terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estômago.

    ??
    ??
   ??
  ??
 ??
??
Ué??
Cadê??
Voaram?
Fugiram?
Roubaram?
Ninguém diz.
Não me respondem.
Não sei aonde foram,
as tantas borboletinhas.
Será coisa de cientista?
Há tempos já ando notando
que quem se crê cientista
parece se sentir à vontade
para sequestrar friamente 
imprecisões tão singelas. 
Usando redes entomológicas
capturam, mecanicamente,
tudo o que o cabimento
deixava guardado em
seus devidos lugares.
Borboletinhas! 
Pequenas e
enfeitadas de
todas as cores.
Há tempos lá estavam,
de forma um pouco difusa,
armazenadas na câmara escura.
Que realmente não era grande,
mas também não era tão pequena.
Quando voavam roubavam-me o ar.
Eu suspirava com o bater de asas
dos lepidópteros que sabiam como
acusar a sua presença na paisagem.
Agora já não as tenho. como pode?
Você surgindo no horizonte é coisa
tão irrelevante, que me faz pensar
que carrego dentro de mim um vasto 
silencioso cemitério de borboletas. 
Quem se responsabilizará por esse
sumiço repentino dos seres que me
faziam reconhecer que entre alguns
encontros e tantos desencontros, 
repousam doses diárias de 
ácido clorídrico e uma 
noção de amor sofrido.
Sem o voar das tais, 
me sinto vazia. 
Será gastrite?
Ou será azia?
Quero todas,
de volta.

Me dá?

3 comentários:

Ju disse...

Cadê essas borboletas? Por que fazem falta?

Adorei!

Tiago de Aragão disse...

acho que é azia vazia

Mundavra disse...

Te dou!