sexta-feira, 15 de julho de 2011

Revisando conceitos

Esse desmanche de fetiches sob meus pés ferem-me as retinas
e hoje eu não estou para limonadas.

Pouco me importa esse seu olhar enviesado
a atravessar meu semblante interditado;
tudo não passa de um espetáculo improvisado
onde citronelas se defumam lentamente
espantando mosquitos, besouros sensíveis e transeuntes anônimos.

Repare nas minhas mãos esburacadas:
elas estão vazando e não consigo mais
segurar suas mentiras nem meus delírios.
Perceba, minha fome está voltando
e meu desejo de devorar feitiços se manifesta
em cada serpentina
lançada de antigos carnavais.

Hoje eu posso digerir o fogo dos dragões sem queimar minha armadura.

Estou jogando as cartas para o ar a espera da mágica;
não se iluda, que a inocência já se foi há muito.
Agora eu vou morder a mesma víbora que me picou e sorver o seu veneno.
E o deleite é nosso, meu amor.

Então vamos, que o inferno ainda não chegou e temos muito o que morrer.


(Celso Mendes)

4 comentários:

Dolce Vita disse...

Há um desnudamento tão autentico em tua bela e instigante construção poética que me fez pensar que o erotismo (que representa o desejo) ao se ligar à palavra dá à luz ao sentido.

Neste blog consegui comentar porque há a opção "Nome / URL"

Abraços,
Dolce

Jéssica Trabuco disse...

LINDOS versos!

"Hoje eu posso digerir o fogo dos dragões sem queimar minha armadura."

Eu adorei isso!

Natalia Smirnova disse...

Ola, muito legal isso que você escreveu. Gostei. Nada melhor que ler algo bom. Eu agora estou em um projeto de blog-book online chamado “Illegitimate” e está indo muito bem ate agora. Estou apenas no sexto capítulo e com ótimas críticas. De uma olhadinha quando tiver um tempo. Te vejo por lá.
http://pagesoferasedtext.blogspot.com/

Macabea de La Mancha disse...

Adorei a história do escritor do bar - bar do escritor.
Bravo! pelo '(...) temos muito o que morrer'.

Virei mais vezes beber destas palavras!

Maca