dando, numa atitude revanchista, o troco a seus déspotas e opressores;
Oportunistas e
caras de pau vendendo terrenos na Lua e em Marte, à vista e em espécie, com
desconto de 90%;
Internautas
inescrupulosos espalhando boatos e defecando nas redes sociais contra seus
desafetos;
Desesperados
querendo ser, a todo custo, sequestrados por extraterrestres, só para fugir da
calamidade;
Propaganda de
lançamento de um novo produto de conteúdo religioso: “Adquira já o seu
Invisilex. Fique invisível, livre-se da explosão e ganhe a eternidade!”;
Ecologistas ufanos
defendendo e preconizando: “O Brasil tem tantas belezas naturais que Deus vai
deixar o país de fora do curto-circuito!”;
Brasileiros satíricos
profetizando (chupei da crônica humorística): “Fim de mundo no Brasil não! O
país não tem infra-estrutura para receber um evento de grande porte como
esse!”;
Grandes laboratórios
farmacêuticos futurando zilhões e zilhões de euros com a pandemia de doenças como
a antlofobia, astrofobia, brontofobia, termofobia, calipsefobia, demonofobia,
somnifobia, meteorofobia e necrofobia, entre outros transtornos de ansiedade de
nomes morfológica e semanticamente estapafúrdios e psicodélicos;
Superpotências mundiais
pedindo (agora vá!) perdão à Humanidade pela ganância capitalista e ocupações imperialistas,
que causaram guerras e mortes de milhões de pessoas inocentes em diversos
continentes do Planeta.
Enfim, se as
pessoas acreditassem plenamente na previsão apocalíptica, o fim do mundo seria
um verdadeiro deus nos acuda, uma bagaceira sem tamanho e igual.
Mas, se eu fosse
Deus, não destruiria o mundo não. Faria algumas reformas essenciais, justas e
necessárias
Primeiro ato: em
vez de Terra, o planeta passaria a se chamar Paz!
Em seguida,
ignoraria essa conversa de herdeiros do pecado original. Nada de pagar o
justo pelo pecador! Nem aqui, nem na China!
Chega de
tragédias: não haverá terremotos, tsunamis, tornados, vulcões, dilúvios ou
qualquer outro fenômeno natural destrutivo em nenhum lugar do mundo!
Eu, o Todo-Poderoso,
acabaria com a indústria bélica. Não haverá bombas nucleares, mísseis e nenhum
tipo de arma de fogo sobre o planeta!
Eu, o Criador Onipresente,
faria a reforma racial: não haverá brancos, negros, amarelos, índios.Todos
serão coloridos!
Eu, o Soberano Onipotente,
implantaria a reforma geográfica: não haverá país maior que outro! Todos terão
os mesmos metros quadrados e a mesma quantidade de recursos e belezas naturais!
Todos falarão uma só língua e suas moedas correntes terão o mesmo valor
cambial! Não haverá mais superpotências e nem impérios!
Eu, o Supremo
Magistrado, faria a reforma moral: fora todos os corruptos, crápulas,
usurpadores e ditadores de qualquer tendência político-ideológica!
Eu, o Senhor da
Democracia, promoveria também a reforma social: todos serão realmente
iguais perante a lei e gozarão dos mesmos privilégios materiais e culturais!
Eu, o Sumo Sacerdote
da Alma, faria, com urgência e sem pestanejar, a reforma religiosa e
espiritual: a partir de hoje, a religião do planeta será o Amor!
E, por fim, eu, o Onisciente,
decretaria: não tentarás contra a natureza. A partir de agora, a consciência
ecológica passará a ser matéria disciplinar obrigatória em todas as escolas do
planeta Paz!
---
Walter Bezerra
imagine.al@gmail.com
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