quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Convidado Cacau Oliveira

Gosto de fotos inusitadas, destas que a gente fica viajando na situação, no clima que influenciou aquela atitude ou pose.... Mas o que mais gosto nas fotos é a sua autenticidade, sua forma simples de dizer ao mundo que aquele momento ficou marcado. O riso espontâneo, a expressão séria ou o contido jeito de mostrar-se pelo olhar.
Fotos sempre marcam um momento e uma energia. Por isso nem sempre gosto de posar para fotos sorrindo, por que nem sempre a minha alma assim está. Ela pode estar em uma perfeita escuridão num dia ensolarado em um lugar magnífico. Minha alma requer palavras de contentamento, anseia muito mais por isso do que o riso forçado a amarelar numa foto sem vida.
Pode parecer difícil compreender, e de fato assim o é - mas tudo que eu quero ao retratar uma foto é o seu melhor dentro da beleza que se apresenta naquele instante. E a beleza pode ser séria, ousada, sexy, de perfil ou de olhos baixos...
Aquele instante na foto
  Em tudo ou em todos os lugares em que esteja meu foco, meu olhar, que tudo faça sentido naquele instante é perfeito e belo porque assim se apresenta em seu todo. A dor é bela porque ela assim se mostra em seu todo e em seu todo é real e única. A velhice é bela, porque em cada ruga há uma vida contida em seu traço e cada traço faz parte de um todo que também é único... Tudo é especial ao olhar de quem vê a vida em sua plenitude.
Ao traduzir a luz daquele olhar mágico para um momento especial a ser eternizado em uma foto, vejo minha escuridão íntima, minha película a ser revelada, e aquilo que não se pode ver passa a ser real, definido e como um raio de sol que rompe a vidraça da janela vai formando um fio de luz e mostrando pequenas partículas de pó...E elas dançam!
A escuridão interior da gente deveria dançar no escuro de nossas almas. Deveria ser como os amantes que dançam com os olhos fechados ao som do pulsar de seu coração. E assim, ao ser preso em uma foto nosso momento seria aquele de olhos fechados e coração aos saltos. Numa explosão intensa e inebriante, avassaladora e profunda de nossos sonhos, desejos e verdades. E nossas verdades nem sempre estão preparadas, prontas para a melhor foto. Pode estar de olhos arregalados, marejados, expressão assustada, séria ou com aquele olhar indecifrável e doce.
Gosto de tirar fotos. Mas gosto muito mais de ver que nelas há um pouco de mim e do que sou. Gosto muito de tirar fotos de lugares, coisas e pessoas que amo, mas gosto muito mais de estar em paz comigo, em minha escuridão interior dançando! Deixando minha alma expressar o que não se define, mas se revela em todos lugares, em todas as formas e acima de tudo. Em tudo.
Linda noite.


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Cacau Oliveira
http://cauoliveira.blogspot.com.br/


Um comentário:

Andressa Pereira disse...

Simplesmente incrível!
Fotos são realmente maravilhosas por capturarem no momento certo as melhores cenas que jamais poderíamos rever com todos os detalhes se nos faltasse o "click"
Mas pra ser sincera.
Realmente muito bom o texto, ele "capturou" a essência de uma fotografia em todos os contextos possíveis.

Era Outra vez Amor