segunda-feira, 21 de maio de 2007

Felácio

O bimotor passou num rasante sobre o pasto. O piloto sentiu um frio na barriga, o prazer do risco. Estava com 58 anos, rico, casado, com filhos e netos. Ficou de saco cheio e resolveu esvaziá-lo curtindo seus prazeres mais secretos. A aviação era um deles.
- Tá gostando? - Perguntou Guilherme, do banco do co-piloto.
- Sim... - Fechou levemente os olhos. A sensação de voar se confundia com o prazer de estar ali, livre, fazendo o que gostava, finalmente sentindo-se autêntico.
Um solavanco. Abriu os olhos. Havia batido no topo de uma moita de bambu. O avião descontrolado ia se esborrachar no chão. Avistou uma estrada e embicou para lá.
Ainda teve a presença de espírito de tirar a boca do amante de seu pau antes de invadir a pista e espatifar a aeronave no asfalto. Seria humilhante se descobrissem que o acidente foi causado por um boquete aéreo.
***
Mariângela viu, de longe, o avião trombar com a moita de bambu. Apertou-se contra o banco do carro depois de conferir o cinto de segurança. Notou que o motorista não percebera a queda iminente.
O barulho e a bagunça causada pela queda do bimotor na pista contrária assustou o piloto. A carona, traiçoeiramente, gritou desesperada e puxou o volante. O carro desgovernou-se e trombou de frente contra o portão de uma casa.
Recobrando-se ligeira, Mariângela conferiu no pescoço do motorista se havia pulsação. Ele batera a cabeça violentamente no volante. Aquela foi a última vez que deu carona a desconhecidas.
Ela baixou a calça do sujeito e ali mesmo abocanhou o bilau. Sugou com força enquanto massageava o saco. Punhetou o pau uns segundos e de repente: porra. O morto gozou! A mulher engoliu tudo murmurando um cântico gótico. Seria a melhor de suas bruxarias, a mais potente.
- O néctar masculino de um morto recente! - Anunciou, imaginando se aquelas gotinhas de esperma realmente lhe dariam uma voz magicamente sedutora.
***
Ele levantou-se da cama coçando a bunda. A esposa viu a cena e imaginou por que se casara. Quando ele se virou e ela notou que ele ainda acordava excitado todos os dias mesmo aos 41 anos, lembrou-se do motivo.
- Você dormiu armado ou tá feliz em acordar ao meu lado? - gemeu, lânguida.
- É apenas tesão de mijo, esposa tarada! - Ele ria.
- Veremos. - Ela puxou a intumescência da cueca para si, descobriu o presente e aqueceu o falo do amado na boca suave e molhada. Deu umas lambidelas, umedeceu o membro e iniciou um trabalho violento. Sugou e masturbou com vontade. Enfiava até a garganta, depois voltava e chupava a cabeça enquanto massageava a base.
O marido, satisfeito, tinha ímpetos de prazer quase doloridos. Parecia que talvez virasse ao avesso através do pau.
- Ai, querida. - Afagou os cabelos da amada. - Assim você me mata! - Olhou o relógio. - Eu já devia estar saindo pro trabalho no portão de casa.
Um estrondo. Ela mordiscou de susto. Foram para a frente da casa enrolados no lençol. Um carro havia se estourado contra o portão.

9 comentários:

Me Morte disse...

Eu sou até suspeita pra dizer algo, adoro seus picantes e, essa série (já virou uma série) da Mariângela ficou hiper legal, muito hilário. Tua personagem é maravilhosa sob todos os aspectos, quisera ser um décimo dela, do arrojo, da coragem, da sacanagem. Que dizer, eu adorei, mesmo. Sou tua fã de carteirinha. Beijão

Lameque Hyde disse...

Já havia comentado na comunidade e reitero o domínio e segurança do autor ao entrecruzar três histórias que se completam.

Wilson R. disse...

Bom, bom, muito bom. Domínio completo da situação, textos inteligentemente entrelaçados. Ótimo, cara, ótimo.

.

Deveras disse...

Já o conhecia e já havia gostado das estórias cruzadas. A única ficha que caiu depois, foi o lance da "tal" Mariângela... Ô mula!

ficanapaz

Muryel De Zoppa disse...

boa.

Klotz disse...

Vou deixar aqui meu pitaco. Quem sabe os comentários servirão para a quarta história.
Helôu, Mariângela, estou aqui.

LENA CASAS NOVAS disse...

"lambidelas", muito boa! essa tua narrativa, não é de hoje que adimiro.Essas tuas palavras originais também são muito boas! Show!

Fernando disse...

Sabe, Gígio, eu tinha lido esse texto no dia que vc publicou ou um dia depois, n sei.

De qq forma, fiquei pensando: ...pra quem n sabia o que era sexo oral, até que vc evoluiu! hehehehehe

Não saquei o lance da "tal" Mariângela; quer dizer, na hora, eu lembrei da Me. É isso? Por causa da coisa gótico-necrófila... hehehehehe. Bem, se for, e pelo que o Deveras disse, me forcei a associar: foi uma homenagem a Me por ela ter te explicado o que era sexo oral? :-P

Se sim, o mais interessante não é o nome da personagem-homenagem começar com a mesma letra da homenageada-escritora, mas o fato de o único outro personagem com nome ter um nome que começa com G (e ser viadinho, heheheheh).

Foi mal, tô num momento sacana! :-P

Giovani Iemini disse...

olha só a percepção do fernando... bem, me é a mariângela e o guilherme do conto nada tem a ver com ninguém (seu sacana, hehehe).

[]s