quarta-feira, 28 de novembro de 2007

No Prostíbulo das minhas emoções





No prostíbulo das minhas emoções, a puta mais cara recusou-se a deitar-se com o belo e rico rapaz.
Ardia-lhe o pulso e sentia náuseas e repulsa ao esbarrar no olhar dele.
No entanto, existia a tentação dela de cortar-lhe as mãos de água, mel e seda com a navalha que ela carregava com carinho na meia calça de liga vermelha.
Resolveu dançar sensualmente e endemoniar ainda mais o pobre rapaz.
Ele se humilhou, suando como uma fonte de desejo e lúxuria, tentando acompanhá-la na dança,agitando-se feito um bicho esquisito...movendo-se já sem o controle de seus membros corporais.
Este comportamento patético, só fazia reforçar a negação da minha puta que sussurrava para si própria palavras misteriosas e sem nexo.
Tomada a decisão, ela se aproximou lentamente do rapaz inalando sexo e horror e ofereceu a navalha gelada e pulsante a ele e pediu-lhe que corta-se as mãos, oferecendo-lhe ajuda, e com esta condição absurda ela lhe entregaria não só seu corpo quente e tentador, mas sua alma corrompida e mutilada.
Atônito e embriagado pela voz da mulher de seus sonhos, o homem aceitou.
Caminharam até o quarto numa festa de silêncio e ansiedade e cometeram o ato fatídico.
O rapaz, parecendo estar em uma espécie de estado hipnótico não parecia sentir dor, passeava obsessivamente o olhar pelos seios túrgidos e violentamente redondos da bela meretriz que arranjara também uma serra para o auxílio de seu trabalho,arrancava sem pressa as mãos do rapaz com delicadeza, saboreando o despencar de cada pedaço de pele, de cada carne,de cada veia...beijando,roçando a língua e rindo suave como uma criança que está ouvindo uma história já meio sonolenta.
Postas as mãos e as vestes de lado, o ato carnal foi consumido em meio ao
sangue quente, alucinados e convulsos em um mar de gemidos, o par de amantes casual.
Sem mãos para tocar em sua deusa, o rapaz tinha sua boca como instrumento erótico e pela primeira e última vez ele conheceu o paraíso.
A moça, ausente do mundo, só tinha como referência de realidade as mãos encantadas do rapaz, seu brinquedo, entornavam o liquido sagrado e ela bebia,as fazia tremer e tocava com o mais intenso prazer no seu corpo, fazendo alvoroço,escrevendo palavrão e poesia...De sangue.
Cada um tinha seu objeto de desejo presente e estavam encarcerados nas tramas do querer maldito, e quando estavam exaustos de amar, não um ao outro, mas ás suas fantasias, quedaram seus corpos cada um para um lado da cama.
A razão cutucou-lhes a mente e lhes cobrou o acontecido.

Olharam-se...Ele maneta...Ela sádica, banhada em sangue...sentiram vontade de beijarem-se,mas já era tarde para um amor sadio e verdadeiro,a perversão já tinha armado seu circo, eles eram palhaços tristes, vítimas de acidentes de maus atiradores de facas, trapezistas que caíram e fizeram gritar toda uma platéia.
Apenas se olharam e decidiram. Ele por alguma razão sabia, ela tinha muitos remédios, venenos para os dois.
Eles sentiram merecer morrer por não saber amar,e como um brinde a existência beberam vinho regado a medicamentos,deitaram-se nus na cama e esperaram que suas almas abandonassem aqueles corpos maltratados e invadidos.
Deram as mãos (as dele eram invisíveis) e partiram.
Passado algumas horas a dona do bordel resolvera entrar no quarto e como ela pertencia ao mundo das artes, além de caso de polícia e mídia, a cena virou uma curiosa fotografia.
Quanto ás almas, essas prosseguiram para o inferno do amor demente e sabe-se que se entrega uma a outra eternamente e que desse amor de luxuria estranha nasceu uma flor sanguinolenta e chorosa, de perfume perturbador e que cada ser que se aproxima dela, ama tão desesperadamente que fica como que drogado e experimenta uma extasiante loucura, imerso em uma turba, contorcido de dor.

Rita Maria de Assis





6 comentários:

medusa que costura insanidades disse...

Este conto é uma ode á perversão
quem tiver coragem,que leia...
é um grito também dos que não sabem amar
uma das minhas primeiras produções....

Maria Júlia Pontes disse...

Rita essa uma das suas primeiras?
ahahahah já nasceu feita heinm?
Caraca, alucinante.
curti!!
mj

medusa que costura insanidades disse...

valeu mj
pelos menos uma mortal leu hehe
bjos
Rita

Carlos Cruz disse...

i tem medo.

Ze Lopes disse...

De uma perversão levada ao extremo, o que não inpede de ser um ótimo enquanto literatura

Jarbas Siebiger disse...

Fantástico!