sexta-feira, 9 de agosto de 2013

CADEIRA DE RODAS, MULETAS E FISIOTERAPIA. - a saga de uma reabilitação


Ao ficar um ano de cadeira de rodas
Me acalmei
Por saber que voltaria a andar
Relaxei
Sempre fui ansioso
Nesse ano sabático
Fui incentivado a não fazer nada
Ócio deliberado
Todos deveriam experimentar
Coisa fina
Calmaria
Entre muitos baseados e bebidas alcoólicas
O elixir da vida
Baixo Gávea e praia de Ipanema, às vezes Aristides Espínola.
Eu tinha o tempo a meu favor
Bagulhos
Chopes
Tecos
Ácidos
Ecstasys
Bucetas derivavam desse aglomerado de dias e noites em unidade
Deus salve a ilegalidade
Daime todo mau, amém!
A época da promiscuidade ilícita
Velei o sono de várias bundinhas cocainômanas
Mulheres estonteantes
Encantadoras
Eu as droguei
Abusei delas
Fui pau amigo
Em troca recebia bocas insanas
Burguesinhas vocacionais da fixação oral
Na minha condição de paraplégico provisório, mamadas eram volúpias de propriedade.
Mulheres se ajoelhavam diante da cadeira de rodas
Fetiches, são eles que nos diferenciam dos animais.
A melhor trepada da minha vida aconteceu no andamento das quatro rodas
Uma morena de alma apetitosa e corpo cavalar mandou um bilhete pedindo pra ver-me bater punheta
Durante o rito sexual, ela balbuciou palavras de não traição ao namorado.
Degustolhando-me o membro sacerdotal ela falava hipnotizada não estarmos fazendo nada
Um rostinho lindo a centímetros do meu pau confessando seus não pecados
Ejaculei litros de imoralidades qualificadas a décima potência na negação do outrem
O fescenino de minh'alma mandava as promiscuidades da pornografia
Lascividade inebriante
Sexo é isso
O corpo de uma mulher regido pela buceta da alma
Se sexo fosse penetração não existiria homossexualismo feminino
Eu penetrei almas pervertidas
Simples assim
Depois do primeiro ano na cadeira de rodas vieram as muletas
E com elas a fisioterapeuta
De segunda a sexta uma loura recém-formada levantava e abaixava minha perna aparafusada
Exercícios de rotina no seu consultório
Não era só minha perna que ela levantava
Com o tempo ela resolveu dar uma mãozinha
Sessões de fisioterapia peniana faziam parte da minha série de repetições
Seu namorado era ortopedista no mesmo prédio
O meu ortopedista
Foi ele que me indicou a punheterapeuta
Ela era da turma das que se formaram achando que negar a buceta no sentido pedagógico é não trair os seus
Definitivamente meu tipo de mulher
Eu legitimava tal pensamento não a beijando
Aprendi muito com as mulheres dessa turma
Beijar na boca e meter na buceta não pode: é traição.
E isso eu não faço
Eu tenho limites
Mas nem tudo eram férias sabáticas a gozar
Seu namorado e ilustríssimo ortopedista nos pegou no flagrante
Ele não apoiou a teoria da não traição
Tem horas que é melhor apanhar do que explicar
Apanhei
Tomei muita porrada
Bons tempos das trocas justas
Do toma lá da cá
Do aqui se faz aqui se paga
Onde eu dei a porra e recebi o equitativo troco
Hoje ando e corro de um lado pro outro sustentando o conceito de família
Sou a pessoa ao lado almoçando sem vocês perceberem
Normal como Norman Bates
Estou por um fio
Saudades da minha cadeira de rodas

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
CADEIRA DE RODAS, MULETAS E FISIOTERAPIA. de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at www.pablotreuffar.com
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

4 comentários:

Giovani Iemini disse...

"Sexo é isso
O corpo de uma mulher regido pela buceta da alma"

"Normal como Norma Bates"

tu é um gênio, pablito.

adoro!

Pablo Treuffar disse...

obrigado pelas palavras meu nobre Giovani Iemini

Gabriel Machado disse...

Dessa vez você não matou ninguém no final da estória hehehe...

Meio diferente das outras, essa é mais começão mesmo.

Pablo Treuffar disse...

esse é uma ironia sobre o pensar feminino clássico, onde se elas não derem a buceta, não houve sexo, então ta então.