Essa é em homenagem a todos os mentirosos e contadores de histórias mundo afora... Afinal, o que seria de nós sem eles?
Quando adolescente, em todos os verões eu encontrava este amigo, o Fabiano. Ele vinha do Paraná passar as férias em Santa Catarina. Gente boa esse Fabiano. Mas tinha uma fama de ser mentiroso... Pois, certa noite ocorreu uma queda de energia no condomínio onde passávamos as férias; exatamente nesta noite, apresentei o Fabiano para o Paulinho, outro amigo meu. Sem luz, o negócio foi ficar conversando mesmo, assim, entre amigos. Quando o Fabiano começou a falar em armas, o Paulinho já ficou todo interessado na história. Logo em seguida, o Fabiano disse que numa ‘das fazendas’ de seu pai alguns posseiros haviam tentado invadir a propriedade deles e que seu velho precisou ir com munição pesada, junto de alguns capatazes, só para dar um pequeno susto nos invasores. Mal o Fabiano havia acabado de falar a última palavra de sua estória, o Paulinho já sentenciou logo em seguida:
- Meu pai tá respondendo processo criminal.
- Por quê? – perguntou de imediato o Fabiano.
- Há uns meses atrás, um ladrão tentou entrar em nossa casa. Meu pai acordou com o barulho, pegou a calibre doze que ele guarda no quarto dele e deu dois tiros no ladrão.
- Nossa! – os olhos do Fabiano brilharam com a dramaticidade que Paulinho dava à história, para minha surpresa também, que até então não sabia de nada.
No fim da noite, com a luz já reestabelecida, estávamos somente eu e o Paulinho, conversando. Aí falei:
- Cara, como você não me contou esta história do teu velho antes?
Nessa hora, Paulinho me olhou com uma cara de sem-vergonha deslavado e disse:
- Eu não podia perder na mentira. A minha tinha que ser maior que a dele, pô!
Essa outra aconteceu alguns anos depois. Havia outro Paulinho, também meu amigo. Pois a característica maior dele era, exatamente, inventar histórias. Para as meninas que ele costumava conquistar em festas, Paulinho inventava coisas das mais absurdas. Eu, ao lado dele, não sabia onde enfiar a cara quando ele começava a mentir. Até sotaque de carioca ele imitava, só para dizer que era do Rio.
Pois naquele dezembro aconteceu a formatura do meu irmão e, além do Paulinho, também estaria na festa o Pedrinho, um primo nosso famoso na família por suas mentiras. Mas o lance do Pedrinho era diferente: ele não inventava histórias, e sim aumentava tudo uma barbaridade. Se ele tinha vinte amigos, eram duzentos. Se sua casa tinha oito peças, rapidinho eram oitenta. E assim por diante...
Acontece que naquela noite de formatura, entre tantos amigos e familiares reunidos, não tive muito tempo de ficar ao lado nem de um, nem de outro. Mas percebi que ambos passaram conversando um bom tempo juntos. Ao final do festerê, já de manhã cedo, voltei para o meu apartamento ao lado do meu primo, Pedrinho, que estava se hospedando lá em casa devido à formatura. Aí não resisti e perguntei:
- E aí Pedrinho, vi você conversando com o Paulinho um tempão na festa. Me parece que vocês se entrosaram muito bem. O que você achou dele?
- Nossa... – Pedrinho fez uma cara de nojo, para a minha surpresa.
- O quê foi?
- Nossa, detestei esse cara, nada a ver ele.
- Como assim? Vocês estavam conversando numa boa...
- Não, não dava para aguentar aquele cara. Não gostei dele. De jeito nenhum.
- Mas por que, Pedrinho?
Enquanto Pedrinho não conseguia se justificar direito, pensei cá com meus botões: a mentira do Paulinho deve ter sido maior que a do Pedrinho. Só podia ser. E isso, caros amigos, é um verdadeiro ultraje para qualquer mentiroso que se preze...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Pequeno Conto Nada Natalino
Escrito por
Zulmar Lopes
Foi contratado para ser o Papai Noel de uma família classe
média. Animaria a criançada surgindo da chaminé, gritando “ho ho ho” e
distribuindo os presentes, em geral lembrancinhas, bem ao espírito mesquinho
dos natais de hoje em dia. Como estava na de pior, aceitou.
Na véspera de natal, roupa vermelha, barba postiça e saco
nas costas, lá se foi ele em direção a casa combinada. Mas anotou o endereço
errado e desceu pela chaminé da casa ao lado. Estava vazia. Papai Noel foi seduzido pelos
eletrodomésticos que decoravam a casa. Dariam uns bons tostões na mão de um
receptador que ele conhecia. Esvaziou o saco de presentes, encheu-os com o que
pode carregar. Teria um natal muito mais sortido do que o último. Não esqueceu
de levar um ursinho de pelúcia para a filha e um carro de controle remoto para
o moleque, seu xodó. Corroído pelo remorso, mas vencido pela tentação que o
consumismo da data impunha, deixou os presentes para os que estavam ausentes,
acompanhados por um bilhete. “Papai Noel esteve aqui. Feliz Natal!”
As crianças da casa ao lado deixaram de acreditar em Papai
Noel, que os decepcionou, esquecendo-se
deles que foram bonzinhos durante todo o ano. A menorzinha jurou que tinha
visto o Bom Velhinho no telhado dos vizinhos. Papai Noel recebeu nota zero em
comportamento naquele natal.
Aparecimento
Escrito por
ofilhodoblues
hoje eu te apareço
como um sol que foge
das horas
e aparece de surpresa
no meio da noite.
como gotas de chuva
que caem de um céu azul
isento de nuvens
cinzentas ou brancas,
como neblina estranha
que invade o Recife
e engole os seus
arranha-céus.
e enfim te apareço
como assaltante
ao assaltado,
ou o semblante
surpreso
ao ver o amante
não anunciado.
André Espínola
Poesia presente no Ebook "Apenas Cinco Minutos")
como um sol que foge
das horas
e aparece de surpresa
no meio da noite.
como gotas de chuva
que caem de um céu azul
isento de nuvens
cinzentas ou brancas,
como neblina estranha
que invade o Recife
e engole os seus
arranha-céus.
e enfim te apareço
como assaltante
ao assaltado,
ou o semblante
surpreso
ao ver o amante
não anunciado.
André Espínola
Poesia presente no Ebook "Apenas Cinco Minutos")
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Escrito por
Unknown
Quero ter o antidoto, um lenitivo pra toda essa dor
que o abandono proporciona
Mas não tenho escapatória você inebriou eternamente
meu coração
Quero que você esteja aqui
pra mim satisfazer os meus desejos mais voláteis
e poder contar os meus segredos, os meus viveres e anseios
Quero clorar toda sua estupidez
em falta de clemencia e compreensão
obliterar e interditar toda sua ininteligência e inconsciência
Afinal de contas, eu te perdoo e tenho compaixão e procuro compreender a ti
sendo franco coisas que você não fez quando foi a minha vez numa pior ou parecida... é passado!
que o abandono proporciona
Mas não tenho escapatória você inebriou eternamente
meu coração
Quero que você esteja aqui
pra mim satisfazer os meus desejos mais voláteis
e poder contar os meus segredos, os meus viveres e anseios
Quero clorar toda sua estupidez
em falta de clemencia e compreensão
obliterar e interditar toda sua ininteligência e inconsciência
Afinal de contas, eu te perdoo e tenho compaixão e procuro compreender a ti
sendo franco coisas que você não fez quando foi a minha vez numa pior ou parecida... é passado!
Até
Mais
Outra
Remessa
-
Eu sei do céu que
Ultrapassa
-
Tamanhos
Existentes
-
Além do que o
Mundo
Ostenta
Escrito por
Unknown
Eu quero um mundo diferente
em que toda gente
seja felizmente
pacificamente cooperativa
sensível e consciente
e que junto vivam em um mundo inefável
Incomparável eu faço todo possível
quero te salvar, ser conseguente
em um mergulho nas profundezas
da imensidão do'mar bonançoso
te tirar desse mundo revolto, vazio e indiferente
virado em conflito em sua mente pensante
Até lá, enquanto isso agora aqui
só me resta a esperança em demasia
a espera calma e inquietante espera
da estupidez da tua mente fenecer
deiscente e florescer na redenção
perdão, paz, jubilo, compaixão a si mesma
sem desdém a outrem
Eu, em minha loucura estou bem
loucura consciente, vivaz, leal e remediável
até certo ponto,quando o alvorecer
de um novo estado tomar forma
naquele instante tal tão esperado
voar pra fora do mar feito peixe voador
com o mar nas garras dos céus
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Síncope
Escrito por
Júlio Freitas
e no começo acabou
havia sangue
de abate e corte
de guerra e mênstruo
de parto e morte.
havia sangue
de abate e corte
de guerra e mênstruo
de parto e morte.
domingo, 14 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
A BRECHA
Escrito por
Daniel Delgado Queissada
Tanto tempo sem
escrever
Tudo por fazer
Me preocupa a
falta criativa
Ou seria a sobra
com falta de tentativa
Tanto trabalho à
prescrever
Me subestima sua
tentativa
Ou seria a falta
do que fazer
Para fazer faltar
minha sobra criativa
Soberba
militância a sua
Só não arquitetava
o que acontecia
Enquanto pairava
no ar a falta criativa
A cabeça cheia de
sobras esperava a tentativa
Finalmente me deu
a brecha
Agora pairam no
papel as sobras criativas
Falhou sua
tentativa
Findou, por não
arquitetar o que acontecia
Não volto
plenamente, pois há trabalho à prescrever
Quase tudo por
fazer
Porém, já não me
preocupa a falta criativa
Sei que são sobras
esperando a tentativa
Dê brecha para
você vê
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Convidado Victor Canti
Escrito por
Bardo
Boemia
A noite é de
nostalgia e glória
As cinzas caem
E os copos
(corpos) se esgotam
Ainda precisamos do desconhecido...
---
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
ANDO POR AÍ
Escrito por
Pablo Treuffar
Tudo na merda
Pensamentos negativos
Nada de bom
Desagradável
Perspectivas erradas
Delírios efusivos
Desarmonia
Tudo que eu não quero eu tenho
Tudo que eu não gosto pinta
E vai piorando
Depois da erva do diabo, fode!
Sou uma minhoca trabalhando no subsolo de uma delegacia
A vida não sorri aqui
Sem janelas
Sem sol
Dias passam sem paisagem
Vou carregando o peso dos outros
A prisão do trabalhador é ganhar
Expectativas alheias às necessidades humanas
A obra da existência é o desconhecimento
Somos cadáveres insepultos de olhos fechados
Bebidas, cigarros e calmantes são os subterfúgios aceitos.
Ando por aí
Pensamentos negativos
Nada de bom
Desagradável
Perspectivas erradas
Delírios efusivos
Desarmonia
Tudo que eu não quero eu tenho
Tudo que eu não gosto pinta
E vai piorando
Depois da erva do diabo, fode!
Sou uma minhoca trabalhando no subsolo de uma delegacia
A vida não sorri aqui
Sem janelas
Sem sol
Dias passam sem paisagem
Vou carregando o peso dos outros
A prisão do trabalhador é ganhar
Expectativas alheias às necessidades humanas
A obra da existência é o desconhecimento
Somos cadáveres insepultos de olhos fechados
Bebidas, cigarros e calmantes são os subterfúgios aceitos.
Ando por aí
Pablo Treuffar
ANDO POR AÍ de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at www.pablotreuffar.com
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
21 gramas
Escrito por
bemditorosa
"Há momentos, e você chega a esses momentos, em que de repente o tempo pára e acontece a eternidade."
Fiódor Dostoiévski
21 gramas
ando enfastiada de eternidades
rosas fenecem
numas tardes escuras
morri
desabei
sumi
mas a gente continua!
mandalas
cânticos
velas
pronto!
renasce
ressuscita
sem peso
e cem dramas
minha alma é magra,
pesa 21 gramas!
um médium extra orbital
contou que flutua
viaja pra outras órbitas
vagando num azul abissal
dane-se o médium!
se nada disso for verdade
se meus 21 gramas nunca saírem do chão
que fique registrado: foram muito bem usados
poesia, amore!
21 gramas de amor apreendido
e outros pesos pesados
ela me salva
louca e sã
resgatada e perdida
traduzida e confusa
deusa e demônio
ela, a poesia, é o traço!
com ele é que faço as marcas
perfume perene de pele inexistente
beijo invisível, murmurado em versos toscos
ele trança essa teia
que me pensa e me pesa
ele entende e conversa com essas almas
distraídas
destruídas
destronadas
ele é bênção maldição e prece!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
domingo, 30 de novembro de 2014
Convidada B. H. Lauren
Escrito por
Bardo
Deixou sua capa de invisibilidade em casa, hoje?
Este é um relato ao qual venho
falar. Vou cita-lo de uma maneira peculiar. Usar palavras difíceis não vai me
ajudar. Porém, talvez te deixe a pensar: “Ninguém é feliz sendo invisível”.
Quantas reflexões nós podemos tirar? É uma frase para clarear. Já pensou se
ninguém pudesse te enxergar? Será que a solidão poderia lhe agarrar? Será que a
tristeza iria lhe encharcar? Já pensou que você pode ou poderia ser um
fantasma? Aqueles de olhos negros e fundos, de cabeças baixas como se
carregassem o peso do mundo? Quantas pessoas de fato morrem hoje em dia? Aliás,
quantas pessoas nós matamos?
Contudo quero relatar um pequeno
texto para meditar:
“Certa vez vi um jovem rapaz
desejar um “Bom dia” a um velho mendigo. Aquele senhor não parecia insano nem
bagatela. A expressão do velho era de espanto e alegria. No final ele dissera:
“Não estou morto”. E saiu a andar por aquele dia”.
Eu não compreendi muito menos
entendi o que havia acontecido em tão poucos segundos. Um velho dizer que não
estava “morto”? Depois de tanto pensar é que realmente enxerguei. Passou tanto
tempo sendo ignorado, mal-tratado, afastado, acorrentado, que deve ter chegado
a pensar que teria falecido. Seria loucura da cabeça dele ao pensar assim? Será
que fomos nós a matá-lo? Que seres racionais nos tornamos? Frios, calculistas,
mesquinhos, medíocres? Ninguém quer saber do próximo se isso nada pode lhe
acrescentar.
Fadamo-nos a solidão diária. Por
que dos outros não lembramos? Ou lembramos e ignoramos? Alguns simplesmente se
escondem. E aquele senhor, como muitos outros, se escondeu do mundo. Temos que
perder o medo de nos mostrarmos. Aparecer não é ruim. O “ser” impulsiona o
homem em suas conquistas. Se deixarmos de “ser” deixamos de desejar. Contudo,
não devemos esquecer que antes de qualquer coisa existe alguém ao seu lado, que
talvez um “bom dia” deixe o dia mais claro.
---
sábado, 29 de novembro de 2014
Índio não quer cachimbo só e fumaça. Índio quer fogo!
Escrito por
MPadilha
(Emerson Wiskow)
A fumaça atrapalhava a visão dos que entravam, era assim todas as noites no Bar do Escritor, os que estavam lá não se importam, encharcados pelo álcool, sem distinguir o que era fumaça de cigarro ou do gelo seco que vinha do palco. A rotina era essa, corpos alcoolizados, música ambiente, risos... A garçonete olhava tudo com olhos diferentes, especialmente nessa noite estava diferente, como se repensasse toda sua vida.
-Ei Me! Traz meu conhaque. Está de moleza mulher? Era Véio
China, sempre mal acostumado, achava que ela tinha que esperá-lo com o copo à
mesa.
-Olha o jeito caboclo... Eu não bato em véio e nem bebum,
mas tenha respeito com minha nega. Disse
Doctor, sempre tomando as dores da moça, como se fosse seu
dono. Ela tinha grande carinho por ele, o chamava de Guapeca, cão vira lata no dialeto
gauchêz.
-Ao trabalho. Sirva a mesa do fundo, eu cuido desses bebuns.
Querem tratamento de primeira? Eu dou! O
Barman depositou com força o copo de conhaque na mesa do velho. Ele percebera o
olhar perdido da moça e sabia que não estava bem. Se o Bar não tivesse tão cheio
até a dispensaria, ele era um bom patrão.
Começa uma briga... Ossip, assíduo freqüentador, vendo o
Fernando, maloqueiro conhecido, se Insinuar para uma freguesa, interveio. Cadeiras voaram,
copos foram arremessados, gritos histéricos das moças do reservado, Thaís, Alessandra,
Larissa, Jimenna, Flávia e Rosália, e o Barman sem saber onde acudir primeiro.
Um grito de mulher entoa e todos fazem silêncio: Me, a
garçonete, fora atingida por uma garrafa na cabeça. A cena parecia congelada. Todos
ficaram mudos.
-Acertaram a Me! Foi o único som que se ouviu no Bar. Todos
queriam socorrer a moça. O sangue
Jorrava no chão sujo. Seria seu fim? Morrer de uma garrafada num Bar
de quinta categoria? O Barman ficou histérico:
-Quem foi o filho da puta que fez isso?
-Esquece disso e vem estancar o sangue... Disse Leonardo, o
segurança que entrara depois de ouvir a
gritaria. Pegaram uma toalha e amarraram firme em sua
cabeça.
-Tem algum médico aqui? Paulão Fardadão, policial assíduo do boteco, perguntou aos curiosos.
-“Mim ser” - Um cara minguado, cor de burro quando foge,
cabelos escorridos, parecia descendente de índio brasileiro, todo feinho de dar
dó.
-É médico, fera?
-“Ser sim, lá na tribo dos Tupiniquins da Amazônia”.
-Faz alguma coisa então seu índio de uma figa! O Barman
estava descontrolado! Sempre presenciava brigas no seu Bar, mas nunca o prejuízo
ultrapassava o lucro. Dessa vez sabia, era peça primordial essa garçonete, ia
ser a falência na certa se morresse, além de que, seu orgulho de macho estava
atacado, afinal todos pensavam que ele a comia e, que importava a mentira se isso o fazia ser
visto como um garanhão? O coitado vivia para o Bar, sem muito tempo para
relacionamentos, só de vez em quando uma puta ali, outra aqui...
-“Índio precisar privacidade, levar moça pro reservado.
Índio usar ervas e cachimbo milagreiro”. Levaram a moça e índio se trancou no
quarto.
Depois de duas horas saiu com cara de felicidade e disse:
-“Moça bem, vai viver”. A garçonete veio logo atrás, toda
desalinhada e com um sorriso sem vergonha na cara. Todos se aproximaram para
vê-la.
-“Deixem moça ... Ela precisar sossego... Agora ser Lua
Morena, noiva de índio Cavalo Malhado”.
-O que?
-“Mim dizer: Moça branca ir pra tribo casar com índio. Tudo
muito rápido, igual nuvem de fumaça”.
-Que tribo caralho?...
-Desculpa chefinho, eu vou sim, encontrei o amor da minha
vida...Falou a moça agarrando o braço do índio.
Saíram em disparada sob os olhares atônitos de todos.
O faxineiro Kaspa varria os cacos quando reparou na garrafa
que tinha acertado a garçonete.
-Que estranho chefe. Essa marca de bebida eu nunca vi por
aqui. Cachaça de Manaus.
-Deixa ver. O barman leu no rótulo: Fabricação artesanal da
Tribo dos Tupinanquins da Amazônia.
-Mas que porra é essa...
Textos de Me Morte
(esse velhinho foi retirado do Bar do Escritor em meados de 2007)
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Escrito por
Francisco M. M. Arantes (Quito Arantes)
Marta continuava sem dar sinal de vida, talvez estivesse mesmo ressentida com o conselho de Jesueh, quando esta estava a passar um mau bocado com o patrão. Ela eram de decisões repentinas e por vezes bastante frias para quem as recebia. Jesueh de uma forma original e de conhecimento de vida, tentava mostrar-lhe o lado da liberdade sem freios. Claro que apesar de Marta ser uma mulher bastante inteligente, não tinha a idade, e experiência de vida dele. Custava acreditar que do lado dele pudesse haver uma porta para a felicidade. Prática e resolvida nas suas ações, o mundo dela limitava-se à sua pequena cidade e núcleo restrito de amigos. Mesmo que Jesueh quisesse mudar Marta, isso não iria acontecer, pois ela não o estava a amar. Jesueh não lhe podia dar muito mais do que lhe dera até então. E talvez a diferença geracional fosse mesmo a principal entrave para terem um caso de amor.
by Quito Arantes
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Textos no Recanto das Letras
Escrito por
Glauber Vieira
Hoje é dia de propaganda.
Seguem os links de dois textos publicados no Recanto das Letras.
Rua Campestre fará parte de meu livro de contos (ainda sem título definido), e é uma pequena história sobre um suicida.
Acorda é um poemeto selecionado no Projeto Pão e Poesia, de Blumenau (SC).
http://www.recantodasletras.com.br/contospoliciais/5043876
http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdeamor/5047288
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Preto, branco, cinza, vermelho
Escrito por
Marcos Campos
Como pode, um único pequeno espaço
Reunir tantos corpos, tão jovens?
Vagam pra lá e pra cá
Apressados em suas silhuetas
Fechados em suas latarias
Preto, branco, cinza, vermelho.
Para onde vão e quem são?
Tão parecidos vistos daqui
Tão distantes vistos de perto.
Cada um, concentra em seu universo
Seus mistérios, anseios e traumas
Todos eles, escondendo de si
Querendo compartilhar
Preto, branco, cinza, vermelho.
Não fossem vistos daqui
Seria eu, mais um deles?
Por que é que não se esbarram?
Por que é que não se topam?
E quando se olham,
Todos dizem a mesma coisa:
Que matéria prima
Brota de veia tão morta?
Que sentimento esplêndido
Navega em coração de chagas?
Não fossem eles, todos iguais
Estariam aqui, no meu lugar.
Mas seguem na caminhada lenta
E inevitável
Sempre balbuciando as mesmas palavras:
Preto, branco, cinza e vermelho.
Branca de Neve da Silva
Escrito por
Cesar Veneziani
Com nuvens negras, num fim de tarde,
após trabalho o povo é um mar de
gente à espera pra ir embora
pras suas casas. Não vêem a hora
do seu descanso. Este é o motivo
pro seu aperto no coletivo.
E o dia todo não teve jeito:
foi um abuso, um desrespeito.
O olhar desvia, a boca calada,
por mais que queira não fala nada,
no fim do dia, cansado e mudo.
E o ônibus chega e engole tudo...
A sua estória, tão repetida,
outro retrato da triste vida,
não tem princesa ou castelo enorme,
não tem fascínio, só dor e fome,
chegar em casa é só o que lhe agrada.
Do pobre é este o conto de fada.
(em 04/11/2013)
após trabalho o povo é um mar de
gente à espera pra ir embora
pras suas casas. Não vêem a hora
do seu descanso. Este é o motivo
pro seu aperto no coletivo.
E o dia todo não teve jeito:
foi um abuso, um desrespeito.
O olhar desvia, a boca calada,
por mais que queira não fala nada,
no fim do dia, cansado e mudo.
E o ônibus chega e engole tudo...
A sua estória, tão repetida,
outro retrato da triste vida,
não tem princesa ou castelo enorme,
não tem fascínio, só dor e fome,
chegar em casa é só o que lhe agrada.
Do pobre é este o conto de fada.
(em 04/11/2013)
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Queria ser um cachorro
Escrito por
Rafael Cal
Tentou. Procurou especialista. Investigou métodos de transformação. Estudou por décadas. Tentou de tudo.
Tudo o que conseguiu foi aprender a urinar no jornal.
Tudo o que conseguiu foi aprender a urinar no jornal.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
sábado, 22 de novembro de 2014
Antologia Quinta Barnasiana
Escrito por
Giovani Iemini
O Bar do Escritor, lança nesta quinta-feira (em
Brasília - DF, no Senhoritas Café, 408 Norte) sua quinta antologia de contos,
crônicas e poemas, a QUINTA BARNASIANA.
O BdE é um movimento literário que busca a divulgação do conhecimento, a
amplitude do pensamento e a expansão da liberdade, tem “barnasianos” em todos
os estados brasileiros e alcança 13 mil livros publicados com esta obra.
Quinta, em português da pátria-mãe, é um terreno rural, uma enfermaria
para prostitutas ou o número ordinal feminino. Esta quinta reúne 38 autores
brasileiros e um de Moçambique, em 240 páginas de entretenimento literário,
focado na diversão das experiências vividas em assuntos debatidos em mesas de
bares. A capa foi pintada em naquim por Paulo Branco, que ilustrou em revistas
como Pasquim, Playboy, Bundas e em livros de Ziraldo e Ruben Alves.
O pocket-book do BdE tem os escritores de Brasília André Giusti,
Andrea Carvalho, Cinthia Kriemler, Deliane Leite, Giovani Iemini, Jorge
Amâncio, Larissa Marques, Lourenço Dutra e Roberto Klotz; de Moçambique
Mahiriri Ossuca; de Goiás Arthur Miranda, Carlos Alvarenga, Cecília Mello , Cristiano Deveras, Julia
Pascali, Leonardo Macrô, Mahara Damasceno, Rafael Albuquerque, Robson Lousa,
Vinícius G. Ferreira e William Trapo e, de outros estados (do
Amazonas ao Rio Grande do Sul) Andrade Jorge, André Anlub, Angela Gomes, Carlos Cruz, Fernando Troncoso,
Flá Perez,Luan Luiz, Magmah, Marcio Takenaka, Maria Ligia Ueno, Mariângela
Padilha , Pablo Treuffar, Regina Vilarinhos, Renato Saldanha Lima, Ruth Cassab
Brólio, Ruy Villani, Simone Pedersen e Wilson R..
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