terça-feira, 18 de agosto de 2015

Da aurora

da aurora
pouco
pode-se enxergar:
ou se está muito sonolento,
ou bêbado demais
abrindo/fechando bar.

André Espínola

(Poesia presente no Ebook "Apenas Cinco Minutos")

domingo, 16 de agosto de 2015

Coma nº 7

arrastar-se pra casa
catarse constante
o coma

restos e mais restos
de si mesmo

deixados pra trás
desde o parto
desde o berço

no rastro
do tempo.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Trova de Edweine Loureiro



À criança brasileira,
retransmito esta lição:
a decisão mais certeira
é ter um livro na mão.

(Edweine Loureiro – Japão)

domingo, 9 de agosto de 2015

O ÉPICO DO MAL


Ontem foi o pior dia na vida dos torcedores-pseudo-conformados-incrédulos
Os hereges do futebol sucumbiram
Quem não abandonaria seus valores diante do improvável épico
Os céticos torcedores receberam um soco no estômago
Pensemos num Flamenguista a semana toda se convencendo do pior
Proliferando, a eliminação é certa!
Programado pra não sofrer o torcedor nada esperava
Tudo havia acabado na patética derrota para o Emelec
Ele já mirava o Carioca
Não pensava mais em Libertadores
Deu merda nos seus planos de paz interior
O dia 12 de abril de 2012 foi inesquecível
O jogo rolava e o ateu torcedor conversava com outros não tão incrédulos
Dizia ele sereno e convicto: - “Não criem expectativas, os jogos estão começando.”
Dois jogos simultâneos pra apreciar
O Flamengo precisava vencer e torcia por um empate no outro jogo
O primeiro gol do Flamengo saiu no primeiro tempo
O cético torcedor se conteve de razão e ponderou: - “Eu sei, com a vitória breve, o empate simultâneo no Paraguai, estamos momentaneamente classificados, mas o jogo de lá terá vencedor, podem apostar, estamos abolidos das oitavas.”
O anuído torcedor seguia agnóstico
Segundo gol do Flamengo e final do primeiro tempo
Torcedores comuns comemoravam a parcial classificação
Não ele!
Gol do Olímpia, e o torcedor-pseudo-conformado-incrédulo articulou: - “Eu falei pra vocês, relaxem o Flamengo não vai classificar.”.
Começa o segundo tempo e gol do Flamengo, a essa altura do campeonato o jogo do Flamengo não importava.
Todos os olhos voltaram-se para:
Olímpia 1 X 0 Emelec
Os momentos passam, e aos 21 minutos do segundo tempo:
Emelec 1 X 1 Olímpia
Desse jeito, Flamengo classificado.
Isso não afetou o budista torcedor, ele continuou incrédulo e iterou: - “Esse jogo vai ter vencedor, não comemorem.”.
Dos 21 minutos aos 41 o resignado torcedor manteve seu discurso racional
Ainda no presente do passado, o classificado torcedor-pseudo-conformado-incrédulo, sabia, sua fiúza seria convalidada.
Não deu outra, aos 42 do segundo tempo, aconteceu o inequívoco esperado:
Emelec 2 x 1 Olimpia
E o torcedor-pseudo-conformado-incrédulo arrazoou aliviado: -“Eu falei, viu, acabou, fim de papo, fatura encerrada, Flamengo desclassificado, eu te disse... eu te disse... eu te disse, vai acabar o jogo...”.
Ele estava certo e sereno, teria uma noite tranquila.
Entretanto aos 45 minutos do segundo tempo o improvável aconteceu:
Olímpia 2 X 2 Emelec
Não teve jeito, o torcedor-pseudo-conformado-incrédulo, comemorou a impossível classificação, ele abandonou seus ideais e foi feliz, tudo era pleno, o Flamengo estava classificado, agora ele podia comemorar, era épico.
Mas não
Ele não devia ter comemorado antes do apito final
Ele se traiu
Ele acreditou
Ele que não comemoraria, comemorou.
Não podia, nunca!
Eis que o já não descrente torcedor-pseudo-conformado-incrédulo tinha razão, e aos 47 minutos do segundo tempo, no último lance do jogo:
Emelec 3 x 2 Olímpia
Flamengo desclassificado
E o torcedor-pseudo-conformado-incrédulo, programado pra não sofrer, sofreu como nunca antes sofrera.
Esse dia foi épico
O Épico do Mal

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

VERSUS

Sonhar alto
conseguir a Bolsa,
passar no concurso,
atingir a meta de vendas,
fabricar um catálogo,
instituir parcerias,
aprovar no Mestrado,
definir prioridades,
alavancar os resultados,
dinamizar as relações,
conquistar mais espaço,
organizar o almoço de fim
de ano do departamento;
ter e aparecer.

Sonhar
incendiar a Bolsa de Valores,
nunca mais preencher um curriculum,
dar o que não mais deseja,
se irmanar dos iguais,
fumar as anotações do artigo acadêmico,
beber nas segundas-feiras,
dividir o aluguel,
bater ponto só no Terreiro,
ler tudo do Piva,
escrever nos muros da cidade,
quando morrer, ter um albergue
para moradores de rua
batizado com seu nome
e enfim desaparecer.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Tratamento do Choque *



            De começo foi imperceptível e estranha infecção, daquelas que espreitam corpos desavisados, trechos não vistos e períodos decompostos. Amigavelmente, ia atingindo um setor, um membro, daí se espalhando para todo o corpo. Ou a maior parte dele.
            Isto em geral poderia resultar em uma atividade febril, na suspensão de sensações ou, em casos mais extremos, a morte do organismo. E os órgãos sabem que morrem coletivamente; o problema nunca é somente dos outros... Cada um tem sua parcela, a falência individual acaba tornando-se múltipla. Morrer é fácil, viver é fácil, o difícil é conviver, como já disse o poeta...
            Não que estivesse já nos estertores: por fora ainda brilhava o lume do uso diário, de aventuras passadas e outras atividades recentes que sempre refrigeravam, traziam um frescor de vida e beleza que areja lugares insalubres. Assim como o tifo, aparece quase sem querer.
            Austregésilo do Perpétuo Amparo tremia convulsivamente no meio da birosca mal ajambrada onde havia se refugiado, estrofes e parágrafos estragados nas mãos, um sem número de rostos, rodopiando em sua volta, sussurravam sibilantes: “Lindo”, “Maravilhoso”, “Belíssimo”, fora os “Bravos” e “Bis”. O pobre sabia estar nu e todos aplaudiam. Austregésilo tremia e tremia e tremia... Sabia estar infectado com o vírus do elogio gratuito.
            Foi salvo por um ornitorrinco resmungão, que aplicou-lhe vocabulária vacina:
            − Tu não escreveu nada! Não disse alhos com bugalhos e ainda quer palmas?
O pobre quedou ali sem entender, mas sentindo os tremores cederem, enquanto o Ornithorhynchus anatinus saiu gingando no melhor estilo Bogart e ao som dos maiores sambas da velha guarda barnasiana.
− Sincerol 500 miligramas, direto na veia. O melhor remédio para o nhe-nhe-nhem...
           

Austregésilo, de súbito atingido por inclemente chuva de tomates podres, sentiu que se não estava curado, ia no caminho da cura. E pôs-se a reescrever tudo aquilo que já havia dito um dia, sem dramas, nem dracmas, nem choro, nem lágrimas...  

* Em homenagem aos 10 anos de Bar do Escritor, um aperitivo publicado na quarta antologia do BdE: Tomo IV. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Piromaníaca


Acendia fogueiras, despretensiosa, apenas para vê-las arderem, estalarem e consumirem-se.

Quando sentiu frio, desamparada, já não tinha mais ninguém para servir de lenha.



Memórias


Desde aquele dia, virei um fantasma, uma sombra - um vulto

Aquele reflexo no espelho, no qual você não se reconheceu, aquele era eu

domingo, 19 de julho de 2015

Do Contra

Wallace era o cara do contra. Até onde se sabia, NINGUÉM era tão do contra quanto Wallace. Se esta categoria de ser humano entrasse para o Guinness, Wallace seria um forte candidato a fazer parte do livro dos recordes. Mesmo tendo pouquíssimos amigos, para não dizer nenhum, Wallace insistia em manter contato com pessoas, afinal, a sua motivação maior na vida era ser o cara do contra.
Pois foi num coquetel com colegas de Faculdade que o diálogo de logo em seguida ocorreu. Laura, uma nova aluna do curso, ficara sabendo da fama de Wallace. E logo ela percebeu que Wallace não conseguia ficar com mulheres, exatamente por sua mania de contrariar a tudo e a todos. O que Wallace não sabia, era que Laura tinha um fetiche por homens que normalmente não atraíam outras mulheres...
Após serem apresentados, o papo tomou o rumo que Wallace gostava. Laura disse:
- Não suporto política.
- É interessante. Não gosto dos políticos brasileiros. Mas o tema política é interessante...
- Eu também não gosto dos políticos brasileiros. Nem um pouco – disse Laura categoricamente.
- Bem, na verdade, tem alguns que eu gosto. O Getúlio, por exemplo. Um grande político. O João Goulart também.
- Também curto o Jango. Foi um grande cara, injustiçado.
Wallace, desconfiado, falou:
- Não... Acho que você não gosta dele não, Laura. Acho melhor você refletir a respeito do que está falando...
Laura levou a conversa para outra direção:
- E de quais esportes você gosta, Wallace?
- Não tenho um favorito em particular... E você?
- Gosto de hóquei no gelo.
- Hum... Muita brutalidade. Não é para mim.
- Sou fã também de nado sincronizado, nas olímpiadas.
- É bonitinho, mas para mim isso não é esporte. É arte. Está no lugar errado.
- Perfeitamente.
- Hum?
- Também acho.
Nisso, Wallace pegou mais um canapé na bandeja que estava ao seu lado, e comeu. Laura emendou:
- Estão uma delícia estes canapés, hein Wallace?
- Não acho. Só estou matando a fome.
- O que você mais gosta de comer?
- Depende do momento, depende o dia.
- E música? Você gosta de MPB?
- Bem... – Wallace olhou bem para Laura, tentando decifrar se ela gostava ou não de MPB. Sem sucesso. Aí disse, na defensiva:
- Por que, você gosta?
- Não tenho uma opinião formada. Preciso ouvir mais esse estilo. As críticas são as melhores, não?
- Não dou bola pra críticas. São só opiniões individuais. Assim como eu e você, qualquer um pode falar o que quiser de MPB. Vai pedir, por exemplo, para algum retardado tipo, sei lá, o Supla, se ele gosta de MPB.
- O irmão dele é músico e toca MPB.
- E daí? Já soube de irmãos que um era padre, o outro assassino de aluguel. Novamente, gostos diferentes. O que eu quero dizer é que há muitas opções, não tem como...
Enquanto Wallace vinha, como sempre, tentando provar seu ponto de vista, o garçom passou por eles; Laura aceitou uma dose de uísque, já Wallace, olhando bem ao seu redor e vendo que ninguém pegara o único copo de Martini da bandeja, não hesitou e se agarrou ao copo.
- E o cinema americano clássico? Film noir, os musicais da Metro... Isso sim era bom. – disse Laura, após um gole imenso no seu uísque on the rocks.
- De clássico, prefiro um western.
- Nossa, você é fã de John Wayne então?
- Sou mais Roy Rogers.
- E entre Marylin Monroe e Audrey Hepburn? Qual das duas?
- Sophia Loren. Sem dúvida.
- Cinema italiano, hum... Sabia que você tinha uma queda por cinema europeu, Wallace...
- Na verdade, não. Gosto de cinema europeu como gosto de qualquer outra coisa.
- Como o quê?
- Como, sei lá, comer pera. Tanto faz. É uma boa fruta e tal, mas não vou morrer se não comer uma pera. Só isso.
Nisso o garçom passava por eles mais uma vez. Laura pegou para si duas doses de uísque, desta vez a caubói, e disse:
- Pelo seu papo Wallace, vejo que você não vira uma dose de uísque dessas nem aqui, nem na China. Certo?
- Me dá aqui. – Wallace virou a dose num gole só, depois tossiu e por fim, limpou uma lágrima que saía de seu olho.
- Uau... Bem, eu vou tomar essa minha aqui bem devagar... – disse Laura, com um olhar penetrante nos olhos agora vermelhos de Wallace. -... já que detesto beijar a boca de alguém com hálito de uísque puro, assim, no seco, quente...
Quando os demais colegas se deram por conta, Wallace estava atracado aos beijos com Laura. Que, esperta como ela só, havia apostado com mais de uma dúzia de colegas ali presentes que ficaria com o turrão do Wallace, e por iniciativa do próprio.

Touché!









sábado, 18 de julho de 2015

Narrativa Literário-futebolística em Quinhentas Palavras


“Zagueiro bonzinho acaba como babá do filho do atacante”. Pensava assim o beque Roberval até o dia em que vitimara Zeca com avassalador carrinho. O artilheiro flamenguista e ídolo da seleção brasileira ficou quase um ano no estaleiro com tíbia e perônio fraturados. Em conseqüência, Zeca, perdeu a Copa do Mundo e Roberval a paz de espírito corroída pelo remorso.
Viveu assim tempos difíceis o Roberval, beque conhecido pelo estilo viril aliado a certa malvadeza para com os adversários. Fora criticado por toda a imprensa futebolística, virando um bandido perante a opinião pública que antes o endeusava por sua demonstração de raça em campo. O zagueirão só não capitulara porque Jesus entrou de sola em sua vida quando Bernardo, meio-campo e Atleta de Cristo, o presenteou com uma Bíblia mandando que ele a lesse. Em semanas Roberval largou as noitadas, carros importados, marias-chuteiras e tomou ojeriza pela violência nos gramados. Virou um zagueiro clássico, daqueles de tirar a bola dos adversários como se houvessem pinças em seus pés. Nas entrevistas após as partidas, parafraseava Jesus ao justificar o sumiço de suas botinadas: “Não faça com os outros o que não quiser que façam com você”.
Brasil, celeiro de craques, viu nesta época surgir nas Minas Gerais Dentinho, para os especialistas da crônica esportiva, o novo Pelé. Dentinho humilhava os marcadores com sua técnica apurada e talento de malabarista com a bola nos pés. Zagueiros renomados perdiam o sono na véspera dos jogos contra o Cruzeiro, temendo a vergonha de serem entortados pela jovem revelação mineira.
Quis o destino que Cruzeiro e Botafogo decidissem o Campeonato Brasileiro em jogo único no Maracanã. Rádios, jornais e a televisão vomitaram durante toda a semana o duelo entre o malvado arrebanhado por Jesus e o novo deus da bola tupiniquim. Roberval passou a noite em claro. Cristão antes de ser zagueiro, tinha a obrigação moral de não machucar aquele menino prodígio.
Maracanã cheio, um clima de euforia intoxicando o ar. Antes do jogo, Roberval fez questão de presentear Dentinho com uma Bíblia.
A partida transcorreu nervosa como uma digna final de campeonato. Aos 35 minutos do primeiro tempo, o Botafogo fizera o seu gol e segurava a vantagem no marcador com um desempenho sólido de Roberval que, apesar de tomar alguns dribles de Dentinho, não deixava o atacante levar perigo à meta botafoguense.
 Acontece que, a natureza do escorpião revelou-se e ele picou a sua vítima.
Eram 44 minutos do segundo tempo. Em um contra-ataque, a bola foi esticada para Dentinho que ganhou na corrida de um zagueiro e rumou em direção ao gol. Roberval partiu para a cobertura e, temendo o empate cruzeirense, atingiu barbaramente o joelho direito de Dentinho.Um palmo fora da área. O atacante saiu de maca direto para a mesa de cirurgia, Roberval foi expulso e o Botafogo sagrou-se campeão.

Enquanto a festa alvinegra tomava a cidade, Roberval isolou-se em um templo evangélico. Chorando, Bíblia segura na mão direita, o zagueiro rogou a Deus para que perdoasse seus pecados.

Poesia Muda

Quando estiveres cansada
De ver sempre as três fatídicas palavras,
Todas juntas,
Nas minhas inúmeras
Posias de amor,
Tudo bem.

Fecha teus olhos
E com a visão escura,
Escuta.

Pois o silêncio que a boca declara,
É o meu amor também.

Em forma de poesia
Muda.

André Espínola

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O medo

tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo

todos os meus suicídios
empecilhos
martírios
fracassos

tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo

todos os meus atrasos
vôos rasos
acasos
e afins

tarde demais
ou tão cedo
o velho receio
o medo

todos os porres
tarde demais
ou tão cedo
todas as mortes
tarde demais
ou tão cedo
todas as dores
tão tarde
tão cedo
tudo agora
no tempo certo
ou errado
em mim.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Poesia de Edweine Loureiro

Tema: Infância

ALEGRIA

É ver
o sorriso da criança
espalhar Poesia.

Nota: Poema selecionado na 16ª edição do Premiado Projeto “Um Poema em Cada Árvore”. 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

VOU ACABAR NA IGREJA PREGANDO EM NOME DE JESUS


Eu não posso fumar maconha
A maconha leva-me no caminho inverso
Ela não é subversiva
Pelo contrário
Super moralista
Quando eu fumo eu quero viver uma vida normal
Tudo diferente dos ensinamentos dos meus gurusbebuns
Penso automaticamente ”chapado” em trabalhar mais, ganhar mais dinheiro, sair menos, não dar tamanha importância ao sexo.
Quando não fumo a erva moral eu quero trabalhar o mínimo necessário, não dou a mínima pra dinheiro, só quero sair e fuder.
Não sinto culpa “careta”
Quando não fumo eu tenho a total consciência do poder viver uma vida de bar e sexo
A maconha é a minha culpa
Leva-me automaticamente pro mundo padronizado no caminho dos iguais no não viver
Eu fumo e quero ser mais um
Quero ser o cara criticado ao limite nos bares e pras consequentes mulheres em discursos efusivos e anárquicos
Se eu fumar todo dia vou acabar na igreja pregando em nome de Jesus

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
VOU ACABAR NA IGREJA PREGANDO EM NOME DE JESUS de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

terça-feira, 7 de julho de 2015

Arrasta sua sandália de odalisca triste pelo asfalto

Sua pele de animal selvagem
Coberta de fuligem, sujeira e sal
Suas escamas sobre as costelas salientes
Denunciando a fome que te ultrapassa

Ancorado em minha mesa, observo
A nervura de teus passos, buscando mais uma dose
O traficante que não chega
Te oprime como o tombo de uma guilhotina

Sob o astro frio da tarde que finda
Sua agonia, tão imensa, quase nubla o sol poente
Se eu quisesse poderia tocar sua angústia
E fazer dela pequenos cubos de gelo d’alguma bebida

Arrasta sua sandália de odalisca triste pelo asfalto
Suas unhas mal feitas, como garras de um bicho enjaulado
Eu sei como dói, são os ossos rangendo dentro da carne
São os olhos que não se interessam por mais nada

Dentro de sua calcinha, pulsa, teu sexo aberto em ferida
Corrimento fétido e viscoso, pelas pernas escorre e corrói a pele
Já foi bela, foi como flor, dama singela e longilínea
Agora apodrece viva, chamada antes Simone

Agora a chamam pretinha da Vila Silva
Louca dos cabelos arrancados, magrela desgraçada
Favelada sem pai nem mãe, ladra de beira de esquina
Mas eu ainda te chamarei Simone, pela vida que te negaram

E pela dor que não posso te arrancar
Pela incapacidade de te salvar
Pela miséria que carrego comigo
_ Tome um cigarro, Simone, se cuide.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

hoje, no globo repórter


4.3 e inda não aprendi o tal pulo do gato que tira o cavalo da chuva, o boi da linha e coloca o ruminante na sombra; talvez o bicho de sete cabeças, se não estiver com a macaca, espante o espírito de porco e me ensine a dar o drible da vaca no lobo em pele de cordeiro. quero acertar na mosca mas a morte da bezerra está recorrentemente nos meus pensamentos. nesses dias, ando trôpego, feito barata tonta e as velhas raposas me vendem gato afirmando enfaticamente tratar-se da mais felpuda lebre. sempre pratico a discrição e tento manter minha boca qual a do siri, contudo, sempre vem um raio dum papagaio de pirata cabeça de bagre me apontar o bico e eu, bode expiatório, acabo pagando o pato, ou pior, caindo do cavalo paraguaio. o lance é mandar esses amigos da onça irem pentear macaco quando vierem com aquela conversa pra boi dormir. ora, cada macaco no seu galho! se ameaçarem soltar a franga, solto os cachorros em cima deles. tô farto de engolir sapos, de assistir impassível à vaca seguir mansamente rumo ao brejo. chega de cutucar a onça com vara curta! quero amarrar o burro, afogar o ganso, matar a cobra e mostrar o pau. encerro minha sina de vaquinha de presépio e aviso: prendam a respiração porque a cobra vai fumar!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Inefável

eu tenho um palpite
de como a geração "beat"
fazia poesia

com um "snif" no pó
ou tomando num gole só
a doidera
gera
o verso/vômito
galopar indômito
de imagens e sensações
caleidoscopicamente
na velocidade da luz
da alucinação
da ação
da mente/sonho
randômico
filmessequenciadeslides
a expor vaidades
e mitos
rito xamânico
a evocar o inefável

(em 23/05/2014)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ingrato


Vestiu o terno da indiferença, os óculos escuros do desprezo e subiu o vidro da intolerância.

Após realizar o ritual diário, rumou pelo meio daquela gente, que ele sempre desdenhou, para onde aquela mesma gente, que pagava seu salário, o colocou.

domingo, 21 de junho de 2015

In cwb













Luz dos pinheirais

Belíssima Curitiba

Gelada e solar


Imagem da web: neve em Curitiba no inverno de 1975.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vai assistir notícia!

Você já ouviu alguma vez em sua vida uma frase do tipo: “larga mão de ficar vendo besteira na TV. Assiste um noticiário, que assim você se informa do que está acontecendo!” ou então: “Filme? Série de TV? Não, não assisto. Isso não leva a nada. Só vejo mesmo notícia, e para me manter informado!”. Se já ouviu algo parecido com isso antes e ficou sem resposta, aqui vai uma pitada de polêmica para você ver que não é bem assim como se diz...

Primeiro: isso é um papo velho e ultrapassado. Mas isso não impede que alguém, de pouca idade, venha até você e o censure por assistir os seus filmes e suas séries de TV favoritas; certamente essa pessoa não desfruta deste lazer, e quer destruir o seu. Pior: impondo que apenas ‘notícia’ vale a pena de se assistir, é que eu questiono estes cidadãos: a qual parte da notícia você se refere? Qual, ou mais precisamente, quais notícias valem mais a pena de assistir do que um filme (ou do que um episódio repetido de Friends)?

Bem, se optarmos por segmentar o que assistimos de notícias, estaremos dividindo-as por categorias, da mesma forma que aos gêneros de filmes. Exemplo: minha namorada prefere romance à comédia, então não é qualquer comédia que ela assiste. Já um romance... É, mas a notícia tradicional de TV ainda não nos dá essa escolha – tudo é jogado ali, à sua frente. É assim que é decretado o que é notícia; basicamente a mesma que está nos jornais, ou na internet... hum, quase ia me esquecendo que, na INTERNET podemos escolher o tema de nosso interesse – aí sim, justo, podemos selecionar ao que assistir de notícia, e não o que os jornalistas, ou melhor, os donos de emissoras, querem que a gente assista.

No meu caso, há um tipo de notícia que eu não apenas não gosto, como sinto náusea ao assistir: o noticiário político brasileiro. Prefiro, sinceramente, assistir a um filme B de terror italiano. Ou espanhol. Ou do leste europeu, sei lá. Com imagem ruim. Roteiro tosco. Sim, prefiro. Isso que estou para um terror B tanto quanto minha namorada está para uma comédia besteirol americana. Um pouco deprimente, não?

Outro argumento, para eu que sou fã de Star Wars (pode me chamar de nerd, vai!) é que nos filmes ou séries, podemos torcer para o mocinho e quase sempre conseguimos ver o vilão se ferrar no fim, exceto quando algum gênio da 7ª arte resolve imitar o que acontece na vida real - e aí temos Michael Haneke. Que, por sinal, pode ser uma indicação para esse camarada que “só vê notícia”. Um pouco de realidade nua e crua para esse cidadão. Que não precisa ficar atormentado após a sessão, não. É claro que filmes perturbam. Nos fazem pensar. Mas, se você inocentemente sentar à frente da sua TV e começar a ver o seu noticiário, metade do tempo que se propõe, falando de corrupção no Brasil, na FIFA, denúncia daqui, denúncia dali, suborno, propina, estelionato, desvio de verba... Pode ter certeza que isso sim é o que ATORMENTA. Não o filme do Haneke. Ou do Scorsese. O que se dirá de um mísero Star Wars?

Nossa, como eu queria ter um sabre de luz e desafiar todos esses bandidos que a notícia brasileira nos mostra. Queria ir para qualquer lugar, sei lá, poderia ser a Terra Média também (sim, gosto do Senhor dos Anéis – nerd ao quadrado!). Então, com todo o respeito que os jornalistas deste país merecem - afinal, temos muitos bons jornalistas aqui e no exterior - vamos mudar o foco um pouquinho? Falar mais de cinema, de teatro, de séries de TV? Pode ser até do Chaves. Tá valendo. É melhor rir do seu Madruga fugindo para pagar o aluguel do que assistir a um congresso inteiro que não se mexe. Ou falar mais de esportes, mas de preferência de outras modalidades que não o futebol – uma que futebol já é o assunto diário nas rodas de conversa do brasileiro, e outra por castigo, já que sua organização regente, a FIFA, está seguindo as mesmas ações da política brasileira: roubar, mentir e reinar. Não necessariamente nesta ordem...

Bem, caros leitores, paro por aqui. E que a força esteja com vocês!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Dívida

telefone soa. Atende no terceiro toque.
— Alô?
— A Soraia está?
— Tá na Igreja.
— Que horas aquela piranha volta?
— Mais respeito, dona! Quem tá falando é o marido dela.
— Então o senhor diz pra esta vagabunda me pagar o que deve! Não
trabalho na zona, pra ganhar dinheiro fácil!
— Te deve o quê?
— Noventa reais, pelas três fantasias.
— Que fantasias? Minha esposa detesta carnaval, é
crente! Você deve tá confundido minha mulher com outra
Soraia!
— É esse número mesmo! Quer me enrolar, seu filho da
puta? Quero meus noventa contos pelas fantasias de enfermeira,
polícial e estudante! Se essa vaca não me pagar até sexta, eu vou
na porta dela e armo um escândalo!
— Vai se fudê, mulher doida!
Desligou. Pensamentos atordoados zuniam em sua
cabeça. Foi ao quarto do casal. Por minutos revirou gavetas, vasculhou o armário e cantos suspeitos. Ouviu a chave da porta principal girar. Retornou à sala. Transpirava.
— Chegou cedo, querido.
— Onde você estava?
— Na igreja, onde mais?
— Na porra da sua igreja funciona escola, hospital ou delegacia?
— Quê?
Três facadas no peito. Uma por cada vestimenta erótica.

Ponteiro do Tempo


Vivo a escutar
O tic-tac
Do relógio do tempo.

Não há minuto nem segundo
No único ponteiro que é o vento.

E faz as nuvens andarem
Por caminhos que não sabemos.

Que dá vida ao mar
Tornando seu líquido violento.
 
Movimenta nas árvores
Os galhos finos
E
Secos.

E corre.

C                 e

    o          r
         r
       
Assanhando teus lindos cabelos.

André Espínola

(Poesia presente no Ebook "Apenas Cinco Minutos")

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tarado anti-modernista

Cachaça com bíter me deixa tarado
não entendo poemas modernistas
nunca fui nem quis ser avant-garde
numa estética primitiva e minimalista

Cachaça com bíter me deixa tarado
note o volume em minhas calças
não sei tocar nenhum vaudeville
nunca gostei da nouvelle vague

Cachaça com bíter me deixa tarado
fico afiado
sou velho
mas ainda sirvo pra montaria
só ando armado
e tenho boa pontaria.

domingo, 14 de junho de 2015

COLUNA: TROVAS DE EDWEINE LOUREIRO

Amigos, a partir deste mês, publicarei minhas trovas neste espaço poético.
Grande abraço do Japão a todos.

Edweine Loureiro


terça-feira, 9 de junho de 2015

À DERIVA


Procuro ser o que não sou
O mundo projeta minhas ilusões de felicidade
Tenho o meu querer
Sei o meu querer
Não!
Óbvio que não!
Meu mundo interno cheio de projeções megalomaníacas e egocêntricas desiste de mim enquanto alma e canaliza-me no desejo da minha libido doentia e viciada
A sexualidade segrega minha vida da poesia
Sou um ser sem alma
Vazio
À deriva em um oceano sexual

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

domingo, 7 de junho de 2015

Um Cisco nos olhos - parte I



Apertou no peito o bilhete amassado. Arremessou a bituca de cigarro, colocou as mãos no bolso e aninhou com os ombros a mochila nas costas. Olhou os carros que passavam rápidos na Avenida, nem sinal do ônibus. A passagem custa R$3,10. Amanhã, vai tentar mais empresas, vai enfrentar mais entrevistas, vai ser testado novamente. Vai buscar um emprego. Como um boi no matadouro, como um porco sendo castrado.
Eram dez horas da noite e tem fome. Em sua casa há apenas alguns pães, já duros, e um pacote de macarrão. Mas não tem molho e pensa em fazer o macarrão com um tablete de caldo de carne. Sabor churrasco.
Estava contrariado pela derrota que sofrera no bar do Ramiro. Não havia resistido à tentação e passou no bar pra beber uma pinga, bebeu duas e desafiou o Ramiro pra uma melhor de três. Perdeu as duas primeiras partidas e jogaram a terceira só de sarro. Estúpido, pensara que pudesse vencer Ramiro e sair com mais dez reais da banca e ainda beber outra pinga. Foi tolo, como se aposta dinheiro com o dono do bar, o dono da mesa? Imbecil.
Perdeu dez reais.
Tanto dinheiro pra quem tem fome.
Dentro do ônibus, os passageiros calados, quietos. O ônibus está vazio. O terminal de desembargue ao contrario já está lotado, pessoas andando rápido, crianças de colo, senhores idosos e jovens voltando da escola. Todos esperando o ônibus que os levarão aos seus bairros, às suas casas. Um cheiro de pipoca, de sanduíche, de carne fritando se mistura no ar.  O gosto da gordura lhe vem à boca. Lembra-se da sensação de ter seus dentes rasgando um naco de carne. Há quanto tempo não come um pedaço de carne? O estômago começa a doer. É como se o socassem por dentro, forte, como se um boxeador o golpeasse o baixo ventre e o baço. A cachaça pegou em cheio suas entranhas e ácidos intestinais e os revirou como fazem com o lixo os moradores de rua, sobrando somente um chorume que, como um cachorro sobre a carniça, lhe devorava por dentro.
As tevês do terminal estavam sintonizadas em um telejornal e a todo momento surgiam, entre as falas dos repórteres, rostos de homens, com seus nomes e números com muitos zeros logo abaixo de suas caras. Seus rostos surgiam na tela, imensos. Eram os políticos da tal lista de corrupção. Uns caras começaram a falar sobre aquela merda toda ao seu lado e quando percebeu que poderiam puxar assunto, colocou os fones no ouvido. Mas não ligou a música no celular. Continuou a ouvir os homens agora protegido pela barreira dos headfones e seguro de que não lhe dirigiriam a palavra.
Listas de nomes. Isso o lembrou do dia fatídico em que seu nome surgiu na lista de demissões do canteiro de obras, numa bela manhã de sol. Inesperadamente. Chegou ao canteiro e um amigo o olhou de forma estranha, outros dois vieram lhe cumprimentar sérios. “Que foi mermão?“. Seu nome estava no fim da primeira folha, das duas pregadas na porta do almoxarifado. Francisco Rocha, e em seguida seu RG. O encarregado das finanças disse que a obra estava em conclusão e que decidiram cortar custos. Ganharia todos os direitos e o aviso prévio também seria pago.
Esse foi um bom período, bons meses. Ralava muito é verdade, mas tinha sua grana, tinha amigos, tinha uns chapas. E a grana era até boa. Dava pra sair no fim de semana, pagar umas cervejas para as meninas. Beber uns destilados dos bons. E a amizade entre os caras era firmeza. Às vezes, rolava uns empréstimos, quem ainda tinha algum dinheiro no fim do mês, segurava as brejas e as sinucas dos sem grana. No dia do pagamento era como o canto do galo, logo pela manhã, certeiro. Quem devia já passava o dinheiro vivo na mão do credor. Agradecia o empréstimo e se dispunha a ajudar caso o outro precisasse. Era como um acordo no fio do bigode, na palavra. Havia uma justeza entre aqueles homens. E quem não cumpria recebia a represália dos demais. “dá mancada não mermão“.
Ele gostava desses códigos, dessa confiança e camaradagem implícita. Era o segundo emprego dele na cidade, e começava a se interessar pela construção, pelo avanço colossal de uma obra, pela ideia de que suas mãos ergueriam tanto aço e concreto rumo ao céu infinito, modificando violentamente a paisagem. Observava também que muito dinheiro circulava ali, que os donos eram muito ricos, que andavam em carrões novos, que as contas e os gastos eram todos na casa dos milhões e isso o agradava, estar próximo de dinheiro. Começou a pensar que podia se tornar um encarregado ou um motorista de guindaste talvez, porque os motoristas não carregavam peso e ficavam boa parte do tempo, muitas horas do dia escorados em alguma sombra aguardando as ordens para subirem nas cabines das altíssimas máquinas e trabalharem sentados, enquanto ele, como servente só parava pra tirar o suor da testa. E os motoristas de guindaste por mais que trabalhassem, mantinham suas roupas muito mais limpas. Isso também o interessava.
Mas nada disso aconteceu, foi demitido, recebeu todo o seu acerto, alguns mil reais e os consumiu rapidamente em alguns meses, procurando outro emprego. Nos últimos tempos havia feito um bico num restaurante em troca do almoço, lavando as louças e todo o piso do salão, depois das três da tarde, quando fechavam a cozinha. Que se lembre, foi lá que mordeu pela última vez algo que se possa chamar de carne.
Seus dentes doíam, era a fome. Tinha que sair do terminal de embargue logo, o cheiro dos sabores da comida, e as lembranças ruins, o corroíam o estômago. Ter fome dói.


Merda de ônibus que não chega.

_ continua

sábado, 6 de junho de 2015

Mad Max Fury Road, crítica boca suja do cinéfilo desbocado


tá ok. tem a galera que acha que os anos 80 foram do caralho porque neles surgiu uma puta cultura pop inimitável e irrepetível; tem a galera mais xiita que xinga, roga praga e deseja ardentemente que quem ousa reproduzir qualquer 'clássico' dos 80 passe a eternidade a arder no mármore cinza-corumbá do inferno ao som de uma banda misto de fresno e restart, com pitadas ch-tum ch-tum ch-tum de david gueta. não sou desses. penso que os anos 80 - como os 40, 50, 60, 70 e tal - pariu muitos filhos geniais e muitos bichos-de-goiba. vi, baixei, revi, revi, revi de novo a trilogia mad max; cada qual, descontada a carga tosca ou cult - a depender do gosto do freguês, com seu nível singular de fodeza (sou da banda cult e curto pacas o the cult, embora a crítica da revista bizz/showbizz sempre tenha feito a maldosa questão de incluí-los no mesmo balaio de guns'n'roses e skid row). bom, vamos ao que interessa: o mad max da foto. tá, ok, beleza, não tem mel gibson nem tina turner. tá certo, tem efeito especial pra homem-aranha nenhum botar defeito. aos amigos de meia-idade: aquelas caralhas de óculos 3D também me dão enjoo. mas, na boa véi, é um puta filme bom pra caralho! o cenário desértico tá lá; o visual a la tank girl também; os veículos, os personagens punk-rock, as perseguições, tá tudo lá. de quebra, ainda puseram um carro com tambores e um guitarrista heavy metal dedilhando uma guitarra-lança-chamas. há quem diga que transformaram o clássico dos 80 num reles blockbuster. concordo. mas uma coisa é certa: blockbuster ou clássico ou filme cult ou a porra da caralha da buceta do que seja, o filme é bom pra caralho e me diverti à beça. é isso. ponto. ponto final. falomaisnada. cabô.