segunda-feira, 14 de maio de 2007

Um tiro para cima

É tropeçando que as coisas vão andando
Rimas férteis em solo duro e sombrio
Oram por um vento que para outro solo as levem
E vai passando o tempo, e vai passando o brio

Mas ainda assim, com elas vai o sonho
E com o sonho, a esperança de seguir
Tropeço, tropeço, sopra o vento
Sonho, se sou sultão, tu és vizir

Me grita, então, a este ouvido surdo
As ondas sonoras do bater mudo do meu coração
Se eu sou turco, tu serás o curdo
Que me trará o fogo da ira de viver

E como fogo, eu consumirei tudo
E por causa de ti, sonho, eu serei o mais glutão
Sultão morto neste sonho louco e turvo
Me consumirei até não mais ser.

Não mais sendo, serei só sonho
Sonho sonhado, gasto como amor
E não terá vento que sopre a ira deste fogo
Já me consumi, e não mais sou

Sultão
Glutão
Bufão
Fim.

8 comentários:

Fernando disse...

Esta poesia, eu já a tinha postado no Bar do Escritor no orkut. Aliás, foi minha primeira lá. :-)

Como não estou em casa e provavelmente só vá voltar depois da 00h (mas estou trabalhando, sério! :-P), republico ela aqui, agora no blog.

Escolhi este texto porque há muitos colegas no bar que ainda não o leram; acho. :-)

Me Morte disse...

Eu não lembrava dessa, mas gostei muito. Ler vc em poesia me faz te ver num patamar nivelado, como se finalmente olhasse nos teus olhos, tu na minha área, claro, mil vezes melhor, mais bem feito. Mas foi muito gratificante. Beijão

Eduardo Perrone disse...

Fome...Muita fome de vida.
E letras... Que desempenham papel de catalisadora de dores,vontades, dúvidas e desejos.
Pecado capital é não lê-lo.

Anderson Henrique disse...

Cara, você tem um ouvido interno sensacional. O ritmo dessa poesia é de primeira grandeza.

Klotz disse...

Parabéns. Não faço segredo desgostar de poesia. São poucos os autores para os quais dedico a leitura, você é um deles. Nunca me arrependo, sempre aprendo.

Claudia Menezes disse...

A poesia está belíssima .. Beijins Gostei muito ..

Deveras disse...

De sultão a bufão sua poesia está belíssima, possui os tempos certos e têm aquele clime de mil e uma noites sem homens bomba.

ficanapaz

Mão Branca disse...

eu já conhecia a poesia do fórum do bar. ela é forte e muito bem escrita, numa elipse que se encerra ao final de forma completa.
o fernando é fera.