quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Separação de Corpos
Eu, camiseta, calcinha
e meia amarela,
Le(n)do Ivo
- destesto novelas -
Ele, cueca samba canção,
apenas um pênis
que não mais me apetece
e assiste ESPN.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Diálogo entre Phineas Freak e o adulto Carlos Eduardo Vargas, o Richie Rich.
- você não sabe que maconha tá errada. - diz Richie.
- o erro é um conceito nem sempre certo.
- é proibida.
- suicídio também é.
- faz mal.
- igual tabaco.
- a droga só serve para disfarçar seu vazio interior.
- não é melhor que comprar coisas que não quer para ficar bonito para gente que não gosta, ou fingir ser algo que não admira para conquistar um status que não importa? - Traga, prende, solta.
- mas a droga é contra a lei.
- o que é a lei senão a imposição do grupo dominante?
Richie apaga o cigarro e pega o baseado. Olha ao redor, desconfiado.
- maconha tá errada, não dá lucro. - Traga, prende, solta.
- o que é o lucro senão a demonstração do egoísmo humano?
- bom, esse, hein?! - Traga, prende, solta. - sem lucro, eu deixaria de ser rico.
- ah, Carlinhos, se vai filar do meu beque, chega de tentar se justificar.
- é que às vezes dá vergonha.
Traga, prende, solta.
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Phineas Freak é um dos Fabulous Furry Freak Brothers, de Gilbert Shelton, e Richie Rich, o Riquinho, é um personagem da Harvey Comics.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Encontro
enquanto fores fogo
futuro.
Não acalmarei tua mão na minha
... se o teu toque
estiver distante.
É preciso, amor,
que arrisques a perda,
a ausência
e a tortura.
Queres o meu tempo
em tempo contigo?
Dê a mim o teu pensamento
o encontro
e o destino.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Convidado André Anlub
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Em tempos de redes sociais
Foi listada por seis horas nos tópicos mais comentados do Twitter...
... compartilhada durante onze horas e quarenta minutos no Facebook.
Meses depois apareceu por dois minutos na Retrospectiva do ano.
Por fim, sua biografia apareceu em treze linhas nos livros escolares.
E nada mais.
Buquês de Rosas Vermelhas
numa noite de sexta-feira.
Uma taça de vinho
(é noite de sexta-feira).
No banheiro,
defronte o espelho,
a mulher que se acha feia
fita-se de frente e de lado,
brinda com seu reflexo
e sonha ver-se linda.
E sonha ver-se amada.
A mulher que se acha feia
reclinada na banheira.
Um livro e uma taça de vinho.
E o sonhar em segredo
com toques de dedos
que a conheçam tão bem
quanto ela se conhece.
Um breve tremer de pernas nuas.
Um gemido. Uma lágrima. Duas.
(a mulher que se acha feia, estranhamente,
chora, quando goza, o companheiro inexistente).
Gillette e uma taça de vinho.
A mulher que se acha feia,
com gestos bem calculados,
esculpe com todo o cuidado
os contornos dos pelos do púbis
que ninguém irá tocar.
E imagina ver no fluxo
dos jatos da jacuzzi,
surgindo dos pulsos,
buquês de rosas vermelhas
que ninguém jamais lhe deu.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Crepúsculo
E a nuvem mancha o manto azul que vai
Adormecer fechando o olho que cai
Tal qual quem presta a um deus algum favor.
E quando o Sol bem lento ao largo for
Cumprir sua sina e assim da cena sai,
Se instala o escuro, o breu, o horror! Ai, ai...
É a hora então que forte vem a dor.
E o medo salta grave e treme o senso,
Mas não da luz que falta e gera o escuro
E sim da solidão: pavor intenso.
E busco a força lá no fundo, eu juro!
E num esforço grande, enorme, imenso,
Meus toscos erros outra vez aturo.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
in(constante)
causa fobia
numa simetria axial,
arranco das asas
poesia.
fugir da crisálida
é a minha natureza,
e por ser tão polifásica
vivo o efeito borboleta
Autora: Lena Casas Novas
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
i Mer sÃo
domingo, 22 de janeiro de 2012
Psicose na revista ler&Cia
sábado, 21 de janeiro de 2012
divirtam-se!
No meu modo de ver a reunião havia sido um sucesso, mas só dentro de uns dias iríamos receber a resposta se o negócio seria de fato fechado ou não. Cheguei pra casa ao meio da tarde e, lá estavam: Lito mordendo o lábio em frente à escrivaninha anotando qualquer coisa e, o Bobby, filho da puta, sentado ao sofá, que fica de costas pra porta de entrada, assistindo vídeo pornô na tevê e batendo punheta, na maior cara de pau, como se nada tivesse acontecido. Esses moleques são foda, só sabem fumar maconha e fazer isso da vida, e ainda se acham gente grande. Fui até ele sem que me percebesse e dei-lhe um cascudo exclamando que porra de merda era aquela. Ele se desconcertou todo, recompôs-se e, então, disse:
“é um filme pornô”
“não me refiro a isso, tonto. estou falando de outra coisa”, tirei do bolso da camisa o papel com o escrito e pus-lhe diante o rosto
“ah, a parábola da vaca. ainda bem que achou. fui eu que escrevi e...”
Ele merecia outro cascudo, e foi o que eu dei nele.
“não tem ‘e’, nem ‘b’, quero que me diga que porra é essa e o que o nome do Lito tá fazendo ao lado dessas palavras infames... que história é essa, afinal? E até onde isso aqui foi parar?”
Ele fez uma cara de quem se fodera. Fiquei com pena, devo ter pegado pesado com o garoto. Ensaiei iniciar uma conversa de maneira calma, pra saber o que de fato acontecia, porém então ele disse:
“bom, senhor P., o lance é que o Lito se envolveu numa baita enrascada, tá sabendo? Isso aí é um argumento, a fim de justificar uma determinada coisa que aí o Lito vai decidir se irá contar ao senhor ou não, agora que já sabe sobre a vaca”
O pior de tudo é que o filho da puta sabia falar. De qualquer maneira, continuava sem entender nada. Que raio de coisa era essa que havia acontecido e eu não sabia? Que porra de história era essa a da vaca?
Olhei então para o lado e o Lito estava maluco, aspirando fumaça de uma bituca que queimava dum cinzeiro, enrolando o cabelo com o dedo e segurando uma caneta que não escrevia nada, tudo isso ao mesmo tempo, concentrado com os ouvidos colados nas caixinhas de som, que emitiam uma espécie de rap moderno cheio de efeitos com sintetizadores, dando trancos com a cabeça conforme os beats, lembrando qualquer espécie de maluco fugido do hospício. Até que era maneiro, mas agora já era, ele estava pego!
“que história é essa, Lito?!”, exclamei em sua direção.
O bicho se assustou, deu um pulo da cadeira e nem precisei dar-lhe o cascudo, bateu com a cabeça na estante da impressora que voou longe e se espatifou no chão. Cacete! Não fazia nem um mês que havia comprado. Sem contar que ainda me restava mandar concertar o computador que o Bobby, retardado, fez o favor de queimar enquanto o usava em dia de chuva.
“Quê?”, foi o que ele disse
Deixei pra depois a bronca que iria dar pela impressora, e insisti:
“que história é essa?!”, levantando o papel
Recolheu o papel e se pôs a ler. Coçou a cabeça, passou a língua pelos lábios e depois mordeu. Esse é meu filho, pensei. Manteve-se pensativo enquanto lia. Andou de um lado a outro da sala. Resolvi que daria esse tempo. De repente parou e fez uma careta, como aquelas que fazem os investigadores. Foi até o cinzeiro onde havia o cigarro, mas não fumou nada, pois já estava apagado. Percebi seu espírito aflito. De repente, à medida que seus olhos transcorreram as últimas letras, uma mistura de felicidade e êxtase tomou conta do semblante dele. Então dobrou o papel e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, apontou pro amigo, o Bobby, que voltava do banheiro, e disse:
“Esse moleque é doido! Esse moleque é doido, mas esse moleque é um gênio!”, deu um pulo, acho que de alegria, e saiu correndo pro quarto.
Eu já não entendia mais nada. Olhei pro garoto Bobby, que parecia um zumbi sentado ao sofá, e fiquei no aguardo de alguma informação. Ele não disse nada. Perguntei, então:
“será que dá pra você me explicar qual é o diabo?”
O desgraçado manteve-se calado. Eu não quero causar polêmica, não, mas alguém arriscaria me dizer o que de fato anda acontecendo com essa garotada? Desconfio que estejam ficando meio birutas. E foi aí que o Lito, filho de uma puta, saiu do quarto com aquele baita baseado na mão. É um filho da puta mesmo, pensei. Sempre dá um jeito de mudar o assunto quando lhe convém.
“Já chega!”, esbravejei, “hoje você tá pego, e isso aqui não é a casa da Maria Joana!”
Ele ficou com cara de paisagem frente a minha atitude.
“você estudou o quê esses últimos dias? O que sabe sobre a revolução da biotecnologia molecular? Já procurou conhecer seus genes hoje? Enquanto você tá aqui, eles tão te fodendo em algum lugar, subindo à suas custas, usando o seu crânio como degrau. Se não ficar esperto, tu vai pra roça. É isso o que você quer? Ir pra roça? Passar o resto dos seus dias miseráveis plantando alfaces? Comendo batatas? Deve ser isso mesmo o que você quer, só pode ser. Isso aqui é a América, filhão, um leão por dia!... Porra, tu só faz besteira! Vá pro teu quarto ou, se preferir ir pra rua, vá, pois só te quero ver de novo quando souber qualquer coisa sobre os seres híbridos!”, acrescentei.
Às vezes temos que situar a molecada, senão pensam que tudo é patuscada, e a vida não é feita somente disso. De qualquer maneira, eu o conheço. Não diria nada mesmo. Apenas fez o que eu pedi para ele fazer. Dirigiram-se até a porta.
“E se você pensa que ficou por isso mesmo o lance do filme no sofá, moleque, está enganado, ouviu?”, adverti o outro.
Vaquinha magra... vê se pode. Realmente estava sem tempo pra nada aquele dia. Depois revi minha atitude e, admito, fui duro demais. Fiquei com enorme peso por ter posto os garotos na rua. De qualquer maneira, a minha carreira estava pela frente. Descobriria, mais tarde, que o negócio com os gringos não teria dado certo.
Inusitado
O novo chega de repente.
De maneira inusitada.
Quebrando a vidraça da janela,
Subindo pelas paredes...
Ignorando as escadas.
O novo chega com o corpo ausente.
Mas, a alma estilhaçada.
E, refaz-se juntando os pedaços
De outras almas que encontra na estrada.
Corpo e alma, vidas novas...
Novos rumos, rastros indecisos.
Não sabe aonde ir,
Mas é preciso.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Convidado Rui Werneck de Capistrano
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Rui Werneck de Capistrano, de Curitiba, é autor de NEM BOBO NEM NADA, primeiro romancélere brasileiro. Contato: rwcapistrano@gmail.com
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Pisciano
que sente saudade
das vontades
que nunca teve.
o que existiu em mim
foi como devaneio,
que ao sinal do
primeiro passo,
fechasse os olhos
e morresse.
André Espínola
Mensalmente
De onde brota sangue grosso.
Forte, quente e vivo.
Lágrimas de algo que foi morto.
Ele jorra aos montes.
Escorre entre as minhas pernas
Limpando a dor ou o amor antigo.
E muitas vezes, suja o meu vestido.
O sangue se esparrama pelo chão,
Não faz cerimônias ou concessões
Apenas me afoga em seus braços lânguidos.
E reafirma algo que tento esconder.
Não há fruto, não há semente
Nem espera ou desespero
Apenas uma mulher que colore
De vermelho, o banheiro.
domingo, 15 de janeiro de 2012
A escuta
e o dedo alcança
sangro esta palavra
em riste, como peito
em lança sem escudo
como água em pedra cristalina
como o rugido do fogo
silêncio de horizonte sem auroras
bocejo de luas amanhecidas
solares sorrisos de criança
nos lábios, as digitais
olhos viajam repletos de sonhos e sílabas
nas falanges distais, o início
e quando o grito rompe
o eco das estrelas
calo
contemplativo
a escutar o ruflar do universo
pulsando infinitos
(Celso Mendes)
sábado, 14 de janeiro de 2012
A Pescadora de Luas
(Sonia Cancine)
.
Eternizam-se na memória
- no embalo do vento -
Absorvidas pelo nó sorvido
- com gosto de maçã -
Emoção em gotas cítricas e hortelã.
Das pupilas e das contas d’água
- do verde mar de seus olhos -
Da bruma espuma, nódoas de solidão
O vinho escorre nas veias, rompendo o chão.
Arranco calhetas e cascalhos
Do ferrolho de meu peito
- sou pescadora de Mim -
Húmus mudos
Fragmentos que perdi...
A Luz espalha o seu aroma
Na Terra que fenece
Irrompe em tempos estranhos
Onde se tinge de sangue
Precipita-se ao Sol e
Só se detém, ao amanhecer.
Vislumbro o oceano
- no marejar de meus olhos -
E ao trazer a alma azul do mar e do céu
Eu chorava ao voltar para a Terra.
O imaginário da Lua inspira-me
- a mulher guerreira -
No fundo do lago ou de Yaci...
Qual espelho da Lua, na face refletida
O antes e o agora
- pescadora e cavalgante -
De águas e terras distantes
Neste agreste mundo aquoso





