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domingo, 15 de abril de 2007

De poste em poste

Matheus Costa
Uma sombra deitada
Acordada e dinâmica

Refletindo no asfalto

Tudo que não conheço.

Passo a mais, passo a mais
A luz descorando o sem-cor.
Passo a mais, passo a mais
Rumo a morte da escuridão.
Quando se dá por plena
A luz deste meu passo,
Uma sombra que se extingue
É um novo curso que começa.
Passo a mais, passo a mais
O negro borrando o clarão.
Passo a mais, passo a mais
Rumo a morte da plenitude.
Quando se toma forma
A sombra berrante que me guia,
Recorro-me a uma luz
Para livrar-me desta cegueira.
E passo a mais, passo a mais
Luz sanando sombra.

Passo a mais, passo a mais

Luz gerando sombra.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sinal Verde

Matheus Costa
Ali seu Zé cantarolava
Assobiava um samba
E descansava o pé sobre o poste
Enquanto esperava o sinal fechar.

D'outro lado dona Maria
Pensava nas unhas
E ajeitava a saia curtinha
Que os carros ajudavam a subir.

Num arruma-arruma do que olhar
As coxas brasileiras da Maria
Deram força ao samba do Zé
Embaladas num molejo discreto e safadinho.

Das coxas facinho subiu pros seios
E pra boca e pros olhos
Um amor quase à primeira vista
– Das coxas pros olhos.

E se olhando continuaram
Disfarçando o sorriso
Dos olhos risonhos
– Eles já podiam se casar.

Aí, num súbito de sede e cegueira
Sem desgrudar os olhos dos olhos
A Maria confiou no Zé
Que confiou na Maria primeiro:

Atravessaram a rua assim
Se olhando e se olhando
E torcendo por um esbarrão
Que acabou um caminhão por fazer.