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André de Leones - (Goiânia, 1980) é autor de "Dentes negros" (Rocco) e "Como desaparecer completamente" (Rocco), dentre outros.
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(Sonia Cancine)
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Do alvedrio espelhado
- pela candeia -
Um cheiro de rosas
Um brilho nos olhos
Ilumina-me os lábios
Na taba sombria.
Derramo a lágrima oculta
Uma fotografia à tua alma
Um cheiro de canela, pimenta e chocolate no ar.
Sorrio
- como pequenina pétala de cristal
Como se fosse partir devagarzinho
[ao leve contacto com o ar]
Como se tudo fosse parar agora -
E cantos baixinhos me aconchegam
- como se quisessem me embalar -
Sussurros
- saltitam de lá para cá –
E bailo com as mãos
- e como se me escondesse
fecho os olhos
e contemplo o amanhecer -
O vento acaricia-me a face.
O cheiro da terra
O frescor da bruma
O sabor do vento
Trazem-me um sorriso.
Vislumbro
Passos, tatuados à beira-mar
Segredos, numa caixinha de pandora
O bater das asas dos pássaros
O curso dos rios e mares
Os saltos das águas em cachoeiras
O brilho da Lua...
Colho dos cestos floridos, o passado.
E sei que nada disto me é eterno, nada é meu.
foi numa tarde de quarta
poucas horas
mais que um livro
dono de olhos opacos
como que insatisfeito
tinha poesia nas mãos
bem mais que um livro
e ficaram as palavras apenas
e a indagação
do que eu olhava
ficaram as palavras apenas
naquela casa simples
de piso frio e dedos mornos
a visita do poeta
deixou-me poetisa
bem mais que antes.
Um dia El Rei D. Sebastião vai voltar:
El Rei redivivo, ressurgido dos mortos,
virá restaurar o Império
e o exército d'El Rei D. Sebastião
serão extras de um filme de Romero.
Quando voltar, El Rei D. Sebastião
nos vai fazer frequentar a igreja.
El Rei D. Sebastião vai coibir o consumo abusivo de cerveja;
proibir ir à praia sem roupa;
acabar com essa pouca-vergonha
de transar antes do casamento,
comer carne às sextas-feiras,
dormir mulher com mulher
e barbado com barbado.
D. Sebastião I, O Desejado, quando vier,
vai por fim a essa mania da Colônia
de querer ser Sede da Coroa.
Um dia El Rei D. Sebastião,
à frente de uma armada de mil caravelas,
vai botar ordem nesta zona.
Um dia El Rei D. Sebastião vai voltar
e acabar com essa bela balbúrdia.
Nesse dia, por via das dúvidas,
me mudo prum outro lugar.
o passado é molecula que não existe
influxo de pensamento irreal
um espírito que se perdeu
átomos infundados
o amor que não correspondeu
a loucura que fora feita
os passos que foram dados
a planta que foi colhida
o passado é o vento que sopra
a ilusão que persiste
as lágrimas que escorreram, em vão
porque você é bobo, trouxa!
o passado não existe, porra!
