terça-feira, 10 de abril de 2007

Convidado: Glauco Mattoso

SONETO SEM DOR NEM DÓ

Ficou cego? O problema não é meu!
A minha vista é boa! Eu aproveito
a vida como quero! Foi bem feito
você perder a pose! Se fodeu!

Tá achando tudo escuro que nem breu?
Tem mais é que sofrer! Eu me deleito
sabendo que não tenho esse defeito
nos olhos! Cê que chore o que perdeu!

Enquanto eu vejo o mundo livremente,
você tem que chupar a minha rola
calado! Se eu gozar, você que agüente!

E tire da cabeça a idéia tola
de que outros vão ter dó! Cê tá impotente!
Quem pode põe-lhe a pica, e eu posso pô-la!

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Se você concorda com quem fez este poema e quer ler mais coisas do tipo, seja poesia, conto ou depoimento, acesse as colunas abaixo e divirta-se!
www.cronopios.com.br coluna "O Jogo do Jugo"
www.glx.com.br coluna "Contos Acontecidos"
www.blocosonline.com.br coluna "Glaucomatopéia"
Caso queira trocar figurinhas (ou papéis) com o autor (ou o sofredor) do poema, o contato é este mesmo:
glaucomattoso@uol.com.br
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Abracadabraço do GLAUCO
- Abraços a você também, mestre Glauco, do Bar do Escritor

16 comentários:

Me Morte disse...

Muito bom! Arrojado, malicioso e certeiro. Esse é dos meus. Parabéns! To copiando para os meus favoritos, com os devidos créditos, claro. Beijão

Mão Branca disse...

O Glauco é poeta marginal famoso e extremamente importante para a literatura dos anos 80 e 90. Um cara simples e de personalidade bem peculiar.

Neste poema brinca com sua deficiência (é cego por um problema de glaucoma - dai o pseudônimo)e a falta de capa dos outros em exergar.

Fera.

Anaconda de Deus disse...

achei legal mas muito obsceno

emanuel disse...

porra, foi ele mesmo q postou pessoalmente?

caralho!

estamos ficando famosos, hein?!??!

será q ele viu meu txt do dia 8?

Deveras disse...

É realmente um ícone, tiro o chapéu. Honra a galera daqui a presença ilustre.

E congratulações também ao Mão Branca, pelo convite.

fiquemnapaz

Thin White Duke disse...

Gigio, acho que todo convidado tinha que ter uma pequena biografia e tal, para nós sabermos quem é

gostei mto da poesia, principalmente depois que soube que era com ele mesmo

mto bom

Anderson disse...

Semana passada eu assisti ao Glauco no programa Entrelinhas da TV Cultura aqui de São Paulo. Ele é muito bom e vale a pena conferir o trabalho que desenvolve.
Bacana mesmo ter um poema do Glauco aqui no e-zine.

Anderson disse...

Semana passada eu assisti ao Glauco no programa Entrelinhas da TV Cultura aqui de São Paulo. Ele é muito bom e vale a pena conferir o trabalho que desenvolve.
Bacana mesmo ter um poema do Glauco aqui no e-zine.

Anderson disse...

Semana passada eu assisti ao Glauco no programa Entrelinhas da TV Cultura aqui de São Paulo. Ele é muito bom e vale a pena conferir o trabalho que desenvolve.
Bacana mesmo ter um poema do Glauco aqui no e-zine.

Muryel De Zoppa disse...

uma das maiores surpresas da minha vida.
como estudante da obra de Glauco, regozijo-me por fazer parte deste mesmo projeto, de estar, junto aos companheiros do Bar, neste barco.
...
que alegria!! que emoção! obrigado Gio, por essa não esperava.

Larissa Marques disse...

sou fã dele, gosto muito de Sonetos Nojentos e Quejandos e Sonetos colaterais, e tantos outros...

Larissa Marques disse...

Tenho uma matéria sobre Glauco:
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=145839
para quem se interessar.

Véïö Chïñä‡ disse...

Humm..sei!
Maluco! não?

Carlos Cruz disse...

Li o "Manual do Pedólatra Amador" no início dos 90. Cara, que porrada!

O Glauco é foda!

amanitajardim disse...

Adoro as poesias do Glauco.Gosto daquela intitulada "quem diabo é deus".
Não consigo entrar no site oficial do
Glauco Mattoso".

koisan uchoà disse...

Espaços da margem, a margem da margem. Fronteira entre a memória e o conhecido. Ex-
quecido. Endereços... adereços provincianos. Vestem os vestígios moradias. Zona de refúgio.
Poesias. Espaço Entulho, acumulando transtornos....

(Koisan Uchoà, glaucando acasos citadinos).


Admiração e entusiasmos. Deixo um fragmento, de uma fragrância fragmentada.




...Transtornos poêméticos atravessam avenítidas hurbanizas. Destinário: ao refluxo central, ao desencaixamanto das empilhadas moradias, esconderija atraveste dos escombros ombrados em curvadura cidadianas. Jardins secos, vilas brejeiros, santos do pau oco.
Retoque maquinado engrenado pela vaidade dualística: progresso / regresso. Se caminhos dão acesso, as ruas da rovíncia direcionam cercados farpados exclusivos da exclusão. Implosão de acontecimentos acometidos em cimento, monumento , eclodido didaticamente na alienante história que se reescreve. Para bolas, o jogo é interropido. Rompe os séculos diante desse não tempo, de não se ter tempo. As palavras sempre em trânsito, em túneis, ferrovias, viagens interplanetárias, afastando cada vez mais sua passagem pelo perto, pelo próximo, pelo acolhimento do fogo.
Distorcimento, distanciamento... todas as idéias foram empurradas para o estacionamento.
NÃO HÁ VAGAS.

.
http://www.espacoentulho.blogspot.com