sexta-feira, 16 de maio de 2014

O empate

tenho um novo plano
é o mesmo de sempre,
tu me diz,
me entoco
neste buraco
que chamo de casa
encho a cara
e me emboleto

nada de mais,
tu me diz

tenho um novo plano
escrevo febrilmente
na minha Olivetti 82
e me atiro
nas paredes
depois
de um poema
como este

batido,
manjado, tu me diz

tenho um novo plano
um embate
nosso
constante
empate
(malditos leoninos!)
pára com isso,
tu me diz,
escreva algo certeiro

mato a garrafa
apago este poema
no cinzeiro.