sábado, 22 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sob o manto da lua negra


Sob o manto da lua negra os astros tornavam-se archotes para o seu caminho. Velar-se entre as ramagens densas do sombrio bosque, que era acometido pelo gélido e ruidoso vento, não facilitava o seu caminhar, mas, já se acostumara a transitar pela sinuosidade das madrugadas. Fora a vida que escolhera nestas pesadas horas.

A lua não era mais sombria que àqueles tempos... Nem, a rusticidade do bosque, nessas horas mortas, era mais trevosa que a intransigência humana hostilizando através da violência e sob o signo da ignorância, atos que julgassem pagãos.

Logo, a água fresca da fonte lamberia os seus cabelos e refrescaria o seu corpo, encobertos pelo pesado capuz da longa capa, vestes necessárias para a segurança nessa época de trevas.

As nascentes d’água traziam a energia curativa da Mãe, eram bálsamos para os enfermos. Também, as ervas se tornavam mais frescas sob o orvalho. Apressou-se para encher o seu cantil e coletar algumas ervas; sempre muito atento, pois as sombras eram tão perigosas quantos os seres.

Não muito distante, havia um grupo de pessoas a esperá-lo; os recursos xamanísticos faziam parte dos antigos costumes e atuais ritos.

Destinaram-lhe as incumbências de demarcar o círculo e acender a fogueira central. Não demorou, um agrupamento de pessoas o rodeou, ocultos em trajes semelhantes.

Bebeu do cálice da vida, entoou cânticos sagrados, reverenciou a Terra. Retirou o néctar dourado de um favo e o saboreou. Repartiu o dourado fraternalmente, agradecendo pela colheita, pelos frutos do trabalho e à fertilidade do solo. Festejou com os próximos a luz do sol, a divindade das chuvas, a temperança das estações do ano. Rompeu as noites e os dias e atravessou portais temporais. Vestiu novos trajes, participou de novas ordens cerimoniais, assimilou transformações sociais..., mas, continuou a pisar com os pés voltados para as estrelas.

Após sentir em sua nuca a água fresca da fonte, todo o seu corpo estremeceu. Despiu-se do tempo que oprime as eras e os passos e, pôs-se a nadar nu no lago.

Sua aura purificara-se e tornara-se translúcida com os primeiros raios do sol.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Convidada Belén Greece



50 RAZONES PARA AMARTE


Porque siempre estás cuando se te necesita.
Por tu corazón tan generoso.
Porque nunca falta un palabra de ánimo.
Porque nunca me dejas desfallecer.
Porque haces de cada momento el más especial.
Porque iluminas mi mirada con solo pensarte
Porque eres mi cómplice.
Porque pensar en ti me da la vida.
Porque mi madre aún te debe una receta.
Porque en cinco años nunca me has fallado.
Porque sueño contigo cada noche.
Porque me gusta dormir abrazado a ti.
Porque cuando me acaricias siento un escalofrió recorrer todo mi cuerpo.
Porque haces de mis problemas los tuyos propios.
Porque a tu lado, mi mundo es perfecto.
Porque cada recuerdo tuyo es un recuerdo feliz.
Por el calor de tus abrazos.
Por la dulzura y sabor de tus besos.
Porque haces de nuestra relación algo mágico.
Por tu compañía impagable.
Por tu amor desinteresado.
Por el sentimiento de tus lágrimas.
Por el resplandor de tu sonrisa.
Porque das sentido a mi vida.
Porque me haces volar en la tierra.
Porque eres mi compi de camino.
Porque nunca me falta tu mano.
Por nuestras interminables charlas en el sofá.
Por enseñarme a sentir.
Porque nunca me has abandonado, pese a tener motivos para ello.
Por quererme como soy.
Por soportar todos mis defectos.
Por tu apoyo incondicional.
Por darle sentido a mi vida con tu regreso.
Por regalarme un donuts.
Por enseñarme a expresar sentimientos.
Por tener el blog más bonito que he visto.
Por dejarme escribir en él.
Por darme la oportunidad de disfrutarte.
Por dejarme esta a tu lado.
Por dejarme quererte.
Por hacerme sonreír cada día.
Por aquella preciosa postal de cumpleaños que me enviaste.
Por hacerme tocar el cielo al escuchar tu voz.
Porque necesito cada día que esa letra verde me diga que me tengo que mover.
Por esa comida juntos tan maravillosa.
Por el olor de tu pelo.
Por el tacto de tus manos.
Y porque te quiero, no por lo que eres, sino por quien soy cuando estoy contigo.



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Belén Greece
belen_greece@hotmail.es



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Livros, filmes e músicas.


Quisera eu ter a funcionalidade do cérebro de uma mulher. De fazer várias coisas ao mesmo tempo. A bem da verdade, duas coisas ao mesmo tempo já estaria de bom tamanho.
Pensei nisto no momento em que levantei a cabeça para ver meus livros na estante de casa, e vi três obras a meio caminho do fim – incompletas, que não acabei de ler, que simplesmente estacionei para iniciar outras que tiveram o mesmo destino: o de ficar pelo meio do caminho.
Mas calma. Nada está perdido. Sem muito drama. Posso continuar do ponto que parei. Ou melhor, preciso entrar na história de novo. Talvez recomece a leitura de um deles do início. Ou talvez de dois dos três livros. Ou de todos. Ou de nenhum. Ah, que se dane, vou ver um filme.
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Quando o assunto é filme, as opções são ainda maiores. No meu acervo particular gozo de uns 300, quase 400 filmes não vistos. Eles estão ali, guardados em gavetas. Por quê? Bem, não há muito espaço no apartamento para expô-los, e como filmes tem tamanho padrão, diferentemente de livros, decidi por deixa-los momentaneamente escondidos em gavetas, onde já sei exatamente quantos filmes posso guardar (exemplo, trinta por gaveta no criado-mudo ao lado da cama, setenta e três por gaveta na penteadeira que foi de vovó, etc...).
Pena que o mesmo problema que acontece com os livros, se repete com os filmes: alguns ficam pela metade, na maioria das vezes culpa do sono, ou daquela visita inesperada que bate à sua porta num domingo à noite, por exemplo. Menos mal. Com os filmes, tudo fica mais fácil, uma vez que em sua maioria consumem duas horas. Recoloco o filme no aparelho, se estiver boiando, recomeço (bom não precisar “rebobinar”, né?) e assisto-o por inteiro então.
Filmes não demandam tanto tempo quanto livros. Exceções feitas, claro, para o caso de você estar assistindo a, por exemplo, Berlin Alexanderplatz; ou para o caso dos que são adeptos à leitura dinâmica e aplicam a técnica para cada livro lido – como ficar pela meio do caminho nesta situação?
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Bem, enquanto busco respostas, vou ouvindo um pouco de boa música, para repousar a mente em solo criativo... coloco no fone de ouvido a oitava sinfonia de Beethoven e começo a... ops, acho que ainda não acabei de ouvir a sétima por inteiro.
Mas que droga!




terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Água

Fora um dia  próximo do improdutivo. Parcas moedas haviam pingado em suas mãos carcomidas. Já os olhares de nojo e desprezo, estes tinham se multiplicado  com a passagem das horas. Noite. Para sentir-se um pouco gente, o mendigo quase se afogou em goles da garrafa de Perrier  roubada de um supermercado próximo. Naquele momento, gozou de um luxo que poucos da mesquinha classe média ousaram experimentar. Saciado, dormiu o sono dos reis e sonhou que uma chuva de água da fonte francesa inundava a cidade. As vítimas morriam felizes. Consumidores ao menos na hora derradeira. Acordou com a garrafa vazia. Sentiu tristeza. Pegou o engradado elegante e foi até a pastelaria mais próxima. O chinês demorou a entender que mendigo queria encher o recipiente esmeralda. As aparências enganam, mas entorpecem.

Advinhos de Nós Mesmos


abri-me as entranhas hoje
a fim de ler
os presságios;

a dor surgiu de súbito,
enquanto o sangue jorrava
pelas minhas mãos trêmulas
que deixavam cair, impotente,
o gládio.

e então eu vi, amor,
sim, eu consegui ver
com meus olhos ainda arregalados,
trespassado por correntes
elétricas de dor,

assim como tu também o viste...

o sinal era bem claro:
seremos felizes.

André Espínola

Nova Antologia do Bar do Escritor - QUINTA BARNASIANA

A nova antologia do Bar do Escritor está recebendo inscrições.
Acesse o blog da Factotum (http://factotumdf.blogspot.com.br/) para ver o chamamento público.
A lista de participantes pode ser conferida na página da antologia no Facebook:
https://www.facebook.com/quintabarnasiana



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Passados























Quiçá,
meu antigo mundo
tenha sido construído
em redor de um poço,
no meio do laranjal,
assistido pelos pardais e grilos.

Quiçá, veja só,
nós tenhamos tido
um balanço muito grande
onde embalávamos nossas tardes
e nossos mitos

Em que todas as noites
eram poluídas apenas
pelo medo do desconhecido.

Quiçá,
nas tardes velhas
você sorrisse - como sorri agora
enquanto lê essa inesperada poesia.

E seu sorriso ainda seja
constituído pela mesma centelha
que iluminava a estrada
da nossa antiga vida.



(Jessiely Soares)



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ontem fez muito calor, fiquei puto da cara e o dia se resumiu nisso


A história se repete
todo dia
as caras se repetem
seus atos se repetem
suas novidades se repetem

Café com pastel é melhor 
rabiscar no papel
o que quer que seja
é infinitamente melhor 
do que encarar rostos vazios

O cara da mesa ao lado 
me pergunta que tanto escrevo 
- Qualquer merda- digo
nas outras mesas 
há grupos de amigos 
e todos riem e se divertem 
eles não entenderiam

- Qualquer merda, cara,
qualquer merda.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Reforma

Faltava apenas um ano para o ano 1000. As pessoas estavam apreensivas sobre o que viria: o fim do mundo? O Apocalipse? Águas ou fogo? O temor era geral e os Senhores viam seus ganhos nas vilas diminuirem. Foi quando o Senhor da Vila de Ginzburg decidiu chamar o Sábio para que o ajudasse. Há trinta anos aquele homem estava recolhido em sua morada fortificada, desde que voltara das guerras contra os infiéis, estudando as ciências ocultas e o milagre da transmutação do vil metal em ouro. Adquirira muita sabedoria nesse período. Essa sabedoria, aplicada ao quotidiano dos aldeões de Guinzburg, era o que interessava ao senhor. Atendendo ao chamado, o Sábio largou seus livros e seu laboratório e foi ter com o povo. Ensinou os agricultores sobre as fases da lua e as conjunções planetárias. De repente, esses produziam verduras, legumes e frutos em maior quantidade e em tamanhos nunca antes vistos. Aos ferreiros ensinou as corretas práticas com os metais e a temperatura do fogo. Surgiam espadas e escudos mais fortes e mais brilhantes, em abundancia. Aos trabalhadores das guildas e ao povo em geral versou sobre a correta arte de guardar e estocar os bens. O Senhor impressionou-se: naquele Inverno, recolheu mais impostos do que em toda a história da vila e, ainda assim, o povo de Guinzburg era o mais rico da região. Foi quando o Burgomestre procurou o Cardeal. Ele era Burgomestre desde quando o seu pai, o Burgomestre anterior, partira para a morada celeste, e isso fora há muito, muito tempo. Falou sobre a chegada do milênio e sobre o Anticristo. Toda aquela “prosperidade” não seria um truque do Diabo para perder as almas dos aldeões? Ademais, quem era aquele homem para ensinarem-lhes novas formas de fazer as coisas? Seus pais, seus avós e bisavós e os que vieram antes deles já faziam o que faziam do seu jeito! Era assim e deveria continuar sendo. A mudança, afinal, era obra do Diabo. O Sábio acompanhou, atônito, a chegada de todo o povo reunido em sua busca. Do seu lugar na pira de toras, viu o rosto resignado e triste do Senhor em meio ao seu povo, sem nada poder fazer. Antes do fogo roubar-lhe a consciência, pensou em como é difícil transmutar o coração do homem em algo melhor, muito mais que mudar o vil metal em ouro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O ALFERES

Em meio a donos de gado,
coube a forca em expiação
unicamente ao soldado.
Pois, sem posses, não há perdão...

Esse tem sido o Brasil
desde a Colonização.

***

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Reclamar Sempre! (DBS)

Reclamar Sempre!

A empresa planeja uma mudança e envolve uma galera.
A minha parte era mudar 183 links.
Eu passei o dia automatizando a operação.

Na hora H, o cara autoriza a minha mudança.
Eu rodo o 'programa'.
Em 3 minutos está tudo mudado.

O cara manda essa: "Porra, foi rápido demais, não estava no plano ser tão rápido."

Eu mando: "Desculpem por ter sido tão rápido!"

Ahahaha!

* A frase original: 'Wow - pretty much bang on schedule!'

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Nos seios fartos do meu travesseiros


Mais uma vez acordo
no auge dos meus 17 anos.
Ainda estou em casa e os sonhos
ainda são aqueles.

A poesia sexual
dança debaixo
do edredom
 são as mãos febris lutando
no escuro.

Flutuam no ar imagens
de um pornô qualquer
que fogem, feito salamandras,
pra debaixo da cama onde
dormem natimortos.

É meu trabalho decifrar esses códigos
diariamente. Trabalho duro
que me arranca o gozo.


***
poema publicado originalmente no blog do autor

Pensamentos Apoucados de Mossoró: 1 - 4

Nº1
“A poeira incide como neve
Não são grãos, são flocos
Se não resvalo o pano a cada três minutos na mesa ínfima
Dunas se formam”
 
Nº2
“Percorro até meu destino. São vinte minutos marchando
Contudo, cada gota de suor pesa um quilo
A cada passo estou um metro mais distante do fim
O sol pune, a poeira talha como navalha que é
Nos óculos, uma miscelânea de suor e poeira
O barro da aflição
Até que enfim chego
Para mim, após três dias e quinhentos quilômetros"
 
 
Nº3
“No teto, sem forro, as teias foliam
Aracnídeos inertes, mas atentos, aguardam o bródio
E a poeira ainda advém
Mesmo ao anoitecer”


Nº4
“A sabatina principia
Mesmo assim o fiscal não se cala, conversa e estorva minha concentração
Ouço o ranger de cadeira, a algazarra de um papel de bala, o rasante de uma mosca, a cantiga de um pássaro, o açoitar das folhas secas ao vento, o alento ofegante de um candidato acabrunhado
Não consigo me concentrar”

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A Saga de José

José, a festa é furada!! toma cuidado, José!!
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falei com o Montana e ele concordou em fechar a boate pra gente. então é o seguinte, hoje a noite a transação vai ser lá. os japoneses não tem pinto mas são tudo uns tarados. querem as latinas, então vão ter. o irmão do alemão ficou de arrumar essas putinhas lá da faculdade onde dá aula. o problema é que não confio nesse pessoal. só querem saber de cheirar e beber às custas dos outros. fica de olho.
.
porra mano, controla aí!! o Suzuka e o Akira tão demorando com a Fernanda! tão se fodendo faz duas horas!! vai com o Paixão lá e arrebenta esses filhos da mãe. essa parada aqui é minha. a bebida é minha, a droga é minha, o dinheiro é meu, TÁ ME ENTENDENDO??!! tão querendo foder com meu negócio?? me dá tua arma aí, vou mostrar quem é que manda aqui!!!
.
José, hoje é dia de luto! mas não é por você, José
.
Dom Matteo morreu. foi envenenado por sua doméstica que, descobriram agora, era agente infiltrada pela família Rossi. guardemos luto pois, embora rivais, respeitamos a dor humana. hoje quero nossa família mais unida do que nunca. cruzdemalta, mande chamar sua irmã lá do suriname. sem dinheiro, ela está vivendo de vida. andorinha, prepare-me duas carreiras e um duplo sem gelo. hoje não vou trabalhar. quero pensar na vida e na morte que quero pra mim.
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não posso negar que era gostosa. uma viciada, mas gostosa. e daí que fodesse com aquele mafioso? tá pra nascer a puta confiável. dane-se! o Limeira deve tá chegando aí. vou com ele pra Santos resolver umas pendências com os equatorianos. tu fica aí, abre o olho e fecha o bico. tem muita coisa correndo por aí e que tu nem imagina. manda tománoku quem perguntar por mim.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Convidada Cristina Rangel

Engravidar


Eu engravido todas as manhãs outra vez
quando ao fazer as camas,
sou invadida pelos cheiros dos meus filhos. 

Me arredondam as formas tais aromas.

A nítida sensação de que estão 
impregnados dentro de mim 
Sem cortes em seus cordões 

E me circulam as lembranças 
Dos movimentos sensíveis, 
no meu ventre! 

E lanço o meu olhar sobre a vida 
Renascendo, como mãe!



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Cristina Rangel
https://www.facebook.com/cristhinangel



domingo, 9 de fevereiro de 2014

ROLA É MEIA CURA DO MUNDO


Ter tomado porrada foi a prova inequívoca do meu sucesso
Ninguém contrata um cara pra espancar outro sem ter sido atingido
Sem estar muito possesso
E nada deixa alguém mais possesso do que a verdade estampada diante dos olhos
Minhas palavras foram setas certeiras nos ouvidos da gorda
Dizeres nocauteiam mais que chute na cara
Ter apanhado foi o retrato do meu sucesso frente ao fracasso do gordo ser

- Porque você sabe, né?

Toda gorda vive de migalha
A gorda é um pombo que vive ciscando
De tanto ciscar vira uma espécie de galinha gigante
Um desenho animado
O problema da gorda é ter sentimento
Gorda não pode ficar ofendida
É como blusa em prateleira de loja, não fala, espera ser escolhida.
Mandada pro espaço viraria satélite de Plutão
Tem massa suficiente para gerar gravidade
São Jorge foi morar na lua fugindo de uma gorda modelo hipopótamo
Azar o meu de topar com o Panzer
Bow! Bow! Bow!
Ipanema tremia a cada passo seu
Um dinossauro ressurgido dos filmes
O Godzilla com um saquinho de pão na mão veio em minha direção
Não aguentei
Virei pra ela e disparei:

- Cadê o Godzuki?

Ela fez um escândalo
Falei muitas verdades
Daí o episódio da porrada, o tio dela é policial.
Enfiou-me porrada em nome da sobrinha balofa
Sobrinha, esse era o único diminutivo que cabia na vida daquela gorda escrota
Foda-se
O titio dela é policial
Eu sou técnico de futebol
No meu banco de reserva tem sempre um veado e uma gorda
O veado serve pra não comer a mulher que a gente tá afim

- E a gorda, serve pra quê?

Pra chupar nosso pau depois que a mulher que o veado negou não quiser dar pra gente
Aprendemos no primário
Gorda é a cinderela às avessas
Baleias bípedes têm duas horas de existência
Entre quatro e seis da manhã
Olhos só enxergam gordas como seres comíveis depois das quatro da madruga
Regados a muito álcool e cocaína, é claro!
Depois que o sol nasce não podemos estar ao lado de uma gorda
Elas voltam ao seu estado permanente
Sacos de merda podre

- Saca areia movediça?

Pois é, te engole.
Verbo que gorda entende é esse, engolir.
A gorda tem a xereca na boca
Ela chupa pau como quem dá a boceta, e pelo amor de deus, sempre vestida.
Duas regras primordiais no trato com as gordas
É proibido as gordas tirarem a roupa
É proibido dormir com as gordas
Dito isso
Naquele dia eu tinha que mexer no time
Estava perdendo
O jogo tava no segundo tempo
Bastava um empatezinho pra não ir pra zona
Virei pro meu assistente pirutécnico e dei a ordem:

- Bota à gorda no aquecimento, hoje ela vai mamar.

Eram quatro e meia da madruga
E como já concordamos, a essa hora podemos com gordas.
A bolofa baranga mora no meu prédio, é minha vizinha.
Ela fica na janela esperando meu retorno
Rezando pelo meu insucesso
Minha desgraça é sua glória
Meu infortúnio
Volto pra casa totalmente derrotado
Mas a gorda sempre deixa eu fazer um golzinho aos 44 do segundo tempo
Ela abre a boca e aí meu amigo, gol feio não existe.
Feio é não fazer gol
Gol de canela também vale três pontos
Quando uma gorda abre a boca temos duas opções, ir embora ou meter a pica.
Ir embora é bem mais sensato
Sensatez nunca foi o meu forte
Se a balofa me ouvisse
Mas não
O azar dela foi não crer em minhas profecias
Eu falei pra aquela filha da puta não aparecer de batom
Minha ideia pra ela era curta e grossa
Botar o pau pra fora
Dar-lhe uns três tapas na cara
Gozar e ir dormir
Como sempre, a derrota que não se justifica.
Mas não, ela tinha que aparecer de batom.
Um hipopótamo maquiado
Eu não sou dado a animais
Tenho uma máxima a qual levo muito a sério: “rola é meia cura do mundo”
Mas como curar um hipopótamo de batom?
Usei o meu revólver
Dei seis tiros na cara da gorda
Depois disso nunca mais precisei lavar sorrateiramente o pau sujo de batom na pia antes de dormir com minha linda e amada mulher

Pablo Treuffar / Leandro Gama
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO