terça-feira, 22 de novembro de 2016

Espaço


– Eu preencho meus dias com ela.
– E quando ela vai embora você fica com um buraco, vazio.
– Não é que eu fique vazio, eu guardo espaço para quando ela voltar.





segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Favo


Meu amor por você
É
Moreno
Claro!
Dia de sol
Às vezes nublado.
Sedução, tesão trocados...
Sabor doce, 
Que dissolve o amargo.
Meu amor por você
É 
Tom retocado
Alma refeita.
Compartilho
Amor despertado,
Como neófito com chave
Clave de sol e de lua
Poesia rasgada e nua
Palheta de cores sublimadas...
Meu suor, nu seu corpo
Saliva de tudo em um pouco...
No improviso, na canção
Nos acordes, nos sussurros,
Voz, viola, violão.
Por seu amor vi
Estrela cadente
Flor de luz durante eclipse
Chuva incandescente
Devaneios...
Toada em mim.
Eu não entendo direito, mas, creio
Sonhos por inteiro
Desfazem pesadelos.


(Angela Gomes, 12/11/2016)


Imagem: Remedios Varo (Nacer de nuevo)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Fliperama



fim de noite
perda total

outro nocaute
e mais sangue derramado
outro blecaute

fim de jogo
acabaram-se as fichas.

domingo, 23 de outubro de 2016

É fato



Não quero mais reter,
nem nada ,
nem ninguém.

É fato .
que não desejo mais sob a pele 
a roupa que esconde.
Muito menos  que com desdém me olhem.

É fato.
Que parece impossível ,
do fato fazer o ato
não o trato, nem o pacto.

É fato
que  o coração vacila
acelera diante da partida,
paralisa temendo a solidão.

É fato. 
Que o forte sempre vai sobreviver.
Que se um vai outros virão.
E que só após a morte, dizem haver redenção.
CatiahoAlc/ Reflexo d'Alma
PO23 de out de 2010

sábado, 22 de outubro de 2016

Contra o tempo


Explicou ao filho as coisas da vida e do tempo. Para facilitar, usou o relógio de exemplo:

– Aquele é o tempo, passando.

– Ele fica dando voltas?

– Nem sempre, às vezes passa correndo e nunca mais volta, por isso precisamos correr atrás do tempo.

No dia seguinte, após observar o relógio por horas, enquanto o pai corria de um lado para o outro, o garoto retrucou:

– Você disse que a gente tem que correr atrás do tempo; Mas ele tem uma perna bem maior que a outra, nem consegue correr. A gente é que tem que andar com mais calma, para não deixar ele para trás.





quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Leia Agora, Serviço de Utilidade Pública!!



Hoje vou ser breve. Em poucas linhas vou transmitir a você, leitor e leitora, o que quero lhes dizer. Sei que seu tempo é curto, assim é o meu também. Então vamos ao que interessa.
Primeiro, o que te faz parar o que você está fazendo para ler algo? O título? Uma foto que vem logo abaixo ou acima dele (do título)? Ou você pára o que está fazendo para ler, pois o que você faz te cansa, e assim, essa leitura poderá te distrair por uns instantes? Se encaixa num destes perfis? Bem, vamos adiante. Não posso demorar.
Quem sabe você lê porque, ora bolas, você lê muito. Uau, sim, eu estou ligado que existem pessoas como você. Que devoram tudo o que veem pela frente. Que andam pela rua, lendo sob um sol infernal, no meio da multidão. Pessoas que, na falta do que ler, leem toda a bula do remédio, ou o manual inteiro do motorista do carro (números e siglas inclusas). Que bom – você certamente vai ler isto, por isso já lhe agradeço aqui, antes do fim mesmo. Mas falta só mais um pouquinho, vamos ao próximo parágrafo...
Bem, se não leu pelo título chamativo, ou pela foto chamativa acima ou abaixo do texto, se não leu para se distrair duma tarefa chata (ou de alguém chato!!), e se você não é o leitor devora-tudo do parágrafo acima, bem deixa-me ver... Não sobram muitas opções, acho eu...
Rá!!! Já sei!
Você é aquela pessoa que não lê nada. Eu sei, eu sei. Você é muito legal e tudo, mas você não lê, certo? Nada contra, você apenas não lê. Sim, eu sei que lá no fundo você é gente fina e tudo mais... e ora bolas, pra que ler, hum? Afinal de contas... você já sabe de tudo mesmo! Mas é lógico que sabe! Não, não estou sendo sarcástico, até porque, você já viu tudo no noticiário de ontem, inclusive isso que estou escrevendo agora. Eu sei que sim!! E sabe o que mais? Vai acabar no próximo e último capítulo, aqui ó...
Eu sei quem você é, sabia? Quando eu falo com um de vocês, é pra já que reconheço. Vocês andam como se uma aura de sabedoria cintilante estivesse sobre as suas cabeças. É fácil notar. Bem, você deve saber, afinal você sabe de tudo. Inclusive que ler não é para você. Isso, deixa pros outros, vai. Seja bonzinho. Há muitas coisas boas reservadas para a sua “qualidade” de pessoa. A política, por exemplo. Para ela existir, é fundamental que gente como você continue sem ler; viu só? Então, sem mais delongas.

Paro por aqui, conforme prometido; hasta la vista, baby!!!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sem título

Que lucidez despertará tua manhã
que maça morderá teu desejo
que vociferar rugirá tua coragem
que janela abrirá teu peito
que sexo revigorará teu corpo
que poesia começara de novo
quando o sol parir teus versos e beijos
que olhar pupilará o céu do teu pensamento
que surpresa presenciará tua essência una
que brancura de horizonte beberá teu deleite
que cara lavada terá tua consciência
quando a poesia lavares na pia
que grito desabafara teu mundo
quando cargas d'Água levantares tua cabeça
que caminho levará teu passo ao outro lado do presente
que cosmo arrepio sussurrará em tua pele
quando ventos solares assobiarem em teu ouvido
quando pássaros cantarem as asas do teu ser
que ruga do tempo apanhará teu sorriso preso
que ruga da tua história lembrará aquele que ficou vivo de ti vivo
quanta alegria dormira tua realidade
quando teu sonho silenciar a vida
que precipício jogará teus sonhos
que sente sentirá nossos ossos
que chuva matará nossos corpos
que recordação carregara no bolso d memória
que que se queixara tua querencia
que olá dirá tua saudade
que distância liga teu reencontro
que desejo reciproca teu caminho
que estrela gritará teu voo noturno insólito na madrugada
quando o silêncio gritar mais alto em tua liberdade
que procura encontrará teu pensamento a reencontrar-se
que loucura repousará teus olhos estasiados e habitará teu reino
quando habitar em ti os sonhos mais deusvaneios
que sorrir sorrei sorrirá teu seio
que vento penteará teus longos cabelos
quando ele passar anunciando
que turbilhão fará teu coração
quando a tempestade tocar-te com fúria e som
que partituras comporá com a visão de novos sóis
que tropeço acentuará tuas sobrancelhas alto como faróis
que caminhar acalmará tua alma
que fruto morderá teus dentes
quando o néctar solar irradiar tua mente
que dengo fará tua vontade
quando o que querias era outro alguem
que feridas esconderá no escuro
quando alguem amares demais
que falta não terão mil palavras
quando beijares tua mulher
quão ventos loucos serás
quando cavalgares nas crinas do vento
que maturescência terá tua juventude
que juventude terá tua maturescência
que musica tocará tuas pálpebras nas noites insones
quando grilos velarem as estrelas
que espada empunhará tua mão
quando começar a guerra de teu coração
que deuses adorará
quando de só um precisar
quem estará contigo
quando não tiveres mais ninguém para estar
que será do teu ser
quando sendo ele não se foi
que será dos teus escritos
quando não tiveres mais que escreve-los
que céus descansará tua alma
quando o teu corpo estiver morto
que poder terá tua palavra
quando não disseres nada de novo
que sentido terá teu sentido da vida
que resposta responderá tua pergunta
quando a própria interrogação foi você
que grave espanto no rosto brilhará tua certeza
que dor no peito sofrerá tua duvida
que camisa de força aprisionará teus sonhos de viver
que sombra inundara teu sono
quando dormires no acalanto estelar
que silêncio fará tua vida
quando a morte em ti chegar
que abraço estará seguro
quando o sol amanhecer e afastar as sombras
que imenso vazio preencherá tua realidade
quando mais nada existir
que lama levantará teu corpo da cama
que bençãos receberam teu corpo
que ar tomará tua alma livre
que riso de criança derrubará teu orgulho
que pegadas deixará teus passos
quando caminhares na estrada da vida
que espinhos pisaram teus pés
que calmaria fará teu tormento
que ais sentirá tua dor
que será do teu amor?

domingo, 16 de outubro de 2016

Limpeza estomacal

Vomite tudo de volta

o que foi engolido
durante todo este tempo
não era teu

arrancaram a costela do macho
e enfiaram goela abaixo

ninguém questionou
a procedência da carne
do sangue ou do vinho
da cruz ou do espinho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Desvestidamente

Pela primeira vez em muito tempo,
desvestiu-se 
mas não esperou que viesse.
desvestiu-se pra si mesma,
 a casa na penumbra,
telefones desligados,
musica boa ecoando sem
 interrupções.
era como se a harmonia 
dançasse a sua frente.
comeu sem pressa,
bebeu sorvendo gole a gole.
parada diante do espelho
nele  pensou
e só riu.
Vida danada essa,
sutilmente
 latejando,
vontade é certo fluiu.
as mãos  livremente 
 no corpo consentiu.
Voltando pra cama 
deitou-se
desvestida de tudo
depois e saciada
a musica longe já ia
e assim
livre
dormiu...
CatiahoAlc/ Reflexo d'Alma
PO23 de set de 2010

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Nau Lua















Ensina-me uma canção
Para despertar a lua

Desencantá-la do seu sono
Imerso na densidade das esferas

Componha uma canção
Isenta de pecados

Dissolva-os com a saliva
Do nosso amor trocado

Componha uma canção
Com notas soltas
E acordes de jasmim

Que seja doce e,
Dissolva na boca
Das noites lilases

Na transparência do negro azul mar
fim

Afete
O amor
O amargo
O denso
O fraco

Clareie a lua
A sua canção

O afeto
O gosto
O som


De cifra 
Astro irradiado

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Svalbard, I Love You

Durante seis meses, tive a oportunidade única de morar na cidade mais ao norte do mundo: Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard. Graças a um convite muito especial do explorador do ártico Chicco Mattos, consegui passar esse tempo de minha vida em um lugar ímpar.

Dona de uma natureza exuberante, com um clima subpolar, Svalbard possibilita aos seus visitantes e moradores a chance de testemunhar o sol da meia-noite em seu verão, e a noite polar em seu inverno. Durante a fase escura, vi um dos maiores espetáculos da natureza: a Aurora Boreal, e suas luzes verdes a dançar no céu estrelado do Ártico.

Além do frio que senti, – com direito a um início de frostbite em meu rosto - vi uma natureza única de animais que sobrevivem ao frio intenso, e a beleza de aves que migram todo o ano para Longyearbyen. Vi a vida, através das pequenas pétalas das flores, que se multiplicam para tentar sobreviver ao verão a embelezam ainda mais este lugar, que agora faz parte de minha história, e que ficará para sempre no meu coração.


 Longyearbyen, cidade mais ao norte do mundo
 Rena típica de Svalbard no inverno
 Eskerfossen, cachoeira congelada
 O transporte mais comum de Svalbard no inverno: o snowmobile
 Aurora Boreal em Adventdalen, início de março
 Tempelfjorden
 Uma barraca estilo indígena, clareando o branco da paisagem.
 Aves migratórias - o fim do inverno chegando
 Navio Nordstjernen, final de agosto
 Natureza viva sobre o gelo
 Eu em Magdalenefjorden
 Uma foca solitária, repousando sobre uma pedra
A estátua de Roald Amundsen, o maior explorador norueguês, na localidade de Ny-ålesund

domingo, 18 de setembro de 2016

a recíproca é verdadeira



eu sinto o blues o tempo inteiro,
todo dia.[1]
é minha sina, nasci com má sorte[2], dizem,
ao menos foi o que uma cigana disse a minha mãe[3]; 

nasci com o blues e pronto[4],

minhas 24 horas do dia cantam os blues
incansavelmente,
e eu canto junto.

afinal, se os problemas fossem dinheiro,
eu juro que seria um milionários[5];
como não posso perder o que nunca tive[6],
eu continuo bebendo[7] e esperando o sol bater na minha porta
algum dia[8],
pois os tempos são difíceis onde quer que você vá[9];

porque, sabe, é tão difícil amar alguém
que não ama você[10],
até porque ninguém me ama, a não ser minha mãe,
e olhe que ela pode estar bincando também[11],
mas logo eu estarei morto e dormindo a sete palmos do chão[12];

pois bem, é tanto blues na cabeça que
não sei se sou eu que sugo o blues,
ou se é ele quem me suga;
se eu o respiro ou se é o blues
que me re(in)spira.

André Espínola



[1] B. B. King – Everyday I Have The Blues
[2] Albert King – Born Under a Bad Sign
[3] Muddy Waters – Gypsy Woman
[4] Memphis Slim – Born With The Blues
[5] Albert Collins – If Trouble Was Money
[6] Muddy Waters – You Can’t Lose What You Never Had
[7] Pinetop Perkins – I Keep On Drinking
[8] Big Bill Broonzy – Trouble In Mind
[9] Skip James – Hard Times Killin’ Floor
[10] Son House – Death Letter
[11] B. B. King – Nobody Loves Me But My Mother
[12] Howlin’ Wolf – How Many More Years

sábado, 17 de setembro de 2016

Vida'mor

Quero a poesia madura
fruto recém colhido do pé
sabe-se lá o que é

não quero rascunho, esboço, nem tristeza
quero a palavra suculenta
antes que o fruto apodreça

quero as estrelinhas do teu corpo
afago de brisa
e sopro

quero a loucura escaldante
comer a polpa, a carnadura
a infinita tessitura do instante

quero a saliva
o sabor-a-ti, o orgasmo revigorador
antes de mais nada

quero a vida e o amor

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Chuva de canivetes

Pensava em um rumo
todos ali esperavam

todas as gotas
todos os minutos
todos ansiosos

aos poucos
eles iam embora
sozinhos
casais
ou grupos

tão escuro
tão frio
tão nervoso

estava na parada
seu ônibus
nunca veio.

sábado, 27 de agosto de 2016

São Thomé das Letras (MG)


     A cidade de São Tomé das Letras é um dos meus lugares preferidos, e sempre dou um jeito de passar por lá quando vou a minha Varginha, a uns 40 km de distância. A cidade é famosa pelo misticismo, bons restaurantes de comida típica e cachoeiras.
     Não por acaso, mereceu uma poesia bem humorada, que estará no meu próximo livro, Poesia Estradeira:

São Thomé das Letras

A nave do ET de Varginha estava com o GPS quebrado
O que queriam mesmo
era flanar por São Thomé
pousar perto da Pirâmide, de madrugadinha, sem ninguém por perto
sentar no telhado, a 1400 metros de altitude
discar o DDI, Discagem Direta Intergaláctica
e falar com a patroa:
“Meu bem, aqui é lindo! Daqui vejo nossa estrela:

pertim de casa!”

 A Pirâmide citada no texto é essa casa abandonada, que, no entanto, está bem conservada e é usada como mirante. A cidade está a 1440 metros de altitude.

 Do alto da gruta onde começou São Thomé, se vê a igreja matriz na praça


 Igreja do Rosário

 Pracinha com a estátua de Chico Taquara, morador já falecido, tido por alguns como um representante de outros mundos...


 Uma lojinha de artesanato local, na entrada da cidade


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Queria versos...

Poderia ter um verso novo,
porém não o tenho.
Ainda que tantos livros leia hoje,
 os versos não me vem.
Mesmo que a mente  tenha palavras e palavras
nenhuma me é sentida como verso.
Porque versos não são simples desabafos,
nem elaboradas rimas.
Versos são momentos que cristalizados
 brotam da alma do poeta.
Esse que em estado de graça ou de desgraça
apenas como  que semeando  
  os espalha ...
Seja  com seres que o lerão.
Ou simplesmente como o vento que
somente passa...
ou ainda como a natureza
 que calada 
contempla.
Como a Lua que simplesmente lá  de seu trono 
vê o Poeta que encantado 
versa seus versos
fazendo o mundo sorrir.
Hoje queria ter  versos assim
mas não os tenho por isso não desdenho;
Somente os espero  virem a mim.

CatiahoAlc/ Reflexo d'Alma  entre sonhos e  delírios

PO3 de ago de 2010

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cinzas


Em uma metrópole qualquer. Debaixo de uma chuva fina, mas tão fina que se tornava quase invisível, caminhavam lado a lado, de mãos dadas, o garotinho e a mãe. A mãe ia andando com pressa, sem dar atenção ao filho, arrastando-o pela mão.

Quando eles pararam em um cruza-mento, esperando o sinal abrir, o garotinho girou o pescoço e reparou no mundo à sua volta: nas centenas de pessoas apressadas, nas plantas, pássaros, prédios e tudo o mais. Após uma breve análise, por sinal muito precisa, ele virou-se para a mãe e perguntou:

– Mamãe, se os passarinhos são coloridos, as plantas são coloridas, os prédios são coloridos e até mesmo a comida é colorida... Por que é que as pessoas são assim, cinza?

E ele ficou olhando, esperando por uma resposta. Enquanto o rosto da mãe, por vergonha, passou de cinza para rosa.

domingo, 21 de agosto de 2016

Contraste


Como pode haver poesia
Se existem barrigas vazias

Se há crianças em perigo
Refugiados sem abrigo

Se o medo é companheiro
A liberdade usurpada

A convivência insana?

Mas, poesia é tão intensa que,
Crava n’ alma as dores e,

Faz ouvir os gritos de pavores
Perceber o amargo do sangue

As cores que o corte derrama
A lucidez que a tez exclama!

Rogo em prece às Musas
Para que o bom senso que jaz reviva

Como brotos depois da chuva
Como a paz que trazem as flores

Para que viver e a Primavera
Continuem a fazer sentido


(Angela Gomes, 23/09/2015)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Poetizo-me

Faço de mim carne
Corpo para Deus manifestar-se
Faço de mim mente
Para Deus meus pensamentos povoar
Faço de mim espirito
Alma para Deus abençoar-me
E enfim faço de mim pássaro
Para com a liberdade poder voar.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Feito o diabo fugindo da cruz

Ela saiu correndo
e o derrubou
e atordoado,
custou a perceber
o que havia acontecido
forçou as vistas
procurando
e foi atrás dela

Dobrou a esquina
e pôde vê-la
estava longe

nada mais a fazer

Lá se ia a sua boa sorte,
tropeçando num gato
e se esparramando numa roseira.

M83 - "Wait" (Official Video) Thanks M83